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segunda-feira, 24 de maio de 2021

Série do Bom dia com Teologia: Pequenos textos, grandes insights - Arcanjos


Por William H. Barnes


ARCANJOS. Do grego archaqgeloi, "anjos chefes" ou "anjos de alta posição". A forma plural não é encontrada na Bíblia, mas em Tobias 12.15 [livro apócrifo], Rafael se descreve como "um dos sete anjos que estão prontos e entram diante da glória do Senhor" (cf. Ap 8.2). Mais informações sobre esses sete anjos são encontradas em I Enoque 20 [livro apócrifo], cuja versão Grega os descreve como "arcanjos" e lista seus nomes da seguinte forma: Uriel, Rafael, Raguel, Miguel, Sariel, Gabriel e Remiel, o último sobrenome provavelmente correspondendo ao "arcanjo Jeremiel" de 2 Esdras 4.36 [livro apócrifo]. No Novo Testamento, há duas referências a arcanjos individuais: em I Tessalonicenses 4.16, o chamado do (sem nome) arcanjo é para anunciar a volta do Senhor, e em Judas 9 é feita referência à disputa do arcanjo Miguel com o diabo pelo corpo de Moisés. Mas a escassez dessas referências bíblicas está em nítido contraste com a angelologia detalhadamente e cuidadosamente desenvolvida pelos pais da igreja posteriores.


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Fonte: 


BARNES, William H. Archangels. Em METZGER, Bruce M.; COOGAN, Michael D. The Oxford Companion to the Bible. New York: Oxford University Press, 1993, pp. 54.


Tradução Walson Sales


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sábado, 22 de maio de 2021

Série do Bom dia com Teologia: Pequenos textos, grandes insights - Gabriel



Por Steven Friesen


Gabriel é um dos anjos mais proeminentes na literatura Judaica pós-exílica e nos textos Cristãos, especialmente na literatura extracanônica. Ele é retratado como um dos sete "arcanjos em 1 Enoque 20,7; em outros lugares, ele é um dos quatro anjos próximos do trono de Deus. Essa proximidade a Deus resulta em suas funções distintas. Gabriel intercede junto a Deus pelos oprimidos pelo mal, ele traz `Enoque na presença de Deus, ele explica mistérios sobre eventos políticos futuros e entrega revelações especiais de Deus a indivíduos. Intérpretes Judeus e Cristãos às vezes concluem que textos bíblicos com mensageiros divinos não identificados referem-se aos arcanjos Gabriel e Miguel. Miguel é descrito como um guerreiro, enquanto Gabriel funciona mais frequentemente como um intermediário ou intérprete de sonhos.


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Fonte: 


FRIESEN, Steven. Gabriel. Em METZGER, Bruce M.; COOGAN, Michael D. The Oxford Companion to the Bible. New York: Oxford University Press, 1993, pp. 238.


Tradução Walson Sales


quarta-feira, 11 de novembro de 2020

OS ANJOS - Definição geral


Ao nosso redor há um mundo de espíritos, muito mais populoso, mais poderoso e de maiores recursos do que o nosso próprio mundo visível de seres humanos. Bons e maus espíritos dirigem os passos em nosso meio. Passam de um lugar para outro com a rapidez de um relâmpago e com movimentos imperceptíveis. Eles habitam os espaços ao redor de nos. Sabemos que alguns deles se interessam pelo nosso bem-estar; outros, porém, estão empenhados em fazer-nos mal. Os escritores inspirados fazem-nos descortinar uma visão desse mundo invisível a fim de que possamos ser, tanto confortados como admoestados.  


OS ANJOS

 

1. Sua natureza. 


Os anjos são: 

(a) Criaturas, isto é, seres criados. Foram feitos do nada pelo poder de Deus. Não conhecemos a época exata de sua criação, porém sabemos que antes que aparecesse o homem, já eles existiam havia muito tempo, e que a rebelião daqueles sob Satanás se havia registrado, deixando duas classes — os anjos bons e os anjos maus. Sendo eles criaturas, recusam a adoração (Apoc. 19:10; 22:8, 9) e ao homem, por sua parte, é proibido adorá-los. (Gal. 2:18)   


(b) Espíritos. Os anjos são descritos como espíritos, porque, diferentes dos homens, eles não estão limitados às condições naturais e físicas. Aparecem e desaparecem à vontade, e movimentam-se com uma rapidez inconcebível sem usar meios naturais. Apesar de serem puramente espíritos, têm o poder de assumir a forma de corpos humanos a fim de tornar visível sua presença aos sentidos do homem. (Gên. 19:1-3.).


(c) Imortais, isto é, não estão sujeitos à morte. Em Lucas 20:34-36, Jesus explica aos saduceus que os santos ressuscitados serão como os anjos no sentido de que não podem mais morrer.   


(d) Numerosos. As Escrituras nos ensinam que seu número é muito grande. "Milhares de milhares o serviam, e milhões de milhões" (Dan. 7:10). "Mais de doze legiões de anjos" (Mat. 26:53). "Multidão dos exércitos celestiais" (Luc. 2:13). "E aos muitos milhares de anjos" (Heb. 12:22). Portanto, seu Criador e Mestre é descrito como o "Senhor dos exércitos".   


(e) Sem sexo. Os anjos sempre são descritos como varões, porém na realidade não têm sexo; não propagam a sua espécie. (Luc. 20:34, 35.)   


2. Sua classificação. 


 Visto como "a ordem é a primeira das leis do céu", é de esperar que os anjos estejam classificados segundo o seu posto e atividade. Tal classificação é implícita em 1Ped. 3:22, onde lemos: "os anjos, as autoridades, e as potências". (Vide Col. 1:16; Efés. 1:20, 21.)   


(a) Anjo do Senhor. A maneira pela qual o "Anjo do Senhor" é descrito, distingue-o de qualquer outro anjo. É-lhe atribuído o poder de perdoar ou reter pecados, conforme diz o Antigo Testamento. O nome de Deus está nele. (Êxo. 23:20-23.) Em Êxo. 32:34 se diz: "Meu anjo irá adiante de ti"; em Êxo. 33:14 há esta variação: "Minha presença (literalmente, 'meu rosto') irá contigo para te fazer descansar." As duas expressões são combinadas em Isa. 63:9; "Em toda a angústia deles foi ele angustiado, e o anjo da sua face os salvou." Duas coisas importantes são ditas acerca desse anjo: primeiro, que o nome de Jeová , isto é, seu caráter revelado, está nele; segundo, que ele é o rosto de Jeová , ou melhor, o rosto de Jeová pode-se ver nele. Por isso tem o poder de salvar (Isa. 63:9); de recusar o perdão (Êxo. 23:21). Veja- se também a identificação que Jacó fez do anjo com o próprio Deus. (Gên. 32:30; 48:16.) não se pode evitar a conclusão de que este Anjo misterioso não é outro senão o Filho de Deus, o Messias, o Libertador de Israel, e o que seria o Salvador do mundo. Portanto, o Anjo do Senhor é realmente um ser incriado.   


(b) Arcanjo. Miguel é mencionado como o arcanjo, o anjo principal. (Jud. 9; Apoc. 12:7; vide 1 Tess. 4:16.) Ele aparece como o anjo protetor da nação israelita. (Dan. 12:1.) A maneira pela qual Gabriel é mencionado, também indica que ele é de uma classe muito elevada. Ele está diante da presença de Deus (Luc. 1:19) e a ele são confiadas as mensagens de mais elevada importância com relação ao reino de Deus. (Dan. 8:16; 9:21.)  


(c) Anjos eleitos são provavelmente aqueles que permaneceram fiéis a Deus durante a rebelião de Satanás, (1 Tim. 5:21; Mat. 25:41.)  


(d) Anjos das nações. Dan. 10:13, 20 parece ensinar que cada nação tem seu anjo protetor, o qual se interessa pelo bem- estar dela. Era tempo de os judeus regressarem do cativeiro (Dan. 9:1, 2), e Daniel se dedicou a orar e a jejuar pela sua volta. Depois de três semanas, um anjo apareceu-lhe e deu como razão da demora o fato de que o príncipe, ou anjo da Pérsia, havia-se oposto ao retorno dos judeus. A razão talvez fosse por não desejar perder a influência deles na Pérsia. O anjo lhe disse que a sua petição para o regresso dos judeus não tinha apoio a não ser o de Miguel, o príncipe da nação hebraica. (Dan. 10:21.) O príncipe dos gregos também não estava inclinado a favorecer a volta dos judeus. (Dan. 10:20.) A palavra do Novo Testamento "principados" pode referir-se a esses príncipes angélicos das nações; e o termo é usado tanto para os anjos bons como para os maus. (Efés. 3:10; Gal. 2:15; Efés. 6:12.)  


(e) Os querubins parecem ser de uma classe elevada de anjos relacionados com os propósitos retributivos (Gên. 3:24) e redentores (Êxo. 25:22) de Deus, para com o homem. Eles são descritos como tendo rostos de leão, de homem, de boi e de águia, e isto sugere que representam uma perfeição de criaturas — força de leão, inteligência de homem, rapidez de guia, e serviço semelhante ao que o boi presta. Essa composição de formas e sua aproximação de Deus asseguram que "a própria criação será libertada do cativeiro da corrupção" (Rom. 8:21, V.B.)

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(f) Os serafins são mencionados em Isaías, capítulo 6. Pouco sabemos acerca deles. Certo escritor crê que eles constituem a ordem mais elevada de anjos e que a característica que os distingue é um ardente amor a Deus. A palavra serafins significa literalmente "ardentes".   


3. Seu caráter.  


(a) Obedientes. Eles cumprem os seus encargos sem questionar ou vacilar. Por isso oramos: "Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu" (Mat. 6:10; vide Sal. 103:20; Jud. 6; 1 Ped. 3:22).   


(b) Reverentes. Sua atividade mais elevada é a adoração a Deus. (Nee. 9:6; Fil. 2:9-11; Heb. 1:6.)

   

(c) Sábios. "Como um anjo... para discernir o bem do mal", era uma expressão proverbial em Israel. (2 Sam. 14:17.) A inteligência dos anjos excede a dos homens nesta vida, porém é necessariamente finita. Os anjos não podem diretamente discernir os nossos pensamentos (1 Reis 8:39) e os seus conhecimentos dos mistérios da graça são limitados, (1 Ped. 1:12.) Como diz certo escritor: "Imagina-se que a capacidade intelectual dum anjo tenha uma compreensão mais vasta do que a nossa; que uma só imagem na mente angelical contenha mais detalhes do que uma vida toda de estudos poderia proporcionar aqui."   


(d) Mansos. não abrigam ressentimentos pessoais, nem injuriam os seus opositores. (2 Ped. 2:11; Jud. 9.) 


(e) Poderosos. São "magníficos em poder" (Sal. 103:20).   


(f) Santos. Sendo separados por Deus e para Deus, são "santos anjos" (Apoc. 14:10).  


4. Sua obra. 


(a) Agentes de Deus. São mencionados como os executores dos pronunciamentos de Deus. (Gên. 3:24; Num. 22:22-27; Mat. 13:39,41,49; 16:27; 24:31; Mar. 13:27; Gên. 19:1; 2 Sam. 24:16; 2 Reis 19:35; Atos 12:23.)

   

(b) Mensageiros de Deus. (Anjo significa literalmente "mensageiro".) Por meio dos anjos Deus envia: (1) Anunciações (Luc. 1:11-20; Mat. 1:20, 21). (2) Advertências (Mat. 2:13; Heb. 2:2). (3) Instrução (Mat. 28:2-6; Atos 10:3; Dan. 4:13- 17). (4) Encorajamento (Atos 27:23; Gên. 28:12). (5) Revelação (Atos 7:53; Gál. 3:19; Heb. 2:2; Dan. 9:21-27; Apoc. 1:1).   


(c) Servos de Deus. "não são porventura todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?" (Heb. 1:14). Os anjos são enviados para sustentar (Mat. 4:11; Luc. 22:43; 1 Reis 19:5); para preservar (Gên. 16:7; 24:7; Êxo. 23:20; Apoc. 7:1); para resgatar (Num. 20:16; Sal. 34:7; 91:11; Isa. 63:9; Dan. 6:22; Gên. 48:16; Mat. 26:53); para interceder (Zac. 1:12; Apoc. 8:3,4); para servir aos justos depois da morte (Luc. 16:22). Lendo os versículos acima citados à luz das palavras de nosso Senhor em Mat. 18:10, alguns formaram a doutrina de "Anjos Protetores", a qual ensina que cada crente tem um anjo especial designado para guardá-lo e protegê-lo durante a vida. Eles afirmam que as palavras em Atos 12:15 implicam que os cristãos primitivos entenderam dessa maneira as palavras do Senhor. Não podemos ser dogmáticos sobre o assunto; entretanto, as promessas de ajuda por parte dos anjos são suficientemente numerosas e claras para proverem uma fonte de animo para todos os cristãos


Extraido da obra: Conhecendo as doutrinas da Bíblia, Myer Pearlman, pp. 67-71.


Compilado por 

Edson Moraes

domingo, 19 de julho de 2020

O Anjo Gabriel


"E, respondendo o anjo, disse-lhe: Eu sou Gabriel, que assisto diante de Deus, e fui enviado a falar-te e dar-te estas alegres novas" (Lc 1.19). O anjo Gabriel vem citado nas seguintes passagens das Escrituras (Dn 8.16 e ss; 9.21 e ss; Lc 1.19,26), mas como sendo "um anjo do Senhor" ele está em foco, provavelmente, nestas passagens, NT: Mateus 1.20,24; 2.13,19; Lucas 1.11,19,26; Atos 8.26; 12.7,11; 27.23 etc. Seu nome em hebraico é "Gabhri'êm", e significa "o herói de Deus", ou, segundo outros, "varão de Deus". Segundo a tradição judaica, Gabriel era o guardião do tesouro sagrado. Miguel era'o destruidor do mal, agente de Deus contra qualquer força contrária à vontade divina. Gabriel é também o mensageiro da paz e da restauração. No livro de Tobias (livro apócrifo), Gabriel é pintado como um dos sete arcanjos que estão na presença de Deus. Nessa qualidade, segundo o conceito judaico, as suas palavras merecem aceitação sem reservas.  

Gabriel é primordialmente o mensageiro da misericórdia e da promessa divina. Ele aparece quatro vezes na Bíblia. Nas Escrituras encontramos nosso primeiro toque sobre Gabriel (Dn 8.15,16). Ali ele anuncia a visão de Deus para o "fim dos tempos". Ali fala-se também que ele foi despertado por uma poderosa voz que "gritou". Essa voz, sem dúvida, é a voz de Deus, o Pai. O Deus Eterno está em foco! Jamais um anjo comum falaria ou se dirigiria a tão elevado poder dessa forma. Nas quatro vezes que ele aparece nas Escrituras, à semelhança de Miguel, é sempre visto em missões específicas. 

Os judeus em sua concepção angélica dão os nomes de quatro anjos que supostamente rodeiam o trono de Deus e que são dotados de posição e poderes especiais: Miguel, Gabriel, Uriel e Rafael. "Miguel", segundo eles, põe a sua mão à direita de Deus, e Uriel a sua mão esquerda; Gabriel está em sua presença (conforme ele mesmo diz sobre si mesmo). 

Nas quatro ocasiões em que este anjo aparece nas Escrituras, é sempre trazendo boas-novas. Alguns têm pensado que ele seja também um arcanjo, mas as Escrituras não nos revelam isto. A concepção de que Gabriel é "um dos sete arcanjos" prende-se aos livros não-canônicos do pós-exílio; mas escrituristicamente falando, isso não é provável. 

Observemos suas aparições e cada uma delas, com sentido especial. 
Em Daniel 8.16, ele aparece a Daniel fazendo a interpretação da visão do "bode peludo" que, na sua interpretação representava o império greco-macedônico. 
Em Daniel 9.21, há uma nova aparição de Gabriel, para esclarecer a Daniel o segredo das "setenta semanas" escatológicas, nas quais, Jerusalém seria reedificada; o Messias haveria de vir; a cidade depois de sua reedificação e vinda do Messias seria destruída e o santuário profanado (Dn 9.24-27). 

Em Lucas 1.11 e seguintes, ele aparece a Zacarias, e pormenorizadamente anuncia o nascimento de João Batista. Ali, então, dada a incredulidade do sacerdote na sua palavra, ele se identifica dizendo: "...Eu sou Gabriel, que assisto diante de Deus, e fui enviado a falar-te estas alegres novas" (Lc 1.19b); e, depois acrescenta: "E eis que ficarás mudo, e não poderás falar até ao dia em que estas coisas aconteçam..." (Lc 1.20a). Em cumprimento à sua expressa ordem, Zacarias ficou mudo e surdo ao mesmo tempo (cf. Lc 1.22,62). 

Em Lucas 1.26 e seguintes, Gabriel é novamente enviado por Deus à Virgem Maria para predizer o nascimento de Jesus Cristo. Seu primeiro contato com ela foi "...Salve, agraciada; o Senhor é contigo: bendita és tu entre as mulheres" (Lc 1.28b). Seu nome, Gabriel, é visto também como o Embaixador de Deus, em razão das suas aparições na Terra terem o caráter especial de um embaixador. Observe, pois: 
Primeiro, trouxe a Daniel uma embaixada divina sobre o futuro de Israel por duas vezes (Dn 8.8,16 e ss; 9.21 e ss). 
Segundo, avisou a Zacarias o nascimento de João Batista e também deu instrução para serem seguidas por sua esposa Isabel (Lc 1.11 e ss). 
Terceiro, trouxe ao mundo (através de Maria) a notícia alvissareira do nascimento de Jesus Cristo (Lc 1.26 e ss). 

Josefo nos informa que o povo judeu estava bem familiarizado com este anjo. "Gabriel era o nome do príncipe angélico enviado do Céu, a fim de fazer os preparativos para a chegada do Filho de Deus (Lc 1.19,26). Diz o historiador Lucas que foi ele o anjo que, com a milícia celestial, apareceu aos pastores (Lc 2.9,13). E também o que fora enviado a José (Mt 1.24), e dirigiu a fuga para o Egito (Mt 2.13,19). Dera a Daniel a profecia das setenta semanas (Dn 9.24-27). Como esteve ele interessado na redenção humana! E como apreciaremos conhecê-lo, quando chegarmos no céu!" Seja como for, Gabriel é um elevado poder angelical, da mais alta confiança da corte celestial: Ele assiste diante de Deus.

"Trecho do livro: Os Anjos - Sua natureza e ofício" (Severino Pedro da Silva)

Por 
Edson Moraes

sábado, 4 de julho de 2020

O Arcanjo Miguel

"Mas o arcanjo Miguel, quando contendia com o Diabo, e disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar juízo de maldição contra ele; mas disse: O Senhor te repreenda" (Jd v 9). "Archangelos" (Arcanjos): a expressão é somente usada aqui e em 1 Tessalonicenses 4.16 em todo o Novo Testamento. Designa algum poder altíssimo angelical, dotado de autoridade sobre larga área, celestial ou terrena. O livro de Enoque (considerado apócrifo) dá os nomes de sete arcanjos, a saber: Uriel, Rafael, Raquel, Saracael, Miguel, Gabriel e Remiel. Segundo é dito ali, a cada um deles Deus entregou uma província sobre a qual reina. 
A província de Miguel seria autoridade "sobre a melhor porção da humanidade e sobre os caos". Os escritos judaicos fazem assim dele o protetor de Israel como nação. 
O Arcanjo. Apesar daquilo que se depreende dos livros não- canônicos, isto é, que há sete arcanjos, as Escrituras Sagradas só designam um, Miguel, como Arcanjo (Jd v 9); talvez antes de sua queda, Lúcifer, (o resplandecente) fosse também um arcanjo, igual a Miguel (Ez 28.1 e ss). Mas por causa do seu pecado, teve seu título cassado por Deus, e agora apenas é tratado assim: "tu eras".
"O prefixo 'are' sugere um anjo-chefe, principal ou poderoso. Assim, Miguel é agora o anjo acima de todos os anjos, reconhecido como sendo o primeiro príncipe do Céu. É o primeiro-ministro da administração divina do Universo, sendo o 'administrador angélico' de Deus para o povo judeu, também o será para o juízo". O arcanjo em foco é sempre representado como um anjo-chefe, o capitão dos exércitos celestiais (Ap 12.7). 
No Antigo Testamento, Miguel aparece primordialmente identificado com Israel como nação. Deste modo, Deus fala dele como o príncipe do povo eleito: "Naquele tempo se levantará Miguel, o grande príncipe, que se levantará pelos filhos do teu povo..." (Dn 12.1a). Ele protege e defende em caráter especial o povo eleito de Deus. Seja como for, ele é sempre visto como o Arcanjo representado. 
Os "principados" (Cl 1.16) para os escritos pós-bíblicos são tipos de arcanjos. As explicações judaicas dadas sobre esse tema indicam que tais anjos têm, sob suas ordens, vasto número de seres espirituais. São quais "reis celestiais", com muitíssimos súditos; mas eles mesmos estão, naturalmente, sujeitos a Deus, o Grande Rei. 
Estes mesmos escritos defendiam que, talvez o trecho de Atos 7.38, se refira a Miguel como o anjo enviado na doação da Lei. Em qualquer conexão das Escrituras, Miguel é sempre pintado "como um anjo guerreiro". Miguel, em hebraico significa "Quem é semelhante a Deus". Não nos é revelado o porquê deste significado, mas pode ser, em oposição às disposições hostis de Satanás, que disse: "...subirei acima das mais altas nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo" (Is 14.14). Assim, nasce o nome "Miguel", acrescentado ao vocábulo "Arcanjo" (chefe), para defender que, nenhum ser criado pode ser "semelhante a Deus". Este deve ser o sentido do pensamento. 
Miguel entra em foco nas seguintes passagens (Dn 10.13,21; 12.1; 1 Ts 4.16; Jd v. 9; Ap 12.7). Na passagem de Daniel 10.13,21 e 12.1, ele é pintado como o anjo guardião de Israel. Seu nome: "O arcanjo" (Jd v. 9), deriva-se do vocábulo "arc", que quer dizer "chefe", complementado no sufixo "mensageiro" que quer dizer "anjo". Miguel, portanto, é chefe dos anjos, enquanto que Jesus é o Senhor de Todos (Hb 1.4-6). Ele é chamado em Daniel (10.13,21): "...um dos primeiros príncipes" e "vosso príncipe". Nessa capacidade lhe é peculiarmente apropriada que ele é o Arcanjo representado. Alguns teólogos o chamam de "O mensageiro da Lei e do juízo" ou do "julgamento" de Deus. Os teólogos medievais concebiam que a Bíblia apresenta a existência do príncipe do mal, a epítome de toda a maldade, uma pessoa real, e que Miguel, seria, segundo este pensamento, o Príncipe do bem, em oposição àquele. 
Comandando os exércitos que combateram a Satanás, o grande dragão, e todos os seus sequazes, Miguel, sempre se destaca isolado! De vez que a Bíblia nunca se refere a arcanjos, apenas ao "Arcanjo". Seu nome "Miklã'el", no hebraico é sinônimo de Micaías e Mica. É nome pessoal de onze personagens mencionados nas Escrituras, apenas uma delas recebe mais do que uma referência passageira. Essa exceção é o Arcanjo Miguel. Sobre o ministério, ou função por ele desempenhada, vejamos: 
Em Daniel 10.13,21 e 12.1, sua missão específica é guardar e proteger a nação israelita. Mas é óbvio que suas atividades são as mais variadas, envolvendo até mesmo uma vastíssima área. Isso nos fornece alguns pensamentos quanto à sua piedade, mesmo sendo guerreiro, e poderoso (Jd v 9), e, no tocante ao ministério dos anjos, destaca-se como comandante. 
Em 1 Tessalonicenses 4.16, Miguel, o arcanjo, virá aos brados, acompanhando Jesus na sua vinda para o arrebatamento. Não apenas proclamará a nova incomparável e emocionante de que Jesus retorna, como também pronunciará simultaneamente com Cristo a palavra de vida para todos os que "...dormem em Cristo e aguardam a ressurreição: "Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido e com voz de arcanjo... e os que morreram em Cristo ressuscitarão... Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens..." 
Em Judas (v 9), ele é visto a contender com o Diabo. A disputa diz respeito ao corpo de Moisés: "Mas o arcanjo Miguel, quando contendia com o Diabo, e disputava a res peito do corpo de Moisés..." Sobre isto, há muitas tradições tais como: "Esta disputa teve lugar com o Diabo re- clamando para si 'o corpo de Moisés"'. Ele alegara que Moisés pertencia à uma ordem material e que ele fora homicida no passado (Êx 2.11-15), por esse motivo não merecia um sepultamento decente. O segundo ponto desta tradição se prende à resposta de Miguel à Satanás. Vejamos, pois: "Miguel responde a essa primeira acusação, alegando que o Senhor é o Criador e Governador do mundo material, pelo que Satanás nada tinha a dizer acerca do que ocorresse com o corpo de Moisés". A segunda acusação de Satanás não se prendia tão somente à falha de Moisés, mas era apenas um embuste para poder adquirir seu corpo, para fazer do mesmo um "ídolo" monumental, para com ele corromper a nação israelita. 
Miguel, então, solicita a imediata ajuda de Deus, e este guardou o corpo de Moisés da "vista da serpente", e a seguir ordenou a Miguel triunfar sobre ele com um só golpe: "O Senhor te repreenda!" (cf. Zc 3.2; Jd v 9). Assim Miguel, pela razão e ajuda direta de Deus, saiu vencedor. (Citado por Adam and Chrales Black, Londres, 1897, The Assump of Moses, pp. 105-110). 
Em Apocalipse 12.7, Miguel é visto a combater o Diabo e seus anjos em defesa do Céu. A passagem em foco apresenta um segundo quadro da revolta original de Satanás quando se rebelou contra Deus no passado (Is 14.12-16; Ez 28.1 e ss). Mas em todas as passagens em que Miguel aparece no cenário da História angelical, é sempre em conexão com a guerra; mas sempre triunfante! Até o dia do arrebatamento, Miguel não terminará sua missão. Portanto, poderá nos socorrer quando for necessário! (SI 34.7).

Pedro, Severino. Os Anjos sua natureza e oficio, 1987, Ed. CPAD.

Compilado por 
Edson Moraes

quinta-feira, 11 de junho de 2020

O ministério angelical no Antigo Testamento

Os anjos são agentes de Deus que estão sob Sua autoridade, servindo como mensageiros do Senhor, a fim de cumprirem Seus propósitos, quer seja no envio de alguma mensagem especifica, bem como na execução do juízo Divino. Embora não tenham sido mencionados na criação em Gênesis 1 e 2, as Escrituras revelam que foram criados por Deus, numa época que não temos conhecimento. Acerca da forma que foram criados, assim se expressou o salmista: “Louvai-o todos os seus anjos; louvai-o todo o exército celestial! [...] Louvem o nome do Senhor; pois ele deu ordem e logo foram criados” (Sl 148.2,5).

Os seres angelicais tiveram um papel significativo em todo o Antigo Testamento, visto que as diretrizes dadas por Deus ao seu povo como norma de conduta e convívio social, a saber, a “Lei mosaica”, fora dada a nação de Israel por intermédio destes seres celestiais, conforme a pregação de Estevão, registrada por Lucas: “Vós que recebestes a lei por ordenação dos anjos e não a guardastes” (At 7.53). Corroborando com esta verdade, o apóstolo Paulo escreveu aos Gálatas: “A lei […] foi posta pelos anjos pela mão de um mediador” (Gl 3.19). Desta forma vemos que tanto Estevão quanto Paulo concordavam que a lei no Sinai foi dada pelos anjos. Analisando o Texto de Atos, Marshall (2014) trouxe o seguinte comentário: “[…] A lei de Deus, dada do modo mais impressionante possível, por anjos como seus intermediários. Embora a presença de anjos não fosse mencionado no Antigo Testamento (A não ser na LXX em Dt 33.2), mesmo assim era parte firme da tradição judaica e foi aceita pelos cristãos primitivos (Gl 3.19; Hb 2.2)”. Fortalecendo este pensamento, no tocante à descida de Deus no Monte Sinai, assim registrou certo escritor: “…Quando Deus se dirigiu ao povo; trata-se de um acontecimento de primeira magnitude e nele se pode incluir a visitação de hostes angelicais. Em meio as nuvens crescentes que cobriam o Sinai, um anjo anunciou a presença de Deus” (PEDRO, 1987, p.77).

Além da aparição no Sinai, há diversas ocasiões, em momentos marcantes no período VeteroTestamentário em que a visitação dos anjos podem ser percebidas. No Antigo Testamento a palavra anjo aparece 210 vezes, enquanto a palavra anjos ocorre em 90 ocasiões (OLIVEIRA, 2012, p. 203). A primeira menção que as Escrituras referem-se à um anjo está registrada em Gênesis 16.7 no episódio em que a concubina Hagar foge de sua senhora Sara, assim está escrito: “E o anjo do Senhor a achou junto a fonte de água no deserto, junto à fonte no caminho de Sur”. Esta aparição providencial foi uma intervenção de Deus, com uma mensagem para Hagar, através de seu agente, um anjo. Em relação à esta ocorrência, referindo-se a este anjo, assim expressou Walton: “Visto que estes mensageiros representam Deus, eles não falam por si mesmos, mas somente em nome de Deus .[…] Tinham a autoridade para falar no nome de quem representavam e eram tratados como se fossem a pessoa que representavam” (WALTON, 2018, p. 58). Vemos então que os anjos cumprem apenas a vontade de Deus, não omitindo ou acrescentando palavra alguma a sua fala, visto que sua vontade está em executar os desígnios de Deus. Embora tenham a autoridade no nome do Senhor, não usurpam ou reinvidicam para si a glória pela execução de seus atos, pelo contrário, o que vemos é a rejeição da adoração humana e a instrução de adorar somente a Deus (Ap 19.10).
Após esta aparição à Hagar, o anjo do Senhor é o responsável por anunciar a Abrãão o nascimento de Isaque (Gn 18.1 e ss.), foram os anjos que anunciaram a destruição das cidades de Sodoma e Gomorra (Gn 18.16 e ss.), inclusive salvando a vida de Ló e sua família do juizo Divino derramado naquelas cidades (Gn 19.1 e ss.). A vida de Abraão foi marcada pelo aparecimento de anjos em diversas ocasiões, mas certamente nenhuma foi tão marcante quanto a aparição no Monte Moriá, no momento em que o patriarca sacrificaria seu filho(Gn 22.11,12).

Outro importante personagem da Antiga Aliança, que recebeu visitações angelicais, com mensagens da parte de Deus, de forma individual e coletiva, foi Moisés. A primeira experiência se deu em sua chamada no deserto: “E apareceu-lhe o anjo do Senhor em uma chama de fogo, no meio de uma sarça” (Ex 3.2). Embora evidentemente aqui seja o próprio Senhor quem apareceu ao profeta, visto que Deus também apareceu a Abraão como o Anjo do Senhor (STAMPS, 2002, p. 119). A primeira manifestação que a nação de Israel teve da parte de Deus, por meio de um anjo, foi na travessia do Mar Vermelho: “E o anjo de Deus, que ia adiante do povo de Israel, se retirou e ia atrás deles” (Ex 14.19). Vemos nesta passagem o cuidado de Deus em proteger o seu povo dos egípcios que vinham logo atrás, a fim de destruir a nação de Israel, porém mais uma vez o Senhor envia seus agentes para cumprir seu decreto. Daí em diante , o envio de anjos da parte do Senhor, para tratar com os Israelitas foi algo recorrente: para os proteger (Ex 23.20,23); para os punir (Ex 32.34) e exortar os rebeldes ao arrependimento (Nm 22.31-35).
Em todo o curso da peregrinação no deserto, durante os quarenta anos, a nação de Israel estava amparada por Deus, através de seus mensageiros. O próprio Moisés reconhece que Deus enviou seu anjo para libertar a Israel da opressão do Egito: “E clamamos ao Senhor, e ele ouviu a nossa voz, e mandou um anjo e nos tirou do Egito” (Nm 20.16).

Após a morte de Moisés e seu sucessor Josué, já com a terra dividida entre as doze tribos de Israel, num dos períodos mais sombrios da história dos descendentes de Abraão, devido a apostasia e idolatria do povo, ainda assim, Deus sempre estava se comunicando com a nação por meio dos seres angelicais. Devido a situação pecaminosa em que o povo estava inserido, Deus se utiliza de um anjo para repreender os israelitas (Jz 2.1). Todavia a obstinação da nação em desobedecer a voz do Senhor, lhes causou duro juízo Dívino, visto que o Senhor levantava uma nação para subjugar seu povo. Em dado momento, Deus levanta os midianitas para punir a Israel, mas como houve humilhação diante do Senhor por parte da nação, Deus enviou um anjo para comissionar a Gideão a fim de libertar o povo de seus algozes. É também um anjo o responsável por anunciar a Manoá o nascimento de seu filho, Sansão (Js 13.1 e ss).

Vemos a ação de Deus, através dos anjos no período da monarquia em Israel, basicamente de duas formas: Em certos momentos castigando e punindo o povo e noutros livrando-os de seus inimigos. 
Por conta de uma atitude insensata e soberba por parte do rei Davi, o Senhor determinou a punição à nação e enviou um anjo para aplicar seu juízo, matando assim setenta mil homens em Israel (2 Sm 24.14).
Após fugir de Jezabel, Elias estando debaixo de um zimbro, desejando a morte, mas foi visitado por um anjo, que lhe acudiu com alimento, que lhe deu força para caminhar por quarenta dias (1 Rs 19.5-8).
Após ser cercado pelo exército do rei da Síria, o moço de Eliseu se viu extremamente angustiado, mas após a oração do profeta, os olhos do moço foram abertos e pôde contemplar o monte repleto de anjos de Deus, o exército celestial (2 Rs 6.14-17). 

Em suma vemos a ação angelical em todo o período do Antigo testamento, na vida de muitos personagens, além dos que mencionamos: “Eliezer (Gn 22.7); Jacó (Gn 28.12; 31.11,12; 32.1,2; 48.16); Balaão (Nm 22.22-35); Josué (Js 5.13-15); Araúna (1 Cr 21.20); Gade (1Cr 21.18); Isaías (Is 6.2-7); Ezequiel (Ez 1.2-10); Sadraque, Mesaque e Abede-Nego (Dn 3.25,28); Daniel (Dn 6.22); Dario (Dn 10.5-21; 11.1); Zacarias (Zc 1.9), Josué, o sumo sacerdote (Zc 3.3) entre outros” (PEDRO, 1987, p. 79).
Portanto a aparição de anjos e sua visitação de forma invisível foi uma realidade constante na vida dos patriarcas, profetas, reis, sacerdotes e à nação de Israel, como um todo, eles sempre estiveram interagindo com o povo, acampando ao seu redor para livrá-los (Sl 34.7), porque parte do Senhor tal ordem, a fim de proteger o seu povo (Sl 91.11), logo é uma verdade inquestionável seu ministério e ação nas páginas do Antigo Testamento.

Referências 

CHAVALAS, Mark W, MATTHEWS, Victor H, WALTON, Jonh H. Comentário Histórico-cultural da Bíblia: Antigo Testamento, São Paulo, 2018. Ed. Vida Nova. 

MARSHALL, Howard. Atos: Introdução e comentário, São Paulo, 2014. Ed. Vida Nova.

OLIVEIRA, Oseias Gomes. Concordância Bíblica exaustiva Joshua, Vol. 1 A-D. 2012, Rio de Janeiro. Ed. Acadêmico

PEDRO, Severino. Os anjos: sua natureza e ofício. Rio de Janeiro, 1987. Ed. CPAD. 

STAMPS, Donald. Bíblia de estudo Pentecostal, 2002. Ed. CPAD.

Por 
Edson Moraes

domingo, 31 de maio de 2020

Propósitos e características dos anjos


Os anjos são seres criados por Deus, estando à Seu serviço, para cumprir seus propósitos, possuindo ainda a incumbência de servir aos servos do Senhor, pois de acordo com as Escrituras são eles “espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação” (Hb 1.14). Embora a etimologia de seu nome remeta a mensageiro, os anjos são enviados por Deus com outras finalidades, visto que encontramos na Bíblia sua ação para: dar livramento ao servo de Deus (Sl 34.7); executar um juízo divino (Is 37.36) e obviamente, trazer uma mensagem da parte do Senhor (Dn 10.12). Vemos uma boa exposição das ações dos anjos em diversas oportunidades: “Outros exemplos incluem os anjos diante do túmulo de Jesus (Mt 28.2-7; Mc 16.5-7; Lc 24.4-7; Jo 20.11-13), e o livramentos dos apóstolos pelos anjos (At 5.18-20; 12.7-10; 27.23-26). Um anjo também deu orientação a Felipe, por que Deus vira a fé e o desejo do eunuco etíope, e queria que este se tornasse herdeiro da salvação (at 8.26). Foi também um anjo que levou a mensagem de Deus a Cornélio, para que este fosse salvo (At 10.3-6). Tais intervenções são ministérios da palavra de Deus” (HORTON, 2015, p. 198-199).

Muitas são as especulações que no curso da história foram criadas acerca destes seres, a genialidade humana traça aspectos belíssimos, tais como: seres de olhos azuis, cabelos encaracolados, trajando armadura de guerreiro, entre outras características. Alem de diversos nomes, a saber: Ariel, Rafael, Hazael, Raniel, Miguel, Gabriel e assim por diante. Apenas os dois últimos são mencionados nas Escrituras, quanto aos demais não passam de conjecturas humanas.
Não sabemos a quantidade dos anjos na esfera celestial, a certeza que temos é que são muitíssimos, uma vez que em Hebreus lemos “muitos milhares” (Hb 12.22) e em Apocalipse “milhões de milhões e milhares de milhares” (Ap 5.11), além disso  ao ser preso pelos seus algozes, Jesus apóia a idéia de um número mui grande de anjos no céu “Ou pensas tu que eu não poderia, agora, orar a meu Pai e que ele não me daria mais de doze legiões de anjos?” (Mt 26.53). De acordo com alguns interpretes, a idéia de legião neste Texto está associada à legião romana, onde uma legião equivale á seis mil soldados, logo doze legiões seriam setenta e dois mil anjos, na fala de Jesus.

Diante do exposto, podemos entender a funcionalidade dos anjos, no tocante á submissão de cumprir os propósitos de Deus. Vejamos agora algumas características destes seres:

1 – Os anjos são superiores aos homens. Sua natureza está muito acima da natureza do homem (Sl 8.5), entretanto os anjos são inferiores á Jesus, por esta razão lhe prestam adoração (Hb 1.6).

2 - Os anjos são reais, mas nem sempre visíveis.Sabemos que os anjos são espíritos (Sl 104.4; Hb 1.7), mas em determinadas situações que se faz necessário, Deus lhes concede visibilidade. Vemos nas Escrituras em que a presença de um anjo estava no lugar onde os humanos não viam-no (Nm 22.21-35), em contrapartida há situações em que será possível vê-los (Jz 2.1-4; Mt 1.20-25; Mc 16.5; Lc 24.4-6; At 5.19). Ademais é possível que os anjos sejam vistos sem serem reconhecidos (Hb 13.2).

3 - Os anjos adoram, mas não devem e não aceitam ser adorados (Ap 19.10). Embora sendo seres superiores aos homens, os anjos não aceitam adoração, na realidade seu desejo é adorar a Deus, por essa razão eles correspondem com adoração e louvor a Deus (SI 148.2; Is 6.1-3; Lc 2.13-15; Ap 4-6-11; 5.1-14) e a Cristo (Hb 1.6).

4 - Os anjos servem, mas não devem ser servidos. Como vimos suas ações estão sob o direcionamento de Deus, que os envia para auxiliar os humanos, sobretudo aos fieis (Êx 14.19; 23.23; 32.34; 33.2-3; Nm 20.16; 22.22-35; Jz 6.11-22; 1 Rs 19.5-8; SI 34.7; 91.11; Is 63.9; Dn 3.28; At 12.7-12; 27.23-25; Hb 13.2). O fato primordial para sabermos que eles não devem ser adorados é que se assemelham aos cristãos num aspecto muito importante: são também servos de Deus (Ap 22.9).

5 - Os anjos acompanham a revelação, mas não a substituem total ou parcialmente. Deus os emprega, mas não são o alvo da revelação divina (Hb 2.2ss.). No inicio da igreja primitiva Paulo combateu uma heresia que se levantou num "pretexto de humildade e culto dos anjos" (Cl 2.18). Este ensino errôneo defendia a superioridade angelical em detrimento ao homem, dessa forma o ser celestial intercederia pelo homem diante de Deus. Paulo respondeu a essa heresia com um hino que glorifica a Cristo que é a fonte da nossa glória futura (Cl 3.1-4).
Embora nos dias hodiernos, um grupo heterodoxo, que alega ter recebido um complemento a revelação, encaixa-se perfeitamente ao grupo combatido por Paulo em Colossos, estamos falando do mormonismo.

6 - Os anjos sabem muitas coisas, mas não tudo. O conhecimento e compreensão que possuem não é algo intrínseco, natural ou inerente, mas sim algo concedido por Deus. Mesmo possuindo uma sabedoria vasta (2 Sm 14.20), ainda assim é limitado, algumas coisas pertencentes aos mistérios de Deus, não são do conhecimento dos anjos: Não sabem o dia da segunda vinda de nosso Senhor (Mt 24-36) nem a plena magnitude da salvação dos seres humanos (1 Pe 1.12).

7 - O poder angelical é superior, mas não supremo. O poder exercido pelos anjos também são conferidos por Deus. Por essa razão, os anjos são frequentemente usados em poderosos livramentos (Dn 3.28; 6.22; At 12.7-11) e curas (Jo 5.4). E um anjo sozinho lançará o principal e mais poderoso inimigo dos cristãos no abismo, e o trancará ali durante mil anos (Ap 20.1-3).

Portanto estes seres incríveis, criados por Deus estão sob seu comando para cumprir com seus desígnios, beneficiando os que hão de herdar a salvação.

Por
Edson Moraes

sábado, 27 de julho de 2019

A atuação dos anjos no decurso da história

Os anjos são seres criados por Deus, ou seja, tiveram um início e assim não são auto-existentes, mas estão inseridos na citação de Paulo ao dizer: "Porque nele(Jesus) foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades; tudo foi criado por ele e para ele (Col 1:16)".Nesta classe de seres invisíveis estão os anjos.
Os anjos, conforme Hebreus 1:14 são espíritos ou seres espirituais, dessa forma, não possuem corpos compostos de matéria. Assim sendo não é possível aos homens contempla-los de modo natural, exceto quando o Senhor lhes abra os olhos, como no episódio com Balaão (Nm 22:31) e outras aparições visíveis, conforme os relatos Bíblicos.

Possui algumas atribuições voltadas para o ser humano, como o de protegê-lo: "O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem e os livra (Sl 34:7)" e levar uma mensagem de Deus se necessário (Dn 9).
Os anjos revelam a grandeza do amor e dos desígnios de Deus para o homem, além de glorificarem diretamente a Deus.

Mas e no decurso da história humana, qual a sua atuação entre os homens de forma singular?
No inicio da igreja primitiva, vemos sua ação na vida dos discípulos, os orientando no tocante a expansão do evangelho. Um anjo orientou a Filipe para se dirigir ao sul, culminando no encontro com o Eunuco: "E o anjo do Senhor falou a Filipe, dizendo: levanta-te e vai para a banda do sul, ao caminho de Jerusalém que desce para Gaza que está deserto (At 8:26)". Ainda em Atos vemos seu agir na vida de Cornélio, o instruindo a enviar mensageiros até Pedro, resultando na conversão da família do gentio (At 10). 
De forma milagrosa, vemos um anjo libertando Pedro do cárcere, horas antes de sua morte (At 12:6-11). 
Prestes a naufragar, Paulo recebeu a visita de um anjo, revelando que não seria esse acidente sua morte e que ele estaria frente a frente com César: "Porque esta mesma noite, o anjo de Deus de quem eu sou e a quem sirvo, esteve comigo, dizendo: Paulo não temas! Importa que sejas apresentado a César, e eis que Deus te deu todos quanto navegam contigo" (At 27: 23,24).

Tendo como prerrogativa a imutabilidade de Deus, podemos afirmar que ainda hoje a ação dos anjos é atuante, tal qual foi no período da igreja primitiva. Talvez com menos aparições físicas, por conta da falta de fé por parte dos fiéis de hoje, não por haver Deus mudado.
Mas tais aparições ainda podem ocorrer em nossos dias, de forma perceptível ou não, por esse motivo o autor aos Hebreus orienta os cristãos, no tocante à hospitalidade: "Não vos esqueçais da hospitalidade, porque, por ela, alguns, não o sabendo, hospedaram anjos" (Hb 13:2).

Não há, portanto, nenhum argumento para que possamos extinguir qualquer possibilidade de aparições de anjos em nosso meio, embora tenhamos as Escrituras, eles jamais irão acrescentar nada à mesma, como crêem alguns grupos heterodoxos, mas podem trazer mensagens de Deus, que sempre estarão em conformidade com sua palavra. Pois acerca dessa temática, Paulo orientou os cristãos da Galácia: "Mas, ainda que nós mesmos, ou um anjo do Céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema" (Gl 1:8). Assim sendo toda mensagem angelical que recebermos, não pode divergir da Bíblia.
Por Edson Moraes.

sábado, 20 de outubro de 2018

Arkhaggelos Mikha’el e a controvérsia sobre sua identidade

A bíblia sagrada faz menção de inúmeros anjos "...milhões de milhões, e milhares de milhares," (Apocalipse 5:11) organizados por hierarquias e funções distintas sob o comando de Deus "Porque aos seus anjos dará ordem..."(Salmos 91:11)
Dentre estes ás Escrituras revelam o nome de dois "E, respondendo o anjo, disse-lhe: Eu sou Gabriel, que assisto diante de Deus, e fui enviado a falar-te e dar-te estas alegres novas."(Lucas 1:19) e "Mas o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo, e disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar juízo de maldição contra ele; mas disse: O Senhor te repreenda."(Judas 1:9)

Deus manifestava-se através de Teofania no A.T período da dispensação do mistério "E demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério, que desde os séculos esteve oculto em Deus, que tudo criou por meio de Jesus Cristo;" (Efésios 3:9) Como vemos por diversas vezes no relato bíblico "E o anjo do SENHOR a achou junto a uma fonte de água no deserto, junto à fonte no caminho de Sur." (Gênesis 16:7) "Mas o anjo do SENHOR lhe bradou desde os céus, e disse: Abraão, Abraão! E ele disse: Eis-me aqui." (Gênesis 22:11) O que fica evidente nos textos "E apareceu-lhe o anjo do SENHOR em uma chama de fogo do meio duma sarça; e olhou, e eis que a sarça ardia no fogo, e a sarça não se consumia." (Êxodo 3:2) "E vendo o SENHOR que se virava para ver, bradou Deus a ele do meio da sarça, e disse: Moisés, Moisés. Respondeu ele: Eis-me aqui." (Êxodo 3:4) quando fica explícito de que Deus tornou-se-lhe visível em forma angelical.
Contudo, diferente do Arcanjo Miguel o Anjo do Senhor ou  "...Príncipe do exército do SENHOR..." (Josué 5:14) é um ser único, sem precedentes e o Arcanjo  (Hb.Mikha’el) é "...um dos primeiros príncipes... Miyka’el ’achad hasariym harEshoniym " (Daniel 10:13) bem como o maioral entre estes Arcanjos anônimos dos quais a palavra de Deus mantêm silêncio. "E NAQUELE tempo se levantará Miguel, o grande príncipe..." (Daniel 12:1) Porém,ainda assim é UM DOS PRIMEIROS numa sequência de sucessões.
Jesus nunca foi ou será “um dos primeiros ”Ele é detentor de toda á primazia como testemunha de si mesmo em (Apocalipse 1:17)"...Eu sou o primeiro .”

1. O nome Miykha’el quer no hebraico, quer no grego tem como significado uma pergunta “Quem é semelhante a Deus? ”Contudo, alguns o “traduzem” como uma afirmação e com base nisto fundamentam o engodo de que este arcanjo é Jesus. Porém, se atentarmo-nos á outros nomes de personagens bíblicos notaremos á inconsistência deste argumento. Como por exemplo o nome de Eliú amigo de Jó que traduzido é Ele é Deus.

2. Levando em conta o texto da epístola anônima aos (Hebreus 1:6) "E outra vez, quando introduz no mundo o primogênito, diz: E todos os anjos de Deus o adorem." E a declaração do anjo ao apóstolo João em (Apocalipse 22:8–9) "E eu, João, sou aquele que vi e ouvi estas coisas. E, havendo-as ouvido e visto, prostrei-me aos pés do anjo que mas mostrava para o adorar. "E disse-me: Olha, não faças tal; porque eu sou conservo teu e de teus irmãos, os profetas, e dos que guardam as palavras deste livro. Adora a Deus." De que somente Deus deve ser adorado. Não estaríamos prestando cultos aos anjos ? "Ninguém vos domine a seu bel-prazer com pretexto de humildade e culto dos anjos, envolvendo-se em coisas que não viu; estando debalde inchado na sua carnal compreensão," (Colossenses 2:18) se estes anjos de Deus não recebem adoração tais atos de adoração não estariam sendo na realidade ofertados ao diabo ? "E disse-lhe: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares." (Mateus 4:9)
Portanto, é incoadunável atribuir a identidade do Criador á uma criatura cujo nome interrogativo tem Jesus como resposta "O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação;" (Colossenses 1:15).

3. Como de praxe de sectários á prática do isolamento de textos é usada para manipular a interpretação destes. No texto de (Apocalipse 12:5) "E deu à luz um filho homem que há de reger todas as nações com vara de ferro; e o seu filho foi arrebatado para Deus e para o seu trono." Jesus é apresentado como o Filho do Homem e subsequentemente o arcanjo batalhando contra o diabo e seus anjos "E houve batalha no céu; Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão, e batalhavam o dragão e os seus anjos;" (Apocalipse 12:7) Por via da leitura completa é perceptível que um não é o outro e que os que tais crêem que são não possuem um único texto sequer em favor desta doutrina herética.

Diogenes Santos.