Mostrando postagens com marcador Islamismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Islamismo. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 18 de março de 2025

Resenha do livro "The Life of Muhammad" de Ibn Ishaq

Por Walson Sales

A obra The Life of Muhammad de Ibn Ishaq, traduzida por Alfred Guillaume, é uma das mais antigas e completas biografias do Profeta Muhammad (Maomé). Escrita no século VIII, a biografia narra detalhadamente a vida do fundador do Islã, desde sua genealogia até os eventos mais importantes de sua missão como profeta. A tradução de Guillaume oferece uma visão integral da *Sira Rasul Allah* de Ibn Ishaq, permitindo ao leitor mergulhar nos acontecimentos fundamentais da vida de Muhammad, com ênfase nas revelações do Alcorão e nos conflitos políticos e religiosos que marcaram sua trajetória.

Profecias sobre o Nascimento de Muhammad

Desde o início da biografia, há relatos sobre presságios da chegada de Muhammad. Na página 94, Ibn Ishaq menciona Ibnu'l-Hayyaban, um adivinho judeu da Síria, que viajou a Meca à espera da chegada de um profeta. Ele previu que Muhammad viria para derramar sangue e tomar cativos aqueles que se opusessem a ele. Essa previsão reflete o ambiente profético e de expectativas messiânicas que cercavam a figura de Muhammad antes mesmo de seu nascimento.

Conflitos com os Quraysh e a "Promessa de Sangue"

Os confrontos entre Muhammad e sua tribo, os Quraysh, são centrais no relato de Ibn Ishaq. Na página 131, Muhammad responde às provocações dos membros da tribo que zombavam dele enquanto ele caminhava em torno da Caaba, ameaçando-os com uma promessa de violência: "Eu trago para vocês a matança". Esse episódio marca uma mudança no tom da missão de Muhammad, com uma abordagem mais assertiva contra seus opositores.

Os Versos Satânicos e a Correção Divina

Um dos episódios mais controversos registrados por Ibn Ishaq é o incidente dos chamados "Versos Satânicos". Na página 165, é relatado que Muhammad, sob influência de Satanás, recitou a Sura 109, que parecia indicar uma atitude de tolerância para com outras religiões: "Vocês têm sua religião, e eu tenho a minha". Mais tarde, porém, Muhammad foi repreendido por Allah, através do anjo Gabriel, e o verso foi corrigido por uma nova revelação, registrada na Sura 22.51 (p. 166), que anulou o verso anterior, reconhecendo a interferência de Satanás.

A Expansão do Islã e o Início das Guerras

O surgimento do Islã entre os Ansar (Auxiliares), uma tribo de Medina, é narrado na página 197, quando doze homens juraram lealdade a Muhammad antes da obrigação de guerrear. No entanto, o segundo juramento de Aqaba (p. 208) trouxe a obrigação de lutar por Allah e pelo profeta, com a promessa de recompensa no paraíso para os que fossem fiéis à causa.

Com a permissão divina, Muhammad iniciou suas campanhas militares. A partir da página 212, é descrita a permissão para lutar defensivamente contra os Quraysh, que tentavam seduzir os muçulmanos a abandonarem sua fé. Na página 213, Sura 22.40-41 estabelece o dever de lutar para que "não haja mais sedução", ou seja, para impedir que os crentes fossem desviados de sua religião.

Conflitos com os Judeus e a Primeira Expedição Militar

As tensões entre Muhammad e os judeus de Medina também são amplamente documentadas. Na página 239, Ibn Ishaq descreve os hipócritas – aqueles que, sob pressão, fingiram aceitar o Islã para salvar suas vidas. O início das guerras de Muhammad é registrado na página 280, com a primeira expedição militar em Waddan, que não foi um ato defensivo, mas um ataque, conforme mencionado pelo autor.

Expedições, Trapaças e Conflitos com a Tribo Judaica de Qaynuqa

O relato continua com os ataques de Muhammad a caravanas de seus inimigos. Na página 287, descreve-se uma expedição disfarçada de peregrinação em que os muçulmanos atacam uma caravana dos Quraysh. Já na página 363, Muhammad entra em conflito com a tribo judaica dos Banu Qaynuqa. O estopim do conflito foi um incidente aparentemente banal, em que uma piada de mau gosto foi feita com uma mulher muçulmana, resultando em uma disputa sangrenta. Muhammad ameaçou matar 700 judeus, mas foi dissuadido por Abdullah b. Ubayy b. Salul, um líder muçulmano que havia sido protegido pelos judeus.

Matanças e Assaltos em Nome de Deus

A biografia destaca os episódios em que Muhammad ordena a morte de judeus, inclusive o assassinato de Ibn Sunayna (p. 369), que chocou a comunidade pela quebra dos laços de sangue. A obra apresenta a violência como um elemento constante nas ações de Muhammad e seus seguidores, justificada pela revelação divina. O ataque à tribo Banu Qurayza é descrito na página 461, onde Gabriel ordena que Muhammad os ataque. Cerca de 600 a 900 homens foram executados em um único dia, com Muhammad participando pessoalmente das execuções.

Outro episódio marcante é a tomada de Khaybar (p. 510), uma cidade judaica que se rendeu aos muçulmanos. A rendição resultou em um acordo em que os judeus poderiam permanecer, mas teriam de entregar metade de sua produção aos muçulmanos (p. 516). Esse evento é apresentado como um exemplo do poder crescente de Muhammad e de sua capacidade de subjugar seus inimigos.

Conclusão

A biografia de Ibn Ishaq oferece uma visão crua e detalhada da vida de Muhammad, documentando suas batalhas, alianças e revelações. A obra não se esquiva das controvérsias e mostra o papel fundamental da violência e das estratégias políticas na expansão do Islã. Apesar de ser uma leitura complexa e, em alguns momentos, repetitiva, The Life of Muhammad é essencial para quem deseja entender o desenvolvimento inicial da fé islâmica e o impacto duradouro das ações de seu profeta.

A leitura desta biografia é um mergulho na fundação do Islã, e ao examinar os episódios documentados por Ibn Ishaq, o leitor obtém uma compreensão profunda das motivações, dos desafios e dos métodos de Muhammad para consolidar sua autoridade religiosa e política.

segunda-feira, 3 de março de 2025

A Importância de Conhecer o Islamismo com Profundidade: Contextualizações e Explicações

Por Walson Sales 

O islamismo é uma das maiores e mais influentes religiões do mundo, com uma história de mais de 14 séculos e mais de 1,8 bilhão de seguidores. O conhecimento profundo sobre o Islã é essencial, tanto para cristãos que desejam compreender melhor essa religião, quanto para o diálogo inter-religioso e a convivência pacífica. Abaixo, analisamos 16 tópicos que abordam diferentes razões pelas quais o estudo do islamismo é importante, contextualizando de maneira equilibrada.

1. Se preparar para o evangelismo

O conhecimento do islamismo é fundamental para quem deseja compartilhar sua fé cristã de forma respeitosa e eficaz. Compreender as crenças e práticas islâmicas evita mal-entendidos e permite diálogos baseados no respeito mútuo, essenciais para um evangelismo que não seja agressivo, mas acolhedor.

2. Se preparar para a defesa da fé

O Islã nega algumas das doutrinas centrais do cristianismo, como a divindade de Cristo e a Trindade. Conhecer essas diferenças teológicas é essencial para uma defesa robusta da fé cristã, especialmente em um mundo cada vez mais pluralista. Porém, esse diálogo deve ser feito de forma pacífica e informada, sem promover antagonismos.

3. Porque o islamismo tem histórico de violência

É verdade que o islamismo, como muitas outras religiões, tem episódios históricos marcados por violência, como as conquistas islâmicas e a jihad. No entanto, a violência no contexto islâmico tem sido amplamente debatida entre estudiosos. Ela muitas vezes está ligada a contextos históricos, culturais e políticos, não sendo característica inerente à fé islâmica em si.

4. Porque o islamismo destruiu todas as visões de mundo onde se instalou

A ideia de que o islamismo destruiu todas as visões de mundo onde se instalou deve ser analisada com cautela. Em algumas regiões, a chegada do Islã foi acompanhada de mudanças culturais e religiosas significativas, mas em outras, houve uma coexistência, como na Península Ibérica, onde judeus, cristãos e muçulmanos conviveram por séculos. A relação entre o Islã e outras culturas varia muito dependendo do tempo e lugar.

5. Porque o islamismo destruiu todas as culturas onde se instalou

Historicamente, o Islã influenciou muitas culturas, mas não necessariamente destruiu todas. Em muitos casos, houve um intercâmbio cultural e científico significativo, como na Idade de Ouro Islâmica, quando muçulmanos preservaram e desenvolveram o conhecimento científico e filosófico grego, indiano e persa.

6. Porque o islamismo é proselitista

O islamismo é, de fato, uma religião proselitista, assim como o cristianismo. A chamada para a fé, conhecida como "dawah", é uma prática comum no Islã, semelhante à evangelização no cristianismo. O estudo dessa prática pode ajudar a entender as motivações por trás da expansão do Islã e como ele se relaciona com outras religiões.

7. Porque o islamismo é exclusivista

O islamismo é exclusivista em suas crenças, defendendo que o Alcorão é a revelação final de Deus e que o islamismo é a religião verdadeira. No entanto, existem diferenças de interpretação sobre como essa exclusividade deve ser aplicada na prática, especialmente em relação a outras religiões. Muitos muçulmanos defendem o respeito e a coexistência pacífica com os não-muçulmanos.

8. Porque o islamismo nega a divindade de Jesus

Para os cristãos, a divindade de Jesus é central, enquanto o Islã o vê como um profeta altamente respeitado, mas não divino. Compreender essa diferença é crucial para o diálogo inter-religioso e para a defesa da fé cristã, especialmente em debates teológicos.

9. Porque o islamismo nega a doutrina da Trindade

O conceito de Trindade é um ponto central de discordância entre cristãos e muçulmanos. Para os muçulmanos, a ideia de um Deus Trino é contrária à sua visão de monoteísmo. Conhecer esses pontos é essencial para entender os fundamentos do Islã e do cristianismo, além de abrir espaço para debates informados e respeitosos.

 10. Porque todos os grupos terroristas hoje são islâmicos

Embora muitos grupos terroristas atualmente se identifiquem como islâmicos, é essencial reconhecer que esses grupos representam interpretações extremistas e violentas do Islã, não a fé islâmica em si. A grande maioria dos muçulmanos no mundo condena esses atos de terrorismo. Não se pode julgar uma religião inteira com base nas ações de uma minoria.

11. Porque o islamismo é a religião que mais cresce no mundo

O islamismo está crescendo rapidamente, especialmente devido a taxas de natalidade elevadas e conversões. Conhecer essa religião que influencia cada vez mais sociedades ao redor do mundo é importante para entender as mudanças demográficas e culturais globais.

12. Porque o islamismo minimiza a mulher

Embora algumas interpretações do Islã restrinjam os direitos das mulheres, muitas dessas práticas estão mais ligadas a tradições culturais locais do que à religião em si. Existem várias correntes islâmicas que defendem a equidade de gênero e promovem o papel ativo das mulheres na sociedade. É importante distinguir entre práticas culturais e interpretações religiosas.

13. Porque o islamismo nega a Bíblia

O Islã reconhece a Torá e o Evangelho como revelações anteriores, mas acredita que elas foram corrompidas ao longo do tempo. O Alcorão é considerado a revelação final e incorruptível. Compreender essa visão ajuda a esclarecer a forma como os muçulmanos percebem as Escrituras cristãs e judaicas.

14. Porque o islamismo nega os evangelhos

Os muçulmanos acreditam que os evangelhos, como são conhecidos hoje, não representam fielmente os ensinamentos originais de Jesus. Para eles, o Alcorão corrige essas distorções. Conhecer essa perspectiva permite um diálogo teológico mais profundo sobre a autenticidade e preservação dos textos sagrados.

15. Porque o islamismo nega a morte de Jesus na cruz e por implicação, sua ressurreição

Para o Islã, Jesus não morreu na cruz, mas foi elevado ao céu, e outra pessoa foi crucificada em seu lugar. Essa é uma das maiores diferenças entre o cristianismo e o islamismo, tornando o estudo dessas divergências essencial para o diálogo inter-religioso.

16. Porque o islamismo está crescendo de forma acelerada no Brasil

O crescimento do islamismo no Brasil é uma realidade que merece atenção. O estudo do islamismo ajuda a entender esse fenômeno e suas implicações para a sociedade brasileira, especialmente em termos de convivência religiosa e cultural.

Conclusão

Conhecer o islamismo com profundidade é fundamental para o diálogo inter-religioso, a defesa da fé cristã e a convivência pacífica em sociedades cada vez mais diversas. Embora existam questões delicadas, como a violência associada a algumas interpretações extremistas do Islã, é importante lembrar que a maioria dos muçulmanos rejeita a violência e vive de acordo com princípios pacíficos. O conhecimento e a compreensão são os primeiros passos para construir pontes de respeito e cooperação entre diferentes tradições religiosas.

domingo, 2 de março de 2025

Qual a importância de conhecer o islamismo com profundidade?

Veja as opções e diga qual melhor se encaixa na sua perspectiva:

1. Se preparar para o evangelismo;

2. Se preparar para a defesa da fé;

3. Porque o islamismo tem histórico de violência;

4. Porque o islamismo destruiu todas as visões de mundo onde se instalou;

5. Porque o islamismo destruiu todas as culturas onde se instalou;

6. Porque o islamismo é proselitista;

7. Porque o islamismo é exclusivista;

8. Porque o islamismo nega a divindade de Jesus;

9. Porque o islamismo nega a doutrina da Trindade;

10. Porque todos os grupos terroristas hoje são islâmicos;

11. Porque o islamismo é a religião que mais cresce no mundo;

12. Porque o islamismo minimiza a mulher

13. Porque o islamismo nega a Bíblia;

14. Porque o islamismo nega os evangelhos;

15. Porque o islamismo nega a morte de Jesus na cruz e por implicação, sua ressurreição;

sábado, 15 de fevereiro de 2025

As falhas nas narrativas históricas do Islamismo por Jay Smith – Palestra do youtube

Sobre Muhammad – a tradição muçulmana ensina que Muhammad nasceu em Meca em 570 d.C., depois se mudou para Medina em 622 d. C., (ambas as cidades na Arábia Central). 622 é uma data importante para o Islamismo, pois é considerada a data oficial do início do islã com a Hégira, ou seja, a mudança de Muhammad de Meca para Medina. É nesse período que Muhammad alegadamente recebeu e continuou recebendo as revelações que supostamente vieram a ser o que é conhecido como Alcorão, que é o paradigma do islã e da prática religiosa islâmica. 

Mas o que as fontes históricas revelam sobre o Muhammad histórico, usando evidências do século 7 e até mais antigas e comparando com o ensino tradicional do Islã? 

Essa é uma área que poucas pessoas investigam e muito do que vou dizer aqui é provavelmente novo para a maioria das pessoas. Para isso, precisamos investigar três áreas:

A primeira é a própria cidade de Meca. A segunda área diz respeito às fontes do Islã primitivo, cujo objetivo é realmente tentar desvendar quem é Muhammad, de onde ele veio e se ele realmente existiu. A terceira área é geralmente sobre o contexto do surgimento do próprio Alcorão. Essa questão do Alcorão é um tópico muito vasto. 

Nunca esqueça: o Islã depende de três coisas: 

O livro – O Alcorão;

O homem – Muhammad; 

e o lugar que é Meca.

Se umas destas três áreas forem questionadas e sucumbirem, as outras desabam, pois elas estão intrinsecamente conectadas. Essas três áreas são fundamentais para o Islã. Então não devemos, por agora, investigar essas três áreas, especificamente sobre o que as pessoas dos séculos 9 e 10 disseram sobre elas. Analisaremos agora o século sétimo, onde essas três áreas são colocadas em contexto, ou seja, na parte central da Arábia, chamada de Hijaz, repito, do século sétimo. 

Então, vamos observar o problema das fontes do islã. Este é um dos motivos pelos quais as fontes do Islã deveriam estar situadas bem no início do Islã. Mas é o que quero enfatizar aqui, pois antes de olharmos para o próprio Muhammad, precisamos olhar para a origem de todo esse material que fala sobre Muhammad e sobre a origem do Islã. Precisamos saber de onde vieram essas fontes.

Então, vamos começar com os problemas das fontes, ou seja, onde se originou o que sabemos sobre o Islã, sobre o Alcorão, sobre Muhammad e sobre o contexto? Aqui está o mapa (salvar mapa da palestra). O mapa mostra o que olhar e onde olhar, ou seja, na parte central do Oriente Médio e no norte da África. De acordo com as tradições islâmicas, segundo a narrativa islâmica padrão, o império de Muhammad alcançou toda essa parte marrom do mapa que estou apontando agora. Esta é a área que o Islã nos diz que esteve sob o controle islâmico, desde o período da morte de Muhammad em 632 d. C., quando Abu Bakr, Omar, Ulthman e Ali, os quatro Califas guiados, reinaram e o império islâmico alcançou essa área laranja. Essa é conhecida como a era de ouro do islã, conforme a narrativa islâmica padrão, esse foi um período de cerca de 30 anos – de 632 a 661 – quando Ali foi assassinado na batalha de Siffin. 

A partir daqui nós temos o primeiro Califa da dinastia Umayyad que vai de 661 a 750, período que durou cerca de 90 anos. Depois o império se expandiu para essa área roxa. No mapa, essa é a área que nós realmente não estamos preocupados, pois o período que essa área foi alcançada é um período muito tardio. Estou mais preocupado com as áreas marrom e laranja que são os locais onde a história do Islã e de Muhammad ocorreu.

Agora vamos olhar para a linha do tempo, porque essa é a história oficial padrão do islã, é o que os muçulmanos falam quando fazem uma apresentação da história e desenvolvimento do Islã, concernentes as tradições islâmicas sobre o surgimento do Islã:

As tradições islâmicas nos dizem que:

Muhammad nasceu em 570 d. C., em Meca;

O Alcorão começou a ser revelado a Muhammad em 610 d. C.;

Em 621 d. C., no meio da noite, em Meca, Muhammad foi acordado pelo anjo Gabriel e ordenado a subir no lombo de um jumento/cavalo e voou nesse cavalo voador chamado Burak até Jerusalém, de onde ele ascendeu aos sete céus e encontrou com Allah e Allah disse a ele para ele rezar 50 vezes ao dia, e quando ele desceu ao quinto céu, encontrou Moisés no quinto céu e Moisés lhe perguntou: quantas vezes você foi ordenado a rezar? Ele respondeu que foi ordenado a rezar 50 vezes. Então Moisés disse, não. Volte lá e veja se você consegue reduzir o número de orações. Então ele ficou oscilando entre o quinto e sétimo céu e conseguiu diminuir de 50 para 45, depois para 20, depois para 15, depois para 10, até chegar a 5 orações. Quando ele conseguiu chegar a 5 orações, Moisés disse, ok, tá bom, pode voltar a terra, é suficiente. Esse é o número de orações que o islã pratica hoje. Isso, conforme a tradição islâmica, ocorreu em 621 d. C.

No ano seguinte, em 622 d. C., Muhammad deixa Meca e se muda para Medina ao norte de Meca e lá ele criou o primeiro califado, sob sua própria autoridade. 

Em 630 d. C., ele retorna e conquista Meca e então expande seu império em direção a Arábia central e a controla. 

Em 632 d. C., ele morre envenenado por sua própria esposa judia. 

Essa é a vida de Muhammad, de 570 a 632 d. C. Isso é o que os Muçulmanos conhecem e ensinam e é o que conhecemos aqui no Ocidente. Essa é a única narrativa que somos ensinados, é o relato oficial do islã. Após a morte de Muhammad, Abu Bakr, seu sogro, pai de sua esposa preferida, Aisha, assume o califado e morre dois anos depois, pacificamente, em 634. Nesses dois anos ele expandiu o alcance muçulmano para além da Arábia central em direção ao norte e ao Ocidente e Oriente. Após a morte de Abu Bakr, Omar, assume o califado e então ele impetra a grande expansão, empurrando o império islâmico em todas as direções, para o Afeganistão ao Oriente, Turquia ao norte e Trípoli ao Ocidente. Ele é assassinado em 644 d. C., dez anos depois de assumir. Ulthman então assume o califado e ele é conhecido como aquele que compilou o Alcorão em sua forma completa. Então, o Alcorão que temos em nossas mãos hoje é o Alcorão que foi compilado por Ulthman, segundo a tradição e narrativa oficial do islamismo. Essa compilação ocorreu em 652 d. C. Ulthman é morto em 656 d. C., e Ali, o filho adotivo de Muhammad, assume o califado e governa por apenas 5 anos. Todos esses quatro homens governam de Medina, cidade conhecida como sendo o quartel general do império Muçulmano. Então ele é morto na batalha de Siffin em 661 d. C., pelo homem que criou a dinastia Umayyd. Essa é a história do Islã. 

Perceba que o Islã foi formado completamente no Hijaz em 661 d. C., e aqui está a pergunta de 1 milhão de dólares: como todas essas informações chegaram até nós hoje? Qual a fonte ou as fontes dessas informações? De onde veio esse material? Como ficamos sabendo sobre o nascimento de Muhammad ou sobre sua morte? Como ficamos sabendo como se deu o processo de revelação do Alcorão a Muhammad? Como ficamos sabendo sobre a sucessão dos califas depois da morte de Muhammad? 

Vamos olhar outra linha do tempo e vamos ver o que essa outra timeline nos informa sobre o relato oficial do islã sobre essas coisas. O interessante é que o que vamos ver nessa outra timeline vem da mesma tradição islâmica. Essa timeline diz que Muhammad morreu em 632 d. C., e como sabemos disso? Por causa da Biografia de Muhammad, conhecida como SIRA. A Sira foi escrita por Ibn Isaq. Perceba a data da morte de Ibn Isaq: ele morreu em 765 d. C. Opa. Espera um minuto, Muhammad morreu em 632 d. C. e Ibn Isaq morreu em 765 d. C., ou seja, nós recebemos a primeira Biografia de Muhammad 130 anos após sua morte. Contudo a coisa fica pior: a Biografia de Muhammad não foi escrita por Ibn Isaq como somos informados na capa da Sira. A real fonte da Biografia de Muhammad vem de outro cara, Ibn Ishan. Ibn Ishan morreu em 833 d. C. Ibn Ishan é o cara que nos fornece a história de Muhammad. Ele pega algumas informações de Ibn Isaq, mas descarta muita coisa porque não confiou nas demais informações recebidas e escreveu apenas o que quis. 

Então, realmente, a Biografia de Muhammad não vem de Ibn Isaq, mas de Ibn Ishan. Então vamos descartar Ibn Isaq. Não precisamos dele porque não temos nada escrito por ele. Temos outra Biografia escrita por Al Waqidi, que também morreu em 835 d. C. Então, você percebe quanto tempo estamos da morte de Muhammad? Observe as datas. Para os muçulmanos a Sira não é importante. O que é mais importante para eles são os Hadiths, que são os ditados de Muhammad. Esses ditados foram coletados e escritos primeiramente por al-Bukari que morreu em 870 d. C. Outro coletor e escritor de Hadiths é o Sarih Muslim que morreu em 875 d. C. Outro é o at-Tirmidh que morreu em 884 d. C. Outro é Ibn Marjah que morreu em 887 d. C. Outro é o Abu Dawud que morreu em 899 d. C. Outro é o an-Nisai que morreu em 915 d. C. Esses são os Hadiths de Muhammad. Gente, são cerca de 240 anos após a morte de Muhammad. 

Mas essas não são todas as tradições, existem outras formas de tradições conhecidas como Tafsir e o Takrik, os comentários e as histórias, e o primeiro a escrever esse gênero literário foi Al-Tabari que morreu em 1923, ou seja, no século 20. Logo, recebemos algo escrito sobre Muhammad ou sobre o islã primitivo ou sobre o surgimento do islã em cerca de 200 anos após a morte de Muhammad.

Vou colocar Abdul Al Malik aqui porque ele surge em 692 d. C., porque foi ele quem introduziu o nome “Muhammad”. Foi ele quem colocou esse nome no Domo da Rocha, em inscrições e em moedas. Vamos falar sobre ele depois, mas estamos falando de 141 anos antes de Ibn Ishan escrever a Biografia. Mas há 140 anos entre o nome de Muhammad ter sido cunhado e a escrita da primeira Biografia. Mas foi esse povo, o Abásside, que chegou ao poder em 749-750 que nos deu o “Muhammad” que temos hoje. Eles quem introduziram a narrativa oficial do Islã que conhecemos hoje. Antes desse período nós não temos a mesma narrativa, porque? Porque vamos olhar o que aconteceu antes da dinastia Abásside para descobrir o que aconteceu. 

Então, dando uma recapitulada, temos o seguinte:

Muhammad foi revelado 84 anos após os Abássides terem criado ele; 141 anos após ele ter sido introduzido/apresentado e ainda 201 anos após ele ter supostamente vivido. Percebe o tamanho e a gravidade do problema? Eu vou ter que provar isso? Claro que sim!

Ainda tem mais, olhe para a distância e as direções opostas desses diferentes autores que apresentam as tradições islâmicas desses acontecimentos dessas duas cidades, Meca e Medina, na parte central da Arábia no lado ocidental. Todos os escritores dessas tradições operam em Bagdá, que fica a 1.200 milhas ao norte, ou seja, Ishan o que escreveu a Sira é de Basra, mas ele cresceu no Cairo, Egito. Perceba que ele viveu entre 900 a 1.200 milhas de distância. Al-Bukari, que escreveu os hadiths, é de Bukara, que fica no Uzbequistão, que fica 2.600 milhas de distância de Meca e Medina. Al-Tabari, que escreveu o Tafsir e o Tafrik, é do Tabagistão, que fica a 1.700 milhas do Hijaz, região de Meca e Medina. 

Nenhum desses escritores tradicionais viveram ou trabalharam em Meca e Medina, nem foram contemporâneos dos eventos ou do profeta. Eles eram de muito distante, ao norte de Meca e vieram do ocidente e oriente de Bagdá, todos da região norte, onde os Abássides se originaram. Então, olhando para o lado norte do Hijaz, vamos recapitular o que já dissemos até agora. 

Perceba que quando olhamos para essa hegemonia do norte da tradição islâmica que é a fonte de praticamente tudo o que aconteceu em Meca e Medina, na região conhecida como Hijaz (parte da Arábia central) e ainda o fato de todos os escritores dessas tradições terem trabalhado em Bagdá, que fica a 1.100 milhas (cerca de 1.771 km) ao norte. Toda essa herança nortista está onde a dinastia Abásside se originou e, pior ainda, todos os escritores dessas tradições trabalharam e viveram nos séculos 9 e 10, logo a conclusão lógica é que todos eles escreveram seus materiais das tradições islâmicas centenas de milhas de distância e centenas de anos depois dos eventos. 

O problema central é esse: o material que narra os eventos sobre Muhammad e sobre o surgimento do Islã foram escritos por pessoas que viveram e escreveram seus materiais muitos anos depois dos eventos e muito distante geograficamente dos locais onde supostamente os eventos ocorreram. Então, esse material, todo ele, perde credibilidade. 

E sobre o Novo Testamento?

Não temos o mesmo problema com o Cristianismo. Se contextualizarmos, não temos os mesmos problemas com os Hadiths, nem com a Sira, nem com os Tafsirs, nem com os Tariks sobre Jesus, porque todos os 4 gêneros literários do islã existem no Cristianismo, por isso a contextualização. Agora, sobre as fontes cristãs, vou usar uma análise bem franca, e vou utilizar as datas mais liberais que tenho, apenas para mostrar a diferença. 

De acordo com o Novo Testamento, de acordo com a nossa tradição cristã, todos concordam que Jesus morreu em 33 d. C. Jesus morreu sob o governo de Tibério César. Recebemos essa informação de Tácito, historiador Romano, que nos informa essa data. O livro de Atos, poderia ser comparado com os Tariks, as histórias, como no caso do islã. O livro de Atos é a história da Igreja Primitiva/apostólica, escrita por Lucas entre 52 e 62 d. C., o que representa cerca de 20 a 30 anos após a morte de Cristo. As cartas do Apóstolo Paulo, os Tafsirs, foram escritas entre 48 e 65 d. C., o que significa entre 15 a 34 anos após a morte de Cristo. O evangelho de Marcos, que comparamos com a Sira e os Hadiths, ditados de Jesus, ou seja, o Hadith e a História (biografia) de Jesus. Marcos escreveu entre os anos 70 e 80, o que significa mais ou menos 37 anos após a morte de Cristo. Mateus e Lucas, que também escreveram a Sira e o Hadith de Jesus, morreram no Irã no ano 80. Isso significa 47 anos após a morte de Jesus. Por fim, temos João, a última Sira e Hadith foi escrita por ele. Ele morreu por volta do ano 90 d. C., o que corresponde a 57 anos após a morte de Cristo. 

Então, entre 29 a 57 anos após a morte de Cristo, temos todo o Novo Testamento. Não se tem como comparar a Sira e o Hadith do islã com a “Sira” e o “Hadith” do Cristianismo. Para piorar a situação das fontes do islã, os escritores do Novo Testamento viveram no mesmo lugar e na mesma época de Jesus e eles ou foram testemunhas oculares dos fatos e conheceram Jesus pessoalmente ou conheceram pessoalmente as testemunhas oculares dos fatos. Você consegue perceber a diferença? 

[ Nota do tradutor: tenha ainda em mente que existe uma interpretação muito forte sobre a antiguidade dos livros do NT, a saber, a ideia de que todos os livros do NT devem ter sido escritos ANTES do ano 70 d. C., com exceção do Apocalipse, pois em nenhum lugar do NT é mencionada a invasão romana de Jerusalém no ano 70 D. C., onde o General Romano Tito, cercou Jerusalém, invadiu a cidade, destruiu o templo e matou milhares de judeus, levando o restante dos sobreviventes cativos. Como este evento catastrófico não é mencionado em nenhum lugar do NT, logo, todo o NT deve ter sido escrito antes deste evento].

Quando comparamos os escritos e os escritores do islã com os do Cristianismo, vemos que enquanto os escritos do Cristianismo foram escritos entre 15 a 60 anos após a morte de Cristo, no islã, os escritores viveram a centenas de milhas ao norte e escreveram a cerca de 200 a 300 anos depois. 

Qual fonte tem mais autoridade?

Imagine se no Cristianismo as fontes tivessem sido escritas no terceiro século? Os críticos cairiam em cima, pois Jesus só apareceria como personagem histórico no terceiro século. 

No caso do islã, como podemos confiar, se as fontes do islã são tão tardias? Como essas fontes podem ser confiáveis com uma distância temporal e geográfica tão grande? Como elas podem representar com fidelidade o que aconteceu no século sétimo?

Lembre-se que eu perguntei: quem criou a biografia de Muhammad? A primeira fonte foi de um livro escrito por Ibn Isaq, mas depois foi descoberto que quem realmente escreveu o livro foi Ibn Ishan, muito tempo depois, e que Ibn Ishan pegou apenas algumas informações de Ib Isaq e descartou o resto como não fidedigno. Esse livro foi traduzido para o inglês por Alfred Guillaume (traduzido do francês). Mas não havia nada escrito sobre Muhammad antes da Sira. Contudo, nos dias atuais, de onde veio essa Sira? Quem descobriu esse material e o apresentou ao Ocidente? Pois não tínhamos nada sobre esse material até 1819. A pessoa que descobriu, editou e apresentou esse material ao Ocidente foi Heirinch Ferdinand Wustenfeld. Ele compilou a Sira quando pesquisou sobre o assunto em 4 universidades da Alemanha e depois esse material foi traduzido para o inglês por Guillaume. 

Em 1967, Fouad Sergin compilou outra Sira de documentos encontrados no Marrocos. Ferdinand compilou esse material da Sira de Ibn Ishan há apenas 160 anos atrás, mil anos depois dos eventos. Então, a principal fonte de informações sobre o profeta do Islã foi compilado há 160 anos e mil anos depois dos pretensos fatos. 

Alguns eruditos, chamados de orientalistas, afirmam que o islã, como o conhecemos hoje, não existia no século sétimo, mas se desenvolveu por um período de 2 ou 3 séculos e, sendo assim, o Alcorão não foi revelado a um homem no século sétimo, por um período de 22 anos, mas por um período de 50 a 100 anos. 

Conclusão: A história do islã, pelo menos no tempo do califa Abdul Malik e antes, é uma fabricação posterior.

Fonte: https://youtu.be/walncNs3sOw?si=QXnsz_bC--73nizz

Tradução Walson Sales

O “evangelismo” muçulmano, a Jihad em ação.

Todos nós sabemos como funciona o evangelismo cristão, sai um grupo de cristão para falar sobre Jesus Cristo com aqueles que não conhecem ou não conseguiram ainda fazer sua decisão em segui-lo, daí geralmente os cristãos saem em grupo para anunciar as “Boas Novas” de Salvação, falando do plano redentor de Deus em prol da humanidade.

A Jihad pode ser classificada como um tipo de “evangelismo” muçulmano, sua principal mensagem é o Islã, da mesma forma que você vê um cristão pregar o Evangelho de Jesus Cristo, um muçulmano se esforça em falar do Islã, e o nome disse é Jihad, pois, nem sempre Jihad significa guerra, mas toda guerra que envolva muçulmano é Jihad. De acordo com a Dr. Christine Schirrmacher diz que “Jihad pode significar qualquer tipo de esforço feito EM FAVOR DA CAUSA DO ISLÔ (grifo nosso). Isso significa que, seja por um ato violento ou não, se for em favor da causa do Islã é Jihad. A grande diferença entre o evangelismo cristão e do que se entende aqui por “evangelismo muçulmano” é que, enquanto o evangelismo cristão é baseado no amor, na tolerância, na mensagem de Jesus Cristo, o “evangelismo muçulmano” é baseado no esforço em prol do Islã, que por vezes este esforço se transforma em violência, e isto não é apenas autorizado pelo Alcorão ou os hadiths, mas, é divinizado. Mas o que chama atenção é que existe uma certa confusão quando se fala sobre a Jihad no mundo Ocidental, ou seja:

Jihad não é uma simples guerra, Jihad não significa pegar uma arma e sair atirando em alvos aleatórios. Jihad é um esforço em favor do Islã, e isso deve ficar bem claro. Sabemos que a maioria dos muçulmanos são contra os ataques violentos ou suicidas contra pessoas inocentes, mas a minoria que pratica tais atos “Tem grande peso com o exemplo de Maomé, o guerreiro da causa islã, que, no fim das contas, deve ser imitado com todos os aspectos” (SCHIRRMACHER, 2017, p.55). 

Ainda podemos observar o que diz o professor e historiador Albert Hourani fala sobre o papel da Jihad na história de fundação do Islã afirmando que:

A Jihad, guerra contra os que ameaçavam a comunidade, fossem infiéis hostis de fora ou não muçulmanos de dentro que rompessem seu acordo de proteção, era em geral encarada como uma obrigação praticamente equivalente a um dos pilares. O dever da jihad, como os outros, baseava-se nas palavras do Corão: “Ó tu que crês, combate o infiel que tens perto de ti”. A natureza e a extensão da obrigação eram cuidadosamente definidas pelos autores legais. Não era apenas uma obrigação individual de todos os muçulmanos, mas da comunidade, de fornecer o número suficiente de combatentes. (HOURANI, 2006, p. 207)

Portanto, o entendimento sobre a Jihad segundo a sua própria definição não se trata de um simples esforço, é uma obrigação de todos os muçulmanos de acordo com a história do Islã, com o Alcorão e com os hadiths e tudo isso traz à Jihad um caráter divinizado, até o termo Jihad é um termo especifico para um empreendimento de muçulmanos contra os infiéis, o que mais uma vez confirma que a Jihad não escolhe alvos aleatórios, mas sim alvos específicos, observe o que diz um muçulmano em uma palestra: “Jihad é um termo puramente islâmico. Não é um sinônimo de luta, combate, esforço ou qualquer outra palavra. O pré-requisito básico da Jihad é que o inimigo seja não muçulmano. Se nós somos vencedores, é natural para nós a imposição das regras do Islã sobre o país conquistado” (HEWENY, 2018). Essas ordens partem diretamente de Allah através do Alcorão, ou seja, não são interpretações ou algo parecido. Isto significa de que as pessoas devem entender a Jihad da mesma forma com que os cristãos interpretam o que está escrito em Mc 16.15.

Há pessoas, e até escritores em que queiram comparar a jihad com as cruzadas, que foram, em tese, praticadas por cristãos ou algum outro ato de violência praticado por cristãos na história da humanidade, há ainda, aqueles que digam que o Alcorão também tem versículos que venham a “amenizar” essas passagens. No entanto, aqueles que buscam esses argumentos, desconhecem a história e o próprio fato do desconhecimento das Escrituras de ambas as religiões os conduzem a este erro, conquanto observe:

Jesus disse: “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus! Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus! Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus! (Mt 5.8-10)

Maomé disse: Alá atribui a pessoa a participar nas guerras santas pela Causa de Alá, e nada a leva a fazer exceto a crença em Alá e em Seus Enviados, e será recompensado por Alá seja como um prêmio ou botim (caso sobreviva) ou a admissão no Paraíso (caso morra na batalha como mártir). Hadith (Al-Bujari, op. CIt., vol. 1, livro 2, nº 36).

Agora responde sinceramente: Qual dos dois podem sinceramente justificar ataques violentos? Qual dos dois pode divinizar uma guerra? E isso não é tudo, há tantos outros versos que poderíamos colocar aqui, ou tantos outros exemplos, mas a conclusão em todos será uma só: Os cristãos não podem justificar ou divinizar qualquer ataque violento em nome do cristianismo; Os muçulmanos podem justificar seus atos violentos em nome do Islã.

Por Rafael Félix

segunda-feira, 10 de abril de 2023

Respondendo ao Islã – parte 7: Existem erros históricos no Alcorão?

 

Por David Wood

 

    Durante o tempo de Muhammad, muitas histórias estavam circulando na Arábia. Algumas dessas histórias eram verdadeiras, e algumas eram falsas. Os historiadores geralmente podem separar histórias verdadeiras de histórias falsas examinando a evidência. Eles usam o método histórico. Eles perguntam: "Quais são as nossas fontes mais antigas para esta história? Temos múltiplas fontes ou apenas uma? Quão confiáveis são essas fontes?" Coisas assim. Mas Muhammad não sabia nada sobre a investigação histórica, e então ele simplesmente não podia dizer a diferença entre histórias verdadeiras e histórias falsas. Deixe-me dar-lhe alguns exemplos para mostrar o que quero dizer.

    Na Sura 18, Allah nos diz que Alexandre, o Grande, viajou até o oeste distante, encontrou o lugar onde o sol se põe. Não só eu posso garantir que Alexandre o Grande nunca encontrou o lugar onde o sol se põe, sabemos que essa história era uma história popular durante a vida de Muhammad. A história estava mesmo circulando em uma obra em siríaco intitulada "The Glorious Deeds of Alexander" [Os gloriosos feitos de Alexandre] perto do fim da vida de Muhammad.

    Mais cedo na Surah 18, lemos sobre os "Companheiros da Caverna" - um grupo de pessoas que supostamente dormiram em uma caverna e acordaram trezentos anos depois. Este mito remonta ao bispo Estevão de Éfeso em meados do século V.

    Segundo a Surah 19, Jesus começou a pregar logo que saiu do ventre de Maria. Esta história vem do Evangelho da infância árabe do século VI.

    A história de um pássaro ensinando Caim a como enterrar seu irmão na Surah 5 vem do Mishnah Sanhedrin. A lenda de Maria dando à luz sob uma palmeira na Surah 19 vem de uma obra apócrifa chamada História da Natividade de Maria e a Infância do Salvador, escrita no início do século seis. O relato de Jesus dando vida aos pássaros de argila na Surah 5 vem de uma obra do século II chamada Evangelho da infância de Tomé.

    Parece que Muhammad simplesmente pegou as histórias que eram populares durante sua vida, deu-lhes uma perspectiva islâmica e as incluiu no Alcorão. O que é interessante é que mesmo os pagãos de Meca eram melhores em reconhecer a ficção do que Muhammad. Surah 6, verso 25 do Alcorão diz:

"Quando eles vêm a você para discutir com você, os incrédulos dizem: Estes não são mais que fábulas dos homens da antiguidade."

    Assim, de acordo com o próprio Alcorão, os pagãos estavam dizendo a Muhammad que as histórias no Alcorão eram fábulas conhecidas. Elas eram mitos. Elas eram contos de fadas.

    Do ponto de vista Cristão, o erro histórico mais importante no Alcorão é a afirmação de que Jesus não foi morto e nem crucificado. Na Surah 4, versos 157 a 158, lemos:

 

Eles ["eles" aqui são os Judeus] disseram (com jactância): "Nós matamos Cristo Jesus, filho de Maria, o Mensageiro de Allah" - mas eles não o mataram, nem o crucificaram, mas assim foi feito para parecer a Eles, e aqueles que diferem estão cheios de dúvidas, sem conhecimento (certo), mas apenas conjeturas a seguir, pois, com garantia eles não o mataram. Não, Allah o elevou para si mesmo; e Allah é Exaltado em Poder, Sábio.

 

    Agora, existem vários problemas históricos com esta passagem.

    De acordo com o Alcorão, os Judeus se gabavam de ter matado "o Cristo". "Cristo" significa "Messias". Nunca ouvi um Judeu se gabar de matar o Messias. As únicas pessoas que se gabariam de matar Jesus eram pessoas que o consideravam um falso Messias.

    O verso também diz que os Judeus se gabavam de matar "o Mensageiro de Allah". Aqui novamente, as únicas pessoas que se gabariam de matar Jesus eram pessoas que o consideravam um falso profeta, não pessoas que o consideravam um mensageiro de Deus.

    Então temos a afirmação de que Jesus não foi morto e não foi crucificado. Esta é uma afirmação incrivelmente imprecisa, porque historiadores e estudiosos do Novo Testamento concordam que a morte de Jesus pela crucificação é um dos fatos mais bem estabelecidos da história antiga. E eu não quero apenas estudiosos cristãos. Mesmo os historiadores ateus e agnósticos estão certos de que Jesus morreu por crucificação.

    O estudioso ateu do Novo Testamento, Gerd Lüdemann, declara que "a morte de Jesus como conseqüência da crucificação é indiscutível". John Dominic Crossan, do infame Seminário de Jesus, diz que não há "a menor dúvida sobre o fato da crucificação de Jesus sob Pôncio Pilatos." Há muitos muçulmanos hoje em dia que gostam de citar Bart Ehrman, porque ele critica o Novo Testamento. Mas Ehrman escreve: "Um dos fatos mais certos da história é que Jesus foi crucificado sob ordens do prefeito Romano da Judéia, Pôncio Pilatos".

    Esses estudiosos não estão simplesmente dizendo que Jesus pode ter morrido ou que ele provavelmente morreu. Eles estão dizendo que a morte de Jesus por crucificação é indiscutível, que não há a menor dúvida sobre a crucificação, que é um dos fatos mais certos da história. E, novamente, esses não são eruditos Cristãos.

    Assim, o Alcorão contém claramente erros históricos, não só porque nega a morte de Jesus por crucificação, mas também porque contém inúmeras fábulas, mesmo histórias reconhecidas como fábulas pelos pagãos do tempo de Muhammad. Isso torna muito difícil aceitar o que o Alcorão diz sobre a história.

 

Tradução Walson Sales

 

Fonte:

https://www.youtube.com/watch?v=H6tvXE328_g&index=7&list=PLuXxHEHGRVu944YalRfgElxwBHbvtHN7U

sábado, 24 de dezembro de 2022

Prefácio ao livro do professor Wellington Galindo

 

"Por que devemos aprender sobre o Islã?" Primeiro, os números. O islamismo é a segunda maior religião na história (após o Cristianismo). Existem cerca de 1,6 bilhões de muçulmanos no mundo. Isso é mais de um quinto da população mundial. Atualmente existem mais de 1.200 mesquitas nos Estados Unidos e mais de 6.000 na Europa. E de acordo com muitas fontes, o Islã é a religião de mais rápido crescimento no mundo. Segundo, os Cristãos não podem comunicar o Evangelho claramente aos muçulmanos sem entender o que os muçulmanos acreditam, porque o Alcorão distorce o significado das reivindicações Cristãs. Em terceiro lugar, o Islã prospera em uma atmosfera de ignorância. Conheço o testemunho de convertidos ao Islã. Mas nunca conheci uma única pessoa que se converteu ao Islã depois de estudar cuidadosamente sua história e doutrina. A razão pela qual tantas pessoas se apaixonam pela propaganda islâmica é que existe uma atmosfera geral de ignorância sobre o Islã entre nós, cristãos, que permite que os pregadores muçulmanos digam praticamente tudo o que eles querem, porque ninguém vai corrigi-los. Em quarto lugar, muitos muçulmanos são tão confiantes de que o Islã é verdadeiro (porque lhes foi dito toda a vida que é indiscutivelmente a verdade) que eles não podem considerar seriamente quaisquer alternativas ao Islamismo. Em quinto lugar, os muçulmanos são treinados a desafiar as principais doutrinas do Cristianismo. Jesus ensinou aos seus seguidores muitas coisas, mas quando pregavam o Evangelho no Livro de Atos, eles pregavam que Jesus é o divino Filho de Deus, que morreu na cruz pelos pecados e ressuscitou da morte - deidade, morte e ressurreição. Estes são os três ensinamentos fundamentais do Evangelho Cristão. O Islã nega todos os três, e assim os muçulmanos são ensinados a desafiar os Cristãos nessas questões.

O Islã ensina o Monoteísmo, enfatiza a necessidade de se adorar a Deus (neste caso específico, Allah), mas qual o ponto principal entre a relação do Islã com o Cristianismo? O Islã fala de forma substancial sobre Jesus (Jesus é citado 93 vezes no Alcorão), com implicações doutrinárias profundas. Por exemplo, o Islã nega a crucificação de Jesus (Alcorão 4: 157), onde é dito que Jesus nem foi morto, nem crucificado. Resumindo, Jesus não morreu na cruz, de acordo com o Islã e, se Jesus não morreu na cruz, ele não poderia ter ressuscitado dos mortos. Logo, por implicação clara e direta, a ressurreição de Jesus é negada pelo islã, doutrina que é o pilar central da fé Cristã. 

No capítulo 5:72, 73 do Alcorão é dito que se você crer que Jesus é Deus ou crer na Trindade, então você será lançado no inferno. No capítulo 5:116 do Alcorão, Jesus nega qualquer afirmação de ser divino (está explícito também neste verso que Maria fazia parte da Trindade). Então, o que temos ainda? No capítulo 3 do Alcorão você pode crer que Jesus curou os leprosos, restaurou a vista aos cegos, curou os surdos e ressuscitou os mortos. Lá também Jesus é o Messias nascido de uma virgem, filho de Maria e aquele que voltará no fim dos tempos. Ora, você pode crer nisso tudo, mas não pode crer que Jesus morreu na cruz, que ele ressuscitou dos mortos ou que Jesus é Deus. Agora, perceba o que afirma Romanos 10:9:


Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. (Romanos 10:9 – grifos meus).


Perceba que a condição necessária para a salvação no Cristianismo é confessar e crer que Jesus é Deus (primeiro grifo) e que Jesus morreu e ressuscitou dentre os mortos (segundo grifo). Perceba também que são exatamente estas mesmas coisas que o Islã nega doutrinariamente. Isto não é uma coincidência. Constate que a principal polêmica do islã contra o Cristianismo diz respeito a divindade de Jesus na Cristologia, ou seja, a principal pergunta para ambas revelações é “Quem é Jesus?” (Mateus 16: 13, 15). Ele morreu na cruz? Ele afirmou ser Deus? 

Outro ponto da narrativa do Islã sobre Jesus são as afirmações que negam fatos históricos amplamente conhecidos sobre a vida de Jesus. O Islã nega pontos históricos cardeais para a fé Cristã, pontos estes que são reconhecidos pelas testemunhas oculares dos fatos do Novo Testamento e pelos próprios inimigos do Cristianismo, as chamadas testemunhas hostis. Temos então dois conjuntos de fatos sobre o Jesus histórico, a saber, os fatos amplamente divulgados na história antes da formação do Islã no século sétimo d. C., fatos nunca negados pelos inimigos da fé cristã e os pretensos “fatos” do Islã em negar uma gama inumerável de fontes que apoiam o Novo Testamento. Para se ter uma ideia, apenas abordando 10 fontes antigas não cristãs e algumas até inimigas, saberíamos que Jesus: 1 – Viveu durante o tempo de Tibério César; 2 – Viveu uma vida virtuosa; 3 – Realizou Maravilhas; 4 - Teve um irmão chamado Tiago; 5 – Foi aclamado como Messias; 6 – Foi crucificado a mando de Pôncio Pilatos; 7 – Foi crucificado na véspera da Páscoa Judaica; 8 – Trevas e um terremoto aconteceram quando ele morreu; 9 – Seus discípulos acreditaram que ele ressuscitara dos mortos; 10 – Seus discípulos estavam dispostos a morrer por sua crença; 11 – O cristianismo espalhou-se rapidamente, chegando até Roma; 12 – Seus discípulos negavam os deuses romanos e adoravam Jesus como Deus. FONTES: Josefo; Tácito; Plínio, o jovem; Flegon; Talo; Suetônio; Luciano; Celso; Mara Bar-Serapião; e o Talmude de Babilônia.

Está claro que os quatro pontos grifados são negados categoricamente no Alcorão exatamente porque no século sétimo, no centro do deserto da Arábia, um homem entra em uma caverna, recebe supostamente a visita de um anjo que lhe diz que Jesus era muçulmano (centenas de anos antes do Islã existir), que Jesus não morreu na cruz e que, por implicação, Jesus não ressuscitou dos mortos. 

Historicamente, ninguém ousou dizer, antes do surgimento do Islã, que Jesus não morreu por crucificação ou que ele sobreviveu a crucificação. O que a apologética muçulmana responde a todas estas testemunhas da história? Baseados nos versos do Alcorão citados acima, eles afirmam que Jesus nem foi morto, nem foi crucificado, é a chamada Teoria da Substituição. Os muçulmanos teorizam que Jesus sequer foi colocado na cruz e o verso diz que pareceu para eles que era Jesus. Eles dizem que Allah fez parecer que era Jesus na cruz. Mas, como Allah fez isso? As mais antigas explicações muçulmanas para esse detalhe é que Allah supostamente colocou o rosto de Jesus em outra pessoa e essa outra pessoa foi crucificada no lugar de Jesus. Mas quem? Judas é um dos que os muçulmanos dizem que foi colocado na cruz no lugar de Jesus e o outro é Simão Cireneu, pois foi a pessoa que conduziu a cruz no lugar de Jesus e, segunda a narrativa da apologética muçulmana, ao chegar no lugar da crucificação, foi confundido com Jesus e crucificado no lugar dele. Estes são os argumentos da substituição que são usados. Mas aqui temos um dilema para o Islã. No capítulo 3:55 do Alcorão é dito que Allah enganou as pessoas que estavam na cena da crucificação, fazendo com que outra pessoa fosse crucificada no lugar de Jesus, contribuindo assim com o próprio surgimento do Cristianismo. Neste caso, sendo verdadeira esta teoria, Allah é o responsável pelo engano que é o Cristianismo. Este é um dos grandes problemas para os apologistas muçulmanos. É aqui que agradeço a oportunidade de prefaciar o livro do professor Wellington Galindo que, dotado de um espírito investigativo, se aventurou nos caminhos do orientalismo e se debruçou para ler, pesquisar e escrever sobre o islã. Espero que Deus levante outros pesquisadores e escritores sobre o tema e que muitos apologistas cristãos e evangelistas aos muçulmanos sejam encorajados a saírem de suas posições de timidez e se arvorem a confrontar as doutrinas equivocadas do islã sobre a fé cristã.


Recife, 24 de julho de 2022.


Walson Sales é Presbítero da IEADPE, Teólogo (UMESP), Filósofo (UFPE), Tradutor e Escritor.

sábado, 20 de agosto de 2022

Por que um propagandista do ISIS abandonou o Islã


“Ver indivíduos se dedicando a cultos tirânicos da morte liderados por maníacos suicidas já é ruim o suficiente. Saber que posso ter contribuído para suas escolhas é terrível.”


Por Graeme Wood


Em 7 de fevereiro de 2016, Musa Cerantonio disse a um amigo que sua fama como o mais conhecido defensor do ISIS na Austrália havia se tornado um peso de consciência. Os operadores do ISIS sentiam-se misteriosamente compelidos a enviar um e-mail ou ligar para ele antes de cometer crimes e atentados. “Por que”, lamentou Cerantonio, “todos, antes de fazer alguma estupidez, entram em contato comigo?” Nesse caso, o autor da ação estúpida foi Alo-Bridget Namoa, a metade “Bonnie” do casal terrorista que ela mesma apelidou de “o jihadista Bonnie e Clyde”. Ela e Clyde, também conhecido como Sameh Bayda, foram ambos mais tarde condenados por crimes de terrorismo. Namoa entrou em contato com Cerantonio, as autoridades australianas que grampearam seu telefone revelaram mais tarde, porque ela precisava saber onde conseguir uma bandeira do ISIS em Sydney. Os apoiadores do Estado Islâmico o tratavam como uma central de ajuda jihadista. Se você ver a bandeira, disse Cerantonio ao amigo, “dê um tapa nela para mim”. Mais tarde naquele ano, Cerantonio foi preso ao tentar viajar de barco da Austrália para o território do ISIS no sul das Filipinas. Ele está na prisão desde então, e tem 13 meses restantes em sua sentença.

Mas se você tentar ligar para o suporte técnico terrorista depois de cumprida a sentença restante de 13 meses, talvez não receba o incentivo esperado. No ano passado, Cerantonio me escreveu da Prisão de Port Phillip, em Melbourne, e me disse que havia renunciado ao ISIS.

Em letras maiúsculas — as transcrições árabes cuidadosamente enfeitadas com sinais diacríticos, todas nos lugares certos — ele explicou sua jornada para fora da jihad. “Estive equivocado por 17 anos”, escreveu ele. “Ver indivíduos se dedicando a cultos tirânicos da morte liderados por maníacos suicidas já é ruim o suficiente. Saber que posso ter contribuído para suas escolhas é terrível.” Talvez ele devesse ser colocado de volta ao help desk antes que sua sentença na prisão termine. “Espero que minhas experiências possam ajudar a afastar outras pessoas dos mesmos erros.”

Sua reabilitação, que ele narrou em detalhes, é tão bizarra quanto sua carreira como propagandista do ISIS. Nascido em 1985 em uma família australiana italiana de classe média nos arredores de Melbourne, Cerantonio se converteu ao islamismo ainda adolescente. Ele mostrou uma inclinação incomum para linguística e história islâmica, e em poucos anos um canal de televisão por satélite financiado pela Arábia Saudita, Iqraa, o contratou para pregar em um programa, sobre assuntos como filologia árabe e leituras islâmicas de O Mágico de Oz. Eventualmente, sua mensagem se tornou muito política e o canal o demitiu e, segundo ele, tentou administrar uma punição como parte da rescisão. Quando o ISIS surgiu, esse autodidata neofundamentalista tinha o conhecimento e o carisma necessários diante das câmeras para influenciar milhares de companheiros muçulmanos e ajudar a persuadir muitos a imigrar para a Síria e o Iraque para lutar e morrer pelo novo califado. Se você procurar traduções em inglês dos primeiros documentos do ISIS, poderá encontrar a contribuição dele.

Na prisão, ele começou a estudar o Alcorão com mais detalhes e se concentrou nos aspectos que mais o intrigavam. Entre eles estava a figura chamada Dhu-l Qarnayn, “o de dois chifres”, que aparece no capítulo 18 do Alcorão e muitos acreditam que se refere a Alexandre, o Grande. Cerantonio não viu uma semelhança entre Dhu-l Qarnayn e o Alexandre da história - mas notou semelhanças entre Dhu-l Qarnayn e uma versão fortemente reconhecida como uma fábula da história de Alexandre escrita em aramaico. Ele considerou [a princípio] que a versão aramaica pode ter plagiado o Alcorão, mas depois de adquirir uma cópia do texto em aramaico e traduzi-la ele mesmo, determinou que o inverso era mais provável. (“Sempre soube que ser proficiente em aramaico um dia seria útil.”)

“Perceber que Dhu-l Qarnayn não era uma pessoa real, mas sim um personagem baseado em um relato fictício de Alexandre, o Grande, instantaneamente me deixou com apenas uma conclusão possível: o Alcorão não foi divinamente inspirado”, escreveu ele. Esse texto em aramaico tinha utilizado uma caricatura de Alexandre, o Grande, feita por um admirador do personagem real, como fato. “É claro que eu teria preferido ter descoberto tudo isso há 17 anos e evitado muitos problemas.” Ele, portanto, abandonou não apenas o ISIS, mas o Islã e a religião como um todo. Ele hoje é ateu e admira o autor de Deus, um Delírio, Richard Dawkins.

Após a primeira carta, trocamos correspondência e falamos por Skype. Ele agora atende pelo seu nome de nascimento, Robert, mas quando pressionado sobre assuntos relacionados à doutrina do ISIS às vezes "responde à sua pergunta como 'Musa'", canalizando seu antigo eu para explicar a visão do ISIS antes de recuperar sua identidade de "Rob" e falar como seu eu atual. Ele disse que estava relutante em tornar sua apostasia pública – não tanto porque temia ser assassinado por jihadistas (a apostasia é uma ofensa capital no Islã), mas porque seus detratores dirão que ele está apenas tentando sair da prisão mais cedo.

Ele disse que a conversão “não estava facilitando meu tempo aqui”. E se ele quisesse fingir reabilitação, teria feito isso anos atrás, na sentença, e não dessa maneira indireta e misteriosa envolvendo textos siríacos e historiografia helenística. Perguntei a ele por que o assunto de Alexandre o convenceu de que o ISIS estava errado, enquanto as práticas do grupo de assassinato em massa e escravidão sexual nunca o incomodaram. Ele disse que essas práticas eram consistentes com a religião, enquanto o plágio de Alexandre falhou nos testes intelectuais em seus próprios termos.

Sempre que um membro proeminente de um grupo terrorista o deixa, inspira muita curiosidade sobre como ele foi curado de suas crenças malignas – que parecem tão duráveis quando mantidas que podem levar à morte violenta. A história de Cerantonio é tão idiossincrática que não tenho certeza do que pode ser usado para desprogramar os outros. A maioria dos apoiadores do ISIS pouco se importam com as minúcias históricas e linguísticas que motivaram Cerantonio. Ensinar aramaico aos jihadistas não é uma cura facilmente alcançável. Além disso, um programa de reabilitação que encoraja os pacientes a abandonar o Islã (uma religião praticada de forma benigna por quase todos os muçulmanos) em vez de simplesmente desistir do terrorismo é controverso.

O próprio Cerantonio disse que os programas nas prisões, na Austrália e no exterior, são quase todos lixo. Eles levantam objeções ao jihadismo que os jihadistas podem refutar facilmente. Ele chamou a sugestão de que os jihadistas sejam expostos ao “verdadeiro Islã”, como os textos mais moderados dos teólogos medievais, de “idiota”. “Não funciona,” ele me disse. “Falhou miseravelmente reiteradas vezes.” Mas ele está igualmente desolado com as polêmicas de Dawkins contra o Islã, embora agora compartilhe da teologia raquítica de Dawkins. “Não sou mais muçulmano”, disse ele, “mas ainda me oponho às coisas que ele está dizendo. Quando ele escreve sobre o Islã, ele erra.” Dawkins cita uma escritura que afirma que os mártires receberão 72 virgens no paraíso. “Esse hadith não é autêntico!” Cerantonio disse com frustração. “Dawkins! Você é esperto. Você faz tanta pesquisa. Por que você não poderia fazer apenas uma pequena pesquisa sobre isso?” Os oponentes do ISIS, mesmo os espertos, de repente se tornam estúpidos ao combater o jihadismo e assumem – erroneamente – que os próprios jihadistas são estúpidos.

Quando Cerantonio agora encontra jihadistas — ele me disse que são numerosos e impenitentes nas prisões australianas — ele experimenta abordagens diferentes. “Posso realmente falar com jihadistas radicais em um nível que eles entendam”, disse ele. Às vezes, a abordagem que funcionou nem sequer é coerente. Ele descreveu convencer dois jihadistas, explicando-lhes os mecanismos da evolução. Na verdade, ele me disse que apenas “foi duro com eles” e delineou, sem rodeios, como um mundo sem um Criador divino poderia parecer, como fazia sentido e como poderia ser uma alternativa às suas crenças atuais.

“Ambos mudaram drasticamente suas vidas”, afirmou. “Eles agora denunciam tudo o que defendiam antes. Quero dizer, eles estavam planejando realizar um ataque terrorista aqui em Melbourne – explodir-se em praça pública!” Agora, ele disse, eles não são religiosos. “Eu pensei, uau, quero dizer, com certeza, nem sempre pode ser tão fácil. Mas quem sabe? Talvez seja.”

No ano passado, na Arábia Saudita, visitei uma prisão que pretendia desprogramar os jihadistas, transformando-os em funcionários produtivos de uma pequena empresa – com um CEO (ele mesmo um prisioneiro), um departamento de RH e um controlador. Eu não poderia dizer o quão bem sucedida a estratégia da prisão seria. Todos os prisioneiros ainda estavam na cadeia, e sujeitos a quem sabe que punição se eles recaíssem. Além de qualquer dúvida, no entanto, está o fracasso de praticamente todas as tentativas anteriores de desprogramar os jihadistas. Até agora, nada parece ter funcionado melhor do que derrotar o ISIS no campo de batalha, reduzir seu califado a escombros e convidar seus seguidores a considerar se Deus pode estar enviando uma mensagem na forma de bombardeio aéreo dos EUA. Mas os ataques de drones são caros. Talvez valha a pena tentar o aramaico.


Fonte: 


https://www.theatlantic.com/ideas/archive/2022/03/deprogramming-isis-supporters-jihadi-extremism/629433/


Tradução Walson Sales

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

O Alcorão: Prova da Narrativa de Origem do Islã?

[O capítulo tenta responder se o Alcorão chegou até nós de forma inalterada ou não – vale a leitura]

 

[ --- Tradução do capítulo 6 do livro The Mecca Mystery: Probing the Black Hole at the Heart of Muslim History, do Peter Townsend, publicado em 2018. A intenção ao traduzir este capítulo é: (1) Tornar o autor conhecido no Brasil; (2) Tornar o conteúdo do livro conhecido no Brasil; (3) Tornar a temática conhecida no Brasil; (4) Despertar as editoras brasileiras a publicar a obra no país. Bons estudos e boa leitura --- ]

 

As fontes islâmicas clássicas nos dizem que a antiga cidade de Meca era um local de imensa importância espiritual e econômica. Contudo, no tempo do nascimento de Muhammad (570 d.C.), Meca estava à deriva num mar de paganismo e barbárie que envolvia toda a Península Arábica. Muhammad era membro de uma das tribos mais importantes de Meca, os Quraysh, e recebeu um chamado de Deus para ser profeta numa caverna fora da cidade. Em resposta a este chamado, Muhammad recebeu uma série de revelações durante um período de cerca de vinte anos, até à sua morte em 632 d.C. Estas revelações formam o que agora conhecemos como o Alcorão. Após a morte de Muhammad, seus seguidores ultrapassaram os limites da Península Arábica em nome do Islã e conquistaram o Império Persa e grande parte do Império Romano Oriental. A vinda do Islã estabeleceu a religião muçulmana, com a mensagem de Muhammad e a cidade de Meca no seu centro, como o sistema de crenças preeminente do Egito à Pérsia dentro de 100 anos após a morte do profeta.

 

6.1. Exame do Relato Oficial das Origens do Alcorão

 

Alguns leitores podem responder aos pontos até agora levantados neste livro afirmando que temos pelo menos o Alcorão como um ponto fixo que confirma a história inicial do Islã. Ele obviamente existe e é inegavelmente antigo. Não seria tudo o que precisamos para confirmar a história primitiva do Islã? A resposta a esta pergunta dependeria obviamente de conseguirmos ou não provar: 1) Que o Alcorão existiu durante o tempo em que Muhammad supostamente viveu, e 2) Que o Alcorão chegou inalterado até nós desde então.

Os estudiosos muçulmanos obviamente responderiam afirmativamente a ambas as perguntas acima. Eles acreditam que o Alcorão chegou até nós de uma forma completamente confiável, numa linha contínua desde o tempo do profeta.[446] Em outras palavras, assim eles dizem, as palavras que escutamos quando um muçulmano moderno recita o Alcorão são as mesmas palavras recitadas por Muhammad ao receber as primeiras revelações de Alá. Certamente que isto deve servir como a confirmação final da verdade dos relatos históricos islâmicos. Ou será que serve?

A versão islâmica oficial de como o Alcorão chegou até nós fornece uma explicação detalhada de como o 'Alcorão perfeito' foi preservado. O Alcorão foi supostamente 'revelado' entre 610-632 d.C., enquanto Muhammad estava ativo como profeta. Ao receber uma revelação individual, Muhammad confiava o seu conteúdo aos seus seguidores, muitos dos quais memorizavam cada uma dessas afirmações. Além da memorização, algumas das revelações eram também escritas numa grande variedade de materiais.[447] A morte de Muhammad significou obviamente o fim de novas revelações, tal como é deixado claro no Alcorão que ele seria o profeta final enviado à humanidade. De acordo com o relato islâmico tradicional, os muçulmanos continuaram a ter acesso ao Alcorão através daqueles que o memorizaram e também através dos muitos fragmentos escritos que estavam em circulação. As coleções Sunni Hadith creditam Zaid ibn Thabit[448] (610-660 d.C.), um dos companheiros do profeta (e supostamente alguém que memorizou todo o Alcorão), com a coleção dos vários fragmentos dispersos do livro numa única acervo.

Na sua obra de coleção, Zaid atuou segundo as instruções do primeiro Califa, Abu Bakr (que reinou no período de 632-634 d.C.).[449] Abu Bakr teve de superar a profunda relutância de Zaid em duas áreas. Zaid foi, em primeiro lugar, impactado pelo fato de que o projeto seria imensamente difícil devido aos muitos fragmentos dispersos existentes do Alcorão. Zaid alegou que teria sido mais fácil mover uma montanha do que juntar estes fragmentos. Em segundo lugar, hesitou em fazer algo que nem o próprio Muhammad tentou fazer. Abu Bakr acabou por convencer Zaid de que era "uma coisa boa a ser feita", e por isso começou o trabalho. Apesar dos melhores esforços de Zaid, alguma incerteza sobre a composição exata do Alcorão permaneceu após esta compilação inicial do texto.

Um aspecto extremamente curioso da narrativa que trata desta primeira compilação do Alcorão é a extrema relutância de Zaid em empreender tal tarefa. Não teria sido o caso de haver muitas pessoas, incluindo ele próprio, que memorizaram sem falhas todo o Alcorão? Se este fosse realmente o caso, a compilação do texto escrito não poderia ter sido mais fácil. A tarefa simplesmente se resumiria em reunir todos os que memorizaram o Alcorão e fazê-los recitar o livro inteiro. No entanto, vemos no relato que Zaid teve de procurar em todos os lugares, incluindo material escrito em palmeiras e em "pedras brancas finas" para inserir na sua compilação final. Assim, mesmo na narrativa oficial permanecem fortes indícios de que o processo de compilação do Alcorão não foi assim tão simples como as gerações posteriores passaram a acreditar.

Apesar dos melhores esforços de Zaid, a sua compilação não resolveu definitivamente as questões sobre o texto do Alcorão. O relato histórico muçulmano padrão credita ao terceiro Califa chamado Uthman (que reinou em 644-656 d.C.) com a padronização final do texto do Alcorão no ano 652 d.C. De acordo com a tradição islâmica, Uthman recolheu todas as cópias divergentes do texto, selecionou uma (com a ajuda de Zaid e outras pessoas), e mandou queimar todas as outras. O papel de Uthman na compilação do texto do Alcorão é tão fundamental para a compreensão tradicional muçulmana sobre as origens do seu texto sagrado que vale a pena citar na íntegra o hadith em que estes acontecimentos estão relacionados: "Hudhaifa bin Al-Yaman veio a Uthman no tempo em que o povo do Sham e o povo do Iraque estavam a travar uma guerra para conquistar Arminya e Adharbijan. Hudhaifa tinha medo das suas diferenças na recitação do Alcorão (do povo do Sham e do Iraque), por isso disse a 'Uthman, "Ó chefe dos crentes! Salvai esta nação antes que difiram sobre o Livro (Alcorão) como os Judeus e os Cristãos diferiam antes". Assim 'Uthman enviou uma mensagem a Hafsa dizendo: "Envie-nos os manuscritos do Alcorão para que possamos compilar o material do Alcorão em cópias perfeitas e devolver-lhe os manuscritos". Hafsa enviou-os a 'Uthman. ‘Uthman ordenou então a 'Zaid bin Thabit, 'Abdullah bin AzZubair, Zaid ibn Al-As e 'AbdurRahman bin Harith bin Hisham para reescrever os manuscritos em cópias perfeitas. 'Uthman disse aos três homens Qurayshi, "No caso de vocês discordarem de Zaid bin Thabit em qualquer ponto do Alcorão, então escreva-o no dialeto de Quraysh, o Alcorão foi revelado na sua língua". Fizeram-no, e quando tinham escrito muitas cópias, "Uthman devolveu os manuscritos originais a Hafsa". ‘Uthman enviou a cada província muçulmana uma cópia do que tinham copiado, e ordenou que todos os outros materiais do Alcorão, escritos em manuscritos fragmentários ou cópias inteiras, fossem queimados".[450]

O acima exposto é, sem dúvida, uma versão muito edificante e satisfatória dos acontecimentos se você for um muçulmano devoto, mas há várias razões para acreditar que essa versão não representa nada mais do que um pensamento desejoso por parte de estudiosos muçulmanos posteriores. Mesmo nos hadiths que lidam com estes acontecimentos, algumas dúvidas já são evidentes. Por exemplo: "Zaid ibn Thabit acrescentou: "senti falta de um verso de Surat Ahzab quando copiamos o Alcorão e eu costumava ouvir o Apóstolo de Alá recitá-lo. Então, procurámo-lo e encontrámo-lo com Khuzaima bin Thabit Al-Ansari. (Esse verso era): 'Entre os crentes estão homens que foram verdadeiros na sua aliança com Alá' (33:23)".[451] O objetivo do resto da seção seguinte é olhar para afirmações como estas e segui-las para onde quer que nos levem. No processo, esperamos ser capazes de determinar se o relato tradicional pode sobreviver a qualquer nível de escrutínio crítico.

 

6.2. O Relato Tradicional das Origens do Alcorão sob Escrutínio

 

Se os hadiths relacionados na seção anterior (sobre as compilações do Alcorão sob Zaid e Uthman) forem de fato exatos e baseados em provas históricas sólidas, então confirmaria muito do que os muçulmanos acreditam sobre a forma como o Alcorão surgiu. Deve, no entanto, ser imediatamente declarado que eles sofrem do mesmo problema de credibilidade que todos os outros hadiths, a saber, que foram escritos centenas de anos após os acontecimentos que afirmam descrever. Pode, portanto, acontecer que se limitem a projetar certas convicções anteriores sobre as origens do Alcorão desde um ponto distante no futuro até ao tempo de Muhammad e dos Califas.

No caso dos hadiths que lidam com as origens do Alcorão, podemos, de fato, provar a acusação de retroprojeção [anacronismo] através de algo tão simples como o uso do papel. Vemos consistentemente referências a cópias do Alcorão escritas em papel.[452] O único problema é que o papel não era utilizado na Península Arábica no século VII d.C. O fabrico de papel só chegou à Península Arábica no século IX.[453] Antes disso, os documentos eram escritos em papiro ou em peles de animais. No entanto, o papel já era utilizado na Mesopotâmia duzentos anos depois, quando muitos hadiths foram escritos nesta parte do mundo. É fácil ver como o que era familiar num local e época era perfeitamente (e anacronicamente) transportado para outro local e época (ou seja, do século IX da Mesopotâmia à Arábia do século VII, neste caso).[454]

Acrescente-se ao acima mencionado o fato de não encontrarmos uma única referência ao Alcorão nos relatos das conquistas árabes. Aqueles que estavam sendo conquistados pelos árabes estavam aparentemente alegremente inconscientes de que as ações de seus conquistadores eram guiadas por uma revelação escrita de Deus. De fato, as primeiras referências datáveis ao Alcorão vêm de meados do século VIII (ou seja, cem anos após a morte de Muhammad, segundo a tradição islâmica).[455] Isto nos dá motivos mais do que suficientes para sermos profundamente céticos em relação à crença muçulmana de que o texto do Alcorão foi padronizado sob Uthman. Passemos, no entanto, das considerações externas ao processo descrito nos hadiths de Zaid e Uthman.

Em primeiro lugar, a própria existência destes hadiths torna claro que a primeira tentativa de compilação de um texto definitivo do Alcorão não foi bem sucedida, uma vez que Uthman teve de repetir todo o processo novamente. Evidentemente, as diferenças entre os variados manuscritos eram tão significativas (ou seja, mais do que apenas pequenos erros de cópia) que foi necessário tentar uma segunda padronização exaustiva.

O pressuposto básico por detrás da codificação do texto parece ter sido a crença de que algumas pessoas tinham todo o Alcorão memorizado. De fato, tanto os hadiths que detalham a codificação sob Zaid como sob Uthman afirmam que a razão para o projeto era que muitos dos que memorizaram o texto estavam falecendo. À luz disto, supomos que a melhor forma de preservar o texto seria simplesmente reunir os 'memorizadores' sobreviventes e escrever o texto tal como recitado por eles. A imagem é, no entanto, bastante mais complexa. É, em primeiro lugar, interessante notar que existem vários hadiths em que o próprio Muhammad admitiu ter esquecido partes do Alcorão.[456] Isto é um trecho perturbador de informação do ponto de vista islâmico. Muhammad foi supostamente a única pessoa que teve acesso à revelação original. Se ele esqueceu partes dessa revelação, teria sido impossível verificar de forma confiável a exatidão do texto. Portanto, dificilmente se pode dizer que o processo de memorização do Alcorão tenha começado de uma forma excelente.

Para piorar a situação, os hadiths afirmam que em ambas as codificações sob Zaid e Uthman, foram incluídos versos lembrados apenas por uma única pessoa.[457] Isto deveria levantar imediatamente questões sobre a crença de que o Alcorão foi preservado perfeitamente nas memórias dos fiéis. Porque é que todos os outros muçulmanos não memorizaram estes versículos? Se o Alcorão estivesse de fato nas memórias de muitos dos fiéis (incluindo a de Zaid), isto nunca teria acontecido.

Os incidentes de 'versículo único' ilustram como teria sido relativamente fácil inserir material no Alcorão. Parece que a memória de uma única pessoa foi suficiente para justificar a sua inclusão no texto final. É difícil imaginar um critério menos rigoroso para a inclusão de uma declaração no Alcorão. Um critério que seria muito tentador para aqueles envolvidos em intensos conflitos sectários. Que melhor forma poderia haver para legitimar a sua posição do que 'recordar' um verso do Alcorão em que o profeta apoia a sua posição de forma cabal e direta?[458]

Também temos de nos perguntar como e porquê o projeto de finalmente codificar o texto do Alcorão ocorreu sob Uthman. Não há qualquer sugestão de que ele fosse um estudioso do Alcorão ou que tivesse o documento memorizado. Em vez disso, ele faz algumas escolhas bastante arbitrárias ao selecionar os manuscritos guardados por uma das viúvas de Muhammad, Hafsa, e preferir o dialeto Quraysh em detrimento de todos os outros.[459] Uthman, além disso, seguiu certamente uma abordagem bastante grosseira, para não dizer destrutiva, à codificação textual, ao ordenar que todas as cópias divergentes fossem queimadas.[460] Isto não pode deixar uma questão persistente insuspeita na mente dos muçulmanos. E se os compiladores cometeram um erro ao selecionar uma versão errada e as verdadeiras "palavras de Alá" acabaram no fogo? Seja como for, a codificação sob Uthman fala eloquentemente do total fracasso dos esforços anteriores para conseguir que os muçulmanos chegassem a um acordo sobre um texto para o Alcorão e desmente de forma abrangente a ideia de que o Alcorão que os muçulmanos lêem hoje repousa nas memórias perfeitas dos primeiros seguidores do profeta.

A única coisa que a codificação que supostamente aconteceu sob Uthman faz é fornecer-nos uma linha histórica frágil, no que diz respeito à compilação do Alcorão. Os acontecimentos relacionados acima supostamente aconteceram em 652 d.C.[461] A tradição aceita afirma enfaticamente que depois a comunidade muçulmana só teve acesso a uma única versão do Alcorão (uma vez que o resto tinha sido queimado). Esta versão oficial foi enviada para as capitais das províncias muçulmanas, onde presumivelmente foi copiada pelos escribas para uso dos fiéis. Em 652 d.C., estas capitais teriam incluído as seguintes cidades: Aden, Alexandria, Bagdá, Basra, Cairo, Damasco, Herat e Nishapur.[462] Estas cidades eram lugares onde a aprendizagem florescia e onde muitos escribas exerciam profissão. Deveríamos, portanto, ser capazes de encontrar no registo histórico vestígios dos manuscritos do Alcorão que lhes foram enviados. Se não os manuscritos originais, então pelo menos algumas cópias feitas a partir deles. Não será muito dizer que tais cópias deveriam alinhar-se muito de perto, se não perfeitamente, com o Alcorão em que milhões de muçulmanos modernos baseiam a sua fé. Como poderia ser de outra forma? A tradição muçulmana sustenta firmemente que a compilação de Uthman foi a última palavra na história textual do Alcorão e que o texto não foi de todo alterado desde então.

O nosso próximo ponto na escala de investigação deveria, considerando o acima exposto, ser o de mergulhar um pouco na disciplina da crítica textual. No seu sentido formal, isto não se refere a comentários (ou críticas) sobre o conteúdo de textos antigos em si, mas sim a uma investigação sobre a forma como tais textos surgiram e como foram transmitidos com precisão desde então.[463] O ponto principal no trabalho do crítico textual é, portanto, a comparação de diferentes cópias de textos antigos (geralmente referidos como "manuscritos") a fim de chegar a algumas conclusões sobre o conteúdo e a forma do original.

Neste caso, o "original" que queremos ver será o Texto Uthmânico (652 d.C.) e a principal questão que devemos colocar é simplesmente a de saber até que ponto os manuscritos subsequentes se alinharam uns com os outros e, portanto, com o seu suposto "manuscrito-mãe" (ou seja, o texto Uthmânico). Ao fazermos isso, lembre-se, mais uma vez, que o relato muçulmano tradicional estabelece um padrão incrivelmente alto no que diz respeito a essa transmissão. De acordo com a versão oficial dos acontecimentos, o texto Uthmânico estabeleceu o padrão que todos os Alcorões seguiram servilmente desde então. Dito de outra forma, acredita-se firmemente que quando um muçulmano moderno pega no Alcorão, hoje, está lendo exatamente as mesmas palavras que foram padronizadas sob Uthman. Será?

 

6.3. Uma Investigação Crítica do Texto do Alcorão

 

Nesta seção vamos analisar o texto do Alcorão a partir de uma perspectiva crítica do texto. Isto implicará investigar tanto a linhagem textual oficialmente reconhecida do texto do Alcorão (ou seja, a tradição Uthmânica) como algumas outras tradições que podem ajudar muito em iluminar o processo através do qual o Alcorão surgiu.

Antes de iniciar esta investigação, pode ser útil começar por utilizar o texto do Alcorão utilizado pelos muçulmanos modernos como ponto de referência. Pode ser uma surpresa para alguns leitores que a versão do Alcorão em que os muçulmanos modernos baseiam a sua fé data de 1924.[464]. Esta versão foi formalizada no Cairo e é, portanto, conhecida como o "Texto do Cairo". Este texto surgiu sob os auspícios do governo Egípcio, que pretendia produzir uma versão definitiva da chamada leitura 'Hafs' do Alcorão, a fim de combater a confusão resultante do fato de estarem utilizando várias leituras diferentes. O texto, publicado em 10 de Julho de 1924 (e ligeiramente modificado em 1936) tornou-se, desde então, o texto padrão do Alcorão para a maior parte do mundo muçulmano e é por isso reimpresso dezenas de milhões de vezes por ano. É, por exemplo, a base do texto impresso no 'Complexo Rei Fahd para a Impressão do Alcorão Sagrado' em Medina[465], que pode produzir 30 milhões de exemplares do Alcorão por ano. O texto impresso neste complexo é conhecido como o Rei Fahd Mushaf.[466] É a versão do Alcorão que é familiar a milhões e milhões de muçulmanos em todo o mundo e a ela nos referiremos regularmente ao longo deste capítulo.[467]

É interessante notar que a força motriz por detrás da criação do texto do Cairo foi exatamente o que também motivou Abu Bakr e mais tarde Uthman a empreender o projeto de produzir um texto padrão. Como Gabriel Said Reynolds explica: "...o governo Egípcio foi motivado a iniciar o projeto que levaria à edição do Alcorão do Cairo devido às variações (ou "erros", como um apêndice da edição do Cairo os descreve) encontradas nos textos do Alcorão que eles importavam para escolas públicas. Em resposta, o governo destruiu um grande número desses textos ao afundá-los no rio Nilo e emitiu o seu próprio texto. O projeto do Cairo seguiu-se assim no espírito do califa 'Uthman, e do governador al-Hajjaj b. Yusuf (d. 95/714), que supostamente destruíram versões concorrentes e distribuíram seu próprio texto do Alcorão no primeiro século islâmico"[468].

A própria existência do Texto do Cairo significa que muitos muçulmanos que viviam antes de 1924 utilizavam um Alcorão diferente do que os muçulmanos modernos estão lendo e recitando. De fato, podemos apontar para muitas outras tradições textuais muito diferentes em ampla utilização antes de 1924 (por exemplo, o texto Kufan).[469] Alguns muçulmanos modernos responderão rapidamente que o texto do Cairo apenas suavizou algumas discrepâncias entre as diferentes tradições textuais e que estas mudanças não têm implicações teológicas. Esta afirmação pode ser contestada em vários níveis, mas o fato de ser necessária uma grande revisão do texto deveria levantar sérias dúvidas sobre a escola de crítica textual do Alcorão que afirma que "Uthman resolveu", porque se o texto fosse de fato "resolvido", não seria necessária mais nenhuma revisão. Mesmo assim, muitas diferenças podem ser citadas entre o Texto do Cairo, outras versões contemporâneas e especialmente os textos supostamente muito antigos da tradição Uthmânica.[470]

Deve também ser notado que, embora muito popular, a tradição Hafs (tal como encarnada no Texto do Cairo) não é a única tradição textual Alcorânica seguida no mundo muçulmano contemporâneo. Em alguns países muçulmanos, diferentes tradições (por exemplo, as tradições Warsh, Qalun e al-Duri)[471] estão em uso generalizado. Estas tradições textuais são conhecidas como qira'at (literalmente 'leituras') em árabe e supostamente referem-se à forma como os textos eram recitados por diferentes pessoas num passado distante. Contudo, elas contêm diferenças marcantes que vão muito além do estilo de recitação. Por vezes até encontramos diferenças entre os objetos dos verbos entre as tradições.[472]

Ainda mais preocupante, sob uma perspectiva muçulmana Sunita, é o Alcorão que circula entre alguns grupos Xiitas que contêm dois capítulos extras (Suras). Alguns estudiosos Xiitas afirmam que estes capítulos (conhecidos como Sura al-Nurayn e Sura al-Wilaya) foram deixados de fora do Alcorão durante a padronização do texto feita por Uthman.[473]

Tudo o que foi dito acima deve contribuir para dissipar a noção de que existe uma espécie de "fio dourado" ininterrupto que se estende desde o Alcorão que o povo muçulmano moderno leu até ao tempo de Muhammad.

 

6.3.1. Investigação sobre os Primeiros Manuscritos do Alcorão (os Mushafs Uthmânicos)

 

Passemos agora aos supostos textos 'Uthmânicos propriamente ditos. Os estudiosos muçulmanos justificam a sua crença na confiabilidade da tradição 'Uthmânica (e, portanto, uma codificação muito antiga do texto do Alcorão) ao apontarem para uma série de textos que se crê serem manuscritos muito antigos (conhecidos como "Mushafs" em árabe), que são supostamente cópias do texto 'Uthmânico. De fato, afirma-se mesmo que um desses manuscritos (o manuscrito Topkapi)[474] era a cópia pessoal do Alcorão do Califa Uthman. Isto parece certamente muito promissor sob uma perspectiva muçulmana. Se estes manuscritos puderem de fato ser mostrados como sendo datados de meados dos anos 600 d.C. e se se correlacionarem com os outros, apontará definitivamente para um antigo "texto-mãe" no qual todos se baseiam. Também seria muito importante para validar o resto da história muçulmana, uma vez que nos fornecerá ligações tangíveis com os primeiros anos do Islã. Muito dependerá, portanto, da questão da autenticidade dos Mushafs Uthmânicos.

À luz do acima exposto, não deve ser surpreendente descobrir que os chamados Mushafs Uthmânicos têm sido sujeitos a um intenso escrutínio acadêmico ao longo dos anos. De fato, muitos estudiosos muçulmanos devotos trabalharam nestes textos, ansiosos pela oportunidade de autenticar firmemente parte da tradição islâmica. Acontece, contudo, que o consenso esmagador dos acadêmicos que analisaram estes textos é que nenhum deles pode ser descrito remotamente como datado do tempo de Uthman.

Como mencionado, o mais famoso dos chamados manuscritos Uthmânicos é o Manuscrito Topkapi (assim chamado porque está alojado no antigo Palácio Topkapi, antiga residência do Sultão Otomano em Istambul).[475] É quase um artigo de fé para muitos muçulmanos devotos que este manuscrito costumava ser o Alcorão pessoal do Califa Uthman. Esta ideia é, no entanto, descartada por dois estudiosos Turcos de renome que passaram anos estudando alguns dos mais antigos manuscritos existentes do Alcorão. Este é o veredito deles sobre o Manuscrito Topkapi:

 

·         Prof. Ekmeleddian Ishangolu: "A julgar de sua iluminação, o Topkapi Mushaf não data nem do período em que os Mushafs do Califa Uthman foram escritos nem da época em que foram escritas cópias baseadas nesses Mushafs"[476]

 

·         Dr. Tayyar Altikulac: "Embora desejássemos publicar este texto sagrado como o Mushaf do Califa Uthman, a nossa investigação indicou que este manuscrito não era nem o Mushaf privado do Califa Uthman, nem um dos Mushafs que ele enviou a vários centros"[477]

 

Outro manuscrito famoso sobre o qual são feitas alegações sobre as suas origens antigas é o chamado Alcorão Samarqand (alojado na Biblioteca Hast Imam em Tashkent, Uzbequistão).[478] Uma análise cuidadosa do texto desta cópia do Alcorão prova, mais uma vez, que não é tão antigo como geralmente se crê. Esta é a resposta enfática do Dr. Altikulac à questão de saber se este manuscrito talvez pudesse ser rastreado até Uthman: "[Há] seis razões pelas quais não poderia ser assim, incluindo quase nenhuma disciplina ortográfica, diferentes formas de escrever a mesma palavra, erros de escriba, erros de copista, escritos por um escriba que não tinha experiência de escrita, e que mais tarde acrescentou sinais depois dos versos. Em conclusão, podemos dizer que o Tashkent [Sammarqand] Mushaf não era nem o Mushaf, que o Califa Uthman estava lendo quando foi martirizado, nem qualquer um dos Mushafs que ele enviou para os vários centros, nem a cópia que foi guardada em Medina para benefício do povo"[479]

Muitos outros manuscritos famosos poderiam ser acrescentados à lista dos supostos Alcorões antigos que remontam ao tempo de Uthman (por exemplo, o Mushaf de Istambul, o manuscrito Al-Husayni do Cairo e o manuscrito Petropolitanus alojado em Paris[480], etc.) mas pode ser demonstrado em todos os casos que todos esses supostos manuscritos antigos tiveram as suas origens muito depois do tempo de Uthman. Não deve ser surpresa, dado o intricado processo de codificação do Alcorão descrito nos hadiths, que os supostamente antigos Mushafs tão profundamente reverenciados pelos estudiosos muçulmanos simplesmente acrescentem mais confusão à história textual do Alcorão. Em suma, em vez de ancorarem as origens do Alcorão diretamente no deserto árabe de meados do século VII, estes manuscritos apenas confirmam que o Alcorão é uma criação de outro tempo e lugar.

 

6.3.2. Divergência dentro da Tradição Textual Aceita

 

Pode-se afirmar com confiança (como faço acima) que nenhum dos supostos Alcorões antigos (por exemplo, os manuscritos Topkapi ou Samarqand[481]), que são frequentemente considerados como sendo Uthmânicos, pode ser datado como sendo de meados do século VII. No entanto, vamos supor, por razões de argumento, que não seja este o caso. Que estes textos são, de fato, registos confiáveis da mais antiga tradição textual do Alcorão. Será que esta suposição resolveria alguma coisa em termos de confirmação do relato histórico tradicional muçulmano (incluindo a ideia de que o Alcorão foi transmitido e preservado com precisão)? Na verdade, o contrário é verdadeiro. A aceitação da exatidão dos manuscritos antigos iria, de fato, criar mais problemas do que soluções sob a perspectiva de um muçulmano moderno. Isto porque se pode demonstrar que estes manuscritos diferem marcadamente uns dos outros e do Alcorão que os muçulmanos modernos usam todos os dias.[482]

Existem, por exemplo, muitos casos em que versos inteiros dos manuscritos mais antigos estão ausentes do texto de 1924 do Cairo que foi oficializado e é utilizado atualmente.[483] Além disso, podem ser apontadas centenas de pequenas diferenças entre os manuscritos antigos individuais e o texto moderno.[484]

O que é talvez mais interessante, e mais prejudicial sob uma perspectiva islâmica, é que se pode demonstrar que muitos dos manuscritos mais antigos foram adulterados. Na sua investigação inovadora sobre os textos mais antigos do Alcorão, o Dr. Dan Brubaker destaca as seguintes mudanças observáveis na tradição textual do Alcorão: "Inserções (adições ao texto entre as letras, acima das linhas ou nas margens), rasuras (remoção intencional de textos de uma página), rasuras sobrescritas (escrita cobrindo uma rasura), material sobrescrito sem rasura aparente (alteração de um texto sem rasura), cobertura (faixas horizontais cobrindo um texto), e cobertura sobrescrita (que é escrever por cima da cobertura das faixas horizontais). Brubaker observa que o mais antigo Alcorão: "...mostra poucos sinais de conformidade meticulosa com uma norma, um fato estranho, considerando o cuidado que os relatos históricos muçulmanos atribuem à campanha de padronização do Califa Uthman antes de 36 AH/656 d.C."[485]

Brubaker afirma que as centenas de alterações que documentou só podem ser explicadas por gerações posteriores de estudiosos muçulmanos que tentam voltar a "corrigir" estes primeiros manuscritos para estarem mais de acordo com uma tradição textual posterior. Este projeto foi um fracasso total (uma vez que muitas diferenças permanecem) e, além disso, ilustra o fato de ser totalmente impossível falar de uma tradição textual impecável do Alcorão, que se estende até ao tempo do profeta.[486]

 

6.3.3. O Alcorão de Sana'a e a Tradição Uthmânica

 

Uma oportunidade interessante para cruzar as referências dos hadiths Uthmânicos sobre a codificação do texto do Alcorão com provas concretas é apresentado pelo chamado Alcorão de Sana'a. Enquanto que os Fólios de Birmingham recentemente descobertos (discutidos abaixo) são apenas algumas páginas, o Alcorão de Sana'a é uma coleção muito mais substancial, parte da qual pode ser datada definitivamente no século VII.

Em 1972, alguns trabalhadores estavam limpando uma área de depósito na Grande Mesquita de Sana'a, no Iémen. No processo, descobriram alguns manuscritos do Alcorão. Percebeu-se rapidamente que os manuscritos eram muito antigos e as autoridades Iemenitas pediram ajuda externa para os avaliar e restaurar.[487] Um dos estudiosos que esteve intimamente envolvido neste projeto foi o especialista alemão em Islamismo Dr. Gerd Puin.[488] Ele e outros estudiosos estabeleceram que o manuscrito de Sana'a é um palimpsesto. Em outras palavras, um manuscrito que contém duas camadas.[489] Um 'texto superior' que é visível e um 'texto inferior' sobre o qual o texto superior foi escrito e que pode ser acessado através de uma técnica especial (imagens fluorescentes de raios X). O texto inferior foi datado de meados do século VII e o texto superior, do início do século VIII. Entre eles, ambos os textos contêm grandes porções do que é agora os capítulos 2, 9, 12, 19 e 37 do Alcorão.

Os estudiosos determinaram que o estilo de escrita de ambos os textos (em termos da forma das letras) pode ser traçado até à Península Arábica, tornando-o um achado ainda mais importante do que outros manuscritos antigos do Alcorão (por exemplo, o do Palácio Topkapi em Istambul e o chamado Alcorão de Tashkent) que foram copiados em locais fora da Arábia.

O interessante sobre o Alcorão de Sana'a é que tanto o texto superior como o inferior diferem significativamente do texto supostamente selecionado por Uthman e utilizado pelos muçulmanos de hoje. Puin nota ordens de versos não convencionais, variações textuais e ortografia não-padronizada. Tudo isto deve levantar algumas questões fundamentais sobre a ideia de que o texto do Alcorão fora fixado pelo tempo do terceiro Califa. Aqui temos partes do Alcorão encontradas numa das mais importantes mesquitas da Península Arábica, parte das quais pode ser datada definitivamente após a suposta padronização do texto do Alcorão, que não se alinham com o texto padrão.[490] Para ser franco, sem dúvida, os fragmentos mais antigos do Alcorão que temos diferem marcadamente do Alcorão que milhões de muçulmanos lêem e recitam todos os dias.[491]

 

6.3.4. E quanto aos Fólios de Birmingham?

 

Em 2015, foi anunciado incessantemente pela mídia que a cópia mais antiga do Alcorão havia sido descoberta em Birmingham, Inglaterra.[492] Os relatos da mídia asseguravam aos leitores que o texto poderia ter pertencido a um dos companheiros do próprio profeta, pois a datação inicial do Carbono 14 indicava que datava de 650 d.C.[493] Se essas eram as manchetes sobre os chamados 'Fólios de Birmingham', você presumiria que eles fornecem uma confirmação poderosa da narrativa islâmica tradicional das origens do Alcorão. No entanto, as coisas não são tão simples assim.

A maioria dos leitores estará familiarizada com a utilização da datação por Carbono 14 (é o processo pelo qual a deterioração de um certo tipo de molécula de carbono é medida a fim de determinar a idade de um objeto que contém carbono). Embora este método seja por vezes utilizado na datação textual, normalmente não pode ser utilizado para dar uma leitura definitiva sobre quando um texto foi produzido. A mesma deficiência do método é certamente aplicável aos manuscritos do Alcorão antigo. Muitos destes manuscritos (e isto inclui os Fólios de Birmingham) foram escritos em peles de animais. Isto significa que um manuscrito pode ter sido escrito sobre pele de animal que pertenceu a um animal que foi morto décadas antes de a tinta ter sido aplicada pela primeira vez no seu couro. Esta era uma prática generalizada, pois as peles eram preciosas e frequentemente raspadas e reutilizadas várias vezes.[494] A menos que seja encontrada uma maneira de testar com segurança a idade da tinta (o que é muito difícil de fazer, pois obviamente se infiltrou na superfície da escrita), sempre haverá dúvidas sobre as datas de Carbono 14 atribuídas a documentos baseados em pele de animal.

Para tornar as coisas ainda mais complexas, alguns laboratórios que realizaram testes nos fólios, causaram uma grande confusão, alegando que o texto é anterior à época de Muhammad.[495] Isto pode, naturalmente, dever-se ao problema "datar a tinta vs. datar a superfície da escrita" como descrito acima, mas mostra os problemas associados em se confiar apenas na datação por Carbono 14 no caso de documentos antigos. Seja como for, uma data antecipada (isto é, pré-Muhammad) seria fatal para todo o edifício teológico islâmico, pois apontaria partes do Alcorão que existiam antes de ser supostamente 'revelado' a Muhammad.

Acontece que esta é exatamente a área onde a descoberta dos Fólios de Birmingham, recebidos com tanta alegria no mundo muçulmano, poderia ser mais um prego no caixão do entendimento islâmico tradicional de como o seu livro sagrado surgiu. Para ver o porquê, temos de passar do mundo incerto da datação por Carbono 14 para a análise do texto em si. Como o nome indica, os Fólios de Birmingham contêm apenas algumas páginas (ou seja, fólios) do que se crê ser o Alcorão. Não estão, portanto, nem de perto de ser um manuscrito completo do Alcorão. A primeira coisa a notar é que o texto nestas páginas não se alinha perfeitamente com o Alcorão atualmente em uso pelos muçulmanos. É ortograficamente diferente, especialmente no fato de deixar de fora a letra árabe 'alif'. As suas divisões em verso são também substancialmente diferentes do texto do Cairo de 1924 atualmente em uso.[496]

Quando se olha mais de perto para as passagens que aparecem nos fólios, surge um fato bastante surpreendente: os fólios contêm material que é muito obviamente derivado de fontes anteriores. Os fólios de Birmingham contêm as Suras 18:17-31 e 19:91-20:40. Os versos do capítulo 18 contam uma história sobre alguns jovens que adormeceram numa caverna porque estavam sendo perseguidos pela sua fé. Eles são preservados por Deus e acordam após muitos anos para mudar as circunstâncias. Este é um plágio direto do conto popular Ortodoxo conhecido como "Os Sete Adormecidos de Éfeso" (ver secção 6.4.4.).[497] O capítulo 19:98 está fortemente relacionado com o Proto-Evangelho de Tiago e o Evangelho de Pseudo-Mateus. A seção da Sura 20 é uma recontagem da história bíblica de Moisés. Como diz Joseph Hoffman: "Estas são algumas das seções mais obviamente inseridas de todo o Alcorão – histórias que estão inclusas no Alcorão e a fonte não é informada, aumentando a probabilidade de que o que podemos ter não seja o Alcorão, mas fragmentos de histórias que foram eventualmente incorporadas no Alcorão em um período posterior."[498]

Em outras palavras, longe de confirmar a compreensão muçulmana da história inicial do Alcorão, os Fólios de Birmingham fazem exatamente o oposto. Pelo contrário, confirma que quem quer que tenha compilado o Alcorão utilizou extensivamente materiais pré-existentes. Assim, desafiando energicamente a ideia piedosa de que o Alcorão foi transmitido e totalmente formado na mente de Muhammad pelo próprio Anjo Gabriel. Como diz Wesley Huff: "...o Alcorão de Birmingham continua sendo problemático para muitos muçulmanos crentes, pois desafia as afirmações do Alcorão de ser perfeito, preservado, e inalterado. Mesmo que a datação se revele completamente errada, o achado continuaria a destacar a realidade de variantes textuais que, segundo a literatura islâmica, simplesmente não deveriam estar presentes. Apontaria muito concretamente que nunca haveria um texto preservado ou completo do Alcorão ao longo da sua história".[499]

 

6.3.5. Os Hadiths sobre a Integralidade do Alcorão

 

Neste capítulo até agora, analisamos o fato de a compilação do Alcorão ter sido um processo muito mais confuso e complicado do que o descrito na história da compilação feita por Uthman. A confirmação de que o processo de juntar o Alcorão levou frequentemente a níveis significativos de conflito no seio da comunidade muçulmana inicial é fornecida por uma fonte improvável: os hadiths. Encontramos, por exemplo, tradições que afirmam que tanto a esposa favorita de Muhammad (Aisha) como o segundo Califa (Umar) testemunharam que um verso foi retirado do Alcorão por engano.

Aisha foi a fonte de inúmeros hadiths e o seu status de pessoa a quem o profeta estava muito próxima significa que muitas tradições controversas foram colocadas na sua boca.[500] Numa dessas tradições, ela afirmou que o Alcorão foi de fato alterado de uma forma muito surpreendente: "O verso do apedrejamento e da amamentação de um adulto dez vezes, foram revelados, e foram (escritos) sobre um papel e guardados debaixo da minha cama. Quando o Mensageiro de Alá faleceu e estávamos preocupados com a sua morte, uma cabra entrou e comeu o papel "[501] O fato de o Alcorão ter uma vez contido um verso decretando que os adúlteros deveriam ser apedrejados é confirmado por alguém de não menos autoridade do que o sucessor de Muhammad como o Comandante dos Fiéis, Umar (reinou 634-644 d.C.): "Alá enviou Muhammad com a Verdade e revelou-lhe o Livro Sagrado, e entre o que Alá revelou, estava o Verso do Rajam, o apedrejamento de pessoas casadas".[502] Ele também confirma que era prática de Muhammad apedrejar os adúlteros.[503] Este é ainda o castigo imposto na shari'a mesmo que não esteja contido no Alcorão.[504] Assim, parece que a lei islâmica segue uma prática que já foi incluída no Alcorão, mas que já não pode ser encontrada nas suas páginas.

O desaparecimento do 'Verso do Apedrejamento' levanta algumas questões preocupantes para os muçulmanos crentes. A mais fundamental delas é o fato de termos estes "hadiths sonoros" que contestam vigorosamente a forma atual do Alcorão. No mínimo, isso deve nos dizer que deve ter havido algumas batalhas épicas sobre o que deveria entrar no Alcorão e que muito depois da época de Uthman, algumas pessoas ainda não tinham feito as pazes com o fato de suas passagens favoritas terem sido excluídas.

 

6.3.6. O Verso da Crucificação: Prova de uma Adição Posterior?

 

Uma das principais diferenças entre os pontos de vista Cristão e Muçulmano sobre Jesus Cristo é uma forte discordância sobre a crucificação de Jesus. Embora os Evangelhos cristãos sejam unânimes em afirmar que ele morreu depois de ter sido crucificado, o Alcorão nega a crucificação nos termos mais fortes possíveis: "’Matamos o Messias, Jesus o filho de Maria, o Mensageiro de Deus,’ quando, na realidade, não o mataram nem o crucificaram.” (Alcorão 4:157)[505]

Este verso tem sido obviamente um enorme pomo de discórdia entre as duas fés e tem sido infinitamente debatido. O objetivo desta seção não é entrar neste debate, mas mostrar que este verso foi quase certamente uma adição posterior ao Alcorão. Assim, fornecendo outra prova da verdade evidente de que o Alcorão simplesmente não existia na forma que existe hoje no fim da vida de Muhammad. A afirmação de que este verso é uma adição posterior é fortemente confirmada pelo fato de estar totalmente ausente das fases iniciais da tradição islâmica em desenvolvimento.

O Domo da Rocha em Jerusalém foi construído em 691 d.C. pelo Califa Abd Al Malik (646-705 d.C.), muito especificamente para atuar como uma declaração visual dos erros do Cristianismo sob uma perspectiva islâmica.[506] Há versos no Ambulatório Interior que nega a Trindade, a ideia de que Cristo é o Filho de Deus e que afirma que os cristãos são mal orientados. A presença desta declaração visual no coração de Jerusalém, o lugar onde o Cristianismo emergiu, deve ter sido um forte lembrete para os muçulmanos crentes rejeitarem completamente a versão Cristã dos acontecimentos em torno da vida de Jesus.[507] Foi também um desdém calculado dirigido aos crentes cristãos de Jerusalém.[508] Ora, qual teria sido, para estes crentes cristãos, o acontecimento mais importante que alguma vez aconteceu em Jerusalém? Dada a atenção prestada a esta questão nos Evangelhos, a resposta deve ser óbvia: a crucificação. No entanto, há um versículo que é notável por sua ausência no repúdio ao Cristianismo contido no Domo da Rocha: Alcorão 4:157, texto que não pode ser encontrado em nenhuma das inscrições originais do Domo da Rocha.

O Alcorão é, além disso, um dos livros mais comentados da história. Visite qualquer biblioteca islâmica e verá muitos comentários sobre o texto sagrado tão profundamente reverenciado pelos muçulmanos. Alguns destes comentários terão algo semelhante ao status de canonicidade, no sentido em que fazem parte da tradição teológica islâmica oficial (conhecida como Taqlid). Quando recolhemos estes comentários 'oficiais', encontramo-los comentando de forma pormenorizada todos os versos do Alcorão. Bem, quase todos. Há um verso que se destaca pela sua ausência: Alcorão 4:157.[509] Pense por um momento porque seria este o caso? Não pode ser porque este verso não tenha importância teológica. Antes, pode-se considerá-lo como um dos versos mais carregados teologicamente do Alcorão, dada a sua importância para a forma como os seguidores do Islã devem ver o Cristianismo. De fato, muitos muçulmanos modernos se inspiram neste versículo como ensinando-os a detestar absolutamente a cruz. A única explicação possível de por que esse versículo está ausente dos comentários deve ser incrivelmente óbvia. Só poderia ter sido excluído porque o versículo em questão não fazia parte do Alcorão na época em que os comentários foram compilados.

 

6.4. Como o Alcorão surgiu?

 

Façamos uma pausa por um momento para fazer um balanço e recordar alguns dos pontos já referidos neste capítulo. Vimos reiteradamente que é possível lançar uma dúvida considerável sobre as narrativas oficiais das origens do Alcorão.

 

·         Nenhum dos primeiros membros das sociedades conquistadas que escreveram sobre a conquista Árabe deu qualquer indício de que os seus conquistadores possuíam um livro sagrado, quanto mais que se chamava Alcorão.

 

·         Achados arqueológicos como o Alcorão de Sana'a provam que o texto do Alcorão ainda estava em formação muito tempo depois de ter sido supostamente padronizado.

 

·         Um dos primeiros registros que temos de alguns dos versos do Alcorão numa inscrição pode ser encontrado no Domo da Rocha em Jerusalém (construída em 691 d.C.). Esta data é obviamente muito depois de Uthman supostamente ter padronizado o Alcorão e, no entanto, vemos que as suas inscrições diferem marcadamente do Alcorão que temos hoje.[510]

 

Na década de 730 d.C. (ou seja, 100 anos após a suposta morte de Muhammad), o teólogo Cristão João de Damasco (676-749 d.C.) escreveu sobre as escrituras sagradas dos muçulmanos como sendo uma colecção de textos em vez de um único documento. Também, quando analisamos os argumentos de João contra o Islã, rapidamente se torna claro que ele tinha acesso apenas a partes do que agora seria considerado como o Alcorão 'completo'.[511] Faríamos bem em recordar que João era um alto funcionário no tribunal de Umayyad e escreve especificamente para equipar os Cristãos para responderem às práticas e ao sistema de crenças do Islã, tal como ele o experimentou todos os dias da sua vida. Uma vida vivida no coração do poder muçulmano. João de Damasco, portanto, nos fornece um retrato precioso e bem informado do estado do Islã em meados do século VIII. Uma das conclusões mais claras que podemos tirar desta imagem foi que o Alcorão era, mesmo nesta fase muito tardia, um documento que ainda estava em formação. Tudo isto serve para lançar uma dúvida significativa sobre as versões tradicionais do processo de compilação do Alcorão, tornando quase certo que este livro apareceu na sua forma atual muito depois da morte de Muhammad.

Os pontos acima referidos devem levar-nos inevitavelmente à conclusão de que o Alcorão não é uma composição que emergiu totalmente formada no Deserto Arábico durante meados do século VII. Como explicamos então a sua compilação? Pode ser demonstrado que várias influências externas foram inseridas dentro do Alcorão e que estas foram então compiladas para formar um único volume, nem sempre coerente e consistente.

A ideia de que o Alcorão tomou "emprestado" histórias de várias fontes é, evidentemente, uma proposta blásfema para qualquer muçulmano crente. É uma crença muçulmana fundamental que o Alcorão é a própria Palavra de Alá e que, por conseguinte, não contém fontes humanas. Alguns muçulmanos ortodoxos chegam ao ponto de afirmar que o Alcorão é eterno e que uma cópia perfeita foi sempre preservada com Alá no céu. No entanto, mesmo no texto do próprio Alcorão há uma sensação de desconforto acerca das suas origens. Alá, por exemplo, chega a dizer: "E quando nossos versículos lhes eram recitados, diziam: 'Já ouvimos! Se quiséssemos, inventaríamos coisas iguais. Tudo isso não passa de fábulas dos antigos'". (Alcorão 8:31[512] ver também Alcorão 6:25[513])

Acontece que esta acusação é surpreendentemente exata, uma vez que não só somos capazes de mostrar que o Alcorão contém de fato "contos dos antigos", como também somos capazes de mostrar exatamente quais são esses contos "antigos" que foram utilizados na compilação do texto do Alcorão. Entre eles se incluem os seguintes:

 

6.4.1. Material Cristão Sírio

 

Um dos principais temas abordados até agora neste trabalho é a ligação estreita e inegável entre muitos dos documentos do Islã primitivo e as terras fronteiriças Sírio-Árabes. Não deve, portanto, ser surpresa descobrir que esta parte do mundo também deixou vestígios claros no Alcorão. Estes vestígios podem ser encontrados em nomes próprios, termos religiosos, palavras habitualmente usadas, ortografia (isto é, o sistema ortográfico adotado no Alcorão), a construção de frases e referências históricas estrangeiras.[514] Deve ser notado, contudo, que a influência Siríaca no Alcorão vai muito além do fornecimento de grande parte do substrato linguístico sobre o qual o Alcorão é construído. De fato (tal como foi referido na Seção 4.1.1) algumas partes do Alcorão só começam a fazer sentido quando se assume que certas passagens começaram a vida não como alguma palavra divina pronunciada no coração de Muhammad, mas como textos litúrgicos Cristãos Siríacos.[515] Muito do trabalho acadêmico nesta área foi feito por Christoph Luxenberg no seu livro 'A Syro-Aramaic Reading of the Koran'.[516] Neste trabalho inovador, Luxenberg lista vários exemplos (completos com provas convincentes e altamente técnicas) de textos Siríacos que foram essencialmente plagiados pelo Alcorão.[517]

 

6.4.2. Escritos Judaicos

 

Dada a proximidade do ambiente a importantes centros populacionais Judaicos, a partir do qual o Alcorão emergiu, não deve ser surpresa que existam muitas partes do Alcorão que podem ser rastreadas diretamente até aos escritos Judaicos. Seguem-se alguns exemplos:

 

·         Alcorão 21:51-70[518] (no qual Abraão contesta a idolatria do seu pai) é uma recontagem quase exata de uma ilustração sobre os perigos da idolatria escrita pela primeira vez por um Rabino Judeu (Rabino Hiyya) que é recontada no Midrash Rabba.[519] Esta estória não foi considerada inspirada ou autoritativa (e não faz portanto parte das Escrituras Judaicas ou Cristãs). Em vez disso, pode ser vista simplesmente como uma meditação sobre os perigos da adoração de ídolos. No entanto, é aceita por inteiro no Alcorão como parte da palavra eterna de Alá. Note-se que esta estória é definitivamente anterior à vinda do Islã porque a sua interpretação da reação de Abraão à idolatria, é discutida pelo estudioso Cristão Jerónimo (falecido em 420 d.C.).[520] É também mencionada no "Livro dos Jubileus" Judaico (do qual o exemplar mais antigo data de cerca do início do século II d.C.) e no Talmude Babilônico. É possível mostrar como o autor ou compilador desta parte do Alcorão copiou esta história quase palavra por palavra.[521]

 

·         Alcorão 5:30-35[522] (no qual um corvo mostra a Caim como enterrar o seu irmão morto) tem uma longa genealogia no folclore Judaico. Esta estória é contada numa coleção de mitos e fábulas Judaicas conhecidas como Pirke Rabino Eliezer[523], que faz parte do Midrash (por sua vez parte do Talmude). No Midrash, é Adão que é registado enterrando o corpo de Abel, mas de resto as histórias são as mesmas. Esta diferença está de acordo com uma versão oral recontada de uma história bem conhecida, que é provavelmente como os autores do Alcorão a conheceram. A ligação Judaica a esta parte do Alcorão é provada sem dúvida pelo verso seguinte a "lição do enterro" do corvo. Diz o verso: "Por isso, prescrevemos aos Filhos de Israel que quem matar um homem, a não ser pela lei do talião ou porque corrompia a terra, é como se tivesse matado todos os homens, e quem salvar a vida de um homem, é como se tivesse salvo a vida de todos os homens. E nossos mensageiros foram a eles com provas. Assim mesmo, muitos continuaram a cometer excessos na terra". (Alcorão 5:32)[524] Sobre as implicações do relato, esta é uma afirmação muito estranha a se fazer. O que o corvo tem a ver com matar ou poupar muitas pessoas? No entanto, o Alcorão diz que esta injunção é instituída "por isso", ou seja, por causa do que aconteceu com o corvo. A conexão é, no mínimo, obscura. No entanto, quando o Midrash (a fonte original desta estória) é consultado, tudo se encaixa perfeitamente. É assim que o Sinédrio comenta este texto do Midrash: “Encontramos isso dito no caso de Caim que assassinou seu irmão. ‘A voz do sangue de teu irmão clama’” (Genesis 4:10). Aqui, no original do Midrash, não está sangue no singular, mas sangue no plural, ou seja, o seu próprio sangue e o sangue da sua semente. O homem foi criado solteiro para mostrar-lhe que aquele que mata um único indivíduo, será considerado como que matou toda a raça, mas para aquele que preserva a vida de um único indivíduo, conta-se que preservou toda a raça.” (Misnah Sanhedrin 4:5)[525] De repente, tudo faz sentido. Os compiladores do Alcorão não apenas plagiaram um antigo conto Judaico, como também elevaram o comentário de um Rabino Judeu sobre este incidente à própria palavra de Alá.

 

·         Alcorão 27:20-40[526] (que conta a história de Salomão e da Rainha de Sabá) copia outro manuscrito Judaico muito mais antigo, a saber, o Segundo Targum de Ester (Targum Sheni).[527] Mesmo uma comparação superficial destes dois textos deixará bem claro que a versão do Alcorão só pode ser descrita como um plágio direto.

 

6.4.3. Evangelhos Cristãos Extra-Bíblicos

 

Somando-se ao material Judaico, há também muitos exemplos onde um substrato Cristão pode ser identificado no Alcorão. Já notamos a forte dependência do texto do Alcorão sobre material Cristão Siríaco. No entanto, existe também outra grande fonte de influência Cristã. Esta influência não vem dos evangelhos canônicos (Mateus, Marcos, Lucas e João). Antes, os autores ou compiladores do texto sagrado do Islã parece ter tido acesso a uma conjunto de material Cristão apócrifo. Alguns exemplos incluem os seguintes:

 

·         Alcorão 19:29-31[528] e 3:46[529] afirmam que Jesus podia falar como uma criança ainda no berço. Este relato não é algo que se encontre nos evangelhos canônicos Cristãos. Este relato ocorre, contudo, num evangelho apócrifo (extra-bíblico) posterior. É assim que o 'Evangelho Árabe da Infância do Salvador'[530] (escrito no início do século V) fala de Jesus no berço: "Encontramos o que segue no livro de José, o sumo sacerdote, que viveu no tempo de Cristo. Alguns dizem que é Caifás. Ele disse que Jesus falou, e, de fato, quando Ele estava deitado no berço disse a Maria Sua mãe: Eu sou Jesus, o Filho de Deus, o Logos, que tu criaste, como te anunciou o Anjo Gabriel; e o meu Pai enviou-me para a salvação do mundo"[531] Quem quer que tenha escrito esta parte do Alcorão desconhecia claramente as verdadeiras origens desta estória, ou seja, que ela não aparece aos Evangelhos canônicos Cristãos, e por isso esteve disposto a conceder-lhe um status exaltado como sendo a Palavra de Alá.

 

·         Alcorão 3:49[532] e 5:110[533] ambos descrevem como Jesus foi capaz de dar vida a pássaros de barro que ele mesmo fez. Novamente, este relato não faz parte dos Evangelhos canônicos, mas consta no Evangelho Árabe da Infância do Salvador.[534] É assim que este Evangelho extra-bíblico relata esta estória: "E quando o Senhor Jesus tinha sete anos de idade, ele estava num certo dia com outras crianças, seus companheiros mais ou menos da mesma idade. Que enquanto brincavam, fizeram várias figuras de barro em formas diferentes, a saber, jumentos, bois, pássaros e outras figuras. Cada um vangloriava-se do seu trabalho e esforçava-se por exceder o resto. Então o Senhor Jesus disse aos rapazes: "Ordenarei a estas figuras que fiz para que andem". E imediatamente se moveram, e quando ele lhes ordenou que voltassem, voltaram. Ele também tinha feito as figuras de pássaros e pardais, que, quando mandou voar, voaram, e quando mandou ficar parados, ficaram parados; e quando lhes deu carne e bebida, comeram e beberam. Quando finalmente os meninos foram embora e contaram essas coisas a seus pais, seus pais lhes disseram: Cuidado, filhos, com essa companhia no futuro, pois ele é um feiticeiro; afastem-se e evite-o, e de agora em diante nunca mais brinquem com ele.”[535] O que temos aqui é, mais uma vez, a elevação de uma estória contada entre os Cristãos da Península Arábica ao status de inspiração divina.

 

·         Talvez o caso mais assustador de empréstimo de Muhammad tenha sido as narrativas da infância de Buda. O Alcorão conta uma estória de Alá instruindo Maria a comer algumas tâmaras de ramos que se inclinavam para ela, enquanto ele dava à luz debaixo de uma árvore[536], a medida que ela era dominada por dores de parto durante o nascimento de Jesus (Alcorão 19:22-26)[537] Estes detalhes são retirados de vários relatos sobre o nascimento de Buda (incluindo Nidanakatha Jatakam e Cariya-Pitakim,[538] ambos incluídos no Pali Canon, a coleção mais autoritativa de textos Budistas). As estórias parecem ter chegado aos compiladores do Alcorão através do seu antigo favorito, O Evangelho Árabe da Infância do Salvador.[539]

 

6.4.4. Histórias, Lendas e Mitos

 

O Alcorão 18:10-22[540] conta a história de alguns jovens que foram impedidos de ouvir a falsa doutrina enquanto estavam calados (e dormindo) numa caverna durante muitos séculos. Esta estória mostra semelhanças notáveis com o conto popular ortodoxo dos "Sete Adormecidos de Éfeso" e baseia-se claramente nesse conto.[541] O autor desta parte do Alcorão foi, no entanto, muito pouco claro sobre alguns dos detalhes, incluindo o número exato dos adormecidos. Ele, portanto, inclui esta informação na sua versão da história: "Alguns dirão: ‘eram três, e o seu cão era o quarto.’ Outros, procurando advinhar o desconhecido, dirão: ‘eram cinco, e o seu cão era o sexto.’ E dirão: ‘eram sete, e seu cão era o oitavo.’ Dize: ‘Só meu Senhor conhece-lhes o número: o que poucos conhecem.’ Não discutas, pois, a seu propósito senão superficialmente, e não interrogues ninguém de sua seita a seu respeito [acerca dos adormecidos]". (Alcorão 18:22)[542]

Esta confusão sobre o número dos "adormecidos" é uma poderosa confirmação de que se trata de uma estória que foi tomada emprestada de algum outro lugar que talvez só tenha sido recordada superficialmente. Não se supõe que Alá é o autor deste livro? Se assim é, porque não diz simplesmente aos leitores quantos adormecidos existiam? Em vez disso, somos confrontados com um narrador que tem dúvidas sobre os detalhes exatos da estória e admite a dúvida.

Há muitos outros casos em que podemos mostrar que os compiladores do Alcorão se debruçaram profundamente sobre o folclore do antigo Oriente Próximo. Podemos, por exemplo, encontrar vestígios da Epopéia de Gilgamesh[543], a lenda de Gogue e Magogue[544] e as façanhas de Alexandre o Grande[545] nas suas páginas.

 

6.4.5. Influência do Zoroastrianismo

 

Além destes casos claros de plágio de fontes Judaicas e Cristãs, há também vários casos em que podemos apontar conteúdo do Zoroastrianismo (a antiga religião Persa) para alguns conceitos do Alcorão e do Islâ. Estes incluem os seguintes:

 

·         Os '99 Nomes de Alá' são provavelmente derivados dos nomes de Ahura Mazda[546] (o 'bom Deus' principal no Zoroastrianismo) não só em termos de conceito, mas também em termos de alguns dos nomes individuais. Muitos destes parecem ter sido retirados diretamente da Avesta (uma das escrituras chave da religião Zoroastriana).[547]

 

·         O uso de 'Bismillah al Rahman al Rahim' (Em Nome de Alá, o Gracioso, o Compassivo), a fórmula que começa cada Sura (capítulo) do Alcorão[548] copia uma obra Zoroastriana chamada Dasatir I Asmani.[549] Este livro começa cada um dos seus quinze capítulos com a seguinte fórmula "Em nome de Deus, o Doador, o Perdoador, o Misericordioso, o Justo"[550]

 

·         Essencial para a doutrina muçulmana da salvação é o sirat mustaqim, mais frequentemente traduzido como o 'caminho reto' (um conceito que é fundamental para o primeiro capítulo do Alcorão).[551] Este termo é por vezes usado em relação a uma ponte fina sobre o inferno que os crentes terão de atravessar antes de poderem alcançar o paraíso.[552] Isto é copiado de um antigo livro Pahlavi chamado Dinkart.[553]

 

·         O Alcorão 52:20 promete aos fiéis (homens) que: "Estarão recostados sobre leitos colocados em fileiras e terão por esposas huris de grandes olhos negros"[554] Estas mulheres (chamadas huris em árabe)[555] derivam da hurust da crença Zoroastriana.[556]

 

6.4.6 A Compilação e Edição do Texto do Alcorão

 

As muitas vertentes que foram tecidas no Alcorão, além do fato de que levou mais de um século para ser considerado o 'livro sagrado' de uma religião chamada Islã, após a suposta morte de Muhammad, devem alertar imediatamente para o fato de que o livro deve ter surgido através de um processo longo e complicado. Como tal, não pode de forma alguma ser usado para confirmar a precisão dos relatos históricos islâmicos tradicionais (incluindo relatos de onde o Alcorão emergiu). O máximo que podemos dizer é que o Alcorão foi sistematizado a partir de uma massa de material (Cristão, Judaico, Zoroastro e lendário) no único livro que temos hoje. Este foi um processo que levou um tempo considerável. Como vimos, até a década de 730 d.C., João de Damasco (vivendo no coração do império muçulmano) ainda considerava o Alcorão como uma coleção de documentos separados e não como um único livro.

O processo exato de como ocorreu a sistematização do texto do Alcorão estará provavelmente para sempre obscurecido pela névoa do tempo. Podemos, no entanto, adivinhar a identidade de um indivíduo que provavelmente esteve envolvido nas primeiras fases deste processo. Este papel é mesmo confirmado pelas próprias tradições islâmicas. Al-Hajjaj Ibn Yusuf Al-Thakafi (660-714 d.C.) foi um importante professor e líder muçulmano antigo[557] que se destacou para se tornar o governador de Bagdá.[558] Ensinou árabe em Ta'if antes de iniciar na carreira pública.[559] Como um reconhecido mestre da língua árabe, estava bem capacitado para empreender um projeto para tornar o Alcorão mais inteligível. A maioria das suas mudanças teve a ver com a adição de marcas diacríticas para melhorar a legibilidade do texto. No entanto, ele foi, certamente, além de mexer apenas nas margens. Diz-se que acrescentou mais de 1000 alifs (a primeira letra do alfabeto árabe) ao texto do Alcorão. Curiosamente, uma tradição é preservada onde se afirma que Al-Hajjaj fez nada menos que 11 alterações ao texto atual do Alcorão.[560] Os apologistas muçulmanos tentam naturalmente lançar dúvidas sobre a exatidão desta tradição, mas é instrutivo notar a existência dessa tradição.[561] É evidente que pelo menos alguns dos compiladores dos hadiths pensavam que alterar o Alcorão era uma coisa perfeitamente aceitável, ao ponto de incluir uma descrição de tais alterações numa coleção de hadith (a coleção de hadith de Abu Dawood, neste caso[562]). Como tal, podemos dizer que pelo menos alguma memória do complexo processo de como o Alcorão surgiu sobreviveu. As razões por trás dessa complexidade ficarão claras nos dois capítulos finais deste livro.

 

6.5. Resumo do capítulo

 

·         O objetivo deste capítulo era avaliar se o Alcorão pode ser utilizado para fornecer um marcador sólido em termos de validação de alguns dos aspectos chaves dos relatos históricos islâmicos tradicionais. Foi dada particular atenção à narrativa geralmente aceita das origens do Alcorão, a saber, que o Califa Uthman fez ao Islã o imenso serviço de recolher uma variedade de leituras divergentes, escolhendo uma versão autoritativa, e publicando-a como o registo definitivo da palavra de Alá à humanidade.

 

·         O primeiro e mais básico problema com o relato tradicional de como o Alcorão surgiu é o simples fato de que ele foi colocado no papel mais de 200 anos após os eventos que descreveu supostamente terem ocorrido. De fato, levou cerca de um século após a data tradicional da morte de Muhammad (632 d.C) para que o Alcorão surgisse no cenário mundial.

 

·         Quando submetemos o texto do Alcorão, tal como o temos agora, a uma avaliação crítica do texto, vemos que o mantra islâmico constantemente repetido de que o livro nunca foi "mudado, alterado" é um pouco risível. Uma comparação entre o Texto do Cairo (utilizado pelos muçulmanos modernos) e os manuscritos anteriores do Alcorão revela um vasto número de alterações, adições, correções e outras intervenções editoriais.

 

·         O fato de poderem ser feitas perguntas sérias sobre a história textual do Alcorão também pode ser confirmado através da análise de alguns dos primeiros textos do Alcorão, os Fólios de Birmingham e o Alcorão de Sana'a. O primeiro está repleto de exemplos de material anterior de uma variedade de fontes que o transformaram no Alcorão e o segundo é um Alcorão pós-Uthmânico que difere marcadamente da edição supostamente definitiva, promulgada, de uma vez por todas, por Uthman.

 

·         Embora o Alcorão contenha algum material árabe original, esse material também está, como vimos, repleto de muito do que foi plagiado de outras fontes. Estas vão desde material Cristão Siríaco, pseudo-evangelhos, escritos Judaicos, contos folclóricos e até conceitos teológicos do Zoroastrianismo. Tudo isto confirma o que deveria ser óbvio para o leitor atento e historicamente consciente. Em vez de uma obra escrita por um único autor (divino ou humano), o Alcorão é quase certamente uma obra composta que reflete o complexo caldeirão teológico, ideológico, cultural e linguístico do qual emergiu.

 

_________________________

Fonte:

 

TOWNSEND, Peter. The Mecca Mystery: Probing the Black Hole at the Heart of Muslim History. Copyright Peter Townsend, 2018

 

Tradução Walson Sales

_________________________

Notas:

[446] Chapter 6 - The Qur’an: Proof of Islam’s Origin Narrative? D.W. Brown, A New Introduction to Islam (Wiley, 2011). 72

[447] Ibid. 35

[448] Materials for the History of the Text of the Quran; the Old Codices, (Brill Archive). 44

[449] Vale a pena citar o hadith em que Zaid recebeu suas instruções na íntegra: “Abu Bakr me chamou devido ao grande número de baixas na batalha de Al-Yamama, enquanto 'Umar estava sentado com ele. Abu Bakr disse (para mim), 'Umar veio até mim e disse, 'Um grande número de Qaris do Alcorão Sagrado foram mortos no dia da batalha de Al-Yamama, e eu temo que as baixas entre os Qaris do Alcorão possa aumentar em outros campos de batalha em que uma grande parte do Alcorão pode ser perdida. Portanto, considero aconselhável que você (Abu Bakr) faça uma compilação do Alcorão.' Eu disse: 'Como ousaria fazer algo que o Mensageiro de Allah não fez?' 'Umar disse, Por Alá, é algo benéfico.' 'Umar continuou me pressionando por isso até que Allah abriu meu coração para aquilo para o qual Ele havia aberto o coração de 'Umar sobre este assunto, a mesma opinião que 'Umar tinha." Abu Bakr então me disse (Zaid) , "Você é um jovem sábio e não temos nenhuma suspeita sobre você, e você costumava escrever a Inspiração Divina para o Mensageiro de Allah. Portanto, você deve procurar os trechos fragmentários do Alcorão e coletá-los (em um livro). Zaid disse ainda: Por Alá, se Abu Bakr tivesse me ordenado a mudar uma montanha entre as montanhas de um lugar para outro, não teria sido mais pesado para mim do que isso, me ordenar a coletar o Alcorão. Então eu disse (para 'Umar e Abu Bakr), "Como você pode fazer algo que o Mensageiro de Allah não fez?" Abu Bakr disse: "Por Allah, é algo benéfico." Zaid acrescentou: Então ele (Abu Bakr) continuou me pressionando por isso até que Allah abriu meu coração para o que Ele abriu os corações de Abu Bakr e 'Umar, de modo que considerei sobre esse assunto, a mesma opinião que a deles. Então comecei a compilar o Alcorão coletando-o dos caules sem folhas da tamareira e dos pedaços de couro e das pedras, e dos corações dos homens (que haviam memorizado o Alcorão). Encontrei os últimos versos de Sirat-at-Tauba: ("Na verdade, um Mensageiro, dentre vós mesmos, foi-vos enviado...” (9.128-129) de Khuza`ima ou Abi Khuza`ima e adicionei a ele o resto da Sura. Os manuscritos do Alcorão permaneceram com Abu Bakr até que Allah o recolheu. Então permaneceu com 'Umar até que Allah o recolheu também, e então com Hafsa bint 'Umar. Sahih Bukhari, Volume 9, Livro 89, Hadith 301. Disponível online em: https://sunnah.com/bukhari/93/53

[450] Sahih Bukhari, Volume 6, Livro 61, Hadith 510. Disponível online: https://sunnah.com/bukhari/66/9

[451] Sahih Bukhari, Volume 6, Livro 61, Hadith 510. Disponível online em: https://sunnah.com/bukhari/66/10

[452] Por exemplo: “O versículo do apedrejamento e da amamentação em adulto dez vezes foi revelado, e eles foram (escritos) em um papel e guardados debaixo da minha cama. Quando o Mensageiro de Allah expirou e estávamos preocupados com sua morte, uma cabra entrou e comeu o papel”. Sunan Ibn Majah, Volume 3, Livro Hadith 1944. Disponível online em: https://sunnah.com/urn/1262630

[453] Heike Jöns, Peter Meusburger, and Michael Heffernan, "Mobilities of Knowledge," (2017). 51-66

[454] Ibid. 51-66

[455] João de Damasco (675-749 d.C.) discute os “escritos de Muhammad”, mas trata-os como uma coleção de escritos separados, e não como um único livro. Tenha em mente que João viveu e trabalhou em Damasco, a capital muçulmana da época, e que ele estava escrevendo para equipar os Cristãos para interagir com os muçulmanos. Pode-se, portanto, presumir que ele possuia um bom conhecimento prático da fé e prática muçulmana. Tudo isso parece indicar que o texto do Alcorão não foi formalizado até meados do século VIII. Para uma visão geral das primeiras interações não-muçulmanas com o Alcorão, veja: Mark Ivor Beaumont, "Early Christian Interpretation of the Qur'an", Transformation 22, no. 4 (2005). 195-203

[456] Por exemplo: “O Mensageiro de Allah ouviu um homem recitando o Alcorão à noite e disse: “Que Allah conceda Sua Misericórdia a ele, pois ele me lembrou de tal e tal Versículo de tal e tal Suras, que Fui levado a esquecer." Sahih Bukhari, Volume 6, Livro 61, Hadith 558. Disponível online em: https://sunnah.com/bukhari/66/62

[457] Por exemplo: "Zaid ibn Thabit acrescentou: "Um versículo de Surat Ahzab foi perdido por mim quando copiamos o Alcorão e eu costumava ouvir o Apóstolo de Allah recitando-o. Então, procuramos e encontramos com Khuzaima bin Thabit Al- Ansari. (Esse versículo era): 'Entre os crentes, há homens que cumpriram seu pacto com Allah.' (33.23)” Sahih Bukhari, Volume 6, Livro 61, Hadith 510. Disponível online em: https://sunnah.com/bukhari/66/10

[458] Há, de fato, dois capítulos inteiros adicionados a alguns Alcorões Xiitas. Não deve ser surpresa que esses capítulos apoiem as opiniões Xiitas sobre a sucessão de Muhammad.

[459] Hughes, Muslim Identities: An Introduction to Islam. 74

[460] Há evidências claras, mesmo dentro da tradição muçulmana aceita, de que havia muitas pessoas que se sentiam desconfortáveis com a ideia de queimar cópias da “palavra de Deus” dessa maneira. Parte desse desconforto chega até mesmo aos hadiths. Veja: G. Sawma, The Qur'an, Misinterpreted, Mistranslated, and Misread: The Aramaic Language of the Qur'an (Adibooks.com, 2006). 84

[461] C. Cassini, Islam: Claims and Counterclaims (iUniverse, 2001). 59

[462] G. Bowering et al., The Princeton Encyclopedia of Islamic Political Thought (Princeton University Press, 2012). Vii

[463] Para uma discussão mais completa da disciplina de crítica textual como ela se aplica ao texto do Alcorão, veja: K.E. Small, Textual Criticism and Qur'an Manuscripts (Lexington Books, 2011).

[464] G.S. Reynolds, New Perspectives on the Qur'an: The Qur'an in Its Historical Context 2 (Taylor & Francis, 2012). Box 4.3

[465] Dumper and Stanley, Cities of the Middle East and North Africa: A Historical Encyclopedia. 213

[466] Gabriel Said Reynolds, The Emergence of Islam: Classical Traditions in Contemporary Perspective (Minneapolis: Fortress Press, 2012). 186

[467] "The Mushaf Al-Madina and the King Fahd Holy Qur'an Printing Complex," Journal of Qur'anic Studies 1, no. 1 (1999).

[468] The Qur'an in Its Historical Context. 3

[469] C. Çakmak, Islam: A Worldwide Encyclopedia (ABC-CLIO, 2017). 659

[470] Para uma visão completa das tradições textuais divergentes do Alcorão, veja: Small, Textual Criticism and Qur'an Manuscripts. 31-104

[471] S. Nasser, The Transmission of the Variant Readings of the Qurʾan (Brill, 2012). 149

[472] Ibn Warraq, Why I Am Not a Muslim. 110

[473] Associação Nacional de Educação para a Promoção de Estudos em Religiões, Línguas e Estudos Gerais, The Authenticity and Literary Styles of Surah Al-Walayah and Surah Al-Nurayn (Jilat Publishing Company, 2007). 283

[474] H. Aydın, The Sacred Trusts: Pavilion of the Sacred Relics, Topkapı Palace Museum, Istanbul (Tughra Books, 2011). 91

[475] M. Maulana, Encyclopaedia of Quranic Studies (Anmol Publications Pvt. Ltd, 2006). 55

[476] Tayyar Altikulaç, Ekmeleddin Ihsanoglu, and Salih Sadawi, Al-Mushaf Al-Sharif Attributed to Uthman Bin Affan (the Copy at the Topkapi Palace Museum) (Istanbul: Organisation of the Islamic Conference/Research Centre for Islamic History, Art and Culture, 2007). 10

[477] Ibid. 23

[478] A. Von Denffer, Ulum Al Qur'an: An Introduction to the Sciences of the Qur'an (Koran) (Kube Publishing Limited, 2015). 42-26

[479] Altikulaç, Ihsanoglu, and Sadawi, Al-Mushaf Al-Sharif Attributed to Uthman Bin Affan (the Copy at the Topkapi Palace Museum). 71-72

[480] Mathieu Tillier, Journal of Qur'anic Studies 13, no. 2 (2011).

[481] A. Jeffery and I. Mendelsohn, "The Orthography of the Samarqand Quran Codex," Journal of the American Oriental Society 62, no. 3 (1942).

[482] Ibn, Why I Am Not a Muslim. 109-111

[483] Mondher Sfar, In Search of the Original Koran: The True Story of the Revealed Text (Amherst, NY: Prometheus Books, 2008). 95

[484] John Gilchrist, The Qur'an: The Scripture of Islam (Claremont, South Africa: Life Challenge Africa, 2003). 115-120

[485] Daniel Brubaker, "Intentional Changes in Qur'an Manuscripts" (Rice University, 2014). 4

[486] Leia também: Ohlig and Puin, The Hidden Origins of Islam: New Research into Its Early History. 311-334

[487] J. Effarah, What Are the Sacred Roots of Islam?: And the Planned Modern Islamic Society (AuthorHouse, 2016). 109

[488] Mary Ellen Snodgrass, Encyclopedia of World Scriptures (Jefferson, NC: McFarland, 2011). 210

[489] J.R. Mitchell and H.B. Mitchell, Annual Editions: World History, Volume I, 8/E (McGraw-Hill, 2004). 99

[490] Para uma discussão sobre o impacto da descoberta do Alcorão de Sana'a sobre nossa compreensão da história textual do texto do Alcorão, veja: Jospeh Hoffman, "The Bbc Birmingham Qur'an Facts Fiasco" https://rjosephhoffmann.wordpress.com/2015/07/23/the-bbc-birmingham-quran-facts-fiasco/.

[491] O Dr. Gerd Puin, um dos únicos estudiosos ocidentais a ter acesso ao Alcorão de Sana'a, continuou sua carreira como um dos mais importantes estudiosos revisionistas do início da história islâmica. Veja, por exemplo: Ohlig and Puin, The Hidden Origins of Islam: New Research into Its Early History.

[492] "Birmingham Qur'an Manuscript Dated among the Oldest in the World," University of Birmingham https://www.birmingham.ac.uk/news/latest/2015/07/quran-manuscript-22-07-15.aspx.

[493] Birmingham Mail, "Worldwide Media Frenzy as 'Oldest Koran' Found Lying Forgotten at University of Birmingham," https://www.birminghammail.co.uk/news/midlands-news/worldwide-media-frenzy-oldest-koran-9710028.

[494] Ainda não foi definitivamente determinado se os fólios de Birmingham contêm um “palimpsesto” (ou seja, uma camada de texto sob a visível). Ver: Joseph Hoffman, "Revisiting the Birmingham Qur'an Debacle" https://rjosephhoffmann.wordpress.com/2015/07/26/update-on-the-birmingham-quran-debacle/.

[495] Huffington Post, "Birmingham Koran Carbon Dating Reveals Book Is Likely Older Than Prophet Muhammad," http://www.huffingtonpost.co.uk/2015/09/01/birmingham-koran-carbon-test_n_8071696.html.

[496] Wesley Huff, "The Birmingham Quran Folios and a Brief Synopsis of Its Impact on Islam," https://www.academia.edu/22160060/The_Birmingham_Quran_Folios_and_a_Brief_Synopsis_of_its_Impact_on_Islam.

[497] G.S. Reynolds, The Qur'an and Its Biblical Subtext (Taylor & Francis, 2010). 181

[498] Hoffman, "The BBC Birmingham Qur'an Facts Fiasco ".

[499] Huff, "The Birmingham Quran Folios and a Brief Synopsis of Its Impact on Islam".

[500] Para uma discussão muçulmana sobre o papel de Aisha como uma ‘estudiosa de hadith’, veja: R. Haylamaz, Aisha: The Wife, the Companion, the Scholar (Tughra Books, 2013).

[501] Sunan Ibn Majah, Volume 3, Livro Hadith 1944. Disponível online em: https://sunnah.com/urn/1262630

[502] Sahih Bukhari Volume 8, Livro 82, Hadith 817. Disponível online em: https://sunnah.com/bukhari/86/57

[503] Sahih Bukhari Volume 8, Livro 82, Hadith 816. Disponível online em: https://sunnah.com/bukhari/86/56

[504] C. Çakmak, Islam: A Worldwide Encyclopedia (ABC-CLIO, 2017).

[505] Qu’ran 4:157. The Quran: English Meanings and Notes. Al-Muntada Al-Islami. Disponível no original em árabe e várias traduções em inglês em www.quran.com/4/157

[506] Brown, A New Introduction to Islam. 124

[507] M. Hattstein and P. Delius, Islam: Art and Architecture (Könemann, 2000). 64

[508] O texto completo da inscrição na parede interna diz o seguinte: “Ó povo do livro, não ultrapasse os limites de suas religiões e não fale sobre Deus, exceto a verdade. De fato, o Messias Jesus, filho de Maria, foi um enviado de Deus e sua palavra concedida a ela, bem como um espírito vindo Dele. Portanto, creia em Deus e em Seus enviados e não diga 'Três'. Desista, é melhor para você. Pois, de fato, Deus é um Deus, glória a Ele que ele deve ter um filho. A ele pertence o que está no céu e o que está na terra e lhe basta ser guardião. O Messias não despreza ser um servo de Deus. Nem os anjos mais próximos a Ele. Aqueles que desdenham de servi-lo e que são arrogantes, ele reunirá a todos para si. Abençoado sejais vós enviado e vosso servo Jesus, Filho de Maria, e que a paz esteja com Ele no dia do nascimento e no dia da morte e no dia em que for ressuscitado Este é Jesus Filho de Maria. Esta é uma palavra de verdade na qual eles duvidam. Não cabe a Deus ter um filho. Glória seja sobre ele quando ele decreta uma coisa. Ele só diz 'Seja' e é. Na verdade, Deus é meu Senhor e vosso Senhor, portanto, servi-O, este é o caminho reto." Brown, A New Introduction to Islam. 124

[509] White, What Every Christian Needs to Know About the Qur'an. 141

[510] Brown, A New Introduction to Islam. 124

[511] John Ernest Merril, "Of the Tractate of John of Damascus on Islam," The Muslim World XLI (1951). pages 88-89

[512] Qur’an 8:31. The Quran: English Meanings and Notes. Al-Muntada Al-Islami. Disponível no original em árabe e várias traduções em inglês em www.quran.com/8/31

[513] E há entre eles os que vêm escutar-te; mas cobrimos-lhes o coração com véus e colocamos-lhes pesos nos ouvidos para que não compreendam. Ainda que vejam todos os sinais, não acreditarão. E quando discutem contigo, proclamam: “Fábulas dos tempos antigos!” Alcorão 6:25. The Quran: English Meanings and Notes. Al-Muntada Al-Islami. Disponível no original em árabe e várias traduções em inglês em www.quran.com/6/25

[514] Mingana, "Syriac Influence on the Style of the Kur'an."

[515] Ibn Warraq, Christmas in the Koran: Luxenberg, Syriac, and the near Eastern and Judeo-Christian Background of Islam. 391-410

[516] Luxenberg, Syro-Aramaic Reading of the Koran: A Contribution to the Decoding of the Language of the Koran.

[517] O trabalho de Ibn Warraq 'Christmas in the Qur'an' é uma elaboração adicional sobre o trabalho de Luxenberg e contém uma excelente coleção de ensaios que testam e essencialmente provam as teorias de Luxenberg. Ver: Ibn Warraq, Christmas in the Koran: Luxenberg, Syriac, and the near Eastern and Judeo-Christian Background of Islam.

[518] Qur’an 8:21-51. The Quran: English Meanings and Notes. Al-Muntada Al-Islami. Disponível no original em árabe e várias traduções em inglês em www.quran.com/5/21 ff.

[519] J.L. Grishaver, Make a Midrash out of Me: From Chaos to Egypt (Tora Aura Productions, 2004). 44

[520] P.W. van der Horst, Studies in Ancient Judaism and Early Christianity (Brill, 2014). 3

[521] A fim de ilustrar o quanto o Alcorão se baseia na Mishnah para contar esta estória, o texto Judaico é reproduzido abaixo com as referências correspondentes do Alcorão entre parênteses. "E Haran morreu em frente de Terá, seu pai R. Hiyya, neto de R. Ada de Yafo [disse]: Terá era um idólatra (Alcorão 21:51). Um dia ele saiu a algum lugar (Alcorão 21:57), e deixou Abraão encarregado de vender [os ídolos]. Quando chegava um homem que queria comprar, ele dizia: "Quantos anos tem"? [O cliente] responderia: "Cinquenta ou sessenta anos de idade". [Abraão] diria: "Ai do homem que tem sessenta anos de idade e deseja adorar algo com um dia de idade". [O cliente] ficaria envergonhado e partiria. Um dia veio uma mulher, carregando na mão um cesto de farinha fina. Disse ela: "Aqui, oferece-a diante deles". Abraão pegou um pau, e esmagou todos os ídolos, e colocou o pau na mão do maior deles (Alcorão 21:58 ). Quando o seu pai chegou, disse-lhe: "Quem lhes fez isto"? (Alcorão 21:59) [Abraão] disse: "Será que eu esconderia alguma coisa do meu pai? veio uma mulher, carregando na mão um cesto de farinha fina. Ela disse: "Aqui, oferece-a diante deles". Quando a ofereci, um deus disse: "Comerei primeiro", e outro disse: "Não, eu comerei primeiro". Depois o maior deles levantou-se e esmagou todos os outros. (Alcorão 21:63) [O seu pai] disse: "Estás zombando de mim? Será que eles sabem alguma coisa?". Respondeu [Abraão]: Será que os teus ouvidos não ouviram o que a tua boca está a dizer? Ele pegou [Abraão] e entregou-o a Nimrod. disse-lhe [Nimrod]: "Vamos adorar o fogo". [Abraão] disse-lhe: "Se assim for, adoremos a água que apaga o fogo". [Nimrod] disse-lhe: "Vamos adorar a água". [Abraão disse-lhe: "Se assim for, adoremos as nuvens que trazem a água". [Nimrod] disse-lhe: "Adoremos as nuvens que levam a água": "Vamos adorar as nuvens". [Abraão disse-lhe: "Se assim for, adoremos o vento que espalha as nuvens". [Nimrod] disse-lhe: "Vamos adorar o vento". [Abraão disse-lhe: "Se assim for, adoremos o homem que resiste ao vento". [Nimrod] disse-lhe: "Estás a dizer disparates; eu só me curvo ao fogo". "Atirar-te-ei para dentro dele. (Alcorão 21:68 ) "Deixai vir o Deus a Quem vos curvardes e salvai-vos dele". Haran estava lá. Ele disse [a si próprio] De qualquer modo; se Abraão for bem sucedido, direi que estou com Abraão; se Nimrod for bem sucedido, direi que estou com Nimrod. Já que Abraão entrou na fornalha e foi salvo (Alcorão 21:69 ), perguntaram [Haran]: "Com qual deles estás [aliado]"? Disse-lhes ele: "Eu estou com Abraão". Eles levaram-no e atiraram-no ao fogo e as suas entranhas foram queimadas. Ele saiu e morreu em frente de Terá, seu pai. Este é o significado do verso: E Haran morreu em frente de Terá".

[522] Qur’an 5:30-35. The Quran: English Meanings and Notes. Al-Muntada Al-Islami. Disponível no original em árabe e várias traduções em inglês em www.quran.com/5/30 ff.

[523] E. Ben-Hûrqānôs, Pirke De Rabbi Eliezer: A Critical Ed. Codex C.M. Horowitz; Includes Textual Variants from 15 Manuscripts, Notes, Commentaries and Paralells from Rabbinic Literature (Makor Publ., 1972).

[524] Qur’an 5:32. The Quran: English Meanings and Notes. Al-Muntada Al-Islami. Disponível no original em árabe e várias traduções em inglês em www.quran.com/5/32

[525] A. Rippin and J. Mojaddedi, The Wiley Blackwell Companion to the Qur'an (Wiley, 2017). 313

[526] Qur’an 27-20-40. The Quran: English Meanings and Notes. Al-Muntada Al-Islami. Disponível no original em árabe e várias traduções em inglês em www.quran.com/27/20 ff.

[527] R. Tottoli, Biblical Prophets in the Qur'an and Muslim Literature (Taylor & Francis, 2013). 61

[528] Qur’an 19:29-31. The Quran: English Meanings and Notes. Al-Muntada Al-Islami. Disponível no original em árabe e várias traduções em inglês em www.quran.com/19/29 ff.

[529] Qur’an 3:46. The Quran: English Meanings and Notes. Al-Muntada Al-Islami. Disponível no original em árabe e várias traduções em inglês em www.quran.com/3/46

[530] Anônimo, The Arabic Gospel of the Infancy of the Saviour (Library of Alexandria).

[531] A. Roberts, The Ante-Nicene Fathers: The Writings of the Fathers Down to A. D. 325, Volume VIII Fathers of the Third and Fourth Century - the Twelve Patriarchs (Cosimo Classics, 2007). 405

[532] Qur’an 3:49. The Quran: English Meanings and Notes. Al-Muntada Al-Islami. Disponível no original em árabe e várias traduções em inglês em www.quran.com/3/49

[533] Qur’an 5:110. The Quran: English Meanings and Notes. Al-Muntada Al-Islami. Disponível no original em árabe e várias traduções em inglês em www.quran.com/5/110

[534] Anônimo, The Arabic Gospel of the Infancy of the Saviour.

[535] W. Phillips, Brothers Kept Apart: Examining the Christian and Islamic Barriers That Have Divided Christians and Muslims for over 1,300 Years (iUniverse, 2009). 149

[536] Leaman, The Qur'an: An Encyclopedia. 394

[537] Qur’an 19:22-26. The Quran: English Meanings and Notes. Al-Muntada Al-Islami. Disponível no original em árabe e várias traduções em inglês em www.quran.com/19/22 ff

[538] Paul Popenoe and Henry Field, The Date Palm (Coconut Grove, Fla.: Field Research Projects, 1973). 14

[539] William St Clair Tisdall, Noble Eightfold Path (London Nabu Press, 2010). 197

[540] Qur’an 18:10-22. The Quran: English Meanings and Notes. Al-Muntada Al-Islami. Disponível no original em árabe e várias traduções em inglês em www.quran.com/18/10 ff.

[541] Ibn, Why I Am Not a Muslim. 66

[542] Qur’an 18:22. The Quran: English Meanings and Notes. Al-Muntada Al-Islami. Disponível no original em árabe e várias traduções em inglês em www.quran.com/18/22

[543] B.M. Wheeler, Moses in the Quran and Islamic Exegesis (RoutledgeCurzon, 2002). 10-36

[544] E.J. van Donzel and A. Schmidt, Gog and Magog in Early Eastern Christian and Islamic Sources: Sallam's Quest for Alexander's Wall (Brill, 2010). 58-59

[545] Andrew Michael Chugg, The Lost Tomb of Alexander the Great (London: Periplus, 2005). 168

[546] Antonio Panaino, The Lists of Names of Ahura Mazda (Yast I) and Vayu (Yast XV) (Roma: Istituto italiano per l'Africa e l'Oriente, 2002).

[547] J.M. Athyal, Religion in Southeast Asia: An Encyclopedia of Faiths and Cultures: An Encyclopedia of Faiths and Cultures (ABC-CLIO, 2015). Zoroastrianism.

[548] A única excepção é o Capítulo 9 (At-Tawba). Alguns estudiosos muçulmanos especulam que isto se deve ao fato deste capítulo estar tão centrado na guerra contra os descrentes, que não devem esperar misericórdia de Alá ou dos seus seguidores.

[549] A. Sundiata, Look Behind the Facade (Xulon Press, Incorporated, 2006). 140

[550] Há que admitir que existe um debate considerável sobre a data de composição do Dasatir. Isto não deve, contudo, diminuir o fato de que a fórmula no início dos capítulos do Alcorão se reporta às tradições mais antigas do zoroastrismo. Ver, por exemplo, o Capítulo Quatro de: A. Williams, The Zoroastrian Myth of Migration from Iran and Settlement in the Indian Diaspora: Text, Translation and Analysis of the 16th Century Qesse-Ye Sanjān 'the Story of Sanjan' (Brill, 2009).

[551] Em nome de Allah, O Clemente, o Misericordioso.

       Louvado seja Allah, O Senhor dos mundos;

       O Clemente, o Misericordioso;

       O Soberano do dia do julgamento.

       A Ti somente adoramos. Somente de Ti imploramos socorro.

       Guia-nos na senda retidão,

       A senda dos que favoreceste, não dos que incorrem na Tua ira, nem dos que estão desencaminhados.

       Qur’an 1:1-7 (Yusuf Ali). The Quran: English Meanings and Notes. Al-Muntada Al-Islami. Disponível no original em árabe e várias traduções em inglês em www.quran.com/1/1 ff.

[552] J.A. Morrow, Islamic Images and Ideas: Essays on Sacred Symbolism (McFarland, Incorporated, Publishers, 2013). 48

[553] Behramgore Tehmurasp Anklesaria, Ethics of Old Iran (Ahmedabad: Meherbanoo Behramgore Anklesaria Publication Trust, 1973). 31

[554] Qur’an 52:20. The Quran: English Meanings and Notes. Al-Muntada Al-Islami. Disponível no original em árabe e várias traduções em inglês em www.quran.com/52/20

[555] Hughes, Muslim Identities: An Introduction to Islam. 200

[556] Jamsheed K. Choksy, Evil, Good and Gender Facets of the Feminine in Zoroastrian Religious History (New York [u.a.: Lang, 2009). 73

[557] E.A. Ghareeb and B. Dougherty, Historical Dictionary of Iraq (Scarecrow Press, 2004). 81

[558] G.R. Hawting, The First Dynasty of Islam: The Umayyad Caliphate AD 661-750 (Taylor & Francis, 2002). 58

[559] M. Dumper and B.E. Stanley, Cities of the Middle East and North Africa: A Historical Encyclopedia (ABC-CLIO, 2007). 343

[560] Sawma, The Qur'an, Misinterpreted, Mistranslated, and Misread: The Aramaic Language of the Qur'an. 84

[561] A padronização do texto do Alcorão foi obviamente pensada como uma necessidade, em nome da unidade, à medida que o império muçulmano crescia. Ver: S. Wild, Self-Referentiality in the Qur'ān (Isd, 2006). 98

[562] Sawma, The Qur'an, Misinterpreted, Mistranslated, and Misread: The Aramaic Language of the Qur'an. 84