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domingo, 2 de março de 2025

Modernismo e Pós-modernismo: Uma Jornada do Iluminismo à Reconfiguração Contemporânea

Por Walson Sales

O modernismo e o pós-modernismo representam marcos distintos na evolução do pensamento ocidental, cada um refletindo contextos históricos, culturais e filosóficos próprios. Enquanto o modernismo, enraizado no iluminismo, busca a razão, a objetividade e a verdade universal, o pós-modernismo emerge como uma resposta crítica, desafiando essas noções e enfatizando a relatividade, a pluralidade e a desconstrução de narrativas hegemônicas. Esta distinção fundamental entre os dois movimentos permite uma compreensão mais profunda das transformações ideológicas que moldam a sociedade contemporânea.

Modernismo: Uma Revolução no Pensamento Ocidental

O Modernismo representa um marco significativo na história do pensamento ocidental, desafiando tradições estabelecidas e inaugurando novas formas de entender o mundo. Esse movimento, que teve suas raízes na Era do Iluminismo, trouxe à tona uma série de questionamentos sobre a autoridade, a religião, a natureza humana e a razão. Com a transição do pensamento medieval para o moderno, a visão de mundo se transformou radicalmente, e essa mudança continua a reverberar na contemporaneidade.

A Era do Iluminismo e o Surgimento do Modernismo

A Era do Iluminismo, que se iniciou no século XVII, foi um período em que a razão e a ciência começaram a ganhar destaque sobre a fé e a tradição. Filósofos como René Descartes, com sua busca pela certeza e pela fundamentação do conhecimento, ajudaram a moldar uma nova perspectiva. Antes de Descartes, a visão de mundo era dominada pela autoridade bíblica e pela centralidade de Deus no universo. Com o iluminismo, novas ideias começaram a emergir, desafiando a estrutura de crenças que havia sustentado a sociedade por séculos.

Desafios à Autoridade Tradicional

Um dos aspectos mais notáveis do Modernismo é o questionamento das crenças estabelecidas. A fé em Deus, antes inabalável, passou a ser discutida por pensadores como Baruch Spinoza e David Hume, que abriram espaço para o agnosticismo e o ateísmo como opções viáveis. Esse movimento não apenas relativizou a autoridade religiosa, mas também incentivou uma reavaliação do papel da razão humana. A autonomia da razão tornou-se um princípio fundamental, sugerindo que a crença deveria ser sustentada apenas por evidências racionais e não por dogmas.

A Reavaliação da Natureza Humana

Outro desafio importante surgiu em relação à noção do pecado original. Pensadores como John Locke promoviam uma visão mais otimista da natureza humana, considerando os indivíduos como agentes morais capazes de cumprir as demandas éticas. Essa mudança de paradigma refletiu uma transição de uma visão pessimista, onde os humanos eram vistos como pecadores diante de um Deus irado, para uma compreensão mais positiva da humanidade, dotada de potencial para o bem.

A Crítica à Escritura

A confiança nas Escrituras, que antes era universalmente aceita tanto por católicos quanto por protestantes, também começou a ser questionada. O trabalho de pensadores como Spinoza e Jean LeClerc minou a crença na inerrância bíblica, levando a um ceticismo em relação à autoridade das Escrituras. Isso abriu espaço para uma crítica mais ampla às tradições religiosas e à forma como elas influenciavam a moralidade e a sociedade.

O Papel da Ciência e do Excepcionalismo Europeu

Além das críticas à religião e à moralidade, o iluminismo também celebrou os avanços da ciência, considerando-os como fundamentais para o progresso humano. A ideia de que a civilização europeia, especialmente a inglesa, era o ápice da realização humana, refletiu um sentimento de excepcionalismo que permeou o pensamento ocidental. Essa crença na superioridade europeia influenciou não apenas a filosofia, mas também a política e a cultura, moldando a trajetória do modernismo.

Desfecho

O Modernismo, alicerçado na Era do Iluminismo, trouxe consigo uma série de mudanças fundamentais que transformaram o pensamento ocidental. Ao desafiar a autoridade da religião, reavaliar a natureza humana e celebrar a razão e a ciência, esse movimento estabeleceu as bases para um novo paradigma que ainda influencia a sociedade contemporânea. A busca por uma compreensão mais racional e crítica do mundo continua a ser uma característica marcante da era moderna, preparando o terreno para os desafios e debates que emergiriam com o pós-modernismo.

Pós-modernismo: Desafios e Reconfigurações do Pensamento Contemporâneo

O pós-modernismo surge como uma resposta crítica e complexa ao modernismo, refletindo as incertezas e pluralidades da sociedade contemporânea. Enquanto o modernismo se fundamentava na crença na razão, na objetividade e na possibilidade de alcançar verdades universais, o pós-modernismo desafia essas premissas, propondo uma visão de mundo mais fragmentada e relativista. Aqui, exploraremos as principais características do pós-modernismo e seu impacto nas esferas intelectual, cultural e social.

Características Principais do Pós-modernismo

O pós-modernismo é um movimento multifacetado que pode ser melhor compreendido em relação ao modernismo. Suas características centrais incluem uma crítica ao otimismo iluminista em relação à razão e à objetividade, bem como um ceticismo em relação às narrativas abrangentes que moldaram a compreensão da realidade.

1. Ceticismo em Relação à Razão

Uma das premissas fundamentais do pós-modernismo é a rejeição da confiança iluminista na razão humana. Ao contrário da busca cartesiana pela certeza, o pós-modernismo argumenta que a certeza é, na verdade, uma ilusão. A ideia de que podemos ter acesso a verdades absolutas é questionada, sugerindo que a probabilidade deve substituir a certeza como nosso objetivo epistemológico final.

2. O Observador Situado

O conceito de que somos observadores neutros é uma ficção. O pós-modernismo enfatiza que nossa perspectiva é influenciada por preconceitos, limitações humanas e contextos sociais. O entendimento do mundo é, portanto, sempre parcial e situado, distorcido por nossas experiências e visões de mundo.

3. A Linguagem como Ferramenta Política

A linguagem, em vez de ser um meio transparente de acessar a realidade, é vista como uma ferramenta política e, às vezes, instável. Essa perspectiva questiona a ideia de que a comunicação é um reflexo fiel da verdade, apontando para as nuances e ambiguidades que a linguagem pode carregar.

4. A Construção da Verdade

Os pós-modernos são céticos em relação à ideia de uma realidade objetiva a ser descoberta. Eles argumentam que a verdade é uma construção social, moldada por contextos históricos e culturais. Essa visão é reforçada pelo trabalho de Thomas Kuhn, que ilustra como a ciência é permeada pela subjetividade humana.

5. A Rejeição do Eu Duradouro

O modernismo pressupunha a existência de um eu estável e duradouro. Os pós-modernos, por outro lado, rejeitam essa noção, considerando o eu como uma construção efêmera e multifacetada. Essa visão sugere que, em vez de um eu coerente, somos uma coleção de qualidades e experiências, sem um núcleo metafísico que as possua.

6. A Crítica às Narrativas Abrangentes

O pós-modernismo também se opõe às metanarrativas, grandes histórias que buscam explicar a totalidade da experiência humana, como o marxismo ou o cristianismo. Essas narrativas são vistas como opressivas e, portanto, devem ser rejeitadas. Essa crítica abre espaço para uma multiplicidade de vozes e perspectivas, mas também levanta questões sobre a ausência de um fio condutor comum.

7. A Ilusão da Objetividade

Historicamente, havia uma crença na objetividade metodológica em disciplinas como a história e as ciências sociais. O pós-modernismo contesta essa ideia, afirmando que os pesquisadores não conseguem transcender completamente suas circunstâncias e subjetividades.

8. A Natureza da Verdade

Com a ascensão do pós-modernismo na década de 1960, pensadores como Richard Rorty desafiaram a noção de que a verdade existe de forma objetiva e pode ser descoberta. Em vez disso, a verdade é vista como uma construção terapêutica, útil para lidar com os desafios da existência humana.

9. Limitações da Razão Humana

O otimismo iluminista sobre a capacidade da razão é radicalmente questionado. O pós-modernismo argumenta que a razão é limitada e deve ser circunscrita, rejeitando a ideia de que podemos alcançar uma compreensão total e abrangente da realidade.

Epílogo

O pós-modernismo representa uma ruptura significativa em relação ao modernismo, desafiando suas premissas centrais e propondo uma nova forma de entender o mundo. Essa corrente de pensamento nos convida a refletir sobre a complexidade da experiência humana, a pluralidade de perspectivas e as limitações de nossa própria razão. Através de uma análise crítica e equilibrada dos princípios pós-modernos, podemos apreciar sua relevância no contexto atual, reconhecendo tanto suas contribuições quanto suas limitações. O diálogo entre modernismo e pós-modernismo continua a moldar nosso entendimento do mundo contemporâneo e das verdades que buscamos.

Bibliografia Consultada e Sugerida

Modernismo

1. Hobsbawm, Eric J. A Era das Revoluções: Europa 1789-1848. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

2. Hegel, Georg Wilhelm Friedrich. Fenomenologia do Espírito. São Paulo: Editora 34, 2000.

3. Adorno, Theodor W.; Horkheimer, Max. A Dialética do Esclarecimento. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1985.

4. Lyotard, Jean-François. A Condição Pós-Moderna. Rio de Janeiro: José Olympio, 1984.

Pós-modernismo

 1. Baudrillard, Jean. Simulacros e Simulação. São Paulo: Editora Escuta, 1995.

2. Foucault, Michel. A Ordem do Discurso. São Paulo: Editora Mandarim, 1995.

3. Rorty, Richard. A Filosofia e o Espelho da Natureza. São Paulo: Editora Unesp, 1999.

4. Kuhn, Thomas S. A Estrutura das Revoluções Científicas. São Paulo: Editora Perspectiva, 1976.

5. Lyotard, Jean-François. O Pós-Moderno Explicado às Crianças. São Paulo: Editora 34, 1996.

 Obras Complementares

1. Eco, Umberto. O Nome da Rosa. São Paulo: Companhia das Letras, 1986.

2. Jameson, Fredric. Pós-modernismo, ou a Lógica Cultural do Capitalismo Tardio. São Paulo: Editora Ática, 1991.

3. Harvey, David. A Condição Pós-Moderna: Uma Pesquisa sobre as Origens do Mudança Cultural. São Paulo: Edusp, 1992.

4. Bhabha, Homi K. A Localização da Cultura. São Paulo: Editora UFMG, 1998.

Essa bibliografia abrange uma variedade de perspectivas sobre modernismo e pós-modernismo, proporcionando uma base sólida para uma compreensão mais aprofundada desses movimentos.

Obras Cristãs em Refutação ao Modernismo e Pós-modernismo

1. Kuyper, Abraham. A Raiz da Ciência. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2013.

2. Plantinga, Alvin. Warranted Christian Belief. Oxford: Oxford University Press, 2000.

3. Van Til, Cornelius. A Survey of Christian Epistemology. Phillipsburg: P&R Publishing, 1969.

4. MacIntyre, Alasdair. Após a Virtude. São Paulo: Editora Loyola, 1990. (Embora não estritamente cristão, aborda a ética em um contexto filosófico que refuta o pós-modernismo).

5. Carson, D. A. The Gagging of God: Christianity Confronts Pluralism. Grand Rapids: Zondervan, 1996.

Essas obras oferecem uma perspectiva cristã que desafia as premissas do modernismo e do pós-modernismo.

quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Série de verbetes: Pequenos textos, grandes insights - Canaã, Cananeus

 Série de verbetes: Pequenos textos, grandes insights - Canaã, Cananeus.

 

Canaã, Cananeus (kay'nuhn, kay'nuh-nits), o antigo nome de um território e seus habitantes que incluíam partes do que hoje é Israel (com territórios ocupados) e o Líbano. A origem e etimologia do nome "Canaã" permanecem obscuras. Presumivelmente é um termo Semítico, mas o esforço para ligar Canaã à palavra Acadiana kinahhu, referindo-se à vermelhidão de uma tintura de lã, é problemático. A palavra "cananeu" já ocorre no terceiro milênio a.C. nos textos de Ebla.

Esfera de influência: No uso adequado, o termo "Canaã" parece ter se referido a uma região discreta cujos limites precisos não podem ser determinados no momento. Em Ugarit, na costa Síria do Mar Mediterrâneo, Canaã era considerada uma região situada ao sul. As cartas do final da Idade do Bronze dos arquivos de Amarna frequentemente se referem a Canaã e às vezes dão a impressão de um uso discriminatório do termo. Rib-Addi, um rei de Biblos, afirmou que Biblos era em Canaã. Os assuntos de Sidon e Hazor foram considerados assuntos Cananeus. Em outras ocasiões, no entanto, as cartas de Amarna usam a palavra "Canaã" de forma ampla, e assim uma carta de Tiro implica que Ugarit era uma cidade Cananéia, contradizendo a visão nativa da própria Ugarit. O uso da palavra "Canaã" na Bíblia reflete tanto a precisão quanto a imprecisão do termo. A "Tabela das Nações" de Gênesis estabelece os limites de Canaã da seguinte maneira: de Sidon a Gerar, perto de Gaza, e do leste, até Sodoma, Gomorra, Admah e Zeboim até Lasha (Gênesis 10:19). A Bíblia em outro lugar fala de Canaã com um referente menos preciso em vista.

A distinção do termo "Canaã" foi obscurecida nos escritos modernos. "Cananeu" agora serve como um adjetivo para qualquer aspecto da cultura Semita pré-israelita da Terra Santa. Assim, as línguas Cananéias incluem não apenas os dialetos de Canaã propriamente ditos, mas por extensão todos os membros de uma família de línguas intimamente relacionadas com o Fenício e o Hebraico, uma família que às vezes se diz incluir o Ugarítico. Visto que a cultura cananéia se misturou com a cultura das regiões circunvizinhas, a civilização Cananéia é estudada não apenas a partir dos registros e evidências de Canaã propriamente dita, mas também das evidências (mais abundantes) do mundo Siro-Palestino mais amplo.

Sociedade e religião: Antes do surgimento de Israel (final do século XIII a.C.), Canaã era politicamente organizada em pequenos principados centralizados em torno das principais cidades da Palestina. A correspondência de Amarna entre os faraós Egípcios e os reis dos estados Cananeus apresenta um esboço vívido de conflitos mesquinhos e intrigas políticas na terra. A ação combinada dos governantes de Canaã era rara, o que deixou o campo vulnerável à invasão dos Filisteus e permitiu no final o desenvolvimento do antigo estado de Israel. Existem histórias na Bíblia sobre alianças Cananéias contra Israel (Js 9: 1-2; 10: 1-5), mas tais incidentes devem ter sido excepcionais. A extensão do problema da fragmentação cananéia é sugerida pela lista de reis e reinos que caíram diante de Josué (Josué 12: 7-24): trinta e um governantes e principados são contabilizados nesta pequena região.

As principais cidades de Canaã localizavam-se em sua maior parte em regiões agrícolas, especialmente nas planícies férteis do interior. Os Cananeus gozavam da reputação de serem comerciantes e os Fenícios e outros habitantes costeiros de serem marinheiros. A própria palavra "Cananeu" passou a significar "comerciante" (Zacarias 14:21). No entanto, a agricultura era uma preocupação vital de Canaã.

As festas religiosas de Canaã eram, na medida em que são conhecidas ou deduzidas, devotadas aos interesses do fazendeiro e do vinicultor. Israel provavelmente herdou seu ciclo de festivais de colheitas da população Cananéia da Palestina (Êxodo 23: 14-17). A religião Cananéia parece ter colocado ênfase da fertilidade no mundo natural. A sexualidade do culto, uma característica da religião Cananéia desprezada por Israel, pode ter sido ligada à tarefa de manter a fecundidade das lavouras e dos rebanhos. Os deuses dos Cananeus estavam de várias maneiras envolvidos nos ciclos de vida da natureza. O poderoso deus da tempestade Baal era quem doava a chuva. Seu adversário, Mot, era um deus da morte e da esterilidade. A habilidade dos deuses e deusas de se acasalar e sua posição no cosmos estavam diretamente ligados ao destino dos seres humanos e de suas colheitas e animais. A agricultura Palestina dependia da chuva e, portanto, a qualidade das chuvas de outono e inverno era uma preocupação religiosa central dos Cananeus.

A sociedade Cananéia era estratificada. Ficamos com a impressão de uma pequena classe favorecida cercada por uma população maior sujeita a vários controles e sob o peso de uma variedade de impostos e outras imposições. A descrição de Samuel dos direitos de um rei (1 Sm. 8: 11-18) é geralmente considerada como um bom relato do padrão da realeza Cananéia, embora sua inspiração fosse a realeza em Israel.

Canaã e os Israelitas Bíblicos: Na Bíblia, Canaã é filho de Cam e neto de Noé. Ele aparece pela primeira vez na história da embriaguez de Noé (Gênesis 9: 18-27). Aqui, o pai de Canaã, Cam, incita a ira de Noé ao "olhar para a nudez" do bêbado Noé, e em retribuição por esta conduta imprópria, Noé amaldiçoa o filho de Cam, Canaã. Canaã deve ser escravo, uma maldição que pode refletir no destino de alguns elementos da população Cananéia em Israel (Juízes 1:28). Visto que "olhar para a nudez" de alguém sugere uma ofensa sexual, a história pode expressar o desdém de Israel pela moralidade sexual do mundo Cananeu.

Canaã aparece em seguida na "Tabela das Nações" (Gênesis 10: 6; 15-20) como irmão de Pute (Líbia), Cushe (Etiópia) e Egito. Ele é considerado o pai de Sidon, Heth, dos Jebuseus e de uma multidão de outros povos que viviam na terra de Israel. Isso expressa na forma de genealogia a geografia humana do antigo Israel: os Cananeus foram os habitantes mais recentes de grande parte da terra que se tornou Israel. Este fato é expresso de mais de uma maneira no AT. O nome de Canaã junto com os nomes de alguns de seus "filhos" podem ser combinados no que tem sido chamado de "fórmula de nome Deuteronomista" (Deuteronômio 7: 1) para denotar a população nativa da terra. O Yahwista chama os habitantes nativos da terra simplesmente de "Cananeus" (Gênesis 12: 6), enquanto o Eloísta prefere o termo "Amorreus" (Números 21:13).

Israel era hostil a Canaã. Israel detestava muito do que estava associado à religião Cananéia e considerava os modos de vida dos Cananeus abomináveis. A literatura de Israel clama pela erradicação da religião Cananéia junto com o povo Cananeu (Deuteronômio 20: 16-18). No entanto, pode-se reconhecer que Israel deve muito ao legado de Canaã. Os enclaves Cananeus foram incorporados à população de Israel. A linguagem e o pensamento religioso Cananeu influenciaram a religião de Israel. Esses lados positivos da relação entre Israel e Canaã precisam ser apreciados juntamente com o reconhecimento do conflito entre as culturas Cananéia e Israelita.

 

Bibliografia:

Gray, John. The Legacy of Canaan. Leiden: E. J. Brill, 1957.

 

R.M.G.

 

Fonte:

ACHTEMEIER, Paul J. (GENERAL EDITOR) The HarperCollins Bible Dictionary (Revised Edition). New York, NY: Society of Biblical Literature, 1985

 

Tradução Walson Sales

quarta-feira, 29 de setembro de 2021

Série de verbetes: Pequenos textos, grandes insights – Apóstolo

 Série de verbetes: Pequenos textos, grandes insights – Apóstolo

 

Apóstolo, a transliteração em inglês de uma palavra grega que significa "aquele que é enviado". Um apóstolo é um mensageiro ou enviado pessoal, comissionado para transmitir a mensagem ou realizar as instruções do agente que o comissionou.

Nos Evangelhos do NT, o termo é comumente associado ao círculo interno especial dos discípulos de Jesus, escolhidos e comissionados por ele para acompanhá-lo durante seu ministério, receber seus ensinamentos, observar suas ações, e seguir suas instruções. Assim, eles são qualificados de maneira singular tanto para autenticar sua mensagem quanto para continuar seu trabalho por meio do ministério da igreja.

Listas apostólicas aparecem em Mt. 10: 2-4; Marcos 3: 16-19; Lucas 6: 13-16; e Atos 1:13. Cada uma das listas contém doze nomes, mas nem sempre os mesmos doze. O número doze provavelmente se refere aos eleitos de Deus, as doze tribos de Israel, que colonizaram Canaã após o Êxodo. Nesse caso, doze é um número simbólico, significando a atividade salvadora de Deus em Jesus e seus seguidores.

A natureza exata do "apostolado" na igreja primitiva é obscura. Em Atos 1: 21-26, a qualificação de Matias, escolhido apóstolo após a morte de Judas, é ser testemunha ocular: ele esteve presente com Jesus desde o tempo de João Batista até a morte e ressurreição de Jesus. "Pedro e os apóstolos", centralizados em Jerusalém, são os líderes reconhecidos e a força orientadora do desenvolvimento da igreja de acordo com os primeiros capítulos de Atos. O apóstolo Paulo também é uma testemunha ocular (1 Co. 9: 1), mas provavelmente apenas do Jesus ressuscitado, não do Jesus em seu ministério (veja 1 Co. 15: 8). Outra prova de seu apostolado foi derivada da natureza e do papel que ele ocupou na missão e expansão da igreja entre os gentios (Atos 9: 15-16; 15: 1-35; Gl. 2: 1-10). Embora Atos hesite em se referir a Paulo como apóstolo (mas veja 14.14), ele mesmo, em suas Cartas, insiste no título (especialmente Gálatas 1.1; cf. 11-12). A designação de Barnabé (Atos 14:14) e Andrônico e Júnias (Rm. 16: 7) como apóstolos é mais difícil de explicar, exceto em termos etimológicos mais gerais. No segundo século, o termo não identifica mais um cargo da igreja. Em Heb. 3: 1, Jesus é o "apóstolo", aquele enviado por Deus.

 

P.L.S

 

Fonte:

ACHTEMEIER, Paul J. (GENERAL EDITOR) The HarperCollins Bible Dictionary (Revised Edition). New York, NY: Society of Biblical Literature, 1985

 

Tradução Walson Sales

terça-feira, 28 de setembro de 2021

Série de verbetes: Pequenos textos, grandes insights – Dagon

 Série de verbetes: Pequenos textos, grandes insights – Dagon.

 

Dagon (day'gon), uma antiga divindade Semítica atestada na área do norte da Mesopotâmia desde o final do terceiro milênio e em toda a área semítica Ocidental até os tempos bíblicos. A etimologia do nome é contestada; A derivação da tradução de Jerônimo do hebraico dag, "peixe", é forçada. Mais provável é a raiz atestada em Árabe dagana, "estar nublado, chuvoso", apropriado a um deus da chuva e da fertilidade. A palavra Semítica comum do Noroeste para grão, dagan, deve ser derivada do deus da fertilidade, como o Latim ceres, "pão, grão", do deus Ceres. Os textos de Ugarit não fornecem informações sobre esse deus, exceto que ele é o pai de Baal Haddu, o principal deus da fertilidade em Ugarit; Dagon tinha um templo em Ugarit, então ele deve ter sido homenageado nos cultos públicos.

Os Filisteus, depois de se estabelecerem na costa da Palestina no século 12 a.C., homenagearam Dagom. A Bíblia vê o deus como o deus principal dos Filisteus, pelo menos como o deus a quem se dá graças após a vitória. Em 1 Sm. 5: 2-7, Deus representado pela Arca capturada no templo de Asdode faz com que a estátua de Dagom caia diante dele; a segunda queda destrói a estátua. Em Jz. 16:23, o preso Sansão puxa para baixo em torno de sua cabeça o templo de Dagom com a ajuda de Deus. De acordo com 1 Cr. 10:10, os Filisteus penduraram a cabeça de Saul como um troféu no templo de Dagom, provavelmente em Bete-Sei (cf. 1 Sm. 31:12). 1 Macabeus 10:83 e 11: 4 mencionam um templo de Dagom em Ashdod. Os nomes dos lugares Bete-Dagom em Judá (Josué 15:41) e Bete-Dagom em Aser (Josué 19:27) preservam o nome da divindade.

 

R.J.C.

 

Fonte:

ACHTEMEIER, Paul J. (GENERAL EDITOR) The HarperCollins Bible Dictionary (Revised Edition). New York, NY: Society of Biblical Literature, 1985

 

Tradução Walson Sales

sábado, 25 de setembro de 2021

Série de verbetes: Pequenos textos, grandes insights – Áquila

 Série de verbetes: Pequenos textos, grandes insights – Áquila.

 

Áquila (ak'wi-luh), de acordo com Atos 18: 2-3, um Cristão Judeu do Ponto na Ásia Menor que, como Paulo, era fabricante de tendas (ou couro) por profissão. Junto com sua esposa Prisca (nas Cartas de Paulo) ou Priscila (em Atos), ele foi expulso de Roma por decreto do imperador Cláudio, provavelmente em 49/50 d.C. Sendo da mesma fé e ocupação, Paulo hospedou-se com Áquila e Priscila durante sua estada em Corinto, e eles se tornaram alguns dos cooperadores mais confiáveis de Paulo. Como donos de propriedades e demonstrando capacidade de viajar amplamente, Áquila e Priscila aparentemente possuíam recursos financeiros consideráveis. Para o escritor de Atos, eles são modelos do Cristão ideal: amigáveis, hospitaleiros e generosos com suas riquezas. De acordo com Atos (18: 18-19), Áquila e Priscila deixaram Corinto com Paulo, acompanharam-no a Éfeso, aparentemente estabeleceram uma casa-igreja ali (ver 1 Co. 16:19), e mais tarde instruíram Apolo quando este veio para Éfeso (Atos 18: 24-26). Se Romanos 16 é parte integrante da Carta Romana de Paulo (o que é questionado por alguns), eles aparentemente voltaram a Roma após a revogação do edito de Cláudio em 54 d.C; caso contrário, eles provavelmente permaneceram em Éfeso (Rm. 16: 3-5a).

 

A.J.M

 

Fonte:

ACHTEMEIER, Paul J. (GENERAL EDITOR) The HarperCollins Bible Dictionary (Revised Edition). New York, NY: Society of Biblical Literature, 1985

 

Tradução Walson Sales

quinta-feira, 23 de setembro de 2021

Série de verbetes: Pequenos textos, grandes insights – Apolo

 Série de verbetes: Pequenos textos, grandes insights – Apolo.

 

Apolo (uh-pol'uhs), um Cristão Judeu de Alexandria que aparece na narrativa de Atos (18: 24-19: 1) e em 1 Coríntios. De acordo com Atos, ele possuía grande habilidade na retórica Grega e já havia aprendido muito sobre Jesus quando chegou a Éfeso e começou a falar na sinagoga. Suas habilidades logo chamaram a atenção dos Cristãos Priscila (Prisca) e Áquila, que lhe deram mais instruções na fé Cristã ("ele conhecia apenas o batismo de João"; Atos 18:25). Apolo então deixou Éfeso para ir para Corinto. De acordo com um texto antigo (Codex Bezae), ele foi recebido com entusiasmo em Corinto (Atos 18:27). Enquanto estava em Corinto, ele conheceu Paulo. Quando surgiram divisões na igreja de Corinto, Apolo foi admirado por alguns Cristãos como uma autoridade maior do que Paulo, talvez por causa de sua reputação como orador (1 Cor. 1: 11-4: 6). Aparentemente, Apolo não encorajou esse sentimento: depois de voltar para Éfeso, ele resistiu ao convite de Paulo para fazer outra visita a Corinto (1 Coríntios 16:12). Uma breve menção de Apolo é feita em Tito 3:13.

 

Fonte:

ACHTEMEIER, Paul J. (GENERAL EDITOR) The HarperCollins Bible Dictionary (Revised Edition). New York, NY: Society of Biblical Literature, 1985

 

Tradução Walson Sales

terça-feira, 21 de setembro de 2021

Série de verbetes: Pequenos textos, grandes insights - Adultério

 Série de verbetes: Pequenos textos, grandes insights - Adultério.

 

Adultério. Relações sexuais ilícitas com outra pessoa que não o cônjuge. No Antigo Testamento, o adultério tinha uma definição precisa e limitada: relações sexuais entre uma mulher casada (ou prometida) e qualquer outro homem que não seu marido. O adultério, portanto, era cometido apenas contra o marido, nunca contra a esposa. Era considerada uma transgressão das mais graves (Êxodo 20:14; Deuteronômio 5:18; Lv 18:20), a ser punida com a morte de ambas as partes (Deuteronômio 22: 22-24). Não há evidência real de que essa punição tenha sido executada, mas pode ter sido em certos casos, e a ameaça de execução ainda existia no primeiro século (cf. João 7: 53-8: 11). A lei provavelmente pretendia garantir que qualquer filho nascido da esposa fosse realmente filho do marido, uma vez que era considerado crucial que o marido tivesse filhos, para que o sobrenome pudesse ser perpetuado.

No período do NT, parece que a definição de adultério foi ampliada em seu escopo. Por exemplo, o ensino de Jesus foi entendido como significando que um marido agora poderia ser responsabilizado por cometer adultério contra sua esposa (Mateus 5:32; Marcos 10:11; Lucas 16:18). O adultério foi proibido por vários escritores do NT (Rm. 13: 9; Gl. 5:19; Tiago 2:11).

O adultério às vezes era usado como um símbolo da infidelidade do povo para com Deus (por exemplo, Os. 9: 1; Mt. 12:39).

 

J.M.E.

 

Fonte:

ACHTEMEIER, Paul J. (GENERAL EDITOR) The HarperCollins Bible Dictionary (Revised Edition). New York, NY: Society of Biblical Literature, 1985

 

Tradução Walson Sales

domingo, 19 de setembro de 2021

Série de verbetes: Pequenos textos, grandes insights - O Aramaico

 Série de verbetes: Pequenos textos, grandes insights - O Aramaico

 

O Aramaico (air'uh-may'ik), uma língua semítica intimamente relacionada ao Hebraico. É falada no Levante [região Síria-Palestina] desde o século IX a.C. até o presente em uma variedade de dialetos. Originou-se entre os Arameus do norte da Síria, supostamente entre os ancestrais de Abraão (Gênesis 28: 2-5; Deuteronômio 26: 5). Quando os Assírios conquistaram os Arameus, os escribas Arameus dentro da burocracia do império transformaram o Aramaico em uma língua universal do Oriente Próximo, que perdurou do século VIII ao IV a.C. O Aramaico continuou em uso generalizado em vários dialetos durante o período do NT até a conquista Árabe (século sétimo d.C.). Várias passagens do AT são escritas em Aramaico oficial (Esdras 4: 8-6: 18; 7: 12-26; Dn. 2: 4-7: 28; Jr. 10: 10-11; Gn. 31:47). Jesus provavelmente falava um dialeto do Aramaico Ocidental e algumas palavras no NT vêm do Aramaico, por exemplo, "Talitha Cumi", "Maranatha" e "Gólgota". Os Manuscritos do Mar Morto, as inscrições e muitos documentos mostram que o Aramaico era de uso comum durante o primeiro século d.C. Nos séculos seguintes, o Aramaico se dividiu em vários dialetos. Siríaco, uma forma de Aramaico, era usado pelos Cristãos na Síria; O Aramaico Palestino Judaico foi usado na composição do Talmude Palestino e o Aramaico Babilônico no Talmude Babilônico. Targums são traduções Judaicas do AT em Aramaico para as pessoas comuns na sinagoga.

 

A.J.S.

 

Fonte:

ACHTEMEIER, Paul J. (GENERAL EDITOR) The HarperCollins Bible Dictionary (Revised Edition). New York, NY: Society of Biblical Literature, 1985

 

Tradução Walson Sales

domingo, 1 de agosto de 2021

Dicionários - Richard Watson - Dicionário Bíblico e Teológico


ACADÊMICOS, nome dado àqueles filósofos que adotaram as doutrinas de Platão. Eles foram assim chamados por causa da  Academia, um bosque perto de Atenas, onde eles freqüentemente se entregavam às suas contemplações. Dizem que a Academia deriva seu nome de um tal de Academo, um deus ou herói popularmente assim chamado. Dessa forma, Horácio,

 

Atque inter sylvas Academi quaerere verum.

[E nos bosques de Academo para procurar a verdade.]

 

Os acadêmicos são divididos em: os da primeira academia, que ensinavam as doutrinas de Platão em sua pureza original; os da intermediária ou segunda academia, que diferiam substancialmente dos primeiros, e se inclinavam ao ceticismo; e os da nova academia. A escola intermediária afirmou como princípio que não devemos confiar em nossos sentidos e em nossa razão, mas que nos casos triviais devemos nos adaptar às opiniões recebidas. A nova academia sustentava que não temos meio de distinguir a verdade, e que as aparências mais evidentes podem nos conduzir ao erro. Eles admitiam ao homem sábio uma opinião, mas negavam-lhe certeza. Eles criam, entretanto, que era melhor seguir a maior probabilidade, o que era suficiente para todos os propósitos úteis da vida, e afirmavam regras para a obtenção da felicidade. A diferença entre a academia intermediária e a nova parece ter sido esta, que embora eles concordam quanto à imbecilidade da natureza humana, todavia a primeira negava que as probabilidades serviam para alguma coisa na busca pela felicidade, e a última as considerava como proveitosas para tal finalidade. A primeira recomendava uma conformidade com as opiniões recebidas, e a última permitia aos homens suas próprias opiniões. Na primeira academia, Speusipo ocupou a cátedra; na segunda, Arcesilau; e na nova ou terceira academia, Carneiades.

quinta-feira, 29 de julho de 2021

Richard Watson - Dicionário Bíblico e Teológico


ACESSO, livre admissão, entrada aberta. Nosso acesso a Deus é por Jesus Cristo, o caminho, a verdade e a vida, Rm 5.2; Ef 2.18. Sob a lei, apenas o sumo sacerdote tinha acesso ao santo dos santos; mas quando o véu do templo foi rasgado em dois, na morte de Cristo, foi declarado que um novo e vivo caminho de acesso fosse revelado através do véu, em outras palavras, sua carne. Por sua morte, também, a parede intermediária da separação foi demolida, e ambos, judeus e gentios, tinham livre acesso a Deus; enquanto que, anteriormente, os gentios não tinham acesso mais próximo à adoração do templo do que ao portão da corte de Israel. Dessa forma, a graça salvadora e os elevados privilégios do Evangelho são igualmente conferidos aos crentes genuínos de todas as nações.

terça-feira, 27 de julho de 2021

Arrependimento


Dwight Lyman Moody

 

Vocês irão encontrar o meu texto esta noite no capítulo 17 de Atos, parte do versículo 30: “Anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam.” Tenho ouvido uma série de queixas sobre a pregação aqui no Tabernáculo de que o arrependimento não tem sido abordado. O fato é que eu nunca tive grande sucesso na pregação sobre o arrependimento. Quando prego sobre ele, as pessoas não se arrependem. Tenho muito mais sucesso quando prego sobre a bondade de Cristo. Mas esta noite eu vou pregar sobre o arrependimento, assim vocês não terão mais do que reclamar. Creio no arrependimento tanto quanto creio na Palavra de Deus.

 

Quando João Batista veio pregar ao povo judeu, seu clamor era “Arrependei-vos! Arrependei-vos!” Mas quando Cristo veio, ele mudou para “O sangue do Cordeiro que tira o pecado do mundo.” Prefiro clamar “O sangue do Cordeiro que tira o pecado do mundo,” e em seguida falar sobre o arrependimento. E quando Cristo veio, nós o encontramos dizendo: “Arrependei-vos,” mas logo ele lhes apontava algo mais elevado – ele lhes contava sobre a bondade de Deus. É a bondade de Deus que produz o arrependimento. Quando no Dia de Pentecostes eles perguntaram o que fazer para serem salvos, nós o encontramos dizendo aos homens: “Arrependei-vos, cada um de vós.” Quando Cristo enviou os seus discípulos a pregar, dois a dois, notamos que a mensagem que Ele lhes deu para anunciar era: “Arrependei-vos, pois o Reino dos Céus está próximo.” Ele é claramente pregado por toda a Escritura.

 

Há muita confusão entre as pessoas sobre o que realmente é o arrependimento. Se você perguntar às pessoas o que ele é, elas vão dizer “É lamentar-se.” Se você perguntar a um homem se ele se arrependeu, ele irá dizer a você: “Oh, sim, eu geralmente lamento os meus pecados.” Isso não é arrependimento. Arrependimento é algo mais do que lamentar-se. O arrependimento é dar meia volta e abandonar o pecado. Eu queria falar no domingo sobre aquele versículo em Isaías, que diz: “Deixe o ímpio o seu caminho, e o homem maligno os seus pensamentos.” O arrependimento é isso. Se um homem não se converter do seu pecado, ele não será aceito por Deus, e se a justiça não produzir uma mudança – uma mudança de má para boa – não é verdadeira justiça.

 

As pessoas não convertidas têm a ideia de que Deus é seu inimigo. Agora, deixe-me enfatizar, e eu disse a vocês a mesma coisa na outra noite, que Deus odeia o pecado com um ódio perfeito; Ele irá punir o pecado onde quer que o encontrar, mas Ele, ao mesmo tempo, ama o pecador, e quer que ele se arrependa e se converta a Ele. Se os homens somente se converterem, eles irão encontrar misericórdia, e a acharão exatamente no momento em que se voltarem para Ele. Vocês encontrarão homens se lamentando por suas más ações. Caim, sem dúvida, lamentou-se, mas aquilo não era o verdadeiro arrependimento. Não há clamor registrado nas Escrituras vindo dele: “Ó meu Deus, ó meu Deus, me perdoe.” Não houve arrependimento em seu lamento unicamente. Olhe para Judas. Não há sinal de que ele se voltou para Deus – nenhum sinal de que ele veio a Cristo pedindo perdão. No entanto, provavelmente, ele se lamentou. Ele ficou, muito provavelmente, cheio de remorso e desespero, mas ele não se arrependeu. O arrependimento é voltar-se para aquele que nos amou e se entregou por nós.

 

Olhe para o rei Saul, e veja a diferença entre ele e o rei Davi. Davi caiu tanto quanto Saul e mais ainda – ele caiu de um ponto mais alto, mas qual foi a diferença entre os dois? Davi virou-se para Deus e confessou o seu pecado e foi perdoado. Mas olhe para o rei Saul. Não houve arrependimento, e Deus não poderia salvá-lo até que ele se arrependesse. Vocês irão notar, por todas as Escrituras, que quando os homens se arrependeram, Deus os perdoou. Olhe para o publicano, quando ele subiu para orar. Ele sentia tanto o seu pecado que não podia olhar para o céu – tudo o que podia fazer era golpear o seu coração e clamar “Deus, perdoe-me que sou um pecador.” Houve uma volta para Deus – arrependimento, e o homem desceu para a sua casa perdoado. Olhe para o filho pródigo. Seu pai não poderia perdoá-lo enquanto ele ainda estivesse em terra estrangeira e desperdiçando seu dinheiro numa vida desregrada, mas quando ele voltou para casa arrependido, quão depressa esse pai o perdoou – quão rápido ele veio ao seu encontro com a palavra de perdão. Não teria feito bem algum em perdoar o rapaz enquanto ele estivesse naquele país estrangeiro sem ter se arrependido. Ele teria desprezado todos os favores e bênçãos de seu pai. Essa é a posição do pecador perante Deus. Ele não pode ser perdoado e obter Sua bênção até que se aproxime de Deus e se arrependa de todos os seus pecados e peça a bênção.

 

Agora, lemos nas Escrituras que Deus nos trata como um pai a um filho. Pais e mães, vocês que têm filhos, deixem-me perguntar a título de ilustração. Suponha que você vai para casa, e descobre que enquanto estava aqui, o seu menino foi até a sua gaveta particular e roubou US$5 de seu dinheiro. Você vai até ele e diz: “João, você pegou esse dinheiro?” “Sim, pai, peguei o dinheiro,” ele responde. Quando ouvi-lo dizer isso sem algum aparente pesar, você não vai perdoá-lo. Você quer que ele tenha consciência. Você sabe que seria prejudicial perdoá-lo, a menos que ele confesse seu erro. Suponha que ele não queira fazer isso. “Sim,” ele diz, “roubei seu dinheiro, mas não acho que fiz algo de errado.” Nem a mãe e nem o pai pode perdoá-lo, a menos que ele veja que fez alguma coisa de errado, e peça perdão.

 

Esse é o problema com os pecadores em Chicago. Eles se voltaram contra Deus, quebraram Seus mandamentos, pisotearam Sua lei, e seus pecados estão sobre eles. Até que mostrem sinais de arrependimento, seus pecados permanecerão. Mas no momento em que virem sua iniquidade e chegarem a Deus, o perdão lhes será dado e sua iniquidade será retirada de seus caminhos. Uma pessoa me disse um outro dia, “É o meu pecado que está entre mim e Cristo.” “Não é,” respondi, “é a sua própria vontade.” Isso é o que se interpõe entre o pecador e o perdão. Cristo jogará para longe todas as suas iniquidades se você quiser. Os homens são tão orgulhosos que não querem reconhecer e confessar diante de Deus. Não é evidente que, se seu garoto não se arrepender você não pode perdoá-lo, e como Deus pode perdoar o pecador se ele não se arrepender? Se Ele permitisse que um pecador impenitente entrasse em Seu Reino, haveria guerra no céu nas 24 horas do dia. Você não pode viver em uma casa com um menino que rouba tudo o que estiver ao seu alcance. Você teria que bani-lo de sua casa.

 

Olhe para o rei Davi com seu filho Absalão. Depois de ter sido mandado embora, Absalão pede aos seus amigos para interceder por ele para voltar a Jerusalém. Eles tiveram sucesso em conseguir a volta dele para a cidade, mas alguém disse ao rei que ele não estava arrependido, e seu pai não iria vê-lo. Depois de estar em Jerusalém por algum tempo, tentando fazer o seu melhor para ter a confiança e a posição novamente, mas sem arrependimento, ele enviou um amigo, Joabe, ao rei, e disse ao seu amigo para dizer a seu pai: “Examina-me, e se não encontrar iniquidade em mim, me aceite em casa.” Ele foi perdoado, mas a maior tolice que o rei Davi fez foi perdoar esse jovem príncipe. Qual foi o resultado? Ele tirou Davi do trono. Isso é o que o pecador faria se ele entrasse no céu sem arrependimento. Ele iria querer justamente tirar Deus do trono – remover a sua coroa. Nenhum pecador impenitente pode entrar no Reino dos Céus.

 

Infelizmente, algumas pessoas dizem, “Creio na misericórdia de Deus; não creio que Deus permita que alguém se perca; creio que todos vão chegar ao céu.” Olhe para aqueles antediluvianos. Você acha que Ele varreu todos os pecadores, todos aqueles homens e mulheres que foram muito maus para viver na terra – você acredita que Ele varreu a todos para o céu, e deixou o único homem justo enfrentar o dilúvio? Você acha que Ele iria fazer isso? Todavia muitos homens acreditam que todos irão para o céu. O dia virá quando você irá acordar e saber que foi enganado pelo diabo. Nenhum pecador impenitente jamais chegará ao céu. A menos que abandonem os seus pecados, eles não podem entrar lá. A lei de Deus é muito clara sobre este ponto: “Se o homem não se arrepender.” Essa é a linguagem das Escrituras. E uma vez que isso é tão claramente estabelecido, por que é que os homens cruzam seus braços e dizem, “Deus vai me levar ao céu de qualquer maneira”?

 

Suponha que um governador eleito hoje tome posse de seu cargo em poucos meses e encontre um grande número de criminosos na prisão, e vai e diz: “Sinto por esses prisioneiros. Eles não podem mais ficar na cadeia.” Suponha que alguns assassinatos tenham sido cometidos, e ele diz: “Tenho coração mole, não posso punir esses homens” e ele abre a porta da prisão e deixa todos saírem. Quanto tempo o governador ficaria no cargo? Os próprios homens que dependem da misericórdia de Deus seriam os primeiros a levantar a voz contra esse governador. Estes homens diriam: “Estes assassinatos devem ser punidos ou a sociedade estará em perigos; a vida não será segura,” e todavia eles acreditam na misericórdia de Deus, quer eles se arrependam ou não. Meus queridos amigos, não se iludam com isso. É um laço do diabo. Digo a vocês que a Palavra de Deus é verdadeira e ela nos diz que “Se o homem não se arrepender,” não há um raio de esperança estendida. Que o Espírito de Deus abra seus olhos esta noite e mostre a vocês a verdade – deixe-a entrar em seus corações. Deixe o ímpio o seu caminho e o maligno os seus pensamentos.

 

Agora, meus amigos, arrependimento não é medo. Muitas pessoas dizem que eu não exalto os pavores da religião. Eu não quero – não quero assustar os homens no Reino de Deus. Não acredito na pregação dessa forma. Se eu conseguisse algumas pessoas dessa forma, elas logo sairiam. Se eu quisesse assustar os homens para o céu, eu simplesmente afirmaria o pavor do inferno sobre suas cabeças e diria, “Entrem direto.” Mas esse não é o modo de conquistar os homens. Não há escravo no céu. Todos são filhos, e devem aceitar a salvação de forma voluntária. O pavor nunca trouxe um homem ao céu até agora.

 

Olhe para um navio lançado sobre as ondas, e os marinheiros pensam que o navio está afundando e a morte está sobre eles. Eles caem de joelhos, e você pensaria que todos eles foram convertidos. Eles não foram convertidos, eles estão apenas assustados. Não há arrependimento aí, e assim que a tempestade passar e eles chegarem à costa, eles serão os mesmos de sempre. Todo o seu pavor passou – eles se esqueceram dele, e eles voltam aos seus velhos hábitos. Quantos homens, enquanto deitados em uma cama de doente, achando que viam os terrores da morte formando em volta deles, decidiram viver uma nova vida se eles somente ficassem bem novamente. Mas tão logo melhoram, se esquecem de tudo sobre o que decidiram. Eles só ficaram assustados. Não é isso que queremos sentir. O medo é uma coisa, e o arrependimento é outra. O verdadeiro arrependimento é o Espírito Santo mostrando aos pecadores os seus pecados. Isso é o que queremos. Que o Espírito Santo revele a cada um aqui hoje à noite sua condição perdida de Cristo a menos que se arrependam.

 

Se Deus lançou Adão fora do Éden por causa de um pecado, como se pode esperar entrar no paraíso celeste com 10 mil? Posso imaginar alguém dizendo: “Eu não tenho nada do que me arrepender.” Se você é um desses fariseus, posso dizer a você que este sermão não vai chegar ao seu coração. Gostaria de encontrar um homem que pudesse vir aqui e dizer, “Não tenho nenhum pecado.” Se eu fosse um desses que pensam que não tem nenhum pecado para se arrepender, eu nunca iria para a Igreja: Eu certamente não viria ao Tabernáculo. Mas será que você poderia encontrar um homem andando pelas ruas de Chicago que pudesse dizer isso com honestidade? Não acredito que tenha passado um dia durante os últimos vinte anos que quando a noite chegava eu não encontrava nenhum pecado do qual tivesse que me arrepender. É impossível a um homem viver sem pecar. Há tantas coisas para afastar o coração e as afeições dos homens de Deus. Sinto como se devesse ficar arrependido o tempo todo.

 

Existe um homem aqui que pode dizer honestamente, “Não tenho um pecado pelo qual preciso pedir perdão, não tenho nada do que me arrepender”? Alguns homens parecem pensar que Deus tem dez leis diferentes para cada um dos dez mandamentos, mas se você foi culpado de transgredir um, você é culpado de transgredir todos. Se um homem rouba 5 dólares e outro rouba 500, o primeiro é tão culpado de roubo quanto o segundo. Um homem que transgride um mandamento de Deus é tão culpado quanto aquele que transgride dez. Se alguém não sentir isso, e vir a Ele arrependido e virar seu rosto do pecado em direção a Deus, não há um raio de esperança. Em nenhum outro lugar, de Gênesis a Apocalipse, você pode encontrar um raio. Não saia deste Tabernáculo dizendo: “Não tenho nada do que me arrepender.”

 

Ouvi de um homem que dizia ser convertido que um amigo perguntou-lhe se ele tinha se arrependido. “Não,” disse ele, “eu nunca me preocupei com isso.” Meus amigos, quando um homem se converte, a obra tem que ser um pouco mais profunda do que isso. Ele tem que ficar arrependido, e tentar reparar o que fez. Se ele está em guerra com alguém, ele tem que ir e se reconciliar com seu inimigo. Senão sua conversão é obra de Satanás. Quando um homem se volta para Deus, ele é feito uma nova criatura – um novo homem. Seus impulsos são guiados pelo amor o tempo todo. Ele ama seus inimigos e tenta reparar tudo de errado que fez. Este é um verdadeiro sinal de conversão. Se este sinal não for evidente, sua conversão não foi da cabeça ao seu coração. Devemos nascer do Espírito, os corações devem ser regenerados – nascidos de novo. Quando um homem se arrepende e se volta para o Deus dos céus, então a obra é profunda e completa. Espero que todos aqui esta noite vejam a necessidade do verdadeiro arrependimento quando vierem a Deus por uma bênção, e que o Espírito Santo induza vocês a pedi-la esta noite.

 

Posso imaginar alguns de vocês dizendo agora, “Devo me arrepender esta noite?” Meus amigos, só há dois partidos no mundo. Está havendo uma grande disputa política aqui hoje, e há dois lados. Não saberemos antes de 48 horas que lado triunfará. Há um grande interesse agora para saber qual lado tem sido o mais forte. Agora, existem dois partidos neste mundo – os que estão a favor de Cristo e os que estão contra Ele, e para mudar para o partido de Cristo é preciso apenas passar do velho partido para o novo. Você sabe que o antigo partido é ruim, e que o novo é bom, e mesmo assim você não muda.

 

Suponha que fosse chamado a Nova York esta noite, e descesse para a Estação Central de Illinois para pegar o trem das dez horas. Eu estou no trem, e um amigo me visse e dissesse: “Você está no trem errado para New York. Você está no trem de Burlington.” “Oh, não,” digo, “você está errado. Eu perguntei e me disseram que este era o trem certo.” “Por que” este amigo responde, “vivo em Chicago há 20 anos, e sei que você está no trem errado,” e o homem fala, e no fim me convence, mas fico quieto, embora eu acredite que esteja no trem errado para New York, e indo para Burlington. Se você não sair do trem errado e entrar no trem certo, você não vai alcançar o céu. Se você ainda não se arrependeu, pegue a sua bagagem hoje à noite e vá para o outro trem.

 

Se um homem não está arrependido, seu rosto está afastado de Deus, e no momento em que seu rosto se volta para Deus, paz e alegria seguirão. Há um grande número de pessoas buscando alegria, paz. Queridos amigos, se você quiser encontrá-la esta noite, apenas volte-se para Deus, e você a receberá. Você não precisa buscá-la mais. Apenas venha e pegue-a. Quando eu era menino me lembro de tentar pegar a minha sombra. Não sei se você já fez algo tão tolo, mas me lembro de correr atrás dela e tentar ultrapassá-la. Eu não conseguia entender o porquê da sombra sempre estar à minha frente. Uma vez aconteceu de eu estar correndo com o meu rosto voltado para o sol, e eu olhei para atrás da minha cabeça e vi a minha sombra atrás de mim, e manteve-se atrás de mim todo o caminho. É o mesmo com o Sol da Justiça, paz e alegria vão com você enquanto você estiver com sua face voltada para Ele, e essas pessoas que estão ficando na parte de trás do Sol estão em trevas todo o tempo. Volte-se para a luz de Deus e o reflexo irá reluzir em seu coração. Não diga que Deus não vai perdoá-lo. É apenas a sua vontade que mantém o Seu perdão longe de você.

 

Minha irmã, me lembro, me disse que seu menino disse algo impertinente uma manhã, quando seu pai lhe disse, “Sammy, vá e peça perdão à sua mãe.” “Eu não vou,” respondeu a criança. “Se você não pedir perdão à sua mãe, vou colocá-lo na cama.” Isso foi no início da manhã – antes de ir para o trabalho, e o menino não achava que ele faria isso. Ele disse “Eu não vou” mais uma vez. Eles o despiram e o colocaram na cama. O pai chegou em casa ao meio-dia à espera de encontrar o seu menino brincando em casa. Ele não o viu, e perguntou à sua esposa onde ele estava. “Na cama ainda.” Então ele foi até o quarto, e sentou-se ao lado da cama, e disse: “Sammy, eu quero que você peça perdão à sua mãe.” Mas a resposta foi “Não.” O pai persuadiu e implorou, mas não podia induzir a criança a pedir perdão. O pai foi embora, esperando certamente que quando ele chegasse em casa naquela noite a criança teria conseguido pedir perdão. À noite, porém, quando ele chegou em casa, encontrou o menino ainda na cama. Ele tinha ficado ali o dia todo. O pai foi até o menino e tentou convencê-lo a ir até a sua mãe, mas foi inútil. Sua mãe foi e igualmente não deu certo. O pai e a mãe não conseguiram dormir nem um pouco naquela noite. Eles esperavam a qualquer momento ouvir a porta sendo batida pelo seu filho pequeno. Agora eles queriam perdoar o filho. Minha irmã me disse que era como se a morte tivesse entrado em sua casa. Ela nunca tinha passado uma noite como aquela. De manhã, ela foi até o menino e disse: “Agora, Sammy, você vai pedir o meu perdão.” Mas o menino virou o rosto para a parede e não queria falar. O pai chegou em casa ao meio-dia e o menino foi tão teimoso como das outras vezes. Parecia que a criança conseguiria vencer. Era para o bem do menino que eles não queriam fazer as coisas do jeito dele. É muito melhor para nós nos submetermos a Deus do que termos as coisas do nosso jeito. Nosso próprio jeito nos levará à ruína; o jeito de Deus nos conduz à vida eterna. O pai saiu para o seu escritório, e naquela tarde a minha irmã foi ter com o seu filho perto de quatro horas e começou a argumentar com ele, e, depois de conversar por algum tempo, ela disse, “Agora, Sammy, diga ‘mãe.’” “Mãe,” disse o menino. “Me,” disse a mãe. “Me.” Agora diga ‘per...’.” “Per....” “Agora é só dizer ‘...doe.’ E o menino repetiu ‘...doe,’ e pulou para fora da cama. “Eu consegui dizer,” ele gritou. “Me leve para o papai, para que eu possa dizer isso a ele.” Oh, pecador, vá a Ele e peça seu perdão. Isto é arrependimento. É ir com um coração quebrantado e pedir ao Rei do Céu para perdoá-lo. Não diga que você não pode. É uma mentira. É a sua vontade obstinada – é o seu coração obstinado.

 

Agora, deixe-me dizer aqui hoje à noite que você está na posição de ser reconciliado com Deus agora. Você não está na posição de negar esta reconciliação uma semana, um dia, uma hora. Deus diz a você agora. Olhe o lindo navio Atlantic. Lá está ele na baía abrindo incertamente seu caminho ao longo de uma costa rochosa. O capitão não sabe, visto que seu navio avança com dificuldade através desse oceano, que em breve ele vai bater em uma rocha e centenas de pessoas a bordo irão se afogar. Se ele soubesse, em um minuto ele poderia tocar um sino e o navio seria desviado dessa rocha e as pessoas seriam salvas. O navio se choca, mas ele sabe que agora é tarde demais. Você tem tempo agora. Em cinco minutos, ao que sabemos, você pode estar na eternidade. Deus paira uma névoa sobre os nossos olhos para a nossa convocação. Então agora Deus chama – agora todos se arrependam, e todos os seus pecados serão tirados de você. Eu vim aqui em nome do Mestre para pedir que se voltem para Deus agora. Que Deus possa ajudá-los a voltar e viver. Oremos.

 

Tradução: Théo Albuquerque de Paula

sábado, 24 de julho de 2021

HADES, O QUE ELE É?[1]


Por Jack Cottrell[2]


PERGUNTA: Eu tenho visto a palavra "Hades" no Novo Testamento várias vezes, mas eu não estou certo quanto ao que significa. Você pode explicar isso?


RESPOSTA: Eu posso tentar. Primeiro, o equivalente a Hades no Velho Testamento é Sheol, que aparece cerca de 65 vezes nos escritos do Antigo Testamento. O Velho Testamento Grego (a Septuaginta) traduz essa palavra com Hades quase o tempo todo. O Novo Testamento usa Hades dez vezes (ou 11 se 1 Coríntios 15:55 for contada). A principal coisa a lembrar é que essas palavras estão sempre conectadas à morte. Elas são o lugar ou a localização dos mortos. Para esta conexão veja Salmo 18:5; Provérbios 5:5, Isaías 28:15, Apocalipse 1:18, 6:8.


Para entender adequadamente estes termos, devemos antes de tudo aceitar a inspiração completa de toda a Bíblia, bem como a unidade e a coerência dos conteúdos de seu ensino. Em segundo lugar, temos de aceitar o ensinamento bíblico de que os seres humanos consistem em duas partes, o corpo físico e o espírito ou alma. Estas estão destinadas a existir em conjunto, mas são separadas no momento de morte física. Finalmente, devemos aceitar o fato de que existem três aspectos da morte que se abateu sobre a raça humana como resultado do pecado: a morte física do corpo, a morte espiritual da alma (Ef 2:1, 5); e a morte eterna no inferno, o lago de fogo, que é a "segunda morte" (Ap 20:14; 21:8).


Grande parte da confusão sobre a natureza do Hades (inferno) é o resultado da negação da realidade da alma ou espírito como um aspecto real e separado da natureza humana. Tal negação é central na teologia das Testemunhas de Jeová e Adventistas do Sétimo Dia, por exemplo. A existência da alma também está se tornando cada vez mais questionada até mesmo nos círculos evangélicos. Aqueles que assim vêem os seres humanos, como corpos somente, nunca irão entender adequadamente a natureza do Hades. (Sobre a natureza dualista do homem, ver meu livro, The Faith Once for All - A Fé de Uma Vez por Todas, páginas 134-147.)

Como, então, devemos entender Hades, o lugar e o poder da morte? Primeiro de tudo, temos de ver que, às vezes Sheol no Antigo Testamento e Hades no Novo Testamento se referem à sepultura, à qual, engole os corpos dos que morrem, justos e injustos. Aqueles que negam a existência da alma, muitas vezes dizem que Sheol e Hades sempre se referem à sepultura, mas eles estão errados. Alguns (como Robert Morey) dizem que essas palavras nunca se referem à sepultura, mas isso também     está errado.

Por um lado (contra Morey), em alguns textos Sheol/Hades significam claramente o túmulo. Em seu sentido de "lugar dos mortos", Sheol/Hades é o lugar abaixo da superfície da terra, onde os cadáveres estão enterrados. Como tal, tanto o justo quanto o ímpio entram no Sheol/Hades, o inimigo que captura e devora todos os membros da raça de Adão. Desta forma, até mesmo para o justo, a morte parece ser vitoriosa, uma vez que nos engole a todos e torna nossos corpos de volta em pó (veja Salmo 89:48;. 116:3; 141:7; Isa 38:10 ). Neste sentido Sheol/Hades é algo a ser receado e temido; algo do qual todos nós por muito tempo somos entregues e redimidos (Salmo 49:14-15; 86:13; Oseias 13:14). Esta é a luz na qual o Salmo 16:10 deve ser entendido: "Pois não deixarás a minha alma no Sheol, nem permitirás que o teu Santo veja a corrupção". (Aqui a palavra "alma" tem o sentido de "a própria pessoa"; "minha alma" significa "eu, eu mesmo") Em Atos 2:27,31 Pedro cita isso como uma profecia da ressurreição do corpo de Jesus a partir do túmulo, em que "Ele não foi abandonado no Hades, nem a sua carne viu a corrupção." Isso se refere apenas ao corpo de Cristo como enterrado e no qual se levantou da sepultura (Sheol/Hades), não ao estado ou a atividade de seu espírito entre sua morte e ressurreição.

Por outro lado (contra aqueles que negam a existência da alma), em alguns textos em que Sheol/Hades se refere a um local específico, este não se refere à sepultura como o receptáculo do corpo, mas ao lugar para onde os espíritos de alguns dos mortos são levados; onde irão existir em seu estado intermédiário (sem corpo, em consciência) até o retorno de Cristo. Desde que Sheol/Hades é o lugar dos mortos, apenas as almas dos ímpios são colocados no Sheol/Hades, no sentido de um lugar esperando por almas desencarnadas (ver Jó 24:19, Sal 09:17; 31:17; 55:15; Prov 9:18; 23:14, Isaías 14:13-15;. Mat.11:23). As almas dos justos não entram no Sheol/Hades, desde que suas almas não se encontram em um estado de morte espiritual, mas foram vivificadas pelo poder da ressurreição de Deus (Ef 2:5-6; Col. 2:12-13). Portanto, não devemos pensar que Sheol/Hades seja ocupado pelas almas dos justos e dos injustos (Sl 49:14-15; 86:13; Prov 15:24).


Como o lugar onde os ímpios permanecem até o julgamento, Sheol/Hades é visto como um inimigo ou sequestrador em todo o seu terror. Na história do homem rico e Lázaro, contada por Jesus, é dito que só o homem rico (personificando os ímpios em geral) está em tormento "no Hades" (Lucas 16:23).


Em ambos os seus significados específicos, (1) a sepultura, a qual é o recipiente dos corpos de todos os homens e (2) o lugar de habitação intermediária para as almas ímpias, Sheol/Hades é o inimigo da humanidade, uma sórdida força conquistada pela obra redentora do Cristo crucificado e ressuscitado (Ap 1:18) e da qual, encontramos refúgio na igreja (Mt 16:18). No final, será finalmente destruída no lago de fogo (Apocalipse 20:14).


Pra onde, então, as almas dos justos vão quando separadas do corpo após a morte? Seu destino nunca é chamado Sheol ou Hades. Elas são descritas como estando no seio de Abraão (Lucas 16:23); no Paraíso (Lucas 23:43); "em casa com o Senhor" (2 Coríntios 5:8.); e sob o altar celestial (Apocalipse 6: 9). Podemos nos referir a isto simplesmente como Paraíso (ver 2 Coríntios. 12:4), o qual não deve ser considerado apenas como uma seção do Hades. As almas dos justos foram "aperfeiçoadas" (Hebreus 12:23) e isso inclui, ser plenamente vivificada em um sentido espiritual. Elas não têm mais o odor e a pena de morte espiritual sobre elas e, portanto, não são cidadãs adequadas do Hades, o qual é lugar de morte. Os justos estão "no Hades" apenas no sentido de que seus corpos estão na sepultura.


Onde estão localizados o Paraíso e o Sheol/Hades? O Paraíso, como o lugar onde as almas dos justos mortos existem em seu estado intermediário, é equivalente ou, pelo menos, adjacente à sala do trono celestial, uma parte do universo invisível, criado para a raça angelical eleita. Essa conclusão se baseia em dois fatos: Primeiro, João viu as almas de, pelo menos, alguns dos mortos justos, sob o altar deste céu (Ap. 6:9). Em segundo lugar, quando morremos nossa alma estará na presença de Cristo (2 Cor 5:8; Fil. 1:23) e o próprio Cristo, em sua existência humana glorificada, está atualmente nesta sala do trono celestial (Atos 7:55, Apo. 3:21; 5:6, 13). Quando morremos, nossas almas despertarão em consciente êxtase naquele lugar abençoado.


Mas onde está o Sheol/Hades, o lugar para o qual as almas dos ímpios são conduzidas após a morte? Nós podemos apenas especular sobre isso. Mas, com base no acima exposto, eu deduzo que esta é também uma parte do universo invisível; uma região distante ou inferior, longe da presença de Deus e do Cristo glorificado; talvez adjacente ao lugar chamado Tártaro, ocupado por alguns anjos caídos (2 Pe . 2:4). É um lugar de trevas (Jó 17:13); tristeza e sofrimento; sem luz e sem esperança. É o lugar onde os seres humanos perdidos aguardam o julgamento final e seu envio para o inferno eterno.


(Para estes e outros detalhes sobre a vida após a morte, ver o meu livro, The Faith Once for All- A Fé de Uma Vez por Todas, capítulo 29, sobre "O Estado Intermediário.")


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Notas:


[1] Nota do tradutor: Este artigo foi publicado por Jack Cottrell no dia 04 de julho de 2012, na sua página do Facebook, na aba NOTES (NOTAS), aonde ele, de forma fraterna, responde a várias perguntas relacionadas à vida cristã e também às dificuldades bíblicas por parte daqueles que visitam a sua página e se interessam pela sua opinião nos assuntos abordados.


[2] Nota do tradutor: Jack Warren Cottrell é um autor e teólogo cristão associado às Igrejas Cristãs Independentes / Igrejas de Cristo, às quais, fazem parte do Movimento de Restauração Stone-Campbell. Ele tem sido professor de Teologia na Universidade Cristã de Cincinnati desde 1967. Ele é autor de numerosos livros sobre a Doutrina e Teologia cristã. Jack Cottrell nasceu em Kentucky e foi criado em Stamping Ground, Kentucky. Casou-se com sua esposa, Barbara, em 1958. Cottrell ganhou um Bacharel em Artes (B.A.) da Universidade Cristã de Cincinnati em 1959. Em seguida, ele ganhou um Mestrado em Divindade (Mdiv) do Seminário Teológico de Westminster e o doutorado em Filosofia (PhD) do Seminário Teológico de Princeton. Cottrell retornou à Universidade Cristã de Cincinnati em 1967 como professor de Bíblia e Teologia. Desde então, escreveu mais de 20 livros sobre Doutrina e Teologia Cristã. Os tópicos freqüentes abordados por ele incluem a graça, fé, batismo, exatidão bíblica, bem como a natureza de Deus. Ele também já abordou questões como liderança e teologia feminista no cristianismo. Cottrell tem adicionalmente escrito diversos comentários bíblicos. As visões teológicas de Cottrell são semelhantes à opinião majoritária das Igrejas Cristãs Independentes / Igrejas de Cristo. Ele crer na inerrância da Bíblia. Ele também crer que o batismo por imersão é o momento no qual os pecados individuais são perdoados. Devido à sua formação dentro dos círculos reformados, Jack Cottrell tem sido um crítico convicto do Calvinismo. Cottrell está casado com sua bela esposa Barbara por mais de 50 anos. Eles ministram na Igreja Cristã da cidade de Bright, no estado de Indiana, nos EUA, e vive na cidade de Lawrenceburg, Indiana. Ele e Bárbara têm três filhos e quatro netos (fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Jack_Cottrell)

domingo, 31 de maio de 2020

ENTENDENDO O MOVIMENTO CONSERVADOR NO BRASIL E NO MUNDO


Por Silas Daniel

Já há alguns anos que o mundo experimenta uma onda conservadora. Porém, muita gente que está inserida nesse contexto ainda não entendeu direito do que se trata o movimento conservador.

Um dos erros mais comuns é acreditar que o Conservadorismo é um movimento homogêneo, quando não é. Há diferenças dentro desse movimento, mas que são atenuadas em nome dos pontos de convergência, os quais são muito maiores que essas diferenças.

Comecemos por esclarecer o que é “Conservadorismo”.

Chamado por alguns de “A direita da direita”, o Conservadorismo existe há séculos e nada mais é do que a direita clássica – a direita pura, por assim dizer, que é conservadora nos valores e liberal na economia. É a direita desde sempre. Como declara o recentemente falecido filósofo Roger Scruton, em sua obra Conservadorismo: um convite à grande tradição, “o conservadorismo moderno é produto do Iluminismo [britânico, século 18], mas invoca aspectos da condição humana que podem ser testemunhados em todas as civilizações e em todos os períodos da história. Além disso, é herdeiro de um legado filosófico ao menos tão antigo quanto os gregos”.

O Conservadorismo, é importante frisar, não é uma ideologia, posto que toda ideologia cria abstratamente um mundo ideal e busca obsessivamente implementá-lo. Já o conservadorismo não estabelece um mundo ideal, mas adota uma política do bom senso, reformando quando é necessário e sempre respeitando as limitações do mundo real e os valores da civilização, isto é, tudo aquilo que se mostrou, no teste do tempo, consistente e positivo para a sociedade; e reconhecendo sempre, nas equações das decisões políticas a serem tomadas, as imperfeições e a maldade humanas como realidades, em vez de cair em um otimismo em relação à natureza humana que é ingênuo e até mesmo, em muitos casos, criminoso.

O Conservadorismo, portanto, não tem absolutamente nada a ver com ser antirreformista ou ser um “isentão” politicamente. “Política da prudência” – outra designação bastante comum para definir o Conservadorismo – não significa ser sinônimo de “murismo” ou mornidão política. Ser prudente no Conservadorismo significa manter firmemente o que é bom e reformar o que eventualmente for necessário, sem promover radicalismos, sem arrancar as boas bases da civilização ocidental.

Por sua vez, o que chamamos hoje de “Liberalismo”, que é designado por alguns como “A esquerda da direita”, consiste em ser liberal tanto na economia como nos costumes e valores, e é um fenômeno muito recente dentro da chamada “direita”. Trata-se de uma invenção do final do século 19 e início do século 20.

“Ora, como assim? O Liberalismo nasceu no século 18!”, alguém pode estar objetando. Na verdade, não. O que nasceu no século 18 foi o “Liberalismo Clássico”, que era liberal na economia e conservador nos valores e costumes – ou seja, conservador. Lembremos que o chamado “Iluminismo Inglês” foi, em sua esmagadora maioria, muito diferente do Iluminismo francês e um grande influenciador do Iluminismo norte-americano – influenciando, inclusive e finalmente, toda a organização política e econômica do Ocidente. Enquanto o Iluminismo francês era um culto à razão e, por isso, era avesso à religião, o Iluminismo britânico tinha como foco uma sociologia da virtude. Já o Iluminismo norte-americano, devido a suas circunstâncias particulares, foi focado em uma política de liberdade; e ambos – os Iluminismos britânico e norte-americano – não eram avessos à religião. Uma obra basilar sobre esse assunto, entre tantas que tratam dessas diferenças, é Os Caminhos para a Modernidade, de Gertrude Himmelfarb. Ela é um bom ponto de partida para quem quiser se aprofundar no assunto. Ademais, as outras obras que tratam desse mesmo tema (dezenas, diga-se de passagem) infelizmente ainda não foram publicadas no Brasil. Aos interessados, posso listá-las depois.

As pessoas geralmente esquecem – ou ignoram – que Adam Smith, pai do Liberalismo Clássico, era crente e escreveu não apenas As Riquezas das Nações, mas também A Teoria dos Sentimentos Morais, que foi, aliás, seu primeiro livro e um dos mais importantes, uma obra que está entre as bases do chamado Conservadorismo Moderno. Mesmo os liberais clássicos ateus do século 18, como David Hume, que escreveu uma obra para tentar provar a inexistência de Deus, era conservador nos valores e costumes, defendendo fortemente a importância da religião e dos valores cristãos para a civilização, dando, assim, um nó na cabeça dos iluministas franceses que eram fãs do seu trabalho ateístico, mas não conseguiam entender como Hume era, ao mesmo tempo, um defensor do cristianismo. Para os iluministas franceses, o ideal de mundo era “enforcar o último rei nas tripas do último padre”.

Em suma, o que é chamado de “Liberalismo” hoje nada mais é do que o Liberalismo Moderno, gestado no século 19 e que, por suas características, costuma se posicionar da seguinte maneira politicamente: quando a esquerda está no poder, se une com os conservadores contra ela; mas, quando a esquerda está fora do poder, se torna adversária dos conservadores, inclusive se aliando à esquerda em pautas que são comuns entre esquerdistas e liberais – as pautas progressistas na área de costumes e valores.

Bem, uma vez que entendemos, em linhas gerais, o que é Conservadorismo, resta dizer que há setores e subdivisões no grupo. Por exemplo, há conservadores monarquistas, os quais são defensores do monarquismo parlamentarista; e há conservadores não-monarquistas, que preferem o sistema republicano de governo. Há ainda conservadores católicos, muitos deles monarquistas; e há os conservadores protestantes, que defendem geralmente o sistema republicano de governo (muito raramente se vê um evangélico pró-monarquia parlamentarista). Há também conservadores ateus ou agnósticos, mas que, apesar de seu ateísmo ou agnosticismo, defendem a importância da religião e dos valores judaico-cristãos para a saúde da civilização ocidental.

No que tange a católicos e evangélicos, é visível que os católicos são mais abertos e tolerantes a alguns costumes para os quais os evangélicos não são, pelas peculiaridades de cada grupo. Embora católicos e evangélicos sejam ambos contra o aborto, contra a ideologia de gênero, a favor da família e do casamento tradicional, e contra ataques à fé cristã, os católicos são mais tolerantes ao fumo, à bebida, ao uso de palavrões e a certas falhas relativas à moral sexual, enquanto os evangélicos, em sua esmagadora maioria, são obviamente mais rígidos em relação a isso. Afinal, ser conservador não é ser evangélico, mas todo evangélico de fato é conservador.

E aqui chegamos ao segundo erro bastante comum entre cristãos evangélicos que se veem atraídos naturalmente pelo movimento conservador: por ser este um movimento que respeita os valores judaico-cristãos, muitos acham que, por isso, todo conservador é um cristão e se frustram quando procuram achar em todos os expoentes do movimento conservador o mesmo padrão de vida e princípios de um cristão evangélico. Ora, pode-se ser conservador e ateu, por exemplo. Há até conservadores homossexuais: eles defendem a família biológica e tradicional, são contra a ideologia de gênero, consideram casamento apenas a união oficial entre um homem e uma mulher para formar uma família, acham a religião importante, são contra a politização da prática homossexual, mas não acham nada demais viver na prática homossexual.

Em suma, todo cristão de fato é um conservador, mesmo que nem saiba o que isso significa social e politicamente; mas, nem todo conservador é um cristão. Em um passado distante, ser conservador no Ocidente era sinônimo de ser um cristão, mas hoje não necessariamente. Há judeus, ateus, agnósticos, sem religião etc que são conservadores. E os conservadores que são cristãos (e que são, obviamente, a maioria esmagadora dos conservadores) podem ser ou de linha católica ou de linha protestante (ou ortodoxos); e eles podem ainda ser a favor da monarquia parlamentarista ou não.

“E aqueles cristãos que não se dizem conservadores? Há até aqueles que se denominam cristãos socialistas! O que dizer destes?”

Estes são uma contradição. Geralmente, devido a décadas de doutrinação socialista nas escolas, esses cristãos se tornaram socialistas sem saber o que é, de fato, socialismo.

Excetuando o caso daqueles que se dizem cristãos, mas são a favor de aborto, da ideologia de gênero, de ditadores comunistas etc, muitos irmãos que se dizem “socialistas”, “não conservadores” ou “não-direitistas” (outros dirão “Somos de centro!”) são conservadores sem saberem. Eles apenas têm uma imagem equivocada do que seja o socialismo (não percebendo o mal que esse sistema seria para sociedade – pois, além de o socialismo não funcionar na prática, não há socialismo sem concentração brutal de poder); e sem entender o que seja o Conservadorismo ou “A Direita”, acreditando, por exemplo, que quem é de direita defende o que foi batizado de “Capitalismo Selvagem” e que, na verdade, tecnicamente, é o que chamamos de “Capitalismo de Estado”, que vai contra o conceito de livre mercado, pois promove – com a mãozinha do Estado – a destruição ou engessamento da concorrência, fazendo com que um grupo de privilegiados tenha o seu monopólio garantido em setores da economia. Ora, isso não é livre mercado de fato. Mas, por não entenderem isso, esses irmãos acabam – muitos deles – sendo engambelados pelo discurso de políticos ou intelectuais socialistas ou social-democratas.

Outro erro desses irmãos é achar que Conservadorismo não é a favor de ação social, de ajudar os mais pobres. Nada mais irreal! O Conservadorismo defende fortemente a ação social. Inclusive, estatisticamente já está provado que conservadores fazem e financiam mais ação social no mundo do que os socialistas e progressistas de forma geral.

Aliás, uma curiosidade: há até os chamados “conservadores distributivistas”, que defendem na área econômica uma terceira via entre o Capitalismo e o Socialismo, chamada de “Distributismo”. Os britânicos católicos Hilaire Belloc e G. K. Chesterton foram os criadores, no início do século 20, dessa corrente dentro do Conservadorismo, mas trata-se de um movimento extremamente minoritário.

Enfim, espero que esse texto explicativo ajude alguns irmãos a entenderem melhor o que é o movimento conservador. Trata-se, no geral, de uma coisa muito boa, sem dúvida alguma, mas que deve ser bem compreendida para não gerar confusões.

Extraído de: http://www.cpadnews.com.br/blog/silasdaniel/o-crist%C3%AF%C2%BF%C2%BDo-e-o-mundo/126/entendendo-o-movimento-conservador-no-brasil-e-no-mundo.html

Via Nivaldo Gomes