Os anjos são agentes de Deus que estão sob Sua autoridade, servindo como mensageiros do Senhor, a fim de cumprirem Seus propósitos, quer seja no envio de alguma mensagem especifica, bem como na execução do juízo Divino. Embora não tenham sido mencionados na criação em Gênesis 1 e 2, as Escrituras revelam que foram criados por Deus, numa época que não temos conhecimento. Acerca da forma que foram criados, assim se expressou o salmista: “Louvai-o todos os seus anjos; louvai-o todo o exército celestial! [...] Louvem o nome do Senhor; pois ele deu ordem e logo foram criados” (Sl 148.2,5).
Os seres angelicais tiveram um papel significativo em todo o Antigo Testamento, visto que as diretrizes dadas por Deus ao seu povo como norma de conduta e convívio social, a saber, a “Lei mosaica”, fora dada a nação de Israel por intermédio destes seres celestiais, conforme a pregação de Estevão, registrada por Lucas: “Vós que recebestes a lei por ordenação dos anjos e não a guardastes” (At 7.53). Corroborando com esta verdade, o apóstolo Paulo escreveu aos Gálatas: “A lei […] foi posta pelos anjos pela mão de um mediador” (Gl 3.19). Desta forma vemos que tanto Estevão quanto Paulo concordavam que a lei no Sinai foi dada pelos anjos. Analisando o Texto de Atos, Marshall (2014) trouxe o seguinte comentário: “[…] A lei de Deus, dada do modo mais impressionante possível, por anjos como seus intermediários. Embora a presença de anjos não fosse mencionado no Antigo Testamento (A não ser na LXX em Dt 33.2), mesmo assim era parte firme da tradição judaica e foi aceita pelos cristãos primitivos (Gl 3.19; Hb 2.2)”. Fortalecendo este pensamento, no tocante à descida de Deus no Monte Sinai, assim registrou certo escritor: “…Quando Deus se dirigiu ao povo; trata-se de um acontecimento de primeira magnitude e nele se pode incluir a visitação de hostes angelicais. Em meio as nuvens crescentes que cobriam o Sinai, um anjo anunciou a presença de Deus” (PEDRO, 1987, p.77).
Além da aparição no Sinai, há diversas ocasiões, em momentos marcantes no período VeteroTestamentário em que a visitação dos anjos podem ser percebidas. No Antigo Testamento a palavra anjo aparece 210 vezes, enquanto a palavra anjos ocorre em 90 ocasiões (OLIVEIRA, 2012, p. 203). A primeira menção que as Escrituras referem-se à um anjo está registrada em Gênesis 16.7 no episódio em que a concubina Hagar foge de sua senhora Sara, assim está escrito: “E o anjo do Senhor a achou junto a fonte de água no deserto, junto à fonte no caminho de Sur”. Esta aparição providencial foi uma intervenção de Deus, com uma mensagem para Hagar, através de seu agente, um anjo. Em relação à esta ocorrência, referindo-se a este anjo, assim expressou Walton: “Visto que estes mensageiros representam Deus, eles não falam por si mesmos, mas somente em nome de Deus .[…] Tinham a autoridade para falar no nome de quem representavam e eram tratados como se fossem a pessoa que representavam” (WALTON, 2018, p. 58). Vemos então que os anjos cumprem apenas a vontade de Deus, não omitindo ou acrescentando palavra alguma a sua fala, visto que sua vontade está em executar os desígnios de Deus. Embora tenham a autoridade no nome do Senhor, não usurpam ou reinvidicam para si a glória pela execução de seus atos, pelo contrário, o que vemos é a rejeição da adoração humana e a instrução de adorar somente a Deus (Ap 19.10).
Após esta aparição à Hagar, o anjo do Senhor é o responsável por anunciar a Abrãão o nascimento de Isaque (Gn 18.1 e ss.), foram os anjos que anunciaram a destruição das cidades de Sodoma e Gomorra (Gn 18.16 e ss.), inclusive salvando a vida de Ló e sua família do juizo Divino derramado naquelas cidades (Gn 19.1 e ss.). A vida de Abraão foi marcada pelo aparecimento de anjos em diversas ocasiões, mas certamente nenhuma foi tão marcante quanto a aparição no Monte Moriá, no momento em que o patriarca sacrificaria seu filho(Gn 22.11,12).
Outro importante personagem da Antiga Aliança, que recebeu visitações angelicais, com mensagens da parte de Deus, de forma individual e coletiva, foi Moisés. A primeira experiência se deu em sua chamada no deserto: “E apareceu-lhe o anjo do Senhor em uma chama de fogo, no meio de uma sarça” (Ex 3.2). Embora evidentemente aqui seja o próprio Senhor quem apareceu ao profeta, visto que Deus também apareceu a Abraão como o Anjo do Senhor (STAMPS, 2002, p. 119). A primeira manifestação que a nação de Israel teve da parte de Deus, por meio de um anjo, foi na travessia do Mar Vermelho: “E o anjo de Deus, que ia adiante do povo de Israel, se retirou e ia atrás deles” (Ex 14.19). Vemos nesta passagem o cuidado de Deus em proteger o seu povo dos egípcios que vinham logo atrás, a fim de destruir a nação de Israel, porém mais uma vez o Senhor envia seus agentes para cumprir seu decreto. Daí em diante , o envio de anjos da parte do Senhor, para tratar com os Israelitas foi algo recorrente: para os proteger (Ex 23.20,23); para os punir (Ex 32.34) e exortar os rebeldes ao arrependimento (Nm 22.31-35).
Em todo o curso da peregrinação no deserto, durante os quarenta anos, a nação de Israel estava amparada por Deus, através de seus mensageiros. O próprio Moisés reconhece que Deus enviou seu anjo para libertar a Israel da opressão do Egito: “E clamamos ao Senhor, e ele ouviu a nossa voz, e mandou um anjo e nos tirou do Egito” (Nm 20.16).
Após a morte de Moisés e seu sucessor Josué, já com a terra dividida entre as doze tribos de Israel, num dos períodos mais sombrios da história dos descendentes de Abraão, devido a apostasia e idolatria do povo, ainda assim, Deus sempre estava se comunicando com a nação por meio dos seres angelicais. Devido a situação pecaminosa em que o povo estava inserido, Deus se utiliza de um anjo para repreender os israelitas (Jz 2.1). Todavia a obstinação da nação em desobedecer a voz do Senhor, lhes causou duro juízo Dívino, visto que o Senhor levantava uma nação para subjugar seu povo. Em dado momento, Deus levanta os midianitas para punir a Israel, mas como houve humilhação diante do Senhor por parte da nação, Deus enviou um anjo para comissionar a Gideão a fim de libertar o povo de seus algozes. É também um anjo o responsável por anunciar a Manoá o nascimento de seu filho, Sansão (Js 13.1 e ss).
Vemos a ação de Deus, através dos anjos no período da monarquia em Israel, basicamente de duas formas: Em certos momentos castigando e punindo o povo e noutros livrando-os de seus inimigos.
Por conta de uma atitude insensata e soberba por parte do rei Davi, o Senhor determinou a punição à nação e enviou um anjo para aplicar seu juízo, matando assim setenta mil homens em Israel (2 Sm 24.14).
Após fugir de Jezabel, Elias estando debaixo de um zimbro, desejando a morte, mas foi visitado por um anjo, que lhe acudiu com alimento, que lhe deu força para caminhar por quarenta dias (1 Rs 19.5-8).
Após ser cercado pelo exército do rei da Síria, o moço de Eliseu se viu extremamente angustiado, mas após a oração do profeta, os olhos do moço foram abertos e pôde contemplar o monte repleto de anjos de Deus, o exército celestial (2 Rs 6.14-17).
Em suma vemos a ação angelical em todo o período do Antigo testamento, na vida de muitos personagens, além dos que mencionamos: “Eliezer (Gn 22.7); Jacó (Gn 28.12; 31.11,12; 32.1,2; 48.16); Balaão (Nm 22.22-35); Josué (Js 5.13-15); Araúna (1 Cr 21.20); Gade (1Cr 21.18); Isaías (Is 6.2-7); Ezequiel (Ez 1.2-10); Sadraque, Mesaque e Abede-Nego (Dn 3.25,28); Daniel (Dn 6.22); Dario (Dn 10.5-21; 11.1); Zacarias (Zc 1.9), Josué, o sumo sacerdote (Zc 3.3) entre outros” (PEDRO, 1987, p. 79).
Portanto a aparição de anjos e sua visitação de forma invisível foi uma realidade constante na vida dos patriarcas, profetas, reis, sacerdotes e à nação de Israel, como um todo, eles sempre estiveram interagindo com o povo, acampando ao seu redor para livrá-los (Sl 34.7), porque parte do Senhor tal ordem, a fim de proteger o seu povo (Sl 91.11), logo é uma verdade inquestionável seu ministério e ação nas páginas do Antigo Testamento.
Referências
CHAVALAS, Mark W, MATTHEWS, Victor H, WALTON, Jonh H. Comentário Histórico-cultural da Bíblia: Antigo Testamento, São Paulo, 2018. Ed. Vida Nova.
MARSHALL, Howard. Atos: Introdução e comentário, São Paulo, 2014. Ed. Vida Nova.
OLIVEIRA, Oseias Gomes. Concordância Bíblica exaustiva Joshua, Vol. 1 A-D. 2012, Rio de Janeiro. Ed. Acadêmico
PEDRO, Severino. Os anjos: sua natureza e ofício. Rio de Janeiro, 1987. Ed. CPAD.
STAMPS, Donald. Bíblia de estudo Pentecostal, 2002. Ed. CPAD.
Por
Edson Moraes