EXAME COMPARATIVO DO SEMI-PELAGIANISMO COM OS ENSINOS DE JACÓ ARMÍNIO
Nascido
Jacobus Harmenszonnn (ca. 1559-1609),[1] o nome
de Jacó Armínio tem sido associado com o Socinianismo, Pelagianismo e
semi-Pelagianismo, Unitarismo, Catolicismo Romano, e mais notavelmente com a
doutrina da perseverança condicional. Como um fato, para melhor ou pior, o
Arminianismo tem se tornado um sinônimo com a noção que uma pessoa pode perder
sua salvação, embora Armínio nunca ensinou ou defendeu essa doutrina
explicitamente.[2]
Nenhuma
questão, no entanto, tem sido mais embaraçosa para os Arminianos do que o
esforço de ligar o Arminianismo com o semi-Pelagianismo, Como se não houvesse
nenhuma diferença entre os dois sistemas. Certamente, ninguém igualará o
hyper-Calvinismo com o Calvinismo Clássico, mesmo se alguém admite que as
crenças do hyper-Calvinismo são meramente as deduções lógicas da hermenêutica
do Calvinismo.
Ainda,
como uma distinção precisa ser feita por causa do Calvinismo Clássico, então, o
Arminianismo Clássico merece o mesmo respeito. Como será documentado abaixo, a
crença de Jacó Armínio e os seguidores subseqüentes de seu pensamento tem pouco
ou nada em comum com o semi-Pelagianismo, e estão justificados em negar
qualquer laço com esse sistema.
Chamar um
sistema teológico de “semi-Pelagiano” é admitir ele que tem conexões com o
Pelagianismo, aqueles ensinos promovidos pelo monge Pelágio (ca. 354-420). O
amigo de Pelágio, Celéstio, como percebe Joseph Pohle, captura bem o que o
sistema Pelagiano ensina:
1.
Mesmo se
Adão não tivesse pecado, ele teria morrido.
2.
O pecado
de Adão prejudicou apenas ele mesmo, não a raça humana.
3.
Os filhos
nascidos depois da queda estão no mesmo estado de Adão antes da queda.
4.
Toda a
raça humana não morre por meio do pecado ou morte de Adão nem se levanta
novamente por meio da ressurreição de Cristo.
5.
A (Lei
Mosaica) é um bom guia para o céu assim como o evangelho.
6. Até mesmo antes do advento de
Cristo haviam homens que estavam sem pecado.[3]
O
Semi-Pelagianismo, enquanto parecendo os empréstimos de um “serviço de bordo”
para a graça de Deus a fim de que os seres humanos depravados possam executar
qualquer bem, ainda concede muita confiança sobre o livre arbítrio humano.
Indicando suas origens, Pohle percebe que “foi mantido no Concílio Geral de
Cartago, em 418, como um principio de fé que a graça cristã é absolutamente
necessária para o correto conhecimento e desempenho do bem, e que a perfeita
impecabilidade é impossível na terra mesmo para o justificado”[4].
Vitalis,
um proponente da doutrina semi-Pelagiana, no entanto, demonstra sua ligação com
o Pelagianismo por notar que “o inicio da fé salta do livre-arbítrio natural, e
isso é a essência da ‘graça preveniente’ que consiste na pregação da doutrina
Cristã da salvação”.[5]
O mal
entendimento da visão de Armínio da graça preventiva, ou graça preveniente,
muitos calvinistas juntam Arminianismo com o semi-Pelagianismo, recusando fazer
as distinções corretas. John MacArthur, por exemplo, em um sermão sobre
depravação humana, em uma conferencia recente do Together for the Gospel, declarou:
A ideia contemporânea hoje é que existe algum
resíduo bom deixado no pecador. Como essa progressão veio do Pelagianismo para
o semi-Pelagianismo, e depois desceu para algum arminianismo contemporâneo –
talvez definido mais cuidadosamente por Wesley, que era uma espécie de
…calvinista confuso – então esse pecador, a parte do Santo Espírito, deve se
mover primeiro. Essa é essencialmente a Teologia Arminiana. O pecador, sozinho,
deve se mover primeiro.[6]
Mas a declaração de MacArthur
sobre o Arminianismo é precisa? Ele representou cuidadosamente e precisamente a Armínio ou a Teologia Arminiana? O que ele declara é, de fato, “essencialmente
Teologia Arminiana”?
O Arminianismo Clássico adequado
– embora seus principais distintivos não se originaram de Armínio,[7] – é derivada dos princípios da reforma, que
se iniciaram com Lutero e foi conduzida por meio de Calvino e outros. Sua
ênfase é na soberania de Deus, a depravação do homem e a necessidade da graça
de Deus na salvação é proeminente nos escritos de Armínio (evidenciado abaixo).
O teólogo calvinista Richard A. Muller percebe:
A
teologia de James Arminius tem sido negligenciada tanto por seus admiradores
quanto por seus detratores. A concepção restritiva da teologia de Armínio como
contrária a doutrina Reformada da predestinação, de fato, como uma teologia
exegética colocada contra uma metafísica predestinista, levou a uma
interpretação de Armínio como um teólogo de uma doutrina abstraída, de alguma
forma, de seu contexto adequado da história intelectual.[8]
A opinião desse escritor é uma
alta suspeita de que os opositores do Arminianismo sequer realmente leram
Armínio em qualquer contexto e muito menos no seu “contexto adequado na
história intelectual”. (para ser justo, no entanto, muitos jovens Calvinistas
modernos também negligenciaram ler Calvino, muito menos Armínio).
Os cristãos modernos há muito
tempo tem ignorado os escritos daqueles que vieram antes deles. Ao invés de ler
as fontes primárias, os cristãos modernos – pelo menos com respeito ao
Arminianismo – pegam um atalho e dependem dos outros para a informação deles – outros
com uma agenda parecida para produzir calúnia ao invés dos fatos históricos
objetivos. Isso é feito, então alguém assumiria, porque é fácil angariar
excentricidades teológicas de alguém como Charles Finney postá-lo como
representante do Arminianismo, do que realmente ler Armínio. Ainda, o Dr. John
Hammett escreve que “uma posição merece ser avaliada por seus melhores
modelos…”.[9] O Arminianismo Clássico não merece nada
menos do que isso.
Que Deus é soberano é negado por
muito poucos cristãos, embora eles certamente vão debater quais são as
implicações particulares e definição do termo. Roger Olson, por exemplo,
escreve:
Um líder evangélico calvinista, teólogo, escritor e
locutor de radio disse a uma platéia que embora os Arminianos afirmem crer na
soberania divina, quando a declaração deles é cuidadosamente examinada, muito
pouco da soberania de Deus permanece. O Pastor calvinista e teólogo Edwin
Palmer categoricamente diz que “o Arminiano nega a soberania de Deus”.
Arminianos estão mais do que confusos por essas declarações calvinistas sobre
teologia Arminiana. Eles já leram Armínio sobre a Providência de Deus? Eles já
leram qualquer literatura Arminiana Clássica sobre esse assunto ou eles estão
simplesmente usando relatórios de segunda mão sobre Teologia Arminiana?[10]
Quais
poderiam ser os motivos para tais táticas de difamação? Olson comenta, “claro,
quando Calvinistas dizem que os Arminianos não acreditam na soberania de Deus,
eles indubitavelmente estão trabalhando com uma noção a priori de soberania que
nenhum conceito, além dos seus próprios, possam possivelmente passar”.[11]
Dizer que
Deus é soberano é admitir, de acordo com o site Monergismo.com que “todas as
coisas estão debaixo de Seu governo e controle e que nada acontece nesse
universo sem sua direção ou permissão”.[12] Arminianos
Clássicos creem e concordam com essa declaração. John Piper declara “não é
simplesmente que Deus tem o poder e o direito de governar todas as coisas, mas
que Ele faz isso sempre e sem exceção”[13] Armínio
concorda: “através da criação, o domínio sobre todas as coisas que foram
criadas por Ele mesmo pertence a Deus. É portanto primária, não sendo
dependente de nenhum outro domínio ou em qualquer outra pessoa”[14]. Assim, Calvinistas e Arminianos Clássicos
concordam sobre as implicações e definições até agora concedida na soberania de
Deus.
No
entanto, até que ponto Deus governa suas criaturas? Olson pergunta “Deus
governa por determinação meticulosa do inteiro curso de cada vida, incluindo
escolhas e ações morais? Ou Deus permite um reino humano [ou medida] de
liberdade de escolha e daí responde por trazê-los ao seu perfeito plano para a
consumação da história?”[15]. Calvinistas
e Arminianos Clássicos se apartam doutrinariamente sobre a noção de grau com
respeito à soberania de Deus. O primeiro encontra pouco espaço para a liberdade
humana enquanto o último não encontra nenhum espaço para o determinismo
meticuloso total, crendo que tal doutrina mancha a Deus por causar ou criar o
mal. Ambas as visões, no entanto, diferem significantemente da visão
semi-Pelagiana da soberania de Deus que declara que Deus não interferiria com o
livre arbítrio humano.
Além da
noção de perseverança condicional, o Arminianismo Clássico é considerado por
muitos um firme defensor do livre-arbítrio. No entanto, Arminianos não creem que uma pessoa possui o livre-arbítrio para escolher Cristo Jesus como seu
salvador sem a ajuda especial da graça e convicção do Santo Espírito, contrário
às declarações de John MacArthur.
Armínio
era enfático que o “livre-arbítrio” da humanidade não era capaz de fazer o
mínimo de bondade espiritual com respeito a salvação. Ele escreve, “Nesse estado
[caído], o Livre-Arbítrio do homem em direção ao verdadeiro bem não está
somente ferido, mutilado, enfermo, curvado e enfraquecido, mas também preso,
destruído e perdido: e seu poder não está apenas debilitado e inútil a menos
que seja assistido pela graça, mas ele não tem nenhum poder exceto quando é
animado pela graça”[16]. O calvinista R. C. Sproul
responde:
Armínio não somente afirma a escravidão da vontade,
mas insiste que o homem natural, morto em pecado, existe em um estado de
inabilidade moral ou impotência. O que mais um Agostiniano ou Calvinista
esperaria de um teólogo? Armínio então declara que o único remédio para a
condição do homem caído é a graciosa operação do Espírito de Deus. A vontade do
homem não é livre para fazer qualquer bem a menos que sua vontade seja livre ou
libertada pelo Filho de Deus por meio do Espírito de Deus.[17]
A visão
de Armínio sobre a depravação do homem está tão longe do semi-Pelagianismo, tão
divulgado nos tempos modernos e não tem nada em comum com esse assunto. Sproul
também certamente nota que “A linguagem de Agostinho, Martinho Lutero ou João
Calvino dificilmente é mais forte do que a de Armínio”.[18] Calvinistas tais como John MacArthur,
portanto, perderam completamente o alvo onde diz respeito ao Arminiansimo Clássico.
Sua declaração – “Essa é essencialmente a Teologia Arminiana. O pecador,
sozinho, deve fazer o primeiro movimento” – está provado ser inteiramente
falso.
Arminianos
Clássicos estão atônitos que alguns calvinistas declaram que o Arminianismo não
é uma teologia da graça. O Calvinista, reconhecidamente não concordará com
Armínio concernente a graça preveniente por causa de sua pressuposição de que a
graça da regeneração deve preceder a fé (apesar do ensino contrário de Paulo,
cf Col 2.13).
Por
exemplo, o Calvinista Francis Turretin escreve, “assim nós vigorosamente
negamos que a eficácia da graça é resistível nesse sentido…não, nós mantemos
que a graça eficaz opera no homem, embora ele não possa ajudar a resistir desde
o inicio, ele ainda não pode nunca resistir a graça ao ponto de finalmente
vencê-la e finalmente dificultar o trabalho de conversão”[19]. Assim, para o Calvinista, a graça de Deus não
pode ser resistida.
Por essa
razão muitos calvinistas insistem que Arminianos não creem na graça, mas confiam
nas obras a fim de alcançar a salvação (alguns até mesmo alegam que fé em
Cristo é uma obra, contrário a declaração de Paulo em Romanos 4.4-5). O
estudioso e Arminiano Clássico Robert Picirilli escreve:
Alguns Calvinistas anteriores essencialmente igualaram
regeneração e chamada eficaz, mas isso não é típico da Teologia Reformada em
suas formas mais cuidadosamente desenvolvidas. Alguns sugerem que “regeneração
adequada” em seu sentido mais estrito é a implantação da vida divina. …enquanto
essa chamada eficaz é a realização da obra de regeneração em um sentido mais
amplo e é assim igual ao “novo nascimento” como a primeira e consciente
manifestação da vida implantada na regeneração apropriada.[20]
Mas na
teologia de Armínio a graça de Deus é o aspecto da chamada divina em que o não
regenerado tem “liberdade da vontade e a capacidade de resistir o Santo
Espírito [At 7.51], de resistir a graça oferecida de Deus [cf. 2 Cor 6.1], de
desprezar o conselho de Deus conta si mesmos [cf. Lc 7.30], ou recusar aceitar
o Evangelho da graça [cf. Hb 10.29] e não abrir para aquele que bate na porta
do coração [cf. Ap. 3.20]”.[21] Ele crê
assim porque claramente a Escritura apresenta tais exemplos.
Entretanto,
na visão de Armínio, essa graça de Deus é absolutamente necessária se alguém
está prestes a ser salvo. Ele escreve, “graça suficiente deve necessariamente
ser estabelecida; ainda graça suficiente, por culpa daquele a quem é concedido,
não [sempre] obtém seu efeito: se os fatos forem de outra maneira a justiça de
Deus não pode ser defendida em sua condenação daqueles que não creem”[22]. Seus seguidores, os Remonstrantes concordam:
Mas o homem não pode apenas realizar os mandamentos
de Deus, até agora está explicado, mas também de bom grado quer realizá-las de
mente, Deus deseja de sua parte fazer todas as coisas necessárias para efetuar
ambas no homem, isto é, Ele determinou conferir tal graça ao homem pecador pela
qual ele pode estar apto para render tudo o que é exigido dele no evangelho, e,
mais ainda, a promessa de tais coisas boas para ele, cuja excelência e beleza
podem exceder em muito a capacidade de compreensão humana, e que o desejo e a
certa esperança de acender esta força e inflamar a vontade do homem para
prestar obediência a Ele.[23]
Alguns
Arminianos professos (que deveriam adequadamente cair na categoria de
semi-pelagianos) não são tão rigorosos sobre a graça e o livre-arbítrio. Vernon
Grounds, por exemplo, escreve, “A universalidade da graça…significa meramente
que Deus está trabalhando em Jesus Cristo e por meio do seu Santo Espírito
soberanamente e sinceramente…provendo o potencial de salvação para cada ser
humano”.[24] A meta do Arminiano Clássico é atribuir o
máximo possível a graça particular de Deus, em vez de uma graça quase etérea
que opera no coração e na mente de indivíduos em todo o mundo a parte da
pregação do evangelho (Rm 1.16; 10.14) e a convicção do Espírito Santo (João
16.8-11). Assim Armínio escreve:
Não é nosso desejo fazer o mínimo prejuízo à graça
divina, tomando dela qualquer coisa que lhe pertence: mas vamos tomar cuidado
meus irmãos, que eles próprios não inflijam uma injúria a Justiça Divina,
atribuindo a ele [ao homem] o que ele se recusa, nem a graça divina, a
transformando em algo a mais, que não pode ser chamada de GRAÇA. Para que eu possa
em uma palavra intima que eles devem provar, que tal transformação que eles
efetuam quando eles representam “a suficiente e eficácia graça, que é
necessária para a salvação, ser irresistível”, ou como agir com tal força que
não pode ser combatida por qualquer criatura livre.[25]
Armínio e seus seguidores
acreditavam na soberania de Deus, na depravação do homem e a salvação somente
pela graça. Assim, aqueles que podem chamar a si mesmos “Arminianos” arcam com
o ônus da prova para demonstrar como a sua teologia é a mesma que a de Armínio
sobre estas questões sem se desviar de nenhum ponto.
Armínio não se cansa de insistir
que a salvação vem somente por meio da graça, somente por meio da fé, somente
por Jesus, somente para a glória de Deus, por meio da instrumentalidade do
evangelho ou somente da palavra de Deus. Como Armínio declara, “O objeto de fé
não é somente o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, mas também o próprio
Cristo que é aqui constituído por Deus o autor da salvação daqueles que
obedecem a Ele…O Autor da fé é o Santo Espírito, quem o Filho envia do Pai,
como Seu advogado e substituto, que pode gerir a causa dele no mundo e contra o
mundo”.[26] Esse aspecto trinitariano da salvação do
homem está crivado por todos os seus ensinos. Ele nunca é reticente em atribuir
salvação a obra e graça da divindade.[27]
Quem será salvo? Esse é o real
ponto de discórdia entre Arminianos e Calvinistas. Deus pré-selecionou quem Ele
salvaria meramente pelo seu decreto? Ou Ele genuinamente deseja a salvação de
todas as pessoas, genuinamente concedeu a todas as pessoas uma oferta de
salvação? Quem Deus decretou salvar?
O apostolo Paulo escrevendo a
igreja de Coríntios declara, “Visto como na sabedoria de Deus o mundo não
conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os que
creem pela loucura da pregação” (1 Coríntios 1:21, NASB,
ênfase adicionada).
A ideia que Deus deseja a
salvação de todas as pessoas não é meramente um principio do ensino da igreja
primitiva,[28] esse principio é declarado na Escritura
(Ez 18.30-32; 33.11; João 3.16-18; I Tm 2.4; II PE 3.9). As novas doutrinas
Agostinianas (e o calvinismo posterior) dominaram a igreja medieval
gradualmente, dando caminho a eventual anatematização do Arminianismo no século
XVII – um sistema teológico que sempre foi observado pelos pais da igreja
primitiva. Dr. Ken Keathley escreve, “O que é chamado Arminianismo era
praticamente a visão universal dos pais da igreja primitiva e sempre foi a
posição da Ortodoxia Grega”.[29]
Se Armínio estivesse vivo hoje,
abominaria totalmente o semi-pelagianismo que se disfarça de Arminianismo
Clássico. Ele pode também ser confundido, como ele se transformou na mente de
muitos, a antítese de Calvino, especialmente como ele próprio declara:
Junto com o estudo das Escrituras que eu
sinceramente infundo, exorto meus pupilos a ler os Comentários de Calvino, que
eu estimo em termos mais elevados do que o próprio Helmich [um teólogo
Reformado Holandês, 1551-1608]; pois afirmo que ele está além de comparação…na
interpretação da Escritura, e que seus comentários devem ser mais valorizados
do que tudo o que é trazido até nós pela biblioteca dos pais; de modo que eu o
reconheço ter possuído sobre a maioria dos outros, ou melhor, acima de todos os
outros homens, o que pode ser chamado de um eminente espírito de profecia…suas
Institutas devem ser estudadas depois do Catecismo [de Heidelberg]…, como
contendo uma explicação plena, mas com discernimento, assim como os escritos de
todos os homens.[30]
Estudando Armínio sobre a
soberania e providencia de Deus, a pecaminosidade e depravação da humanidade, e
a absoluta necessidade da graça de Deus para a salvação, leva todo estudante a apenas
uma conclusão: a razão porque ele é chamado de teólogo Reformado Holandês é
porque ele é um produto da Reforma Luterana-Calvinista e merece ser observado
como tal, não como um crypto Católico Romano simpatizante ou um herético
semi-pelagiano.
Disponível em
http://evangelicalarminians.org/a-comparative-examination-of-semi-pelagianism-with-the-teachings-of-james-arminius/
Tradução
Walson Sales
___________________________
[1] Carl
O. Bangs, Arminius: A Study in the Dutch Reformation (Eugene, OR:
Wipf & Stock Publishers, 1971), 25-26.
[2] James
Arminius, The Works of Arminius, the London
edition, three volumes, trans. James and William Nichols (Grand Rapids: Baker
Book House, 1996), 1:741.
[3] Joseph
Pohle, “Pelagius and Pelagianism,” The Catholic Encyclopedia,
Vol. 11 (New York: Robert Appleton Company, 1911), encontrado em http://www.newadvent.org/cathen/11604a.htm,
acessado em 27/10/08.
[4] Joseph
Pohle, “Semipelagianism,” The Catholic Encyclopedia,
Vol. 13 (New York: Robert Appleton Company, 1912), encontrado em
http://www.newadvent.org/cathen/13703a.htm, acessado em 27/10/08.
[5] Ibid.
[6] John MacArthur, “The Sinner Neither Able nor
Willing,” encontrado em T4G,
http://t4g.org/player/index.php?file=sgm.edgeboss.net/download/sgm/events/t4g08/t4g08-session3.mp3&image=video-mac.jpg,
acessado em 27/10/08, embora o link não esteja mais válido.
[7] F.
Stuart Clarke, The Ground of Election: Jacobus Arminius’ Doctrine of the Work and Person of Christ
(Waynesboro: Paternostor, 2006), 11-12.
[8] Richard
A. Muller, God, Creation, and Providence in the Thought
of Jacob Arminius: Sources and Directions of Scholastic Protestantism in the
Era of Early Orthodoxy (Grand Rapids: Baker Book House, 1991)
269.
[9] John
S. Hammett, “Human Nature,” in A Theology for the Church,
ed. Daniel L. Akin (Nashville: B&H Publishing Group, 2007), 377.
[10] Roger
E. Olson, Arminian Theology: Myths and Realities
(Downers Grove: InterVarsity Press, 2006), 115.
[11] Ibid., 116.
[12] Monergism,
http://www.monergism.com/directory/link_category/Gods-Attributes/The-Sovereignty-of-God/,
acessado em 01/12/08.
[13] Ibid.
[14] James
Arminius, “On the Lordship or Dominion of God,” Works, 2:365. Armínio adiciona, “Mas o domínio de Deus é direito
do Criador e seu poder sobre as criaturas; de acordo com o qual Ele os tem como
sua propriedade e pode comandar e usá-los e fazer com eles qualquer que seja a
relação da criação e da equidade, que repousa sobre ela, permitir.” Como
Soberano, Deus tem o direito de fazer com sua criação como Ele acha apropriado,
de acordo com a sua santidade e propósito. Essa visão da soberania de Deus é
não menos reformada do que a do próprio Calvino.
[15] Olson, 117.
[16] Arminius, 2:192-193. Ele
escreve, “A mente do homem nesse estado é escura, destituída do conhecimento
salvifico de Deus e de acordo com o apóstolo, incapaz daquelas coisas
pertencentes ao Espírito de Deus: … para essa perversidade de mente sucede a
perversidade das afeições e do coração de acordo com o que ele odeia e tem uma
aversão ao que é verdadeiramente bom e agradável a Deus; mas ele ama e possui o
que é mal….exatamente correspondente a essa Escuridão da Mente e Perversidade
do Coração é a fraqueza absoluta de todo o poder para executar o que é
verdadeiramente bom…”
[17] R.
C. Sproul, Willing to Believe: The Controversy
over Free Will (Grand Rapids: Baker Book House, 1997), 128.
[18] Ibid.,
126.
[19] Francis
Turretin, Institutes of Elenctic Theology, 3
vols., trans. George Musgrave Giger, ed. James T. Dennison Jr. (Phillipsburg,
N.J.: P & R, 1992-97), 2:547-48 (15.6.6-7).
[20] Robert
E. Picirilli, Grace, Faith, Free Will: Contrasting Views of
Salvation: Calvinism and Arminianism (Nashville: Randall
House, 2002), 144.
[21] Arminius, 2:721. Ele
continua, “A quem quer que Deus chama Ele os chama seriamente, com uma vontade
desejosa do arrependimento e salvação deles: nem há qualquer vontade de Deus a
respeito ou sobre aqueles a quem chama como sendo uniformemente consideradas,
que seja afirmativamente ou negativamente contrário a essa vontade”.
[22] Ibid.,
2:722.
[23] The Arminian Confession of 1621, trans. and ed. Mark A.
Ellis (Eugene: Pickwick Publications, 2005), 105-106.
[24] Vernon
C. Grounds, “God’s Universal Salvific Grace,” in Grace Unlimited, ed. Clark Pinnock (Minneapolis:
Bethany Fellowship, Inc., 1975), 28.
[25] Arminius, 2:52.
[26] Arminius, 2:400-401.
[27] Portanto, o Arminianismo
não pode ser acusado de levar inevitavelmente a um entendimento Unitariano de
Deus. O Calvinista Michael Horton, por exemplo, escreve, “Onde quer que o
Arminianismo foi adotado foi seguido pelo Unitarismo levando para um liberalismo
brando presente nas principais denominações.” Veja Michael Horton, “Evangelical
Arminians,” de The White Horse Inn website,
acessado em 01/12/08. Horton negligencia informar aos seus leitores que “muitas
congregações Presbiterianas na Inglaterra durante o século 18 se tornaram
Unitaristas”. Veja Laurence M. Vance, The Other Side of Calvinism
(Pensacola: Vance Publications, 1999), 139. Veja também J.L. Neve, A History of Christian Thought, Vol. II (Philadelphia: The Muhlenberg
Press, 1946), 31. Portanto, o Calvinismo de nenhuma maneira guarda a pessoa da
heresia. [nota do tradutor: o livro do Laurence M. Vance
pode ser encontrado, em parte traduzido, neste endereço
http://www.arminianismo.com/index.php/categorias/obras/livros/130-laurence-m-vance-o-outro-lado-do-calvinismo-,
assim como muitos outros recursos].
[28] A Dictionary of Early Christian Beliefs, ed. David W.
Bercot (Peabody: Hendrickson Publishers, 1998), 574-584.
[29] Kenneth
Keathley, “The Work of God: Salvation,” in A Theology for the Church,
703.
[30] Philip
Schaff, History of the Christian Church, 8 vols. (Grand Rapids:
Eerdmans, 1952-53), 8:280.