POR LEONARDO MELO.
INTRODUÇÃO.
Desde os primeiros séculos de existência da Igreja, os falsos mestres e hereges sempre surgiram como obstáculos a serem superados pela Igreja de Cristo. Assim como Jesus, o apóstolo Paulo ensinou sobre falsos evangelhos que surgiriam ao longo da existência da Igreja, conforme, Mateus 24.4-5,11; Marcos 13.5-6, Lucas 22.8;II Coríntios 11.4; Gálatas 1.8-9; I Timóteo 4.1-2; II Timóteo 3.1-9; II Pedro 2.1-3; Judas 4,10,12-13 O próprio apóstolo Paulo falando sobre os hereges à Igreja grega em Corinto admite a existência deles e exorta que em certa medida é salutar a existência deles para a Igreja, pois, eles[os hereges] serviriam de referencial para a justificação da verdade, e seriam descobertas suas mentiras, I Coríntios 11.19 [E até importa que haja entre vós heresias, para que os que são sinceros se manifestem entre vós]. Então, os ensinos heréticos iriam servir como parâmetro afim de separar a mentira da verdade. Os hereges sempre tiveram uma capacidade inquestionável de se multiplicarem, sejam em números de membros sejam em provocar cisão entre sí, criando novas perspectivas doutrinárias, porém, com a mesma proposta inicial. Não é uma lei, mas as seitas invariavelmente sofrem rupturas e são criados novos grupos heréticos, mas que não deixam seu objetivo primordial que é pregar suas mentiras e enganos sobre Jesus e o Evangelho.
Os temas ligados ao gnosticismo tem atualmente avançado com outras abordagens filosóficas e religiosas e em certa medida tem influenciado várias Igrejas cristãs e seus líderes.
Dentre aqueles que defendiam e apoiavam o gnosticismos não houve um consenso quanto a sua doutrina. Vários pensadores gnósticos tinha seu entendimento próprio e dessa forma surgiram várias correntes gnósticas, isto é, ao longo dos anos floresceram várias concepções e sistemas gnósticos que possuíam sua própria visão acerca do mal, de Jesus Cristo, da pobreza, do universo, enfim, cada uma delas apresentavam seus dogmas e doutrinas independentes, porém, algumas correntes eram apenas extensões ou ampliação dos pensamentos da outras. Havia o gnosticismo sírio, o egípcio, o judaizante e o pôntico, o gnosticismo cristão dentre outra correntes gnóstica.
AS VARIANTES GNÓSTICAS E SUA CONCEPÇÃO SOBRE JESUS CRISTO.
A data acerca do início do Gnosticismo é incerta e imprecisa. Alguns acreditam que ela nasceu como uma seita formada por um grupo de dissidentes do judaísmo. Outros creem que ele surge do meio cristão, todavia, os pais da Igreja acreditam que o gnosticismo apareceu no século I com Simão, o mágico de Samaria, conforme o Livro dos Atos dos Apóstolos, cap. 8 e segundo os pais da Igreja, Simão foi o primeiro gnóstico. A fim de justificar o surgimento do gnosticismo a partir do judaísmo, alguns autores citam dois documentos: O Apocalipse de Adão e A Paráfrase de Sem, que teriam influência gnósticas e surgiram dentro do Judaísmo. No entendimento de ALTANER & STUIBER[2010]: “Na verdade a origem exata do gnosticismo como fenômeno genérico, não foi plenamente elucidada, apesar das minuciosas e perseverantes pesquisas a respeito da procedência de seus diversos elementos constitutivos, nos ambientes babilônico-astrológico, , Iraniano, egípcio, judaico tardio, helenista e cristão. Há quem considere o gnosticismo uma transformação sincretista do Cristianismo, outros opinam por uma gnose pré-cristã, proveniente do judaísmo heterodoxo ou do mundo do helenismo tão fortemente diferenciado em sua estruturação, atingindo o máximo de energia e expressão apenas no Cristianismo do séc. II.
O que se deixa transparecer através dos pais da Igreja em seus escritos, é que a partir dos séculos II a IV, conforme, Agostinho, Justino Martir, Irineu de Lião dentre outros, é que o gnosticismo exerceu uma pressão considerável de fora para dentro sobre a Igreja. Eles procuravam primordialmente negar as verdades contidas nas Sagradas Escrituras acerca de Jesus e sua Palavra, doutrina esta ensinada pelos pais apostólicos que tiveram que refutar os ensinos dos hereges. Na verdade, Deus levantou vários apologistas a partir do séc. II contra esta heresia, além dos mencionados anteriormente: Agripa Castor escreveu contra Basilides,; Filipe de Gortina, Modesto e Rhodon, discípulo de Taciano, originário da Ásia Menor, refutaram Marcião; Musano combateu os encratitas, segundo Eusébio de Cesareia. Gnosticismo é uma palavra de origem grega que tem como raiz a palavra gnose[γνοσε], que significa “conhecimento”. Eles tem uma visão cosmológica dualista sobre o universo, o bem e o mal e suas influências sobre o homem e a religião.
Segundo [GEISLER. 2017]: “ O livro de Irineu , “Contra as Heresias”, dá um tratamento extenso ao que os gnósticos acreditavam. Três códices gnósticos escritos em copta foram publicados. Dois foram descobertos em Nag-Hammadi, no Egito, em 1945. O Códice Askewi-nus, contém Pistis Sophia; Códice Brucianus contém o livro de Jéu. O mais conhecido entre os documentos de Nag-Hammadi é o evangelho de Tomé. Uma terceira obra desse período , Códice Berolinensis, foi encontrada em outra parte e publicada em 1955. Contém o evangelho de Maria[Magdalena], a Sofia de Jesus, Atos de Pedro e o Apócrifo de João. A primeira tradução de um tratado, O Evangelho da Verdade apareceu em 1956, e uma tradução de 51 tratados, inclusive o Evangelho de Tomé, apareceu em 1977”. Havia vários sistemas gnósticos e cada um deles tinha suas bases doutrinárias conforme o pensamento do líder. No entendimento de, [SOARES. 2012] os principais sistemas gnósticos surgidos nos primeiros séculos da existência da Igreja, séculos II e IV foram:
1.Gnosticismo Sírio. Saturmino era seu defensor, também conhecido como Sartunilo[120 d.C.]. ele ensinava que Jesus Cristo não nasceu, não teve forma nem teve corpo, foi simplesmente visto de forma humana em mera aparência. Segundo Saturmino, Cristo veio para destruir o Deus do Antigo Testamento e salvar os que cressem nele. Esse representante da escola Síria ensinava que o Deus dos judeus era apenas um dos sete anjos. Seguia a linha de Meandro , o qual ensinava que tudo veio a existir mediante os anjos, e era o seu número sete.
2.Gnosticismo Egípcio.
Era o de Saturmino ampliado e desenvolvido por Basilides[130 a.C.], cuja essência foi transmitida por Valentino de maneira poética e popular em 140 d. C.. Basilides ensinava que que Cristo era a mente de primogênita do Pai Ingênito – o Deus dos judeus. Negava a crucificação de Cristo, dizia que Simão , o cirineu, transfigurou-se e foi equivocadamente crucificado, e que o populacho o tomou por Jesus. Assim, sendo, Cristo apenas presenciou a crucificação de Simão, seu sósia.
3. Gnosticismo Judaizante. Era um gnosticismo muito parecido com as doutrinas dos Ebionitas]Judeus cristãos que negavam a divindade de Cristo e rejeitavam todos os Evangelhos, exceto o de Mateus]. Cerinto, o mentor dos judaizantes, teve ligações com os Ebionitas no final do primeiro século. Cerinto negava o nascimento virginal de Jesus Cristo. Segundo ele, Jesus foi concebido normalmente de José e Maria e a sua sabedoria e poderes sobrenaturais advieram-lhe do Espírito Santo, no seu batismo, perdendo tudo quando foi crucificado e voltando a condição original.
4. Gnosticismo Pôntico.
Foi o desenvolvido por Marcião[falecido por volta de 165 d.C,], natural de Sinope, província do Ponto , na Ásia Menor. Transferiu-se para Roma em 135 d.C., e a partir daí passou a considerar o Deus de Israel mau e depois de muitas reflexões, o considerou fraco. Segundo ele, o Senhor Jesus não era o Filho do Deus do A.T., e Cristo revelou-se em Deus até então desconhecido. Pregava Marcião que todos os cristãos deviam rejeitar as Escrituras Sagradas dos judeus e o Deus nelas reveladas. Selecionou para sí uma coleção de livros autorizados contendo as epístolas paulinas ]sem as pastorais e mutiladas todas as passagens que revelam ser Cristo o Filho de Deus do Antigo Testamento], pois, segundo ele, somente Paulo entendeu o Evangelho de Cristo e os demais apóstolos caíram “no erro do judaísmo”. Ele incluiu no seu cânon o Evangelho de Lucas mutilando todas as passagens que afirmam que o Deus dos patriarcas Abraão, Isaque e Jacó é o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Dentre os pais da Igreja, Irineu de Lião foi um dos que combateram veementemente a heresia gnóstica. Sua obra “Adversus Haereses[Contra as Heresias], foi discípulo de Policarpo e este Do apóstolo João.
Os defensores do Gnosticismo são tão influenciados pelas trevas que tiveram a ousadia de associar esse movimento filosófico-religioso com o Cristianismo. E o movimento iniciado por Carpócrates de Alexandria de alguma forma tenta associar os ensinos do Evangelho e as cartas paulinas a esse movimento herético. É fundado o Gnosticismo Carpocratis[cristão] em meados da metade do século II.
5. Gnosticismo carpocratis[cristão]. Carpocraciano é a denominação dada aos seguidores de um movimento cristão gnóstico do século II que professava as doutrinas de Carpócrates de Alexandria. Epífanes, filho de Carpócrates e sua mulher Marcelina, organizaram a seita em Roma quando o Papa Aniceto exercia seu pontificado. Rejeitavam o Antigo Testamento e defendiam que José é o pai carnal de Jesus. Em seu escopo doutrinário Defendiam a pré-existência das almas para explicar as imperfeições do homem e diziam que nosso fim supremo era nos unir a um ser superior, divino. Durante os cultos, os sacerdotes e sacerdotisas sujavam suas mãos de excrementos e durante as celebrações eles passavam as mãos uns nos outros, e entre os membros da seita, eles praticavam orgias entre sí. também durante o culto os sacerdotes e sacerdotisas rezavam nus e faziam sexo. Era considerada uma seita libertina. Irineu de Lyon os acusou de praticar magia e os repreendeu duramente. São considerados hereges pela Igreja cristã.
É oportuno salientar o ponto de vista de ALTANER & STUIBER [2010] acerca das características do sistema gnóstico: “[...] entre as características do gnosticismo se destacam tanto um dualismo absoluto de: Deus-Mundo, Espírito-Matéria, Bem-Mal, , como ainda uma sequência de emanações do Deus transcendente e supremo, a se desdobrarem até o mundo ínfimo da matéria e do Mal. Também o homem foi implacavelmente arrastado a luta entre a luz e as trevas, ou seja , pelo pendor á caducidade, do qual só pode ser salvo pelo conhecimento[Gnosis] das interdependências das coisas”.
Ao estudarmos sobre o gnosticismo percebemos facilmente como seus líderes tiveram suas mentes e corações perturbados e influenciadas por doutrinas de demônios. O apóstolo Paulo deixa isso bem claro, tanto em sua carta à Igreja de Corinto quanto ao escrever ao jovem pastor Timóteo, por exemplo: “Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios”; “Pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência”; I Timóteo 4.1-2. E hoje, alguns líderes eclesiásticos tem incorporado em suas pregações sutilmente elementos do gnosticismo. Paulo, o apóstolo João, Tertuliano, Irineu de Lião, foram os principais apologistas entre outros que mais combateram o gnosticismo em suas época. O Gnosticismo também tem influenciado o movimento filosófico-religioso Nova Era, e em pregações de cunho positivista e de auto-ajuda de forma sutil, que se a audiência não estiver atenta e não conhecer a Palavra de Deus, certamente se deixará se seduzir por muitos pregadores que doutrinam os fieis com suas falácias gnósticas.
Será razoável compreendermos que o Gnosticismo, evidencia a busca ao conhecimento ocultista, assim como, nega peremptoriamente a encarnação de Cristo, contrariamente do que afirma a Bíblia. É razoável citarmos o profeta Isaías ao falar profeticamente acerca do Messias [Jesus Cristo] : “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz”, Isaías 9.6, e esta verdade é confirmada pelo apóstolo João: “E o Verbo se fez Carne e habitou entre nós”, Jo. 1.1, e como em um efeito cascata negam a morte e a ressurreição de Cristo. Defendem um dualismo filosófico-religioso que não tem respaldo nas Escrituras, trazendo da mitologia babilônica um confronto eterno entre o bem e o mal e a questão do elemento material do ser humano[carne, corpo] e o elemento imaterial[espírito], isto é, entre outras heresias pregadas pelos gnósticos estar a assertiva que o mal estar entrelaçado a ignorância humana e que portanto a ação do mal na vida do homem leva a uma vida de fracasso, miséria espiritual e pobreza. Logo, só os gnósticos tem um conhecimento superior e poucos tem o privilégio de possuir tal conhecimento, distinguindo-os assim da massa ignorante.
CONCLUSÃO
O Gnosticismo surgiu nos primórdios da Igreja, e muitos foram seduzidos pela suas falácias filosófico-religiosa. Atualmente algumas pregações feitas por lideres eclesiásticos percebemos de maneira sutil a influência gnóstica nestes sermões. Vimos a interferência gnóstica em determinadas pregações pela inserção de elementos que compõem o sistema gnóstico, como a confissão positiva, o materialismo, a rejeição do mal, porém sugerindo que o bem sempre triunfará sobre o mal, e que o homem nasceu para ser abençoado e livre de enfermidades, enfim, pregações onde a influência gnóstica se faz conhecer. A influência gnóstica também é observada em alguns sistemas religiosos heréticos da antiguidade: Monarquianismo, Arianismo, Sabelianismo, e outros movimentos heréticos, todavia, essas práticas heréticas demoníacas que tentou-se introduzir na Igreja do Senhor Jesus, Paulo pelo Espírito Santo já advertia: “Porque, se alguém for pregar-vos outro Jesus que nós não temos pregado, ou se recebeis outro espírito que não recebestes, ou outro evangelho que não abraçastes, com razão o sofreríeis”, II Co. 11.4.
É debalde a luta pela verdade, desviando-se dela, pois, a verdade sempre irá prevalecer não importa quão duradouro seja o embate. Temos esse corolário advindo da Bíblia: “Porque nada podemos contra a verdade, senão pela verdade”, II Coríntios 13.8. É como o apóstolo Paulo exortou aos crentes em Colossos: “Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo”, Cl. 2.8. Gigantes pós era apostólica foram levantados por Deus para combater essa heresia terrível que se alastrou no mundo religioso da época: Agostinho, Justino Martir, Tertuliano, Irineu de Lião, dentre outros que foram verdadeiros apologistas contra essa heresia. É incompatível o gnosticismo com o Cristianismo. Ambos se opõem diametralmente. Sobre Jesus Cristo, a Bíblia é bem clara ao se referir ao Filho de Deus. É Ele o Deus que encarnou, que na forma de homem cumpriu tudo o que lhe estava proposto. Os escritos Neo-Testamentário é bastante enfático ao discorrer sobre Jesus. Temos os seguintes textos bíblicos que confirmam essas assertivas: João 1.1; 1.14; 1.36; 9.35; 11.4; 13.31, I João 4.15, 5.5; Marcos 1.1; Atos 13.32; I Coríntios 1.9; II Coríntios 1.3; Filipenses 2.6-11; 3.20-21; Colossenses 1.12-20, 26-27; 2.9, 15,
Percebemos anteriormente que vários textos confirmam a assertiva que Jesus é o Filho de Deus e o próprio Deus. Os sinóticos atestam esta verdade. As Escrituras Sagradas Neo-Testamentária não deixam dúvidas sobre a identidade de Jesus como Deus e o verdadeiro propósito do Filho de Deus ao vir a terra, tomar forma humana, morrer e ressuscitar ao terceiro dia. Jesus tomou seu cálice a fim de conceder liberdade ao homem. Não há registros nos anais da história universal de qualquer homem que exerceu o poder da liderança nos impérios, ou foi um guru religioso ou líder de uma religião e que esteja vivo até os dias de hoje comandando seus súditos. Simplesmente não existe, porque o único que detém o poder sobre a vida e a morte é Deus, é Jesus Cristo: I Sm. 2.6; Sl. 30.3; 139.13-17; Ec. 8.8; Mt. 28.18; Ef. 4.10; Fp. 2.10; Ap. 5.13,ss.
A morte e ressurreição de Jesus Cristo denotam sua singularidade, pois, Ele foi e é o único que morreu, ressuscitou e estar vivo diante de Deus. Esse é o fundamento da fé dos cristãos. Seu líder supremo estar vivo. Sua ética e Teologia é muito mais elevada do que meros conceitos religiosos e filosóficos criados pelos homens, que em seu racionalismo cético vão caminhando para a perdição. A Bíblia é o Livro de Jesus. Conta sua origem e sua História. Ainda que os céticos, apóstatas e hereges preguem o contrário. Jesus é Senhor, Sumo-Sacerdote, Rei, Profeta, Messias, Salvador, Servo sofredor, o Filho do Homem e do Deus Vivo, Jesus é Deus!