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segunda-feira, 23 de agosto de 2021

A RELAÇÃO ENTRE ISRAEL E OS CANANEUS [PARTE 4]

 A RELAÇÃO ENTRE ISRAEL E OS CANANEUS

[PARTE 4] 


Por Dyego Andrade


8) A Lei do Senhor, como código de conduta


As nações ficariam conscientes que Deus iria agir na humanidade estabelecendo seu código de conduta, a saber, a Lei de Moisés. A mesma como dito anteriormente foi entregue incialmente na aliança do Sinai e servia como base para Israel enquanto nação, sendo a norma que regeria os atos do cidadão da nação eleita. Também servira na esfera religiosa, como manual de fé para adoração a Yahweh. A Lei de Moisés não é somente os dez mandamentos, mas os cinco livros escritos pelo próprio Moisés, a saber, Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. Esse conjunto de livros pode ser chamado de Torá ou Pentateuco.

As leis do Pentateuco são inúmeras, o rabino Ben Maimônides fez a contagem mais respeitada e aceita até hoje dessas leis, o mesmo disse que há 613 leis em todo Pentateuco, estando divididas em 365 proibições e 248 mandamentos positivos. É sobre o que se deve fazer e o que não se deve fazer. Algumas dessas leis eram somente para Israel, pois tratava apenas das questões religiosas inerentes a Israel enquanto nação sacerdotal, e é óbvio teve função transitória. Já a grande maioria das leis funcionava como base moral e espiritual para nação eleita. 

Não é de se estranhar o fato de que havia mais proibições que mandamentos positivos na Torá, na verdade, isso traz à tona a realidade das condutas contrárias a vontade do Senhor presente nos povos daquela época. Assim, Deus foi incisivo ao querer preservar seu povo através de um código de conduta que obedecia um padrão moral não visto em outra nação até então, e que essa realidade de não obedecer às proibições colocou em risco a intimidade entre Deus e seu povo. O livro de Gênesis é claro em dizer que a prática desenfreada e irreversível do pecado fez com que Deus destruísse a humanidade e através de Noé iniciasse tudo novamente. Agora com a Lei do Senhor, Deus deixa claro que não quer mais que esse trágico episódio se repita, antes almeja que toda a humanidade obedeça aos princípios morais declarados por Ele para Israel. Diferente de como foi com Noé não haveria somente a palavra falada, mas também a palavra escrita.


8.1) A superioridade da Lei do Senhor em relação as outras leis

A Lei do Senhor foi para aqueles dias a maior revelação que se podia ter de Yahweh, ela trazia consigo princípios que seriam de fato permanentes. Apesar de muitos mandamentos serem passageiros em sua essência, a grande maioria dos preceitos falavam sobre uma conduta permanente que não estaria limitada a culturas territoriais, espaço geográfico ou tempo; antes a Lei do Senhor poderia ser cumprida pelas civilizações daqueles dias. É fato que essa revelação especial de Deus através da Lei não é a mais plena, fato esse que seria observado quando Cristo se fez homem e manifestou ser de forma inequívoca a maior revelação de Deus aos homens, ainda assim a Lei foi respeitada por Cristo e o mesmo falou sobre a sua importância moral que era permanente (Mt 5.17-19).

As outras nações e povos tinham suas leis, muitas destas se tornaram conhecidas e foram objetos de estudo, todavia nenhuma foi tão contundente no que diz respeito ao que seja certo ou errado. É provável que aja preceitos em outros códigos que sejam corretos e até sejam semelhantes aos da Torá, todavia isso não caracteriza a essência destes códigos, há verdade em tudo, mas nem tudo é verdade. A Lei do Senhor vai além como regra para os seres humanos.   Sobre isso John Walton (2003, p. 94) escreveu:


 Uma série de documentos que registram leis dos tempos antigos foi encontrada, inclusive compilações de leis *sumérias, babilônicas, *hititas e *assírias. A mais famosa é o Código de *Hamurabi, estabelecido muitos séculos antes de Moises. Essas compilações de leis consistem basicamente de modelos de decisões judiciais relacionadas a casos específicos. Por tratar-se de casos jurídicos, os textos apresentam as penas aplicadas a vários tipos de culpas, sem especificar regras de comportamento sobre o "certo e errado" ou sobre o que as pessoas deviam fazer ou deixar de fazer. As leis encontradas nos Dez Mandamentos, proibindo ou exigindo certos comportamentos, são chamadas de leis *apodícticas, que raramente são encontradas nas compilações de leis do antigo Oriente Próximo.

As nações citadas acima foram e são objetos de estudo até hoje, um dos motivos é o fato de que estabeleceram leis com uma respectiva finalidade. Isso mostra a necessidade de que o ser humano tem de que existam regras que regulem seu comportamento e mostre as devidas consequências dos seus atos, buscando um padrão a ser vivido em sociedade. Os códigos citados acima são de fato limitados, pois tratam apenas de algumas situações que eventualmente possam acontecer, mas não apontam de forma direta, qual deveria ser a conduta adequada em cada situação especificada nas leis, como também nas mais variadas situações que possam acontecer. Isso faz com que a Lei do Senhor sobressaia as demais.

Muitos dos princípios consagrados na Torá têm valor perene para qualquer sociedade, as suas normas excedem tempo, espaço e culturas. Essa realidade pode ser vista atualmente em muitas sociedades, que apesar de não a adotarem por completo se vê muitos elementos morais da Torá na conduta dos tais. A Lei do Senhor norteia a se viver corretamente os aspectos da moral social, moral sexual, família e religião; pontos fundamentais para que uma sociedade esteja bem ajustada e firme no que tange as relações interpessoais. Essa prática pode ser vista através da civilização ocidental, que se baseia na filosofia grega, no direito romano e moral judaico-cristã; sim, os princípios morais judaicos atravessaram os séculos e estão presentes na sociedade atual defendendo os quatro aspectos citados acima.

Em Dt 4.6,8 Moisés evidencia que a Lei de Deus faz os seus praticantes serem sábios, inteligentes e justos, de forma que essas qualidades sejam notadas diante dos demais povos. As três características apontadas externam que a Lei do Senhor faz imperar na conduta humana uma visão de mundo completa de como viver da melhor maneira possível; em todas as áreas da vida humana ela pode e deve ser evidenciada distintamente. Observe o que Hans Ulrich Reifler (2009, p.42) diz sobre: 

Concluímos, pois, que os dez mandamentos não são recomendados apenas para o púlpito, mas também para os tribunais de justiça, os palácios dos governadores e as sedes das prefeituras municipais. Bonhoeffer provou com os escritos confessionais luteranos (Fórmula da Concórdia, Declaração Sólida, Epílome) que é válido aplicar o decálogo tanto aos homens regenerados quanto aos irregenerados.

A partir desta citação é notável que a Lei do Senhor não é apenas para as igrejas ou sinagogas, antes sua atuação abrange a esfera pública tanto no âmbito judiciário quanto no governamental. Nos tribunais pelo fato de que a alta moralidade imposta pelo decálogo faz com que o homem atinja uma conduta louvável para qualquer civilização, sendo também parâmetro para julgamento. No que diz respeito às questões governamentais, a Lei pode ser usada para tratar questões trabalhistas, elaborar leis e até extrair princípios para se administrar a causa pública. Por fim é evidenciado que não é apenas na questão religiosa que a Lei atua, antes pode ser aplicada em pessoas irregeneradas, ou seja, através da consciência, a Lei de Deus inculca no ser a realidade de suas práticas pecaminosas.

Por mais que a Lei demonstrasse seus grandes valores morais, sua aplicabilidade inquestionável para as pessoas, para as instituições humanas e também sua perspectiva religiosa; ela foi recusada pelas nações que tinha contato com Israel.

As nações e o povo cananeu, se mostraram contrárias, adversas aos princípios morais da Lei do Senhor. Seus preceitos são outros e afrontavam seriamente a Torá.

Os aspectos da moral social, moral sexual, família e religião que são tão defendidos pela Lei do Senhor, foram para os demais povos e para os cananeus distanciados um do outro, na visão dos cananeus esses pilares não têm nenhum tipo de relação saudável e se houver alguma ligação é baseada em atos pecaminosos que denigrem a conduta humana.


9) A impiedade dos Cananeus

Muitos povos e em especial os cananeus, manifestaram uma conduta reprovável diante de Deus. Conforme relatado anteriormente, somente em Gênesis há nove referências bíblicas que mostram pecados dos cananeus, isso ainda no princípio, e com o passar do tempo não houve melhora, mas progrediram na impiedade.

Em Dt 9.4-5 está evidenciada a expressão “impiedade das nações”, os cananeus foram um povo cheio de erros, baseados na rebeldia. Deus mesmo havia dito sobre seus pecados (Gn 15.16). Agora já haviam passado quatro gerações e nada desse povo seguir o modelo de Deus, mesmo com a revelação da Lei, eles progrediam na prática da impiedade. Então, o que de fato faziam os cananeus se firmarem na impiedade, a ponto de não querer melhorar sua conduta? Vários fatores são preponderantes para que esse povo chegasse a tal ponto; a religião, sexualidade e as formas de lidar com as crianças podem ser tidos como fatores que demonstravam o nível de degeneração moral dos cananeus.


9) A religião cananeia 


A religião cananeia estava baseada no politeísmo, o panteão cananeu era composto por vários deuses, cada um com seus respectivos atributos que eram direcionados às necessidades dos seus adoradores. As Escrituras Sagradas citam alguns dos deuses cananeus, entretanto o número era bem maior do que se pensa. O historiador André Daniel Reinke (2019, p. 104) destaca:


As divindades cananeias, segundo os escritos de Ugarit, eram organizadas em um panteão relativamente bem estruturado. O deus supremo era chamado El, que era idoso e liderava o conselho dos deuses. Ao lado dele aparecia a deusa Asera (ou Athirat), apresentada como uma mulher mais jovem, embora fosse uma avó. Logo depois do casal supremo vinham os deuses Baal e sua esposa-irmã Anat, além de outros de menor destaque nas narrativas ugaríticas. Como no caso de Marduk, da Babilônia, Baal não era o deus criador original, mas aquele que derrotou o caos, uma versão cananeia do mito cosmogônico babilônico. Tanto Baal como Yam e Mot receberam seus domínios de El, que, depois, parece assistir passivamente o desenrolar dos acontecimentos. [169]


Resumidamente, o panteão de Ugarit se configurava da seguinte forma:

• no topo, o ancião El e a esposa Asera;

• no segundo nível, os filhos divinos Athtart (noite) e Athtar (estrela da

manhã), Shapsu (sol), Yarih (lua), Shahar (aurora), Shalim (crepúsculo),

Resheph (talvez Marte), Baal (deus da tempestade), Yam (do mar), Mot (da morte) e Anat (guerreira);

• no terceiro nível, Kothar-Wa-Hasis (deus artesão que construiu o palácio e a arma de Baal);

• e no quarto nível, trabalhadores divinos como mensageiros, porteiros e servos. [170]

Havia ainda objetos e locais sagrados, especialmente determinadas árvores e topos de montanhas, chamados baalim. Em uma sociedade tão fragmentada e de Estados frágeis, os cultos familiares e pessoais tinham grande importância, e cada família tinha seus ídolos do lar, para tentar apaziguar deuses e demônios e, se possível, utilizar seus poderes em favor próprio. [171]

  As religiões politeístas evidenciavam a capacidade limitada das divindades no que tange a providência para seus adoradores. Observa-se que cada deus do panteão cananeu agia em apenas uma determinada área e deixava as outras sem atuação. Outras divindades por sua vez agiam nessas lacunas e formavam todo o conjunto de divindades para serem cultuadas. A divindade El, que para eles era o deus supremo, estava velho e consequentemente tendendo a ser inoperante. Não havia uma soberania nem harmonia entre os deuses, tudo era separado. Cada divindade devia ser adorada por vez, o que de fato refletia um monoteísmo momentâneo ainda que velado. 

A ausência de um deus exclusivo tirava a possibilidade dos cananeus naquele momento adorarem a Yahweh, outro fator importante é que no âmbito do politeísmo não havia um padrão moral, uma só linha ética para ser vivida. Os valores eram baseados numa pluralidade despadronizada, isso pelo motivo de que havia várias divindades e várias condutas para serem vividas. Portanto, pode se dizer que muitas práticas foram aceitas pelos cananeus, visto que sua religião estava distanciada de um padrão de conduta moral, eles dissociaram a moral da religião e isso foi visto até na liturgia de seus cultos.  

A religião cananeia tinha em seus cultos elementos de adoração que externavam condutas relacionadas aos seus deuses. Eles criam que as divindades poderiam ser influenciadas pelos seres humanos através de práticas semelhantes às que o deus adorado fazia. Nesse sentido, em busca de fertilidade vinda do céu, os cananeus buscavam praticar atos de fertilidade nos seus cultos. A prática de sexo era algo normal nos cultos cananeus. Essa relação entre prática sexual e adoração foi evidenciada através da prostituta cultual ou prostituta sagrada (sagrada, no sentido de separada para algo). Para Packer, Tenney e White Jr (2001, p. 94).   

Religiões de fertilidade como as de Ugarite acentuam sobremodo a reprodução na terra, nas safras, e no ventre. Esta ênfase ajuda a explicar a importância que era dada às uniões sexuais. A Bíblia e os textos de Ugarite empregam as palavras cadeche e quedecha, que significam "santo" e "santa". Em Ugarite esses "santos" eram sacerdotes homossexuais e sacerdotisas que atuavam como prostitutas. Encontramos forte reação hebraica contra essa "prostituição cultual" em passagens como Levítico 19:29: "Não contaminarás a tua filha, fazendo-a prostituir-se", e Deuteronômio 23:17: "Das filhas de Israel não haverá quem se prostitua (quedecha) . . . nem dos filhos (cadeche) de Israel haverá quem o faça." Uma das reformas de Josias foi derribar "as casas da prostituição cultuai" (2 Reis 23:7).

Na mesma direção do exposto acima J.D. Douglas (2006, p. 1106) escreve:

A pior forma de prostituição era aquela que gozava de sanção religiosa. Essa era uma característica proeminente da adoração canaanita, na qual a prostituição tanto feminina como masculina estava ligada aos santuários e ao templo. A classe de prostitutas femininas é conhecida no AT como qedeshah, enquanto a classe masculina é chamada de qadesh. Os ganhos ilícitos desta última classe são chamados de “preço de sodomita” (Dt 23.18). Entre os tabletes de Ugarite, certa classe de prostitutos masculinos é referida como qdsm, juntamente com os sacerdotes (khnm) como fazendo parte dos serviços do templo.   Novo dicionário da Bíblia J D Douglas p 1106.


  Essa prática horrenda e destrutiva moralmente não era solitária, ainda estava presente em seus ritos de adoração outra prática litúrgica totalmente deplorável: o sacrífico infantil. Essa acabava por ser a mais cruel possível, tal sacrifício interrompia uma vida de forma abrupta e injusta; tudo com a intenção de adorar o deus da fertilidade, a saber, Baal. Tanto a prática sexual quanto as crianças representam a fertilidade, para os adoradores ao envolver essas práticas já citadas no culto faria com que Baal enviasse providência nessa área. 

O sacrifício de crianças foi algo evidenciado na bíblia (Sl 106.37-38, Lv 18.21), muitos estudiosos ainda hoje comentam sobre tal acontecimento horrorizados. Isso indica que tal povo era de fato difícil de se conviver. Sobre o sacrifício de crianças, André Daniel Reinke (2019, p. 107), escreve:


O sacrifício dos primogênitos era um holocausto realizado em um lugar chamado tofet. [184] As crianças sacrificadas, filhos dos próprios ofertantes e entregues voluntariamente à divindade, eram depositadas em urnas e enterradas com uma epígrafe. Essa prática foi narrada por diversos historiadores romanos e fartamente registrada pela arqueologia em todas as colônias fenícias do Mediterrâneo. As urnas encontradas possuem corpos de crianças de idades variadas, a maioria entre um mês e um ano de idade, outros com no máximo seis ou sete anos. Para “alívio das consciências”, as análises revelaram que as crianças chegavam mortas ou drogadas para serem queimadas. [185] Já o molk era o sacrifício de holocausto que ocorria como forma de infanticídio, promovida pelo Estado e com caráter ritualizado em tempos de crise e pressão demográfica. Ou seja, crianças eram sacrificadas quando havia excesso populacional ou em situações de sítio inimigo a uma cidade, por exemplo. Independentemente do sacrifício em questão ser um tofet ou molk, os deuses a quem se ofertavam as crianças eram Baal (especialmente Baal-Amon, em Cartago) e Astarte [186]. Um dado interessante aqui: o molk poderia substituir a criança por um cordeiro. Mas era inevitável: em situações muito extremas, deveria ser mesmo o filho do ofertante, oferta considerada como o sacrifício supremo para as divindades. [187]


Os habitantes de Canaã externaram de forma inequívoca ter uma natureza totalmente degenerada. Por Baal e os demais deuses, chegaram a ter uma vida sexual desregrada, entregue a prostituição e em específico, práticas homossexuais, somado a isso entregaram seus filhos a morte em sacrifícios no culto. 

As condutas e os valores morais dos cananeus deixam claro que não seria possível eles conviverem com Israel. A terra prometida por Yahweh à nação de Israel estava sendo habitada pelos cananeus. Portanto cabia a Israel tirar o povo da terra ou se curvar a sua conduta deplorável vivendo com eles no mesmo lugar.

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REFERÊNCIAS

Douglas, J. D (editor/organizador). O Novo Dicionário da Bíblia. (Editor da edição em português Russel P. Shedd; Tradução João Bentes). 3 Ed. rev. São Paulo: Vida Nova, 2006. 

Packer, J. I.; Tenney, Merril C.; White Jr., William. O Mundo do Antigo Testamento São Paulo: Vida,1991. 

Reifler, Hans Ulrich. A ética dos dez mandamentos: um modelo de ética para nossos dias. São Paulo: Vida Nova,2007.

 Reinke, André Daniel. Os outros da Bíblia: história fé e cultura dos povos antigos e sua atuação no plano divino. Rio de Janeiro: Thomas Nelson,2019.

Walton, John H.; Matthews, Víctor H.; Chavalas, Mark W.. Comentário bíblico Atos: Antigo Testamento. (Tradução Noemi Valéria Altoé). Belo horizonte: Editora Atos, 2003.

domingo, 1 de agosto de 2021

Deus para Todos


Philip Yancey


(Christianity Today, 5 de fevereiro de 2001, Vol. 45, Nr. 2, Página 136)


Uma olhada em torno do globo revela um Deus tão grande quanto queremos que seja


Um amigo meu retornou recentemente de uma visita a países asiáticos em que os cristãos são perseguidos. Os cristãos da Malásia disseram-lhe: ‘Somos muito abençoados, pois na Indonésia eles matam cristãos, mas aqui temos apenas de lidar com a discriminação e restrições a nossas atividades.’ Na Indonésia, onde na verdade os cristãos estão morrendo por causa de sua fé, disseram-lhe: ‘Somos muito abençoados, pois na Malásia não podem divulgar livremente o evangelho. Aqui, ainda podemos fazer isso.’

Em minhas viagens além-mar, observei uma notável distinção nas orações proferidas. Os cristãos em países opulentos, quando surgem as dificuldades, costumam orar: ‘Senhor, afasta esta provação de nós!’. Já ouvi cristãos perseguidos, como também alguns que moram em países muito pobres, orarem: ‘Senhor, dê-nos força para suportar esta provação.’

Curioso! Perguntei a um missionário que já estava no ministério havia muito tempo e que já fizera dezenas de viagens para a China, a fim de visitar igrejas clandestinas que se reúnem nas casas, se os cristãos de lá oram por mudança nas políticas restritivas do governo. Ele respondeu que nem uma vez sequer ouviu um cristão chinês orar por libertação. Ele disse: ‘Eles apenas partem do pressuposto que enfrentarão a oposição. Não imaginam nada diferente disso.’ Depois, deu-me alguns exemplos da oposição que enfrentam lá.

Um pastor ficou preso por 27 anos, em regime de trabalhos forçados, apenas por dirigir reuniões de uma igreja clandestina. Quando ele saiu da prisão e voltou para a igreja, anunciou que fizera uma contagem diária em seu perigoso trabalho e que conectara um milhão de vagões de trens sem sofrer nenhum ferimento. Ele regozijou-se:

‘Deus respondeu as preces de vocês por minha segurança!’. Um outro pastor que também foi preso, ficou sabendo que sua esposa estava ficando cega. Desesperado, dirigiu-se ao diretor do presídio e anunciou que renunciaria a sua fé. Ele foi solto, mas logo se sentiu tão culpado que retornou sozinho para a prisão. Ele passou os 30 anos seguintes na prisão. No ano passado, visitei o Brasil e as Filipinas, dois países relativamente pobres em que a igreja apresenta um crescimento explosivo. Grupos locais convidaram-me para levar encorajamento à igreja, mas acabei sendo encorajado por eles. Em ambos os lugares, quando as pessoas recebem literatura cristã nas ruas, elas páram e a lêem; e quando são convidados para um encontro cristão, eles realmente vão. Nem mesmo a mídia utiliza o verniz do cinismo. Os cantores populares se convertem e falam abertamente sobre sua fé; os evangélicos escrevem, em jornais diários, colunas dedicadas à estruturação da fé. Em Manila, uma igreja na qual estive mantém cinco cultos aos domingos: 2.000 pessoas comparecem ao primeiro – às 5:00 horas da manhã.

Esses países estão em ‘lua-de-mel’ com o cristianismo. O evangelho ainda soa como as boas novas para eles. Encontrei brasileiros que acolhem em suas famílias crianças de rua sem lar e levam comida para prisioneiros – de maneira voluntária, não por meio de nenhum programa organizado. Vilarejos pobres que nunca ouviram falar em ‘justiça social’ ou em ‘teologia da libertação’ vêem sua posição econômica melhorar, quando o chefe da casa, agora convertido, para de beber, chega ao trabalho no horário e começa a agir como cidadão responsável.

Outros países estão na fase do ‘divórcio.’ No último ano, também visitei a Dinamarca, um país que compete com a Tchecoslováquia para saber qual deles tem a mais baixa taxa de comparecimento à igreja. As torres das igrejas irrompem os céus cinzentos, mas apenas os turistas se dão ao trabalho de entrar nelas. Ninguém conseguiu mencionar um único lugar em que pudesse encontrar qualquer coisa relacionada ao mais famoso cristão dinamarquês, Sören Kierkegaard. No museu nacional, uma placa explica que a cruz, outrora um símbolo religioso da Dinamarca, agora é considerada uma relíquia cultural.

Alguns países estão na fase do ‘casamento amadurecido.’ Nos Estados Unidos, aproximadamente metade de nós exerce alguma função na igreja em determinados domingos, e os cristãos estão visivelmente presentes nos campi universitários e em todas as profissões importantes. Políticos que concorrem a um cargo competem uns com os outros em apelos ao eleitorado religioso. Entretanto, algumas vezes, tanto a igreja quanto as agências cristãs parecem funcionar mais como uma indústria do que como um corpo vivo. Pagamos a outros para que tomem conta dos órfãos e visitem os prisioneiros, pagamos profissionais para conduzir a adoração. Sair de uma igreja do Brasil para uma dos Estados Unidos é como sair de uma feira em um condado do sul, em que todos cuidam da vaca e afugentam os porcos, para o reino animal do mundo Disney, em que você paga uma entrada principalmente para ver animais (alguns dos quais são mecânicos) detrás de uma grade. No último ano, na conferência de Billy Graham, em Amsterdã, um locutor anunciou que agora os cristãos de países ocidentais desenvolvidos representam 37% dos crentes do mundo. À medida que viajo, observo um padrão, um estranho fenômeno histórico em que Deus se ‘movimenta’ geograficamente do Oriente Médio para a Europa, de lá para os Estados Unidos e daí para o mundo em desenvolvimento. Tenho uma teoria: Deus vai onde precisam dele. Esse é um pensamento assustador em um país como os Estados Unidos que tem uma economia robusta e 500 canais de televisão a cabo para propiciar diversão e entretenimento, isso para não mencionar a Disney World.


Tradução: Lena Aranha

2 Pe 2.20, 21


Paulo Cesar Antunes

 

Porquanto se, depois de terem escapado das corrupções do mundo, pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, forem outra vez envolvidos nelas e vencidos, tornou-se-lhes o último estado pior do que o primeiro. Porque melhor lhes fora não conhecerem o caminho da justiça, do que, conhecendo-o, desviarem-se do santo mandamento que lhes fora dado.  2 Pe 2.20, 21

 

Para estabelecer o significado destas palavras, precisamos descobrir se as pessoas aqui descritas foram de fato crentes. Aqueles que aderem à doutrina da Perseverança dos Santos têm, obviamente, afirmado que o apóstolo está falando de pessoas que nunca foram regeneradas, sendo no máximo beneficiadas externamente pelo Evangelho. Eles dizem:

 

Estas palavras descrevem homens que foram melhorados em sua conduta pela influência do evangelho, mas sem uma mudança completa no coração.[1]

 

Estamos aqui de novo considerando pessoas que tiveram algum conhecimento de Cristo e do caminho da justiça, mas se enredam de novo na corrupção do mundo e voltaram suas costas à lei de Deus – tanto que, diz Pedro, tornaram-se piores do que antes.[2]

 

No entanto, o fato dessas pessoas terem  escapado das corrupções do mundo pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo  pesa contra esta interpretação. Pedro, usando expressões similares em outro lugar nesta mesma epístola, diz:

 

Graça e paz vos sejam multiplicadas, pelo conhecimento de Deus, e de Jesus nosso Senhor; visto como o seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade,  pelo conhecimento daquele  que nos chamou pela sua glória e virtude; pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina,  havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo. 2Pe 1.2-4

 

A linguagem é semelhante àquela usada em 2Pe 2.20. Aqui definitivamente estão descritos crentes genuínos, pois o próprio apóstolo se inclui entre eles. Portanto, na linguagem do apóstolo, “escapar da corrupção do mundo pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo” diz respeito aos que verdadeiramente foram regenerados. Os adeptos da Perseverança dos Santos não podem, com propriedade, se beneficar das expressões usadas pelo apóstolo. Elas se opõem às suas convicções pessoais.

 

Além disso, a palavra “conhecimento” (gr.  epignosis) usada em 2Pe 2.20 não significa ‘um conhecimento superficial’ ou, como diz Hoekema, ‘algum conhecimento’. A palavra tem o sentido de um ‘conhecimento preciso e correto’, de um ‘completo discernimento’, e é traduzida em outras passagens como ‘pleno conhecimento’ (Ef 1.7; 4.13; Cl 3.10; 1Tm 2.4; Hb 10.26; 2Pe 1.8; Tt 1.1; etc.).

 

Contudo, acrescentam:

 

Este versículo também fala de cristãos  professos  (mas falsos) que nunca foram verdadeiramente convertidos, negaram “o Soberano que os resgatou” (v. 1); tinha “conhecido o caminho da justiça” (v. 21), porém não o tinham seguido, mas, como um “cão” (não um cordeiro), mostravam que eram na verdade “escravos da corrupção” (v. 19) e não uma “nova criação” de Deus (2Co 5.17).[3]

 

O ponto aqui é que eles eram cães e não cordeiros; se fossem cordeiros, teriam seguido seu mestre. Esta opinião está baseado nos versículos que seguem:

 

Deste modo sobreveio-lhes o que por um verdadeiro provérbio se diz: O cão voltou ao seu próprio vômito, e a porca lavada ao espojadouro de lama. 2Pe 2.22

 

É preciso dizer que um provérbio é uma base muito frágil para uma doutrina. Um provérbio expressa uma verdade geral e seus detalhes servem apenas para apoiar o ponto principal. Pedro o utiliza para reforçar sua argumentação, de que escapar da corrupção do mundo e voltar para ela é tornar seu estado pior do que o primeiro. O animal utilizado no provérbio (cão e porca mas não cordeiro) é totalmente irrelevante. Pedro não quer que nos concentremos no  animal  mas na  mensagem  que ele quer transmitir.

 

Sendo assim, não há nenhuma razão para crer que as pessoas que estão em vista em 2Pe 2.20 foram apenas melhoradas pela influência do evangelho, mas sem uma mudança completa no coração, e tiveram apenas algum conhecimento de Cristo. Elas tiveram um pleno conhecimento de Cristo e, através desse conhecimento, foram, exatamente como os destinatários da carta de Pedro e como as expressões sugerem, totalmente transformados.



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[1]  John L. Dagg,  Manual de Teologia, 235.

[2]  Anthony Hoekema,  Salvos pela Graça, 242.

[3]  Norman Geisler,  Eleitos mas Livres, 140, 141.

quinta-feira, 29 de julho de 2021

A HERESIA ENSINADA PELOS ESPIRITUALISTAS ACERCA DO ESPÍRITO SANTO – O OUTRO CONSOLADOR.


POR LEONARDO MELO


INTRODUÇÃO.


A Invocação para sí das verdades Bíblicas  pregadas pelos falsos sistemas religiosos  e pelas falsas religiões e hereges tornaram-se comum no meio da cristandade. Há alguém que relate que as heresias e o surgimento das falsas religiões seja cíclico. Na realidade nosso adversário não para de influenciar a mente daqueles que dão oportunidade dele agir sobre seu ser, sua psiquê e intelecto.

Desde p princípio que Satanás tem travado uma batalha contra a verdade a fim de desconstruí-la. Conseguiu em tese na sua primeira investida lá no longínquo jardim do éden contra nossos primeiros pais, Adão e Eva, seduzindo-os a experimentar da árvore do bem e do mal, cf. Gn. 3.1, “ [...], e está disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comerás de toda a árvore do jardim”? a mulher  já sob a influência do maligno distorce a ordem de Deus, Gn. 33.2: “[...] nem nele tocareis para que não morrais”. Deus não falou que eles não tocassem, mas que não comessem, pois, lhes era proibido.


Assim como o diabo seduziu a Adão e Eva a deturparem a ordem divina, ainda hoje ele continua agindo da mesma maneira e influenciando mentes e corações afim de que os homens levados ao engano se distancie de Deus, fique alienado dele e não viva uma vida plena guiada pelas verdades contidas nas Sagradas Escrituras. E dentre várias falsas religiões que adulteram a Palavra de Deus e a ensina de forma errada, está os adeptos do espiritualismo. Pregam uma teologia totalmente equivocada e influenciada por espíritos malignos e doutrinas de demônios. A começar pelo pilar doutrinário que eles defendem como dogma, que é a mentira chamada reencarnação. Tudo que começa errado, a tendência é permanecer errado, a menos que Deus intervenha e substitua o erro pela verdade, retidão e equidade.


É  exatamente quando tentam explicar a Bíblia através de seus próprios conceitos,  que os espiritualistas erram.  Há 215 anos nascia Hippolyte Léon Denizard Rivail[Allan Kardec] que com sua doutrina e entendimento da Palavra de Deus, começa a influenciar malignamente as mentes e os corações das pessoas, pervertendo milhões de almas, inclusive milhões de almas brasileiras. É justamente influenciado pelos espíritos malignos que o conduz a revelações estranhas a Palavra de Deus que Allan Kardec cria a doutrina espírita do Espírito Santo, chamando-o de o outro consolador. E, é outro consolador mesmo, diferente do Espírito Santo de Deus, nosso Consolador que foi profetizado por Isaías e Joel no A.T. que seria enviado para os filhos de Deus, Is. 28.11; Joel 2.28-29, e que foi consumada a profecia quando da ascensão de Jesus Cristo aos céus, e Deus cumpre sua promessa do envio do verdadeiro Consolador: João 14.16-18, 26; 15.26, 16.7-8, 13-14; Atos 2.1-4, ss.


O OUTRO CONSOLADOR NA VISÃO ESPÍRITA – HERESIA.


Como acreditar nos ensinos de Allan Kardec, quando este mesmo crer na reencarnação e consulta aos mortos? eventos que a Bíblia proíbe e  reprova veementemente? Como crer em uma religião que escolhe os temas ou doutrina que se deve crer? Como crer em uma religião que tem em Jesus um referencial de amor e ética, e contudo, nega-lhe  a eficácia do seu sacrifício   expiatório para salvar o homem  caído?


Além desse confuso sistema doutrinário, os espíritas avocam para sí, que o outro consolador mencionado no Evangelho de Jesus Cristo, como sendo o Espírito Santo, conforme João, 14.16,26: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre”, e “Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito”, segundo Allan Kardec, este consolador ao qual Jesus se referia ao Espírito Santo que daria a todos que cressem em seu nome, Kardec afirma que este “consolador” é o sistema religioso espírita”, seria a terceira revelação dada por Deus á ele. Vejamos o devaneio que Kardec comenta acerca do Espírito Santo, o outro consolador:


“No seu papel de novo consolador, o Espiritismo veio, no dizer do próprio Cristo, levantar o véu do mistério, revelando ao homem a sua natureza, sua origem e seu destino. E, ele prossegue: “O Espiritismo vem, finalmente  trazer a consolação suprema aos deserdados da terra, e a todos os que sofrem, atribuindo causa justa e fim útil a todas as dores”. Este excerto está escrito no livro “O Evangelho segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec, 110ª edição, FEB, e também publicado na revista da seita, O Reformador, edição de 1995,  onde o artigo é assinado por Benedito da Gama Monteiro, pg. 13-14, dentre vários outros artigos publicados ao longo dos anos na revista oficial da seita sobre a mesma temática. Ele chega ao absurdo de afirmar que a doutrina espírita é o outro consolador, enviado por Jesus. Há dezenas de estudos que eles reafirmam sua crença nesta doutrina diabólica. Em um de inúmeros estudos sistematizados sobre o “consolador”, percebam que todos os discípulos de Kardec são uníssonos em se tratando deste dogma acerca do “outro consolador”:


“A relação entre o Espiritismo e o Consolador prometido está no fato de a Doutrina Espírita preencher todas as condições inerentes ao Paráclito anunciado por Jesus. Como assinala Kardec, o Espiritismo vem abrir os olhos e os ouvidos de toda gente, pois fala sem figuras, nem alegorias, e levanta o véu intencionalmente lançado sobre certos mistérios, trazendo a consolação suprema aos deserdados da Terra e a todos os que sofrem”.


Em outro artigo espírita sobre o Consolador, temos:


“Se, de um lado, o Espírito da Verdade se apresentava aos homens, à frente de elevadas Entidades espirituais, que voltaram à Terra para completar a obra do Cristo, de outro Kardec se punha a postos, à frente de criaturas espiritualizadas, dispostas a colaborar na imensa tarefa. Cumpria-se, assim, uma promessa do Cristo, por meio de todo um imenso processo de amadurecimento espiritual do homem. Kardec foi, portanto, o instrumento de que se serviu o Alto para completar a mensagem do Cristo, como ele mesmo havia prometido, por intermédio de uma Doutrina altamente consoladora e intimamente ligada ao ensino moral contido no Evangelho de Jesus, que permanecerá  para sempre conosco”. Artigo escrito por Tiago Bernardes, e publicado no site, oconsolador.com.br, em 07 de maio de 2007.


Porém, quando essas assertivas desses dois artigos citados são julgadas a luz da Palavra de Deus sobre a descida do Espírito Santo[Consolador] e que   Jesus prometeu que enviaria o Consolador[batizaria seus servos com o Espírito Santo] para que esteja com seus  filhos, e até a consumação dos séculos, dando autoridade e poder a sua Igreja,  Ele não estendeu essa promessa a toda a humanidade, nem afirmou ser exclusivo para uma só pessoa, mas única e exclusivamente aos seus servos.  Ele não outorgou, ou doou o Espírito Santo para todos, mas para aqueles que acreditassem no seu Evangelho, se arrependessem e o seguisse como  discípulo. A Bíblia ao falar do Espírito Santo como O Consolador, ela retrata Ele como um presente de Deus, uma dádiva  para a Igreja, com propósitos e finalidades definidas. Fora da verdadeira Igreja de Cristo, a Igreja Evangélica, não há operação nem atuação do seu Santo Espírito.


A falácia do ensino dos espíritas sobre a pessoa do Espírito Santo, denominando-o de o outro consolador, e imputando-o aos ensinamentos  espirita uma ação semelhante ao Espírito de Deus se utilizando de Kardec começa a ruir quando comparamos os textos sagrados com as doutrinas espíritas relativas ao que a Palavra de Deus preconiza sobre o nosso Consolador. Não tem nenhuma sustentação teológica a exegese realizada pelos espíritas quando interpretam João 14. 16,26. Na interpretação destes textos, eles desconsideram algumas   leis da hermenêutica. Por exemplo, leis: do contexto,  da interpretação do texto,  da implicação do texto e lei da aplicação do texto. Simplesmente os estudiosos espíritas passaram por cima ou ignoraram essas leis. São estas leis que guiadas pelo Espírito Santo lançam luz sobre os textos bíblicos, conduzindo-nos a uma exegese sem vícios. É como o apóstolo Paulo afirma acerca das influências malignas sob as mentes dos homens nesses últimos tempos. Ele afirma em II Co. 11.14  que o inimigo da cruz se transforma até em anjo de luz a fim de enganar os homens. Quando escrevendo aos gálatas, o apóstolo afirma que se um anjo anunciar outro evangelho diferente ao que eles receberam, seja maldito: “Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema”, e “Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema. Gálatas 1.8-9. Não só os adeptos do espiritismo ensinam outro evangelho, estranho ao verdadeiro Evangelho de Cristo, mas também ensinam outro Consolador, que não é o ensinado nos escritos Neo-Testamentário. Ninguém pode colocar outro fundamento na Palavra de Deus, além daquele já estabelecido, Jesus Cristo, II Coríntios 3.11.


CONCLUSÃO.                                                                                                                                 


Não é novidade  na história da Igreja e nos ensinamentos com relação a Palavra de Deus o surgimento de hereges, apóstatas, falsos mestres e doutores,  e até mesmo tem aqueles   que avocam serem o Messias. Alguns se passaram  por Jesus Cristo, e há outros que negam que Jesus Cristo veio em carne. Enfim, a Igreja do Senhor Jesus já tem a experiência necessária advinda das Sagradas Escrituras e das revelações do Espírito Santo a fim de distinguir o verdadeiro do falso, o engano da verdade.


Não há como falar da pessoa bendita do Espírito Santo e ter o mesmo entendimento doutrinário dos kardecistas. O  outro consolador no entendimento de Allan Kardec e seus discípulos, sinceramente, não é o Espírito Santo de Deus. Esse ensino que teve como precursor Kardec, é um ensino onde percebemos que há uma atuação das forças malignas sobre a vida dele, a fim de obscurecer a verdade contida nas Sagradas Escrituras e ensinar aos indoutos esta heresia terrível sobre quem verdadeiramente é o Espírito Santo. Não estamos de modo algum estigmatizando o espiritismo, apenas estamos mostrando a verdade contida nas Sagradas Escrituras, pois, são eles que ensinam seus dogmas a partir de uma concepção e interpretação errada da Bíblia. A própria Bíblia afirma: “Porque nada podemos contra a verdade, senão pela verdade, II Co. 13.8. Se o parâmetro é a Bíblia,  então Kardec, está totalmente influenciado por espíritos malignos, que cauterizaram sua mente e lhes cegaram seu poder de compreender as verdades da Palavra de Deus, trazendo um ensino que não condiz com a veracidade do texto  Neo Testamentário sobre a Pessoa do Espírito Santo.


É razoável compreendermos que o escritor aos Hebreus deixa transparecer de maneira bem cristalina o poder que tem a Palavra de Deus contidas  nas Sagradas Escrituras, quando escreve: “Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração”, e “E não há criatura alguma encoberta diante dele; antes todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar”, Hb. 4.12-13, dentre outros versículos que mostram como a própria Bíblia Sagrada tem o  poder de discernir o falso do verdadeiro, o puro, do espúrio, do simulado. Na realidade as Sagradas Escrituras é o aferidor da verdade, é o referencial para se descobrir quando se estar utilizando da mesma falsamente!


O Espírito Santo não faz parte de um sistema como querem e ensinam os espíritas; o Espírito Santo é apresentado na Bíblia como uma pessoa, cf. Lc. 12.12; Atos 16.6, 20.23;  Rm. 8.27; I Co. 2.10;  Hb. 3.7-8; Ele não é o outro consolador como afirma Allan Kardec. Ele não é a terceira revelação de Deus que veio para consolar a todos aqui na terra. Isto é uma doutrina diabólica.  O espiritismo não estar cumprindo nenhuma promessa bíblica, alinhando seus dogmas com o Consolador prometido por Jesus. Basta ler os Evangelhos para desmascarar esta mentira ensinada pelos espiritualistas. O Consolador, que é o Espírito Santo, Ele é Deus, que habita nos cristãos sinceros e piedosos; cremos que Ele age desde os tempos mais remotos e estar agindo até hoje e conduzirá a noiva de Jesus ao encontro com Ele nos ares, durante o arrebatamento da Igreja;  o Espírito Santo age na vida dos homens, salvando-os e libertando-os espiritualmente, [Mq. 3.8;  Jo. 16.8; Rm. 8.4; Hb. 3.7,15; 4.7; Tito 3.5; I Pe. 1.21, ss] dando sabedoria aos homens; capacitando-os; e revelando as verdades divinas aos profetas, e manifestando os mistérios que estão ocultos através dos dons espirituais, especificamente os dons de profecia e os demais dons que operam hoje na casa do Senhor.  De acordo com alguns textos Bíblicos sobre a ação do Espírito como Pessoa, temos; Jz. 11.29, 14.6; Êx. 28.3, 31.2-5, 35.11; I Sm. 9.3,9, 14-17, 19-20; Ez. 2.2, 8.3, 11.1,24; Sl. 51.11, Is. 63.10; Mc. 13.10-11, 16.17-20; Lc. 21.13-15; Jo. 14.26, 16.7-8; At. 2.4, 5.2-3, 8.17, 28-29, 39-40, 21.10-11,  Ef. 4.30; II Tm. 1.14 ss.


É razoável mencionar que foi o Espírito Santo que agiu na vida de Jesus desde a concepção, isto é desde o ventre materno de Maria, cf. Mt.118, 3.16, 4.1; Lc. 4.14, 16-21. Jesus ensinou sobre a pessoa do Espírito Santo, como vimos no Evangelho escrito por Marcos, Lucas 24.49 e João, 14.16-26, 15.26, 16.7-8. No dia de Pentecostes como profetizado por Joel [Jl. 2.28-29] e confirmado por Jesus; os irmãos que estavam reunidos no cenáculo foram batizados com o Espírito Santo, At. 2.1-4. A partir deste cumprimento profético, e com o poder do Espírito na vida dos apóstolos de Cristo é que a Igreja tem avançado. O verdadeiro Consolador é aquele que habita em cada pessoa que professa a fé em Jesus e crer na inerrante Palavra de Deus. Que age no coração e na mente do homem e o convence do pecado, da justiça e do juízo vindouro. Que auxilia o crente nas orações e no seu viver diário, é Ele quem estar impedindo a atuação plena do  pecado em toda a sua força.


O Consolador, a pessoa do Espírito Santo, nunca foi nem é a terceira revelação dada supostamente por Deus e avocada por Kardec. Esta falácia doutrinária relativa ao Espírito Santo tem seduzido muita gente e tem levado as mesmas  a uma falsa concepção de quem é na realidade o Consolador, a terceira Pessoa da TriUnidade. O grande falsificador da Palavra de Deus e mentiroso, que usa de estratagema para enganar o homem é Satanás, pois nele não há verdade alguma, sempre foi e é o pai da mentira de onde provém toda sorte de engano: “Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira”, cf. Jo. 8.44.


Enfim, todo aquele que ensina contrário ao que está estabelecido na Palavra de Deus, é um herege,  e se cristão, comete apostasia e estar sob influência de espíritos malignos e do próprio diabo. Nunca a verdade vai ter como fonte a mentira! A semelhança dos fariseus que ensinavam doutrinas e preceitos humanos, assim também o fazem os espiritualistas, com um ar de humildade, bondade e   amor, porém a Palavra denuncia essa hipocrisia e farisaísmo: Sl. 5.6;  Mt. 15.9;   Mc. 7.7. I Co. 2.13. 11.13; II Co. 11.4; Fl. 3.2; ss. Que eles venham um dia descobrir verdadeiramente quem o Consolador, e se rendam aos pés de Jesus Cristo!

segunda-feira, 26 de julho de 2021

Como É Possível Cristo Ser o Único Caminho para Deus?


William Lane Craig

 

Introdução

 

Falei recentemente numa grande universidade canadense sobre a existência de Deus. Após a palestra, uma estudante um tanto irada escreveu no seu cartão de comentários: “Estava do seu lado até você chegar naquele assunto sobre Jesus. Deus  não  é o Deus cristão!”.

 

Essa atitude é universal na cultura ocidental hoje. A maioria das pessoas se alegra em concordar que Deus existe, mas em nossa sociedade pluralista tem-se tornado politicamente incorreto sustentar que Deus revelou a si mesmo de maneira decisiva em Jesus.

 

Nada obstante, é exatamente isso que o Novo Testamento ensina com toda a clareza. Consideremos as cartas do apóstolo Paulo, por exemplo. Ele convida seus convertidos gentios a lembrar-se de seus dias antes de serem cristãos: “lembrai-vos de que, no passado [...] estáveis naquele tempo sem Cristo, separados da comunidade de Israel, estranhos às alianças da promessa, sem esperança e sem Deus no mundo” (Ef 2.12). Os capítulos de abertura da carta de Paulo aos romanos se encarregam de mostrar que essa condição desolada é a situação geral da humanidade. O apóstolo explica que o poder e a divindade de Deus são dados a conhecer por intermédio da ordem criada ao nosso redor, de sorte que os homens ficam sem desculpa (1.20), e que Deus escreveu a sua lei moral no coração de todos os homens, e por isso são moralmente responsáveis diante dele (2.15). Embora Deus ofereça a vida eterna para todos quantos respondam da maneira apropriada à revelação geral de Deus na natureza e na consciência (2.7), o triste é que, em vez de adorarem e servirem ao Criador, as pessoas ignoram Deus e desdenham da sua lei moral (1.21-32). Conclusão: todos os homens estão debaixo do poder do pecado (3.9-12). Pior ainda, Paulo continua explicando que ninguém tem poder para remir a si mesmo mediante uma vida de retidão (3.19-20). Felizmente, porém, Deus providenciou uma saída: Jesus Cristo morreu pelos pecados da humanidade satisfazendo as exigências da justiça de Deus e tornando possível a reconciliação com Deus (3.21-26). Por meio de sua morte expiatória, a salvação está à disposição como dádiva recebida pela fé.

 

A lógica no Novo Testamento é clara: a universalidade do pecado e a singularidade da morte expiatória de Cristo significam que não há salvação fora de Cristo. Conforme proclamava o apóstolo: “não há salvação em nenhum outro, pois debaixo do céu não há outro nome dado entre os homens pelo qual devamos ser salvos” (At 4.12).

 

Essa doutrina particularista foi exatamente tão escandalosa no mundo politeísta do Império Romano quanto na cultura ocidental contemporânea. Por isso, os cristãos primitivos quase sempre foram alvos de severa perseguição, tortura e morte, por se recusarem a adotar uma visão pluralista religiosa. Com o tempo, todavia, como o cristianismo cresceu ao ponto de suplantar as religiões de Grécia e Roma e converter-se na religião oficial do Império Romano, o escândalo arrefeceu. Na verdade, para pensadores medievais como Agostinho e Tomás de Aquino, uma das marcas da verdadeira igreja era a sua catolicidade, ou seja, a sua universalidade. No conceito deles, parecia inacreditável que o grande edifício da igreja cristã, abrangendo toda a civilização, se fundamentasse na falsidade.

 

A morte dessa doutrina chegou com a chamada “expansão da Europa”, relacionada a três séculos de explorações e descobertas, estendendo-se aproximadamente de 1450 a 1750. Por meio das viagens e navegações de homens como Marco Polo, Cristóvão Colombo e Fernão de Magalhães, foram descobertas novas civilizações e mundos totalmente novos, que nada sabiam da fé cristã. O entendimento de que a maior parte do mundo estava de fora das fronteiras da cristandade causou um impacto duplo sobre o pensamento religioso do povo. Primeiro, o impacto tendia a relativizar as crenças religiosas. Viu-se que, longe de ser a religião universal da humanidade, a maior parte do cristianismo confinava-se à Europa ocidental, uma parte do globo. Nenhuma religião particular, segundo parecia, poderia reivindicar validade universal; cada sociedade parecia ter sua própria religião ajustada a suas necessidades peculiares. Segundo, o impacto fez a reivindicação do cristianismo – de ser o único meio de salvação – parecer cruel e estreita. Os racionalistas do Iluminismo, como Voltaire, escarneciam dos cristãos de seus dias com a perspectiva de milhões de chineses condenados ao inferno por não terem crido em Cristo, quando sequer tinham como ouvir a respeito dele. Em nossos próprios dias, o influxo de imigrantes nas nações ocidentais oriundos das ex-colônias e os avanços nas telecomunicações, que servem para reduzir o mundo a uma aldeia global, têm intensificado a nossa consciência da diversidade religiosa da humanidade. O resultado disso é que o pluralismo religioso se converteu mais uma vez na sabedoria convencional.

 

O Problema Apresentado pela Diversidade Religiosa

 

Mas qual é exatamente o suposto problema apresentado pela diversidade religiosa da humanidade? E para quem se supõe que seja um problema? Ao ler a literatura sobre a questão, o desafio recorrente parece estar posto na entrada da porta do cristão particularista. O fenômeno da diversidade religiosa leva à consideração de que o pluralismo é verdadeiro, e o debate principal passa a ser sobre que forma de pluralismo é a mais plausível. Mas por que imaginar que o particularismo cristão é insustentável diante da diversidade religiosa? Qual parece ser exatamente o problema?

 

Quando se examinam os argumentos favoráveis ao pluralismo, percebe-se que muitos deles quase são exemplos de falácias lógicas de livros didáticos. Por exemplo, afirma-se com muita frequência que é arrogante e imoral defender o particularismo de alguma doutrina religiosa, porque a pessoa é obrigada a considerar como erradas todas as outras que discordam da sua religião. Isso parece ser um exemplo da falácia lógica conhecida como argumento  ad hominem  tirado de algum livro didático, o qual procura invalidar uma posição atacando-se o caráter daqueles que a defendem. Isso é uma falácia, porque a verdade de uma posição não depende das qualidades morais daqueles que creem nela. Mesmo que todos os cristãos particularistas fossem arrogantes e imorais, isso não serviria de nada para provar que a visão deles é falsa. Não somente isso, mas por que pensar que arrogância e imoralidade sejam condições necessárias para ser um particularista? Vamos supor que eu tenha feito tudo que me foi possível para descobrir a verdade acerca da realidade e esteja convencido de que o cristianismo é verdadeiro e, portanto, abraço humildemente a fé cristã como dádiva imerecida de Deus. Acaso seria eu arrogante e imoral por acreditar naquilo que penso sinceramente que seja a verdade? Por fim, e ainda mais fundamentalmente, essa objeção é uma espada de dois gumes, uma vez que o pluralista acredita também que a visão dele é a certa e que todos os demais adeptos das tradições religiosas particularistas estão errados. Logo, se sustentar uma visão da qual muitas outras pessoas discordam significa que você é arrogante e imoral, então o próprio pluralismo poderia ser condenado como arrogância e imoralidade.

 

Ou, para dar outro exemplo, alega-se quase sempre que o particularismo cristão não pode estar certo porque as crenças religiosas são culturalmente relativas. Por exemplo, se um cristão tivesse nascido no Paquistão, provavelmente teria sido muçulmano. Logo, a sua crença no cristianismo não é verdadeira nem justificável. Uma vez mais, essa argumentação se parece com um exemplo da falácia genética tirado de um livro didático. Ela tenta invalidar uma posição pelo modo como a pessoa veio a defender essa posição. O fato de suas crenças dependerem de onde e quando você nasceu não importa em nada para as verdades delas. Se tivesse nascido na Grécia antiga, você provavelmente acreditaria que o sol orbitava a Terra. Acaso isso significa que a sua crença de que a Terra orbita o sol é, portanto, falsa e injustificável? É evidente que não! E, uma vez mais, o pluralista puxa o tapete de debaixo dos próprios pés, pois, se tal pessoa tivesse nascido no Paquistão, muito provavelmente seria um particularista religioso. Desse modo, de acordo com a sua própria análise, o pluralismo que ele defende é mero produto do fato de ter nascido na sociedade ocidental do final do século XX e, portanto, é falso ou injustificado.

 

Assim, alguns dos argumentos contra o particularismo cristão encontrados com tanta frequência na literatura são bastante inexpressivos. Mas esses argumentos não são o problema, de fato. Apesar disso, acho que, quando essas objeções são respondidas pelos defensores do particularismo cristão, logo a questão  verdadeira  tende a vir à tona. Essa questão, penso eu, diz respeito ao destino dos incrédulos que estão fora da tradição religiosa particular defendida. O particularismo cristão consigna essas pessoas ao inferno, o que os pluralistas consideram exorbitante.

 

Mas que problema exatamente se supõe que há aqui? Que dificuldade há em sustentar que a salvação está ao alcance somente por intermédio de Cristo? Seria a mera hipótese de que um Deus amoroso não lançaria as pessoas no inferno? Acho que não. A Bíblia diz que Deus deseja a salvação do ser humano. “O Senhor [...] não quer que ninguém pereça, mas que todos venham a se arrepender.” (2Pe 3.9). Ou, ainda: “[Ele] deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade” (1Tm 2.4). É assim que Deus fala por intermédio do profeta Ezequiel:

 

Por acaso tenho algum prazer na morte do ímpio?, diz o SENHOR Deus. Por acaso não desejo que se converta dos seus caminhos e viva? [...] Porque não tenho prazer na morte de ninguém, diz o SENHOR Deus; convertei-vos e vivei. [...] Dize-lhes: Tão certo como eu vivo, diz o SENHOR Deus, não tenho prazer na morte do ímpio, mas sim em que o ímpio se converta do seu caminho e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; por que morreríeis, ó casa de Israel? (Ez 18.23, 32; 33.11).

 

Aqui, Deus apela literalmente ao seu povo para que se converta de seu curso de ação autodestrutivo e seja salvo. Assim, de certa maneira, o Deus bíblico não lança ninguém no inferno. Ele deseja que todos sejam salvos, e procura atrair todas as pessoas para si mesmo. Se, por livre vontade e bem informados, tomarmos a decisão de rejeitar o sacrifício de Cristo pelo nosso pecado, então, Deus não tem escolha senão nos dar aquilo que merecemos. Deus não nos enviará para o inferno, mas nós bem podemos nos enviar para lá. Nosso destino eterno, portanto, repousa em nossas mãos. É questão de livre escolha onde passaremos a eternidade. Os perdidos, por conseguinte, são autocondenados; separam a si mesmos de Deus a despeito da sua vontade e todo seu empenho em salvá-los, e o Criador se entristece com a perdição deles.

 

Ora, o pluralista talvez admita que, em razão da liberdade humana, Deus não pode assegurar que todos serão salvos. Algumas pessoas podem condenar a si mesmas ao rejeitarem a salvação oferecida por Deus. Mas, poderia argumentar ele, seria injusto Deus condenar essas pessoas para sempre. Pois mesmo os pecados terríveis dos torturadores nazistas nos campos de morte também merecem somente uma punição finita. Portanto, no máximo, o inferno seria uma espécie de purgatório, durando uma extensão de tempo apropriada para cada pessoa, antes que ela fosse libertada e admitida no céu. No final, o inferno ficaria vazio e o céu, cheio. Assim, ironicamente, o inferno é incompatível não com o amor de Deus, mas com a sua justiça. A objeção acusa Deus de ser injusto porque o castigo não é proporcional ao crime.

 

Uma vez mais, isso não me parece ser o problema real. Pois a objeção parece falha em pelo menos duas maneiras:

 

(1) A objeção faz confusão entre  cada  pecado que cometemos e  todos  os pecados que cometemos. Poderíamos concordar que cada pecado individual que se comete merece apenas um castigo finito. Mas disso não se conclui que todos os pecados de alguém, considerados como um todo, mereçam apenas um castigo finito. Se alguém comete um número infinito de pecados, então a soma total de todos esses pecados merece um castigo infinito. Ora, é óbvio que ninguém comete um número infinito de pecados durante a vida terrena. Mas que tal na vida após a morte? Na medida em que os habitantes do inferno continuam a odiar e rejeitar a Deus, acumulam assim sobre si mesmos mais culpa e mais castigo. Em sentido real, o inferno é autoperpetuante. Nesse sentido, todo pecado recebe um castigo finito, mas, uma vez que o pecado continua para sempre, da mesma forma continua o castigo.

 

(2) Por que pensar que cada pecado recebe apenas um castigo finito? Seria possível concordarmos que pecados como roubo, mentira, adultério e assim por diante têm somente consequências finitas e, portanto, são apenas merecedores de castigo finito? Mas, em certo sentido, não são esses os pecados que separam as pessoas de Deus. Pois Cristo morreu por esses pecados, o castigo por causa desses pecados foram pagos. A pessoa precisa apenas aceitar a Cristo como Salvador para ser completamente livre e purificada desses pecados. Mas a recusa em aceitar a Cristo e seu sacrifício parece ser um pecado de ordem totalmente diferente. Pois esse pecado repudia a provisão de Deus para o pecado e dessa maneira separa definitivamente a pessoa de Deus e da salvação que ele oferece. Rejeitar a Cristo é rejeitar o próprio Deus. E, à luz do que Deus é, esse é um pecado de gravidade e proporções infinitas e, portanto, merece plausivelmente castigo infinito. Não devemos, por isso, entender primariamente o inferno como o castigo pelo conjunto de pecados que cometemos e que têm consequências finitas, mas como o castigo justo de um pecado de consequência infinita, a saber, a rejeição do próprio Deus.

 

Mas pode ser que o problema esteja em supor que um Deus amoroso não poderia lançar as pessoas no inferno por elas não terem informação ou estarem mal informadas a respeito de Cristo. Uma vez mais, isso não me parece o âmago do problema. Porque, segundo a Bíblia, Deus não julga as pessoas que jamais ouviram sobre Cristo com base na fé delas em Cristo. Antes, Deus as julga com base na luz da revelação geral de Deus na natureza e na consciência que elas realmente possuem. A oferta de Romanos 2.7 – “Assim, ele dará a vida eterna aos que, perseverando em fazer o bem, procuram glória, honra e imortalidade” – é oferta sincera de salvação. Isso não quer dizer que as pessoas podem ser salvas sem Cristo. Antes, quer dizer que os benefícios da morte expiatória de Cristo poderiam ser aplicados às pessoas sem que elas tivessem conhecimento consciente de Cristo. Elas seriam semelhantes a certas pessoas mencionadas no Antigo Testamento, como Jó e Melquisedeque, que não tinham conhecimento consciente de Cristo nem sequer eram membros da família da aliança de Israel e, todavia, desfrutaram de um relacionamento pessoal com Deus. De modo semelhante, poderia haver Jós contemporâneos vivendo entre o porcentual da população do mundo, os quais ainda precisam ouvir o Evangelho de Cristo.

 

Infelizmente, como vimos, o testemunho do Novo Testamento diz que as pessoas, de maneira geral, sequer correspondem aos padrões mais baixos da revelação geral. Portanto, há pouca base para o otimismo de que existam muitos, ou mesmo um único que seja, que serão verdadeiramente salvos só pelo modo como reagem à revelação geral na natureza e na consciência. Por isso, o problema apresentado pela diversidade religiosa não pode ser simplesmente que Deus não condenaria as pessoas que não tivessem informações sobre Cristo nem que fossem mal informadas a respeito dele.

 

Em vez disso, parece-me que o problema real é este: se Deus é onisciente, então ele saberia quem, por livre vontade, receberia ou não o Evangelho. Mas, então, surgem algumas questões dificílimas:

 

(i) Por que Deus não levou o Evangelho às pessoas que, como ele sabia,  poderiam  aceitá-lo se o tivessem ouvido, apesar de rejeitarem a luz da revelação geral que possuem?

 

Para exemplificar: imaginem um indígena americano que viveu antes da chegada dos missionários cristãos. Vamos chamá-lo de Urso Andarilho. Suponhamos que Urso Andarilho olha para o céu à noite e, ao ver a beleza da natureza em torno de si, sente que tudo isso foi feito pelo Grande Espírito. Além disso, quando Urso Andarilho olha para dentro do coração, sente ali a lei moral dizendo-lhe que todos os homens são irmãos feitos pelo Grande Espírito, e, assim, entende que devemos viver em amor uns com os outros. Mas vamos supor que em vez de adorar ao Grande Espírito e viver em amor com seu semelhante, Urso Andarilho ignora o Grande Espírito e cria totens de outros espíritos, e ao contrário de amar seu semelhante vive em egoísmo e crueldade para com os outros. Nesse caso, Urso Andarilho seria condenado justamente diante de Deus com base na sua incapacidade de corresponder à revelação natural de Deus na natureza e na consciência. Mas imagine só que, se os missionários tivessem chegado, Urso Andarilho teria crido no Evangelho e sido salvo! Nesse caso, sua salvação ou condenação parece resultado da má sorte. Não por sua culpa, calhou de ele ter nascido numa época e lugar da história em que o Evangelho não estava ainda disponível. Sua condenação é justa, mas será que um Deus oniamoroso permitiria que o destino eterno das pessoas dependesse de acidentes históricos e geográficos?

 

(ii) Ainda mais fundamentalmente, por que Deus criou o mundo, mesmo sabendo que tantas pessoas não acreditariam no Evangelho e estariam perdidas?

 

(iii) Ainda mais radicalmente, por que Deus não criou um mundo no qual todos acreditassem por livre vontade no Evangelho e fossem salvos?

 

O que se espera que um cristão particularista responda a essas perguntas? Será que o cristianismo não faz de Deus um Deus cruel e desprovido de amor?

 

O Problema Analisado

 

A fim de responder a essas questões, seria proveitoso examinar mais de perto a estrutura lógica do problema que temos diante de nós. O pluralista parece afirmar que é impossível a Deus ser onipotente e oniamoroso e ainda assim algumas pessoas jamais ouviram o Evangelho e estão perdidas, o que quer dizer que as declarações a seguir são logicamente inconsistentes:

 

1. Deus é onipotente e oniamoroso.

 

2. Algumas pessoas jamais ouviram o Evangelho e estão perdidas.

 

Agora precisamos perguntar: por que devemos entender que (1) e (2) são logicamente incompatíveis? Afinal de contas, não há nenhuma contradição explícita entre elas. Mas, se o pluralista estiver alegando que (1) e (2) são implicitamente contraditórias, terá de assumir algumas premissas ocultas que serviriam para dar origem a tal contradição e torná-la explícita. A pergunta é: que premissas ocultas são essas?

 

Devo dizer que nunca vi na literatura, da parte dos pluralistas religiosos, nenhuma tentativa de identificar essas suposições ocultas. Mas vamos tentar ajudar o pluralista um pouquinho só. Parece-me que ele deve estar supondo algo como o seguinte:

 

3. Se Deus é onipotente, ele pode criar um mundo em que todas as pessoas ouvem o Evangelho e são salvas gratuitamente.

 

4. Se for oniamoroso, Deus prefere um mundo em que todos ouvem o Evangelho e são salvos gratuitamente.

 

Uma vez que, de acordo com (1), Deus tanto é onipotente como é oniamoroso, deduz-se que ele pode criar um mundo com salvação universal e prefere esse mundo. Logo, esse mundo existe em contradição com (2).

 

Pois bem, as duas premissas ocultas devem ser necessariamente verdadeiras se a incompatibilidade lógica entre (1) e (2) puder ser demonstrada. Portanto, a pergunta é: tais suposições são necessariamente verdadeiras?

 

Vamos considerar (3). Parece não haver controvérsia de que Deus poderia criar um mundo no qual todas as pessoas ouvem o Evangelho. Porém, uma vez que as pessoas são livres, não há nenhuma garantia de que todos nesse mundo seriam gratuitamente salvos. De fato, não há razão para achar que o equilíbrio entre salvos e perdidos em tal mundo seria minimamente melhor do que o equilíbrio no mundo real! É possível, num mundo de pessoas livres que Deus poderia criar, que algumas pessoas, por livre vontade, rejeitem a sua graça e estejam perdidas. Por conseguinte, (3) não é necessariamente verdadeira, e, logo, o argumento pluralista é falacioso.

 

Mas e quanto a (4)? É necessariamente verdadeira? Vamos supor, para fins de argumentação, que existam mundos possíveis factíveis para Deus nos quais todas as pessoas ouvem o Evangelho e o aceitam. Será que o ser amoroso de Deus o compeliria a preferir um desses mundos ao mundo em que algumas pessoas estão perdidas? Não necessariamente, pois os mundos que abrangem a salvação universal poderiam ter outras deficiências predominantes que os tornem menos preferíveis. Por exemplo, vamos supor que os únicos mundos nos quais todos creiam por livre vontade no Evangelho são mundos com apenas um punhado de pessoas nele, digamos, com três ou quatro. Se Deus criasse alguma pessoa a mais, então, no mínimo uma delas teria rejeitado a sua graça por livre vontade e estaria perdida. Será que ele deveria preferir um desses mundos escassamente populosos a um mundo em que multidões creem no Evangelho e são salvas, mesmo que isso signifique que outras pessoas rejeitem sua graça por livre vontade e estejam perdidas? Isso está longe de ser óbvio. Embora conceda graça suficiente para a salvação de todas as pessoas que ele cria, Deus não parece ter menos amor por preferir um mundo mais populoso, mesmo isso significando que algumas pessoas resistiriam por vontade própria ao seu esforço para salvá-las e seriam condenadas. Assim, a segunda hipótese do pluralista também não é necessariamente verdadeira, de modo que seu argumento se mostra duplamente falacioso.

 

Logo, nenhuma das suposições do pluralista parece ser necessariamente verdadeira. A menos que ele possa sugerir algumas outras premissas, não temos razão para entender que (1) e (2) são logicamente incompatíveis.

 

Podemos, porém, aprofundar o argumento mais um pouco. Podemos mostrar positivamente que é inteiramente possível Deus ser onipotente e oniamoroso e que muitas pessoas jamais ouvem o Evangelho e estão perdidas. Tudo que temos de fazer é encontrar uma declaração possivelmente verdadeira compatível com o ser onipotente e oniamoroso de Deus que signifique que algumas pessoas jamais ouvem o Evangelho e estão perdidas. Seria possível formular tal declaração? Vejamos.

 

Deus, como ser amoroso e bom, quer que o máximo possível de pessoas seja salvo e que delas se perca o mínimo possível. Seu objetivo, então, é alcançar o equilíbrio ótimo entre essas variáveis, para não criar mais perdidos do que o necessário para atingir certo número de salvos. Mas é possível que o mundo real (que abrange o futuro bem como o presente e o passado) tenha esse equilíbrio. É possível que, para criar o tanto de pessoas que será salvo, Deus também tenha de criar o tanto de pessoas que se perderá. É possível que, se Deus tivesse criado um mundo em que menos pessoas vão para o inferno, então, ainda menos iriam para o céu. É possível que, para alcançar uma multidão de santos, Deus tenha de aceitar uma multidão de ímpios.

 

Seria possível refutar que um Deus oniamoroso não criaria pessoas que ele saberia se perderiam, mas que seriam salvas se apenas ouvissem o Evangelho. Mas como sabemos que essas pessoas  existem? É razoável supor que muitas pessoas que nunca ouviram o Evangelho não teriam crido nele, mesmo que o ouvissem. Suponhamos, então, que Deus ordenou o mundo de modo tão providencial que  todas  as pessoas que nunca ouviriam o Evangelho sejam precisamente essas. Nesse caso, quem nunca ouviria o Evangelho e está perdido teria rejeitado o Evangelho e estaria perdido, ainda que o tivesse ouvido. Ninguém, no dia do juízo, ficaria diante de Deus e se queixaria: “Muito bem, Deus, então, eu não respondi à tua revelação geral na natureza nem na consciência! Mas se apenas eu tivesse ouvido o Evangelho, teria crido nele!”. Deus, portanto, diria: “Não, eu sabia que, mesmo se tivesse ouvido o Evangelho, você não teria crido nele. Assim, o julgamento que faço de você, com base na natureza e na consciência, não é injusto nem desamoroso”.

 

Assim, é possível que:

 

5. Deus criou um mundo dotado de equilíbrio ótimo entre salvos e perdidos, e aqueles que nunca ouviram o Evangelho e estão perdidos não teriam crido nele, mesmo que o tivessem ouvido.

 

Desde que (5) seja mesmo  possivelmente verdadeira, essa proposição mostra que não há incompatibilidade entre um Deus onipotente e oniamoroso e o fato de algumas pessoas nunca ouvirem o Evangelho e estarem perdidas.

 

Com base nisso, estamos agora preparados para apresentar respostas  possíveis  às três perguntas difíceis que deram ocasião a essa investigação. Vamos considerá-las na ordem reversa:

 

(i) Por que Deus não criou um mundo em que todos acreditassem por livre vontade no Evangelho e fossem salvos?

 

Resposta: Não seria factível para Deus criar tal mundo. Se ele fosse exequível, Deus o teria criado. Mas, em razão da sua vontade de criar criaturas com livre vontade, Deus teve de aceitar que algumas delas, por livre vontade, rejeitassem a ele e ao seu esforço de salvá-las e se perderiam.

 

(ii) Por que Deus criou o mundo, mesmo sabendo que tantas pessoas não acreditariam no Evangelho e estariam perdidas?

 

Resposta: Deus queria partilhar seu amor e companhia com pessoas criadas. Ele sabia que isso significava que muitos o rejeitariam por livre vontade e estariam perdidos. Mas sabia também que muitos outros receberiam a sua graça por livre vontade e seriam salvos. A felicidade e a bem-aventurança daqueles que livremente abraçam o seu amor não poderiam ser impossibilitadas pelos que livremente o rejeitariam. Com efeito, às pessoas que rejeitariam livremente a Deus e seu amor não se permitiria nenhum tipo de poder de veto sobre que mundos Deus está livre para criar. Deus, na sua misericórdia, ordenou providencialmente o mundo para alcançar o equilíbrio ótimo entre os salvos e os perdidos, mediante a maximização do número daqueles que o aceitam livremente e minimização do número dos que não o aceitariam.

 

(iii) Por que Deus não levou o Evangelho às pessoas que, como ele sabia, poderiam aceitá-lo se o tivessem ouvido, apesar de rejeitarem a luz da revelação geral que possuem?

 

Resposta: Essas pessoas não existem. Deus, na sua providência, organizou o mundo de tal maneira que as pessoas que responderiam ao Evangelho se o ouvissem, realmente o ouvem. O Deus soberano ordenou a história humana de modo que, à proporção que o Evangelho se espalhava da Palestina do primeiro século, ele pôs no seu caminho aqueles que haveriam de crer se o ouvissem. Uma vez que o Evangelho alcança um povo, Deus providencialmente põe lá pessoas que ele sabe responderiam ao Evangelho se o ouvissem. Em seu amor e misericórdia, Deus garante que todos quantos haveriam de crer no Evangelho se o ouvisse, não nasçam em época e lugar da história em que não podem ouvi-lo. Aqueles que não respondem à revelação geral de Deus na natureza e na consciência e nunca ouvem o Evangelho não lhe responderiam positivamente se o ouvissem. Portanto, ninguém se perde por causa de acidente histórico ou geográfico. Qualquer um que quiser ser salvo será salvo.

 

Essas são apenas algumas respostas  possíveis  às questões apresentadas. Mas, conquanto sejam mesmo possíveis, mostram que não há incompatibilidade entre o ser onipotente e oniamoroso de Deus e o fato de algumas pessoas nunca ouvirem o Evangelho e perecerem perdidas. Ademais, essas respostas são atraentes porque parecem também ser bastante bíblicas. Em seu discurso ao ar livre aos filósofos atenienses reunidos no Areópago, Paulo declarou:

 

O Deus que fez o mundo e tudo o que nele há, Senhor do céu e da terra [...] Pois é ele mesmo quem dá a todos a vida, a respiração e todas as coisas. De um só fez toda a raça humana para que habitasse sobre toda a superfície da terra, determinando-lhes os tempos previamente estabelecidos e os territórios da sua habitação, para que buscassem a Deus e, mesmo tateando, pudessem encontrá-lo. Ele, de fato, não está longe de cada um de nós; pois nele vivemos, nos movemos e existimos (At 17.24-28a).

 

Isso soa exatamente como as conclusões a que cheguei puramente através da reflexão filosófica sobre o assunto!

 

Ora, o pluralista admitiria a compatibilidade lógica do ser onipotente e oniamoroso de Deus e o fato de algumas pessoas jamais ouvirem o Evangelho e perecerem perdidas, mas insiste que, apesar disso, esses dois fatos são improváveis, um com relação ao outro. De modo geral, as pessoas parecem acreditar na religião da cultura em que foram criadas. Mas, nesse caso, o pluralista poderia argumentar que é altamente provável que, se muitos dos que nunca ouviriam o Evangelho fossem criados numa cultura cristã, teriam acreditado no Evangelho e seriam salvos. Por isso, a hipótese apresentada por nós é altamente implausível.

 

Agora, seria fantasticamente improvável que por puro acaso ocorresse que todas as pessoas que nunca ouviriam o Evangelho e estariam perdidas não teriam crido no Evangelho, mesmo que o tivessem ouvido. Mas a hipótese não é essa. A hipótese é que um Deus providente organizou o mundo dessa maneira. Considerando-se que é um Deus dotado do conhecimento acerca de como cada pessoa responderia livremente à sua graça em quaisquer circunstâncias em que ele a pusesse, não é totalmente implausível que Deus tenha ordenado o mundo da maneira descrita. Um mundo assim, externamente, em nada pareceria diferente de um mundo em que as circunstâncias do nascimento de alguém sejam questão de acaso. O particularista pode concordar que as pessoas geralmente adotam a religião da cultura delas e, se muitas das que nascem em culturas não cristãs tivessem, em vez disso, nascido numa sociedade cristã, teriam se tornado cristãs, culturalmente ou nominalmente. Mas isso não quer dizer que seriam salvas. É fato meramente empírico que não há características diferenciadoras, psicológicas ou sociológicas, entre quem se torna e quem não se torna cristão. Não há como predizer com exatidão, pelo exame de alguém, em que circunstâncias essa pessoa creria em Cristo para a salvação. Uma vez que um mundo ordenado por Deus se pareceria idêntico externamente com um mundo em que o nascimento da pessoa é uma questão de acidente histórico e geográfico, é difícil enxergar como a hipótese que defendi pode ser acusada de improvável sem que se demonstre que a existência de um Deus dotado desse conhecimento é implausível. Além disso, não tenho conhecimento de nenhuma dessas convincentes objeções.

 

Concluindo, então, o pluralista não conseguiu mostrar nenhuma inconsistência lógica no particularismo cristão. Pelo contrário, nós conseguimos provar que tal posição é logicamente coerente. Mais do que isso, considero que essa visão não é somente possível, mas é também plausível. Portanto, o fato da existência da religiosidade na humanidade não destrói o Evangelho cristão da salvação por meio de Cristo somente.

 

De fato, para nós cristãos, penso que o que defendi ajude a colocar na perspectiva apropriada as missões cristãs: como cristãos, temos o dever de proclamar o Evangelho ao mundo inteiro, na confiança de que Deus ordenou as coisas de maneira tão providencial que, por nosso intermédio, as Boas Novas chegarão às pessoas que Deus sabia que o aceitariam se assim o ouvissem. Nossa compaixão para com as pessoas de outras religiões do mundo expressa-se não em fingir que elas não estão perdidas sem Cristo, mas sustentando e esforçando-nos de todas as maneiras para comunicar-lhes a mensagem doadora de vida de Cristo.

 

E quanto aos de nós que ainda não são cristãos, é necessário perguntar a si mesmo: estou aqui hoje por mero acidente? Foi exclusivamente por acaso que ouvi esta mensagem? Não há nenhum propósito nem razão pela qual eu esteja aqui? Ou poderia ser que Deus na sua providência trouxe-me aqui pela minha livre vontade para ouvir as Boas Novas de seu amor e perdão que ele estende para mim através de Cristo? Se assim for, qual deve ser minha reação? Ele me deu uma oportunidade, tirarei proveito dela em meu favor ou virarei as costas para ele uma vez mais e o deixarei de fora? A decisão depende de você.

 

Fonte: http://www.reasonablefaith.org/how-can-christ-be-the-only-way-to-god

 

Tradução: Marcos Vasconcelos

 

Revisão: Djair Dias Filho

Amos Binney - Compêndio de Teologia - MILAGRES NO NOVO TESTAMENTO




Os principais milagres registrados no Novo Testamento são os seguintes:

A água é transformada em vinho, Jo 2.1-11.

O filho de um nobre é curado, Jo 4.46-54.

Um demônio é expulso, Lc 4.33-36.

Outro, Mt 9.32; Mc 3.11; Lc 11.14.

A sogra de Pedro é curada, Mt 8; Mc 1.

Muitas pessoas são curadas, Mt 8; Mc 1.

Toda espécie de doenças, Mt 4.23, 24; Mc 5.

Um leproso é curado, Mt 8.2, 24-26; Mc 1.40-42.

Um paralítico é curado, Mt 9.1-8; Lc 5.24-26.

Um homem incapaz é curado, Jo 5.1-9.

A mão mirrada, Mt 12.13; Lc 6.6-10.

Muitos são curados, Lc 6.17-19.

O servo do centurião, Mt 8.5-13; Lc 7.1-10.

O filho da viúva é ressuscitado, Lc 7.11-15.

A tempestade é acalmada, Mt 8.23; Mc 4.37-39.

Uma legião é expulsa, Mt 8.29; Lc 8.30-35.

Fluxo de sangue curado, Mt 9.20-25; Mc 5.25-34.

A filha de Jairo, Mt 9.23-25; Lc 8.51-56.

Cegos são curados, Mt 9.29, 30.

Poder concedido para curar, Mt 10.1; Mc 3.15.

Muitos doentes são curados, Mt 14.34; Mc 6.56.

A filha da mulher siro-fenícia, Mt 15.22-28; Mc 7.24-30.

Um surdo-mudo é curado, Mc 7.32-35.

Multidões são curadas, Mt 15.30; Mc 7.37.

Quatro mil são alimentados, Mt 15.32-39; Mc 8.1-9.

A transfiguração, Mt 17.2-8; Mc 9.2-8.

Possuído por um demônio é curado, Mt 17.14-18.

Um peixe traz dinheiro, Mt 17.27.

Um cego é curado, Jo 9.

Uma mulher enferma é curada, Lc 13.10-13.

Hidropisia é removida, Lc 14.1-4.

Dez leprosos são curados, Lc 17.11-19.

Lázaro é ressuscitado, Jo 11.43-46.

Bartimeu é curado, Mt 20.30.

Muitos coxos e cegos são curados, Mt 21.14.

A figueira é destruída, Mt 21.19.

A orelha de Malco é curada, Lc 22.51.

A redada de peixes, Lc 5.4-9; Jo 21.6.

Os apóstolos falam em outras línguas, At 2.4.

Pedro cura um coxo, At 3.7-11.

Ananias e Safira, At 5.1-11.

As portas da prisão são abertas, At 5.19.

A conversão de Saulo, At 9.1-18.

A libertação de Pedro, At 12.4-11.

Paulo cura um paralítico, At 14.8-10.

As portas da prisão são abertas, At 16.26.

Muitos milagres de Paulo, At 19.11, 12.


PERGUNTAS


- Quantos milagres são encontrados no Novo Testamento? Repita-os em ordem, citando o texto.

sábado, 24 de julho de 2021

Uma Resposta ao Ateísmo de Richard Dawkins

 

Por Dave Hunt

 

Pergunta: “O professor Richard Dawkins, de Oxford (Inglaterra), tem sido tão comentado ultimamente que resolvi ler seu livro,  Deus, um Delírio.[1]  Em um dos capítulos, ele contesta a precisão histórica dos quatro evangelhos, aponta muitas supostas contradições, diz até que os escritores dos evangelhos são desconhecidos e que “é quase certo que nunca conheceram Jesus pessoalmente”. No final, afirma que os evangelhos são uma ficção! Eu sou uma pessoa simples (Dawkins diria que sou “não-intelectual”) e não tenho nenhum problema em confiar em versos bíblicos como “Diz o insensato no seu coração: Não há Deus” e “Seja Deus verdadeiro, e mentiroso, todo homem”, mas me preocupo com muita gente que pode ter a fé abalada pelas mentiras de Dawkins. Essas pessoas precisam de comprovações para ajudá-las a ver a verdade. Será que vale a pena um cristão comum como eu, que tem apenas a Bíblia e um certificado de ensino médio, tentar se colocar contra esse ateu tão instruído?”.

 

Resposta: É claro que sim! Cristo afirmou: “Se vós permanecerdes na minha palavra [...] conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8.31, 32). Sua confiança não está depositada na instrução ou inteligência que recebeu. Lembre-se de como Davi repreendeu o exército de Israel que estava tremendo diante de Golias, com medo de partir para o confronto direto: “Quem é, pois, esse incircunciso filisteu, para afrontar os exércitos do Deus vivo?” (1Sa 17.26b). Ele não foi se aproximando do gigante devagar, repleto de admiração ou medo; ele foi correndo, cheio de ousadia e confiança. Quando os filisteus zombaram dele, Davi gritou: “Tu vens contra mim com espada, e com lança, e com escudo; eu, porém, vou contra ti em nome do Senhor dos Exércitos, o Deus dos exércitos de Israel, a quem tens afrontado. Hoje mesmo, o Senhor te entregará nas minhas mãos” (1Sa 17.45, 46). Hoje em dia, estamos precisando dessa mesma confiança inabalável no Senhor!

 

Se você realmente conhece a Deus, conhece Sua Palavra e está andando com Ele, já tem tudo de que precisa para envergonhar Dawkins. Não se deixe intimidar por esse homem. Ele está blefando. Ele não é nenhum especialista na “precisão histórica” dos quatro evangelhos. Ele leu alguns críticos que partem do pressuposto de que a Bíblia não é o que afirma ser e então tentam provar isso.

 

Já foram escritos muitos livros que provam a historicidade da Bíblia e revelam claramente que as alegações de Dawkins contra a Palavra de Deus são mentiras. Eu mesmo já escrevi muito sobre as provas irrefutáveis da autenticidade da Bíblia. Mas vamos tentar aqui uma abordagem mais simples. Acompanhe meu raciocínio:

 

As alegações dos críticos que atacam a autoria da Bíblia são ridículas. Eles literalmente acusam a Bíblia de ser uma fraude intencional do princípio ao fim! Eles dizem, por exemplo, que Daniel não escreveu o livro que traz seu nome. Ele teria sido escrito séculos mais tarde, por um impostor. E que prova eles têm disso?

 

Eles estão convencidos de que milagres não acontecem, de modo que a história dos três hebreus andando no meio de uma fornalha ardente sem sequer chamuscar os cabelos não pode ser verdade. Daniel também não poderia ter sobrevivido numa cova de leões famintos; portanto essa história também é ficção. Essa é a “evidência” que os críticos apresentam. É claro que é justamente o que Dawkins está procurando, e ele a passa adiante como se tivesse comprovado pessoalmente tudo que os críticos disseram.

 

O Livro de Daniel contém profecias precisas a respeito de eventos que a história registra e que ocorreram quatro séculos depois da época de Daniel. Mas os críticos não acreditam em profecia inspirada por Deus. Portanto, o que o Livro de Daniel diz sobre Antíoco Epifânio, por exemplo, não poderia ter sido escrito por alguém chamado Daniel, que viveu nos dias de Nabucodonosor, que foi testemunha ocular e participante dos acontecimentos narrados no livro que traz seu nome, e que recebeu de Deus as profecias ali registradas. “Daniel” tem que ser um impostor desconhecido que viveu 400 anos depois. O Livro de Daniel precisa ser desacreditado, ou seus leitores começarão a acreditar em profecia bíblica e milagres – e, consequentemente, em Deus. A única coisa que interessa a Dawkins é desacreditar a Bíblia; ele não quer a verdade que desmascararia seu ateísmo como a tolice que obviamente é.

 

O mesmo acontece com tudo o que está escrito na Bíblia, dizem os ateus. O nível de irracionalidade dessa afirmação é inacreditável. Ela equivale a dizer, por exemplo, que não existe um só autor honesto entre os escritores bíblicos; todos eles mentiram! Tudo é uma enorme fraude, do Gênesis ao Apocalipse. Os discípulos devem ter sido personagens fictícios; Jesus provavelmente nunca existiu; Paulo inventou um evangelho diferente do que Jesus pregou... e os absurdos se sucedem.

 

Para que uma fraude dessas proporções fosse tão bem coordenada, século após século,  alguém  tinha que estar supervisionando a construção da farsa! Ele teria que ser eterno e ter, pelo menos, acesso intermitente à mente humana. Quem poderia ser esse personagem?

 

As mentiras intencionais e a falsidade que os ateus atribuem aos homens que afirmaram ter sido inspirados por Deus para escrever as Escrituras não têm a menor credibilidade. Por outro lado, o que os escritores bíblicos dizem soa genuíno. Pedro jura solenemente: “Porque não vos demos a conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo seguindo fábulas engenhosamente inventadas, mas nós mesmos fomos testemunhas oculares [...]” (2Pe 1.16). João diz: “O que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos próprios olhos, o que contemplamos, e as nossas mãos apalparam [...] anunciamos também a vós outros [...]” (1Jo 1.1-3). E jura solenemente: “Este é o discípulo que dá testemunho a respeito destas coisas e que as escreveu; e sabemos que o seu testemunho é verdadeiro” (Jo 21.24). Os ateus insistem em dizer que isso foi escrito séculos mais tarde por um impostor fingindo ser João! Que motivo ele teria, e quem lhe pagou para fazer isso?

 

Lucas também testifica: “[...] muitos houve que empreenderam uma narração coordenada dos fatos que entre nós se realizaram, conforme nos transmitiram os que desde o princípio foram deles testemunhas oculares [...], igualmente a mim me pareceu bem, depois de acurada investigação de tudo desde sua origem, dar-te por escrito, excelentíssimo Teófilo, uma exposição em ordem, para que tenhas plena certeza das verdades em que foste instruído” (Lc 1.1-4). Será que Lucas também está mentindo? É preciso mais fé para acreditar nessa ridícula teoria de conspiração do que para crer na verdade. Além disso, se todos esses homens mentiram e as profecias foram escritas depois dos fatos acontecidos, por que eles não escreveram as profecias de uma forma mais clara, como impostores certamente teriam feito? (Dave Hunt,  The Berean Call  – http://www.chamada.com.br)


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[1]  Dawkins, Richard. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.