Mostrando postagens com marcador Hinduísmo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Hinduísmo. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 2 de setembro de 2021

Afinal, o que É Yoga?

 Afinal, o que É Yoga?


Dave Hunt

 

O iogue Bhajan morreu em 6 de outubro de 2004. Em 5 e 6 de abril de 2005, a Câmara e o Senado dos EUA, respectivamente, aprovaram por unanimidade uma moção conjunta homenageando o falecido líder sique por seus “ensinamentos [...] sobre o Siquismo e a yoga [...]”. A yoga está no cerne do Hinduísmo, e o Siquismo é como uma “denominação” dentro do Hinduísmo.

 Em 11 de maio de 2005, o Capitólio ofereceu uma recepção especial para comemorar a resolução do Congresso. Entre os presentes estavam “senadores e deputados dos EUA, funcionários do Departamento de Estado, representantes do governo da Índia, dignitários, autoridades e seguidores da doutrina sique [...]”. O comunicado à imprensa declarava que o iogue Bhajan havia melhorado a vida de milhares de pessoas “através de seus ensinamentos sobre a yoga e o Darma sique”.[1]  Fundador da organização 3HO – Happy, Healthy, Holy (“Feliz, Saudável, Santo”) – ele ensinava que essas três qualidades da vida podiam ser alcançadas através da prática da yoga (A verdade sórdida é bem diferente disso, como mostraremos através de documentos no livro “A Yoga e os Cristãos”).

 A base da técnica de yoga de Bhajan era o mantra “Sa-Ta-Na-Ma”, repetido de forma precisa durante a prática diária da yoga: “projetado mentalmente da parte superior traseira da cabeça, para baixo, e depois diretamente para fora através do terceiro olho [...] entre as sobrancelhas e a base do nariz [...]”. Segundo o iogue Bhajan, “aplicando essa técnica, você pode conhecer o Desconhecido e ver o Invisível. Se você passar duas horas por dia em meditação, Deus meditará em você o resto do dia”.[2]  É claro que só temos a palavra dele de que isso é verdade.

 Ao contrário do que diz a publicidade atual sobre yoga no Ocidente, a declaração de Bhajan não menciona nada sobre benefícios físicos – a yoga não foi criada para isso. O seu objetivo é fazer contato com “Deus”. De fato, seu propósito é alcançar a percepção de que cada indivíduo praticante de yoga é deus. E adivinhem que autoridade governamental dá o seu aval entusiástico ao iogue Bhajan por fazer a iniciação de milhares de pessoas numa suposta divindade, através dessa corrente de yoga? O Congresso americano!

 

Por que o preconceito em relação ao Cristianismo?

 

Mas e a “separação entre a igreja e o estado”, que o Congresso e a Suprema Corte se empenham tanto em fazer cumprir? Logo se descobre que, nos Estados Unidos, essa restrição parece se aplicar só à Bíblia e ao Cristianismo. Antigamente, os EUA eram conhecidos como uma nação cristã. Mas hoje poderíamos muito bem dizer que este país é uma nação anticristã. Símbolos cristãos como a Cruz e os Dez Mandamentos não podem mais ser exibidos em lugares públicos. Entretanto, o Congresso Americano apóia e reverencia abertamente o Siquismo – para não falar do Islamismo, que os líderes políticos e religiosos vivem enaltecendo como uma “religião de paz” em compromissos oficiais (Para conhecer a verdade sobre o Islamismo, leia meu livro  O Dia do Juízo!).

 Aparentemente, o fato de Jesus Cristo ter ressuscitado fisicamente (com confirmação de muitas testemunhas oculares), deixado para trás um túmulo vazio, e prometido retornar à terra corporalmente no futuro não é suficiente para que Ele receba exaltação pública por parte do governo americano. Mas, porque o iogue Bhajan declarou: “Quando eu me for fisicamente, busquem-me espiritualmente. Vocês terão que se juntar para fazer isso”,[3]  ele de algum modo se qualifica para receber a honraria que é negada a Jesus.

 Talvez a diferença crucial seja que o iogue Bhajan (assim como o aclamado líder espiritual tibetano, o Dalai Lama) praticava e promovia a yoga, e Jesus não. Porém, como veremos mais adiante, um número cada vez maior de pessoas que se dizem cristãs vem afirmando que Jesus de fato ensinava e praticava yoga. Talvez eles pensem que, se Cristo puder ser aceito como iogue juntamente com os homens-deuses da Índia e do Tibete, não seja mais proibido comemorar o Natal nas escolas públicas nem exibir cruzes e presépios em lugares públicos.

 Budismo, Hinduísmo, Islamismo, paganismo indígena americano, xamanismo – qualquer coisa e qualquer um, exceto o Cristianismo e Jesus Cristo, são reverenciados e podem ser promovidos nas escolas públicas. O Correio dos EUA emitiu um selo especial para comemorar o Eid, a festa que encerra o Ramadã. Presidentes americanos, inclusive George W. Bush, oferecem jantares na Casa Branca em homenagem ao “mês sagrado e à grande fé do Islã [...]”.[4]  E a ACLU (União Pelas Liberdades Civis Americanas) não faz objeção. Mas ela seria capaz de ir até à Suprema Corte para impedir que a mesma honra fosse dada a Jesus Cristo! Esse é o clima que permitiu que a prática da yoga crescesse com tanta rapidez.

 

Yoga pode ser só um exercício físico?

 

O fato de os não-cristãos praticarem yoga não causa nenhuma surpresa. Afinal, ela tem sido promovida no Ocidente como se fosse simplesmente uma série de exercícios de alongamento e respiração inteiramente físicos e benéficos para a saúde – servindo até mesmo para a cura do câncer, com testemunhos que supostamente comprovam sua eficácia. Entretanto, é inacreditável que cristãos que se dizem seguidores de Cristo e de Sua Palavra também se deixem levar pela onda do misticismo oriental.

 A yoga foi criada com o objetivo de proporcionar ao praticante um meio de escapar deste mundo “irreal” do tempo e dos sentidos, e permitir que ele alcance o  moksha, o céu hindu – ou que volte ao “Vazio” do Budismo. A propaganda da yoga no Ocidente diz que seus exercícios respiratórios e de flexibilidade melhoram a saúde e ajudam a  viver  melhor – mas no Extremo Oriente, onde se originou, ela é considerada uma forma de  morrer. Os iogues afirmam ter a capacidade de sobreviver quase sem oxigênio e de permanecerem imóveis por horas, livres da “ilusão” desta vida. Porém, os aspectos físicos da yoga, que atraem muitos ocidentais, foram de fato desenvolvidos e praticados com propósitos espirituais.

 Embora seja bastante divulgado que a yoga vem de práticas ocultistas da China, Índia e Tibete, e que não foi criada para melhorar a saúde, mas sim para alcançar a natureza divina, as pessoas ainda acham que é possível praticá-la estritamente por razões de saúde, sem qualquer envolvimento religioso ou espiritual. John Patrick Sullivan, que foi jogador de futebol americano e hoje é instrutor de yoga em Santa Bárbara, na Califórnia, diz: “Yoga não tem religião. Ela não está ligada ao Hinduísmo ou Budismo [...]”.[5]  Mas essa opinião é desmentida pelos praticantes nativos da yoga e por todos os especialistas no assunto.

 O psiquiatra suíço C. G. Jung, que era profundamente envolvido com o ocultismo e não era absolutamente cristão, foi um dos pioneiros na introdução da yoga no Ocidente, há 85 anos, dedicando-se à sua prática por toda a vida. Ele declarou de forma peremptória e enfática que o aspecto espiritual não pode ser tirado da yoga:

 Os numerosos procedimentos puramente físicos da yoga [unem] as partes do corpo [...] formando um todo com mente e espírito, como [...] nos exercícios de  pranayama, onde  prana  é tanto a respiração quanto a dinâmica universal do cosmos [...] a exaltação do corpo se une à exaltação do espírito [...]. A prática da yoga é impensável, e seria também ineficaz, sem as idéias em que se baseia. Ela entrelaça o físico e o espiritual de uma forma extraordinariamente completa.[6]

 O que Jung afirmou é dito de forma não menos explícita pelos sábios iogues do Oriente, onde esse sistema teve origem. Entretanto, a maioria dos instrutores de yoga do Ocidente continua negando esse fato. Portanto, a popularidade e a prática dessa técnica ocultista oriental, criada para unir o espírito do homem com o Espírito Universal (o deus principal do Hinduísmo, Brahma), continua a explodir no mundo ocidental. E essa expansão ocorre sob o disfarce de ser uma forma de exercício puramente físico, apesar da esmagadora quantidade de evidências em contrário.

 O trecho a seguir foi tirado de um popular site sobre yoga, que procura explicar o que ela realmente é. Observe a contradição entre “o ensinamento científico [...] baseado na filosofia hindu”, a espiritualidade sem religião, e o ecumenismo do Hinduísmo, que tem um “espírito universal” supostamente compatível com todas as religiões:

 O que é yoga?  Yoga significa, literalmente, união. É um ensinamento prático e científico que inclui um sistema de exercícios que visam a controlar o físico e a mente, além de proporcionar bem-estar, com o objetivo de realizar a união do espírito humano com o Espírito Universal.

 Yoga é uma religião?  Não. Embora a yoga seja uma tradição indiana mais ou menos baseada na filosofia hindu, ela não pertence a nenhuma região ou religião em particular. Sua prática e técnicas científicas funcionam com a mesma eficácia independentemente da crença individual.[7]

 

Práticas não-religiosas

 

Essas contradições irritantes não são consideradas importantes quando se trata de qualquer religião ou filosofia, exceto o Cristianismo. O verdadeiro Cristianismo bíblico é atacado de todos os lados, mas qualquer outra “fé” (inclusive qualquer “Cristianismo” falso e ecumênico) é aceita, não importam quão absurdas e contraditórias sejam suas doutrinas e práticas. Veja o seguinte: “O coração de um verdadeiro hindu se comove com o Homem na cruz, que exclamou naquela hora:  ‘Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem’. Um verdadeiro hindu tem toda a admiração pelo Profeta da Arábia [Maomé], que literalmente transformou um povo bárbaro numa sociedade de sólida moral. Mas ele não pode aceitar jamais os fanáticos intolerantes que tentam achincalhar a religião dos outros”.[8]

 Por mais irracional que seja, é compreensível que todas as religiões sejam aceitas pelo Hinduísmo e consideradas compatíveis umas com as outras e com a yoga, ainda que se contradigam mutuamente nos pontos mais fundamentais. O Hinduísmo tem 300 milhões de deuses; o Islamismo afirma que Alá é “o único deus”; e o Budismo é basicamente ateu – contudo, todos são aceitos pelo iogue. Todas as grandes religiões dizem honrar o “Cristo”, mas todas negam as afirmações que Ele fez a respeito de si mesmo.

 Os cristãos evangélicos são considerados “fanáticos intolerantes” porque crêem na declaração de Cristo: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim”  (Jo 14.6). Em seu extremo cuidado de “exaltar” Jesus da mesma forma que qualquer outro “profeta”, os “verdadeiros hindus” rejeitam o que Ele realmente declarou na forma mais direta possível. Isso não é racional nem honesto! Esse discurso ecumênico dissimulado chega a declarar que Jesus ensinava e praticava yoga. Não existe o menor traço de evidência histórica ou bíblica que corrobore essa afirmação absurda – mas isso não parece perturbar nem um pouco os entusiastas da yoga.

 O treinador de basquete Phil Jackson recebeu calorosos elogios por transformar a sede do Chicago Bulls num repositório sagrado de fetiches e totens, e por iniciar seu time inteiro no misticismo oriental. A revista  Newsweek  se referiu a Jackson com simpatia, como o homem “que usou os princípios Zen para dar três campeonatos consecutivos ao Chicago Bulls”. O artigo elogiava Jackson por seu sucesso “num dos mais assustadores desafios da história das religiões”.[9]

 A história teria sido outra se ele tivesse doutrinado seu time com o Cristianismo. Se isso tivesse acontecido, a mídia e a NBA reprovariam sua atitude severamente. Entretanto, essa discriminação em relação ao Cristianismo, esse flagrante preconceito contra o Cristo bíblico, é aplaudido pela sociedade, e os cristãos que procuram seguir a Cristo e se manter fiéis a seus ensinamentos são chamados de ignorantes ou coisa pior.

 Na América “cristã”, as leis quase baniram completamente o Cristianismo dos debates públicos. Mas, ao mesmo tempo, todas as outras religiões são aceitas. Essa atitude quase universal não é só irracional, mas revela um profundo preconceito contra o Cristianismo, que exige uma explicação. A frase de Shakespeare: “Penso que protestas demais”, certamente se aplica neste caso. Esse protesto universal – que às vezes se torna odioso, cruel e violento, e que ao longo dos séculos não só levou à crucificação de Cristo como também gerou literalmente milhões de mártires cristãos – não pode ser considerado de forma alguma uma reação casual. Tem que haver um propósito e algum poder por detrás dele!

 

Uma campanha missionária maciça

 

No final da década de 1950 e início da década de 1960, os gurus hindus do Oriente, como o iogue Maharishi Mahesh, Baba Muktananda, Yogananda, iogue Bhajan, Vivekananda e muitos outros, ficaram muito felizes de saber que, através da popularização do uso das drogas psicodélicas, milhões de ocidentais estavam descobrindo uma realidade não-física cuja existência a ciência ocidental vinha negando por muito tempo. Eles perceberam rapidamente que estava se abrindo no Ocidente um amplo mercado para suas doutrinas. Nascia o movimento da Nova Era. A yoga, antes praticada no Oriente somente por “homens santos”, tornou-se acessível às massas no Ocidente e logo se espalhou por toda parte, até mesmo dentro das igrejas e entre os evangélicos.

 Campanha  missionária? A maioria dos ocidentais não consegue pensar nesses iogues,  swamis  e lamas sorridentes, atenciosos e cheios de mesuras como missionários determinados a espalhar seu evangelho místico. É surpreendente que a maior organização missionária do mundo seja hindu e não cristã – Vishva Hindu Parishad (VHP), da Índia. É claro que a mídia e o mundo aceitam isso muito bem – só os missionários cristãos são desprezados e difamados.

 Sim, os hindus lançaram a maior campanha missionária da história. Há quase trinta anos, em janeiro de 1979, no Segundo Congresso Mundial de Hinduísmo, patrocinado pela VHP em Allahabad, na Índia, um palestrante declarou aos quase 60.000 participantes vindos do mundo inteiro: “Nossa missão no Ocidente foi coroada de estrondoso sucesso. O Hinduísmo está se tornando a religião dominante no mundo, e o fim do Cristianismo se aproxima”.[10]  Por lei, não é permitida nenhuma atividade missionária cristã entre os hindus na Índia, mas os missionários hindus pregam sua doutrina agressivamente no Ocidente – e com grande sucesso. Entre os principais objetivos listados na constituição da VHP estão os seguintes:

 Estabelecer uma ordem de missionários, tanto leigos quanto iniciados, com o propósito de propagar o Hinduísmo dinâmico, representando [...] várias crenças e denominações, incluindo budistas, jainistas, siques, lingayats, etc., e abrir, gerenciar ou dar assistência a seminários ou centros propagadores dos princípios espirituais e práticas do Hinduísmo [...] em todas as partes do mundo.[11]

 Os principais “centros propagadores dos princípios espirituais e práticas do Hinduísmo” no Ocidente são os cada vez mais numerosos locais que ensinam yoga. O interessante é que a Conferência Mundial Hindu de 1979 foi presidida pelo Dalai Lama, que pública e desonestamente proclama a tolerância a todas as religiões. O Hinduísmo e o Budismo, que defendem práticas de yoga semelhantes, se infiltram na nossa sociedade, no governo e até nas escolas públicas como  ciência, enquanto o Cristianismo é banido como  religião. Mas será que o Dalai Lama pratica e difunde a yoga? Claro que sim!

 A VHP tem sucursais no mundo inteiro. A organização guarda-chuva nos Estados Unidos chama-se Vishwa Hindu Parishad of America, Inc. Ela tem seu próprio site na Internet e desenvolve suas atividades missionárias em cooperação com vários gurus. Essa organização realiza, por exemplo, um Acampamento Familiar Anual Vivekananda, onde um dia típico começa “com yoga e meditação às 7 da manhã”. Em 1992, a VHP da América lançou a “Visão Mundial 2000” para disseminar pelos Estados Unidos a mensagem do  swami  Vivekananda, baseada na Vedanta.[12]

 

O “Homem-Deus” aclamado pelo mundo

 

De todos os gurus que vieram para o Ocidente, nenhum fez mais em prol da consolidação da credibilidade do misticismo oriental do que Tenzin Gyatso, o Dalai Lama, líder espiritual da Gelugpa do Tibete, ou seita Amarela, do ramo Mahayana do Budismo, que vive no exílio. Ele alega ser a décima quarta reencarnação do primeiro Dalai Lama, um deus na terra com poder de introduzir outros em sua própria divindade. Aqui temos de novo o recorrente tema ocultista da deificação humana, repetindo a mentira da serpente no Jardim do Éden  (“como Deus, sereis” – Gn 3.5) – e essa meta é o cerne da yoga, apesar de todas as alegações de que ela é uma prática não-religiosa.

 O Dalai Lama viaja pelo mundo apresentando a “Yoga da Divindade Tântrica Tibetana” a multidões de admiradores crédulos, inclusive dezenas de milhares de ocidentais. Ele promete aos iniciados que eles se tornarão  Bodhisatvas  (pequenos budas), percebendo sua divindade intrínseca e podendo criar sua própria realidade. Por iniciar multidões em seu ramo de yoga (através do “ritual Kalachakra para a paz mundial”, acompanhado da tradicional “Mandala de Areia” tibetana), ele recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1989. Dez anos antes, em sua primeira visita aos Estados Unidos, “Sua Santidade” foi recepcionada na Catedral de São Patrício, em Nova York, onde sua declaração de que “todas as religiões do mundo são basicamente a mesma” foi aplaudida de pé por uma enorme multidão de pessoas ingênuas e crédulas (em sua maioria, católicos romanos).[13]  O Dalai Lama também foi bem recebido por um público não menos atento e simpático ao discursar no púlpito da catedral de Genebra, na Suíça, onde João Calvino pregava no passado.

 Em agosto de 1996, as elites de Hollywood, como o ator Richard Gere e o presidente da MGM, Mike Marcus, homenagearam o Dalai Lama num jantar em benefício da American Himalayan Foundation. Os milhares de convidados contribuíram com cerca de 650.000 dólares. Harrison Ford fez a apresentação do deus autoproclamado. É claro que Shirley MacLaine estava lá (destoando um pouco), assim como Leonard Nimoy e muitas outras celebridades.

 Hollywood fez vários filmes relacionados com a fuga do Dalai Lama do Tibete e com seu trabalho ao redor do mundo. No Festival do Filme de Hollywood, em 2004, o prêmio de Melhor Documentário foi concedido a  What Remains of Us  (O Que Resta de Nós), filmado clandestinamente dentro do Tibete. O filme conta a história de uma refugiada tibetana que contrabandeou para o seu povo no Tibete uma mensagem do Dalai Lama gravada em vídeo, e mostra a excitação dos tibetanos assistindo ao vídeo em segredo. É interessante que Hollywood procura contar a “verdadeira história” da vida do Dalai Lama ou de Maomé, mas não tem a mesma cortesia com Jesus Cristo. Ele é retratado das formas mais afrontosamente falsas e degradantes. Esse profundo preconceito não pode ser negado, e exige uma explicação.

 

Um engodo de proporções mundiais

 

Como parte do mais maciço esforço missionário da história – com o propósito direto de destruir o Cristianismo – cada guru que veio para o Ocidente (Maharishi Mahesh, Bhagwan Shri Rajneesh, Baba Muktananda, etc.) foi enviado por seu próprio guru especificamente para converter pessoas a uma fé panteísta hindu/budista. Yogananda, por exemplo, veio para disseminar os ensinamentos de seu guru espiritual, Sri Babaji. Maharishi foi enviado ao Ocidente por seu guru, Dev, e iniciou milhões de adeptos em sua forma de yoga, a Meditação Transcendental. No entanto, os missionários do Oriente sempre alegam que estão ensinando a  ciência  da yoga, princípios de saúde e estados de consciência mais elevados,  não uma religião  – e as pessoas acreditam nessa frase e os cobrem de homenagens.

 Ninguém pode criticar legitimamente os que procuram convencer outras pessoas a aceitarem idéias que eles sinceramente acreditam serem verdadeiras. Porém, eles não podem mentir sobre a natureza e o propósito daquilo que apresentam, e é exatamente isso que os gurus orientais têm feito. A dimensão dessa fraude é tão gigantesca quanto seria se o Papa não se apresentasse como o chefe de uma igreja, e sim como o representante de um grupo de cientistas seculares.

 A Índia expulsou os missionários estrangeiros pouco depois de obter sua independência. Porém, ao mesmo tempo, envia pelo mundo inteiro missionários que convertem milhões ao Hinduísmo e ao Budismo, mas afirmam tolerar todas as religiões e negam a natureza religiosa de sua missão. O empenho da mídia em promover esse tipo de mentira fraudulenta deveria incomodar qualquer pessoa que procure ver as coisas de forma equilibrada. As pessoas deveriam ficar ainda mais perturbadas ao descobrirem os fatos ocultos que vamos apresentar nas próximas páginas. Porém, raramente se vê alguém esboçar qualquer reação de espanto ou surpresa, porque poucos conhecem os fatos ou se importam com eles.

 Muitas críticas têm sido feitas, algumas com razão, aos missionários ocidentais que foram para a África, China, Índia e outros lugares levando o Evangelho de Jesus Cristo e tentaram ocidentalizar outras culturas. A ocidentalização de qualquer cultura não se justifica, e não tem nada a ver com o Cristianismo, visto que seu surgimento (de Abraão ao Apóstolo Paulo) ocorreu no Oriente Médio. Mas, por uma questão de justiça, temos que perguntar por que os missionários budistas, hindus e muçulmanos, que têm introduzido agressivamente sua religião e seu estilo de vida num mundo ocidental que se deixa enganar, recebem pouca ou nenhuma crítica?

 

E quanto à Hatha Yoga?

 

A maioria dos ocidentais imagina que a Hatha Yoga (muitas vezes chamada de “yoga do corpo”) não tem nada a ver com Hinduísmo ou espiritualidade. Será que pelo menos  esta  forma de yoga não é puramente física? Se este é o caso, somos levados a perguntar, por exemplo, por que o centro de instrução de Hatha Yoga em Chicago está localizado no Templo de Kriya Yoga*, que há décadas “ocupa a liderança na ministração de treinamento detalhado e de qualidade para os que desejam ensinar yoga”. Os instrutores são treinados sob a direção de “Sri Goswami Kriyanandaji, que carrega a Chama da Linhagem de Sri Babaji, trazido para este país por Paramahansa Yogananda”.[14]

 Paramahansa Yogananda demonstrou fartamente que o Ocidente estava pronto a adotar a espiritualidade iogue sob o disfarce de prática saudável. Esse missionário pioneiro do Hinduísmo fundou a Sociedade de Auto-Realização, com sede no Sul da Califórnia. Sem contar as multidões iniciadas por seus seguidores, cerca de 100.000 pessoas foram iniciadas na prática de Kriya Yoga (também conhecida como Hatha Yoga) pelo próprio Yogananda, com o propósito explícito de “auto-realização”. Hoje existem milhões de americanos que praticam Hatha Yoga com a ilusão de que ela é puramente física e não tem nada a ver com espiritualidade ou religião. Essa idéia, que foi deliberadamente promovida entre ocidentais desavisados, é bastante popular e está profundamente entranhada na cabeça das pessoas, apesar de ser completamente errada.

 Se a Hatha Yoga é puramente física, por que ela foi passada adiante por “mestres espirituais” conhecidos como iogues? Por que a autêntica Hatha Yoga é sempre associada com meditação espiritual com objetivo de “auto-realização” (isto é, “alcançar a unidade com ‘Deus’, como ensina o Hinduísmo”)? Se existem centros no Ocidente que dizem oferecer uma Hatha Yoga puramente física, somente para benefício da saúde, por que eles ensinam os mesmos exercícios respiratórios e posições que Paramahansa Yogananda trouxe da Índia para o Ocidente, e que lhe foram ensinados por seu guru espiritual, Sri Babaji? Todas essas técnicas foram desenvolvidas com precisão durante séculos para induzir mudanças sutis nos estados de consciência, levando à auto-realização. Elas não foram desenvolvidas para obter principalmente benefícios físicos.

 Quando os instrutores de Hatha Yoga são honestos, até mesmo no Ocidente, eles admitem que ela  não  é puramente física. Richard Hittleman, um dos pioneiros na introdução desta assim chamada yoga “física” nos Estados Unidos, afirmou que “à medida que os estudantes de yoga fossem praticando as posições físicas, eles chegariam ao ponto em que estariam aptos a investigar o componente espiritual, que é a ‘essência completa da disciplina’”.[15]  Isso é consenso entre os especialistas. Sobre a Hatha Yoga, o conhecido mestre de yoga  swami  Sivenanda Radha declarou: “As asanas (posturas e exercícios físicos) são uma prática devocional [...] cada asana cria um determinado estado mental [...] para conduzir o praticante a um contato mais profundo com o Eu Superior”.[16]  É claro que a expressão “eu superior” é usada por eles para significar qualquer coisa que a pessoa queira aceitar como o “deus interior e exterior”.

 A yoga foi introduzida por Krishna no  Bhagavad Gita  como sendo o caminho certo para o céu hindu; e Shiva (uma das mais temidas divindades hindus, conhecido como “O Destruidor”) é chamado de  Yogeshwara, Senhor da Yoga. Um dos mais respeitados textos de Hatha Yoga, o  Hathayoga-Pradipika, escrito no século quinze por Svatmarama, cita o Senhor Shiva como o primeiro mestre de Hatha Yoga. Os instrutores de yoga comuns nunca mencionam (e podem até nem saber) que existem muitas advertências nos textos antigos de que a “Hatha Yoga é um instrumento perigoso. A pessoa pode ser possuída por uma divindade hindu (i.e., demônio) através do estado de consciência alterado induzido por essa prática”.

 Se a disciplina que os mestres de yoga do Ocidente ensinam envolve somente exercícios de alongamento e respiração, como eles insistem em dizer, por que então eles não fazem sua divulgação como apenas isso? Por que eles insistem em chamá-la de “yoga”, se negam qualquer conexão com o que a yoga realmente é? Por que esse disfarce?

 

Publicado anteriormente na revista  Chamada da Meia-Noite,

novembro de 2007.



[1]  http://www.sikhnet.com/s/CongressHonor.

[2]  Sri Singh Sahb Bhai Sahib Harbhajan Singh Khalsa Yogiji, The Teachings of Yogi Bhajan (Nova York: Hawthorn Books, 1977), 4.

[3]  http://www.kundaliniyoga.com/clients/ikyta/webshell.nsf/.WebParentNavLookup/62DB48EF3856D82287256A090079DC7A[4] http://whitehouse.gov/news/releases/2004/11/20041110-9.html.

[5]  Santa Barbara News Press, 15 de Janeiro de 2006.

[6]  C. G. Jung, trad. Dom Mateus Ramalho Rocha, Psicologia e Religião Oriental (Petrópolis: Vozes, 2005).

[7]  http://psychology.about.com/library/weekly/aa041503a.htm.

[8]  http://www.hindubooks.org/wehwk/chapter18/page1.htm.

[9]  Jerry Adler, “800,000 Hands Clapping”, em Newsweek, 13 de Junho, 46.

[10]  http://www.hindunet.org/vivekananda/gk–gv2000.

[11]  Dave Hunt e T. A. McMahon, The Sorceror’s New Apprentice (Eugene,OR: Harvest House Publishers, 1988), 281.

[12]  http://www.hindunet.org/vivekananda/gk–gv2000.

[13]  Time, 17 de Setembro de 1979, 96.

[14]  http://www.yogakriya.org/about.htm.

[15]  Yoga Journal, Maio/Junho 1993, 68.

[16]  http://cana.userworld.com/cana–yoga.html.

 

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Vocabulário utilizado no Hinduísmo


Ashram - Comunidade de seguidores do hinduísmo.

Avatar - Encarnação de uma divindade.

Bhakti - Ato de devoção, de rendição à divindade

Brahma - Um dos deuses da Trimurti hindu.

Brahmâne - Membro da casta mais alta.

Carma - Ação que tem conseqüências sobre uma futura reencarnação.

Dalit - Nome dado aos sem casta, quer dizer: excluído.

Guru - Mestre espiritual.

Ioga - Conjunto de técnicas e métodos que facilitam a meditação e a calma interior.

Kali - Um dos nomes da esposa do deus Shiva.

Krishna - Uma das encarnações de Vishnu.

Mantra - Seqüência de sons em forma de palavras cuja vibração leva á consciência da divindade.

Rama - Outro dos avatares, ou encarnação de Vishnu.

Sâmsara - A Transmigração, passagem de uma vida anterior a uma sucessiva.

Sanyasi - Pessoa que renuncia aos laços familiares e vive como peregrino, mendigando seu pão.

Shiva - Um dos deuses da Trimurti hindu.

Trimurti - Tríade que associa três deuses, Brahma, Shiva e Vishnu. É considerada a tríplice manifestação do Ser supremo.

Vedas - As escrituras sagradas mais antigas do hinduísmo.

 Vishnu - Um dos deuses da Trimurti hindu.


“Religiões, vol. 1 – Respostas para as perguntas do homem moderno – Ed. Mundo e missão, p,45.”


Via

Edson Moraes

Os caminhos para salvação no Hinduísmo


Dentro da religião Hindu é quase que unânime a crença no conceito de que o homem está preso em um sistema interminável de nascimento e morte, denominado como reencarnação ou samsara, este termo, de acordo com Prothero: “Significa vagar ou fluir [...] se refere ao círculo vicioso da vida, morte e renascimento” (PROTHERO, 2010, p.121). Dentro deste ciclo sem fim, as reencarnações variam de acordo com as ações realizadas pelo individuo durante o curso de sua trajetória, de sorte que uma vida voltada às práticas maléficas, poderá acarretar numa reencarnação em uma forma de vida inferior, ou seja, se torna possível a pessoa voltar a este mundo sob a forma de um animal, visto que está recebendo a punição de suas ações passadas, regredindo dentro do processo, uma vez que o objetivo de todo o Híndu é alcançar sua completude, ao unir-se com o divino Brahman, colocando um ponto final nas etapas da reencarnação e libertando-se desta vida terrena, essa concepção de libertação e estado de iluminação é chamado pelos hindus de Moksha. Todo este processo faz parte da doutrina do Karma, que segundo explica Hattstein: “A existência e o destino do individuo são a conseqüência direta das  ações praticadas na vida anterior, sendo as boas ações recompensadas com uma boa reencarnação, isto é, com o nascimento numa casta superior, e as más [...] com uma inferior”  (HATTSTEIN, 2000, p.12). 

A compreensão de vida para o hindu é puramente transitória, pois compreendem que não poderão alcançar a felicidade vivendo num ciclo onde a morte põe fim á qualquer felicidade adquirida em vida, além do fato da incerteza do próximo nascimento, que poderá ocorrer num ser de nível desprezível, daí pode-se compreender a lacuna que o hinduísmo não consegue preencher, dessa forma, a única maneira de por um término nessa incansável cadeia, no pensamento hindu, é libertar-se alcançando o moksha. Numa analise fria, diferentes das religiões ocidentais e algumas orientais que tem por objetivo final a condução de seus seguidores a viver a eternidade ao céu, paraíso, harém ou algo do tipo, numa conotação de viver para sempre em plena paz e alegria, a perspectiva de eternidade no hinduísmo busca alcançar o desprendimento do material, algo como escapar da prisão do samsara e dos males que ela proporciona, como se expressa Prothero: “O objetivo hindu, portanto, não é escapar deste mundo para algum paraíso celeste, mas escapar do céu e da terra e de seu ciclo de vida e morte” (PROTHERO, 2010, p.122). Enquanto a compreensão de salvação para o cristão é libertar-se do poder do pecado e passar a eternidade com o seu Deus, o hindu deseja acabar com o samsara (os hindus não crêem na existência do pecado) e alcançar o status de Brahman, a essência do universo.

Essa concepção de que a reencarnação virtuosa ou desprezível está diretamente associada ás práticas da vida presente, está inserido até mesmo nas escrituras hindus, a saber, o chandogya upanishad, que se refere á um texto do sama veda, uma das divisões dos vedas, nela está o relata que: “ Aqueles cuja vida foi virtuosa, renascem no corpo de um brâmane, de um xátria (nobre guerreiro) ou de qualquer outro ser honrado. Aqueles que se entregam aos vícios renascem nos seres inferiores e vis, no corpo de um pária”. Este processo se dará de maneira interminável, até o momento em que aja a libertação definitiva da alma, encerrando o ciclo do samsara.


Por 

Edson Moraes

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

O sistema de castas no Hinduísmo - Parte 1


O que é e como funciona?

O sistema de castas é uma classificação social que é composto por quatro grupos que compõem a sociedade Hindu, são eles: Os Brâmanes, os Xátrias, os Vaixás e os Sudras. Vivendo as margens desta hierarquia estão os Dalits. Há ainda um outro grupo, que não é mencionado no sistema de castas, visto que este, está acima deste sistema, são os monges, conhecidos como Sanyasin. Este grupo está liberto das questões seculares, materiais, ou seja, do âmbito social. No processo de iniciação, é repetido três vezes a Gayarti sagrada, que simboliza este processo, porém após abandonar o cordão sagrado, o monge fica descomprometido em exercer tal tarefa.  Ao nascer em determinada família, além de estar definido a casta que o individuo pertence, também estará definido a profissão que irá exercer. De acordo com Hawkins: “Em geral nascer numa família de casta elevada garantia um emprego de prestigio, mesmo para os poucos qualificados. Os que nasciam nas castas inferiores eram forçados a exercer profissões braçais, por mais talentos que tivessem para outras ocupações” (HAWKINS, 2018, p.132)  

O sistema de castas é uma determinação divina, onde o homem jamais deverá modificar, de modo que, a observância e fidelidade á casta que foi atribuída ao individuo é que permitirá seu acesso ao céu. Este sistema concede ás pessoas exerceram as atribuições que lhe competem, dada a sua posição dentro da sociedade, tal sistema é algo hereditário, onde é deixado para seus descendentes a permanência dentro da hierarquia, de tal modo que o individuo apenas poderá se casar com alguém que seja da mesma casta, logo não é permitido a mistura das castas num matrimônio, visto que as uniões mistas são uma degradação e reprovação social. Isto representa um ciclo interminável que beneficia apenas as classes superiores, o que é correto afirmar que jamais um Bramâne seria relegado á classe dos Vaixás ou ainda um componente da casta dos Sudras, que não podem ter acesso aos vedas, galgar a possibilidade de ascender á classe dos Brâmanes, ou seja, os poderosos sempre serão da classe elitizada, enquanto os humildes permanecerão na classe inferior. Ainda assim ocorrem casos de misturas de castas, que como dissemos é repudiável pela grande massa, tais uniões dão origem a novas castas, por esta razão há milhares de castas atualmente, fazendo com que aja muitos fragmentos dentro do sistema religioso Híndu. De acordo com Hellern: “No inicio do século XX havia em torno de 3 mil castas” (HELLERN, 2000, p.41). Existe a possibilidade de ser expulso de sua casta, mas tal situação é considerada como a pior punição possível, ocorrendo apenas em casos de crimes graves. Portanto, de maneira sucinta, vemos que as quatro principais castas existentes no sistema religioso Híndu determinam o modo em que o individuo se relaciona em sociedade, bem como a forma que estará procedendo no tocante á sua vida religiosa. De maneira objetiva Renou resumiu a sistemática do sistema de castas: 

“No cume dessa hierarquia encontram-se as três classes arianas ou livres, teoricamente dominada pelos Bramânes que exercem o poder espiritual; em seguida vem os xátrias, que controlam o poder secular e finalment há os vaixás, artesãos, agricultores que representam o aspecto econômico” (RENOU, 1964. P. 37).

Próxima  semana - As principais castas do Hínduismo: Seus privilégios e obrigações.

Por 
Edson Moraes

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

O sistema de castas no Hinduísmo - Parte 2

Os grupos das Castas

O sistema de castas do Hinduísmo o torna uma religião extremamente heterogênea e contraditória, dentro de seu próprio sistema religioso. A palavra Casta vem do sânscrito, cujo significado é Varna, que literalmente está associado a cor. Uma das muitas teorias quanto ao surgimento do sistema de castas é de que ela esteja relacionada a um produto da raça, pelo fato de que os Arianos possuíam a cor da pele clara, logo o propósito das castas era de distinguir os Arianos, dos não-arianos, um método racista que perdura hoje, visto que os que são da elite hindu, os Bramânes, todos possuem a pele clara e são da linhagem pura dos Arianos. 

A teoria que é mais aceita e difundida entre os hÍndus, quanto a procedência desse sistema deu-se da seguinte forma: O deus Brahma criou o primeiro ser humano chamado Manu. Deste homem procederam quatro categorias distintas de pessoas, com as seguintes divisões: Da parte superior, a cabeça, surgiram os Bramanes, o povo mais excelente e considerado o mais santo. Dos braços de Manu, vieram os Xátrias, grupo dos governantes e guerreiros, já das coxas de Manu, procederam os Vaixias, o grupo dos artesãos, último grupo “nobre” das castas. Por fim, dos membros inferiores, os pés, saíram o resto do povo, uma classe de nível inferior, chamado de Sudras. Portanto, é por esta razão, que os Hindus, atribuem o sistema de castas aos deuses, dessa forma respeitam e cumprem as exigências que competem a cada casta. Vejamos um pouco mais sobre estas castas.

Os Bramânes

Este grupo representa os que estão no topo da hierarquia, considerada como a única casta que possui originalmente a essência religiosa. Por estarem no cume possuem diversos privilégios, em detrimento as demais castas. De acordo com Lemaítre: “Quando o Bramâne aparecia na corte, o soberano prostrava-se aos pés dele, com o maior respeito, por causa de sua casta superior e também porque “a sabedoria” gozava da maior consideração” (LEMAÍTRE, 1958, p.108).
De acordo com o código de Manu, que é parte de uma coletânea de livros Bramânicos diz que: “O nascimento de um Bramâne é a encarnação eterna da Lei”. Dessa forma, nitidamente percebe-se o status que este grupo desfruta, dentro da religião Hindu e conseqüentemente na sociedade em que o individuo está inserido, uma vez que o sistema não afeta apenas a vida do sujeito no campo religioso, mas, sobretudo no tocante á sua vida social.

A casta dos Brâmanes é composta da elite intelectual do povo, aqueles que possuem maiores capacidades concernentes ao conhecimento, são eles: escritores, filósofos, que são os responsáveis por examinar os Textos Sagrados, bem como examinarem escritos sobre a lei e a ciência, sendo ainda os responsáveis pelos sacrifícios. A principal tarefa de um Brâmane é de ensinar o povo o conteúdo dos Vedas, Escritura Sagrada para os Hindus, exercendo dessa forma a função sacerdotal, inclusive só poderia chegar ao sacerdócio àquele que nasceu na casta dos Bramânes. Como estão inteiramente dedicados á observância e ensino dos Vedas, recebem do governo todo o amparo necessário para sua sobrevivência.

Há algumas peculiaridades que um Bramâne possui, no tocante ás suas obrigações, segundo Lemaítre: “Entre as obrigações do Bramâne há a obrigação ritual de se banhar duas vezes por dia em água corrente. Ele deve ser vegetariano e naturalmente trazer o cordão sagrado, símbolo de sua casta” (LEMAÍTRE, 1958, p.108). Este cordão é concedido aos doze anos de idade, numa celebração chamada de Upanayana ou Iniciação, onde os membros das três primeiras castas recebem seu cordão sagrado, porém o Bramâne naturalmente se sobressai, possuindo dessa forma um cordão superior as demais castas. Este procedimento ocorre no momento em que o jovem é consagrado na comunidade Bramânica, apenas os membros das três primeiras podem participar deste ato, por esse motivo são chamados de “nascidos duas vezes” ou Dvija.
Diariamente o Bramâne medita num trecho de um hino védico, conhecido como mantra, logo após o exercício de suas cerimônias ritualísticas. É de uma honraria singular, a possibilidade de recitar um trecho de um hino inserido nos vedas, apenas as três primeiras castas poderiam realizar tal façanha.
Uma curiosidade acerca de um Bramâne, que é o que ocupa o mais alto posto de pureza, as coisas materiais ou corporais são os meios pelos quais ele poderá contaminar-se, como por exemplo, a morte, o sexo ou mesmo o contato com algum individuo sem casta. Uma vez impuro este deverá purificar-se por meio das águas do Rio Ganges, que é considerado sagrado no Hinduísmo. 
 
Os Xátrias

O segundo grupo da classe de castas é composto de guerreiros e príncipes, que possuem a tarefa de defenderem o direito e proteger os desfavorecidos, fazendo uso da violência. De acordo com Lemaítre: “O papel do xátria é encarnar a honra (esta classe representa a nobreza) pela fidelidade à sua palavra até a morte. Obedecendo a deveres tão numerosos como os Bramânes, embora diferentes em certos pontos, os xátrias devem respeito aos Brâmanes” (LEMAITRE, 1958, p. 109).

Este grupo embora honrado, de respeitada posição social dentro da cultura hindu, o segundo na escala elitizada indiana, ainda assim não está no mesmo patamar dos Brâmanes, não tendo os mesmos privilégios que aquele.

Os vaixias

Esta é a terceira classe das castas tradicionais no Hinduísmo, sendo ela a menor das que “nascem duas vezes”. Sua composição basicamente é formada por fazendeiros, criadores de gado, comerciantes, cultivadores, agricultores e operários da indústria. São eles os responsáveis pelo gerenciamento dos suprimentos do comércio interno e externo indiano. Dentro do contexto social e financeiro, são considerados o grupo mais importante da nação, formam a burguesia indiana, pois eles.

Os Sudras

Esta classe é considerada como a classe dos servos, sua existência é necessária para servirem as castas superiores, visto que exercem tarefas manuais, algumas até destinada aos Párias. Destacando que os Sudras jamais estiveram na condição de escravos, por essa razão podem deixar suas funções livremente. A grande massa é que compõem esta casta, por essa razão abrange as mais diversas profissões, tais como: Servos, jardineiros, operários, entre outros. Se por um lado os Bramânes são os da raça pura dos arianos, os Sudras são os da raça mista. Em suma, a tarefa dos Sudras é a de servir as três castas superiores.
Infelizmente esta casta não tem acesso aos vedas, por essa razão não podem estudá-lo. Dessa forma dedicam-se ao estudo dos Puranas, que são textos antigos do Hinduísmo, que veneram os deuses hindus, sobretudo ao trimuti.

Os Párias

Estes são os denominados Pachanas. Os que compõem este grupo são considerados como os sem casta, sendo um grupo muito numeroso, estes são os que vivem á margem da sociedade, excluídos dos pilares do sistema religioso Hindu, assim são denominados como Dalít, sendo considerados como os impuros pelo próprio sistema. Este grupo que vive totalmente desprezado pela sociedade, eram chamados de “intocáveis”; sendo chamados por Gandhi, como filhos de Deus. Acerca das precárias condições sociais que viviam, escreveu Hawkins: “Os intocáveis só podiam exercer as profissões mais vis, como limpar a rua ou curtir couro. Eram proibidos de comer com pessoas de outras castas, de entrar em templos ou de tirar água dos poços da aldeia” (HAWKINS, 2018, P.141). Tais profissões jamais poderão ser desenvolvidas pelos de casta nobre, assim os Párias ajudam os de castas superiores a manterem sua pureza. Dessa forma podemos observar como é sofrível a condição de um individuo, vivendo sob estas condições humilhantes, dentro de uma sociedade tão desigual, sem ao menos a possibilidade de viver com esperança de mudança, nem pra si ou ainda para seus descendentes, que herdarão esta mesma condição social, pelo fato da hereditariedade das castas.
Os que não aderiram á filosofia religiosa imposta pelo Hinduísmo, como os judeus e os muçulmanos também não estão fora do sistema de castas, de igual modo, vivendo á margem da sociedade. É totalmente proibido um estrangeiro ser inserido ao sistema de castas do Hinduismo.

Com a finalidade de banir as descriminações impostas pelo sistema de castas, o governo indiano, vigorou no ano de 1947 em sua constituição, procedimentos que visavam a inclusão dos desfavorecidos aos privilégios dos poderosos, no entanto, é necessário muito mais que leis para transformar a mente das pessoas, que sempre viveram e ensinaram aos seus filhos a sua superioridade em relação ao mais humilde, dessa forma, ainda hoje o sistema de castas está em vigor na Índia, sobretudo nas aldeias, o que se percebe em meio a tudo isto, é que para minimizar o efeito do sistema de castas  sobre a sociedade não é impor leis, mas antes mudar  a compreensão religiosa do Hinduísmo, que é algo surreal, pois acredita-se que tal sistema procede de ordem divina e o homem jamais poderá alterá-lo.
Inserido dentro das castas dos Párias, está o grupo, classificados pelo governo como castas programadas, são pessoas que vivem uma situação de miséria social, sem terra, ou sob exploração, vivendo de forma sub-humana, sendo necessário o amparo por parte do poder público, que lhes proporcionam privilégios que visam minimizar sua forma de vida precária todavia para o sistema de casta hindu, os tais ainda permanecem na condição de párias. 

Por 
Edson Moraes