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quinta-feira, 30 de março de 2023

Armínio era Pelagiano?

 

 


EXAME COMPARATIVO DO SEMI-PELAGIANISMO COM OS ENSINOS DE JACÓ ARMÍNIO

 

Nascido Jacobus Harmenszonnn (ca. 1559-1609),[1]  o nome de Jacó Armínio tem sido associado com o Socinianismo, Pelagianismo e semi-Pelagianismo, Unitarismo, Catolicismo Romano, e mais notavelmente com a doutrina da perseverança condicional. Como um fato, para melhor ou pior, o Arminianismo tem se tornado um sinônimo com a noção que uma pessoa pode perder sua salvação, embora Armínio nunca ensinou ou defendeu essa doutrina explicitamente.[2]

Nenhuma questão, no entanto, tem sido mais embaraçosa para os Arminianos do que o esforço de ligar o Arminianismo com o semi-Pelagianismo, Como se não houvesse nenhuma diferença entre os dois sistemas. Certamente, ninguém igualará o hyper-Calvinismo com o Calvinismo Clássico, mesmo se alguém admite que as crenças do hyper-Calvinismo são meramente as deduções lógicas da hermenêutica do Calvinismo.

Ainda, como uma distinção precisa ser feita por causa do Calvinismo Clássico, então, o Arminianismo Clássico merece o mesmo respeito. Como será documentado abaixo, a crença de Jacó Armínio e os seguidores subseqüentes de seu pensamento tem pouco ou nada em comum com o semi-Pelagianismo, e estão justificados em negar qualquer laço com esse sistema.

Chamar um sistema teológico de “semi-Pelagiano” é admitir ele que tem conexões com o Pelagianismo, aqueles ensinos promovidos pelo monge Pelágio (ca. 354-420). O amigo de Pelágio, Celéstio, como percebe Joseph Pohle, captura bem o que o sistema Pelagiano ensina:

 

1.    Mesmo se Adão não tivesse pecado, ele teria morrido.

2.    O pecado de Adão prejudicou apenas ele mesmo, não a raça humana.

3.    Os filhos nascidos depois da queda estão no mesmo estado de Adão antes da queda.

4.    Toda a raça humana não morre por meio do pecado ou morte de Adão nem se levanta novamente por meio da ressurreição de Cristo.

5.    A (Lei Mosaica) é um bom guia para o céu assim como o evangelho.

6.    Até mesmo antes do advento de Cristo haviam homens que estavam sem pecado.[3]

 

O Semi-Pelagianismo, enquanto parecendo os empréstimos de um “serviço de bordo” para a graça de Deus a fim de que os seres humanos depravados possam executar qualquer bem, ainda concede muita confiança sobre o livre arbítrio humano. Indicando suas origens, Pohle percebe que “foi mantido no Concílio Geral de Cartago, em 418, como um principio de fé que a graça cristã é absolutamente necessária para o correto conhecimento e desempenho do bem, e que a perfeita impecabilidade é impossível na terra mesmo para o justificado”[4].

Vitalis, um proponente da doutrina semi-Pelagiana, no entanto, demonstra sua ligação com o Pelagianismo por notar que “o inicio da fé salta do livre-arbítrio natural, e isso é a essência da ‘graça preveniente’ que consiste na pregação da doutrina Cristã da salvação”.[5]

O mal entendimento da visão de Armínio da graça preventiva, ou graça preveniente, muitos calvinistas juntam Arminianismo com o semi-Pelagianismo, recusando fazer as distinções corretas. John MacArthur, por exemplo, em um sermão sobre depravação humana, em uma conferencia recente do  Together for the Gospel, declarou:

 

A ideia contemporânea hoje é que existe algum resíduo bom deixado no pecador. Como essa progressão veio do Pelagianismo para o semi-Pelagianismo, e depois desceu para algum arminianismo contemporâneo – talvez definido mais cuidadosamente por Wesley, que era uma espécie de …calvinista confuso – então esse pecador, a parte do Santo Espírito, deve se mover primeiro. Essa é essencialmente a Teologia Arminiana. O pecador, sozinho, deve se mover primeiro.[6]

 

Mas a declaração de MacArthur sobre o Arminianismo é precisa? Ele representou cuidadosamente e precisamente a Armínio ou a Teologia Arminiana? O que ele declara é, de fato, “essencialmente Teologia Arminiana”?

O Arminianismo Clássico adequado – embora seus principais distintivos não se originaram de Armínio,[7]  – é derivada dos princípios da reforma, que se iniciaram com Lutero e foi conduzida por meio de Calvino e outros. Sua ênfase é na soberania de Deus, a depravação do homem e a necessidade da graça de Deus na salvação é proeminente nos escritos de Armínio (evidenciado abaixo). O teólogo calvinista Richard A. Muller percebe:

 

A teologia de James Arminius tem sido negligenciada tanto por seus admiradores quanto por seus detratores. A concepção restritiva da teologia de Armínio como contrária a doutrina Reformada da predestinação, de fato, como uma teologia exegética colocada contra uma metafísica predestinista, levou a uma interpretação de Armínio como um teólogo de uma doutrina abstraída, de alguma forma, de seu contexto adequado da história intelectual.[8]

 

A opinião desse escritor é uma alta suspeita de que os opositores do Arminianismo sequer realmente leram Armínio em qualquer contexto e muito menos no seu “contexto adequado na história intelectual”. (para ser justo, no entanto, muitos jovens Calvinistas modernos também negligenciaram ler Calvino, muito menos Armínio).

Os cristãos modernos há muito tempo tem ignorado os escritos daqueles que vieram antes deles. Ao invés de ler as fontes primárias, os cristãos modernos – pelo menos com respeito ao Arminianismo – pegam um atalho e dependem dos outros para a informação deles – outros com uma agenda parecida para produzir calúnia ao invés dos fatos históricos objetivos. Isso é feito, então alguém assumiria, porque é fácil angariar excentricidades teológicas de alguém como Charles Finney postá-lo como representante do Arminianismo, do que realmente ler Armínio. Ainda, o Dr. John Hammett escreve que “uma posição merece ser avaliada por seus melhores modelos…”.[9]  O Arminianismo Clássico não merece nada menos do que isso.

Que Deus é soberano é negado por muito poucos cristãos, embora eles certamente vão debater quais são as implicações particulares e definição do termo. Roger Olson, por exemplo, escreve:

 

Um líder evangélico calvinista, teólogo, escritor e locutor de radio disse a uma platéia que embora os Arminianos afirmem crer na soberania divina, quando a declaração deles é cuidadosamente examinada, muito pouco da soberania de Deus permanece. O Pastor calvinista e teólogo Edwin Palmer categoricamente diz que “o Arminiano nega a soberania de Deus”. Arminianos estão mais do que confusos por essas declarações calvinistas sobre teologia Arminiana. Eles já leram Armínio sobre a Providência de Deus? Eles já leram qualquer literatura Arminiana Clássica sobre esse assunto ou eles estão simplesmente usando relatórios de segunda mão sobre Teologia Arminiana?[10]

 

Quais poderiam ser os motivos para tais táticas de difamação? Olson comenta, “claro, quando Calvinistas dizem que os Arminianos não acreditam na soberania de Deus, eles indubitavelmente estão trabalhando com uma noção a priori de soberania que nenhum conceito, além dos seus próprios, possam possivelmente passar”.[11]

Dizer que Deus é soberano é admitir, de acordo com o site Monergismo.com que “todas as coisas estão debaixo de Seu governo e controle e que nada acontece nesse universo sem sua direção ou permissão”.[12]  Arminianos Clássicos creem e concordam com essa declaração. John Piper declara “não é simplesmente que Deus tem o poder e o direito de governar todas as coisas, mas que Ele faz isso sempre e sem exceção”[13]  Armínio concorda: “através da criação, o domínio sobre todas as coisas que foram criadas por Ele mesmo pertence a Deus. É portanto primária, não sendo dependente de nenhum outro domínio ou em qualquer outra pessoa”[14]. Assim, Calvinistas e Arminianos Clássicos concordam sobre as implicações e definições até agora concedida na soberania de Deus.

No entanto, até que ponto Deus governa suas criaturas? Olson pergunta “Deus governa por determinação meticulosa do inteiro curso de cada vida, incluindo escolhas e ações morais? Ou Deus permite um reino humano [ou medida] de liberdade de escolha e daí responde por trazê-los ao seu perfeito plano para a consumação da história?”[15]. Calvinistas e Arminianos Clássicos se apartam doutrinariamente sobre a noção de grau com respeito à soberania de Deus. O primeiro encontra pouco espaço para a liberdade humana enquanto o último não encontra nenhum espaço para o determinismo meticuloso total, crendo que tal doutrina mancha a Deus por causar ou criar o mal. Ambas as visões, no entanto, diferem significantemente da visão semi-Pelagiana da soberania de Deus que declara que Deus não interferiria com o livre arbítrio humano.

Além da noção de perseverança condicional, o Arminianismo Clássico é considerado por muitos um firme defensor do livre-arbítrio. No entanto, Arminianos não creem que uma pessoa possui o livre-arbítrio para escolher Cristo Jesus como seu salvador sem a ajuda especial da graça e convicção do Santo Espírito, contrário às declarações de John MacArthur.

Armínio era enfático que o “livre-arbítrio” da humanidade não era capaz de fazer o mínimo de bondade espiritual com respeito a salvação. Ele escreve, “Nesse estado [caído], o Livre-Arbítrio do homem em direção ao verdadeiro bem não está somente ferido, mutilado, enfermo, curvado e enfraquecido, mas também preso, destruído e perdido: e seu poder não está apenas debilitado e inútil a menos que seja assistido pela graça, mas ele não tem nenhum poder exceto quando é animado pela graça”[16]. O calvinista R. C. Sproul responde:

 

Armínio não somente afirma a escravidão da vontade, mas insiste que o homem natural, morto em pecado, existe em um estado de inabilidade moral ou impotência. O que mais um Agostiniano ou Calvinista esperaria de um teólogo? Armínio então declara que o único remédio para a condição do homem caído é a graciosa operação do Espírito de Deus. A vontade do homem não é livre para fazer qualquer bem a menos que sua vontade seja livre ou libertada pelo Filho de Deus por meio do Espírito de Deus.[17]

 

A visão de Armínio sobre a depravação do homem está tão longe do semi-Pelagianismo, tão divulgado nos tempos modernos e não tem nada em comum com esse assunto. Sproul também certamente nota que “A linguagem de Agostinho, Martinho Lutero ou João Calvino dificilmente é mais forte do que a de Armínio”.[18]  Calvinistas tais como John MacArthur, portanto, perderam completamente o alvo onde diz respeito ao Arminiansimo Clássico. Sua declaração – “Essa é essencialmente a Teologia Arminiana. O pecador, sozinho, deve fazer o primeiro movimento” – está provado ser inteiramente falso.

Arminianos Clássicos estão atônitos que alguns calvinistas declaram que o Arminianismo não é uma teologia da graça. O Calvinista, reconhecidamente não concordará com Armínio concernente a graça preveniente por causa de sua pressuposição de que a graça da regeneração deve preceder a fé (apesar do ensino contrário de Paulo, cf Col 2.13).

Por exemplo, o Calvinista Francis Turretin escreve, “assim nós vigorosamente negamos que a eficácia da graça é resistível nesse sentido…não, nós mantemos que a graça eficaz opera no homem, embora ele não possa ajudar a resistir desde o inicio, ele ainda não pode nunca resistir a graça ao ponto de finalmente vencê-la e finalmente dificultar o trabalho de conversão”[19]. Assim, para o Calvinista, a graça de Deus não pode ser resistida.

Por essa razão muitos calvinistas insistem que Arminianos não creem na graça, mas confiam nas obras a fim de alcançar a salvação (alguns até mesmo alegam que fé em Cristo é uma obra, contrário a declaração de Paulo em Romanos 4.4-5). O estudioso e Arminiano Clássico Robert Picirilli escreve:

 

Alguns Calvinistas anteriores essencialmente igualaram regeneração e chamada eficaz, mas isso não é típico da Teologia Reformada em suas formas mais cuidadosamente desenvolvidas. Alguns sugerem que “regeneração adequada” em seu sentido mais estrito é a implantação da vida divina. …enquanto essa chamada eficaz é a realização da obra de regeneração em um sentido mais amplo e é assim igual ao “novo nascimento” como a primeira e consciente manifestação da vida implantada na regeneração apropriada.[20]

 

Mas na teologia de Armínio a graça de Deus é o aspecto da chamada divina em que o não regenerado tem “liberdade da vontade e a capacidade de resistir o Santo Espírito [At 7.51], de resistir a graça oferecida de Deus [cf. 2 Cor 6.1], de desprezar o conselho de Deus conta si mesmos [cf. Lc 7.30], ou recusar aceitar o Evangelho da graça [cf. Hb 10.29] e não abrir para aquele que bate na porta do coração [cf. Ap. 3.20]”.[21]  Ele crê assim porque claramente a Escritura apresenta tais exemplos.

Entretanto, na visão de Armínio, essa graça de Deus é absolutamente necessária se alguém está prestes a ser salvo. Ele escreve, “graça suficiente deve necessariamente ser estabelecida; ainda graça suficiente, por culpa daquele a quem é concedido, não [sempre] obtém seu efeito: se os fatos forem de outra maneira a justiça de Deus não pode ser defendida em sua condenação daqueles que não creem[22]. Seus seguidores, os Remonstrantes concordam:

 

Mas o homem não pode apenas realizar os mandamentos de Deus, até agora está explicado, mas também de bom grado quer realizá-las de mente, Deus deseja de sua parte fazer todas as coisas necessárias para efetuar ambas no homem, isto é, Ele determinou conferir tal graça ao homem pecador pela qual ele pode estar apto para render tudo o que é exigido dele no evangelho, e, mais ainda, a promessa de tais coisas boas para ele, cuja excelência e beleza podem exceder em muito a capacidade de compreensão humana, e que o desejo e a certa esperança de acender esta força e inflamar a vontade do homem para prestar obediência a Ele.[23]

 

Alguns Arminianos professos (que deveriam adequadamente cair na categoria de semi-pelagianos) não são tão rigorosos sobre a graça e o livre-arbítrio. Vernon Grounds, por exemplo, escreve, “A universalidade da graça…significa meramente que Deus está trabalhando em Jesus Cristo e por meio do seu Santo Espírito soberanamente e sinceramente…provendo o potencial de salvação para cada ser humano”.[24]  A meta do Arminiano Clássico é atribuir o máximo possível a graça particular de Deus, em vez de uma graça quase etérea que opera no coração e na mente de indivíduos em todo o mundo a parte da pregação do evangelho (Rm 1.16; 10.14) e a convicção do Espírito Santo (João 16.8-11). Assim Armínio escreve:

 

Não é nosso desejo fazer o mínimo prejuízo à graça divina, tomando dela qualquer coisa que lhe pertence: mas vamos tomar cuidado meus irmãos, que eles próprios não inflijam uma injúria a Justiça Divina, atribuindo a ele [ao homem] o que ele se recusa, nem a graça divina, a transformando em algo a mais, que não pode ser chamada de GRAÇA. Para que eu possa em uma palavra intima que eles devem provar, que tal transformação que eles efetuam quando eles representam “a suficiente e eficácia graça, que é necessária para a salvação, ser irresistível”, ou como agir com tal força que não pode ser combatida por qualquer criatura livre.[25]

 

Armínio e seus seguidores acreditavam na soberania de Deus, na depravação do homem e a salvação somente pela graça. Assim, aqueles que podem chamar a si mesmos “Arminianos” arcam com o ônus da prova para demonstrar como a sua teologia é a mesma que a de Armínio sobre estas questões sem se desviar de nenhum ponto.

Armínio não se cansa de insistir que a salvação vem somente por meio da graça, somente por meio da fé, somente por Jesus, somente para a glória de Deus, por meio da instrumentalidade do evangelho ou somente da palavra de Deus. Como Armínio declara, “O objeto de fé não é somente o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, mas também o próprio Cristo que é aqui constituído por Deus o autor da salvação daqueles que obedecem a Ele…O Autor da fé é o Santo Espírito, quem o Filho envia do Pai, como Seu advogado e substituto, que pode gerir a causa dele no mundo e contra o mundo”.[26]  Esse aspecto trinitariano da salvação do homem está crivado por todos os seus ensinos. Ele nunca é reticente em atribuir salvação a obra e graça da divindade.[27]

Quem será salvo? Esse é o real ponto de discórdia entre Arminianos e Calvinistas. Deus pré-selecionou quem Ele salvaria meramente pelo seu decreto? Ou Ele genuinamente deseja a salvação de todas as pessoas, genuinamente concedeu a todas as pessoas uma oferta de salvação?  Quem Deus decretou salvar?

O apostolo Paulo escrevendo a igreja de Coríntios declara, “Visto como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria,  aprouve a Deus salvar os que creem pela loucura da pregação”  (1 Coríntios 1:21, NASB, ênfase adicionada).

A ideia que Deus deseja a salvação de todas as pessoas não é meramente um principio do ensino da igreja primitiva,[28]  esse principio é declarado na Escritura (Ez 18.30-32; 33.11; João 3.16-18; I Tm 2.4; II PE 3.9). As novas doutrinas Agostinianas (e o calvinismo posterior) dominaram a igreja medieval gradualmente, dando caminho a eventual anatematização do Arminianismo no século XVII – um sistema teológico que sempre foi observado pelos pais da igreja primitiva. Dr. Ken Keathley escreve, “O que é chamado Arminianismo era praticamente a visão universal dos pais da igreja primitiva e sempre foi a posição da Ortodoxia Grega”.[29]

Se Armínio estivesse vivo hoje, abominaria totalmente o semi-pelagianismo que se disfarça de Arminianismo Clássico. Ele pode também ser confundido, como ele se transformou na mente de muitos, a antítese de Calvino, especialmente como ele próprio declara:

 

Junto com o estudo das Escrituras que eu sinceramente infundo, exorto meus pupilos a ler os Comentários de Calvino, que eu estimo em termos mais elevados do que o próprio Helmich [um teólogo Reformado Holandês, 1551-1608]; pois afirmo que ele está além de comparação…na interpretação da Escritura, e que seus comentários devem ser mais valorizados do que tudo o que é trazido até nós pela biblioteca dos pais; de modo que eu o reconheço ter possuído sobre a maioria dos outros, ou melhor, acima de todos os outros homens, o que pode ser chamado de um eminente espírito de profecia…suas Institutas devem ser estudadas depois do Catecismo [de Heidelberg]…, como contendo uma explicação plena, mas com discernimento, assim como os escritos de todos os homens.[30]

 

Estudando Armínio sobre a soberania e providencia de Deus, a pecaminosidade e depravação da humanidade, e a absoluta necessidade da graça de Deus para a salvação, leva todo estudante a apenas uma conclusão: a razão porque ele é chamado de teólogo Reformado Holandês é porque ele é um produto da Reforma Luterana-Calvinista e merece ser observado como tal, não como um crypto Católico Romano simpatizante ou um herético semi-pelagiano.

 

Disponível em http://evangelicalarminians.org/a-comparative-examination-of-semi-pelagianism-with-the-teachings-of-james-arminius/

 

Tradução Walson Sales

___________________________

[1]  Carl O. Bangs, ArminiusA Study in the Dutch Reformation  (Eugene, OR: Wipf & Stock Publishers, 1971), 25-26.

[2]  James Arminius,  The Works of Arminius, the London edition, three volumes, trans. James and William Nichols (Grand Rapids: Baker Book House, 1996), 1:741.

[3]  Joseph Pohle, “Pelagius and Pelagianism,”  The Catholic Encyclopedia, Vol. 11 (New York: Robert Appleton Company, 1911), encontrado em http://www.newadvent.org/cathen/11604a.htm, acessado em 27/10/08.

[4]  Joseph Pohle, “Semipelagianism,”  The Catholic Encyclopedia, Vol. 13 (New York: Robert Appleton Company, 1912), encontrado em http://www.newadvent.org/cathen/13703a.htm, acessado em 27/10/08.

[5]  Ibid.

[6]  John MacArthur, “The Sinner Neither Able nor Willing,” encontrado em T4G, http://t4g.org/player/index.php?file=sgm.edgeboss.net/download/sgm/events/t4g08/t4g08-session3.mp3&image=video-mac.jpg, acessado em 27/10/08, embora o link não esteja mais válido.

[7]  F. Stuart Clarke,  The Ground of ElectionJacobus Arminius’ Doctrine of the Work and Person of Christ  (Waynesboro: Paternostor, 2006), 11-12.

[8]  Richard A. Muller,  God, Creation, and Providence in the Thought of Jacob Arminius: Sources and Directions of Scholastic Protestantism in the Era of Early Orthodoxy  (Grand Rapids: Baker Book House, 1991) 269.

[9]  John S. Hammett, “Human Nature,” in  A Theology for the Church, ed. Daniel L. Akin (Nashville: B&H Publishing Group, 2007), 377.

[10]  Roger E. Olson,  Arminian Theology: Myths and Realities  (Downers Grove: InterVarsity Press, 2006), 115.

[11]  Ibid., 116.

[12]  Monergism, http://www.monergism.com/directory/link_category/Gods-Attributes/The-Sovereignty-of-God/, acessado em 01/12/08.

[13]  Ibid.

[14]  James Arminius, “On the Lordship or Dominion of God,”  Works, 2:365. Armínio adiciona, “Mas o domínio de Deus é direito do Criador e seu poder sobre as criaturas; de acordo com o qual Ele os tem como sua propriedade e pode comandar e usá-los e fazer com eles qualquer que seja a relação da criação e da equidade, que repousa sobre ela, permitir.” Como Soberano, Deus tem o direito de fazer com sua criação como Ele acha apropriado, de acordo com a sua santidade e propósito. Essa visão da soberania de Deus é não menos reformada do que a do próprio Calvino.

[15]  Olson, 117.

[16]  Arminius, 2:192-193. Ele escreve, “A mente do homem nesse estado é escura, destituída do conhecimento salvifico de Deus e de acordo com o apóstolo, incapaz daquelas coisas pertencentes ao Espírito de Deus: … para essa perversidade de mente sucede a perversidade das afeições e do coração de acordo com o que ele odeia e tem uma aversão ao que é verdadeiramente bom e agradável a Deus; mas ele ama e possui o que é mal….exatamente correspondente a essa Escuridão da Mente e Perversidade do Coração é a fraqueza absoluta de todo o poder para executar o que é verdadeiramente bom…”

[17] R. C. Sproul,  Willing to Believe: The Controversy over Free Will (Grand Rapids: Baker Book House, 1997), 128.

[18]  Ibid., 126.

[19] Francis Turretin,  Institutes of Elenctic Theology, 3 vols., trans. George Musgrave Giger, ed. James T. Dennison Jr. (Phillipsburg, N.J.: P & R, 1992-97), 2:547-48 (15.6.6-7).

[20]  Robert E. Picirilli,  Grace, Faith, Free Will: Contrasting Views of Salvation: Calvinism and Arminianism  (Nashville: Randall House, 2002), 144.

[21]  Arminius, 2:721. Ele continua, “A quem quer que Deus chama Ele os chama seriamente, com uma vontade desejosa do arrependimento e salvação deles: nem há qualquer vontade de Deus a respeito ou sobre aqueles a quem chama como sendo uniformemente consideradas, que seja afirmativamente ou negativamente contrário a essa vontade”.

[22]  Ibid., 2:722.

[23]  The Arminian Confession of 1621, trans. and ed. Mark A. Ellis (Eugene: Pickwick Publications, 2005), 105-106.

[24]  Vernon C. Grounds, “God’s Universal Salvific Grace,” in  Grace Unlimited, ed. Clark Pinnock (Minneapolis: Bethany Fellowship, Inc., 1975), 28.

[25]  Arminius, 2:52.

[26]  Arminius, 2:400-401.

[27]  Portanto, o Arminianismo não pode ser acusado de levar inevitavelmente a um entendimento Unitariano de Deus. O Calvinista Michael Horton, por exemplo, escreve, “Onde quer que o Arminianismo foi adotado foi seguido pelo Unitarismo levando para um liberalismo brando presente nas principais denominações.” Veja Michael Horton, “Evangelical Arminians,” de  The White Horse Inn  website, acessado em 01/12/08. Horton negligencia informar aos seus leitores que “muitas congregações Presbiterianas na Inglaterra durante o século 18 se tornaram Unitaristas”. Veja Laurence M. Vance,  The Other Side of Calvinism  (Pensacola: Vance Publications, 1999), 139. Veja também J.L. Neve,  A History of Christian Thought, Vol. II (Philadelphia: The Muhlenberg Press, 1946), 31. Portanto, o Calvinismo de nenhuma maneira guarda a pessoa da heresia. [nota do tradutor:  o livro do Laurence M. Vance pode ser encontrado, em parte traduzido, neste endereço http://www.arminianismo.com/index.php/categorias/obras/livros/130-laurence-m-vance-o-outro-lado-do-calvinismo-, assim como muitos outros recursos].

[28]  A Dictionary of Early Christian Beliefs, ed. David W. Bercot (Peabody: Hendrickson Publishers, 1998), 574-584.

[29]  Kenneth Keathley, “The Work of God: Salvation,” in  A Theology for the Church, 703.

[30]  Philip Schaff,  History of the Christian Church, 8 vols. (Grand Rapids: Eerdmans, 1952-53), 8:280.

 

quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

Paulo Cesar Antunes - Por Que Deus Não Salva a Todos? Analisando a Resposta de John Piper para o Problema

 

John Piper acredita que Deus quer que todos os homens sem exceção sejam salvos. Diferentemente de seus colegas calvinistas, ele não faz nenhum esforço para tentar minimizar a força de versículos como Ez 18.23, 1Tm 2.4 e 2Pe 3.9, que afirmam o desejo divino de salvação universal. Além disso, ele defende que a graça é irresistível, ou seja, que ela finalmente triunfará sobre a resistência daqueles que Deus quer salvar. Disso surge o problema: por que Deus não salva a todos? Piper conclui que Deus deve valorizar algo mais do que a salvação de todos.

 “A resposta dada pelos calvinistas é que o valor maior é a manifestação de toda a gama da glória de Deus em ira e misericórdia (Rm 9.22-23) e a humilhação do homem de forma que ele possa dar todo o crédito a Deus pela sua salvação (1Co 1.29).”

 A resposta é engenhosa, mas ela não está livre de alguns problemas.

 1 – Os versículos apresentados (Rm 9.22-23) por Piper não estão dizendo isso. Eles de fato afirmam que Deus tanto quis mostrar a sua ira sobre alguns quanto a sua misericórdia sobre outros, mas isso não como resultado de um suposto dilema que Deus teria enfrentado na eternidade de salvar a todos ou manifestar “toda a gama da glória de Deus em ira e misericórdia”.

 2 – A ira e a misericórdia de Deus foram manifestadas, em seu grau máximo, na cruz de Cristo, de forma que escolher alguns para a perdição eterna não faria a glória de Deus brilhar mais intensamente do que ela já foi. Se Deus alguma vez enfrentou esse dilema, ele poderia muito bem ter resolvido mostrando toda a gama de sua glória na cruz de Cristo e ainda assim decidido salvar a todos.

 Para o próximo problema ficar ainda mais claro, é interessante citar Jonathan Edwards, um dos teólogos mais admirados por John Piper:

 

“Assim o mal é necessário para a glória de Deus ser perfeitamente e completamente demonstrada. É também necessário para a mais elevada felicidade da humanidade, porque nossa felicidade consiste no conhecimento de Deus e na percepção de seu amor. E se o conhecimento de Deus é imperfeito (por causa de uma demonstração desproporcional de seus atributos), a felicidade da criatura deve ser proporcionalmente imperfeita.”

 

3) O terceiro – e mais grave – problema na resposta de John Piper é que, se verdadeira, ela nos leva à conclusão que Deus precisa do pecado e do mal. Segundo Edwards e Piper, Deus precisa do pecado e do mal para mostrar-se glorioso perfeita e completamente e para a mais elevada felicidade da humanidade (com exceção daqueles que sofrerão eternamente, presumo).

 Há muitas afirmações não provadas nessa pequena citação de Edwards. São elas:

 

- Um universo com pecado (e todas as desgraças resultantes) torna Deus mais glorioso do que um universo sem pecado.

 - Deus não conseguiria revelar-se como ele é a não ser que houvesse pecado.

 - É preciso haver uma demonstração de todos os atributos de Deus para o conhecimento, e consequentemente a felicidade, da humanidade ser perfeito.

 

Sobre todas essas afirmações, é de se questionar se antes do pecado ter invadido a criação, Deus era menos glorioso, impossível de ser conhecido e as criaturas eram menos felizes. Enquanto essas afirmações não forem provadas, não podemos ingenuamente aceitar uma resposta que carrega consigo a trágica conclusão que Deus precisa do pecado para revelar quem ele é e levar felicidade para as suas criaturas.

sábado, 24 de dezembro de 2022

Randal Rauser - Por Que Eu Nunca, Jamais, Jamais, Jamais Poderia Ser Calvinista (Penso Eu)

 

Calvinismo. Aquele apoio principal da tradição protestante. Algumas vezes batido, mas muitas vezes empolgante, como nos extensos sistemas intelectuais de um Edwards ou um Turretin. E agora recentemente ressurgente segundo Collin Hansen em seu livro  Young, Restless, Reformed  (Wheaton, IL: Crossway, 2008). A essência do Calvinismo – a eleição incondicional de Deus de algumas pessoas e não outras para a salvação – é encontrado desde Agostinho e, se você acredita nos calvinistas, na própria Bíblia.

Mas, tal como está, eu não consigo me ver sendo calvinista. E a razão é simples. O Calvinismo limita a graça de Deus, e fazendo isso, ele limita o seu amor. No Calvinismo Deus poderia salvar todas as pessoas, mas ele escolhe não salvar. Antes, ele abandona algumas para que elas encarem a condenação. Esta é a limitação de sua graça, que nenhum calvinista pode contestar.

Por que Deus permite que algumas pessoas sejam condenadas? Os calvinistas, desde o próprio João Calvino até John Piper atualmente, vem dando uma razão que eles creem estar expresso em Romanos 9.22-23:

 

“E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição; ara que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que para glória já dantes preparou...”

 

De acordo com os calvinistas, isto significa que a razão para Deus escolher condenar algumas pessoas é que isso resulta num brilho mais pleno de sua glória, e a glória de Deus é a suprema preocupação de Deus. Escolhendo enviar algumas criaturas às mais assustadoras punições eternas, Deus manifesta sua ira, justiça e seu ódio eterno do pecado. E escolhendo outros para a graça, Deus manifesta sua bondade, misericórdia e amor permanente.

Assim, estes dois resultados bem diferentes fornecem ocasião para Deus demonstrar mais de seus atributos ao mesmo tempo, o que faz com que ele pareça mais glorioso às suas criaturas. Isso ilustra o que os psicólogos chamam de “efeito contraste”, por meio do qual a experiência de uma pessoa de um resultado particular é intensificado pelo contraste com um outro resultado. (Por exemplo, você aprecia a sua casa muito mais depois de ver a casa do seu vizinho ser destruída em um tornado. Você aprecia o seu sanduíche de presunto mais depois de visitar um campo de refugiados famintos.)

Então, de acordo com o calvinista, aqueles que Deus salva têm uma compreensão mais completa de sua graça em virtude da condenação de outros. Não é que a condenação dos outros seja boa em si mesma, mas é um bem de segunda ordem para servir a uma assimilação mais plena da glória de Deus.

Neste cenário, os perdidos são como um peru de Natal. Ninguém, exceto um sádico, acha que matar o peru seja uma coisa boa em si mesma. Mas a sua morte é um bem de segunda ordem a fim de que possamos desfrutar a carne no jantar de Natal. Similarmente, a condenação não é em si mesma uma coisa boa. Mas é um bem de segunda ordem pela satisfação que a condenação dos perdidos proporciona aos escolhidos de Deus.

Por mais que eu tento (e eu tento), não posso pensar em Deus dessa forma. Cheguei a conseguir por um tempo. Na verdade, fui calvinista por cerca de três anos. Então eu me envolvi num tipo de interpretação de papeis. E se eu fui escolhido e minha filha condenada, em parte para que eu pudesse ter um prazer maior na glória de Deus? Nesse mesmo momento o Calvinismo me perdeu. E com todo o devido respeito, eu tenho que dizer “já foi tarde”.

 

Fonte: http://blogs.christianpost.com/tentativeapologist/why-i-could-never-ever-ever-be-a-calvinist-i-think-560/

 

Tradução: Paulo Cesar Antunes

quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

Como o arminiano responde a 2Ts 3.2, “a fé não é de todos”?

 

A cláusula final,  porque a fé não é de todos, visa ser uma explicação da conduta hostil dalguns.  Fé  aqui pode ser entendida no sentido de confiança (nem todos os homens exercem fé) ou, menos provavelmente, como o corpo da fé (nem todos os homens aceitam a fé). As versões oferecidas por Frame, pág. 292, “pois a fé não é para todos” e “não são todos que são atraídos pela fé,” são menos prováveis que a de “porque nem todos os homens têm fé” (RSV), que entende a cláusula como espelho de experiência de Paulo. A declaração talvez pareça um pouco banal e desnecessária. Terá maior relevância se for visto não tanto como conclusão daquilo que acaba de ser dito quanto como introdução ao versículo seguinte; ou seja, Paulo a escreveu para servir de ligação com o versículo seguinte ao invés de ser uma declaração importante isoladamente. Ao mesmo tempo, a cláusula transmite o reconhecimento de Paulo de que, embora a oração seja em prol da pregação bem-sucedida da palavra, nem todos creem nem crerão.


I. Howard Marshall,  I e II Tessalonicenses: Introdução e Comentário, p. 250

quinta-feira, 24 de novembro de 2022

Como o arminiano responde a Hb 12.2, “autor e consumador da fé”?

 

O escritor de Hebreus pede agora aos seus leitores que voltem o olhar para Jesus, exaltado acima de todos e assentado à destra do trono de Deus.

O verbo  olhar  – em  olhando firmemente  – é  aphorontes  (Αφορωντες), que significa tirar a vista das coisas que estão perto e desviam a nossa atenção e, conscientemente, fixar os olhos em Jesus como o nosso grande alvo. Significa ainda interesse que absorve por completo, perfeitamente expresso pelas palavras  com olhos só para Jesus.

A expressão  autor e consumador da nossa fé  tem sido interpretada de várias maneiras. A palavra traduzida como  autor  é  archegon  (Αρχηγος),  líder,  pioneiro, sendo o mesmo vocábulo traduzido como  capitão  (da nossa salvação) em Hebreus 2.10 (KJ). A palavra  consumador   é  teleioten  (τελειωτής),  aperfeiçoador,  que completa  (cp. Hb 10.14).

Em  olhando firmemente para Jesus, o Autor e Consumador da   nossa  fé, o possessivo  nossa  [que aparece nas versões KJ e na NVI, mas não na ARA e na ARC], antes de  fé, está em itálico ou entre parêntesis, pois no grego temos apenas a  fé. No entanto, não significa a  fé  no sentido objetivo, como o fundamento cristão, mas subjetivo, como o princípio que rege o coração e a vida do ser humano.

A escolha da palavra  archegon,  líder   ou  pioneiro, em vez de  aitios  (αἴτιος),  autor, no sentido de  originador, é muito significativa. Como observou Davidson, na presente acepção, as palavras não “podem significar que Cristo, como Autor, originou a fé em nós e, como Aperfeiçoador, sustém-na e a leva a um resultado perfeito”, isto é, incondicionalmente quanto ao conceder e ao aperfeiçoar; a ênfase é, antes, sobre Cristo como o grande Pioneiro da fé que, na Sua vida terrena, tendo perfeitamente alcançado o ideal e terminado a corrida, está agora assentado à destra do trono de Deus.

Em Hebreus 2.10 a palavra  archegon, como  capitão  (KJ), refere-se em especial à preparação de Jesus para a liderança; neste caso, Ele se tornou o Alvo da realização, o Centro de toda a visão cristã. No entanto, é ainda o  Líder, que do Seu trono nos céus ministra pelo Espírito a força, a perseverança, paciência e toda a graça necessária em meio ao sofrimento e aos conflitos. Para os que o seguem com confiança, Ele se tornará o aperfeiçoador,  quando vier para ser glorificado nos seus santos e ser admirado em todos os que creram  (2 Ts 1.10 ARA).

A seguir, o autor da Epístola aos Hebreus passa a uma consideração da experiência de humilhação de Jesus, vividamente descrita para encorajamento dos leitores – palavras que são apenas a amplificação de Sua obra como  o autor e consumador da fé.

O escritor encontra três semelhanças entre os heróis da fé e Jesus. Pela fé, aqueles passaram por grandes lutas e aflições, em parte porque foram exibidos como espetáculo ignominioso, em parte porque se tornaram companheiros dos que foram alvos daquelas tribulações. Assim também Jesus,  em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia  (Hb 12.2b). Esta oração é introduzida pela palavra  anti  (ἀντί), que significa dar em troca ou, especialmente aqui, em consideração de.

O vocábulo traduzido como  alegria  é  charas  (χαρά) – não aquilo a que Jesus renunciou ao encarnar, mas  a alegria que lhe estava proposta. Era a alegria como recompensa do Seu autossacrifício pela salvação dos homens; um autossacrifício que em si mesmo era uma recompensa satisfatória. Mas significava também a alegria de ser exaltado ao trono de Deus e levar consigo a Sua natureza e a nossa, coroando assim a obra redentora por toda a eternidade. Era a alegria de administrar do trono a Sua vida celestial mediante o Espírito Santo, e assim aperfeiçoar para sempre os que são santificados (Hb 10.14). Esta foi  a alegria que lhe foi proposta  – uma alegria que enche com a Sua glória.

 O que fez Jesus pra ter essa alegria? Suportou a cruz. Temos aqui de novo a palavra  hupemeinem  (ὑπομένω), anteriormente traduzida como  paciência, mas aqui mais propriamente traduzida como  suportou com perseverança.

A palavra traduzida como  cruz  é  stauron  (σταυρός),  viga  ou  poste  introduzido no chão para execução de criminosos, vindo depois a significar a cruz.

A frase  não fazendo caso da ignomínia  ou  desprezando a afronta  (ARC) foi chamada  o grande paradoxo. Desprezar a afronta  não significa que Cristo a tinha por desprezível, mas por pequena, comparada com a alegria  que lhe foi proposta.

As palavras  cruz  e  vergonha  (NVI) são usadas sem o artigo para salientar a qualidade – coisas como a cruz e a vergonha, e assim servem para colocar em maior relevo a profundidade da abnegação de Cristo. Jesus, sendo santo em si mesmo, foi intensamente sensível à vergonha da cruz, morrendo aos olhos da Lei como um criminoso, mas não permitiu que isso fizesse vacilar Sua lealdade à vontade do Pai.


H. Orton Wiley,  A Excelência da Nova Aliança em Cristo: Comentário Exaustivo da Carta aos Hebreus, pp. 509, 510

quinta-feira, 17 de novembro de 2022

A Graça de Deus e o Povo de Deus: Romanos 9.14-29

 

Paul J. Achtemeier

 

Paulo apresentou uma proposta radical: ser membro do verdadeiro Israel, o povo escolhido de Deus, não é questão de descendência genética de Abraão, mas de ser escolhido para pertencer a esse povo. A substância e essência desse povo, portanto, não se baseia na herança biológica, no nascimento, mas, antes, na promessa de Deus de que tal povo existiria (9.8). Para tornar claro que o povo de Deus depende de Sua contínua escolha para a sua existência, Deus escolheu somente um dos irmãos gêmeos para ser aquele através do qual seu povo prosseguiria (9.11).

É com a natureza e a existência do verdadeiro povo de Deus que Paulo continua a se ocupar nestes versículos subsequentes. A pergunta que Paulo utiliza para introduzir este segmento de seu argumento é familiar: “Que diremos pois?” Ele utilizou essa mesma pergunta em 6.1, 15 e 7.7, onde se seguiram três segmentos da discussão de Paulo, e nesse mesmo sentido ele a utilizará mais uma vez em 9.30, onde o próximo segmento de sua discussão começa.

O ponto ao qual Paulo está se dirigindo nesta parte de seu argumento se torna claro no versículo 24. Paulo está falando sobre como o mesmo princípio de eleição e escolha que deu origem a Israel e que o manteve (veja vv. 7-13, 17-18) continuou a operar na expansão do povo escolhido realizada por Cristo. Era de fato este objetivo final de um povo escolhido expandido, Paulo argumenta, que Deus tinha em mente durante todo o tempo. Esse povo expandido de Deus agora inclui os gentios, que uma vez não eram parte desse povo (vv. 25-26). Paulo está citando alguns versículos aqui de Oséias (2.2-5, 1 nessa ordem) que Oséias tinha dirigido a Israel, indicando-lhes que sua existência como povo não tinha nada a ver com origens étnicas naturais, mas com o expresso ato de escolha de Deus. Quando Paulo agora usa estes versículos para fazer referência aos gentios que foram incluídos no novo povo de Deus, ele quer dizer que a inclusão desses gentios no povo de Deus não é diferente da designação original de Israel como povo escolhido: Em ambos os casos, à parte da escolha de Deus, não teria havido nenhum povo escolhido. Assim como Israel devia seu  status  de nação à eleição de Deus, como Oséias disse, da mesma forma o novo povo de Deus deve sua existência como povo a esse mesmo tipo de eleição.

Mais ainda, Deus tinha pretendido desde o início que somente uma parte de Israel, um “remanescente,” seria incluído nesse novo povo (vv. 27-28). Realmente, o próprio fato que tal remanescente permanece e que pode ser incluído no novo povo de Deus é devido à direta intenção de Deus (v. 29). A citação de Paulo de Isaías 10.22 (veja seu contexto em Is 10.20-23) nos versículos 27-28 e de Isaías 1.9 no versículo 29 indica que Paulo vê essas profecias cumpridas na inclusão de somente uma parte de Israel entre aqueles que aceitaram Jesus como o Messias de Deus, como o Seu Cristo.

O que tudo isso significa é simplesmente que quando Deus escolheu criar um novo povo para si mesmo, baseado na confiança em Cristo como aquele através de quem os seres humanos podem encontrar sua relação com Deus reparada, ele continuou a agir de modo consistente com a escolha original de Israel como povo eleito. De fato, o processo iniciado com essa escolha é agora cumprido. Visto que a origem de Israel, assim como sua continuação, era uma questão de escolha de Deus e não de herança genética (vv. 7-13), ninguém, menos ainda os israelitas, deveria estar surpreso se Deus continua a formar um povo escolhido por seu próprio ato de escolha.

Não é possível ler o que Paulo diz nesta passagem sobre o tratamento de Deus a Israel e aos gentios sem levantar uma série de perguntas. Algumas dessas perguntas são levantadas pelo conteúdo do que Paulo tem a dizer, enquanto outras são levantadas pelos equívocos que gerações de interpretação introduziram nestes versículos. Se formos ser claros sobre o que Paulo quer dizer nestes versículos, de forma que nossas perguntas lidam com o que ele realmente está dizendo e não com o que imaginamos que ele esteja dizendo, três pontos precisam ser mantidos firmes em mente.

O primeiro ponto diz respeito ao claro entendimento que Deus é o criador do mundo e o governante de sua história e que ele portanto dispõe sobre ela como Senhor soberano. Isso é especialmente claro nos versículos 19-21. Chamar o Criador para prestar contas pelo modo que ele criou seu mundo, ou pelo modo que ele dispõe sobre a sua história, está fora da competência de uma criatura. Perguntas que temos sobre esse aspecto da discussão de Paulo, portanto, são perguntas levantadas pela nossa condição de criatura e as limitações que essa condição inevitavelmente coloca sobre nós. Sabemos que esta linha de argumentação não é única nesta parte da carta de Paulo. Paulo foi claro desde o começo que é precisamente rebelião contra Deus por causa da condição humana de criatura que envolveu o mundo em sua presente desordem (recorde a discussão de idolatria no cap. 1 e de Adão no cap. 5), e uma continuação da ilusão que podemos nos erguer acima de tais limitações simplesmente significa uma continuação de nossa desgraça.

O que Paulo nos dá nesta parte de sua discussão é uma forte dose de realidade, algo que, como é o caso com algum remédio forte mas eficaz, alguns pacientes tendem a resistir. Mas nós de fato não somos deuses. Não somos de fato capazes de qualquer disposição soberana sobre a realidade, como a história da humanidade demonstra convincentemente. O que os humanos têm feito uns aos outros e ao seu ambiente deve constituir prova irrefutável desse fato. Resistência a Deus como Deus, como Criador soberano, se encontra no centro da rebelião e do pecado humanos, e é precisamente essa resistência que está por baixo de muito do que tendemos a achar repugnante nestes versículos. Mas somos, e permanecemos, criaturas, e até que cheguemos a entender esse fato, o que significa até que admitimos que precisamos da ajuda de Deus para agir como criaturas de uma maneira responsável e amorosa com nossos semelhantes, pouco do que Paulo diz será convincente.

Parte da boa nova do Evangelho é que não somos de fato deuses e que portanto o futuro não está em nossas manifestamente incapazes mãos. Essa boa nova constitui parte do argumento de Paulo nestes versículos, e devemos estar cientes desse fato.

O segundo ponto que devemos ter em mente se formos ser claros sobre o que Paulo quer que encontremos nesta passagem é o fato de que o Deus que dispõe sobre sua criação como soberano Criador é um Deus de misericórdia. É dentro desse quadro geral que estes versículos devem ser compreendidos ou eles podem somente ser mal compreendidos. Que o quadro é a misericórdia de Deus torna-se claro no versículo 15, por exemplo, onde Paulo começa sua resposta ao tipo de perguntas que inevitavelmente surge como resultado do tipo de discussão com que ele está aqui se ocupando. Note cuidadosamente a citação de Paulo de Êx 33.19b. Ela fala exclusivamente da decisão de Deus de ser misericordioso. Ela não está precisamente balanceada, como se Deus tivesse dito que ele seria misericordioso com quem ele escolheu e irado com quem ele escolheu. Tal simetria entre graça e ira, entre misericórdia e condenação, está ausente aqui, como está ausente por toda esta passagem. Toda a discussão é caracterizada, antes, pela assimetria de uma graça dominante. Esse mesmo ponto está claro no versículo 22, onde Paulo, falando dos “vasos da ira, preparados para a destruição,” chega mais próximo do que ele jamais chegou ao que é popularmente chamado “dupla predestinação”, mas que, em seu entendimento popular, seria mais precisamente chamado de “duplo predeterminismo.” É a ideia de que a graça é balanceada pela ira, que Deus salva alguns e condena outros e que nenhum grupo tem algo a ver com o seu próprio destino. É precisamente desse tipo de simetria entre graça e ira que Paulo discordará. Olhe atentamente para o versículo 22; note o destino dos “vasos da ira.” Eles não são destruídos, mas suportados “com muita paciência.” Para que finalidade? Para mostrar as riquezas da misericórdia de Deus! Se alguma vez houve uma passagem na carta de Paulo onde ele poderia ter expressado a terrível simetria da graça e da ira, certamente é aqui. Todavia ele não faz isso. De fato, ele cuidadosamente a evitou. Que ele fez assim indica que, para Paulo, tal simetria não existe.

O mesmo ponto está claro mesmo nos versículos 17-18. A linguagem com que o versículo 17 é introduzido (grego  gar, dessa forma) indica que Paulo pretende que o versículo seja entendido como um exemplo do que é afirmado no versículo 16: O destino do povo escolhido depende da misericórdia de Deus. Mais uma vez, se, como a linguagem de Paulo deixa claro, o resultado lógico do versículo 17 é o versículo 18, o que mais uma vez afirma o direito de Deus de dispor sobre a história conforme ele julga adequado, esse resultado lógico é, todavia, mais uma vez estabelecido dentro do quadro de misericórdia. Esse quadro é fornecido, não apenas pelo contexto literário imediato (isto é, os vv. 15-16), mas pelo contexto histórico também. O resultado do endurecimento de Faraó foi o êxodo de Israel do Egito, para que o propósito de Deus de abençoar a humanidade por meio de um povo descendente de Abraão pudesse ser continuado. Era desse povo, como Paulo indicou, que o próprio Cristo veio (v. 5), o Cristo que é o redentor de todo aquele que crê nele, seja judeu ou grego (1.16). O endurecimento de Faraó é, portanto, para o propósito final de redenção, até mesmo da descendência de Faraó! Se alguém achar isto difícil de compreender, fique na companhia de Paulo, que irá resumir toda a discussão do plano de Deus para a redenção da humanidade em 11.33, onde, numa manifestação de uma feliz perplexidade, ele descreve os misteriosos caminhos do Deus de misericórdia.

A boa nova adicional, portanto, no que Paulo tem a dizer aqui está no fato que o Senhor da criação é um Pai misericordioso, que faz o que faz para servir a finalidade de sua misericórdia graciosa para sua criação rebelde.

O terceiro ponto que precisamos ter em mente é o fato de que Paulo está lidando nesta passagem com o lugar de Israel no plano de salvação de Deus. Ele não está tratando do destino de indivíduos. O que ele diz dos propósitos graciosos de Deus na execução desse plano tem significância, é claro, para nós como indivíduos, mas a passagem será mal compreendida se sua mensagem for tomada em termos individualistas. Se a passagem não contém nada de uma simetria de graça e ira em termos de inclusão no ou exclusão do povo de Deus, ela certamente não contém nada daquele tipo de simetria em relação aos indivíduos. Aqui ninguém encontrará na intenção de Paulo algo da “dupla predestinação” de indivíduos, e isso pelas duas razões que já mencionamos: Primeiro, a passagem não diz respeito a indivíduos; e segundo, Paulo fala da assimetria da graça de Deus, não da simetria de graça e ira. Por toda parte no argumento de Paulo até este ponto, a graça estava em preeminência: Ela chega àqueles que não a merecem (3.22-24; 5.8-10), é mais abundante do que o pecado (5.20-21) e interrompe o seu poder (6.22; 7.6), e não há nada que possa frustrá-la (8.38-39).

Certamente Paulo sabe do perigo que existe se alguém resistir à oferta graciosa da misericórdia de Deus a nós criaturas rebeldes. Se rejeitarmos essa oferta de misericórdia, corremos o risco de Deus honrar nossa escolha. Mas em lugar nenhum Paulo sugere que tal recusa é desejada, muito menos predeterminada, por Deus. Fosse assim, o ofício apostólico seria uma fraude e a proclamação do gracioso ato de Deus em Jesus de Nazaré e seu chamado para confiar naquele que Jesus chamou de “Pai” seria uma cilada e uma ilusão.

Antes, o propósito de Deus é graça e redenção. Mesmo nessa estranha progressão das reflexões de Paulo, onde, reconhecendo a total soberania de Deus, Paulo pode nutrir o pensamento de que até a rebelião humana está incluída no plano de Deus, é finalmente para os propósitos de misericórdia (veja 11.32). De fato, as únicas coisas que Paulo sabe serem irrevogáveis são os dons de Deus e Seu chamado de constituir Seu povo escolhido (11.29).

Essa é finalmente a boa nova do Evangelho a ser encontrada até mesmo no tipo de passagem aqui sob consideração: Deus é finalmente e desproporcionalmente um Deus de misericórdia e graça, que faz o que faz pelo bem de sua criação e sua final cura e redenção. Deus lida conosco, não na base do que somos, mas na base do que ele é: um Pai misericordioso.

Por causa do tipo de equívocos que podem colocar nesta passagem, particularmente entre aqueles que estão na tradição reformada, o professor deve tomar cuidado para que os estudantes entendam o que Paulo está realmente dizendo nestes versículos. Atenção cuidadosa deve ser prestada em particular aos três pontos delineados acima, de forma que pelo menos alguns dos equívocos populares sobre o pensamento de Paulo possam ser evitados. Estes versículos devem ser entendidos dentro do contexto mais amplo de graça e deve provavelmente ser tratados somente em situações que permitam o desenvolvimento de um entendimento desse contexto mais amplo. Considerados isoladamente, ou tendo como segundo plano o destino dos indivíduos, estes versículos quase inevitavelmente serão mal compreendidos.

A dificuldade está no fato que aqueles que entenderam estes versículos como afirmações de verdade eterna sobre como Deus lida com cada indivíduo, e não como uma afirmação de como Deus lidou com Israel na busca de seu plano para a redenção de sua criação rebelde, tenderam também a entender estes versículos em termos de um rígido e simétrico predeterminismo. Nesse predeterminismo, Deus determinou, antes de seu nascimento, se uma pessoa seria salva ou condenada. Nada que ela possa fazer alteraria esse fato. Aquelas que foram condenadas tiveram o que mereceram como criaturas rebeldes. Aquelas que foram salvas foram salvas somente pela graça. Mas a simetria de graça e ira não foi violada: Como Deus agiu com graça com algumas pessoas, ele agiu com ira com outras.

Isto simplesmente não é o que Paulo está dizendo nesta passagem. Ele não está escrevendo sobre o destino de cada indivíduo. Ele está fazendo uma afirmação sobre como Deus lidou com Israel, e continua a lidar com ele, mesmo diante de sua rejeição de Seu Filho, a saber, Deus lida com Israel com misericórdia, ainda que ele mereça ira. É por isso que irá distorcer completamente o ponto de Paulo aquele que supor que estes versículos me contam sobre o meu destino, ou o destino de qualquer pessoa, diante de Deus: se condenado ou salvo. Antes, o que estes versículos me contam é que o mesmo propósito gracioso em operação na eleição de Israel está agora em operação em um novo povo escolhido a quem eu posso agora também pertencer, por esse mesmo propósito gracioso de Deus. A passagem, portanto, trata da expansão da misericórdia de Deus para incluir os gentios, não sobre o restrito e predeterminado destino de cada indivíduo. Nós gentios agora podemos ser parte de seu propósito gracioso, podemos ser parte de Seu povo, escolhido pela graça através de Jesus Cristo. Esse é o ponto desta passagem.

Estes versículos são ricos em recursos para a pregação e podem ser conduzidos de diferentes formas, dependendo das necessidades da congregação. Os versículos seriam apropriados para um sermão sobre a graça de Deus, particularmente sobre o modo no qual a vinda de Cristo ampliou o âmbito dessa misericórdia para incluir os gentios também. Qualquer um que Paulo cita das passagens do Antigo Testamento seria um lição conveniente, e uma passagem como Mt 15.21-28, com sua expansão da misericórdia de Deus em Cristo também aos gentios (por causa da fé, v. 28!), seria uma leitura adequada do Evangelho.

A passagem também seria apropriada para um sermão sobre a natureza da igreja como povo de Deus, possibilitando que uma congregação entenda a si mesma em sua continuidade com o povo de Israel. Como co-membros do povo escolhido de Deus, assim como co-herdeiros de Abraão na fé, os cristãos verão que não têm motivos para qualquer tipo de sentimento antissemítico. Para a maioria dos membros da igreja, participantes de uma cultura que não é notável pelo seu conhecimento ou consideração por sua herança do passado, esta passagem forneceria uma compreensão da longa história da qual alguém torna-se herdeiro quando entra para a comunidade de fé. Como cristãos, temos Abraão como nosso pai também, e a história dos patriarcas e profetas é nossa história também. É uma história que precisamos conhecer e da qual podemos ser orgulhosos.

 

Fonte:  Romans, 159-165

 

Tradução: Paulo Cesar Antunes