Lógica
é o estudo correto da razão ou das inferências válidas e das falácias
presentes, sejam formais ou informais. A lógica ajuda a obter conclusões
corretas sobre um assunto e a evitar erros de pensamento que as pessoas cometem
frequentemente. Utilizamos a lógica no nosso dia a dia, inclusive em questões
religiosas. O uso da lógica e da razão também é encontrada na Bíblia.
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"É função do homem sábio conhecer a ordem" - Aristóteles
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"Vamos raciocinar juntos..." - Isaías 1:18
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"Amarás o Senhor teu Deus com toda ... a tua mente" - Mt. 22:37
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“...A razão da esperança que há em nós.” – I Pe 3:15
- “Destruindo os conselhos, e toda a
altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo o
entendimento à obediência de Cristo;” 2 Coríntios 10:5
A
lógica é construída sobre quatro leis fundamentais:
1. Lei
da não-contradição - algo não pode ser "A" e "não-A" ao
mesmo tempo e no mesmo sentido.
2. Lei
do meio excluído ou do terceiro excluído - algo ou é "A" ou
"não-A" (Não existe uma opção média ou uma terceira opção).
3. Lei
da identidade - "A" é realmente "A".
4. Lei
da inferência racional - por exemplo, todos os homens são mortais, João é
um homem, portanto João é mortal.
Lei da não-contradição
Algo
não pode ser "A" e "não-A" ao mesmo tempo e no mesmo
sentido.
"Deus
existe!" – afirma o Cristão
"Deus
não existe!" – afirma o Ateu
"Ambos
estão certos!" – afirma o Pluralista
Perceba
que o Pluralista é um inimigo mortal da lógica e da razão, pois defende pontos
de vista contraditórios, ferindo portanto a Lei da não-contradição. A forma
mais segura de fazer uma pessoa admitir que acredita na lei da não-contradição
foi apresentada pelo médico e filósofo muçulmano medieval Avicena nos seguintes
termos: "Que aquele que não acredita seja espancado e queimado até admitir
que ser espancado e queimado não é a mesma coisa que não ser espancado e
queimado". – Avicena. O fato de utilizarmos a lógica e a razão no dia a
dia nos impede de ignorar as prescrições médicas com respeito a dosagem de
remédios (não é a mesma coisa tomar um ou 10 comprimidos ao mesmo tempo), e nos
impede de considerar que é a mesma coisa tomar um copo de vitamina de banana ou
um copo de veneno.
Lei do Meio Excluído ou do Terceiro
Excluído
Algo
ou é "A" ou "não-A".
"Tudo
veio de uma eternidade pessoal" - Cristão
"Tudo
veio de uma eternidade impessoal" - Ateu
Não
existe uma opção média ou uma terceira opção. Observe como essa lei ressalta os
atributos da verdade como algo 'restrito' e 'limitado'. Existe uma espécie de
exclusivismo nas proposições de verdade onde o erro deve, necessariamente ser
excluído. As duas afirmações acima não podem ser ambas verdadeiras. Uma terá
que permanecer e a outra excluída, onde também não existe espaço para uma
afirmação média, terceira ou conciliadora.
Lei da Identidade
"A"
é realmente "A".
"Jesus
Cristo é Deus!" - Cristão
"Jesus
Cristo não é Deus"! - Muçulmano
Ou
Jesus Cristo é Deus ou não é! As afirmações teológicas ousadas que são
encontradas principalmente no capítulo 5 do Alcorão, livro sagrado do
Islamismo, religião que surgiu no século 6 depois de Cristo, nega veementemente
a divindade de Jesus, algo reconhecido nas Escrituras Cristãs e pelos pais da
igreja primitiva. O debate dos dias atuais está focado, principalmente, sobre
questões de gênero, onde o gênero biológico é sistematicamente atacado. A lei
da identidade é gravemente ferida em ambos os casos.
Lei da
Inferência Racional
Lógica dedutiva - raciocínio de premissas
verdadeiras a uma conclusão correta.
Tudo o que tem um princípio tem uma causa.
O universo teve um começo.
Portanto, o universo tem uma causa.
A primeira premissa é metafisicamente necessária, a
segunda premissa pôde ser confirmada por observações científicas, então a
conclusão segue naturalmente. Se um dia você chegar em casa do trabalho e
encontrar um cavalo na sua sala, apesar das portas e janelas estarem fechadas e
sem nenhum sinal de arrombamento, você vai inferir logicamente que alguém
colocou aquele cavalo ali. Da mesma forma, se você chegar em casa e encontrar a
casa vazia, você vai inferir logicamente e necessariamente que alguém entrou e
roubou todos os seus móveis. Se entrar em uma rua deserta e encontrar um corpo
caído com um ferimento de arma de fogo na cabeça, você vai inferir logicamente
sobre a existência de um assassino nas proximidades.
Lógica e Razão vs. Pluralismo
O
pluralismo sustenta que nenhuma religião é superior a outra no que diz respeito
à verdade. Veja o que afirmava o famoso heresiarca: "Não faz diferença se
se invoca o Deus mais elevado ou Zeus ou Adonai ou Sabaoth ou Amoun, como os Egípcios
fazem, ou os Papaios, como invocavam os Citas". - Celso, século II. O
pluralismo não é novidade. Afirma que todo o sistema religioso é igualmente bom
no que diz respeito a trazer a salvação da humanidade.
O
pluralismo faz uma afirmação exclusivista - que apenas o Pluralismo é verdade
"O pluralismo não é e não tem sido amplamente popular no mundo em geral;
se o pluralista tivesse nascido em Madagáscar, ou na França medieval,
provavelmente não teria sido um pluralista. Segue-se que ele não deveria ser
pluralista ou que suas crenças pluralistas são produzidas nele por um processo
não confiável de produção de crenças?" - Alvin Plantiga. O principal desafio
do pluralismo é que ele luta contra o conceito de Verdade Absoluta. O
pluralismo é inerentemente relativista. No Pluralismo - “Tudo é verdade”. Então
deveríamos fazer algumas perguntas ao pluralista: (1) “Esta mulher está grávida
e não grávida?”; (2) “O pluralista acredita que as afirmações do exclusivista
são também verdadeiras?;” (3) “O Pluralismo e o Exclusivismo ensinam a mesma
coisa?”; (4) “Como o pluralista sabe que sua visão é verdadeira e as demais são
falsas?”
Para
tanto, é também importante saber identificar as Falácias Lógicas.
Reconhecendo Falácias Lógicas - Significado
– contexto significa tudo
“Jesus
é o Filho de Deus” – Cristão
“Jesus
é o Filho de Deus” – Testemunha de Jeová/Mórmon
Lei
da Identidade. Perceba que as frases são basicamente as mesmas, contudo as
pessoas que as afirmam dão um significado completamente diferente a identidade
de Jesus. Na primeira, Jesus é o Filho de Deus em Essência e Substância,
enquanto que na segunda Jesus é o Filho de Deus por criação e adoção.
Dilema defeituoso
“Você
é uma pessoa de ciência/fatos ou uma pessoa de religião/fé?”
Premissas
da premissa dedutiva não são verdadeiras. Petição de princípio. A pergunta já
pressupõe que a ciência supostamente lida com os fatos enquanto que a
religião/fé lida, supostamente com ilusões (tentando diferir entre algo objetivo
e subjetivo). Outro argumento capcioso na pergunta é a de que a ciência e a
religião são opostos. Erro de categoria – apesar da ciência e da religião
estarem em categorias diferentes, elas não são mutuamente excludentes ou
antagônicas. Esse erro se assemelha a ideia embutida na pergunta “Se Deus criou
todas as coisas, então Quem criou Deus?” Contudo, o argumento que afirma que tudo o que tem um início, tem uma causa,
não contempla Deus e nem poderia, pois dentro da natureza de Deus está o
conceito de eternidade, o que exclui a ideia de criação. Aquele que é eterno
não tem um começo e não pode ser criado.
Ainda
é importante dizer que não negamos que existe, de fato, uma diferença do que é
objetivo e subjetivo na religião. Entretanto, não descartamos a necessidade de
conhecer o contexto em que a Bíblia foi escrita e a mente das pessoas que
viveram naquela época. Mas o principal problema é que existe objetividade e
subjetividade nas afirmações religiosas e científicas. Se você fala “Jesus vive
em meu coração”, isso é de caráter subjetivo, interno, privado e pessoal.
Portanto, existem dois tipos de conhecimento: o que é de alcance público e o
que é pessoal. Algumas coisas são de conhecimento público, como a distância
entre a terra e o sol, ou quem é o atual presidente do Brasil. Outras coisas
são do conhecimento privado, como dor de cabeça ou se estou me sentindo bem. A
noção popular (destrutiva) é que a ciência lida com o que é objetivo, público,
externo e plausível, enquanto a religião lida com o que é subjetivo, privado, interno
e pessoal. Não negamos que certos aspectos da religião sejam pessoais, internos
e particulares, porém defendemos que importantes aspectos do Cristianismo são
objetivos, públicos, externos e plausíveis. O Cristianismo é uma cosmovisão que
faz afirmações sobre a realidade. Tais afirmações são verdadeiras ou falsas. Se
forem verdadeiras, há evidências que podem sustentá-las, portanto, conhecer que
o Cristianismo é verdadeiro deve significar mais do que conhecimento subjetivo,
privado, interior, pessoal. Isso significa que nós podemos saber que ele é
verdadeiro de uma forma objetiva, pública, externa e plausível. Não podemos
esquecer também que essa falácia faz apelo ao argumento da autoridade, deixando
implícito que algum cientista deveria ser autoridade final em todos os
assuntos, o que não é verdade.
Analogia defeituosa
“Acreditar
em Deus é como acreditar em Papai Noel.”
Na
falácia da Analogia Defeituosa, o erro se dá por tentar comparar duas coisas
que não podem ser comparadas. Todos sabem que a figura do Papai Noel é oriunda
do folclore infantil, geralmente popularizada no período das festas natalinas,
presente no imaginário das crianças em relação as árvores de natal e os
presentes. Todos sabem que não passa de um mito, de um personagem que não
existe e de uma crença infantil. A figura de Deus é diferente. Deus é a figura
que evoca a causa de tudo no universo. O próprio universo, o tempo, a matéria,
o espaço, o meio ambiente milimetricamente planejado, os seres vivos, incluindo
nós, os seres humanos, dotados de atributos que são totalmente estranhos na
natureza, a saber, emoção, vontade, consciência, razão e liberdade, por termos
sido criados a imagem e semelhança de Deus. Qualquer ser pensante e minimamente
responsável entenderá que esse tipo de comparação é completamente fora da
realidade. Agora, se dissermos que “crer na teoria da evolução é a mesma coisa
que acreditar no Papai Noel”, pode sim ser uma analogia totalmente válida, pois
a Teoria da Evolução nunca foi observada e se ela realmente ocorreu, ocorreu de
forma totalmente aleatória, sem uma mente inteligente por trás e se essa teoria
gozar realmente de algum status científico, ela teria que ser tríplice,
cósmica, química e biológica, o que seria completamente impossível de ocorrer,
tendo em vista os estágios intricados que ela teria que completar para
realizar-se. Como disse o ateu Quentin Smith em um debate com o William Lane
Craig: “Se o universo foi criado, foi criado do nada, por nada e para nada”. É
melhor acreditar no Papai Noel neste caso.
Consenso Gentium (opinião da maioria)
“A
grande maioria dos cientistas acredita na evolução”
Um
fato interessante nessa falácia é que ela é bem recorrente em conversas e
debates. Outro fato brutalmente verdadeiro é que secularistas, humanistas,
ateus, agnósticos e outros inimigos da fé cristã tomaram conta dos
departamentos de biologia e ciências da maioria das universidades e existe um status
positivo e negativos nestes centros. O status positivo é dado a quem aprovar ou
adotar a teoria da evolução como verdadeira e o status negativo é dado a quem
defender o criacionismo ou a existência de Deus. Eu não estou inventando isso. O
documentarista judeu Ben Stein prova isso no documentário Expelled: no intelligence allowed, disponível no YouTube com
legendas em português. Outro que prova que os criacionistas foram banidos e são
perseguidos nas universidades é o jornalista Larry A. Witham, no livro Where Darwin Meets the Bible: Creationists
and Evolutionists in America, onde ele prova que os departamentos de
ciências são dominados por inimigos do cristianismo e que para se entrar na
elite tem que aceitar e promover a Teoria da Evolução como verdadeira. O fato
não se dá se a teoria é verdadeira ou não. Trabalhei essa questão no meu livro A Visão de Mundo Ateísta. E o principal
ponto da falácia é que a opinião da maioria não corresponde necessariamente a
verdade. Isso é um ponto pacífico.
Apelo ao futuro
“Um
dia o elo perdido entre o homem e seus ancestrais será encontrado”
Também
conectado ao ítem anterior e à teoria da evolução no exemplo. Apesar de
dependermos de conhecimentos ainda não disponíveis em muitas áreas, não podemos
estabelecer uma teoria científica sem o seu lastro principal, que no caso da
teoria da evolução é o elo perdido entre os seres inferiores e o homem. A teoria
enfrenta outros problemas insolúveis como a complexidade irredutível da célula,
a barreira genética dos seres vivos (um ser vivo de uma espécie não se
transforma em outro ser vivo de outra espécie) e a lei da abiogênese (matéria
morta não produz vida), que é o ponto central da evolução. Apelar ao futuro
neste caso não servirá muito.
Falácia Genética
“Você
não é biólogo – como você pode dizer que a evolução não é verdade?”
Também
envolvendo o argumento da autoridade, a falácia genética se relaciona a como
uma crença se origina. No caso do exemplo, a crença verdadeira se originaria de
forma correta por meio de um curso de biologia, o que não é verdade. Outra forma
de atacar a crença religiosa com esta falácia é dizer que a crença se baseia no
local de nascimento das pessoas, o que não anularia a existência de uma
religião ou cosmovisão verdadeira.
Como a
lógica/razão se relaciona com a crença verdadeira? A crença é apenas uma
questão de...
• Pensamento lógico?
• Exame das evidências?
• Reconhecimento da realidade?
…Infelizmente não.
A
crença real envolve mais do que apenas a transferência de informações e o
reconhecimento externo de uma verdade. As pessoas agem contrariamente às
evidências o tempo todo. Leia o texto bíblico abaixo e compare-o com as
afirmações seguintes:
“Porque, se pecarmos voluntariamente,
depois de termos recebido o conhecimento da verdade, já não resta mais
sacrifício pelos pecados,” – Hebreus 10:26
Percebeu a lógica usada na declaração bíblica acima?
A crença real envolve a Vontade. Leia as afirmações abaixo:
“Se alguém nos provasse este Deus dos
cristãos, seríamos ainda menos capazes de acreditar nele.” – Nietzche
“É
nossa preferência que governa contra o cristianismo, não argumentos.” –
Nietsche
“Por que arrazoais sobre estas
coisas em vossos corações?” - Marcos 2:8
“Ó néscios, e tardos de coração
para crer tudo o que os profetas disseram!” – Lucas 24:25
“porque
com o coração se crê, para a justiça...” - Romanos 10:10
“Quando
nos falta a vontade de ver as coisas como elas realmente são, não há nada tão
misterioso quanto o óbvio.” – Irving Kristol, Professor de Sociologia
Resultado final de se concordar que
lógica/razão e religião se misturam:
• Uma
verdadeira base filosófica facilita a crença em algo;
• A
adesão aos Primeiros Princípios é obrigatória na vida e na religião;
•
Falácias lógicas devem ser reconhecidas e superadas;
• O
pluralismo como um sistema de crenças é descartado;
•
Rejeitar o pluralismo não significa [necessariamente] que várias religiões
sejam totalmente falsas;
• A
crença real ainda envolve mais do que uma compreensão de uma posição lógica;
-
"Tão hábil é o erro de imitar a verdade, que ambos estão constantemente sendo
confundidos. Hoje em dia é preciso um olhar aguçado para saber quem é quem
entre Caim e Abel". - A.W. Tozer
-
"Se acreditamos pela fé que Deus falou, uma vez que o que Deus diz é
verdade, tudo o que contradiz a palavra de Deus pode, e deve, ser imediatamente
excluído como falso". - Etienne Gilson
É
o que diz, de fato, o exclusivismo cristão: o Cristianismo Bíblico é verdadeiro
e tudo o que se opõe a ele é falso.
Fonte:
www.confidentchristians.org
Tradução, adaptação e acréscimos Walson Sales