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terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

O livro de Ester começa e termina com um banquete

O primeiro baquete é um banquete de consolo. Dizem os historiadores de que Assuero havia perdido uma batalha importante contra a Grecia, então Assuero decide dar um banquete afim de consolar-se da derrota sofrida. (Et 1 e 2)

O segundo banquete foi um banquete em comemoração ao grande livramento que Deus havia dado tanto à Mardoqueu quanto ao povo Judeu. (Et 9)

Assuero, o principe do mundo buscou consolo. Mardoqueu, o principe de Deus comemorava o livramento.

Bem que poderíamos chamar o livro de Ester de "O livro dos Banquetes" pois, entre esses dois banquetes, há outros dois, oferecidos pela própria Ester, o primeiro para conquistar o favor do monarca, e o segundo para interceder. (Et 7).

Já conquistamos o favor do Rei, intercedemos, agora aguardemos o banquete pelo tão grande livramento.

Por Rafael Felix.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2023

Da Recordação dos Inumeráveis Benefícios de Deus

 Thomas à Kempis - A Imitação de Cristo

CAPÍTULO 22

Da Recordação dos Inumeráveis Benefícios de Deus


A alma: Abri, Senhor, meu coração à vossa lei, e ensinai-me o caminho de vossos preceitos.[1]  Fazei-me compreender a vossa vontade, e com grande reverência e diligente consideração rememorar os vossos benefícios, gerais ou particulares, para assim render-vos por eles as devidas graças. Bem sei e confesso que nem pelo menor benefício vos posso render condignos louvores e agradecimentos. Eu me reconheço inferior a todos os bens que me destes,[2]  e quando considero vossa majestade, abate-se meu espírito com o peso de vossa grandeza.

2. Tudo o que temos, na alma e no corpo, todos os bens que possuímos, internos e externos, naturais e sobrenaturais, todos são benefícios vossos, e outras tantas provas de vossa bondade, liberalidade e muníficência, que de vós todos os bens recebemos.

E ainda que este receba mais e outros menos, tudo é vosso, e sem vós ninguém pode alcançar a menor coisa.

E aquele que recebeu mais não pode gloriar-se de seu merecimento, nem elevar-se acima dos outros, nem desprezar o menor; porque só é maior e melhor aquele que menos atribui a si, e é mais humilde e fervoroso em vos agradecer.

E quem se considera mais vil e se julga o mais indigno de todos é o mais apto para receber maiores dons.

O que, porém, recebeu menos não deve afligir-se, nem queixar-se, nem ter inveja do mais rico; olhará, ao contrário, para vós, e louvará vossa bondade, que tão copiosa e liberalmente prodigalizais vossas dádivas, sem acepção de pessoas.

De vós nos vêm todas as coisas; por todas, pois, deveis ser louvado.

3. Vós sabeis o que é conveniente dar a cada um, e não nos pertence indagar por que este tem menos, aquele mais; só vós podeis avaliar os merecimentos de cada um.

Por isso, Senhor meu Deus, considero como grande benefício o não ter eu muitas coisas que trazem a glória exterior e os humanos louvores. Portanto, ninguém, à vista de sua pobreza e da vileza de sua pessoa, deve conceber, por isso, desgosto, tristeza ou desalento, senão grande alegria e consolo, porque vós, Deus meu, escolheste por vossos particulares e íntimos amigos os pobres, os humildes e os desprezados deste mundo.[3]  Testemunho disto são vossos apóstolos, a quem constituístes príncipes sobre a terra.[4]  Todavia, viveram neste mundo tão sem queixa,[5]  tão humildes e com tanta singeleza da alma, tão sem malícia ou dolo, que se alegravam de sofrer contumélias por vosso nome,[6]  e com grande afeto abraçavam o que o mundo aborrece.

Nada, pois, deve alegrar tanto aquele que vos ama e reconhece vossos benefícios, como ver executar-se a seu respeito vossa vontade e o beneplácito de vossas eternas disposições. Tanto deve com isto estar contente e satisfeito, que queira de tão boa vontade ser o menor, como outro desejaria ser o maior; e tão sossegado e contente deve estar no último como no primeiro lugar, tão satisfeito em ser desprezado e abatido, sem nome nem reputação, como se fosse o mais honrado e estimado no mundo. Porque a vossa vontade e o amor de vossa honra deve ser anteposto a tudo, e deve consolar e agradar mais ao vosso servo, que todos os dons presentes ou futuros.

______________

[1]  Sl 119.

[2]  Gn 32.10.

[3]  1Co 1.27, 28.

[4]  Sl 45.16.

[5]  1Ts 2.10.

[6]  At 5.41.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

Da Confissão da Própria Fraqueza, e das Misérias desta Vida

 Thomas à Kempis - A Imitação de Cristo

CAPÍTULO 20

Da Confissão da Própria Fraqueza, e das Misérias desta Vida


A alma: Confesso contra mim mesmo minha maldade,[1]  confesso, Senhor, minha fraqueza. Muitas vezes a menor coisa basta para me abater e entristecer. Proponho agir valorosamente, mas assim que me sobrevém uma pequena tentação, vejo-me em grandes apuros. Às vezes é de uma coisa mesquinha que me vem grave aflição. E quando me julgo algum tanto seguro, vejo-me, não raro, vencido por um sopro, quando menos o penso.

Olhai, pois, Senhor, para esta minha baixeza[2]  e fragilidade, que conheceis perfeitamente. Compadecei-vos de mim e tirai-me da lama, para que não fique atolado[3]  e arruinado para sempre. É isto que a miúdo me atormenta e confunde em vossa presença: o ser eu tão inclinado a cair, e tão fraco a resistir às paixões. E embora não me levem ao pleno consentimento, muito me molestam e afligem seus assaltos, e muito me enfastia o viver sempre nesta peleja. Nisto conheço minha fraqueza, que mais depressa me vem do que se vão essas abomináveis fantasias da imaginação.

Ó poderosíssimo Deus de Israel, zelador das almas fiéis, olhai para os trabalhos e dores de vosso servo, e assisti-lhe em todos os seus empreendimentos! Confortai-me com a força celestial, para que não me vença e domine o homem velho, a mísera carne, ainda não inteiramente sujeita ao espírito, contra a qual será necessário pelejar enquanto estiver nesta miserável vida.

2. Ai! que vida é esta, em que nunca faltam as tribulações e misérias, em que tudo está cheio de inimigos e ciladas! Porque mal acaba uma tribulação ou tentação, outra já se aproxima, e até antes de acabar um combate, muitos outros já sobrevêm, e inesperados.

E como se pode amar uma vida cheia de tantas amarguras, sujeita a tantas calamidades e misérias? Como se pode chamar vida o que gera tantas mortes e desgraças? E, não obstante, muitos amam e procuram nela deleitar-se. Muitos acoimam o mundo de enganador e vão, e ainda assim lhes custa deixá-lo, porque se deixam dominar pelos apetites da carne. Muitas coisas nos inclinam a amar o mundo, outras a desprezá-lo. Fazem amar o mundo a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida;[4]  mas as penas e as misérias que estas coisas se seguem geram o ódio e aborrecimento do mundo. Infelizmente, o vil deleite vence a alma mundana, que julga delícia o estar em meio dos espinhos,[5]  porque nunca viu nem provou a doçura de Deus, nem a intrínseca suavidade da virtude.

Mas aqueles que perfeitamente desprezam o mundo e procuram viver para Deus, em santa disciplina, experimentam a doçura divina, e mais claramente conhecem os erros grosseiros do mundo e seus vários enganos.

______________

[1]  Sl 32.5.

[2]  Sl 25.18.

[3]  Sl 69.14.

[4]  1Jo 2.16.

[5]  Jó 30.7.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

Como Devemos Examinar e Moderar os Desejos do Coração

 Thomas à Kempis - A Imitação de Cristo


CAPÍTULO 11

 

Como Devemos Examinar e Moderar os Desejos do Coração

 

Jesus: Filho, muitas coisas deves ainda aprender, que não sabes bem.

 

A alma: Que coisas são estas, Senhor?

 

Jesus: Que conformes completamente teu desejo[1]  a meu beneplácito e não sejas amante de ti mesmo, mas zeloso cumpridor de minha vontade.

 Muitas vezes se inflamam teus desejos, e com veemência te impelem; examina, porém, o que mais te move, se minha honra ou teu próprio interesse. Se for eu o motivo, ficarás bem contente, qualquer que seja o sucesso do empreendimento; mas, se lá se ocultar algum interesse próprio,[2]  eis que isto logo te embaraça e aflige. Guarda-te, pois, de confiar demasiadamente em preconcebidos desejos que tens sem me consultar, para que não suceda que te arrependas e te desagrade o que primeiro te agradou e procuraste com zelo, por te haver parecido melhor. Porém nem todo desejo que pareça bom logo devemos seguir, nem tampouco a todo sentimento contrário logo havemos de fugir.

 2. Convém, às vezes, refrear mesmo os bons empenhos e desejos, para que as preocupações não te distraiam o espírito; para que não dês escândalo por falta de discrição; para que, enfim, não te perturbe a resistência dos outros e desfaleças. Outras vezes, ao contrário, é preciso usar de violência[3]  e rebater varonilmente os apetites dos sentidos sem atender ao que a carne quer ou não quer,[4]  mas trabalhando por sujeitá-la ao Espírito,[5]  ainda que se revolte. Cumpre castigá-la e curvá-la à sujeição, a tal ponto, que esteja disposta para tudo, sabendo contentar-se com pouco e deleitar-se com a simplicidade, sem resmungar por qualquer incômodo.

 ______________

[1]  Sl 108.1; Mt 6.10.

[2]  Fp 2.21.

[3]  Fp 2.12.

[4]  Rm 8.1-13; 2Co 4.10; 10.3.

[5]  1Co 9.27.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

Como Deus é Delicioso em Tudo e Sobretudo a Quem O Ama

 Thomas à Kempis - A Imitação de Cristo


CAPÍTULO 34

Como Deus é Delicioso em Tudo e Sobretudo a Quem O Ama


A alma: Vós sois meu Deus e meu tudo! Que mais quero eu e que dita maior posso desejar? Ó palavra suave e deliciosa! Mas só para quem ama a Deus, e não o mundo nem as suas coisas.

Meu Deus e meu tudo! Para quem a entende basta esta palavra, e quem ama acha delícia em repeti-la a miúdo. Porque, quando estais presente tudo é aprazível, mas, se vos ausentais, tudo enfastia. Vós dais ao coração sossego, grande paz e jubilosa alegria. Vós fazeis que julguemos bem de todos e em tudo vos bendigamos; nem pode, sem vós, coisa alguma agradar-nos por muito tempo, mas, para ser agradável e saborosa, é necessário que lhe assista a vossa graça e a tempere o condimento da vossa sabedoria. A quem saboreia vossa doçura, que coisa não lhe saberá bem? Mas a quem em vós não se deleita, que coisa lhe poderá ser gostosa?

Diante da vossa sabedoria[1] desaparecem os sábios do mundo e os amadores da carne, porque nos primeiros se acha muita vaidade, nos últimos, a morte; os que, porém, vos seguem pelo desprezo do mundo e pela mortificação da carne, esses são verdadeiramente sábios, porque trocam a vaidade pela verdade, e a carne pelo espírito. Esses acham gosto nas coisas de Deus, e tudo quanto se acha de bom nas criaturas, referem-no à glória do seu Criador. Diferente, porém, e mui diferente, é o gosto que se encontra em Deus e na criatura, na eternidade e no tempo, na luz incriada e na luz criada.

2. Ó luz eterna, superior a toda luz criada, lançai do alto um raio[2]  que penetre todo o íntimo do meu coração. Purificai, alegrai, iluminai e vivificai a minha alma com todas as suas potências, para que a vós se una em transportes de alegria. Oh! Quando virá aquela ditosa e almejada hora, em que haveis de saciar-me com a vossa presença, e ser-me tudo em todas as coisas? Enquanto isso não me for concedido, minha alegria não será perfeita.

Mas ai! Que ainda vive em mim o homem velho,[3]  não de todo crucificado nem inteiramente morto. Ainda se revolta fortemente contra o espírito e move guerras interiores; nem consente em que reine tranquilidade na alma.

Mas vós, que dominais a impetuosidade do mar e aplacais o furor das ondas,[4]  levantai-vos e socorrei-me! Dissipai os poderes que procuram guerras,[5]  esmagai-os com o vosso braço. Manifestai, Senhor, as vossas maravilhas, e seja glorificada a vossa destra, pois não tenho outro refúgio senão em vós, meu Senhor e meu Deus![6]

______________

[1]  1Co 1.26; Rm 8.5; Jo 2.16.

[2]  Sl 144.6.

[3]  Rm 7.

[4]  Sl 89.9.

[5]  Sl 68.30.

[6]  Sl 31.14.

quinta-feira, 26 de maio de 2022

Como Evitar Desequilíbrios Religiosos

  

A. W. Tozer

 

“E a si mesmo se purifica todo o que nele tem esta esperança, assim como ele é puro,”  1Jo 3.3

 Os nossos esforços para sermos corretos podem nos conduzir ao erro.

 A operação do Espírito, no coração humano, não é inconsciente nem automática. A vontade e a inteligência humana devem ceder e cooperar com as benignas intenções de Deus. Penso que é neste ponto que muitos de nós se perdem. Ou tentamos nos tornar santos, e, então, falhamos miseravelmente; ou, então, procuramos atingir um estado de passividade espiritual, esperando que Deus aperfeiçoe nossa natureza, em santidade, como alguém que se assentasse esperando que um ovo de pintarroxo chocasse sozinho. Trabalhamos febrilmente, para conseguir o impossível, ou não trabalhamos de forma alguma. O Novo Testamento nada conhece da operação do Espírito em nós, à parte de nossa própria resposta moral favorável. Vigilância, oração, autodisciplina e aquiescência inteligente aos propósitos de Deus são indispensáveis para qualquer progresso real na santidade. Existem certas áreas de nossas vidas em que os nossos esforços para sermos corretos nos podem conduzir ao erro, a um erro tão grande que leva à própria deformação espiritual. Por exemplo:

1. QUANDO, EM NOSSA DETERMINAÇÃO DE NOS TORNARMOS OUSADOS, NOS TORNAMOS ATREVIDOS. Coragem e mansidão são qualidades compatíveis; ambas eram encontradas em perfeitas proporções em Cristo, e ambas brilharam esplendidamente na confrontação com os seus adversários. Pedro, diante do sinédrio, e Paulo, diante do rei Ágripa, demonstraram ambas essas qualidades, ainda que noutra ocasião, quando a ousadia de Paulo temporariamente perdeu o seu amor e se tornou carnal, ele houvesse dito ao sumo sarcedote:  “Deus há de ferir-te, parede branqueada.”  No entanto, deve-se dar um crédito ao apóstolo, quando, ao perceber o que havia feito, desculpou-se imediatamente (At 23.1-5).

2) QUANDO, EM NOSSO DESEJO DE SERMOS FRANCOS, TORNAMO-NOS RUDES. Candura sem aspereza sempre se encontrou no homem Cristo Jesus. O crente que se vangloria de sempre chamar de ferro o que é de ferro, acabará chamando tudo pelo nome de ferro. Até o fogoso Pedro aprendeu que o amor não deixa escapar da boca tudo quanto sabe (1 Pe 4.8).

3) QUANDO, EM NOSSOS ESFORÇOS PARA SERMOS VIGILANTES, FICAMOS A SUSPEITAR DE TODOS. Posto que há muitos adversários, somos tentados a ver inimigos onde nenhum deles existe. Por causa do conflito com o erro, tendemos a desenvolver um espírito de hostilidade para com todos quantos discordam de nós em qualquer coisa. Satanás pouco se importa se seguimos uma doutrina falsa ou se meramente nos tornamos amargos. Pois em ambos os casos ele sai vencedor.

4) QUANDO TENTAMOS SER SÉRIOS E NOS TORNAMOS SOMBRIOS. Os santos sempre foram pessoas sérias, mas a melancolia é um defeito de caráter e jamais deveria ser mesclada com a piedade. A melancolia religiosa pode indicar a presença de incredulidade ou pecado, e, se deixarmos que tal melancolia prossiga por muito tempo, pode conduzir a graves perturbações mentais. A alegria é a grande terapia da mente.  “Alegrai-vos sempre no Senhor”  (Fp 4.4).

5) QUANDO TENCIONAMOS SER CONSCIENCIOSOS E NOS TORNAMOS ESCRUPULOSOS EM DEMASIA. Se o diabo não puder destruir a consciência, seus esforços se concentrarão na tentativa de enfermá-la. Conheço crentes que vivem em um estado de angústia permanente, temendo que venham a desagradar a Deus. Seu mundo de atos permitidos se torna mais e mais estreito, até que finalmente temem atirar-se nas atividades comuns da vida. E ainda acreditam que essa autotortura é uma prova de piedade.

Enquanto os filósofos religiosos buscam corrigir essa assimetria (que é comum à toda raça humana), pregando o “meio-termo áureo,” o cristianismo oferece um remédio muito mais eficaz. O cristianismo, estando de pleno acordo com todos os fatos da existência, leva em consideração este desequilíbrio moral da vida humana, e o medicamento que oferece não é uma nova filosofia, e sim uma nova vida. O ideal aspirado pelo crente não consiste em andar pelo caminho perfeito, mas em ser conformado à imagem de Cristo.

 

Revista  Fé para Hoje

 

quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

Meninos e Meninas Brincando

 

J. C. Ryle

 

“As praças da cidade se encherão de meninos e meninas, que nelas brincarão.” (Zc 8.5)

 

Queridas crianças, o texto acima fala de coisas que acontecerão. Deus está nos falando o que acontecerá um dia nas ruas de Jerusalém.

Jerusalém, vocês sabem, é uma cidade muito famosa. Ela era a principal cidade dos judeus. É a cidade onde Davi e Salomão viveram. É a cidade onde Cristo morreu na cruz e ressuscitou. Toda criança que lê a Bíblia sabe alguma coisa sobre Jerusalém.

Jerusalém era uma grande e rica cidade. Em todo o mundo não havia outra cidade como ela enquanto os judeus temiam a Deus. Mas os pecados dos judeus trouxeram a ruína de Jerusalém. Agora ela é uma cidade suja, pobre e decadente e todos ficam tristes só de olhar para ela.

Mas virá um dia quando Jerusalém será de novo uma grande e bela cidade. Um dia os judeus se arrependerão e servirão a Cristo e voltarão para a sua terra. Então os bons tempos de Jerusalém voltarão. Ela será novamente uma grande, rica e próspera cidade. E, então, as palavras do texto se cumprirão: “As praças da cidade se encherão de meninos e meninas, que nelas brincarão”.

Crianças, há duas coisas que eu quero que vocês aprendam com este texto. Vocês podem ver que Deus nos diz que nos melhores e mais santos dias de Jerusalém haverá meninos e meninas brincando nas ruas. Ele nos conta isso, e não diz que isso é errado. Vamos ver o que podemos aprender com isso?

1. Nós aprendemos que Deus atenta para as crianças e sabe o que elas fazem. Ele não nos fala só dos homens e mulheres de Jerusalém. Ele também fala de “meninos e meninas”. Ele diz que esse será um bom tempo quando haverá muitos deles, e que será um tempo bom, quando eles brincarão nas praças.

Algumas pessoas não se importam com as crianças, e até dizem que existem crianças demais no mundo. Deus não é como essas pessoas. O grande Deus dos céus ama as crianças. Ele sabe que não pode haver homens e mulheres um dia, se não existirem crianças hoje. Ele nos diz no Sl 127.5, “Feliz o homem que enche deles a sua aljava”. Pessoas que não gostam de crianças, e que se aborrecem com elas, deviam se lembrar que elas já foram crianças um dia.

Na Bíblia há muita coisa sobre crianças. Leiam as histórias de Ismael, Isaque, Benjamim, Moisés, Samuel e Abias. Leiam os provérbios de Salomão e vejam quantas vezes aquele sábio homem falou sobre as crianças. Leiam os Evangelhos e vejam como o Senhor dava atenção aos pequeninos, os tomava nos braços e os abençoava. Leiam as cartas do apóstolo Paulo e vejam o quanto ele fala de crianças. Essas coisas foram escritas para nos ensinar.

Crianças, nunca se esqueçam disso: Vocês nunca são jovens demais ou pequenos demais para que Deus não olhe para vocês. Vocês nunca são jovens demais ou pequenos demais para começar a pensar em Deus. Vocês têm idade suficiente para fazerem travessuras? Então fiquem sabendo que vocês também já têm idade suficiente para serem bons meninos e meninas. Vocês têm idade suficiente para conversar? Então fiquem sabendo que vocês também já têm idade para dizerem suas orações. Vocês têm idade para aprender palavrões? Então fiquem sabendo que vocês já têm idade para aprender textos bíblicos. Vocês já têm idade para conhecer e amar suas mães? Então saibam que também têm idade para conhecer e amar a Jesus que morreu para salvar as suas almas.

Meninos e meninas, lembrem-se dessa primeira grande lição: Deus se importa com vocês. Cuidem de se importar com Deus.

2. Aprendam mais uma coisa com o texto: Deus deixa que meninos e meninas brinquem. Ele não nos conta que as praças de Jerusalém ficarão cheias de meninos e meninas sentados, calados e quietos. Ele nos diz que as crianças estarão brincando, e nos diz também, que brincar não é errado.

Algumas boas pessoas parecem pensar que as crianças nunca devem brincar. Elas dizem que brincadeiras são pecado e que crianças devem sempre parecer bastante sérias, e nunca rir ou se alegrar. Elas cometem um grande erro quando falam isso. Deus nos diz que nos bons tempos de Jerusalém “meninos e meninas brincarão nas suas praças”. Então brincar com moderação não pode ser errado.

Brincar combina com a infância. As crianças não podem estar sempre estudando ou trabalhando. Suas mentes não são firmes o suficiente para isso. Elas não são como as pessoas adultas. Todos os dias elas precisam de um tempo para descansar e se exercitar.

As brincadeiras ajudam as crianças a crescerem fortes e saudáveis. Os seus corpos nunca estarão bem se elas ficarem sempre sentadas ou paradas o dia inteiro. Elas precisam exercitar todos os seus membros enquanto ainda são jovens para que se tornem homens e mulheres saudáveis quando ficarem adultas. Brincar é uma coisa natural para uma criança. Um menino ou uma menina que não gosta de brincar, geralmente, não está bem.

Brincar ensina as crianças a tolerar e a lidar com desapontamentos. Nem sempre elas podem vencer o jogo ou fazer as coisas do seu jeito. Brincar as fazem ficar ativas, espertas e prontas para qualquer coisa. Elas não podem ser bem sucedidas em jogos de habilidade se não estiverem sempre atentas. O grande Duque de Wellington costumava dizer que ele aprendeu como vencer a batalha de Waterloo quando ainda brincava nos campos do Eton College.

Brincadeiras fazem as crianças estudarem melhor. Depois de brincar, elas voltam para as suas lições mais espertas, e mais atentas do que se tivessem passado o dia inteiro sentadas lendo e escrevendo. As brincadeiras ajudam a mente, o cérebro e os nervos a funcionarem melhor.

Qualquer tipo de brincadeira é melhor do que a ociosidade. “Satanás sempre encontra alguma coisa para as mãos desocupadas fazerem”. Se meninos e meninas não tiverem boas brincadeiras para se ocuparem depois da escola eles certamente acabarão fazendo alguma travessura.

Queridas crianças, vocês podem ver que eu sou um amigo das suas brincadeiras. E eu não me envergonho de ser, porque eu vejo que Deus aprova isso. Deus permite que façamos qualquer coisa, exceto que pequemos; e brincar com moderação não é pecado.

Agora eu terminarei meu sermão com quatro pequenos conselhos para meninos e meninas, nos quais eu espero que pensem e não esqueçam:

1. Em todas as suas brincadeiras lembrem-se dos olhos e dos ouvidos de Deus. Ele vê e ouve todas as coisas. Minhas queridas crianças, não falem nada que vocês não gostariam que Deus ouvisse; e, não façam nada que não gostariam que Deus visse.

 

2. Em todas as suas brincadeiras, mantenham a calma. Sejam gentis, alegres, generosos e tranquilos, até mesmo quando vocês perderem o jogo. Crianças, nunca se deixem dominar pela raiva. Qualquer que seja o jogo que vocês estejam brincando, mantenham sempre a calma.

3. Não negligenciem suas obrigações por causa da diversão. Deixem que as suas brincadeiras ajudem vocês a aprender melhor, e serem melhores meninos e meninas, tanto na escola como em casa. É verdade que “só trabalho e nenhuma brincadeira faz um menino chato”, mas eu creio que não é menos verdade que só brincadeira e nenhum trabalho faz um homem inútil e ignorante.

4. Em último lugar, nunca se esqueçam, mesmo quando estiverem brincando, que a verdadeira felicidade vem de Cristo. Se vocês querem ser meninos e meninas felizes, amem a Cristo e façam dEle o seu melhor amigo. Cristo é Aquele que dá luz aos nossos corações e traz paz às nossas mentes. A criança mais feliz é aquela que mais ama a Cristo.

 

Existe uma colina verdejante,

Bem longe, fora do muro da cidade

Onde nosso amado Senhor na cruz morreu

Para nos salvar a todos, qualquer que seja a idade.

 

Não sabemos, nem podemos dizer

Que dores teve Ele de suportar

Mas cremos que foi por nós

Que ali pendurado, as teve de levar.

 

Morreu para nos fazer bem

Morreu para que fôssemos perdoados

Para que ao fim pudéssemos ir para o céu

Pelo Seu precioso sangue resgatados.

 

Não há nenhum outro bem

Que possa o preço do pecado pagar

Somente Ele podia abrir

As portas do céu e nos deixar entrar.

 

Oh, quanto, quanto Ele amou!

Também nós devemos amá-lO,

E confiar no Seu sangue redentor,

Procurando sempre imitá-lO.

 

sábado, 1 de janeiro de 2022

A Reação do Cristão

  

Watchman Nee

 

Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste. Mateus 5:48

 

Pelo menos a metade, senão mais da nossa vida, é feita de reações. As pessoas falam e nos sentimos alegres; isto é reação. Elas falam e ficamos zangados; isto é reação também. Alguém faz uma certa coisa e nós a consideramos errada; isto é reação. Alguém faz algo contra nós, e então perdemos a paciência; isto também é reação. Ficamos irritados quando nos provocam, nos defendemos quando nos entendem mal, suportamos quando maltratados; tudo isto é reação. Analisando nossa vida, parece que mais da metade dela é vivida em reações.

 

O Ensinamento do Senhor no Monte

 

Como reagiam as pessoas no Velho Testamento, sob a dispensação da lei? Ouvistes o que foi dito: Olho por olho, dente por dente. Mateus 5:38. Esta passagem é bastante simples; ela fala de reações. Se alguém ferir o meu olho, eu ferirei o olho dele; se alguém quebrar o meu dente, eu farei o mesmo com ele. Eu faço algo porque você faz alguma coisa – isto é reação. O Velho Testamento, sob a lei, apresenta este tipo de reação.

Os cristãos do Novo Testamento, entretanto, têm um tipo de reação diferente. O Senhor diz: Eu porém vos digo: não resistais ao perverso (v. 39). A nossa reação deve ser diferente, não devemos resistir às pessoas más.

As palavras do texto, a seguir, são famosas e três questões, ali, são levantadas: Mas a qualquer que te ferir na face direita, volta-lhe também a outra; e, ao que demandar contigo e tirar-te a túnica, deixa-lhe também a capa. Se alguém te obrigar a andar uma milha, vai com ele duas. (v. 39-41). Você percebe que a face esquerda, a capa e a segunda milha são reações cristãs? A face direita, a túnica e a primeira milha são obras do homem. O que o homem pede é a primeira milha, mas a reação cristã é a segunda milha. O que as pessoas pedem é a túnica, mas damos uma capa a mais. O que as pessoas procuram é a face direita, mas respondemos dando a face esquerda também. Esta passagem em Mateus nos diz que nós, os cristãos, precisamos ter um tipo diferente de reação.

O que é reação cristã? Não deveríamos ter necessidade de que nos falassem sobre isso, já que somos cristãos há muito tempo. Seria melhor se no início da nossa vida cristã aprendêssemos como o Senhor deseja que reajamos, pois não podemos ser bons cristãos a menos que tenhamos as reações certas. Como podemos reagir contra a nossa natureza, isto é, contra a vida natural que Deus nos deu, e alcançar o padrão cristão colocado por ele? Esforcemo-nos, portanto, para que nossas reações sejam apropriadamente cristãs. Não podemos dizer que somos cristãos e, contudo, reagir da mesma maneira que o mundo.

Antes de nos tornarmos cristãos, tínhamos nossas próprias reações. Não devemos agora reagir como no passado, pois precisamos reagir como instruídos pelo Senhor.

 

Dá a quem te pede e não voltes as costas ao que deseja que lhe emprestes. (v. 42). Tudo isso é reação. Se alguém pedir algo a você, dê a ele o que é pedido. Se alguém deseja pedir-lhe emprestado, não o mande embora, a menos que você não tenha nada que possa dar.

 

Ouviste o que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo. (v. 43). Essas são as reações daqueles que estão sob a lei. Se você é meu próximo, minha reação é de amor; mas se você é meu inimigo, minha reação é de ódio.

 

Eu porém vos digo: Amai os vossos inimigos. (v. 44). A reação do cristão é diferente; ele é seu inimigo, mas você o ama. E orai pelos que vos perseguem. A intenção dele é de me perseguir, mas minha reação é orar por ele.

 

Para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o sol sobre maus e bons e vir chuva sobre justos e injustos. (v. 45). Essas são as reações de Deus. As reações dele permanecem constantes. Ele não usa de reação negativa com os homens.

 

Porque, se amardes os que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem os publicanos também o mesmo? (v. 46). Qual é a recompensa se amarmos aqueles que nos amam? Os publicanos se comportam da mesma forma. Tal reação fácil e barata é a mesma dos publicanos.

 

E se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os gentios também o mesmo? (v. 47). Eu e ele somos irmãos, portanto o saúdo; mas se existe alguma coisa negativa entre nós, nem mesmo ouso falar com ele. Posso, dessa forma, considerar-me diferente dos gentios? Tal reação é tão baixa quanto a dos gentios.

 

Portanto, sede vós perfeitos, como é perfeito o vosso pai celeste. (v. 48). Isso quer dizer que em relação à reação precisamos ser semelhantes a Deus.

 

Essa passagem trata exclusivamente da reação cristã. Se resolvermos o problema das reações, resolveremos mais da metade de nossa vida cristã, pois reagimos mais do que agimos.

As reações do homem quanto aos problemas comuns podem ser divididas em três níveis: primeiramente, o nível da razão; em segundo, o nível da boa conduta; em terceiro, o nível da vida de Deus. Aquele que vive no nível da razão reagirá emocionalmente e com raiva; o que vive o nível da boa conduta reagirá pacientemente; mas o que vive a vida cristã reagirá segundo o coração de Deus.

O que é melhor: bater ou ser espancado? Se fôssemos espancados hoje por um irmão, sabe o que ele nos estaria dando? Uma excelente oportunidade que não poderia ser melhor – a de crescermos como cristãos.

Em geral as pessoas pensam que o mais forte é aquele que espanca os demais; digo, porém, que forte é aquele que é capaz de ser espancado sem revidar. É forte porque pode dar a sua face esquerda sem espancar a si mesmo. Quanto maior a pressão, mais forte é o poder da manifestação da vida de Deus.

 

Fonte: Não Eu, mas Cristo. Editora Tesouro Aberto

 

quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

O Gozo do Senhor

  

F. B. Meyer

 

Gozo abundante é a característica primeira de nossa vida cristã – gozo inefável e glorioso. Se a sua vida está com falta de gozo, a causa deve ser algum pecado. Procura, pois, a razão pela qual sua harpa está dependurada no salgueiro e o gozo desapareceu da sua vida. O Senhor Jesus disse: tenho-vos dito estas coisas para que o meu gozo permaneça em vós e o vosso gozo seja completo. Jo 15.11. Se o seu gozo não é completo, você não entrou ainda no coração da mensagem do Senhor sobre a videira e as varas.

Paulo disse: O fruto do Espírito é gozo. Gl 5.22. Ora, fruto é uma coisa natural; não há esforço em produzir fruto. Se o galho está devidamente ligado ao tronco, ele dá fruto; e se você estiver devidamente ligado ao Senhor, gozo será para você tão natural como o canto das aves canoras.

É a vida cristã, para você, uma coisa sombria e severa? Não há nela espontaneidade e largueza? Se assim é, há alguma coisa errada na sua vida interior, que está sufocando a fonte de gozo.

Há alguns anos, um amigo meu visitou as ruínas do Fórum Romano. Enquanto ali estava, presenciou uma limpeza que se fazia no local, e eis que, em dado momento, quando se removiam entulhos e lixos, saltaram repentinamente as águas de uma fonte que ali estivera oculta por séculos. Pobre fonte! Anelante por expressar-se e derramar suas águas à luz do sol, mas obstruída por aquelas coisas que se haviam acumulado no correr dos anos!

Assim, se você é de fato nova criatura em Cristo, há no seu coração uma fonte de gozo que tem estado obstruída e sufocada.

Abre a sua Bíblia em 2Cr 29.27, e lê: E ao tempo em que começou o holocausto, começou também o canto do Senhor.

A palavra começou indica que havia cessado. Se você examinar o capítulo precedente verá que por dezesseis anos o canto do Senhor estivera ausente dos lábios dos levitas, e não se fizera ouvir nos átrios do templo. Aqueles recintos, nos quais, segundo a intenção de Davi, deveriam ressoar os louvores e adoração a Deus, estavam silenciosos. Neste aspecto, eles fazem lembrar o seu coração, pois o seu coração foi feito para música, e se esta cessou terá sido provavelmente pela mesma razão.

 

A Causa do Silêncio

 

O que acontecera durante aqueles dezesseis anos? Voltemo-nos para o capítulo 28.24, 25: E ajuntou Acaz os vasos da casa do Senhor, e fez em pedaços os vasos da casa de Deus, e fechou as portas da casa do Senhor, e fez para si altares em todos os cantos de Jerusalém. Também em cada cidade de Judá fez altos para queimar incenso a outros deuses; assim provocou a ira do Senhor, Deus de seus pais.

O rei Acaz se enfadara da adoração a Deus. Apagou então as luzes da casa do Senhor, fechou-lhe as portas, tomou-lhe as chaves, e dispersou os levitas. Nem Acaz, nem os sacerdotes, nem os levitas frequentavam o lugar santo.

Então veio uma mudança. Ezequias tornou-se rei, e no ano primeiro do seu reinado, no mês primeiro, abriu as portas da casa do Senhor, e as reparou. E trouxe os sacerdotes, e os levitas, e os ajuntou na praça oriental, e lhes disse: Ouvi-me, ó levitas, santificai-vos agora, e santificai a casa do Senhor, Deus de vossos pais, e tirai do santuário a imundícia. Versículos 3 e 4.

Tirai a imundícia, é isso que precisa ser feito. Este é o apelo do apóstolo Paulo: Purifiquemo-nos de toda imundícia da carne e do espírito. 2Co 7.1.

Os sacerdotes e levitas reuniram-se ao chamado de Ezequias, e entraram dentro da casa do Senhor, para purificar, e tiraram para fora toda imundícia que acharam no templo do Senhor. v. 16.

E o que se seguiu a isto? Fizeram uma oferta pelo pecado, e assim o pecado foi purificado.

Apliquemos, agora, estas verdades em nossas vidas. Estão vocês, regenerados, prontos a reparar velhas questões? A deixar de lado certas coisas em seus próprios negócios, que sabem não estarem perfeitamente de acordo com os mandamentos de Cristo?

Se é assim, apertem as mãos daquele irmão, escrevam aquela carta, paguem aquela dívida, acabem com aquela fonte de irritação. Deixem que o amor de Deus seja derramado em sua alma, e então o gozo virá.

Voltemo-nos agora para o seu próprio coração. Há algum pecado secreto abrigado ali? Encara sua verdadeira condição. Muitas vezes somos como alguém que receia estar com os pulmões doentes, mas teme ser examinado pelo médico, não venha este, porventura, revelar-lhe sua verdadeira condição. Nós não faremos progresso algum enquanto não estivermos limpos. Você tem certeza de que nada há no seu coração que não gostaria que Cristo lhe apontasse? Antes que possa ter o melhor que Deus tem para você, precisa deixá-lo sondar a sua alma e mostrá-lo qual é a coisa impura que ali entrou anos atrás e tem sufocado desde então a sua vitalidade espiritual.

Começou o canto. Ezequias tinha preparado o altar. De um lado estavam os sacerdotes com todo o holocausto – que significava a inteira consagração de Cristo a Deus na sua morte, como também a inteira consagração dos crentes a Cristo em vida. Do outro lado estavam: o coro dos levitas, em vestiduras brancas, e outros levitas com címbalos, saltérios e harpas. A um determinado sinal, o holocausto foi depositado no altar. Eu não sei se Deus enviou fogo do céu, ou se foi trazido fogo sagrado que de nenhuma maneira tivesse sido conservado a arder por todos aqueles anos. Mas quando o fogo começou, as vozes dos coristas irromperam em cântico e novamente fez-se ouvir a música dos instrumentos. Quando começou o holocausto, o canto começou.

Portanto, rogo-vos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; e transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que saibais qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

Quanto eu lutei contra a vontade de Deus! Achava que ela era dura, inexorável, terrível; mas quando um homem se entrega a ela, descobre que é boa, agradável e perfeita. A coisa que você odeia torna-se o seu gozo. E ao olhar para a face de Cristo e dizer: “Rabboni – Mestre”, brotará na tua alma o gozo da manhã da ressurreição. O Senhor o ajude a tirar para fora toda a imundícia e a se entregar a ele. E então, quer você tenha voz para cantar ou não, o canto do Senhor começará na sua alma!

 

Fonte: Revista Reavivamento, maio de 1956