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sábado, 1 de março de 2025

A Apologética e o Antigo Testamento

Por Walson Sales

Nesta aula, vamos abordar algumas objeções ao Teísmo Cristão e à Bíblia, notadamente ao Antigo Testamento (AT), à luz de tudo o que já tratamos até aqui e à luz do Argumento Cumulativo a favor da fé cristã. Temos que considerar seriamente as críticas, preocupações e dúvidas concernentes ao AT, que são levantadas contra a Bíblia e contra a lógica da visão de mundo cristã. Apesar de esse tema ser extenso, abordarei apenas certos aspectos dos problemas levantados, tentando fornecer uma chave para que o aluno do curso possa entender as questões e responder às críticas.

Existem áreas e temas do AT que não podem ser aceitos pelos críticos e incrédulos por razões morais óbvias, mas, como veremos, tais críticas são baseadas em interpretações falsas ou superficiais das passagens em questão. É importante termos um esboço mental dessas críticas e uma resposta bem fundamentada. O segredo é entender as passagens difíceis do AT dentro de seu contexto histórico, cultural, social, político, religioso e linguístico, buscando compreender as mentes das pessoas da época, sem projetar sobre elas o nosso contexto moderno. Precisamos nos transportar para o tempo e o lugar delas, ao invés de trazê-las para o nosso presente. Existe um abismo geográfico, temporal e cultural enorme que precisa ser colocado em perspectiva para que as passagens do AT sejam interpretadas de maneira fiel. Esse é exatamente o erro dos críticos: tentam interpretar passagens isoladas do AT fora de seu contexto múltiplo e aplicá-las aos dias de hoje sem uma chave hermenêutica adequada e honesta.

Precisamos ler o texto dentro do contexto, observando como ele se relaciona com outras passagens (contexto paralelo próximo, distante ou profético, etc.) e com o contexto imediato, para trazer uma resposta simples, rápida e objetiva. Há muitos autores especializados no AT que tratam desse tipo de crítica, como Paul Copan, Richard Hess, Gleason Archer Jr., Clay Jones, William Lane Craig, entre outros. Para você ter uma ideia, Gleason Archer lia em 25 idiomas e dialetos, e fez parte da comissão de tradução das tábuas de Ebla em cuneiforme babilônico. Ele é um erudito de ponta.

Vamos abordar algumas das passagens mais recorrentes utilizadas pelos críticos (fora de contexto) e explicá-las em seus contextos para verificar os resultados. Um grupo de neoateus, conhecidos como “Os 4 Cavaleiros do Apocalipse”, é composto por Richard Dawkins, Sam Harris, Daniel Dennett e Christopher Hitchens (este último falecido recentemente de câncer no esôfago). Qual é a diferença entre os neoateus e os ateus tradicionais? Por que o termo “neoateus”? Os novos ateus são radicais, inimigos ferozes da religião em geral (especialmente da fé cristã), e fazem proselitismo a favor do ateísmo, com o objetivo de ganhar adeptos. O próprio Richard Dawkins fez duas declarações bastante graves. Uma está em seu livro Deus, um Delírio, onde ele afirma que espera que quem leia o livro se torne ateu. A outra está em uma entrevista que concedeu à Revista Superinteressante em 2007 (edição 242 de agosto de 2007), em que ele disse que seu sonho é a destruição de todas as religiões do mundo.

A principal crítica dos neoateus é contra um entendimento superficial do Deus do AT (lembra do argumento do espantalho?). Sam Harris escreveu O fim da fé, Richard Dawkins escreveu Deus, um Delírio, Christopher Hitchens escreveu Deus não é grande (uma alusão clara ao brado dos terroristas islâmicos quando gritam "Allahu Akbar", ou seja, "Deus é grande"), e Daniel Dennett escreveu Quebrando o encanto. Todos esses livros são ferozes ataques à religião, que eles consideram a raiz de todos os males da sociedade, especialmente após os ataques de 11 de setembro. Contudo, o alvo principal deles é a fé cristã. (Pretendo gravar uma aula sobre a acusação de que a religião é a raiz de todos os males). O grande problema dessas críticas é que elas são superficiais, rasas, injustas, fora de contexto e desonestas.

Vamos abordar algumas dessas objeções. Por exemplo, Sam Harris disse que “a Bíblia não é confiável e é de fato imoral porque ordena que os pais apedrejem os filhos”. Ele argumenta que isso significaria, nos dias de hoje, que devemos executar nossos filhos apenas porque foram a uma aula de ioga, e que, por isso, o Deus da Bíblia é falso. Veja como esse argumento é fraco. Ele tenta provar que Deus não existe, mas falha completamente. Se Deus existe e ordenasse que os pais apedrejassem seus filhos por frequentarem aulas de ioga, isso ainda não provaria que Deus não existe, apenas que o ateísmo está errado. O problema é que Deus não deseja que isso aconteça hoje. Esse é um argumento "reductio ad absurdum", pois aplica uma passagem do AT aos dias de hoje de forma inadequada. Nenhum judeu ou cristão aplicaria esse texto hoje, como Harris sugere. O que ele tenta é causar impacto, chocar e manipular aqueles que já têm preconceito contra a religião.

Como podemos abordar questões desse tipo? O segredo é olhar para a lei sob o princípio teocrático do AT e entender que essas leis foram dadas para mostrar a santidade de Deus e como Ele pretendia gerar um povo santo, totalmente separado dos usos, costumes e práticas dos povos ao redor. O contexto é muito específico, pois Deus buscava um relacionamento particular com o povo de Israel, e quando a lei foi promulgada, o povo sabia quais eram as infrações e as penalidades, para evitar cometer esses pecados. O Novo Testamento (NT) nunca nos ordena punir os transgressores da lei do AT nesses termos, ou seja, aplicar a lei civil do AT, que deveria ser aplicada apenas em um período específico da história da salvação. Já passamos do AT para o NT, e não estamos mais em um período de teocracia.

Os estudiosos geralmente dividem a lei do AT em cerimonial, sacrificial, civil e moral. A lei cerimonial já foi cumprida em Cristo, e a lei civil não é mais aplicável, pois não estamos sob o mesmo pacto. No entanto, a lei moral permanece, embora não apliquemos as punições prescritas. Negar a moralidade da lei seria negar a própria natureza da moralidade revelada em Deus, que é a fonte de toda moralidade. As leis morais (não as punições) são mantidas no NT e devem ser observadas como aspectos da vontade de Deus.

Sam Harris chega a insinuar que as ordens para a invasão de Canaã foram o aval para as cruzadas. Isso é absurdo! Ele não entende o contexto do AT, nem a natureza das cruzadas. Seu preconceito contra a fé guia sua interpretação. As cruzadas foram ações militares com o objetivo de recuperar as terras bíblicas dos muçulmanos e libertar os cristãos que viviam sob opressão islâmica, algo bem conhecido na época. Os cruzados tinham algum amparo bíblico? Não. O cristianismo deve ser responsabilizado pelas decisões de políticos cristãos com uma visão peculiar da fé? Claro que não!

Agora, vamos analisar Richard Dawkins. Ele afirma que o julgamento de Deus na época de Noé foi uma grande injustiça e reflete uma visão depreciativa da humanidade. Por isso, ele se levanta contra a Bíblia hebraica, afirmando que ela é imoral. Chega a dizer que o Deus do AT “é talvez o personagem mais desagradável da ficção: ciumento, orgulhoso, controlador mesquinho, genocida, vingativo, sedento de sangue, misógino, homofóbico, racista, infanticida, pestilento, megalomaníaco, sadomasoquista, malévolo" (DAWKINS, Richard. Deus, um Delírio. 1ª edição. São Paulo: Companhia das Letras, 2019, p. 43).

Dawkins pode ter um certo poder retórico, mas é fraco em lógica e filosofia. A interpretação que ele faz das Escrituras é superficial. Mas, e quanto ao julgamento de Deus sobre a geração de Noé? Primeiro, devemos atentar aos detalhes: Deus deu àquela geração cerca de 120 anos para que se arrependessem, mas eles não se arrependeram. O juízo veio sobre assassinos contumazes, em uma época em que a violência havia se multiplicado na terra (Gn 6:5, 11, 12). O dilúvio foi precedido pela pregação de Noé, que convocava as pessoas ao arrependimento (2 Pedro 2:5). O texto nos mostra um Deus justo e santo, que não tolera o mal, mas que é também misericordioso, pois deu tempo para que se arrependessem. Deus tem o direito de julgar.

Dawkins também se revolta com o tratamento que Ló deu às suas filhas, pelo fato de ter oferecido suas filhas para serem abusadas por uma turba de pervertidos (Gn 19:1-8). Contudo, essa interpretação de Dawkins é um erro primário, pois ele parece dar a entender que, se algo ocorreu na Bíblia, então esse ato tinha necessariamente a aprovação de Deus, o que definitivamente não é o caso. Existem na Bíblia muitas histórias que não têm a intenção de ser um padrão de comportamento nem têm a aprovação de Deus, semelhante ao relato de Ló em Gênesis 19. Essa história não é uma ordenança para que os servos de Deus ajam assim em situações semelhantes. Não há nenhum endosso de Deus por trás da ação, nem é estabelecido nenhum princípio para que as pessoas ajam da mesma forma. Isso é tão básico em hermenêutica que você não precisa ser especialista em interpretação para saber. Nem todos os textos bíblicos são prescritivos (mandamentos de como devemos agir). A maioria dos textos é descritiva (apenas descreve como a história se processou sem nenhum endosso ou apoio de Deus).

O que esses ateus estão fazendo é algo como: "algo muito ruim aconteceu na Bíblia, logo a Bíblia e o Deus da Bíblia são maus". Mas, espera um minuto, o que se exige minimamente de um crítico? Um pouco de honestidade literária, no mínimo.

Outro exemplo de ataque a um relato do Antigo Testamento vem de Christopher Hitchens, acerca do Decálogo (Êxodo 20), principalmente os versos 4-6, que dizem: 

"Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam. E faço misericórdia a milhares dos que me amam e aos que guardam os meus mandamentos."

Hitchens diz que o inocente está sendo punido pelos pecados dos pais, ou seja, o inocente sendo punido pela culpa do verdadeiro culpado. Certamente não é justo que os filhos sejam punidos pelos pecados dos pais. Ele está certo em pensar assim. O problema é que o texto não está dizendo isso. O que o texto diz é que, quando você abandona a Deus, adora ídolos e faz imagens de Deus, junto com os cultos aberrantes que regiam a cultura religiosa do Oriente Médio da época, isso impõe uma mancha na família que irá se perpetuar em toda a descendência posterior. A questão aqui é que os pecados dos pais estarão sempre sendo perpetuados nas ações dos filhos que receberam essa tradição religiosa, a prática pecaminosa por tradição. O texto não diz que os filhos serão punidos apesar de não cometerem os mesmos pecados dos pais. O que o texto diz é que "Deus visitará os pecados dos pais nos filhos". O pecado herdado por tradição pelos filhos estará sendo praticado também pelos filhos. É isso que o texto está dizendo. O texto não está afirmando que o inocente será punido pelo pecado de outra pessoa, mesmo sendo inocente. O que o texto diz, repito, é que o pecado é repassado como tradição e padrão de conduta para a descendência posterior, que também será punida por incorrer no mesmo tipo de pecado. Ou seja, os filhos também cometerão os mesmos pecados. Agora, essa tradição pode ser quebrada se os filhos se arrependerem e pararem de adorar os falsos deuses, deixando de seguir suas práticas cultuais aberrantes (Ez 18:32; 33:11). O que o texto nos informa é que Deus será benéfico a milhares de gerações que forem fiéis a Ele. A interpretação de Hitchens é simplista, rasa, desconsidera o contexto e é totalmente equivocada.

Para ilustrar como o legado de um patriarca pode influenciar gerações inteiras de descendentes, há uma pesquisa que foi realizada na América do Norte há mais ou menos 160 anos. Foi feito um estudo genealógico sobre a descendência de dois homens por uma universidade americana. Essa pesquisa foi concluída em 1986.

O primeiro: Edward Jonathan – era crente, casou-se com uma moça crente e, no seu lar, predominavam a oração e a leitura da Bíblia.

Durante 150 anos, teve 729 descendentes: 300 se tornaram pregadores da Palavra; 65, professores em escolas superiores; 13, catedráticos; 3, deputados; e 1, Vice-presidente dos EUA.

O segundo: Max Junkers – era ateu, casou-se com uma moça ateia e viveram conforme o seu ideal.

Durante 150 anos, tiveram 1.026 descendentes: dos quais 300 morreram prematuramente; 100 foram condenados à prisão; 190 eram prostitutas; e 100 eram alcoólatras.

Percebe sobre o que o texto bíblico está falando e alertando? No exemplo citado dessa pesquisa, não significa que, em ambos os lados, essa tradição não possa ser anulada pela conversão ou pela apostasia. É um grande exemplo para nós.

O que temos que entender aqui é que os ataques feitos pelos ateus ao Antigo Testamento são feitos com uma grande dose de ignorância, pois as críticas são irresponsáveis, rasas, desconsideram o contexto, eles não entendem e não procuram entender a história da salvação no Antigo Testamento, nem se dão ao trabalho de aplicar uma hermenêutica básica. O que eles fazem é procurar detalhes que acham repugnantes para nossa cultura, retiram do contexto, apresentam essas passagens como horrendas, como se fossem mandamentos para hoje, com a aprovação de Deus, e fazem uma generalização totalmente irresponsável, lançando-a para o público. Eles atingem muitas pessoas que nunca tirarão tempo para analisar, com uma hermenêutica sadia e honesta, se as coisas são de fato assim. E pior, essas pessoas irão repassar, via de regra, com um ar bem intelectual, essa interpretação distorcida de forma indiscriminada, até encontrarem um aluno do nosso curso. Olha só, estou confiante, hein? Mas é sério.

Esse ciclo de acusações falsas só vai parar quando o receptor/propagador dessas interpretações ridículas se deparar com alguém que realmente estudou a passagem, aplicou as chaves interpretativas corretas, respeitando a cultura, geografia, religião, história, sociedade, e responder com mansidão, coragem e paciência. O interlocutor só vai continuar propagando a interpretação equivocada se for realmente desonesto.

Não pretendo, e nem teria como, abordar todas as acusações que eles fazem, mas espero que as poucas que abordarei sejam modelos representativos que possam servir de princípio e chave para abordar as demais. Espero que possamos perceber que os ataques dos novos ateus não são ataques sérios e comprometidos com a verdade. O contrário é que é verdadeiro. Entretanto, não podemos deduzir que todas as pessoas que têm dúvidas sérias — mesmo aquelas lançadas irresponsavelmente pelos novos ateus — sejam pessoas que queiram apenas zombar ou desfazer da Bíblia. Algumas pessoas são realmente sinceras e estão, de forma honesta, buscando paz para suas mentes por meio de respostas sensatas. Temos que pensar nessas com carinho e atenção.

Não devemos recuar diante desses ataques com desculpas do tipo "eu apenas sei que a Bíblia é a verdade e que o cristianismo é verdadeiro". Essa postura não vai representar bem a defesa da fé, muito menos o seu testemunho cristão. O que precisamos fazer é isolar a crítica/acusação, ler o texto atentamente dentro de todos os contextos, considerar as nuances, o ocorrido dentro da história da salvação, e então responder. Tenho visto, na minha experiência, o quão afoitos são os críticos da Bíblia quando se deparam com cristãos despreparados, e a real mudança que ocorre na postura deles quando encontram um cristão minimamente preparado. Eles mudam drasticamente a postura e passam a dar um tratamento mais respeitoso, comedido e cauteloso.

Então, leve isso em consideração com muita responsabilidade. Algumas questões serão realmente difíceis de responder, outras nem tanto. Por isso, indico novamente o livro de Gleason Archer Jr., Enciclopédia de Temas Bíblicos. Seria excelente se não precisássemos consultar livros, autores, especialistas e enciclopédias, mas estamos fora do contexto das terras bíblicas e da cronologia bíblica, com todas as suas nuances e detalhes. Portanto, precisamos entender a cultura da época dentro de todos os contextos. Às vezes, interpretar a Bíblia corretamente não é tão simples. Mas tudo bem, temos que estudar. Deus nos deu uma mente racional, recursos, tempo e muita vontade de crescer na graça e no conhecimento, para que pudéssemos estudar essas questões. Repito o que disse antes: ainda que exista um texto aparentemente insuperável para nós respondermos (apesar de achar que esse texto não exista, falo hipoteticamente), isso não significa que a Bíblia não seja a verdade, e isso também não significa que o cristianismo não seja verdadeiro ou que a Bíblia não seja confiável. Significa apenas que existe um problema de difícil interpretação em um tema ou texto específico, o que não implica necessariamente sobre o Teísmo Cristão. Isso não poderia excluir a teologia natural, a confiabilidade do Novo Testamento, a divindade de Jesus ou a ressurreição de Jesus. Seria apenas um problema a ser resolvido, e problemas devem ser encarados de frente, com integridade e inteligência.

O tema que abordaremos agora é a alegada relação entre Deuteronômio, Josué e o genocídio. Ateus e críticos dizem frequentemente coisas do tipo: "Se Deus realmente ordenou esse genocídio, eu não quero ter nenhuma relação com Ele", "Deus seria injusto e cruel", ou "Não pode existir um Deus desse tipo; poderia existir um outro tipo de Deus, mas não esse". Outros, abertamente em rebelião contra Deus, poderiam apenas dizer: "Mesmo que Deus existisse com esse tipo de caráter, eu jamais O seguiria ou adoraria". As frases de efeito, com apelo emocional, são as mais diversas. A ideia é de que a criatura finita, dependente, sem conhecimento pleno das coisas, sem sabedoria e sem o atributo da onisciência, totalmente corrompida, pode se levantar contra Deus e dizer ao Criador o que Ele deve ou não fazer. Algumas pessoas já chegaram a esse nível de rebelião. Alguns crentes, ao se depararem com as críticas sobre o tema em questão, simplesmente dirão algo do tipo: "Eu não ligo se Deus fez isso ou aquilo na história, eu apenas O seguirei e O adorarei". Agora, sejamos sinceros, esse tipo de resposta ajuda em alguma coisa? Acho que apenas "confirma" a acusação do ateu e confessa uma ignorância e uma falta de vontade de estudar a Palavra de Deus. Existe um tipo de resposta mais apropriada, acertada e equilibrada, que surtirá um efeito maior. Precisamos entender o contexto, a linguagem, a cultura, e o que se passa nas entrelinhas do texto para compreender melhor a situação.

Agora, primeiro, de fato, Deus realmente ordenou a guerra em alguma medida. Isso é um fato. Nesse caso, contra os cananeus, e a ordem foi destruir tudo, inclusive pessoas perversas. No entanto, essas ordenanças não devem ser universalizadas, como se fossem aplicáveis para hoje. Aquela ordenança não deve ser tomada como um princípio vitalício válido para toda a história da humanidade, como a destruição de outros povos ou a promoção da guerra em nome de Deus. A guerra contra os cananeus tem uma jurisdição e uma época específicas, e a ordem foi dada por alguém que realmente tem autoridade para agir assim. Deus leva em consideração a impiedade daquele povo, sua condição moral corrompida e seu estilo de vida totalmente destrutivo, para derramar o Seu justo juízo, ainda considerando Sua longanimidade e misericórdia (Gn 15:13-16). Deus, por Sua natureza santa e justa, jamais fará algo injusto na Terra. Mas temos que perceber que essa ordenança é limitada e específica ao seu contexto, para que possamos realmente compreender o que acontecia naquela época e naquelas culturas. Vamos ler um texto de Levítico, capítulo 25, e ver o que os cananeus aprontavam:

Falou mais o SENHOR a Moisés, dizendo: Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Eu sou o Senhor vosso Deus. Não fareis segundo as obras da terra do Egito, em que habitastes, nem fareis segundo as obras da terra de Canaã, para a qual vos levo, nem andareis nos seus estatutos. Fareis conforme os meus juízos, e os meus estatutos guardareis, para andardes neles. Eu sou o Senhor vosso Deus. Portanto, os meus estatutos e os meus juízos guardareis; os quais, observando-os o homem, viverá por eles. Eu sou o Senhor. Nenhum homem se chegará a qualquer parenta da sua carne, para descobrir a sua nudez. Eu sou o Senhor. Não descobrirás a nudez de teu pai e de tua mãe: ela é tua mãe; não descobrirás a sua nudez. Não descobrirás a nudez da mulher de teu pai; é nudez de teu pai. A nudez da tua irmã, filha de teu pai, ou filha de tua mãe, nascida em casa, ou fora de casa, a sua nudez não descobrirás. A nudez da filha do teu filho, ou da filha de tua filha, a sua nudez não descobrirás; porque é tua nudez. A nudez da filha da mulher de teu pai, gerada de teu pai (ela é tua irmã), a sua nudez não descobrirás. A nudez da irmã de teu pai não descobrirás; ela é parenta de teu pai. A nudez da irmã de tua mãe não descobrirás; pois ela é parenta de tua mãe. A nudez do irmão de teu pai não descobrirás; não te chegarás à sua mulher; ela é tua tia. A nudez de tua nora não descobrirás: ela é mulher de teu filho; não descobrirás a sua nudez. A nudez da mulher de teu irmão não descobrirás; é a nudez de teu irmão. A nudez de uma mulher e de sua filha não descobrirás; não tomarás a filha de seu filho, nem a filha de sua filha, para descobrir a sua nudez; parentas são; maldade é. E não tomarás uma mulher juntamente com sua irmã, para fazê-la sua rival, descobrindo a sua nudez diante dela em sua vida. E não chegarás à mulher durante a separação da sua imundícia, para descobrir a sua nudez, Nem te deitarás com a mulher de teu próximo para cópula, para te contaminares com ela. E da tua descendência não darás nenhum para fazer passar pelo fogo perante Moloque; e não profanarás o nome de teu Deus. Eu sou o Senhor. Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; abominação é; Nem te deitarás com um animal, para te contaminares com ele; nem a mulher se porá perante um animal, para ajuntar-se com ele; confusão é. Com nenhuma destas coisas vos contamineis; porque com todas estas coisas se contaminaram as nações que eu expulso de diante de vós. Por isso a terra está contaminada; e eu visito a sua iniqüidade, e a terra vomita os seus moradores. Levítico 18:1-25

Outras informações oriundas da cultura religiosa são ainda mais cruentas, como a questão da prostituição cultual. 

Agora, as pessoas geralmente dizem que a Bíblia e o Alcorão ordenam, de forma semelhante, a guerra e que ambas as religiões representadas pelos dois livros são más. Alguns até dizem que o cristianismo é pior que o islã. Mas a diferença é abissal e crucial. No islã, a jihad é perpétua, como um princípio de intimidação para submeter o mundo inteiro a Alá. Na Bíblia hebraica, em relação ao Antigo Testamento, a guerra santa é limitada à terra e a seus objetivos. A guerra contra os cananeus não tinha como motivação a propagação da religião ou do reino de Deus. Essa é realmente uma distinção muito significativa. Além do fato de que a linguagem utilizada em Deuteronômio e em Josué era uma linguagem militar, relacionada à destruição de centros militares. O termo traduzido como "cidade" é *ir*. Este termo não se refere necessariamente a um grande centro urbano, como tendemos a pensar hoje. Na Bíblia, ele pode descrever uma vila (Belém, em 1 Samuel 20:6), acampamentos de tendas (Juízes 10:4) e uma cidadela (2 Samuel 12:26), ou uma fortaleza, como Sião em Jerusalém (2 Samuel 5:7, 9). O contexto é militar. Essas "cidades" não eram o lar do povo comum, mas representavam a liderança, os militares e os mais envolvidos com a opressão e o domínio da terra. Assim, o comando em Deuteronômio 20 diz respeito à destruição completa daqueles exércitos e fortalezas que representavam uma fé religiosa e uma ideologia que se opunham diretamente à de Israel e ao seu Deus.

Quando o texto diz "destrua tudo", a linguagem é hiperbólica, como defendem Paul Copan e Richard Hess. A maior prova disso é que não há registros de que tenha ocorrido um genocídio. Basta olhar para o texto, a linguagem e o contexto. Incrível é que, após o povo entrar e possuir a terra, os cananeus ainda estavam lá, vivendo entre os hebreus (Josué 23:7, 12). Isso mostra que a guerra ocorreu, mas apenas em centros militares, cidades com localização estratégica para proteger a região de Canaã. O genocídio nunca foi pretendido; a guerra contra centros militares, sim. Além disso, devemos lembrar que Deus havia prometido a terra à descendência de Abraão, então o ato foi como uma reintegração de posse. Outra coisa importante a lembrar é que essas guerras não eram prescritivas, ou seja, não foram ordens para guiar a expansão do cristianismo ou a conduta dos cristãos. E ainda que não consigamos entender o motivo pelo qual Deus ordenou essas guerras, esses fatos por si só não descredibilizam ou anulam a existência de Deus, a veracidade da Bíblia ou o cristianismo, muito menos a divindade de Cristo ou a ressurreição de Jesus.

Pense em uma visão de mundo ou em um conjunto de crenças que definem uma visão sobre a realidade. Ninguém pode apresentar uma visão de mundo sem dificuldades ou problemas. A questão é minimizar as tensões e os problemas da melhor forma possível, com integridade, sinceridade e lógica, e comparar essa visão de mundo com outras. Tenho quase 100% de certeza de que as visões de mundo concorrentes ao cristianismo terão muito mais problemas insolúveis para resolver do que a visão cristã. Logo, ser cristão não significa saber todas as respostas ou ter 100% de certeza sobre todas as coisas. Devemos procurar vencer apenas no quesito coerência em um debate entre visões de mundo. Podemos ter conhecimento sem ter 100% de certeza, e fazemos isso o tempo todo – em relacionamentos, negócios, parcerias, e assim por diante. Recentemente, assisti a um debate entre Frank Turek e um ateu, cujo nome não me recordo, no qual o ateu passou quase o debate inteiro utilizando o Teorema de Bayes, que é indutivo por natureza e altamente complexo, para tentar provar que Deus não existe. Eu mesmo usei o Teorema de Bayes no meu TCC no curso de filosofia da UFPE, e quase explodi de tanto pensar. Bem, na seção de perguntas e respostas, o ateu perguntou a Frank Turek se ele não iria responder nada sobre o Teorema de Bayes, e Turek respondeu: "Eu não entendi nada do que você disse sobre o Teorema, e acho que ninguém da plateia também entendeu". A plateia caiu na risada, e mesmo assim Turek claramente venceu aquele debate!

Certa vez, um crítico me disse que Davi odiava cegos e aleijados, e que isso era imoral. Perguntei qual era o texto, e ele me disse. O texto é este:

"E partiu o rei com os seus homens a Jerusalém, contra os jebuseus que habitavam naquela terra; e falaram a Davi, dizendo: Não entrarás aqui, pois os cegos e os coxos te repelirão, querendo dizer: Não entrará Davi aqui. Porém Davi tomou a fortaleza de Sião; esta é a cidade de Davi. Porque Davi disse naquele dia: Qualquer que ferir aos jebuseus, suba ao canal e fira aos coxos e aos cegos, a quem a alma de Davi odeia. Por isso se diz: Nem cego nem coxo entrará nesta casa." (2 Samuel 5:6-8)

O que aconteceu aqui foi o seguinte: a fortaleza era praticamente inexpugnável, impenetrável, de tal forma que os jebuseus zombavam, dizendo algo mais ou menos assim: "A cidade é tão bem protegida que até cegos e aleijados podem defendê-la". Mas Davi, que era pastor de ovelhas a apenas 8 quilômetros de Jerusalém, com certeza já conhecia essa passagem subterrânea que possibilitava a entrada na cidade. Então Davi mandou seus homens por essa entrada, tomou a cidade e zombou da zombaria, dizendo "fira os coxos e os cegos", porque os jebuseus disseram que seriam esses que defenderiam a cidade, o que não era verdade.

Podemos ser cristãos com integridade intelectual sem termos todas as respostas para as objeções levantadas contra a visão de mundo cristã. Por mais que a crítica possa parecer destrutiva ou difícil de refutar, ela não pode destruir a Bíblia ou o cristianismo em si. Recomendo a leitura de *Deus é um Monstro Moral?* e *Deus Realmente Ordenou o Genocídio?*, ambos de Paul Copan. São ótimos para se especializar nessas questões do Antigo Testamento, que, por mais complexas que pareçam, não são insuperáveis. Só esse tema já pode deixar um apologista bem ocupado, mas é um assunto extremamente enriquecedor. Traduzi dois capítulos de Paul Copan: um sobre a acusação de que não existe diferença entre as guerras ordenadas no Alcorão e as guerras ordenadas na Bíblia; e o outro é uma resposta à acusação de que o Deus do Antigo Testamento não é o mesmo Deus do Novo Testamento. Vale muito a pena ler. Quem quiser, pode solicitar, que eu coloco no grupo. A diferença é gritante e grotesca.

terça-feira, 28 de março de 2023

Cosmogonias: Teorias da Criação - O que os três primeiros capítulos de Gênesis realmente ensinam? TEXTO COMPLETO

 

Por Robert Bowman Jr.

Traduzido, adaptado e ampliado por Walson Sales

 

Sobre o ensino contido nos três primeiros capítulos de Genesis, principalmente no que diz respeito às origens, o livro de Genesis tem muitas informações importantes e cruciais. Agora, sobre o assunto da idade do universo ou da idade da terra, esse é um tema secundário, pois não está relacionado entre os temas centrais da fé cristã, principalmente no que diz respeito a salvação. Ninguém vai ser salvo ou condenado se crer que a terra é jovem ou antiga. Naquele dia apenas saberemos se estávamos certos ou errados sobre algumas doutrinas contidas nas nossas tradições. É vital que coloquemos este assunto sobre a idade da terra em um contexto mais amplo dentro dos ensinos dos três primeiros capítulos de Genesis, ainda que você chegue a uma conclusão particular sua sobre esse tema polêmico, é importante focar nos ensinos mais significativos do trecho para a fé cristã, principalmente com respeito a doutrina da criação, que é claramente ensinada na Bíblia.

Pegue sua Bíblia agora e leia Genesis 1, independente se você já tem uma interpretação sobre o assunto, principalmente sobre a idade da terra. Leia com atenção, com cuidado e leia devagar e tente ver o que realmente o texto está ensinando. Perceba que não está como tema central ali a idade da terra ou a evolução das espécies. Talvez a passagem tenha algumas implicações sobre esses assuntos. Contudo, esses não são o foco central desse capítulo. Vamos dar uma olhada sobre o que realmente o texto está dizendo e ver as implicações para as cosmovisões, algo crucial neste primeiro capítulo da Bíblia e as pessoas geralmente não se apercebem o que a Bíblia está atacando e anulando aqui. A primeira coisa crucial e com implicações gigantescas é que Deus criou todas as coisas. Céus e terra é a forma idiomática de dizer todas as coisas. É como dizer “de alto a baixo, de A a Z, do Alpha ao Ômega”. Essas duas coisas e todo o resto entre elas. Quando a Bíblia afirma que Deus criou os céus e a terra no início, isso significa tudo. Essa afirmação tem implicações de cosmovisão, pois outras visões que defendem que o mundo foi criado por um deus inferior ou que o mundo é produto de uma intenção maligna, uma divindade descontrolada e cheia de más intenções é descartada sumariamente. Ou seja, Deus é o responsável por todas as coisas que existem. Genesis 1 exclui o dualismo metafísico, a crença de que o cosmos é balanceado entre luz e trevas, bem e mal, como as realidades últimas em um balanço cósmico, doutrina viva conhecida como taoísmo, como o yng/yang, ideologia encontrada nas visões religiosas transcendentalistas que são vedetes da modernidade, principalmente nos filmes de George Lucas (a força) que é conceitualizada dessa forma dualista.

O fato de Deus ter criado o universo no início também exclui a narrativa de que o universo é eterno. Essa questão está resolvida cientificamente e não tínhamos essa confirmação até a modernidade. As informações que confirmavam eram apenas da revelação especial e das implicações filosóficas. Não tínhamos uma forma de confirmar ou verificar se o universo teve um início. Essa foi uma descoberta dramática. Foi uma descoberta frustrante para os cientistas comprometidos com o naturalismo descobrirem que o universo teve um início, pois a implicação é de um “pé divino na porta”. Um universo infinito e necessário era esperado por eles para justificar um universo aleatório, randômico e uma evolução cega sem Deus. A confirmação da criação do universo foi uma derrota para eles. Sabemos hoje que o universo é muito maior do que pensavam os medievais, bem como Galileu e Copérnico, mas é um ponto estabelecido que o universo é finito e limitado e isso é filosoficamente e metafisicamente importante porque assim o universo não pode ser identificado com o infinito ou com a realidade transfinita.

Assim, se formos procurar qual é a realidade última, teremos que procurar além das fronteiras do universo criado. A realidade última tem que ser transcendente e a única alternativa para os que desejavam que o universo fosse eterno era que o universo fosse um fato bruto que não precisa de explicação. Essa ideia foi excluída das possibilidades de explicação e quando alguém recorre a ela hoje, essa pessoa não conhece o desdobramento do caso ou está apelando para a ignorância do interlocutor. O grande problema para eles hoje é que a evidência na ciência apoia o que a Bíblia já vem ensinando há quatro mil anos sobre o assunto. E você há de concordar comigo que existe uma diferença abissal em dizer que o universo tem 10 bilhões de anos e dizer que o universo é infinito. Qual a diferença em dizer que o universo tem 10 bilhões de anos ou 10 mil anos comparado a dizer que o universo é infinito? Nada. O fato significativo em dizer que o universo foi trazido a existência do nada por um ser transcendente e que a própria realidade quadrimensional do universo formada de tempo/espaço/matéria/energia passou a existir quando o universo foi trazido a existência, pois é exatamente o relato bíblico sobre o universo. A visão cristã de mundo descreve a natureza do universo com riqueza de precisão. O universo não foi derivado de uma matéria prima pré-existente, algo que já existia. Não! Isso também significa que Deus está totalmente no controle como a realidade última e toda abrangente, em como ele gerencia o universo pelas leis da natureza e quando decide intervir com ações miraculosas. Ou seja, Deus pode intervir, não intervir, modificar. Ele está no comando.

De acordo com Genesis 1, Deus apenas não criou o universo do nada, mas depois de criar do nada, Deus modelou, arrumou, organizou e criou novas coisas a partir das coisas já criadas do nada. Podemos ver isso em Genesis 1: 20, 24; 2: 7, 19, 22 – a medida que Deus vai ordenando, Deus vai criando, plantando, fazendo as coisas acontecerem no processo. Portanto, a ação de Deus na criação não está limitada a trazer tudo a existência apenas naquele princípio de Genesis 1:1. O caso ali não é o Deísmo, segundo o qual Deus cria, mas não interfere, não age, não organiza e não cria novas coisas e isso é repetidamente contraditado na narrativa do Genesis.

Genesis também ensina o teísmo, especificamente o Teísmo Monoteísta. Deus criou o universo pelo seu próprio poder e autoridade e não criou outras deidades menores, o que exclui o politeísmo.

Também vemos em Genesis que nós, os seres humanos, somos completamente dependentes de Deus. Deus existe e criou a humanidade (Gn 1:26, 27). Fomos criados pela livre vontade de Deus e Deus nos deu a liberdade para fazermos uso livre de tudo o que Deus criou para o nosso deleite. Ele criou o mundo para nós e depois nos criou. Tudo o que temos provém de Deus e ainda Deus nos capacitou com articulação racional ampla, poderosa e profunda, apesar da queda, para podermos dominar a criação, entender a criação, nos beneficiar da criação e explorar a criação. Por isso o homem hoje tanto explora o espaço quanto o mais profundo oceano, a mente e corpo, mesmo com todas as limitações inerentes a queda. O senhorio de Deus ao dizer exatamente como devemos viver nos fala diretamente sob este prisma.

Tudo o que Genesis 1 enfatiza sobre a criação é a bondade de Deus e a característica intrinseca de bondade nas coisas criadas. Vemos repetidamente em Genesis Deus criando as coisas e vendo que aquilo era bom. Nada é intrinsecamente mau. Os aspectos materiais da vida, o corpo que Deus criou por um ato pessoal e direto. Os alimentos, Deus proveu a alimentação para as suas criaturas.

Até o sexo é bom. Deus ordena que os seres humanos se reproduzam e Deus projetou o corpo dotado de características sexuais que dão prazer e alegria. Contudo, tudo deve ser feito dentro dos padrões que Deus estabeleceu, homem e mulher, macho e fêmea. Muitas religiões e, eu diria que a maioria, entende que os aspectos materiais da criação são um grande problema para os seres humanos, pois supostamente prejudicam o relacionamento dos seres humanos coma divindade. O Hinduísmo, o Budismo e o Gnosticismo são exemplos clássicos, pois afirmam que os seres humanos precisam transcender a matéria, como se o corpo material fosse a prisão da alma. Envolvida nesta ideia está a doutrina da reencarnação, pois supostamente o homem ficaria voltando em outro corpo até atingir um número de reencarnações para não precisar mais reencarnar, o que seria um conceito de salvação como espírito puro, independente do corpo. O que eles ensinam para que a pessoa possa chegar mais perto da condição de não precisar mais reencarnar? Eles se privam de comida, se privam de atividade sexual, mesmo se forem casados, a fim de supostamente alcançarem a experiência do divino. Até mesmo na história do cristianismo, podemos identificar pessoas praticando o ascetismo a fim de ganhar uma experiência maior com Deus e entrarem em um caminho de fanatismo (veja a história do monasticismo). A Bíblia não ensina nada disso. A comida e o sexo podem ser abusados para prejuízo pessoal das pessoas, mas são coisas boas que Deus criou.

O ensino de Genesis de que tudo o que Deus criou é bom é uma ideia radical e é uma inovação na história das religiões. Isso significa que a salvação não significa ser liberto da matéria e da esfera física para uma esfera etérea, espiritual. Logo, aqui está o fundamento, não o ensino, mas o fundamento, de que em Genesis, Deus já pretendia que a ressurreição do corpo fosse uma realidade, pois quando Deus criou os seres humanos, ele já pretendia que os seres humanos fossem seres com corpos. Nas outras visões de mundo o corpo ou a matéria são vistos como uma queda ou como algo mau. Um estado incorpóreo não é a meta final de salvação na fé cristã e não há apoio bíblico para tal ensino.

Também vemos nos primeiros capítulos de Genesis que a vida tem um propósito e um significado. Deus tem um plano, um propósito para a humanidade. Deus criou os seres humanos com corpos físicos, para viverem no espaço físico, no tempo e na história. A história é significativa, pois na cultura judaico-cristã a história é linear, formada de início, desenvolvimento e fim, o que também é uma inovação radical em comparação com as religiões orientais, pois estas entendem a história como sendo um ciclo interminável de reencarnações. É na história linear que Deus fala, se revela, opera, age, apesar de transcender a história e governar sobre ela. Outro pensamento que domina o Hinduísmo é que a história e a realidade são ilusões, que não existem de fato. Não existe significado para eles porque tudo o que é submetido a mudança é ilusório.

Vemos também em Genesis que toda a criação merece respeito e cuidado. Deus criou o mundo de uma forma cuidadosa e metódica e ele comissiona o ser humano desde o Éden para cuidar das coisas criadas, subjugar e dominar. A doutrina da criação tem um fundamento sólido para que cuidemos do meio ambiente.

E por fim, o que se pode depreender de Genesis 1 e 2 é que apenas Deus merece e deve ser adorado. Nenhuma coisa criada é digna de adoração, mas apenas Deus, o criador. O pensamento judaico-cristão destaca duas coisas bem fortes: 1. Apenas Deus é o responsável pela criação; 2. E apenas ele é e deve ser o objeto de devoção religiosa e adoração. Essa também foi uma concepção radical, inovadora e singular no mundo antigo, pois os povos antigos acreditavam que todas as forças da natureza eram divinas ou eram manifestações das divindades. O politeísmo era a visão e entendimento dominante no mundo de então. O ensino claro do AT é que Deus é o único responsável e deixa claro a intenção de excluir todas as divindades do mundo antigo, pois não existem. Essa também foi uma concepção radical para a época, porque todos eram politeístas. Para termos uma ideia da força dessa revelação, os céus que foram criados em Genesis 1.1 não eram a moradas dos deuses como era defendido pelos pagãos, mas antes os céus foram criados por Deus. Logo, Deus transcende os céus. Essa era uma revelação revolucionária e extraordinária logo no primeiro versículo da Bíblia. No verso 2 aparece as profundezas dos oceanos que não eram divinos e que o Espírito de Deus era quem dominava por aquelas bandas também. A luz no verso três não aparece como uma emanação do divino, mas é uma criação de Deus também. Da mesma forma o sol e a lua foram criados por Deus e naqueles dias os povos antigos adoravam o sol e a lua e o que é interessante, existem as palavras hebraicas para sol e lua, mas elas não são usadas em Genesis 1 e nos versos 14-16 temos uma referência genérica a luz maior e a luz menor (luzeiros) e as estrelas. É negada totalmente e radicalmente a ideia de que essas luzes sejam divindades, mas que elas são apenas sinais de que o Deus criador as colocou lá. Elas não são divinas nem sobrenaturais. No verso 21 são apresentados os monstros marinhos que Deus criou e os colocou lá também. Nos contos antigos entre os habitantes do oriente próximo médio, esses monstros marinhos eram os agentes do caos que aterrorizavam as águas e a ordem só era reestabelecida pelos deuses, e Genesis revela que esses monstros eram apenas grandes peixes que Deus criou e colocou lá.

Por fim, vemos em Genesis 1 que Deus criou os seres humanos. O incrível é que Deus criou “adam”, ou seja, “a humanidade” a sua imagem e semelhança, macho e fêmea. Ao dizer isso, todos os seres humanos são representados por Adão, o pai. Note que ambos, macho e fêmea, foram criados a imagem e semelhança de Deus. Entre os povos antigos, os homens podiam ser relacionados como imagem de uma divindade, a saber, um governador ou um rei, que eram considerados como a manifestação de uma divindade, como um representante que governava aquela terra. Genesis erradica essa visão de que alguns homens são deuses ou que são os representantes dos deuses. Antes, todos os seres humanos são ontologicamente iguais, pois compartilham a imagem e semelhança de Deus.

Perceba que até agora, você não vê nada sendo dito sobre a idade da terra. Não existe essa implicação clara dentro do contexto das religiões do período, porque Genesis 1 tem muito a dizer sobre os atributos de Deus e muito a revelar sobre os enganos dos povos antigos. Repetindo, só existe um único Deus e Deus Elohim criou todas as coisas. Algumas pessoas criticam e ficam confusas com a forma Elohim por causa da forma plural, mas o hebraico às vezes usa a forma plural como verbo singular para denotar completude para algo ou alguém. Então, quando o AT se refere a Deus como Elohim, não significa uma pluralidade de seres divinos, porque a forma plural Elohim regularmente assume a forma de verbo no singular e isso ocorre em Genesis 1. Em Genesis 2 Elohim é identificado como Jeová, como Deus, não uma pluralidade de deuses, ou seja, um Deus que detém todo o poder e autoridade e que criou e governa sobre todas as coisas. Você só deve encarar e responder a apenas um Deus e isso é bem simples. Só existe um Deus a quem você deve servir e agradar e esse é todo o resumo da ópera. Se também ele criou o céu, logo ele não mora no céu como uma habitação no conceito que temos de habitação, pois ele transcende os céus. Mas ele também é imanente, pois interage dentro da criação. Se Deus fosse apenas imanente, então ele estaria sujeito ao tempo, logo estaria passível a mudança e o panteísmo seria a visão de mundo correta. Se Deus fosse apenas transcendente, o Deísmo estaria correto, pois teria criado o universo e se isolado, virado as costas para a criação. Mas o Deus que criou é transcendente e imanente. Deus é eterno porque criou o tempo, e é onisciente e perfeitamente sábio pois criou o universo de forma ordenada, organizada, e perfeitamente equilibrada.

Sua onipotência é demonstrada pela forma em que ele cria o universo praticamente sem esforço, pelo poder da palavra. Bem como pelo fato de que Deus é pessoal, porque fala na primeira pessoa, avalia o que criou e diz que tudo é bom. Deus é autossuficiente, pois não criou nada para seu próprio benefício e nas culturas pagãs os deuses precisam das ações religiosas dos homens em alguma medida. Então, perceba que Genesis 1 e 2 tem muito a dizer sobre a criação e sobre o Deus da criação e seus atributos, responde a muito da cultura pagã circundante, mas não fala nada sobre a idade da terra, apenas que a terra tem uma idade, mas além disso, Genesis está realmente fixado em revelar e esclarecer outras coisas mais importantes do que a idade da terra. Então, como evangélicos bíblicos, devemos focar nas coisas que realmente são importantes.

Tendo falado tudo isso, temos que reconhecer que Genesis revela que a terra tem uma idade. Agora, não vejo relevância em colocar o assunto sobre a idade da terra acima dos assuntos mais importantes que foram revelados. Para mim é indiferente se alguém acredita na terra jovem ou antiga, isso não tem implicações para a salvação. Agora, é importante destacar que nem todos os criacionistas da terra jovem acreditam que o universo seja jovem. O fato é que existe alguma diversidade sobre a questão.

 

segunda-feira, 27 de março de 2023

Cosmogonias: Teorias da Criação - O que os três primeiros capítulos de Gênesis realmente ensinam? PARTE 5 - FINAL

 

Por Robert Bowman Jr.

Traduzido, adaptado e ampliado por Walson Sales

 

Por fim, vemos em Genesis 1 que Deus criou os seres humanos. O incrível é que Deus criou “adam”, ou seja, “a humanidade” a sua imagem e semelhança, macho e fêmea. Ao dizer isso, todos os seres humanos são representados por Adão, o pai. Note que ambos, macho e fêmea, foram criados a imagem e semelhança de Deus. Entre os povos antigos, os homens podiam ser relacionados como imagem de uma divindade, a saber, um governador ou um rei, que eram considerados como a manifestação de uma divindade, como um representante que governava aquela terra. Genesis erradica essa visão de que alguns homens são deuses ou que são os representantes dos deuses. Antes, todos os seres humanos são ontologicamente iguais, pois compartilham a imagem e semelhança de Deus.

Perceba que até agora, você não vê nada sendo dito sobre a idade da terra. Não existe essa implicação clara dentro do contexto das religiões do período, porque Genesis 1 tem muito a dizer sobre os atributos de Deus e muito a revelar sobre os enganos dos povos antigos. Repetindo, só existe um único Deus e Deus Elohim criou todas as coisas. Algumas pessoas criticam e ficam confusas com a forma Elohim por causa da forma plural, mas o hebraico às vezes usa a forma plural como verbo singular para denotar completude para algo ou alguém. Então, quando o AT se refere a Deus como Elohim, não significa uma pluralidade de seres divinos, porque a forma plural Elohim regularmente assume a forma de verbo no singular e isso ocorre em Genesis 1. Em Genesis 2 Elohim é identificado como Jeová, como Deus, não uma pluralidade de deuses, ou seja, um Deus que detém todo o poder e autoridade e que criou e governa sobre todas as coisas. Você só deve encarar e responder a apenas um Deus e isso é bem simples. Só existe um Deus a quem você deve servir e agradar e esse é todo o resumo da ópera. Se também ele criou o céu, logo ele não mora no céu como uma habitação no conceito que temos de habitação, pois ele transcende os céus. Mas ele também é imanente, pois interage dentro da criação. Se Deus fosse apenas imanente, então ele estaria sujeito ao tempo, logo estaria passível a mudança e o panteísmo seria a visão de mundo correta. Se Deus fosse apenas transcendente, o Deísmo estaria correto, pois teria criado o universo e se isolado, virado as costas para a criação. Mas o Deus que criou é transcendente e imanente. Deus é eterno porque criou o tempo, e é onisciente e perfeitamente sábio pois criou o universo de forma ordenada, organizada, e perfeitamente equilibrada.

Sua onipotência é demonstrada pela forma em que ele cria o universo praticamente sem esforço, pelo poder da palavra. Bem como pelo fato de que Deus é pessoal, porque fala na primeira pessoa, avalia o que criou e diz que tudo é bom. Deus é autossuficiente, pois não criou nada para seu próprio benefício e nas culturas pagãs os deuses precisam das ações religiosas dos homens em alguma medida. Então, perceba que Genesis 1 e 2 tem muito a dizer sobre a criação e sobre o Deus da criação e seus atributos, responde a muito da cultura pagã circundante, mas não fala nada sobre a idade da terra, apenas que a terra tem uma idade, mas além disso, Genesis está realmente fixado em revelar e esclarecer outras coisas mais importantes do que a idade da terra. Então, como evangélicos bíblicos, devemos focar nas coisas que realmente são importantes.

Tendo falado tudo isso, temos que reconhecer que Genesis revela que a terra tem uma idade. Agora, não vejo relevância em colocar o assunto sobre a idade da terra acima dos assuntos mais importantes que foram revelados. Para mim é indiferente se alguém acredita na terra jovem ou antiga, isso não tem implicações para a salvação. Agora, é importante destacar que nem todos os criacionistas da terra jovem acreditam que o universo seja jovem. O fato é que existe alguma diversidade sobre a questão.

quinta-feira, 23 de março de 2023

Cosmogonias: Teorias da Criação - O que os três primeiros capítulos de Gênesis realmente ensinam? PARTE 4

 

Por Robert Bowman Jr.

Traduzido, adaptado e ampliado por Walson Sales

 

E por fim, o que se pode depreender de Genesis 1 e 2 é que apenas Deus merece e deve ser adorado. Nenhuma coisa criada é digna de adoração, mas apenas Deus, o criador. O pensamento judaico-cristão destaca duas coisas bem fortes: 1. Apenas Deus é o responsável pela criação; 2. E apenas ele é e deve ser o objeto de devoção religiosa e adoração. Essa também foi uma concepção radical, inovadora e singular no mundo antigo, pois os povos antigos acreditavam que todas as forças da natureza eram divinas ou eram manifestações das divindades. O politeísmo era a visão e entendimento dominante no mundo de então. O ensino claro do AT é que Deus é o único responsável e deixa claro a intenção de excluir todas as divindades do mundo antigo, pois não existem. Essa também foi uma concepção radical para a época, porque todos eram politeístas. Para termos uma ideia da força dessa revelação, os céus que foram criados em Genesis 1.1 não eram a moradas dos deuses como era defendido pelos pagãos, mas antes os céus foram criados por Deus. Logo, Deus transcende os céus. Essa era uma revelação revolucionária e extraordinária logo no primeiro versículo da Bíblia. No verso 2 aparece as profundezas dos oceanos que não eram divinos e que o Espírito de Deus era quem dominava por aquelas bandas também. A luz no verso três não aparece como uma emanação do divino, mas é uma criação de Deus também. Da mesma forma o sol e a lua foram criados por Deus e naqueles dias os povos antigos adoravam o sol e a lua e o que é interessante, existem as palavras hebraicas para sol e lua, mas elas não são usadas em Genesis 1 e nos versos 14-16 temos uma referência genérica a luz maior e a luz menor (luzeiros) e as estrelas. É negada totalmente e radicalmente a ideia de que essas luzes sejam divindades, mas que elas são apenas sinais de que o Deus criador as colocou lá. Elas não são divinas nem sobrenaturais. No verso 21 são apresentados os monstros marinhos que Deus criou e os colocou lá também. Nos contos antigos entre os habitantes do oriente próximo médio, esses monstros marinhos eram os agentes do caos que aterrorizavam as águas e a ordem só era reestabelecida pelos deuses, e Genesis revela que esses monstros eram apenas grandes peixes que Deus criou e colocou lá.

 

Continua...

Cosmogonias: Teorias da Criação - O que os três primeiros capítulos de Gênesis realmente ensinam? PARTE 3

 

Por Robert Bowman Jr.

Traduzido, adaptado e ampliado por Walson Sales

 

O ensino de Genesis de que tudo o que Deus criou é bom é uma ideia radical e é uma inovação na história das religiões. Isso significa que a salvação não significa ser liberto da matéria e da esfera física para uma esfera etérea, espiritual. Logo, aqui está o fundamento, não o ensino, mas o fundamento, de que em Genesis, Deus já pretendia que a ressurreição do corpo fosse uma realidade, pois quando Deus criou os seres humanos, ele já pretendia que os seres humanos fossem seres com corpos. Nas outras visões de mundo o corpo ou a matéria são vistos como uma queda ou como algo mau. Um estado incorpóreo não é a meta final de salvação na fé cristã e não há apoio bíblico para tal ensino.

Também vemos nos primeiros capítulos de Genesis que a vida tem um propósito e um significado. Deus tem um plano, um propósito para a humanidade. Deus criou os seres humanos com corpos físicos, para viverem no espaço físico, no tempo e na história. A história é significativa, pois na cultura judaico-cristã a história é linear, formada de início, desenvolvimento e fim, o que também é uma inovação radical em comparação com as religiões orientais, pois estas entendem a história como sendo um ciclo interminável de reencarnações. É na história linear que Deus fala, se revela, opera, age, apesar de transcender a história e governar sobre ela. Outro pensamento que domina o Hinduísmo é que a história e a realidade são ilusões, que não existem de fato. Não existe significado para eles porque tudo o que é submetido a mudança é ilusório.

Vemos também em Genesis que toda a criação merece respeito e cuidado. Deus criou o mundo de uma forma cuidadosa e metódica e ele comissiona o ser humano desde o Éden para cuidar das coisas criadas, subjugar e dominar. A doutrina da criação tem um fundamento sólido para que cuidemos do meio ambiente.

 

Continua...

Cosmogonias: Teorias da Criação - O que os três primeiros capítulos de Gênesis realmente ensinam? PARTE 2

 

Por Robert Bowman Jr.

Traduzido, adaptado e ampliado por Walson Sales

 

De acordo com Genesis 1, Deus apenas não criou o universo do nada, mas depois de criar do nada, Deus modelou, arrumou, organizou e criou novas coisas a partir das coisas já criadas do nada. Podemos ver isso em Genesis 1: 20, 24; 2: 7, 19, 22 – a medida que Deus vai ordenando, Deus vai criando, plantando, fazendo as coisas acontecerem no processo. Portanto, a ação de Deus na criação não está limitada a trazer tudo a existência apenas naquele princípio de Genesis 1:1. O caso ali não é o Deísmo, segundo o qual Deus cria, mas não interfere, não age, não organiza e não cria novas coisas e isso é repetidamente contraditado na narrativa do Genesis.

Genesis também ensina o teísmo, especificamente o Teísmo Monoteísta. Deus criou o universo pelo seu próprio poder e autoridade e não criou outras deidades menores, o que exclui o politeísmo.

Também vemos em Genesis que nós, os seres humanos, somos completamente dependentes de Deus. Deus existe e criou a humanidade (Gn 1:26, 27). Fomos criados pela livre vontade de Deus e Deus nos deu a liberdade para fazermos uso livre de tudo o que Deus criou para o nosso deleite. Ele criou o mundo para nós e depois nos criou. Tudo o que temos provém de Deus e ainda Deus nos capacitou com articulação racional ampla, poderosa e profunda, apesar da queda, para podermos dominar a criação, entender a criação, nos beneficiar da criação e explorar a criação. Por isso o homem hoje tanto explora o espaço quanto o mais profundo oceano, a mente e corpo, mesmo com todas as limitações inerentes a queda. O senhorio de Deus ao dizer exatamente como devemos viver nos fala diretamente sob este prisma.

Tudo o que Genesis 1 enfatiza sobre a criação é a bondade de Deus e a característica intrinseca de bondade nas coisas criadas. Vemos repetidamente em Genesis Deus criando as coisas e vendo que aquilo era bom. Nada é intrinsecamente mau. Os aspectos materiais da vida, o corpo que Deus criou por um ato pessoal e direto. Os alimentos, Deus proveu a alimentação para as suas criaturas.

Até o sexo é bom. Deus ordena que os seres humanos se reproduzam e Deus projetou o corpo dotado de características sexuais que dão prazer e alegria. Contudo, tudo deve ser feito dentro dos padrões que Deus estabeleceu, homem e mulher, macho e fêmea. Muitas religiões e, eu diria que a maioria, entende que os aspectos materiais da criação são um grande problema para os seres humanos, pois supostamente prejudicam o relacionamento dos seres humanos coma divindade. O Hinduísmo, o Budismo e o Gnosticismo são exemplos clássicos, pois afirmam que os seres humanos precisam transcender a matéria, como se o corpo material fosse a prisão da alma. Envolvida nesta ideia está a doutrina da reencarnação, pois supostamente o homem ficaria voltando em outro corpo até atingir um número de reencarnações para não precisar mais reencarnar, o que seria um conceito de salvação como espírito puro, independente do corpo. O que eles ensinam para que a pessoa possa chegar mais perto da condição de não precisar mais reencarnar? Eles se privam de comida, se privam de atividade sexual, mesmo se forem casados, a fim de supostamente alcançarem a experiência do divino. Até mesmo na história do cristianismo, podemos identificar pessoas praticando o ascetismo a fim de ganhar uma experiência maior com Deus e entrarem em um caminho de fanatismo (veja a história do monasticismo). A Bíblia não ensina nada disso. A comida e o sexo podem ser abusados para prejuízo pessoal das pessoas, mas são coisas boas que Deus criou.

 

Continua...

Cosmogonias: Teorias da Criação - O que os três primeiros capítulos de Gênesis realmente ensinam? PARTE 1

 

Por Robert Bowman Jr.

Traduzido, adaptado e ampliado por Walson Sales

 

Sobre o ensino contido nos três primeiros capítulos de Genesis, principalmente no que diz respeito às origens, o livro de Genesis tem muitas informações importantes e cruciais. Agora, sobre o assunto da idade do universo ou da idade da terra, esse é um tema secundário, pois não está relacionado entre os temas centrais da fé cristã, principalmente no que diz respeito a salvação. Ninguém vai ser salvo ou condenado se crer que a terra é jovem ou antiga. Naquele dia apenas saberemos se estávamos certos ou errados sobre algumas doutrinas contidas nas nossas tradições. É vital que coloquemos este assunto sobre a idade da terra em um contexto mais amplo dentro dos ensinos dos três primeiros capítulos de Genesis, ainda que você chegue a uma conclusão particular sua sobre esse tema polêmico, é importante focar nos ensinos mais significativos do trecho para a fé cristã, principalmente com respeito a doutrina da criação, que é claramente ensinada na Bíblia.

Pegue sua Bíblia agora e leia Genesis 1, independente se você já tem uma interpretação sobre o assunto, principalmente sobre a idade da terra. Leia com atenção, com cuidado e leia devagar e tente ver o que realmente o texto está ensinando. Perceba que não está como tema central ali a idade da terra ou a evolução das espécies. Talvez a passagem tenha algumas implicações sobre esses assuntos. Contudo, esses não são o foco central desse capítulo. Vamos dar uma olhada sobre o que realmente o texto está dizendo e ver as implicações para as cosmovisões, algo crucial neste primeiro capítulo da Bíblia e as pessoas geralmente não se apercebem o que a Bíblia está atacando e anulando aqui. A primeira coisa crucial e com implicações gigantescas é que Deus criou todas as coisas. Céus e terra é a forma idiomática de dizer todas as coisas. É como dizer “de alto a baixo, de A a Z, do Alpha ao Ômega”. Essas duas coisas e todo o resto entre elas. Quando a Bíblia afirma que Deus criou os céus e a terra no início, isso significa tudo. Essa afirmação tem implicações de cosmovisão, pois outras visões que defendem que o mundo foi criado por um deus inferior ou que o mundo é produto de uma intenção maligna, uma divindade descontrolada e cheia de más intenções é descartada sumariamente. Ou seja, Deus é o responsável por todas as coisas que existem. Genesis 1 exclui o dualismo metafísico, a crença de que o cosmos é balanceado entre luz e trevas, bem e mal, como as realidades últimas em um balanço cósmico, doutrina viva conhecida como taoísmo, como o yng/yang, ideologia encontrada nas visões religiosas transcendentalistas que são vedetes da modernidade, principalmente nos filmes de George Lucas (a força) que é conceitualizada dessa forma dualista.

O fato de Deus ter criado o universo no início também exclui a narrativa de que o universo é eterno. Essa questão está resolvida cientificamente e não tínhamos essa confirmação até a modernidade. As informações que confirmavam eram apenas da revelação especial e das implicações filosóficas. Não tínhamos uma forma de confirmar ou verificar se o universo teve um início. Essa foi uma descoberta dramática. Foi uma descoberta frustrante para os cientistas comprometidos com o naturalismo descobrirem que o universo teve um início, pois a implicação é de um “pé divino na porta”. Um universo infinito e necessário era esperado por eles para justificar um universo aleatório, randômico e uma evolução cega sem Deus. A confirmação da criação do universo foi uma derrota para eles. Sabemos hoje que o universo é muito maior do que pensavam os medievais, bem como Galileu e Copérnico, mas é um ponto estabelecido que o universo é finito e limitado e isso é filosoficamente e metafisicamente importante porque assim o universo não pode ser identificado com o infinito ou com a realidade transfinita.

Assim, se formos procurar qual é a realidade última, teremos que procurar além das fronteiras do universo criado. A realidade última tem que ser transcendente e a única alternativa para os que desejavam que o universo fosse eterno era que o universo fosse um fato bruto que não precisa de explicação. Essa ideia foi excluída das possibilidades de explicação e quando alguém recorre a ela hoje, essa pessoa não conhece o desdobramento do caso ou está apelando para a ignorância do interlocutor. O grande problema para eles hoje é que a evidência na ciência apoia o que a Bíblia já vem ensinando há quatro mil anos sobre o assunto. E você há de concordar comigo que existe uma diferença abissal em dizer que o universo tem 10 bilhões de anos e dizer que o universo é infinito. Qual a diferença em dizer que o universo tem 10 bilhões de anos ou 10 mil anos comparado a dizer que o universo é infinito? Nada. O fato significativo em dizer que o universo foi trazido a existência do nada por um ser transcendente e que a própria realidade quadrimensional do universo formada de tempo/espaço/matéria/energia passou a existir quando o universo foi trazido a existência, pois é exatamente o relato bíblico sobre o universo. A visão cristã de mundo descreve a natureza do universo com riqueza de precisão. O universo não foi derivado de uma matéria prima pré-existente, algo que já existia. Não! Isso também significa que Deus está totalmente no controle como a realidade última e toda abrangente, em como ele gerencia o universo pelas leis da natureza e quando decide intervir com ações miraculosas. Ou seja, Deus pode intervir, não intervir, modificar. Ele está no comando.

 

Continua...

segunda-feira, 6 de março de 2023

O Problema dos Cananeus - TEXTO COMPLETO

 

PhilosoPhia Christi

Vol. 11, No. 1 © 2009, pp. 52 – 72

Por Clay Jones

Tradução Walson Sales

 

 

Nós não odiamos o pecado – Por isso não conseguimos entender o que aconteceu com os Cananeus

Um Adendo aos Argumentos do “Genocídio Divino” no Antigo Testamento

 

Por Clay Jones

Christian Apologetics Program

Biola University

La Mirada, California

 

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RESUMO: os céticos desafiam a justiça de Deus ao ordenar a Israel que destruísse os Cananeus, mas um olhar mais atento ao horror da pecaminosidade dos Cananeus, o poder corruptor e sedutor do pecado que praticavam como visto na Canaanização [influência que exerceram] de Israel, e Deus subsequentemente instituindo a própria destruição de Israel por causa do fato de Israel cometer o pecado Cananeu revela que Deus foi justo ao ordenar a destruição dos Cananeus. Mas a aceitação da cultura ocidental do “pecado Cananeu” como um estilo de vida aceitável invalida o juízo de Deus contra a seriedade desse pecado e, assim, torna a justiça de Deus incapaz de responder ao pecado Cananeu de forma apropriada como um ultraje moral grave.

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Os Novos Ateus afirmam que a ordem de Deus para a destruição dos Cananeus é uma evidência do “genocídio divino”. O artigo de Paul Copan, “Yahweh é um monstro moral?” em uma edição recente do Philosophia Christi, juntamente com sua resposta à resposta de Wes Morriston nesta edição, ajuda a trazer à tona algumas considerações importantes nesta discussão.[1]

Mas acho que alguns fatores relacionados, mas subestimados, merecem um olhar mais atento. Por exemplo, compreendemos, de forma genuina, a profundidade dos pecados dos Cananeus? Entendemos o significado de Deus ter quase destruído Israel por cometer os mesmos pecados que os Cananeus cometiam? Será que, porque nossa cultura hoje comete os mesmos pecados que os Cananeus praticavam, somos contagiados contra a gravidade desses pecados e, portanto, pensamos que o julgamento de Deus é injusto? Como pode uma teologia do coração humano e sua condição pecaminosa lançar luz sobre as motivações acerca das reivindicações de “genocídio divino”? Resumindo, a maioria dos nossos problemas em relação à ordem de Deus para a destruição dos Cananeus vem do fato de que Deus odeia o pecado, mas nós não. Em caso afirmativo, as reivindicações de “genocídio divino” são mais uma racionalização da condição humana e não um raciocínio responsável sobre a justiça das ações de Deus para com os Cananeus?

Se for esse o caso, parece que precisamos entender o horror que é o pecado, especialmente o nosso pecado, se quisermos reconciliar o que parece ser o julgamento severo de Deus contra o pecado. “Quando simplesmente dizemos que somos maus”, C. S. Lewis escreveu, “a ‘ira’ de Deus parece uma doutrina bárbara; assim que percebemos nossa maldade, ela parece inevitável, uma mera consequência da bondade de Deus.”[2] Não basta, então, dizermos desapaixonadamente que os Cananeus eram maus ou mesmo perversos; pois o impacto dessas palavras é diminuído em nossa cultura.[3] Mesmo o significado de determinados tipos de pecados, como a bestialidade, é um tanto sem gravidade para nós hoje. Pois muitas vezes há uma certa rejeição do “seja lá o que for” que familiarmente destaque uma resposta aos confrontos modernos do que sejam os “males antigos”, talvez como uma forma de lidar com nossa negação do que realmente é o caso.

O que estou sugerindo não é apenas o uso de uma linguagem vibrante que capte melhor a experiência escancarada do mal. Embora seja interessante notar que, quando a linguagem se dilui moralmente, ela pode ajudar a domar e pacificar nossa indignação contra o mal.[4] Percebi que, por uma questão de atitude ou ponto de vista, precisamos olhar com muito mais franqueza para a maldade humana do que costumamos fazer, especialmente quando estamos engajados em reflexões filosóficas sobre o problema do mal.

Assim, neste artigo, tento oferecer evidências francas que documentam e ilustram a seriedade do pecado Cananeu e, assim, tento ajudar a formar uma razão pela qual Deus raciocinou e agiu da maneira que agiu com os Cananeus e seus pecados. Tento ilustrar as profundezas da depravação Cananéia da maneira mais factual e real possível.[5] No entanto, muito do que se segue é reconhecidamente perturbador. E se já não é perturbador para nós, talvez haja algo mais perturbador em nossa falha em estarmos devidamente perturbados? Além disso, há uma tentação historiográfica na literatura sobre a cultura Cananéia (ou em seu uso) de subestimar, às vezes negar ou mesmo eliminar evidências do mal entre os Cananeus. É por isso que também procuro oferecer esta contribuição com cuidado e prudência.

 

O Pecado dos Cananeus

 

Deus diz a Israel em Deuteronômio 9:5 que não era por causa da “justiça ou integridade” de Israel, mas “por causa da maldade dessas nações” que ele estava expulsando os Cananeus. A Bíblia é inequívoca em relação aos pecados que eles cometeram, incluindo idolatria, incesto, adultério, sacrifício de crianças, homossexualidade e bestialidade.

 

A Prática da Idolatria entre os Cananeus

 

Não há polêmicas aqui, os Cananeus adoravam outros deuses e não adoravam Yahweh. Quando Israel passa a adorar como os Cananeus, Yahweh envia seus porta-vozes proféticos e declara, por exemplo: “Houve alguma nação que trocasse os seus deuses, ainda que não fossem deuses? Todavia o meu povo trocou a sua glória por aquilo que é de nenhum proveito. Espantai-vos disto, ó céus, e horrorizai-vos! Ficai verdadeiramente desolados, diz o Senhor.” (Jr 2:11–12; cf. 2:8).[6] O Senhor zomba desses deuses feitos à mão; deuses que não podem falar e que precisam ser carregados porque não podem andar.[7] O AT freqüentemente os denuncia como nada mais do que paus ou cerâmica feitos por mãos humanas que não podiam “ver, ouvir, comer ou cheirar” (Deuteronômio 4:28). Embora impotentes para dar vida de fato, Yahweh declara que tais ídolos corroem fortemente aqueles que os seguem e os imitam: se você seguir o que é inútil, você se tornará inútil (cf. Jr. 2: 5, 10: 8 e Jn. 2:8).[8]

A idolatria não é um mero passatempo religioso particular e individualista que uma pessoa faz (por exemplo, “ele cometeu um ato de idolatria”). Pelo contrário, a idolatria pode formar toda uma identidade de grupo e um estilo de vida, porque quem comete idolatria o faz por ser idólatra. A idolatria é uma forma de adoração porque envolve atribuir atenção e afeto a algo considerado digno. A adoração, independentemente de seu objeto, é inescapavelmente formadora de toda uma vida.

Além disso, o conceito de idolatria se presta a uma mentalidade e cultura politeístas que tem consequências sociais generalizadas. Em tal contexto, “adorar o único e verdadeiro Deus” é uma ideia moral, cultural e socialmente pouco persuasiva (se não também repulsiva). Dentro do politeísmo, uma pessoa não pode ser idólatra. Se o politeísmo fosse verdadeiro, não faria sentido de que forma alguém ou algum ato poderia ser considerado idólatra. Além disso, um seguidor do politeísmo pode até se envolver alegremente em falsidades (por exemplo, adorar divindades que são contraditórias) ou chamar algo “antinatural” de “natural” (por exemplo, bestialidade), o que é evidenciado pela cultura Cananéia.

Os Cananeus levam a sério o testemunho de Yahweh no AT e sua revelação, pelo menos para transformar intencionalmente a representação bíblica de Yahweh em um fracote castrado. Em sua dissertação na Universidade de Chicago, Ulf Oldenburg resume as consequências formativas do politeísmo Cananeu:

 

Na época do Êxodo hebraico, Ba'al já havia usurpado o poder de El [um dos nomes de Yahweh em Hebraico] em Canaã. Quando El perdeu a força dinâmica expressa em seu nome na religião Cananéia, ele se perdeu. A maioria dos textos Ugaríticos o descreve como um pobre covarde, um covarde que abandona a justiça para se salvar, o desprezo das deusas. Um texto [Cananeu] descreve El como um bêbado sujo com "seus excrementos e urina" após um banquete.[9]

 

Se o politeísmo é uma maneira de ser idólatra, mesmo que dentro do politeísmo ser idólatra pareça estranho e incoerente, seria surpreendente que a idolatria pudesse afetar negativamente a capacidade de uma pessoa avaliar com responsabilidade? Sob tal influência, o “ciúme divino” e o ódio à idolatria podem até parecer o resultado de um complexo de inferioridade divina necessária, mesmo quando esse não é o caso, ou comandos contra a idolatria podem soar como o resultado de um desmancha-prazeres cósmico que é um intrometido empenhado em controlar criaturas livres e seus prazeres, mesmo que essa não seja a intenção do ser divino. A idolatria acaba assaltando as pessoas com um delírio, mesmo diante das evidências disponíveis em contrário.[10]

Acho que Richard Dawkins exemplifica essa confusão quando reclama que “A ira monumental de Deus sempre que seu povo flertava com um deus rival remete ao pior tipo de ciúme sexual. . . .” [11] Mas, alguém acha que se a esposa de Dawkins o deixasse por um boneco de gengibre feito por ela mesma, e então ela começasse a dizer a todos que Dawkins gostava de brincar com seus excrementos, será que Dawkins toleraria a caracterização de seus sentimentos como não mais do que “ciúme sexual da pior espécie”?

Falando sério, porém, tentei mostrar que a idolatria Cananéia - conforme evidenciado por seu politeísmo - não era um assunto mesquinho, individualista e privado. Essa mentalidade era teologicamente conducente (se não motivadora) à formação de práticas Cananéias, incluindo as práticas de incesto, adultério, sacrifício de crianças, homossexualidade e bestialidade, de modo que essas práticas não são incoerentes com a idolatria Cananéia.

 

A Prática de Incesto entre os Cananeus

 

Como todos os panteões do Antigo Oriente Próximo (AOP), o panteão Cananeu era incestuoso. O deus El (considerado o pai dos deuses) teve setenta filhos com Aserá. Dessa união nasceu Baal[12] e sua irmã Anat com quem Baal tinha relações sexuais. Depois que Baal relatou a seu pai El que Aserá havia tentado seduzi-lo, El encorajou Baal a fazer sexo com ela para humilhá-la, o que Baal fez.[13] Baal também teve como consorte sua primeira filha, Pidray.[14] Nenhum desses atos incestuosos dos deuses é apresentado de forma pejorativa [nos contos pagãos dos Cananeus].

Embora as primeiras leis Cananéias prescrevessem a morte ou o banimento para a maioria das formas de incesto, após o século XIV a.C., as penas foram reduzidas a não mais do que o pagamento de uma multa.[15] Essa descriminalização do incesto coincidiu com os séculos entre a palavra de Deus a Abraão de que os pecados daqueles que ali viviam “ainda não atingiram sua medida total”[16] e o Êxodo. Ao adiar o julgamento, Deus expressou paciência e demonstrou que Seu julgamento “não é caprichoso nem injustificado”. [17]

Mesmo que o restante do AOP tenha legislado contra o incesto (afinal, resulta sempre em crianças deformadas), isso não significa que as fantasias incestuosas fossem consideradas abomináveis. Por exemplo, considere o livro de sonhos Egípcio escrito para homens que lista muitos tipos de sonhos e os presságios associados a eles. Começa com “Se um homem se vê em um sonho. . .

 

. . . tendo relações sexuais com sua mãe: Bom. Seus companheiros vão ficar com ele.

. . . tendo relações sexuais com sua irmã: Bom. Isso significa que ele herdará algo.

. . . tendo relações sexuais com uma mulher: Ruim. Significa luto.[18]

 

Lembre-se de que Sodoma era uma cidade Cananéia e, depois de ter sido destruída por sua maldade, a próxima coisa que lemos é que as filhas de Ló embebedam Ló e fazem sexo com ele.[19] Ló e suas filhas imitam as práticas sexuais da cultura Cananéia e os Cananeus (e não acidentalmente) imitam suas divindades.

 

A Prática do Adultério entre os Cananeus

 

A religião Cananéia, como a de todas do AOP, era uma religião de fertilidade que envolvia a prática de sexo no templo.[20] Inanna/Ištar, também conhecida como a Rainha dos Céus, “tornou-se a mulher entre os deuses, patrona do erotismo e da sensualidade, do amor conjugal e também do adultério, das noivas e prostitutas, travestis e pederastas.”[21] Jonathan Tubb, curador da Síria-Palestina no Departamento da Ásia Ocidental do Museu Britânico, aponta que “de acordo com textos de Ugarit, a prática do culto envolvia sacerdotes provenientes de famílias sacerdotais e também prostitutas sagradas, tanto homens quanto mulheres”. Tubb diz que Anat era "promíscua" e que "El seduziu duas mulheres que deram à luz Dawn e Dusk".[23]

Os sacerdotes provavelmente participavam de seus rituais nus, e o sexo era certamente uma grande parte das cerimônias.[24] Como escreve o professor Martti Nissinen da Universidade de Helsinque, “o contato sexual com uma pessoa cuja vida inteira foi devotada à deusa era equivalente à união com a própria deusa.”[25]

A história de El praticando sexo com duas mulheres (ou deusas) termina com as seguintes instruções: “que seja repetido cinco vezes pela companhia e pelos cantores da assembléia”.[26] El foi sacramentalmente experimentado pela comunidade nas orgias sexuais do culto da fertilidade que os profetas Hebreus tão veementemente denunciaram.”[27]

Isso não quer dizer que o adultério não fosse contra a lei. Em grande parte, era - para a mulher casada. Para o homem, não era ofensa fazer sexo com uma mulher solteira. “O adultério era então uma ofensa não contra a própria esposa de um homem, mas contra o marido da mulher culpada, e ele poderia tolerar e aceitar uma compensação; mas a mera fornicação não era ofensa para o homem, casado ou solteiro. Havia então liberdade quase absoluta para o marido, mas não para a esposa.”[28]

Lise Manniche, professora de Egiptologia na Universidade de Copenhague, aponta que no Egito o adultério “floresceu nas classes mais baixas”.[29] Gwendolyn Leick, pesquisadora de Assiriologia da University of the Arts de Londres, escreve que, “na Mesopotâmia, onde todo comportamento sexual estava sob os auspícios de Inanna/Ištar, atos sexuais fora do casamento podiam ser tolerados e até certo ponto institucionalizados. A deusa está ligada à prostituição em várias composições.”[30] Claro, não há razão para supor que os Cananeus, situados entre o Egito e a Mesopotâmia, não estivessem fazendo o mesmo.

 

A Prática do Sacrifícios de Crianças entre os Cananeus

 

Levítico 18:21 ordena: “E da tua descendência não darás nenhum para fazer passar pelo fogo perante Moloque; e não profanarás o nome de teu Deus. Eu sou o Senhor.” Moloque era uma divindade Cananéia do submundo[31] representada como um ídolo ereto com cabeça de touro com corpo humano em cujo ventre um fogo era alimentado e em cujos braços estendidos era colocada uma criança que seria queimada até a morte.[32] Não eram apenas crianças indesejadas que eram sacrificadas. Plutarco relata que durante os sacrifícios Fenícios (Cananeus)[33], “toda a área diante da estátua era preenchida com um barulho alto de flautas e tambores para que os gritos de choro e lamento [das crianças] não chegassem aos ouvidos do povo”.[34] E não eram apenas bebês; crianças de até quatro anos foram sacrificadas.[35]

 

Kleitarchos diz que os Fenícios e especialmente os Cartagineses que honravam Cronos, sempre que desejavam ter sucesso em qualquer grande empreendimento, juravam por um de seus filhos, se alcançassem as coisas que desejavam, sacrificá-lo a um deus. Uma imagem de bronze de Cronos era colocada entre eles, com as mãos estendidas em forma de concha sobre um caldeirão de bronze, que queimaria a criança. À medida que a chama que queimava a criança envolvia o corpo, os membros murchavam e a boca parecia sorrir como se estivesse rindo, até encolher o suficiente para deslizar para dentro do caldeirão.[36]

 

O professor de Oxford, John Day, escreveu: “Na verdade, temos evidências independentes de que o sacrifício de crianças era praticado no mundo Cananeu (Cartaginês e Fenício) a partir de muitas fontes clássicas, inscrições Púnicas e evidências arqueológicas, bem como representações Egípcias do ritual que ocorria na Síria, Palestina, e de uma inscrição Fenícia recentemente descoberta na Turquia. Portanto, não há razão para duvidar do testemunho bíblico do sacrifício de crianças entre os Cananeus.”[37] Shelby Brown, pesquisador da UCLA, conclui: “Nenhum outro povo antigo, no entanto, escolhia regularmente seus próprios filhos como vítimas de sacrifícios ou os equiparava a animais que às vezes podiam ser substituídos pelos filhos. A prática Fenícia indica uma definição de ‘família’ e dos limites pertencentes a ela e a alienação da família que era incompreensível para outros no antigo Mediterrâneo.”[38]

Embora simplesmente não haja espaço aqui para responder completamente à acusação de Morriston “de que os Israelitas não acreditavam que Yahweh desaprovava o sacrifício de crianças”,[39] devo pelo menos mencionar seus comentários sobre Jefté em Juízes 11 porque Morriston erra completamente o ponto. O livro de Juízes narra como Israel foi fortemente influenciado pelos costumes de Canaã! Em Juízes 1:11 aprendemos que os israelitas escolheram não expulsar os Cananeus, mas se casaram com eles (3:6). Yahweh então diz a eles que eles desobedeceram (2:2), que os Cananeus seriam uma “armadilha” para eles (2:3), e então em 2:11 aprendemos que Israel “fez o que era mau perante o Senhor e serviu os Baalins.” A partir daí é uma espiral descendente com cada juiz sendo mais corrupto do que o anterior. A lição de Juízes é que Israel foi corrompido porque não erradicou os Cananeus. O fato de Gideão ter erguido um ídolo, de Jefté ter sacrificado sua filha ou de Sansão ter praticado sexo com mulheres Cananéias é dado como evidência da corrupção do povo, algo dificilmente tolerado.[40]

 

A Prática da Homossexualidade entre os Cananeus

 

Embora tenhamos pouco de Ugarit sobre a prática homossexual, o AT nos diz que os Cananeus a praticaram e nenhum texto do AOP condena a prática. Além disso, alguns textos mostram que havia pessoas nos templos para uso por pessoas do mesmo sexo.[41]

 

Mesmo Uruk, a morada de Anu e Ishtar,

Cidade de prostitutas, cortesãs e garotas de programa,

A quem Ishtar privou de maridos e manteve em

seu (literalmente: seu) poder:

Homens e mulheres Suteanos lançam seus abusos;

Eles despertam Eanna, os garotos festeiros e pessoas festeiras

Que mudaram sua masculinidade em feminilidade para

fazer com que o povo de Ishtar a reverencie.[42]

 

Depois, há o estranho provérbio: "Quando o sacerdote kalûm limpou seu ânus, (ele disse) 'Não devo excitar aquilo que pertence a minha senhora Inanna.'" Edmund Gordon, pesquisador associado da seção do Oriente Próximo, do Museu da Universidade da Pensilvânia, comenta que isso era “provavelmente uma alusão zombeteira ao papel do sacerdote kalûm como catamita sagrado [garoto que servia como sacerdote com propósitos sexuais]. . . a serviço da deusa do amor e da fertilidade, Inanna.”[43]

Do texto mágico Babilônico (pré-século VII a.C.), lemos os seguintes presságios:

 

Se um homem tiver relações sexuais com os quartos traseiros de seu igual [homem], esse homem será o primeiro entre seus irmãos e colegas.

Se um homem anseia por expressar sua masculinidade enquanto está na prisão e assim, como um prostituto cultual, acasalar-se com homens torna-se seu desejo, ele experimentará o mal.

Se um homem tiver relações sexuais com uma prostituta cultual, as preocupações [problemas] o abandonarão.[44]

 

E, novamente, vamos lembrar que com a cidade Cananéia de Sodoma, o problema não era apenas sexo consentidos entre adultos: os homens de Sodoma, jovens e velhos, se uniram para tentar estuprar os visitantes.[45]

 

A Prática da Bestialidade entre os Cananeus

 

Provavelmente a depravação final é o sexo com animais. As Leis Hititas 199 declaram: “Se alguém tiver relações sexuais com um porco ou um cachorro, ele morrerá. Se um homem tiver relações sexuais com um cavalo ou uma mula, não há punição.”[46] E, como no caso do incesto, a pena por ter relações sexuais com animais diminuiu na época do Êxodo.

Não deveria ser surpresa que a bestialidade ocorresse entre os Cananeus, uma vez que o deus que eles adoravam a praticava. Do ciclo épico Cananeu de Baal aprendemos:

 

O Majestoso e Poderoso Baal ouve;

Ele faz amor com uma novilha no interior [sertão],

Uma vaca no campo do Reino da Morte.

Ele se deita com ela setenta vezes sete,

Monta oitenta vezes oito;

[ela concebe] e dá à luz um menino.[47]

 

E não havia absolutamente nenhuma proibição contra a bestialidade no resto do AOP.[48] Pelo contrário, havia encantamentos usados para ajudar um homem que “não era capaz de obter e/ou manter uma ereção devido a algum feitiço”, que incluem um mulher fazendo sexo com animais.[49] “Alguns rituais especificam que um animal de verdade fosse amarrado à cama: 'na minha cabeça está amarrado um cervo. Aos meus pés [um carneiro está amarrado]! O cervo me acaricia! [Carneiro], copule comigo!”[50] Leick explica: “Aqui é a voz de uma mulher que está falando. . . . ela fala com os famosos animais machos excitáveis para despertar seu ardor. . . . [e então] ela os convida a copular com ela.”[51] A forma que o relato continua é tão repugnante que não consigo prosseguir citando.[52]

Acima, citei o livro de sonhos Egípcio para homens sobre presságios relacionados a sonhos incestuosos, mas os sonhos não são em sua maioria sobre sexo com humanos. O livro dos sonhos então lista o que acontece se um homem tiver relações sexuais com uma jerboa fêmea, uma pipa ou um porco. Todos os quais são “ruins”.[53] Manniche então explica:

 

O livro dos sonhos composto para mulheres está escrito no papiro Carlsberg XIII em Copenhague do século II d.C. Como acabamos de ver, a tradição dos livros de sonhos é muito mais antiga. O rolo de papiro está um pouco danificado, mas uma série de combinações eróticas interessantes permanecem junto com o título:

As formas de relação sexual a serem sonhadas quando uma mulher sonha

Se uma mulher sonha que é casada com seu marido, ela será destruída. Se ela o abraçar, sentirá tristeza.”

 

Observe que uma mulher sonhar com o tipo de sexo que a Bíblia tolera é considerado um mau presságio. Também é um mau presságio para uma mulher sonhar com relações sexuais com vários roedores, pássaros, répteis e uma grande variedade de animais. Mas coisas boas aconteceriam se ela sonhasse em ter relações sexuais com um babuíno, lobo, bode e assim por diante.[54] Em suma, suas fantasias sexuais envolviam tudo o que respira.

Se esta evidência for sólida, então verifica-se que a ordem de Yahweh para matar em certas cidades tudo o que respira responde à perversão real encontrada nas práticas do AOP. Assim, discordo do comentário de Paul Copan de que isso era “claramente hiperbólico”(25). Se eles estivessem fazendo sexo com quase todos os seres vivos em que pudessem colocar as mãos, e estavam, então todos teriam que morrer. Dawkins objeta que isso acrescenta “injúria ao insulto” pois “a infeliz besta deveria ser morta também”.[55] Mas, o que Dawkins e outros não entendem é que ninguém gostaria de ter por perto animais acostumados a fazer sexo com humanos.

Em um momento embaraçoso, o psicólogo Robert Yerkes contou sobre uma gorila chamada Congo: “jogando-se de costas, pressionou sua genitália externa contra meus pés e repetidamente e com determinação tentou me puxar para ela. . . . Nessa atividade, ela era acentuada e vigorosamente agressiva, e foi necessária considerável habilidade e força de resistência de minha parte para resistir ao seu ataque.” Yerkes continuou comentando que “sua insistência no contato sexual [era] extremamente embaraçosa. . . e um tanto perigosa por causa de sua enorme força. . . .”[56] Agora, se Congo nunca tivesse feito sexo com um homem (claro, não sabemos) e agido dessa maneira, não consigo imaginar o quão determinada ela estaria se tivesse.

Isso explicaria por que os Hititas precisavam esclarecer que os humanos podem não ter culpa: “Se um boi pular sobre um homem para ter relações sexuais, o boi morrerá, mas o homem não morrerá. . . . Se um porco salta sobre um homem para ter relações sexuais, não há punição.”[57] Esse tipo de comportamento pode explicar por que Deus usou um dilúvio para destruir o que Dawkins chamou de animais “presumivelmente inocentes” nos dias de Noé.[58]

 

O Pecado Israelita

 

Israel foi avisado para não deixar os Cananeus viverem em sua terra, mas para destruí-los completamente (Êxodo 23:33; Deuteronômio 20:16–18) porque, caso contrário, os Cananeus seriam (1) “farpas” aos olhos dos Israelitas (Nm. 33:55), (2) os Israelitas se casariam com os Cananeus, e então (3) os Israelitas conseqüentemente aprenderiam os costumes Cananeus (Êxodo 34:15–16). Yahweh advertiu que se os Israelitas começassem a adorar outros deuses, a terra os “vomitaria” para que eles fossem espalhados e a maioria fosse destruída, assim como vomitou as nações diante deles (Números 33:56; Lv. 18:28; Deut. 4:23–29, 8:19–20).

Mas os Israelitas não expulsaram os Cananeus (Juízes 1:28), antes adoraram outros deuses e seguiram suas práticas (Juízes 3:5–6; 2 Reis 17:7). Como resultado, Israel “fez o que era mau” (Juízes 10:6, 1 Reis 14: 22-24) e ergueram “para si, estátuas e imagens do bosque [Aserá], em todos os altos outeiros, e debaixo de todas as árvores verdes.” (2 Reis 17:10). Havia “prostitutos de santuário” (1 Reis 14: 24), eles cometiam atos de “devassidão”, adultério e incesto (Jeremias 5:7; Oséias 4:13–14; Ezequiel 22:10–11; amós 2:7), e até mesmo Salomão erigiu altares para todas as suas esposas estrangeiras e até mesmo um altar para Moloque (1 Reis 11:5, 7–8). Com o tempo, os Israelitas sacrificaram seus filhos e filhas (2 Reis 1:3, 17: 17; 2 Crônicas 28: 3, 33: 6; Jr. 32: 35; Ezequiel 20: 26, 31). Em vez de se arrependerem quando as coisas correram mal para Judá, eles concluíram que era porque pararam de queimar incenso para “a Rainha do Céu”, Inanna/Ištar (Jr 44:18). Por isso o Senhor disse que Israel “têm-se tornado para mim como Sodoma, e os seus moradores como Gomorra.” (Jr. 23:14).

Posteriormente, os profetas começaram a alertar o reino do norte (geralmente referido como Israel ou Samaria) sobre a destruição iminente e, como eles não se arrependeram, em 722 a.C., o rei da Assíria capturou o reino do norte, deportou a maioria dos habitantes e encheu a terra com povos conquistados de outras nações.[59] Uma vez que as tribos do sul (geralmente referidas como Judá) tiveram alguns reis justos depois de Salomão e que, às vezes, atenderam ao aviso dos profetas, sua corrupção final e destruição não ocorreram até que Nabucodonosor da Babilônia violou as muralhas de Jerusalém em 586 a.C.

Mas não para por aí. Em Lucas 20, Jesus advertiu os Judeus na parábola dos lavradores e da vinha que os servos foram enviados a eles, mas foram maltratados e, portanto, o dono da vinha enviou seu filho, mas os lavradores mataram o filho. Jesus então perguntou: “Que fará então com eles o dono da vinha? Ele virá e matará aqueles lavradores e dará a vinha a outros”. Então, em 70 d.C., quarenta anos após a morte de Jesus, o Imperador Romano Tito destruiu Jerusalém e Josefo conta que os Judeus em Jerusalém

 

foram primeiro chicoteados e depois atormentados com todos os tipos de torturas, antes de morrerem, e depois crucificados diante do muro da cidade. Este procedimento miserável fez com que Tito tivesse muita pena deles, enquanto eles capturavam todos os dias quinhentos Judeus; não, alguns dias eles capturavam mais. . . .então os soldados, por causa da ira e do ódio que carregavam contra os Judeus, pregavam os que capturavam, um após o outro, nas cruzes, por diversão, quando a multidão deles era tão grande, faltava espaço para colocar as cruzes, e faltavam cruzes para os corpos.[60]

 

Tito então renomeou a região para Palestina e por quase 1.900 anos não se conseguia encontrar “Israel” no mapa. Em 135 d.C., os Romanos construíram uma cidade sobre as ruínas de Jerusalém e a chamaram de Aelia Capitolina. Então o Imperador Adriano decretou: “É proibido a todas as pessoas circuncidadas entrar ou permanecer no território de Aelia Capitolina; qualquer pessoa que transgredir esta proibição será condenada à morte”. Eles foram proibidos de ver Jerusalém mesmo “à distância”.[61]

Isso é importante por três razões. Primeiro, mostra que o que Deus ordenou que Israel fizesse aos Cananeus não era genocídio – era uma pena de morte. Deus advertiu Israel que se eles cometessem os mesmos pecados, a terra também os vomitaria. Deus não faz acepção de pessoas. Em segundo lugar, há uma lição cósmica: Deus odeia o pecado porque o pecado leva à rebelião e aos piores tipos de males. Em terceiro lugar, isso também responde ao mal-entendido de que existe alguma descontinuidade entre o Antigo e o Novo Testamento. Em ambos os Testamentos, Deus odeia o pecado e o punirá.

 

Os Nossos Pecados

 

Uma leitura superficial de pelo menos as ideias correntes na cultura Americana geralmente parece uma sequência das práticas Cananeias. Claro, não é como se as pessoas com ascendência Cananéia, que vivem nos Estados Unidos, fossem as culpadas por escrever essa sequência. De fato, a sequência é escrita em todas as gerações, independentemente da cultura, etnia ou grupo de pessoas. É persistentemente escrito porque flui do coração humano e de sua condição. Mas talvez a hipocrisia, com toda a sua potência racionalizadora, não nos ajude a ver com clareza o coração e sua real condição.

Por exemplo, em uma cultura que gravita em torno de “Donas de casa desesperadas”, sites de adultério como o de Ashley Madison, que possui “mais de 3.180.000 membros com ideias semelhantes”,[62] pessoas que vivem sob o lema “a vida é curta, tenha um caso”. Isso, é claro, não incomoda os ateus iluminados. Dawkins escreve que “Nós, seres humanos, damo-nos tanta importância que até elevamos nossos minúsculos "pecadilhos" ao nível de relevância cósmica!”[63] Dawkins pergunta por que os cristãos evangélicos são “obcecados” com “inclinações sexuais privadas, como a homossexualidade, que não interfere na vida de mais ninguém”.[64] E o aparentemente não obcecado Christopher Hitchens considera a “repressão sexual perigosa” tão séria que a chama de uma das “quatro objeções irredutíveis à fé religiosa”.[65] Assim, Judith Levine, em seu livro vencedor do prêmio Los Angeles Times de 2002, Harmful to Minors: The Perils of Protecting Children from Sex [cuja tradução livre é: Prejudicial para menores: os perigos de proteger as crianças do sexo], argumenta que “normal é o que uma determinada cultura ou era histórica chama: a homossexualidade masculina era considerada normal na Grécia clássica; o sexo intergeracional tem sido normal como iniciação sexual em muitas sociedades pré-industriais; até mesmo o estupro tem sido historicamente normal em tempos de guerra.”[66]

Considere o problema do incesto. Embora ninguém que eu conheça defenda ativamente o incesto (pois causa das deformidades de nascimento), algumas pessoas como Levine dizem que alguns tipos de incestos podem não ser prejudiciais,[67] e muitas outras pessoas buscam a diminuição da idade de consentimento, o que permitiria mais incesto.[68] Enfim, se um menino de oito anos pode dar o consentimento para um não membro da família, então ele pode dar o consentimento para um membro da família. Existe até “um fórum para pessoas envolvidas em discussões acadêmicas sobre a compreensão e a emancipação das relações mútuas entre crianças ou adolescentes e adultos”.[69] Muitos filmes populares transformaram o incesto em uma piada ou em algo excitante.[70] Então não é de admirar que em nossa sociedade “pesquisas indiquem que 1 em cada 5 meninas e 1 em cada 10 meninos serão vitimizados sexualmente antes da idade adulta.”[71]

Quando estudei sobre Moloque pela primeira vez, pensei que era impossível que alguém sacrificasse seu filho às chamas, mas depois considerei que nos Estados Unidos quase 50 milhões de bebês tiveram partes de seus corpos aspirados, foram queimados com solução salina e até mesmo tiveram seus cérebros sugados através de aborto parcial. Indiscutivelmente, os “deuses” que merecem o sacrifício são variados: minha carreira, minha escolha ou “eu queria um menino”.

Agora, alguém como Morriston pode objetar que o aborto não justifica o infanticídio, mas o especialista em ética de Princeton, Peter Singer, não objetaria. Ele “admitiu” que “a posição que assumi sobre o aborto também justifica o infanticídio”.[72] Claro, esta é uma das poucas vezes que o movimento pró-vida pensará que Singer falou com total clareza e leva naturalmente à sua conclusão de que “matar uma criança deficiente” “muitas vezes não é nada errado.”[73] Tenho certeza de que os Cananeus que tiveram crianças deformadas como resultado de incesto elogiariam o livro de Singer. Mas, para Singer, a criança nem precisa ser incapacitada porque “o erro intrínseco de matar o feto tardio e o erro intrínseco de matar o recém-nascido não são muito diferentes”. Para Singer isso não justifica “matar bebês aleatoriamente” porque o legítimo “infanticídio só pode ser equiparado ao aborto quando os mais próximos da criança não querem que ela viva”.[74]

Nada mais precisa ser dito sobre a homossexualidade.

Levítico 18 lista a bestialidade por último e, de fato, é a degradação final tolerada quando tudo o mais foi tentado. Assim, a Humane Society relata que muitos sites pornográficos incluem o abuso sexual de animais: “Um site [de bestialidade] forneceu quase 200 links, e apenas este site relata receber aproximadamente 46.000 visitas por dia”.[75] Claro, a maioria percebe que existe pornografia animal, mas a bestialidade não é mais evitada e está recebendo aprovação social.

Até o eticista Peter Singer acha que está tudo bem: “Somos animais. . . . Isso não torna normal ou natural o sexo além da barreira da espécie, seja lá o que essas palavras tão mal utilizadas possam significar, mas implica que deixa de ser uma ofensa ao nosso status e dignidade como seres humanos.”[76]

Considere os comentários do crítico de cinema do Los Angeles Times, Kenneth Turan, sobre o filme “Zoo” de 2007:

 

“Zoo”, estreando diante de uma platéia extasiada na noite de sábado como em um êxtase religioso, consegue ser um filme poético sobre um assunto proibido, um casamento perfeito entre um diretor frio e contemplativo. . . assunto potencialmente incendiário: sexo entre homens e animais. Nada que possa ser censurado, este filme estranho e estranhamente belo combina entrevistas em áudio com recriações visuais melancólicas destinadas a evocar o humor e o espírito das situações.[77]

 

Considere também o filme de 2007 “Sleeping Dogs Lie”, em que uma jovem que um dia fez sexo com seu cachorro decide ser honesta e contar ao noivo – que, após saber, cancela o casamento. Peter Travers, da Rolling Stone, escreveu que o filme “possui um raciocínio rápido e uma ternura cativante para com Amy enquanto a honestidade destrói sua vida. É doce, que se dane.” Observe que, para Travers, não foi o sexo com um cachorro que destruiu a vida de Amy, mas a honestidade dela.[78]

Depois, há músicas como "e daí?" do álbum Garage Inc do Metallica. O álbum de 1998 ganhou disco de platina triplo.[79]

 

e eu transei com uma ovelha,

eu transei com uma cabra

Eu bati meu p *** da forma certa

na garganta

e daí, e daí

e daí, e daí, seu chato

Vá se danar[80]

 

A partir de uma leitura superficial das ideias acima, podemos ver que Morriston está certo sobre uma coisa: “É impressionante que não haja nada exclusivamente ‘Cananeu’ sobre essas coisas. Todas, ou quase todas, essas práticas – desde a relação sexual durante o período menstrual de uma mulher até o comportamento homossexual e a bestialidade – ainda são comuns”.[81] Mas esse é o meu ponto: não apreciamos [não reconhecemos] as profundezas de nossa própria depravação, o horror do pecado e a justiça de Deus. Consequentemente, não é surpresa que quando vemos o julgamento de Deus sobre aqueles que cometeram os pecados que cometemos, aquela reclamação e protesto surge em nossos corações: “Isso é barbárie divina!” ou “Isso é genocídio divino!” Mas estudar essas coisas ao longo dos anos me levou a pensar se os Cananeus não poderiam se levantar no dia do julgamento e condenar esta geração.[82]

 

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Fonte:

 

PhilosoPhia Christi Vol. 11, No. 1 © 2009, pp. 52 – 72

 

Tradução Walson Sales

 

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Notas:

[1] Paul Copan, “Is Yahweh a Moral Monster? The New atheists and Old Testament Ethics,” Philosophia Christi 10 (2008): 7–37; Wes Morriston, “Did God Command Genocide? A Challenge to the Biblical Inerrantist,” Philosophia Christi 11 (2009): 7–26; and Paul Copan, “Yahweh Wars and the Canaanites: Divinely-Mandated Genocide or Corporate Capital Punishment? Responses to Critics,” Philosophia Christi 11 (2009): 73–90.

[2] C. S. Lewis, The Problem of Pain (New York: Macmillan, 1947), 46.

[3] Considere que “my bad” agora é frequentemente usado como brincadeira e “wicked” [ímpio] é aplicado por surfistas a ondas particularmente grandes ou esquiadores a pistas de esqui particularmente desafiadoras.

[4] Além disso, há precedência bíblica para o uso de linguagem que fala francamente sobre o pecado. Por exemplo, em Ez. 23:20–1, o Senhor condena Jerusalém que se prostituiu e “cobiçou seus amantes, cujos órgãos genitais eram como os de jumentos e cujas emissões eram como as dos cavalos”. Em outro lugar, lemos sobre um levita que desmembrou sua concubina depois que os homens de uma cidade a estupraram (Jz 19), sobre os homens de Sodoma (uma cidade Cananéia) é dito que tentaram estuprar anjos (Gn 19), sobre o coitus interruptus de Onã e sua viúva que se passou por prostituta para fazer sexo com o sogro (Gn 38).

[5] Morriston escreveu que “as traduções mais precisas e atualizadas dos textos Ugaríticos” não “fornecem evidências de uma cultura particularmente ‘pervertida’ ou ‘cruel’. . . .” (“Did Command Genocide?” 18). Mas Morriston não prestou atenção suficiente para o que as duas fontes que ele mencionou realmente diziam. Pardee escreveu que “O culto da fertilidade tão querido ao coração das gerações mais antigas de estudiosos dos textos Hebraicos e Ugaríticos não aparece claramente nenhum corpus; a depravação sexual que alguns afirmaram ser característica do culto Cananeu em geral não deixou vestígios em nenhum dos textos Ugaríticos traduzidos acima. . . .” (Ritual and Cult at Ugarit, ed. Theodore J. Lewis [Leiden, Holanda: Brill, 2002], 233, ênfase adicionada). Mas Pardee estava apenas afirmando que a depravação não ocorria nos textos que ele traduziu. De outros textos Ugaríticos, aprendemos sobre incesto e bestialidade entre seus deuses. Quanto ao artigo de Delbert Hillers (“analyzing the abominable: Our Understanding of Canaanite religion,” The Jewish Quarterly Review 75 [1985]: 253–69), Hillers estava apenas argumentando de forma bem ampla sobre como os estudos Ugaríticos deveriam proceder enquanto objetava que o julgamento moral sobre o papel do historiador está deslocado em tais estudos.

[6] Jr. 2:11–12. todas as citações das escrituras da Nova Versão Internacional, salvo indicação em contrário. [isso no texto original. O tradutor do artigo citou a ACF na maioria dos casos].

[7] Jr. 1:16 e 8:2–5.

[8] Com relação à idolatria, Joseph Gorra fez este comentário para mim: “No entanto, como é tragicamente irônico, mas não acidental, que na própria maneira de atribuir valor a coisas sem valor, o que é sem valor confere inutilidade àqueles que atribuem o devido valor. Que vazio cíclico!”

[9] CH. Virolleaud, “Un Conte populaire de ras shamra: Le banquet du Père des dieux,” Comptes rendus du Groupe linquistique d'Études chamitosémitiques 9 (maio de 1962): 51–2, citado em Ulf Oldenburg, The Conflict Between El and Ba'al em Canaanite Religion (Leiden, Holanda: E. J. Brill, 1969), 172. Oldenburg comenta mais tarde que “El e Yahweh eram originalmente idênticos e não dois deuses originalmente diferentes que foram identificados secundariamente. Além disso, concluímos que Yahweh foi identificado com El em sua glória e onipotência originais, antes que o conhecimento de El fosse corrompido pela apostasia Cananéia” (175). Em uma nota de rodapé nesta mesma página, Oldenburg comenta que “tive que mudar minha opinião a esse respeito” (ver também 183-4). Assim também Marvin Pope: “Na medida em que YHWH foi identificado com El, os Israelitas certamente não reconheceram ou admitiram tal degradação representada nos mitos Ugaríticos. . . . A luta entre o Yahwismo e o Baalismo em Israel foi precedida por vários séculos em Ugarit por um conflito entre El e Baal no qual o Deus mais jovem foi vitorioso.” El foi “banido” para o “mundo inferior” por Baal (Marvin H. Pope, El in the Ugaritic Texts [Leiden, Holanda: E. J. Brill, 1955], 104).

[10] Ao contrário das explicações delirantes do ciúme divino, veja Erik Thoennes, Godly Jealousy: A Theology of Intolerant Love (Escócia: Christian Focus Publications, 2005).

[11] Richard Dawkins, The God Delusion (Boston: Houghton Mifflin, 2000), 243. Depois, Dawkins escreve: “É impossível não se assombrar com a visão tão extraordinariamente draconiana que se tem do pecado de flertar com deuses rivais. . . . A farsa tragicômica do ciúme maníaco de Deus contra outros deuses reaparece constantemente em todo o Antigo Testamento.” (246).

[12] Outros textos dizem que ele veio de Dagon.

[13] Para a história de Baal fazendo sexo com Aserá, veja: “El, ashertu and the storm-god”, trad. Albrecht Goetze, ed. James B. Pritchard, em The Ancient Near East: Supplementary Texts and Pictures Relating to the Old Testament (Princeton: Princeton University Press, 1969), 519.

[14] W. F. Albright, Yahweh and the Gods of Canaan: A Historical Analysis of Two Contrasting Faiths (Winona Lake, IN: Eisenbrauns, 1968), 145.

[15] Isso coincide bem com os que dão uma data posterior para o Êxodo. O debate sobre a data do Êxodo foi recentemente retomado no Journal of the Evangelical Theological Society (ver particularmente Rodger C. Young e Bryant G. Wood, “A Critical Analysis of the Evidence from Ralph Hawkins for a Late-Date Exodus - Conquest,” Journal of the Evangelical Theological Society 51 [2008]: 225–44, e Ralph K. Hawkins, “The Date of the Exodus-Conquest Is still an Open Question: a response to Rodger Young and Bryant Wood,” Journal da Evangelical Theological Society 51 [2008]: 245–66). Harry Hoffner escreve que a partir do século XV ou XIV a.C. “várias cidades e vilas dentro da esfera de controle dos Hititas tinham diferentes tradições em relação à punição de hurkel [ofensa sexual relativa a incesto ou bestialidade]. Alguns executavam o(s) ofensor(es), outros baniam. Do século 17 ao 14, nenhum documento Hitita registra qualquer opção para uma cidade além de executar ou banir.” Mas, escreve Hoffner, “é, portanto, muito interessante que recentemente tenham aparecido tabuletas e entradas de catálogos de bibliotecas para tabuinhas contendo rituais para remover a impureza de um homem acerca do pecado de bestialidade e incesto. Pois isso constitui evidência primária para um maior desenvolvimento na atitude legal-religiosa em relação ao incesto e à bestialidade entre os Hititas” (Harry a. Hoffner, Jr., “Incest, sodomy and Bestiality in the Ancient Near East” Orient and Occident: Essays Presented to Cyrus H. Gordon on the Occasion of his Sixty-fifth Birthday, ed. Harry A. Hoffner, Jr. [Alemanha: Neukirchen Vluyn, 1973], 85). Hoffner aponta que, com o tempo, um pássaro era “oferecido não a uma divindade, mas por um aspecto do pecado ou seu efeito: pelo pecado, pela maldição, pela raiva, pelo choro; ou por algum aspecto da esperada reconciliação: pela paz (takšul).” Depois do século XIV, as leis mudaram para que “o ofensor humano pudesse continuar a viver na cidade sem trazer sobre ela a ira dos deuses”(90). “O mesmo padrão de amenizar as penalidades mais antigas e rigorosas e substituí-las por multas simples pode ser visto repetidas vezes nas próprias leis Hititas”(90n). Isso também coincide com o que William F. albright disse que estava acontecendo no Egito na época do Êxodo, onde “reis Egípcios como Akhenaton e Ramsés II se casaram com uma ou mais de suas filhas nos séculos XIV e XIII a.C.” (albright, Yahweh and the Gods of Canaan, 128).

[16] Gn 15:16.

[17] Kenneth A. Matthews, Genesis 11:27–50:26, The New American Commentary, vol. 1b (Nashville, TN: Broadman e Holman, 2005), 175.

[18] Papyrus Chester Beatty III recto (BM10683) de mais ou menos 1.175 a.C., citado em Lise Manniche, Sexual Life in Ancient Egypt (London: Routledge, 1987), 100.

[19] Gn. 19:30–8.

[20] Morriston aponta que não ouvimos sobre a prostituição no templo de Ugarit, mas desde que o AT testifica disso e foi algo desenfreado durante o resto do AOP, então o que mais precisamos? Eu chamo isso de sexo no templo, em vez de prostituição no templo, para evitar a controvérsia recente sobre se era prostituição ou apenas sexo. alguns hoje argumentam que nunca foi prostituição, mas acho que seus argumentos fogem da questão. Por exemplo, Stephanie Lynn Budin escreve: “O que é importante lembrar, no entanto, é que a prostituição sagrada não existia” (Budin, The Myth of Sacred Prostitution in Antiquity [Londres: Cambridge University Press, 2008], 3). O que Budin quer dizer é que a prostituição sagrada nunca, jamais, aconteceu em todo o AOP. Nem uma vez. Mas argumentar que a profissão mais antiga do mundo nunca esteve envolvida, onde abundam as práticas sexuais e a ganância, está quase além da compreensão. A única maneira de argumentar que a prostituição sagrada nunca ocorreu é minimizar absolutamente todos os relatos dela e a única maneira de fazer isso é já saber que ela nunca aconteceu e, portanto, argumentar em círculos. Mas Budin faz isso. Ela desconsidera o testemunho cristão primitivo de Paulo a Clemente, de Atanásio e Agostinho como nada mais do que uma polêmica autointeressada apresentando o paganismo “sob a pior luz possível” (261) e, portanto, conclui que “referências à prostituição sagrada” não são “evidências históricas” mas “retórica condenatória” (261). “Duvido que muitos dos autores que contribuíram para o mito da prostituição sagrada acreditassem inteiramente no que escreveram. . . . Mas, no final das contas, o que é mais importante para o surgimento do mito é que seus leitores acreditaram no que escreveram. . .” (286). Ela também descarta o relato de Heródoto simplesmente afirmando que ele o inventou. Ela admite que “extensas escavações arqueológicas . . . mostraram que muitos dos relatos de Heródoto estavam corretos. . . .” Mas ela argumenta que Heródoto deve ter inventado parte disso. Seu exemplo “mais claro” dessa alegada invenção ocorre no livro 3.79-83, “em que Heródoto relata o debate travado por três Persas sobre a melhor forma de governo: democracia, oligarquia ou monarquia. O fato de Heródoto ter acesso a essa “transcrição” parece improvável ao extremo, enquanto os argumentos apresentados parecem muito mais com debates políticos Gregos. . . .” (61).

[21] Gwendolyn Leick, Sex and Eroticism in Mesopotamian Literature (Nova York: Routledge, 1994), 57 (ênfase no original).

[22] Jonathan N. Tubb, The Canaanites (Norman, OK: University of Oklahoma Press, 1998), 76.

[23] Tubb, The Canaanites, 74. Não está claro se eles eram deuses ou mortais. Ver Marvin H. Pope, El in the Ugaritic Texts (Leiden, Holanda: E. J. Brill, 1955), 35–6.

[24] Walther Hinz, The Cambridge Ancient History: History of the Middle East, 3ª ed., ed. I.E.S. Edwards, C. J. Gadd e N. G. L. Hammond (Londres: Cambridge University Press, 1971), vol. 1, parte 2, 672. “Desde os primeiros dias, inúmeros sacerdotes com os servos estavam ligados aos edifícios do templo na acrópole de Susã. aparentemente, eles realizaram suas cerimônias nus, a julgar pelos selos Elamitas e vários pequenos achados do estrato D de Susã em diante - isso é antes da época do império Acadiano. Uma escultura de betume da época mostra sacerdotes nus com um cordeiro sacrificado, coroados com um par de cobras. Em um selo do governador Eshpum (cerca de 2.300, no reinado de Manishtusu), os sacerdotes são reconhecíveis vestindo nada além de uma coroa de chifres e, em alguns casos, uma cobertura de lombo em forma de cobra.” Ver também H. Ringgren, “Kohen,” no Theological Dictionary of the Old Testament (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1995), 7:63: “No templo de Inanna, havia eunucos e prostitutas para o culto da deusa do amor. As primeiras representações pictóricas mostram que os sacerdotes costumavam ficar nus quando realizavam seus deveres.”

[25] Martti Nissinen, Homoeroticism in the Biblical World: A Historical Perspective, trad. Kirsi Stjerna (Minneapolis: Fortress, 1998), 33.

[26] John Gray, The Legacy of Canaan (Leiden, Holanda: E. J. Brill, 1965), 101, 102.

[27] Ibid., 101.

[28] Godfrey Rolles Driver e John C. Miles, The Assyrian Laws (Alemanha: scientia Verlag Aalen, 1975), 38.

[29] Manniche, Sexual Life in Ancient Egypt, 60.

[30] Leick, Sex and Eroticism in Mesopotamian Literature, 151. Em um diálogo entre um homem e Nanâ, ele diz a ela: “Quando (você) se curva, os quadris são doces.” “Quando estou de pé contra a parede – custa um cordeiro, quando me curvo custa um shekel e meio'” (B. Alster, “Two sumerian short Tales and a Love Song Reconsidered,” Zeitschrift für Assyriologie 82 [1993]: 186–201, citado em Leick, Sex and Eroticism in Mesopotamian Literature, 149). Leick continua escrevendo que “Aqui temos um caso que parece desprovido de sentimento romântico ou paixão, já que o ato sexual se torna uma transação a ser paga” (150). Para saber mais sobre prostituição, consulte Leick, Sex and Eroticism in Mesopotamian Literature, 162.

[31] John Day, Molech: A God of Human Sacrifice in the Old Testament (Cambridge: Cambridge University Press, 1989), 62.

[32] Alguns argumentam que “molek era um termo sacrificial e não o nome de uma divindade Cananéia” (Albright, Yahweh and the Gods of Canaan, 236). Embora isso importe pouco para nossa discussão, já que ninguém está questionando se o sacrifício de crianças ocorreu, acho que John Day tem o melhor argumento: “Se o Antigo Testamento interpretou mal o termo molek, não o fez apenas uma vez, mas consistentemente, em obras de vários escritores. . . . embora seja concebível que um escritor tenha entendido mal a expressão, seria notável se todos eles tivessem incorrido no mesmo erro, especialmente porque escreveram” quando e onde era praticado. Day considera “certamente mais científico aceitar o testemunho dessas fontes de primeira mão, cujos autores estavam bem posicionados para conhecer os fatos”. Ele afirma que argumentar o contrário é “perverso” (Day, Molech, 13, 14).

[33] “A palavra 'Cananeu' é histórica, geográfica e culturalmente sinônima de 'Fenício', o título imediatamente se torna mais impressionante, pois também trata do papel dos Fenícios na história da civilização” (W. F. albright, The Bible and the Ancient Near East: Essays in Honor of William Foxwell Albright, ed. G. Ernest Wright [Garden City, NY: Anchor, 1965], 438).

[34] Plutarco De Superstitione 13, citado em Day, Molech, 89.

[35] Shelby Brown, Late Carthaginian Child Sacrifice and Sacrificial Monuments in Their Mediterranean Context (Sheffield, Inglaterra: Sheffield Academic: 1991), 14. “A prática Cartaginesa era realmente singular, pois combinava infanticídio e sacrifício humano de uma forma inaceitável para outros. Não era o ato de matar uma criança que era incomum, mas o de matar um parente muitas vezes com idade suficiente (pelos padrões Gregos e Romanos) para ter sido incorporado à família, e de fazê-lo em um contexto religioso na expectativa do favor divino. . .” (Brown, Late Carthaginian Child Sacrifice, 175).

[36] Kleitarchos, scholia on Plato's Republic 337a, citado em Day, Molech, 87. Ver Albright, Yahweh and the Gods of Canaan, 234-44 para uma discussão significativa sobre a natureza e a arqueologia pertencentes ao sacrifício de crianças.

[37] John Day, Yahweh and the Gods and Goddesses of Canaan (Sheffield, Inglaterra: Sheffield Academic, 2000), 211–12.

[38] Brown, Late Carthaginian Child Sacrifice, 75. Ver também Albright, Yahweh and the Gods of Canaan, 152. Brown comenta ainda: “Em vez de cessar com o tempo e o contato com outros povos, o rito continuou em Cartago até a destruição da cidade em 146 a.C., e sobreviveu no Norte da África até o século III d.C., mesmo sob o domínio Romano” (13). Brown escreveu depois: “A longevidade do sacrifício de crianças e a tenacidade com que os Cartagineses e outros Fenícios aderiram à prática, apesar de seus contatos frequentes com vizinhos que os abominavam por isso, sugere que o ritual era crucial para a religião Fenícia e para o bem-estar de uma cidade e seus habitantes” (171). Brown cita evidências arqueológicas de que muitos milhares de crianças foram vítimas, mas que “os estudiosos modernos talvez estejam excessivamente ansiosos para inocentar os Fenícios de um ‘crime’ (aos nossos olhos) que, pelos padrões Fenícios, simplesmente não era uma ofensa” (75).

[39] Morriston, “Did God Command Genocide?” 14–15.

[40] Para uma grande exposição sobre a Canaanização de Israel, veja o comentário sobre Juízes de Daniel I. Block, Judges, Ruth, The New American Commentary, vol. 6 (Nashville, TN: Broadman e Holman, 1999).

[41] Davidson: “O papel dos funcionários do culto masculino . . . tem sido debatido: a literatura acadêmica anterior refere-se a eles como 'prostitutas cultuais', mas pesquisas mais recentes sugerem que esses funcionários serviam como músicos, dançarinos e atores teatrais que atuavam como parte dos festivais cultuais, mas não eram prostitutas cultuais. Eles se vestiam como mulheres e usavam maquiagem feminina, geralmente carregavam consigo o símbolo feminino de um carretel e participavam de danças extáticas e autotortura. Independentemente de suas outras responsabilidades, conforme destacado em pesquisas recentes, e se eles regularmente se envolveram em 'sexo de aluguel' ou prostituição, a evidência parece inescapável de que esses indivíduos participaram de relações homossexuais ritualísticas" (Davidson, Flame of Yahweh, 137 ). Wold: “Na verdade, desconheço qualquer referência específica à homossexualidade na lei da Mesopotâmia antes do final do segundo milênio a.C.” (Donald J. Wold, Out of Order: Homosexuality in the Bible and the Ancient Near East [Grand Rapids, MI: Baker, 1998], 44).

[42] Stephanie Dalley, “Erra and Ishum IV,” em Myths from Mesopotamia (Oxford: Oxford University Press, 1989), 305. Dalley comenta que este texto é provavelmente do século VIII a.C. Também, “Transformar um homem em uma mulher e uma mulher em um homem é a tua porção, Inanna” (A. W. Sjöberg, “in-nin šà-gur-a: a Hymn to the Goddess Inanna,” Zeitschrift für Assyriologie 65 [1976]: 161–253, citado em Rivkah Harris, “Inanna-Ishtar as Paradox and a Coincidence of Opposites,” History of Religions 30 (1991): 265.

[43] Edmund L. Gordon, Sumerian Proverbs: Glimpses of Everyday Life in Ancient Mesopotamia (Philadelphia: The University Museum, University of Pennsylvania, 1959), 248. Gordon comenta: “Provavelmente uma alusão zombeteira ao papel do sacerdote kalûm como um sacerdote sagrado catamita . . . a serviço da deusa do amor e da fertilidade, Inanna” (248-9). sobre a palavra “excitar” Gordon comenta: “Literalmente, ‘agitar’. . .” (249). ver também Nissinen, Homoeroticism in the Biblical World, 33, e Gordon, Sumerian Proverbs, 248-9.

[44] A. Kirk Grayson e Donald Redford, Papyrus and Tablet (Englewood Cliffs, NJ: Prentice-Hall, 1973), 152.149.

[45] Gn 19:5.

[46] Hoffner, “Incest, sodomy and Bestiality in the ancient Near East”, 82.

[47] Mark S. Smith, trad., em Ugaritic Narrative Poetry, ed. Simon B. Parker (Atlanta: Society of Biblical Literature, 1997), 148. No mesmo volume, veja também “Baal Fathers a Bull,” trad. Simon B. Parker, 181–186, e “A Birth”, trad. Simon B. Parker, 186–187. Albright diz que “à luz de vários relatos Egípcios da deusa, inquestionavelmente traduzidos de um mito Cananeu original”, que Baal estuprou Anath enquanto ela estava na forma de um bezerro (Albright, Yahweh and the Gods of Canaan, 128–9 ).

[48] Hoffner, "Incest, sodomy and Bestiality in the Ancient Near East", 82.

[49] Leick, Sex and Eroticism in Mesopotamian Literature, 205.

[50] R. D. Biggs, trans., ŠÀ.ZI.GA.: Ancient Mesopotamian Potency Incantations (Locust Valley, NY: J. J. augustin, 1967), 31, citado em Leick, Sex and Eroticism in Mesopotamian Literature, 206. Após listar as passagens relacionadas ao que acabamos de mencionar, A. Kirk Grayson e Donald Redford concluem o capítulo sobre as atitudes da Mesopotâmia em relação ao sexo assim: “A esta altura, o leitor deve estar impressionado com a ausência de inibições sexuais por parte dos antigos Mesopotâmios. O sexo era apenas parte de uma vida normal e saudável. Certos tipos de comportamentos sexuais eram considerados antissociais, é claro (como o adultério), mas fora essas poucas restrições, tanto os homens quanto Deus gostavam de fazer amor ao máximo” (A. Kirk Grayson e Donald redford, Papyrus and Tablet [Englewood Cliffs, NJ : Prentice-Hall, 1973], 152).

[51] Leick, Sex and Eroticism in Mesopotamian Literature, 206. Biggs comenta: “A bestialidade certamente era praticada na Mesopotâmia, assim como na Palestina. . .” (Biggs, ŠÀ.ZI.GA., 34).

[52] Biggs, ŠÀ.ZI.GA., 14:5–10, 33. Orei com frequência e busquei o conselho de amigos e pastores de confiança sobre o material aqui apresentado sobre o que poderia ser relatado.

[53] Manniche, Sexual Life in Ancient Egypt, 100-1.

[54] Ibid., 102 (ênfase no original). Para saber mais sobre a bestialidade Egípcia, consulte Manniche, Sexual Life in Ancient Egypt, 28, 43-4. Eu me pergunto sobre uma sociedade onde esse tipo de sonho pode ocorrer. Aposto que a maioria das pessoas nunca sonhou em fazer sexo com um animal em toda a sua vida.

[55] Dawkins, The God Delusion, 248.

[56] Robert M. Yerkes, “The Mind of the Gorilla,” pt. 3, Comparative Psychology Monographs 5, no. 2 (1928): 68–9.

[57] Hittite Laws 199.

[58] Dawkins, The God Delusion, 237–8.

[59] Para uma documentação completa da deportação e do repovoamento, ver Bustenay Oded, Mass Deportations and Deportees in the Neo-Assyrian Empire (Wiesbaden, Alemanha: reichert, 1979).

[60] Flavius Josephus, The Works of Flavius Josephus, trad. William Whiston (Hartford, CT: S. S. Scranton, 1905), 822.

[61] Rendel Harris, “Decreto de Adriano sobre a Expulsão dos Judeus de Jerusalém,” The Harvard Theological Review 19 (1926): 202. Para saber mais sobre a expulsão de Judeus de Jerusalém, veja Paul Schäfer, The History of the Jews in the Greco-Roman World, rev. ed. (Londres: routledge, 1995), 158-60.

[62] AshleyMadison.com. Acessado em 17 de janeiro de 2009. Quando visitei o site pela primeira vez em outubro de 2008, eles tinham apenas 2.400.000 membros.

[63] Dawkins, God Delusion, 238.

[64] Ibidem.

[65] Christopher Hitchens, God Is Not Great: How Religion Poisons Everything (Boston: Twelve Books, 2007), 4.

[66] Judith Levine, Harmful to Minors: The Perils of Protecting Children from Sex (Nova York: Thunder's Mouth, 2003), 66.

[67] “Mesmo o incesto entre irmãos . . . não é ipso facto traumático” (Levine, Harmful to Minors, 57).

[68] Levine: “o sexo não é prejudicial para as crianças. . . . Há muitas maneiras pelas quais até as crianças menores podem participar” (Levine, Harmful to Minors, p. 225).

[69] http://www.ipce.info/ipceweb/index.htm. Considere também as palavras do professor de psicologia da UCLA, Dr. Paul Okami: “Indo direto ao ponto, pelo menos algumas pessoas afirmam que suas experiências sexuais na infância com adultos aumentaram sua autodeterminação sexual, não a sobrecarregaram. Eu entrevistei essas pessoas (Okami, 1991). Então o que fazemos com essas reivindicações? . . . Qual é a verdadeira origem [do ódio à pedofilia]? Suspeito que seja multiplamente determinado, mas a versão Ocidental provavelmente tem origem na herança sexual de São Paulo e Santo Agostinho, que caracterizam o sexo como perigoso, sujo, pecaminoso, feio, destrutivo e assim por diante (Rubin, 1984)” (Paul Okami, “The Dilemma of the Male Pedophile,” Archives of Sexual Behavior 31 [2002]: 473-477, citado em Fred S. Berlin, Wolfgang Berner, Vern L. Bullough, Alan F. Dixson, et al., “Peer Commentaries on Green (2002) and schmidt (2002),” Archives of Sexual Behavior 31 [2002]: 492 –3, 494).

[70] Por exemplo, Borat: Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan (2007), R; National Security (2003) R; South Park: Bigger, Longer & Uncut (1999), R; Analyze This (1999), R; Joe Dirt (2001), PG-13; Freddy Got Fingered (2001), R; Eurotrip (2004), R; Not Another Teen Movie (2001), R; Mission Impossible III (2006), PG-13; The Departed (2006), R; Date Movie (2006), PG-13; Superhero Movie (2008), PG-13.

[71] Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas, “FaQ: Child sexual Exploitation,” http://www.missingkids.com/missingkids/servlet/Pageservlet?LanguageCountry=en_Us&PageId = 2815. É claro que nem toda vitimização vem de familiares, parte vem de estranhos e cuidadores.

[72] Peter Singer, Practical Ethics, 2ª ed. (Cambridge: Cambridge University Press, 1993), 173.

[73] Ibidem, 191.

[74] Ibidem, 173.

[75] The Humane Society dos Estados Unidos, “folheto acerca dos fatos sobre abuso sexual de animais”, http://www.vactf.org/pdfs/bestiality-factsheet.pdf. Por abuso sexual, eles não querem dizer que o animal sofreu danos físicos permanentes.

[76] Peter Singer, “Heavy Petting: review of Midas Dekkers, 'Dearest Pet: On Bestiality' (Londres, 2000),” Nerve.com, 2001, http://www.nerve.com/opinions/singer/heavypetting/ main.asp. O fato de mais humanos em nossa cultura não poderem realmente participar de bestialidade não é o ponto. O ponto principal é que muitos, embora talvez enojados com a ideia de bestialidade, aprovarão o comportamento daqueles que o praticam. Cf. Rm. 1:32: “Embora eles conheçam o decreto de Deus de que aqueles que fazem tais coisas merecem a morte, eles não apenas as fazem, mas aprovam aqueles que as praticam.” Afinal, o que é pior, deixar-se levar pela luxúria do momento ou aprovar desapaixonadamente o comportamento de quem o faz?

[77] Kevin Turan, “'Zoo' Is Not Just 'Eeew'”, Los Angeles Times, 22 de janeiro de 2007.

[78] Há uma série de filmes que tratam a bestialidade como uma piada ou como uma excitação: Clerks II (2006), R; Scary Movie 3 (2003), PG-13; Wild Hogs (2007), PG-13; American Wedding (2003), R; The Animal (2003), R; The 40-Year-Old Virgin (2005), R; Anger Management (2003), PG-13; Walk Hard: The Dewey Cox Story (2007), PG-13; Hostel (2005), R; Pushing Tin (2007), PG-13; Austin Powers in Goldmember (2002), PG-13; South Park: Bigger, Longer & Uncut (1999), R; Grind (1999), R; Nutty Professor II: The Klumps (2000), PG-13; Dodgeball: A True Underdog Story (2005), PG-13; The Dukes of Hazzard (2005), PG-13; Deuce Bigalow, European Gigolo (2005), R; Borat: Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan (2007), R; Freddy Got Fingered (2001) R; Scary Movie 3 (2003), PG-13; Date Movie (2006), PG-13.

[79] Disponível Online, http://www.pluggedinonline.com/music/music/a0000685.cfm.

[80] disponível Online, http://www.asklyrics.com/display/Metallica/so_What_Lyrics/310

411.htm. Outros álbuns que mencionam a bestialidade: Blink-182, Enema of the State, “Anthen” (o melhor entre 10 albuns); Barenaked Ladies, Maroon (rock, chegou ao número 5); Insane Clown Posse, The Amazing Jeckel Brothers (rap, chegou ao número 4).

[81] Morriston, “Did Command Genocide?” 16.

[82]. Isso não nos dá a capacidade de determinar que horrores como o 11 de setembro tenham sido o julgamento de Deus sobre o mundo. Podemos, no entanto, ter certeza de que Seu julgamento virá. Considere Lucas 10:13–15: “Ai de ti, Corazim, ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sidom se fizessem as maravilhas que em vós foram feitas, já há muito, assentadas em saco e cinza, se teriam arrependido. Portanto, para Tiro e Sidom haverá menos rigor, no juízo, do que para vós. E tu, Cafarnaum, que te levantaste até ao céu, até ao inferno serás abatida.” Tiro e Sidon eram cidades Cananéias.

Preciso agradecer a George Giacumakis, professor da Biola University e Presidente de History, Government, and social science, especializado em história do Antigo Oriente Próximo, por sua revisão deste artigo; como sempre, aprecio imensamente as muitas, muitas sugestões úteis feitas por Joseph Gorra; e sou grato a minha esposa, Jean E. Jones, por ela ter lido centenas de páginas de documentos de fontes primárias e secundárias do Antigo Oriente Próximo e suas muitas sugestões.