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domingo, 24 de maio de 2020

O Infanticídio cometido por Herodes e o final catastrófico de sua vida

Nascido Cristo em Belém de Judá, conforme as profecias no tempo mencionado, Herodes, ante a pergunta dos magos vindos do Oriente que queriam saber onde se achava o nascido rei dos judeus - porque tinham visto sua estrela, e o motivo de sua viagem tão longa era seu empenho em adorar como Deus ao recém-nascido -, bastante perturbado pelo assunto, como se estivesse em perigo sua soberania - ao menos era o que ele realmente pensava -, depois de informar-se com os doutores da lei dentre o povo onde esperavam que haveria de nascer o Cristo, assim que soube que a profecia de Miquéias indicava Belém, ordenou mediante um edito matar os meninos de peito de Belém e redondezas, de dois anos para baixo, segundo o tempo exato indicado pelos magos, pensando que também Jesus, como era natural, teria certamente a mesma sorte que os outros meninos de sua idade. Mas o menino, levado para o Egito, adiantou-se ao plano: um anjo apareceu a seus pais indicando- lhes de antemão o que iria acontecer. Isto é o que nos ensina a Sagrada Escritura do Evangelho. Mas, além disso, é conveniente dar uma olhada na resposta pelo atrevimento de Herodes contra Cristo e os meninos de sua idade. Imediatamente depois, sem a menor demora, a justiça divina o perseguiu quando ainda transbordava de vida e lhe mostrou o prelúdio do que o aguardava para depois de sua saída desta vida. Não é possível resumir agora as sucessivas calamidades domésticas com que se enevoou a suposta prosperidade de seu reino: os assassinatos de sua mulher, de seus filhos e de outras pessoas muito próximas a sua família por parentesco e por amizade. O que se pode supor a respeito disso deixa à sombra qualquer representação trágica. Josefo o explica extensamente em seus relatos históricos. Mas sobre como um flagelo divino o arrebatou e ele começou a morrer já desde o momento em que conspirou contra nosso Salvador e contra os demais meninos, será bom escutar as palavras do próprio escritor, que no livro XVII de suas Antigüidades judaicas descreveu o final catastrófico da vida de Herodes como segue: "A doença de Herodes fazia-se mais e mais virulenta. Deus vingava seus crimes. 

 Com efeito, era um fogo suave que não denunciava ao tato dos que o apalpavam um abrasamento como o que por dentro aumentava sua destruição; e logo uma vontade terrível de comer algo, sem que nada lhe servisse, ulcerações e dores atrozes nos intestinos, e sobretudo no ventre, com inchaço úmido e reluzente nos pés. Em torno do baixo-ventre tinha uma infecção parecida; mais ainda, suas partes pudendas estavam podres e criavam vermes. Sua respiração era de uma rigidez aguda e extremamente desagradável pela carga de supuração e por sua forte asma; em todos os membros sofria espasmos de uma força insuportável. O certo é que os adivinhos e os que têm sabedoria para predizer estas coisas, diziam que Deus estava fazendo-se pagar pelas muitas impiedades do rei. Isto é o que o autor citado anota na mencionada obra.  E no livro segundo de seus relatos históricos nos dá uma tradição parecida acerca do mesmo assunto, escrevendo assim: "Então a enfermidade se apoderou de todo o seu corpo e foi destroçando-o com variados sofrimentos. A febre na verdade era fraca, mas era insuportável a comichão em toda a superfície do corpo, as dores contínuas do ventre, os edemas dos pés, como de um hidrópico, a inflamação do baixo-ventre e a podridão verminosa de suas partes pudendas, ao que se deve acrescentar a asma, a dispnéia e espasmos em todos seus membros, ao ponto de os adivinhos dizerem que estes sofrimentos eram um castigo.

Mas ele, mesmo lutando com tais padecimentos, ainda se aferrava à vida, e esperando salvar-se imaginava curas. Atravessou o Jordão e utilizou as águas termais de Calirroe. Estas vão desaguar no mar do Asfalto, e como são doces são também potáveis.  Ali os médicos decidiram aquecer com azeite quente todo seu purulento corpo em uma banheira cheia de azeite; desmaiou e revirou os olhos, como se estivesse acabado. Armou-se grande alvoroço entre os criados, e com o ruído voltou a si. Renunciando desde então à cura, mandou distribuir à cada soldado 50 drácmas e muito dinheiro aos chefes e a seus amigos. Regressou então e chegou a Jericó, já vítima da melancolia e ameaçado pela morte. Pôs-se a tramar uma ação criminosa. De fato, fez reunir os notáveis de cada aldeia de toda a Judéia e mandou encerrá-los no chamado hipódromo. Chamando depois sua irmã Salomé e seu marido Alexandre, disse: Sei que os judeus festejarão minha morte, mas posso ainda ser pranteado por outros e ter uns funerais esplêndidos se vocês atenderem minhas ordens. “Assim que eu expirar, fazei com que cada um dos homens aqui detidos seja imediatamente cercado por soldados e fazei com que os matem, para que a Judéia inteira e cada casa, ainda que à força, chore por mim." 

 E um pouco mais adiante diz: "Depois, torturado também pela falta de alimento e por uma tosse espasmódica e abatido pelas dores, tramava antecipar a hora fatal. Pegou uma maçã e pediu uma faca, pois tinha o costume de cortá-la para comê-la. Depois, olhando em volta por medo de que houvesse alguém para impedi- lo, levantou sua mão direita com a intenção de ferir-se". Além destes detalhes, o mesmo escritor refere que, antes de morrer de todo, mandou que matasse outro de seus filhos legítimos, terceiro que somou aos outros dois já assassinados anteriormente, e no mesmo momento, de repente e entre enormes dores, expirou. Assim foi o final de Herodes, justo e merecido pelo infanticídio perpetrado em Belém por atentar contra nosso Salvador. Depois disto, um anjo se apresentou em sonhos a José, que vivia no Egito, e ordenou-lhe partir com o menino e sua mãe para a Judéia, explicando-lhe que estavam mortos os que buscavam a morte do menino, ao que acrescenta o evangelista: Porém, ouvindo que Arquelau reinava no lugar de seu pai Herodes, temeu ir para lá, mas avisado em sonhos, retirou- se para a região da Galiléia.

(História Eclesiástica. de Eusébio de Cesaréia)
Compilado por Edson Moraes

sexta-feira, 22 de maio de 2020

PIOR QUE O CORONAVÍRUS

Por Markus Steiger

Desde que a atual nova doença, o coronavírus, ou Covid-19, começou na China e logo se alastrou por todo o mundo, os noticiários relatam diariamente novos casos de contaminação no mundo inteiro e, muito pior, de pessoas perdendo suas vidas.  Os governos de diversos países tiveram que tomar decisões drásticas, como o fechamento de suas fronteiras, escolas, bares, restaurantes, proibindo eventos públicos etc.

A finalidade é de que o vírus não se alastre rapidamente, evitando assim o colapso de hospitais e centros de saúde.  Os cientistas e a indústria farmacêutica trabalham incessantemente na busca de uma vacina contra este mal que foi denominado de pandemia.  Como esta doença pode levar à morte, o homem tem medo e se sente inseguro, fazendo de tudo para não ser atingido, ou seja, ele toma providências para se livrar do perigo e não sofrer as consequências da contaminação.

Mas há algo muito pior nesta terra do que o coronavírus! Algo que desde o começo da humanidade vem sendo transmitido de ser humano para ser humano.  Algo que nasce com a pessoa e já se manifesta nos primeiros meses de vida. Este algo é o pecado e ele tem consequências muito piores do que qualquer vírus.  A Bíblia nos diz, em Romanos 6.23: “Pois o salário do pecado é a morte...”. Esta morte não é somente a morte física, mas a morte espiritual, que separou o homem de Deus. E diariamente vemos os seus efeitos nos seres humanos – mesmo agora nesta crise, onde deveríamos ser solidários, observamos pessoas comprando certos produtos em quantidades exorbitantes – não se preocupando se o outro terá acesso a estes produtos; a violência e a criminalidade aumentam. O feminicídio se alastra assustadoramente e o aborto de milhões de bebês se torna algo totalmente normal. A estrutura familiar conforme Deus planejou é atacada e sistematicamente destruída, fazendo com que crianças e jovens percam a referência e fiquem abandonados.  Milhões de pessoas morrem de fome anualmente ao redor do globo! Mas isso está tão longe de nós, a quem interessa? Busca-se o melhor para si em detrimento do próximo.  O egoísmo aumenta em nossa sociedade.

Qual é a saída? Será que o ser humano tem como se livrar do pecado e suas consequências? Há alguma força dentro do ser humano que pode mudar essa situação? Não. O homem já provou através dos séculos que não é capaz de vencer com suas próprias forças o pecado.  Assim, Deus, em seu grande amor, nos apresenta o caminho para a verdadeira solução através de seu filho, Jesus Cristo.  E ele afirma em João 3.16: “Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna”.  Claramente Deus nos mostra que há uma saída.  Sim, há a possibilidade de não sermos dominados pelo pecado.  Através de sua morte na cruz, Jesus venceu o pecado.  O problema consiste em que nós não aceitamos a solução que Deus nos apresenta.  Agimos como uma pessoa que, aconselhada pelo médico a tomar certo remédio para ser curada, ignora o conselho e por fim chega a morrer!

Hoje, não perca este convite, aceite a saída que Deus te propõe, pois “o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Romanos 6.23).  Reconheça que você lutou para mudar essa situação (da presença do pecado em sua vida), mas que não consegue vencer.  Se está nesta situação, Jesus quer transformar a sua vida.  Ele quer lhe dar uma nova vida. Uma vida de esperança da qual não se arrependerás!

Fonte: https://www.chamada.com.br/mensagens/pior_que_o_coronavirus.html

Via Nivaldo Gomes.

quinta-feira, 21 de maio de 2020

A "Mente Superior" de Einstein

Einstein obviamente acreditava em uma fonte transcendental da racionalidade do mundo. Ele a chamava de "mente superior", 
"Espírito superior infinito", "força inteligente superior" e "força misteriosa que move as constelações". Isso fica evidente em várias das suas declarações: nunca encontrei uma expressão melhor do que "religiosa" para definir a confiança racional na natureza da realidade e de sua peculiar acessibilidade à mente humana. 
Onde não há essa confiança, a ciência degenera tornando-se um procedimento sem inspiração. Se os sacerdotes lucram com isso, que o diabo cuide do assunto. não há 
remédio para isso.

Quem quer que tenha passado pela intensa experiência de conhecer avanços bem sucedidos nesta área ( ciência ) é movido por profunda reverência pela racionalidade que se manifesta em existência... A grandeza da razão encarnada em existência.

O certo é que a convicção, semelhante ao sentimento religioso, da racionalidade ou inteligibilidade do mundo, está por trás de todo trabalho científico de uma ordem superior. Essa crença firme em uma mente superior que se revela no mundo da experiência, ligada a profundo sentimento, representa minha concepção de Deus.

Todos os que seriamente se empenham na busca da ciência convencem-se de que as leis da natureza manifestam a existência de um espírito imensamente superior ao do homem, diante do qual nós, com nossos modestos poderes, devemos 
nos sentir humildes.

Minha religiosidade consiste de uma humilde admiração pelo espírito infinitamente superior que se revela nos pequenos detalhes que podemos perceber com nossa mente frágil. Essa convicção profundamente emocional da presença de um poder racional superior, que é revelado no incompreensível universo, forma minha idéia de Deus.


Antony Flew 
Provas incontestáveis de um filósofo que não acreditava em nada

Via: Eziel Ferreira

domingo, 17 de maio de 2020

O crescimento da semente de mostarda

Jesus disse: "o reino dos céus é como uma semente de mostarda, que é minúscula, mas quando cresce serve de abrigo e de descanso para muitos pássaros (Mateus 13; 31,32)"
Esta parábola certamente se aplica a uma pessoa que abraça a Jesus ; também se aplica ao cristianismo no mundo .
As raízes do cristianismo eram pequenas e modestas, um rabino itinerante pregou e fez milagres durante três anos e meio nas redondezas do subjugado Israel. E atualmente existem bilhões de cristãos espalhados por todas as nações da Terra, que professam a Cristo! Hoje são milhões de pessoas com um único objetivo de vida: seguir o Senhor.

Nos dias de Jesus, os imperadores e os governadores eram homens que detinham o poder. Mas agora seus corpos estão decompostos nos sepulcros e suas almas aguardam pelo juízo final. Hoje eles não têm mais seguidores. Ninguém presta culto a eles. Ninguém os serve ou guarda suas ordens.

Não é o que acontece com Jesus! Napoleão, que estava muito acostumando ao poder político, disse: " seria ótimo se um imperador romano pudesse governar do túmulo " ele disse ainda que era isso que Jesus estava fazendo. ( Discordamos dele, quanto à morte de Jesus; Jesus está vivo.)

 Napoleão disse: "Procurei em vão na história alguém parecido com Jesus Cristo ou alguma coisa que se assemelhe ao evangelho(...) Nações desaparecem, tronos caem, mas a igreja permanece"

James Kennedy

Via: Eziel Ferreira

Suicídio

O pecado é mencionado cinco vezes na Bíblia. Em mais de quatro mil anos de história bíblica, apenas cinco pessoas tiraram suas próprias vidas e todas estas eram más, como Judas, que vendeu o Salvador por trinta moedas de prata.
Ao contrário da história judia, muito líderes romanos cometeram suicídio. Pôncio Pilatos, os senadores Brutus e Cássio, Antônio e Cleópatra ( apesar de ela não ser uma líder romana), o imperador Nero, o filósofo estóico Sêneca, diversos gladiadores em treinamento, um imperador Adriano, e assim por diante. Durand escreveu sobre a média de vida do romano de acordo com a filosofia popular estóica que "a vida em si deveria sempre submeter-se a própria vontade do homem" Portanto, o suicídio não era incomum na roma antiga antes das influências exercidas pelo cristianismo. O cristianismo há muito tempo é inimigo do suicídio, tanto no mundo antigo quanto no mundo atual. Hoje a visão neopagã está desvalorizando a vida humana novamente. Recentemente, um dos livros mais vendidos nos EUA era um manual prático para o suicídio.

Mas a sabedoria de Deus diz: "....todos os que me odeiam amam a morte" (PV 8.36

James Kennedy

Via: Eziel Ferreira

quinta-feira, 14 de maio de 2020

Matias – o décimo terceiro discípulo

O final trágico da história de Judas Iscariotes foi o resultado de uma vida inclinada às más escolhas, pois tendo como mestre o próprio Filho de Deus, o apóstolo  preferiu viver de maneira dúbia, sendo um discípulo de Jesus, desta forma provavelmente realizou milagres em Seu nome, pois lhe fora dada pelo Mestre tal autoridade (Mt 10.8), ainda assim preferiu viver de maneira desonesta, como um ladrão (Jo 12.6), tendo a oportunidade de deixar seu nome marcado na história, de maneira positiva, por haver deixado um legado, mas seu nome tornou-se sinônimo de traidor, um  exemplo na historia a não ser seguido. Assim é correto afirmar que Judas foi vitima de suas próprias escolhas, responsável pelo caminho que voluntariamente trilhou e pelo destino que enfrentará na eternidade.

Agora os doze apóstolos levantados por Jesus estavam em onze, por esta razão havia a necessidade de nomear um substituto, que preencheria a vaga, mas que precisaria possui um requisito, a saber, ter convivido com Jesus durante todo seu ministério (At 1.21,22), esta qualificação obviamente limitaria severamente o universo da escolha. Citando o Dr. Donald Guthrie, na obra “Os Apóstolos”, Barros comenta as circunstâncias que envolveram a decisão de se preencher a lacuna deixada por Judas: “Pedro foi quem suscitou a questão e a maneira como o fez é digna de nota, uma vez que evidencia a perspectiva pela qual os discípulos viam a carreira apostólica. A esse ofício era atribuída tal importância que seu significado não podia ser dissociado nem mesmo de seu número original, estabelecido por Jesus. O fato mais significativo sobre a referência de Lucas quanto ao fim de Judas está no apelo de Pedro às Escrituras, como garantia de que aquele posto deveria ser preenchido. Pedro reconhece que aquilo que as Escrituras dizem é o que fala o Espírito. Ele, então, apela aos Salmos 69 e 109, os quais, embora de autoria atribuída a Davi, são compreendidos como a voz do Espírito. Os dois Salmos certamente não se referem ajudas, mas, uma vez que Davi representa uma alegoria do Messias, seus inimigos são identificados como tipos dos inimigos de Jesus. (...) De tal maneira estavam os apóstolos conscientes da relevância do cumprimento das Escrituras que, mesmo diante de uma eleição para tal ofício, consideravam imperativo apelar para elas, o que por sua vez demonstra a importância que atribuíam ao encargo apostólico.”

Fazendo uso das Escrituras a fim de nomear um substituto para Judas, os discípulos, que nunca haviam nomeado nenhum apóstolo, pois o próprio Jesus que os escolhera, estão agora diante de dois homens que atendiam os requisitos: José Barsabás e Matias. Os apóstolos sabiam que a escolha deveria vir da parte de Deus e não por vontade humana, por essa razão perseveraram na oração, a fim de que Deus, que enxerga o coração (1Sm 16.7) revelasse quem deveria tomar parte no ministério apostólico, sendo Matias o escolhido para tal honraria.
Matias foi o único dos apóstolos que não fora chamado diretamente por Jesus, mas sim levantado pelas mãos dos discípulos, evidentemente sob a direção de Deus. No entanto, após este privilégio seu nome não é mais citado nas páginas do Novo Testamento, dando-nos informações de seu ministério, bem como o campo missionário em que estaria levando o evangelho de Cristo, suas perseguições (todos os discípulos sofreram durante seus ministérios), suas conquistas, não há nenhuma menção de seus feitos, o que somente a eternidade revelará. Todavia, se nas Escrituras não há registros de sua obra, a tradição eclesiástica, por outro lado, traz diversas informações sobre os feitos de Matias, bem como seu martírio, por amor à Palavra de Deus.

Existem lendas medievais antigas que registraram a trajetória apostólica do substituto de Judas, o que permite ao estudante da Bíblia ter a percepção da caminhada gloriosa do décimo terceiro apóstolo. É digno de menção o fato de que muitas dessas lendas causaram algumas confusões, pois a figura de Matias em alguns casos é confundida com a de Natanael. O escritor e teólogo grego, Clemente de Alexandria, menciona que Matias na verdade era  Zaqueu, ex coletor de impostos, que se convertera no encontro com Jesus, conforme o relato de Lucas 19. Evidentemente que esta idéia não tem nenhum apoio Bíblico, logo não deve ser considerado como verdadeira.
Mas há algumas informações que nos ajudam a conhecer a origem de Matias, bem como compreender sua atuação durante o ministério de Jesus. O historiador Eusébio defende a idéia de que Matias estava entre os setenta discípulos enviados por Jesus, conforme Lucas 10.1. Dessa forma, Matias realizou milagres através da autoridade conferida por Jesus, o que o deixara ainda mais desejoso de estar perto do Mestre, nesse período é provável que os doze discípulos o conhecessem, pois ele estava acompanhando Jesus desde o batismo de João Batista. Esta possibilidade se encaixa perfeitamente no critério defendido por Pedro, que aquele que tomaria a vaga de Judas fosse uma testemunha ocular dos feitos e ressurreição de Jesus: "È necessario, pois, que dos varões que conviveram conosco todo o tempo em que o Senhor Jesus andou entre nós, começando desde o batismo de João até o dia em que dentre nós foi levado para cima, um deles se torne testemunha conosco de sua ressurreição" (At 1.21-23).

Portanto é inegável que as evidências nas Escrituras apontam que Matias andava próximo de Jesus e de seus discípulos e que embora muitos tenham abandonado o Mestre após o discurso contundente de Jesus, conforme o relato em João 6:60-69, Matias manteve-se fiel e perseverou em seguir ao Senhor. Na verdade estas experiências serviram de preparação para o momento em foco, o momento em que seria levantado como apóstolo e trilharia por lugares distantes e inóspitos. Seguindo este pensamento, Bruce propõe o perfil do décimo terceiro discípulo: 
"Como um dos primeiros seguidores de Jesus, tornou-se proeminente dentre os setenta. Ele parece ter acompanhado os doze em numerosas ocasiões e pode muito bem ter sido, a princípio, mais um dentre os discípulos de João Batista, assim como João e André. Com razão, foi eleito para ocupar o lugar de Judas imediatamente após a ascensão de Jesus. Portanto, Matias esteve presente em Jerusalém no dia de Pentecostes, participando ativamente dos turbulentos dias de expansão da igreja primitiva. Como judeu, Matias provavelmente deixou Jerusalém para dirigir-se à distante parcela judaica da diáspora" (Apud MCBIRNIE, DEBARROS 2006).
Existe uma história na igreja da Armênia de que Matias juntamente com os apóstolos André, Bartolomeu, Judas Tadeu e Simão Zelote tenham atuado naquela região, assim sendo os responsáveis por estabelecerem os alicerces daquela igreja anos mais tarde. 
Há ainda outras lendas de que Matias tenha se dirigido a região de Damasco, na Síria e outras regiões da Macedônia. Existe uma antiga citação de que após seu regresso destas regiões, Matias tenha sido apedrejado e decapitado em Jerusalém, pelos judeus, entre os anos de 61 e 64 d.C. 

Tradições sobre Matias

Uma curiosidade envolvendo a figura de Matias, é mencionada por um dos país da igreja, chamado Orígenes, que conta que em seu tempo existia um evangelho de Matias, que provavelmente seria mais um dos inúmeros livros apócrifos que se proliferaram no início da igreja primitiva. Alem deste livro, há ainda o livro de Atos de André e Matias, neste encontra-se informações que serviu como fonte informativa sobre o livro Martírio de Matias (Champlin, 2013, p.173).
A igreja Católica Romana celebra seu dia em 24 de Fevereiro e a Igreja Ortodoxa Oriental no dia 9 de Agosto.

Embora tenhamos poucas informações fidedignas acerca do apóstolo Matias, a maioria das informações estão relacionadas à lendas, certamente este anônimo discípulo contribuiu valorosamente para o crescimento do Reino de Deus e expansão do evangelho de Cristo, que embora a história não tenha registrado em documentos, a eternidade revelará.

REFERÊNCIAS

CHAMPLI, R. Norman. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, Vol.4, São Paulo: Hagnos, 2013.
DEBARROS, Aramis. Doze homens e uma missão, São Paulo: Hagnos, 2006.

Por 
Edson Moraes

domingo, 3 de maio de 2020

UM ALERTA AOS PAIS SOBRE “SOUL” O MAIS NOVO FILME DE ANIMAÇÃO DA WALT DISNEY.

“Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido. E que, desde a tua meninice, sabes as sagradas letras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus”. (2 Tm 3.14,15)
Nunca foi fácil para os pais educarem seus filhos. Os pais cristãos de hoje encontram-se em meio aos trabalhos mais exigente da história da humanidade: Como educar os filhos para que possam viver uma vida cristã à maneira de Deus. Não é mais espantoso ouvir alguém dizer ou ler em algum artigo de algum site ou revista que o nosso mundo está em constante mudança e transformação, expondo a maioria das crianças à imortalidade, às religiões ocultistas da Nova Era, sexo, drogas, gangues, ateísmo, males sociais e currículos antifamiliares e antipaternais, tanto nas escolas quanto na mídia.
Como os pais podem agir? Parece quase impossível saber como proteger nossos filhos contra as párias malignas de nossa sociedade. Tradicionalmente, a família, a religião e a escola exerciam a principal influência sobre o desenvolvimento intelectual, emocional e moral de uma criança. Hoje não é mais assim. Em termos de tempos gastos, a maior influência agora é a da Internet, da TV, acompanhada por um crescente impacto de outros meios como games, brinquedos perniciosos, desenhos e filmes de animação.
No final de 2019 terminei mais uma graduação, desta vez em “Ciências da Religião”. Por conta das orientações e de todos os protocolos a serem seguidos na colação de grau, sendo esta pela segunda vez postergada por conta da pandemia do coronavírus, tive que permanecer no grupo do WhatsApp da turma. Vez por outra alguém no grupo posta alguma coisa, mas eis que de repente alguém postou:
PREPARE SEU CORAÇÃO! Agora é a Pixar e a Walt Disney que vão mostrar como será sua desencarnação e reencarnação. “(...O Espiritismo usará a Arte para popularizar suas ideias)”.

Fiquei preocupado, já sabendo do vasto histórico de conteúdos espíritas produzidos pela Walt Disney em seus desenhos, filmes e agora em suas animações produzidas pela “Pixar Animation Studios”, decidi que deveria pesquisar sobre esse novo filme de animação. Deixando de lado a função de Cientista da Religião, assumi a postura de um estudante da Palavra de Deus e fui em buscas de mais informações. Foi aí que comecei a fazer algumas pesquisas sobre “Soul”, pra falar a verdade, as informações encontradas ainda são bastantes resumidas, mesmo assim, servem de alertas aos pais cristãos que visam criar seus filhos a maneira de Deus.
“Soul” é considerado um filme desafiador. Soul: “Uma Aventura com a Alma” é o futuro filme animado de aventura e fantasia americana produzido pela “Pixar Animation Studios” e distribuído pela Walt Disney Pictures. Segundo diversas fontes consultadas a trama vai passar na cidade de Nova Iorque e também nos chamados “Reinos Cósmicos” e promete responder às perguntas mais importantes da vida, a saber:
Já imaginou de onde vem sua paixão, seus sonhos e seus interesses? O que faz de você... VOCÊ?
Na história de Soul, Joe Gardner (voz de Jamie Foxx) é um músico que, após um acidente, se vê de volta ao estado de alma, justamente no You Seminar, lugar em que “as almas são formadas e recebem personalidades antes de serem enviadas aos corpos humanos”. Ele precisa encontrar o caminho de volta com a ajuda de uma alma jovem, 22 (Tina Fey), que não tem interesse nenhum em vir para a Terra. A equipe de Soul é liderada por Docter, Powers e pela produtora Dana Murray. Soul chegará aos cinemas em junho de 2020. A trilha sonora ficará a cargo de Trent Reznor e Atticus Ross, a dupla de A Rede Social, com músicas originais criadas por Jon Batiste.
Ao invés de levar o(s) seu(s) filho(s) para assistirem a estreia no cinema no dia 25 de junho de 2020 ao filme de animação “Soul” recheado de ensinos antibíblicos acerca da alma, sugiro que ofereça a eles algumas atividades listadas abaixo:
• Leitura da Bíblia Sagrada;
• Diálogos sobre acontecimentos;
• Brincadeiras infantis;
• Parquinho;
• Tarefa de casa;
• Responsabilidades;
• Afazeres domésticos;
• Desenho e pintura;
• Passatempos;
• Montagem de brinquedos;
• Passeios de bicicletas;
• Caminhada;
• Costura;
• Diversão familiar, etc.

A lista realmente é grande, quase interminável. Acredito que todas as atividades citadas acima contribuirão de forma positiva para o futuro de nossos filhos. Como disse Kathi Hudson: “As memórias são formadas através de atividades e experiências da vida real, não por programas de televisão, filmes e animação”. [1] (Acréscimo meu).
[1] - (HUDSON, 2004, p. 165)
Referências:
• BÍBLIA DE ESTUDO APLICAÇÃO PESSOAL, Versão (ARC). São Paulo: SBB, 1995.
• HUDSON, Kathi. Criando os Filhos à Maneira de Deus. Rio de Janeiro: Editora CPAD, 2004.
• RENOVATO, Elinaldo. Perigos da Pós-Modernidade. Rio de Janeiro: Editora CPAD, 2007.
• SENNA, Arnaldo. Alerta Geral - Seu filho pode estar brincando com perigo. Rio de Janeiro: Editora CPAD, 2011.
• VICENTE, Professor. Mensagem Subliminar: Disney. São Paulo: Editora Naós, 2002.
• SOUL Trailer Brasileiro Legendado: https://youtu.be/LtgcRXbjdNg

Por Nivaldo Gomes.

domingo, 19 de abril de 2020

A escravidão no período do Antigo Testamento

A escravidão foi uma triste realidade que ocorreu no mundo “civilizado”, até onde se sabe, abrangeu continentes como: Europa, Ásia, África e as Américas. O que se via eram homens que, em sua grande maioria, eram tratados como objetos, sem qualquer possibilidade de escolha, relegados à pura sorte e corriqueiramente espancados pelos seus senhores, como forma de punição exemplar, para os demais escravos ou por puro prazer de seus donos. De acordo com Hunt (2016) que traz um trecho da autobiografia de um escravo fugitivo, chamado Frederick Douglas, onde ele conta a brutalidade de seu dono, para com seus escravos: “Ele era um homem cruel, endurecido por uma longa vida como proprietário de escravos. Ele às vezes parecia ter grande prazer em chicotear um escravo. Eu acordava com freqüência ao amanhecer com os gritos comoventes de minha própria tia, a quem ele costumava amarrar ao poste e chicotear suas costas nuas até ela estar literalmente coberta de sangue. Nem palavras, nem lágrimas ou orações de sua vitima ensangüentada parecia mover seu coração de ferro”. Esta triste situação era a realidade de muitos escravos, na trajetória da escravidão, em todos os tempos. 
Inclusive no período do Antigo Testamento, as nações vizinhas de Israel aderiam à escravidão, embora houvessem algumas leis quanto a forma que o escravo deveria ser tratado, em sua grande parte tais leis não davam qualquer amparo ao escravo, antes protegia seu senhor, que poderia inclusive decepar seus membros, em punição a sua desobediência, como por exemplo o código de Hamurabi, que permitia que os senhores cortassem as orelhas de um escravo em caso de desobediência. Estas práticas eram comum ás nações que rodeavam o território de Israel.
Sabendo dessa prática abominável, Deus fez questão de estabelecer leis e estatutos para coibir que tais atrocidades fossem cometidas pelo seu povo, que tinha em seus vizinhos péssimos modelos á serem seguidos. As leis que tratam da escravidão nas Escrituras, diferem completamente do contexto social das demais nações do Antigo Oriente, que tratavam os escravos sem qualquer apreço, já no território dos Israelitas havia a valorização á dignidade do homem, algo impensável nas demais nações.
O conceito de escravidão que temos secularmente, em nada se assemelha ao estabelecido por Deus para seu povo, na realidade o que ocorria  era uma espécie de serviço contratado, que funcionava da seguinte maneira: certo individuo estava endividado e como não tinha recursos para pagar, ele voluntariamente se tornava um servo, a quem muitos interpretam como escravos, que ficaria responsável por realizar algumas determinações de seu senhor, como cuidar das ovelhas, cozinha, ser o mordomo da casa, entre outras funções. Vemos esta realidade no episódio em que Jacó trabalha voluntariamente para Labão, a fim de casar-se com sua filha (Gn 29.29). De modo que trabalhou por sete anos para finalmente alcançar o premio. Neste ínterim, Jacó tinha casa e comida, ou seja, o serviço contratado em Israel, servia para amparar o necessitado, de modo que não passasse privações ou mesmo fome.  Tais atribuições são extremamente opostas as condições desumanas que[as demais nações tratavam seus empregados.

O cuidado com os desfavorecidos

Alguns textos servem para amparar aqueles que se encontram numa situação financeira critica que por este motivo apelam para o serviço voluntário, a fim de quitar suas dividas e não sucumbir de fome. Em Levítico 25.47: “E teu irmão, que está com ele empobrecer, e vender-se ao estrangeiro ou peregrino que está contigo”. Este ato voluntário de se vender servia para proteger o individuo e sua família, que poderia sofrer represálias, devido a divida do chefe de família que não poderia pagar, ou seja, a servidão não era algo imposto, mas por livre escolha o individuo se tornava servo de outrem. Logo, podemos ver que uma das ramificações do trabalho considerado, por muitos, como escravo em Israel, estava distante da horrenda realidade das demais nações circunvizinhas. 
Outro ponto muito importante nesta prestação de serviço era que após o pagamento da dívida o servo estava livre de seu vinculo com seu senhor, passando agora a desfrutar normalmente de sua vida, podendo buscar seus próprios meios para manter-se. Isto graças ao cuidado de Deus com os desfavorecidos, que mesmo quando eram servos, tinham sua dignidade preservada, onde jamais o senhor poderia maltratar seu servo, conforme Levítico 25.53: “Mas enquanto estiver vendido ao estrangeiro, deverá ser tratado como um trabalhador contratado anualmente; não deixem que o proprietário o trate com impiedade”. Algo fora de cogitação nas demais nações, onde os senhores tinham domínios sobre os escravos em todas as fases de sua vida.
Havia um contraste muitos grande entre as formas de tratamento entre os Israelitas e as demais nações, no tocante aos servos/escravos. Enquanto as nações procediam com os escravos como propriedade, possuindo domínio total e absoluto, destituindo-o por completo de sua identidade, isso abrange: sua raça, família e sociedade, do lado do povo escolhido por Deus a metodologia era o oposto. Sobre as leis de servidão em Israel, podemos afirmar que: “As leis de servidão que vigoravam em Israel estavam preocupadas em controlar ou regular – não idealizar – um acordo de trabalho inferior. A servidão em Israel foi induzida pela pobreza, se entrava voluntariamente e estava longe de ser ideal. O objetivo dessas leis era combater abusos potenciais, não institucionalizar a servidão” (HUNT, 2016, p.144). Sendo assim, estas leis tinham por objetivo proteger aos que necessitavam aderir a esta modalidade, que entravam em vigência, por um período de tempo. O desejo de Deus era de que não houvesse pobres em Israel, por essa razão, instituiu leis que permitiam a servidão para amparar os pobres da nação.
No Antigo Testamento é possível perceber que os servos eram tratados como seres humanos que possuíam direitos garantidos em lei, por outro lado, as nações do Antigo Oriente não possuíam esta visão, dessa forma os escravos eram marcados e tatuados, contra sua própria vontade, uma violação total aos direitos e a dignidade, algo restritamente proibido por Deus.
Portanto vimos que os serviços realizados em Israel, durante o Antigo Testamento, em nada se assemelham com as atrocidades cometidas pelas nações que cercavam os limites dos descendentes de Abraão, pois as leis hebraicas foram estabelecidas por Deus, que tinha como propósito amparar e cuidar dos pobres e necessitados, uma vez que a servidão em Israel preservava os direitos e, sobretudo a honra dos servos que aderiam a esta categoria de serviço.

Por Edson Moraes.

sábado, 18 de abril de 2020

A "MENTE SUPERIOR" DE EINSTEIN

Einstein obviamente acreditava em uma fonte transcendental da racionalidade do mundo, que ele chamava de "mente superior", "espírito superior infinito", "força inteligente superior" e "força misteriosa que move as constelações". Isso fica evidente em várias de suas declarações:

Nunca encontrei uma expressão melhor do que "religiosa" para definir a confiança na racional natureza da realidade e de sua peculiar acessibilidade à mente humana. Onde não há essa confiança, a ciência degenera, tornando-se um procedimento sem inspiração. Se os sacerdotes lucram com isso, que o diabo cuide do assunto. Não há remédio para isso.

Quem quer que tenha passado pela experiência de conhecer bem-sucedidos avanços nesta área (ciência) é movido por profunda reverência pela racionalidade que se manifesta em existência... a grandeza da razão encarnada em existência.

O certo é que a convicção, semelhante ao sentimento religioso, da racionalidade ou inteligibilidade do mundo, está por trás de todo trabalho científico de uma ordem superior. Essa crença firme em uma mente superior que se revela no mundo da experiência, ligada a profundo sentimento, representa minha concepção de Deus.

Todos os que seriamente se empenham na busca da ciência convencem-se de que as leis da natureza manifestam a existência de um espírito imensamente superior ao do homem, diante do qual nós, com nossos modestos poderes, devemos nos sentir humildes.

Minha religiosidade consiste de uma humilde admiração pelo espírito infinitamente superior que se revela nos pequenos detalhes que podemos perceber com nossa mente frágil. Essa convicção profundamente emocional da presença de um poder racional superior, que é revelado no incompreensível universo, forma minha idéia de Deus.

Trecho do livro "Um Ateu Garante: Deus Existe" de Antony Flew, um dos maiores ateus do século 20. Páginas 75 e 76.

Enviado por Sandro Nascimento.

quinta-feira, 2 de abril de 2020

REPÚBLICA DO IRÃ COMPLETA 41 ANOS

IGREJA PERSEGUIDA NO PAÍS LUTA CONTRA A HOSTILIDADE E CUMPRE A MISSÃO DE SER BÊNÇÃO NA CRISE DA COVID-19

Há 41 anos, a República Islâmica do Irã foi proclamada. Acabava o reinado do xá Reza Pahlevi e começava o governo do aiatolá Ruhollah Khomeini. As mudanças no território foram profundas, já que tudo no país deveria ser de acordo com os padrões religiosos do islamismo. Era tempo de aumentar a perseguição àqueles que não professavam a fé em Alá e no profeta Maomé. Os cristãos passaram a ser vistos como traidores por terem a mesma fé dos norte-americanos.

Hoje, o país está em 9º lugar na Lista Mundial da Perseguição 2020, com 85 pontos, resultantes da paranoia ditatorial, opressão islâmica, corrupção e crime organizado. A prisão é um dos locais reservados para os seguidores de Jesus pois são considerados uma ameaça à segurança nacional. Porém, em março de 2020, muitos foram libertados graças à decisão do governo com medo das consequências do contágio da COVID-19 nas penitenciárias insalubres do país. Muitos dos que tinham penas mais curtas puderam abraçar as famílias antes do esperado, outros continuaram presos com um alto risco de contágio, já que ficaram doentes por causa dos maus-tratos nas prisões.

No dia 20 de março, o governo do Irã confirmou que quase 20 mil pessoas estavam infectadas pelo coronavírus, com mais de 1.400 mortes. Porém, o vice-ministro da Saúde, Alireza Raisi, confirmou a recuperação de 6.745 pacientes, distribuídos em 13 províncias. O líder reconheceu que a COVID-19 exigia a união de todos para resguardar a saúde das pessoas e até das empresas no país. Agradeceu aos profissionais de saúde e comparou a pressão atual com as sanções impostas pelos Estados Unidos, desde 2018.  

A Portas Abertas convida os cristãos brasileiros a interceder pelo Irã nesta data especial. Principalmente pela Igreja Perseguida no país, que mesmo enfrentando perseguição social e governamental, ainda cumpre o chamado de ser luz em meio às trevas. Uma das maneiras encontradas é ajudando os mais necessitados nos tempos do coronavírus. Uns passaram a distribuir alimentos para idosos e demais pessoas vulneráveis; dessa forma fazem mais do que pregar o cuidado de Jesus, são canal da graça divina.

Outros assistem crianças pobres com produtos de higiene. “Costumávamos mobilizar voluntários para fazer sanduíches e alimentar as crianças de rua que tentam ganhar o sustento para as famílias. Mas, após o surto, tivemos que priorizar o fornecimento de máscaras e desinfetantes em gel para ajudá-las a ficarem seguras”, finalizou um líder cristão.

Fonte: www.portasabertas.org.br
Acessado em 01/04/2020

Por Nivaldo Gomes.

segunda-feira, 30 de março de 2020

Operação tapete mágico


Uma das mais extraordinária operação de imigração dos tempos modernos realizou-se em 1948, foi denominada tapete mágico, e transportou dezenas de milhares de judeus para Israel, todos procedentes do Iêmen, pequeno país situado na extremidade sul da Arábia junto ao mar vermelho, a história desse povo é fascinante, acredita-se que muitos deles tenha migrado para o Iêmen nos dias do rei Salomão, e fontes fidedignas confirmam a continuidade deles naquele país desde os primeiros séculos do cristianismo.

Durante todo esse longo tempo nunca viram Automóvel, um Trem de ferro, um Avião, a luz elétrica ou qualquer invento moderno, toda sua cultura consistia em saber de cór o Antigo Testamento, também haviam copiado a Bíblia à mão de Gênesis a Malaquias da mesma maneira como fazia os escribas dos dias de Jesus, quando cometiam qualquer erro, por menor que fosse, todo manuscrito era inutilizado e a tarefa recomeçada a cópia tinha que ser absolutamente perfeita. enquanto viveram no Iêmen esses israelitas sofreram todo tipo de opressão por estarem sempre sujeitos às mudanças da política local, em algumas épocas a situação desses judeus foi comparada a dos escravos, em 1846 por exemplo: Eles foram obrigados a limpar os esgotos da cidade de Santana enquanto em 1921 um decreto determinava a conversão dos órfãos judeus ao islamismo, como se isso não bastasse não podiam usar roupas finas nem usar meias, era-lhes proibido possuir armas e estudar a Torá fora da sinagoga, era um verdadeiro milagre que conseguissem ganhar a vida como ourives, tecelões, ferreiros, marceneiro e mascates. Nessas condições de pobreza geral e de repetidas humilhações não é de admirar que os movimentos messiânicos florescessem sendo reprimido duramente pelos governantes da época, contudo os pseudos-messias continuaram a entusiasmar a população até o século XIX. Os primeiros imigrantes do Iêmen que chegaram a Israel pareciam seres vindos de outro mundo, em lugar nenhum durante todo exílio do povo judeu as antigas tradições tinham sido preservadas tão fielmente como entre eles, desde que os primeiros núcleos se estabeleceram no Iêmen na época do segundo templo ali viveram virtualmente isolados de qualquer influência cultural externa, imprensados entre os conquistadores otomanos e a população Árabe do Iêmen. Foram excluídos, por lei determinatórias, da sociedade mulçumana dominante, embora perseguidos pelo mundo exterior, dentro da sua comunidade mantinham com toda pureza todos ensinamentos e os hábitos transmitidos de pai para filhos desde os dias em que o sinédrio tinha sua sede em Jerusalém.

Ao tomarem conhecimento da criação do estado de Israel em 1948 os dirigentes Iêmenitas organizaram um grande êxodo da Arábia para Palestina, o primeiro ministro de Israel (David Ben-Gurion) pediu auxílio ao governo Americano o qual enviou Aviões comerciais ao Aeroporto de Adem de onde, controlados pelos ingleses, levaram os judeus Iêmenitas para sua pátria. O único meio possível para chegar ao Porto de Adem era a pé, e assim fizeram, alguns deles caminharam 1500 KM atravessando desertos e montanhas. Em certas ocasiões andavam debaixo de temperaturas escaldantes, noutras sobre temperaturas frigídas muito abaixo de zero.
O governo de Israel enviou pessoal e equipamento para filmar este grande êxodo, ouviam-se as crianças gritar por água, umas tropeçando outras caindo, mas podia ouvir também os Rabi que em tom vibrante estranho dizia: dai mais um passo filhinhos, nós vamos a caminho da pátria para encontrar o Messias, dificilmente eles punha o pé na frente do outro, mas mesmo tropeçando prosseguiram.

Ao chegarem a Adem e verem aquelas enormes aves enviadas pelo governo israelense para transportarem para sua antiga terra, os judeus Iêmenitas se recusaram a entrar nelas, então seus Rabis leram a profecia de Isaías acerca do futuro retorno dos filhos de Israel.       (Quem são estes que vêm voando como nuvens, e como pombas às suas janelas? Is: 60;8.)
Depois de explicarem que Deus os mandaria buscar e levar a pátria em asas de águias os judeus Iêmenitas subiram resolutamente para os aviões sem qualquer receio.

Em 450 vôos a Operação tapete mágico transportou cerca de 70.000 israelitas, e muitos deles ao chegarem em Israel beijaram o solo e perguntaram: onde está o Messias?.

Abraão de Almeida

Compilação: Eziel Ferreira

sábado, 28 de março de 2020

Evidências arqueológicos que atestam à veracidade do Pentateuco

Parte 1

A arqueologia à serviço da Bíblia

Não é de hoje que algumas passagens Bíblicas são postas sob questionamentos, principalmente ao mencionar cidades, povos ou até mesmo certos personagens que não constam em outros documentos de suas respectivas épocas, nem tampouco sejam mencionados por historiadores posteriores. Embora isto não seja razão para se duvidar da veracidade escriturística da Bíblia, tais passagens tornam-se um prato cheio para os céticos e críticos que buscam lacunas para por incertezas na mente dos leitores, quanto a confiabilidade que se deve atribuir à Palavra de Deus. Mas felizmente existe uma ciência, que embora não seja Cristã, corrobora com as narrativas mencionadas nas Escrituras, a saber, a arqueologia, que graças aos esforços em busca da verdade, por parte de seus arqueólogos, trazem a tona evidencias que até então eram desconhecidas aos homens, registradas apenas na Bíblia, mas que agora ganham um novo aliado, que  através de seus achados arqueológicos, calam as bocas daqueles que duvidavam do relato Bíblico. Sobre a utilidade da arqueologia, assim falou o escritor inglês John Elder: “Não é exagero dizer que foi o surgimento da ciência da arqueologia que rompeu o entrave entre os historiadores e cristãos ortodoxos., pouco a pouco uma cidade após a outra, uma civilização após a outra, uma cultura após a outra, cujas memórias eram apenas guardadas na Bíblia, foram restauradas a seu lugar apropriado na historia antiga pelos estudos de arqueólogos, [...] Os registros contemporâneos de eventos Bíblicos são descobertos e a singularidade da revelação Bíblica é enfatizada pelo contraste e pela comparação com religiões recém-descobertas de povos antigos. Em momento algum, as descobertas arqueológicas refutam a Bíblia como história.

Durante os séculos XVIII e XIX, sobretudo durante o período do iluminismo, nunca a Bíblia foi tão afrontada quanto a Sua autenticidade, principalmente nos textos que não tinham apoio de documentos históricos, onde os cristãos ortodoxos eram continuamente postos à prova, a fim de contestarem aos argumentos críticos que lhes eram lançados, embora os cristãos não possuíam o conhecimento que hoje desfrutamos graças as descobertas arqueológicas que se seguiram nos séculos posteriores. Graças a arqueologia, muitos pontos que outrora foram motivos de questionamentos, hoje são motivos de argumentos. Na obra A Bíblia e a arqueologia, assim escreveu J. A. Thompson: “Finalmente, é perfeitamente verdade dizer que a arqueologia Bíblica tem feito muito em corrigir a impressão em voga no final do século passado e a primeira parte deste século de que a história Bíblica foi objeto de duvidas em muitos lugares. Se hoje, uma impressão destaca-se mais claramente que outra é que se admite em todos lugares a completa historicidade da tradição do Antigo Testamento."

Neste artigo nos limitaremos a falar sobre o Pentateuco (Gênesis a Deuteronômio) livros cuja autoria nos conduz à Moisés (Cf. Ex 17.14; Nm 33.1,2; Dt 31.9; 2 Rs 21.8; Mt 19.7), mas que são alvos de muitas criticas textuais e históricas por parte dos incrédulos teólogos, adversários da fé Cristã. O propósito neste registro é de expor as evidências documentais, encontradas através do esmero da arqueologia, dessa forma o leitor poderá fazer uso das comprovações e argumentos aqui mencionados, com isso terá em mãos sólidas ferramentas com as quais poderá destruir as alegações descabidas por parte dos críticos.

Evidencias arqueológicas – Havia escrita no período de Moisés?  

Um dos argumentos comumente utilizados, que põem em dúvida a autoria de Moisés quanto ao Pentateuco era de que a escrita era desconhecida em Israel antes do período da monarquia, regida pelo rei Davi. Dessa forma não seria possível atribuir ao profeta Moisés o titulo de autor, já que em sua época, não havia escrita.
Este argumento que parece ser coerente demonstra-se fraco, sendo confrontado pela arqueologia. Há pelo menos três artefatos arqueológicos, que destroem a falácia acima mencionada, veremos um a um.

1º O documento hebraico mais antigo descoberto até agora é o calendário de Gezer, escrito em cerca de 925 a.C. (descoberto por Macalister no séc.XX). Mas, visto ser obviamente um mero exercício escolar, ele demonstra que a arte de escrever era tão bem conhecida e amplamente praticada em Israel durante o século X que essa habilidade era ensinada até mesmo às crianças nas províncias. 

2º As tábuas ugarísticas ou de Ras Xamra (descobertas por Schaeffer em 1929) datam cerca de 1400 a.C. Elas foram escritas em um alfabeto de trinta letras e expressas em uma linguagem relacionada mais perto com o hebraico que qualquer outro dialeto semítico conhecido. Elas consistem principalmente de poesia épica religiosa referente a deidades, com El, Baal, Anate, Astarote e Mot, e revelam o politeísmo depravado que caracterizava os Cananeus da época da conquista israelita [...] Eles também fornecem muitos paralelos aos clichês poéticos e expressões características encontradas nas porções poéticas do Pentateuco e de Salmos. Eles referem-se ao fato de a casa de Baal estar situada “sobre o monte de sua herança”, o que se aproxima muito de Êxodo 15.17 com sua expressão: “No monte da tua herança”.

3º Antes mesmo da literatura de Ras Xamra, aconteceu a classificação das inscrições alfabéticas encontradas nas minas de turquesa de Serabit-el-Hkadim (antiga Dofca), datando de 1.500 a.C. o mais recente. Essas inscrições em hieróglifo (descobertas por Petrie, em 1904) exibem um sistema alfabético fenício. A inferência natural é que, já naquela época, a escrita estava tão difundida entre os semitas da era pré-mosaica que até mesmo as classes mais inferiores da sociedade sabiam ler e escrever.

Evidencias arqueológicas – Abraão realmente existiu? Sua trajetória mito ou verdade?

Os relatos de Gênesis a respeito da trajetória seguida por Abraão e seus descendentes não são confiáveis e, com freqüência, não são históricos. Esses são os argumentos utilizados por estudiosos do Antigo Testamento, como Noldeke, que chega a negar a existência histórica de Abraão.
No entanto a partir do século XX muitos sítios arqueológicos foram desenterrados e colocaram à luz abundantes confirmações de registros Bíblicos, através das descobertas arqueológicas. No tocante a Abraão poderíamos citar ao menos 9 achados históricos que autenticam a existência de Abraão, comprovando assim a veracidade das Escrituras, mas mencionaremos apenas os quatro mais relevantes.

1º A cidade de Ur no sul da Suméria, foi totalmente escavada por Leonard Wooley (1922-1934), e essa civilização avançada provou ter sido uma grande e florescida cidade por volta de 2000 a.C. que seria precisamente o período de Abraão. Os cidadãos comuns de classe média viviam em casas bem equipadas contendo de dez a vinte cômodos. Eram mantidas escolas para a educação de jovens, pois foram descobertas tábuas de alunos de colégio, provando o treinamento deles em leitura, escrita, aritmética e religião.

2º Os estudiosos mais antigos criticavam Genesis 13 como anistórico com base no fato de que o vale do rio Jordão era relativamente desabitado na época de Abraão. Mas, em décadas recentes, Nelson Glueck descobriu mais de setenta sítios arqueológicos no vale do Jordão, alguns dos quais tão antigos quanto 3000 a.C. 

3º O código legal heteu (descoberto por Winckler, em Hattusas ou Boghazkoy, em 1906-1912, datando cerca de 1.300 a.C.) esclarece a transação registrada em Gênesis 23, na qual Abraão comprou a cova em Macpela de Efrom. A lei heteia explica a relutância de Abraão em comprar o campo inteiro e sua preferência por adquirir só a própria cova e o território imediatamente adjacente. A lei exigia que o proprietário de uma extensão de terra inteira executasse as obrigações de Ilku ou serviço feudal, responsabilidade que, sem duvida, incluía a observância de religião pagã. Abraão, como adorador de Jeová, estava bem consciente para preferir evitar esse envolvimento comprando apenas uma fração da extensão de terra inteira, deixando assim, Efrom responsável por executar Ilku como proprietário original do campo.* O relato de Gênesis 23 revela conhecimento intimo do procedimento heteu para garantir que o episódio é anterior à destruição do poder dos heteus no século XIII.

4º As referencias a camelos como inclusos na rotina de Abraão com a criação (Gn 12.16) e a empregada por seu servo que conduziu a Rebeca (Gn 24.10, 14, 19, 20), foram debatidas por muitos arqueólogos, que os consideraram como floreios anacrônicos, feitos nos séculos posteriores. Semelhantemente, a menção a camelos empregada pelos mercadores de escravos que compraram José quando iam para o Egito (Gn 37.25). Essa dedução foi extraída da falta de clara referência extrabíblica a camelos antes do século XII nas descobertas arqueológicas feitas antes dos anos de 1950. Kenneth Kirchen observa que, até mesmo sem uma provável alusão do século XVIII a uma lista de alimentação de Tell Atshana, há indubitavelmente, referência a domesticação de camelos em algumas das listas lexicais do antigo período babilônico (2000-1700 a.C). No século XVIII foram encontrados ossos de camelos enterrados embaixo de uma casa de Mari. Descobertas semelhantes foram feitas em sítios arqueológicos palestinos em níveis datando de 2.000 a.C. em diante. De Biblos, na Fenícia, veio uma estatueta de camelo incompleta datando do século XIX ou XVIII. Forbes menciona um vaso dinástico de pedra calcária anterior, modelado como camelo; também foram descobertas cerâmicas com cabeças de camelo de hieraconpólis. Oppenhelm encontrou em Gozan (Tell Halaf) um ortóstato de um cavaleiro de camelo armado, datado de 3.000 a.C. ou pelo menos do inicio do terceiro milênio. Mais uma vez o registro do Antigo Testamento prova ser totalmente digno de crédito e um relato histórico, a despeito da falta temporária de confirmação arqueológica.

Portanto diante das provas arqueológicas aqui expostas, vimos que a arqueologia serviu de maneira categórica, no tocante a confirmação dos relatos Bíblicos, provando sua autenticidade, que embora não se faz necessário nenhuma prova cientifica para crermos em sua totalidade, as evidências servem como ferramentas para os teólogos ortodoxos silenciarem os céticos e opositores das Escrituras. Estas provas históricas mostram apenas uma verdade: Não há nenhum erro histórico ou geográfico na Bíblia, embora não seja um livro de história ou geografia, cada relato que nela consta é digna de total aceitação.

Fonte
Panorama do antigo testamento. Gleason L. Archer Jr.

Por 
Edson Moraes

quinta-feira, 26 de março de 2020

AS TRÊS PARTES DA MORAL

Conta-se a história de um garoto a quem perguntaram como achava que Deus era. O garoto respondeu que, pelo que era capaz de compreender, Deus era "o tipo de pessoa que está sempre xeretando a vida dos outros para ver se alguém está se divertindo e tentai' acabar com isso". Infelizmente, parece-me que é essa a idéia que um número considerável de pessoas faz da palavra "Moral": algo que se intromete em nossa vida e nos impede de ter momentos agradáveis. Na realidade, as regras morais são como que instruções de uso da máquina chamada Homem. Toda regra moral existe para prevenir o colapso, a sobrecarga ou uma falha de funcionamento da máquina. E por isso que essas regras, no começo, parecem estar em constante conflito com nossas inclinações naturais. Quando estamos aprendendo a usar qualquer mecanismo, o instrutor vive dizendo "Não, não faça isso", porque existem diversas coisas que, embora pareçam muito naturais e até acertadas na forma de lidar com a máquina, na verdade não funcionam.

Certas pessoas preferem falar de "ideais" morais em vez de regras morais, e de "idealismo" moral em vez de obediência. Ora, é certo que a perfeição moral é um "ideal", na medida em que é inalcançável. Nesse sentido, toda perfeição é, para nós, seres humanos, um ideal. Não conseguimos dirigir perfeitamente um automóvel, jogar tênis perfeitamente ou desenhar uma linha perfeitamente reta. Num outro sentido, porém, é enganador dizer que a perfeição moral é um ideal. Quando um homem diz que certa mulher, casa, barco ou jardim é "seu ideal", não pretende (a menos que seja um tolo) que todos tenham o mesmo ideal. Nesses assuntos, temos o direito de ter gostos diferentes e, conseqüentemente, ideais diferentes. E perigoso, porém, dizer que um homem que se esforça para seguir a lei moral seja um homem de "altos ideais", pois isso pode nos dar a impressão de que a perfeição moral é um mero gosto pessoal dele e que o restante dos homens não teria o dever de procurar realizá-la. Esse erro seria desastroso. A conduta perfeita talvez seja tão inalcançável quanto a perfeita perícia ao volante, mas é um ideal necessário prescrito a todos os homens por causa da própria natureza da máquina humana, da mesma forma que a pilotagem perfeita é prescrita a todos os motoristas pela própria natureza dos automóveis. E seria ainda mais perigoso se você se considerasse uma pessoa de "altos ideais" só porque tenta não mentir (em vez de só contar mentirinhas ocasionais), não cometer adultério (em vez de só cometê-lo de vez em quando) e não ser violento com os outros (em vez de ser só um pouquinho violento). Você correria o risco de transformar-se num moralista hipócrita, considerando-se uma pessoa especial a ser felicitada por seu "idealismo". Na verdade, isso seria o mesmo que se julgar especial por esforçar-se para acertar o resultado de uma soma. É claro que a aritmética perfeita é um "ideal", pois certamente cometeremos erros em algumas contas. Porém, não há nada de especialmente louvável em tentar obter o resultado correto de cada passo de uma soma. Seria pura estupidez não fazer essa tentativa, pois cada erro de cálculo vai lhe causar problemas para obter o resultado final. Da mesma forma, toda falha moral causará problemas, provavelmente para os outros, certamente para você. Ao falar de regras e obediência em vez de "ideais" e "idealismo", colaboramos muito para nos lembrar desse fato.

Vamos dar um passo além. Existem duas maneiras pelas quais a máquina humana pode quebrar. Uma delas é quando os indivíduos humanos se afastam uns dos outros ou colidem uns com os outros e prejudicam uns aos outros, traindo ou cometendo violência uns com os outros. A outra é quando as coisas vão mal dentro do próprio indivíduo — quando as diferentes partes que o compõem (suas faculdades, desejos etc.) dissociam-se ou conflitam umas com as outras. Pode-se fazer uma imagem clara do que estou falando se imaginarmos os seres humanos como uma frota de navios que navega em formação. A viagem só será bem-sucedida se, em primeiro lugar, os navios não se chocarem entre si e não entrarem uns no caminho dos outros; e, em segundo lugar, se cada navio estiver em boas condições de navegação, com suas máquinas em ordem. Aliás, não dá para ter uma das coisas sem a outra. Se os navios se chocarem, a frota não ficará em boas condições por muito tempo. Por outro lado, se os lemes estiverem com defeito, será difícil evitar as colisões. Se você preferir, pense na humanidade como uma orquestra que toca uma música. Para se ter um bom resultado, duas coisas são necessárias: cada um dos instrumentos deve estar afinado e cada músico deve tocar no momento certo para que os instrumentos combinem entre si.

Há uma coisa, porém, que ainda não levamos em conta. Não nos perguntamos qual o destino da frota, ou qual a música que a banda pretende tocar. Mesmo que os instrumentos estivessem todos afinados e todos tocassem no tempo correto, a execução não seria um sucesso se os músicos, tendo sido contratados para tocar música dançante, tocassem somente marchas fúnebres. E, por melhor que fosse a navegação da frota, a viagem não seria um sucesso se, querendo chegar a Nova York, aportasse em Calcutá.

A moral, então, parece englobar três fatores. O primeiro é a conduta leal e a harmonia entre os indivíduos. O segundo pode ser chamado de organização ou harmonização das coisas dentro de cada indivíduo. O terceiro é o objetivo geral da vida humana como um todo: qual a razão de ser do homem, qual o destino da frota de navios,qual música o maestro quer que a banda toque.

Você já deve ter notado que o homem moderno quase sempre pensa no primeiro desses fatores, esquecendo os outros dois. Quando as pessoas dizem nos jornais que estamos buscando um padrão moral cristão, quase  sempre pensam na bondade e na justiça entre nações, classes e indivíduos; ou seja, referem-se apenas ao primeiro fator. Quando um homem, falando de um projeto seu, diz que ele "não pode estar errado, pois não fará mal a ninguém", também está se referindo somente ao primeiro fator. No seu modo de pensar, não importa como o navio está por dentro, desde que não colida com a embarcação ao lado. E, quando começamos a pensar sobre a moral, é muito natural partirmos do primeiro fator, que são as relações sociais. Para começar, os resultados de uma moralidade deturpada nesta esfera são muito evidentes e nos afetam todos os dias: a guerra e a miséria, as jornadas desumanas de trabalho, as mentiras e todos os tipos de trabalho malfeito. Além disso, enquanto ficamos circunscritos a esse primeiro fator, não há muito o que discutir sobre moralidade. Quase todos os povos de todos os tempos chegaram à conclusão (em tese) de que os seres humanos devem ser honestos, gentis e solícitos uns com os outros. Contudo, embora seja natural começar por aí, um pensamento moral que ficasse restrito a isso seria o mesmo que nada. Se não passarmos ao segundo fator - a organização interna de cada ser humano -, estaremos apenas nos enganando. De que vale dar instruções precisas de navegação aos barcos se eles não passam de embarcações velhas e enferrujadas, que não obedecem aos comandos? De que vale pôr no papel regras de conduta social se sabemos que, na verdade, nossa cobiça, covardia, destempero e vaidade vão nos impedir de cumpri-las? Não quero de maneira alguma dizer que não devemos pensar, e nos esforçar, para melhorar nosso sistema social e econômico. Quero apenas salientar que todo esse planejamento não passará de conversa fiada  se não nos dermos conta de que só a coragem e o altruísmo dos indivíduos poderá fazer com que o sistema funcione de maneira apropriada. Seria fácil eliminar os tipos particulares de fraude e tirania que subsistem em nosso sistema atual; mas, enquanto os homens forem os mesmos trapaceiros e manda-chuvas de sempre, encontrarão novas formas de seguir jogando o mesmo jogo, mesmo num novo sistema. É impossível tornar o homem bom pela força da lei; e, sem homens bons, não pode haver uma boa sociedade. É por isso que temos de começar a pensar no segundo fator: a moral dentro de cada indivíduo.
Mas não penso que isso seja suficiente. Estamos chegando a um ponto da questão em que diferentes crenças a respeito do universo produzem formas diferentes de conduta. A primeira vista, pode parecer bastante razoável parar antes de entrar nessa questão, e só nos ocuparmos das partes da moral que são de consenso entre as pessoas sensatas. Mas podemos nos dar a esse luxo? Lembre-se de que a religião envolve uma série de juízos sobre os fatos, juízos que podem ser verdadeiros ou falsos. Caso sejam verdadeiros, as conclusões deles tiradas conduzem a frota da raça humana por um determinado trajeto; caso contrário, o destino será completamente diferente.

Voltemos, por exemplo, à pessoa que diz que uma coisa não pode estar errada se não faz mal a outros seres humanos. Essa pessoa sabe muito bem que não deve danificar os outros navios do comboio; porém, pensa sinceramente que tudo o que fizer em seu próprio navio é da sua própria conta. Mas, para isso, não importa saber se o navio é de sua propriedade ou não? Não importa saber se eu sou, por assim dizer, o senhorio do meu próprio corpo, ou se sou somente o seu inquilino, responsável perante o verdadeiro proprietário? Se fui feito por outra pessoa, por alguém que tem os seus próprios desígnios, o fato é que tenho uma série de obrigações em relação a essa pessoa, obrigações que não existiriam se eu simplesmente pertencesse a mim mesmo. Além disso, o cristianismo assevera que todo indivíduo humano viverá eternamente, o que pode ser verdadeiro ou falso. Há várias coisas com as quais eu não me preocuparia se fosse viver apenas setenta anos, mas que me preocupam seriamente com a perspectiva da vida eterna. Talvez minha irritabilidade ou meu ciúme fiquem piores com o tempo - de forma tão gradual que a mudança seja imperceptível ao longo de sete décadas. No entanto, eles serão um verdadeiro inferno em um milhão de anos: aliás, se o cristianismo é verídico, "inferno" é o termo técnico exato para designar como as coisas serão então. A imortalidade também traz à tona outra diferença que, inclusive, está ligada à diferença entre totalitarismo e democracia. Se um homem não vive mais que setenta anos, um estado, uma nação ou uma civilização que pode durar mil anos são mais importantes do que ele. Porém, se o cristianismo é verdadeiro, o indivíduo não é apenas mais importante, mas incomparavelmente mais importante, pois sua vida não tem fim; comparada à sua vida, a duração de um estado ou civilização não passa de um simples instante.

Parece-nos, portanto, que, para pensar a respeito da moral, temos de levar em conta os três departamentos: as relações entre os homens; as coisas que se passam no interior de cada ser humano; e as relações entre o homem e o poder que o criou. Podemos todos cooperar no primeiro. Os desacordos começam com o segundo e se tornam mais sérios no terceiro. É no trato com o último que se evidenciam as principais diferenças entre cristãos e não-cristãos. No restante deste livro, assumirei o ponto de vista cristão e examinarei todo o cenário partindo do pressuposto da veracidade do cristianismo.

Extraído do Livro "Cristianismo Puro e Simples" de C. S. Lewis. p 29 a 31.

Enviado por Sandro Nascimento.

sábado, 22 de fevereiro de 2020

Dos ídolos seculares aos campos de extermínio

(Nazismo / Marxismo)

Uma das formas mais poderosas de confrontar os céticos  é ajuda-los a identificar seus próprios ídolos. E os ídolos desses,  são  fáceis de reconhecer quando estão incorporados nas politicas públicas. Por hora, vamos nos deter a duas teorias politicas - O Nazismo e o Comunismo. Ambos ilustram o poder obscuro e destrutivo dos ídolos.

A história ocidental é frequentemente recontada sob a forma de uma epopeia religiosa, diz o antropólogo  Richard Schweder: " A história do Iluminismo tem sua própria versão do Gênesis, e os temas são bem conhecidos: o mundo despertou do sono da "idade das trevas", finalmente entrou em contato com a verdade e tornou-se bom cerca de  300 anos atrás, ao norte e oeste da Europa. 
Mas será mesmo?
 Essa chamada fé secular oferece sua própria versão da salvação: "Enquanto as pessoas abriram seus olhos, a religião ( equiparada com ignorância e superstição) deu lugar a ciência (equiparada com verdade e razão)".
Durante séculos, esse mito iluminista foi tido como modelo para o progresso para e a  liberdade. Todavia, "como uma teoria da História", comenta Schedwer secamente, a "narrativa tem tido uma utilidade de previsão de aproximadamente zero". A ascensão do secularismo não levou a uma crescente liberdade. Pelo contrário,  transformou o século XX em um banho de sangue, morte e destruição. A maior parte das atrocidades foi perpetrada  por regimes dedicados a ideologias politicas, tais como o Nacional -Socialismo (Nazismo) e o Marxismo (Comunismo). 

Os historiadores  espantosamente tem se perguntado com frequência como tamanha espantosa barbárie ,poderia emergir da moderna Europa civilizada. A resposta é , no poder dos ídolos. 
A doutrina nazista foi organizada em torno do ídolo da raça. Acreditava-se que a raça de um individuo ( ariano, judeu ou eslavo) determinava seu ponto de vista, o caráter e até mesmo o valor da pessoa. Já a  ideologia comunista  foi organizada ao redor do ídolo da classe econômica . A posição de uma pessoa ( capitalista ou proletariado) era considerado o valor que determinava tudo.

Como temos visto, em todas as visões humanas baseadas em ídolos, algumas partes da criação não caberão em sua caixa. Quando  cosmovisões  centradas em ídolos ,são aplicadas no âmbito politico, haverá algumas pessoas que não se encaixam na caixa estabelecida pelo Estado - que serão literalmente detidas ou mortas. Sob o Nazismo , não se encaixavam a caixa de raças aceitas os judeus, ciganos, eslavos, sérvios, poloneses ucranianos e outros. Estes foram transportado para o campo de concentração, onde cerca de vinte e cinco  milhões de pessoas morreram, ou foram mortas a tiros. Sob o Comunismo, não se encaixavam na caixa fixa da classe econômica os capitalistas, cúlaques ( fazendeiros russos prósperos no século 19) e outros. Estes eram submetidos a privação de alimentos, ou enviados para campos de trabalho forçado, onde estima-se que oitenta e cinco  e cem milhões de pessoas  morreram, ou foram mortas a tiros ( ambos os regimes detinham cristãos dissidentes).

Na Segunda Guerra Mundial, esses mesmos  falsos absolutos resultaram em um conflito global. Milhões de homens  morreram de fome,  sangrando até a morte porque duas ou três (...) abstrações divinizadas estiveram em guerra. Pois quando deuses lutam entre si, homens têm de morrer.
A lição  é que as ideologias  baseadas em ídolos são invariavelmente desumanizantes, e se  não forem controladas, levam a repressão, coação, opressão, guerra e violência.   Somente no século 20, elas, sozinhas, tomaram muito mais vidas e causaram muito mais estragos do que os eventos de motivação religiosa como as caças as bruxas, inquisições, e guerras dos séculos anteriores.
"Os materialistas estão prontos para adorar suas próprias criações do mal, construídas como se fossem o Absoluto", escreve Adous Huxley. Isso torna possível que eles satisfaçam suas mais feias paixões com a consciência tranquila e com a certeza de que estão trabalhando para o Bem Maior. Os campos de destruição e morte produzidos por  ideologias idolatras não eram uma violação de seus princípios ( como guerras religiosas eram violações dos princípios cristãos).

O filosofo John Gray, embora ele mesmo seja um ateu, escreve que "quando o ateísmo se torna projeto politico, o resultado invariável  é uma religião substituta que so pode ser mantida por meios tirânicos- por meio da policia secreta e campos de extermínio.

Livro: A Busca da Verdade/ Nancy Pearcey.
Via  Fabiana Ribeiro.

sábado, 1 de fevereiro de 2020

Homens e Mulheres na Perspectiva Bíblica

(A  questão da liderança - Distinções honradas e valorizadas)


Embora pareça a cultura popular e  acadêmica que a narrativa bíblica, quando lida superficialmente, é um tanto hostil  no que respeita a ideia de igualdades  e diferenças nos papeis relacionais entre homens e mulheres, vemos que Deus entendeu que o modo como ele criou as coisas "era muito bom".   Ainda que alguns digam que não seja justo que ao  homem tenha sido atribuída a função de liderança no casamento/família, Deus estabeleceu esse modelo desde o princípio da existência humana, e a ordem da sua criação é vista cheia de belezas , quando compreendida. O  modelo divino revelado nas Escrituras  honram e resguardam ambas as partes de abusos e encorajam cada um a exercitarem seus dons e inteligência no que foram concedidos para serem compreendidos e vivenciados.

Princípios bíblicos  quanto ao papel de liderança do homem:

A ordem da criação : A ordem da criação não é um detalhe sem valor, antes estabelece um importante precedente bíblico.
 O homem ( Adão) foi criado primeiro e a  mulher ( Eva) foi criada em segundo lugar ( Gn 2.7 18-23). Isso se evidencia quando o Apostolo Paulo usa o  fato de que "primeiro, foi formado Adão, depois, Eva" ( 1 Tm 2.13) como razão para que homens e mulheres cumpram  diferentes papeis.

 A representação: Era Adão e não Eva, que tinha o papel especial de representar a raça humana. Embora Eva tenha pecado antes de Adão ( Gn 3.6), a Bíblia nos diz:" como, em Adão, todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo" ( 1 Co 15.22, veja também 1 Co 15.45-49 e Rm 5.12-21). Somente Adão é que representara a raça humana em razão do papel particular de liderança que Deus lhe concedeu.

 A nomeação da mulher: Adão não apenas foi criado antes de sua mulher, mas recebeu também a responsabilidade de lhe dar um nome: " Ela será chamada mulher, porque do homem foi tirada ( Gn 2.23 - NVI). Em função do contexto maior da atividade de nomeação em Gênesis 1 e 2, os leitores originais reconheceriam que o encarregado da responsabilidade de nomear as criaturas  é sempre de quem tem autoridade sobre elas. Vê-se isso quando Deus nomeia as diferentes partes de sua criação em Gênesis 1 e 2, e quando os pais dão nome aos filhos ( veja,p. ex.; Gn 4.25,26; 5.3-28,29; 16.15; 19.37.38; 21.3)

 A nomeação da raça humana:  Gênesis 5.1,2 registra quando Deus nomeou a raça humana: " Deus criou homem, à semelhança de Deus o fez; homem e mulher os criou. Quando  foram criados, ele os abençoou e os chamou Homem" ( Gn 5.1,2- NVI). Como vimos ambos foram criados por Deus, portanto ambos tem igual valor e importância. Mas Deus quando decidiu nomear a raça humana, escolheu um termo distintamente masculino ( no contexto de Gn 1-5) - Deus ao denominar a "raça de homem", sussurrou a liderança masculina".

A responsabilidade primária:  Foi a Adão a quem Deus primeiro chamou para que lhe prestasse contas depois que ele e Eva pecaram. " Chamou o Senhor Deus ao homem e lhe perguntou Onde estás?" ( Gn3.9). Deus ao fazer isso , mostrou que Adão, como líder, tinha a responsabilidade primária por sua família, apesar disso a serpente falou primeiro com Eva e ela ter pecado primeiro ( Gn 3.1-6).

Princípios bíblicos  quanto a criação da mulher:

O propósito: Quando Deus criou Eva, ele a criou para ser a auxiliadora de Adão. "Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só ; far-lhe- ei  uma auxiliadora que lhe seja idônia" ( Gn 2.18). Embora uma "auxiliadora" possa assumir diversas funções em termos de liderança, o contexto mais amplo indica  uma auxiliadora, que, em virtude da criação, tem nessa relação um papel de menor autoridade. Contudo, "auxiliadora" não significa alguém que seja inferior, pois o próprio Deus  é muitas vezes chamado na Bíblia  de nosso  "auxiliador"(Sl 33.20; 70.5; 115.9), mesmo quando somos responsáveis finais pelas tarefas. Além disso, a palavra traduzida por "idônea" significa "alguém que o auxilie e lhe corresponda", isto é igual e adequada a ele.

O conflito:  O pecado trouxe o conflito  no interior do relacionar entre Adão e Eva, ao distorcer os papéis que Deus estabeleceu para eles. Não criou papeis novos, apenas tornou os já existentes mais difíceis de serem cumpridos. Quando Deus em juízo , falou com Eva depois da Queda, ele disse "teu desejo será para o teu marido, e ele te governará" ( Gn 3.16). Uma frase semelhante que usa a mesma e rara hebraíca traduzida por "desejo" encontra-se em Gênesis 4.7, quando Deus diz a Caim: "o pecado jaz a porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo". Nos dois casos a palavra "desejo" ( hebraico teshûqah) denota provavelmente um "desejo de conquistar ou dominar sobre"(não desejo sexual, como creem alguns).  A palavra traduzida por governará, revela não uma liderança entre iguais.

 A restauração: A boa nova é que Jesus  quando veio, veio para trazer restauração. Em Colossenses 3.18,19 vemos Paulo explicando uma decorrência de Gênesis 3.16 "Esposas, sede submissas ao próprio marido , como convém no Senhor.  Maridos amai vossa  esposa e não a conduzisse com dureza - Isto é, que Adão e Eva tivessem o mesmo relacionamento antes da Queda.

O mistério: Embora não fosse do conhecimento de Adão e Eva, o relacionamento deles antes da Queda representava o relacionamento de Cristo e sua Igreja. É por isso que Paulo, ao escrever sobre a relação conjugal , cita o mandamento dado por Deus em Gênesis 2: " Eis por que deixará o homem seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher, e se tornarão os dois uma só carne. Grande é este mistério, mas eu me refiro a Cristo e a igreja"( Ef 5.31,32).
Agora,  a relação entre Cristo e a Igreja não varia com a cultura. É a mesma para todas gerações. Não é reversível. Há um papel de liderança ou governo que pertence a Cristo e não à Igreja.

O paralelismo com a Trindade:  Assim como na Trindade há igualdade, diferenças e unidade entre Pai, Filho e Espírito Santo, também no casamento há igualdade, diferenças e unidade que refletem o relacionamento da Trindade. As diferenças entre Adão e Eva antes da Queda refletem as diferenças entre o Pai e o Filho na Trindade, conforme especifica o Apóstolo Paulo em 1 Co 11.13: " Quero, entretanto, que saibais ser Cristo o cabeça de todo homem, e o homem, o cabeça da mulher, e Deus, o cabeça de Cristo".

 São maravilhosas expressões determinadas por Deus para refletir a igualdade, a diferença e a unidade que Ele estabelecera entre homens e mulheres. Aspectos extraordinários que, quando conhecidos, refletem a sabedoria de Deus quando criou homens e mulheres tão maravilhosamente iguais em tantos aspectos e encantadoramente diferentes em muitos outros. 

Livro: Confrontando o Feminismo Evangélico- Respostas bíblicas a questões cruciais/ Wayne Grudem

Compilado por Fabiana Ribeiro.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

O que todo estudante do ensino médio deve saber sobre a Ciência

Por Michael Newton Keas

Tendo em vista a Ciência ser a característica principal da sociedade moderna, todos precisam ter acesso a uma introdução à Ciência. Sendo assim, todo estudante do ensino médio, em especial, deve saber (1) o que é a Ciência, (2) as várias formas em que a Ciência é praticada, e (3) Por que a Ciência é importante. O primeiro tópico é filosófico, o segundo é procedimental e histórico, e o terceiro motiva os estudantes a estudar a Ciência.

O que é a Ciência?

O que distingue a Ciência de outros empreendimentos, tais como a Religião, Filosofia ou História? Esta pergunta, como já mostrou Stephen Meyer, não tem uma resposta conclusiva, parcialmente por causa das maravilhosas variedades de formas que a Ciência é praticada.[1] Na maioria dos casos nós simplesmente reconhecemos a reputação da Ciência quando vemos sua força. Os estudantes devem ser desafiados a definir a Ciência e reconhecer porque esse exercício em Filosofia da Ciência é tão difícil. Na América, cerca de 40 departamentos estaduais de educação definem Ciência de forma grosseira, “uma investigação do mundo natural por meio do uso da observação, experimentação, e argumento lógico.”[2] Apenas em Massachusetts e Kansas propuseram uma restrição na definição de Ciência ao restringir seu significado a uma definição que permite apenas causas naturais não guiadas para explicar o que é observado. Os estudantes devem saber porque esta restrição é controversa.

As várias formas em que a Ciência é praticada

Os estudantes devem apreciar a variedade de formas que a Ciência é praticada, que eu chamo de pluralismo metodológico. Os cientistas de laboratório manipulam ativamente as condições, ao seguir o método experimental padrão. Os Astrônomos são tipicamente restritos a olhar passivamente dentro do espaço denso e profundo, onde os objetos celestes estão além de seus controles experimentais. Os Geólogos estudam um grande e único objeto (a terra) por meio de métodos e leis naturais tomadas emprestadas amplamente de outras disciplinas científicas (especialmente a física e a química). Os Astrônomos e Geólogos as vezes utilizam modelos de simulação para entender mudanças em larga escala e em longos períodos nos objetos que eles estudam. Muitos físicos estudam minúsculas partículas subatômicas que apresentam desafios investigativos singulares. O “método científico” como apresentado nos capítulos introdutórios da maioria dos livros de ciências adotados, geralmente falham em reconhecer a diversidade metodológica que a Ciência atual pratica.[3]
Os estudantes também devem reconhecer quão diferentes crenças moldam a prática científica. Esta é outra forma de pluralismo metodológico. Por exemplo, os antigos Babilônicos produziram o mais longo programa de pesquisa científica continuado na história humana (vinte séculos). Apesar da motivação deles estar baseada em religião e astrologia, seus resultados astronômicos e matemáticos possuíam grande poder preditivo. Muitos eventos celestes podiam ser preditos com precisão com antecedência.[4] Os estudantes precisam apreciar como os vários pontos de vistas religiosos, antirreligiosos, e não religiosos tem motivado com frequência a ciência empírica bem sucedida. A National Science Education Standards afirma sobre esta abordagem: “Os cientistas são influenciados por crenças sociais, culturais e pessoais e formas de ver o mundo. A ciência não está separada da sociedade, antes, a ciência é parte da sociedade.”[5] Tal abordagem à educação na ciência deveria incluir uma discussão sobre a influência do naturalismo na ciência. O Naturalismo em sua forma filosófica afirma que nada além da natureza é real. Isto remonta ao ateísmo. O Naturalismo na ciência tem guiado muitos cientistas a se limitarem às causas materiais para explicar o mundo natural. Isto é também chamado de Naturalismo Metodológico. Os estudantes devem estar conscientes destas influências sociais sobre a Ciência e devem ser encorajados as avaliarem de forma crítica.
Os estudantes precisam ainda aprender que a Ciência está devotada a duas metas fundamentalmente distintas: “como as coisas funcionam” e “como as coisas se originaram”. Cada um desses objetivos é alcançado por coleções um pouco diferentes de ferramentas investigativas. Isto também é pluralismo metodológico. A primeira meta, como as coisas funcionam, abrangeu quase toda a ciência até o início do século 19, quando a geologia e a biologia adquiriram ferramentas empiricamente rigorosas para investigar como as coisas se originaram. Os cientistas que investigam “as origens”, estudam as coisas existentes no presente e utilizam estas evidências para construir várias hipóteses que competem entre si, de como as coisas naturais podem ter se originado. Os Geólogos – em contraste a maioria dos Filósofos antigos – concluíram amplamente que a terra não é eterna, mas que teve um início e que foi mudando por meio de estágios singulares com o passar do tempo.

Esta visão foi motivada parcialmente pela visão Judaico-Cristã da história, com sua noção de um começo, desenvolvimento não repetível e fim, singulares. O desenvolvimento histórico real substituiu a ideia Grega antiga de círculos infinitos. Pontos de vista sagrados e seculares proveram analogias que guiaram tentativas antigas para reconstruir a história da terra. Por exemplo, os primeiros geólogos usaram fósseis como marcadores dos registros históricos da terra, da mesma forma que os artefatos humanos como moedas, foram importantes indicadores cronológicos na arqueologia. Os fósseis foram chamados de “moedas naturais”. Tais legados culturais da história da ciência merecem um lugar no currículo da ciência. A história recontada repetidamente de que as descobertas da história da terra do início do século 19 podem ajudar a clarear o mal entendimento comum de que a ciência não pode estudar eventos passados e não repetíveis que ocorreram na natureza. A ciência da Terra e da Vida desde o século 19, e a cosmologia desde o século 20, identificaram e explicaram muitos eventos passados baseados nas evidências existentes no presente.

Por que a Ciência é importante?

Terceiro, devemos convencer os estudantes que a ciência é importante. Nosso entendimento de “como as coisas funcionam” nos ajudam a manusear melhor os recursos naturais e melhorar a saúde humana. O debate científico sobre a origem do universo e da vida merece uma atenção especial nas aulas de ciências porque isso afeta a maneira que vemos a vida e o propósito humano. Os detalhes de tirar o fôlego e a complexidade de mesmo a bactéria mais simples com suas máquinas moleculares altamente específicas deve evocar reverência nos estudantes. Alguns estudantes podem atribuir este design aparente a natureza autônoma (Naturalismo). Outros podem concluir que isto aponta a um projetista além da esfera da natureza. Ainda outros podem responder de outras formas. O professor de ciências deve ajudar os estudantes a desenvolver suas próprias opiniões de uma maneira que leve a ciência a sério (e outras áreas acadêmicas). Sem este balanço, as aulas de ciências se reduzem a propaganda.
Uma forma de motivar os estudantes para estudar ciências e pensar de forma crítica é examinar estudos de casos de controvérsias científicas. Por meio dos estudos de casos, os estudantes ganharão insigts dentro do padrão científico procedimental de inferir a melhor explicação entre múltiplas hipóteses concorrentes. Charles Darwin argumentou, “Um resultado justo pode ser obtido somente pela afirmação e balanceamento completo dos fatos e argumentos de ambos os lados de cada questão.”[6] No clima atual das políticas públicas educacionais, isto significaria, no mínimo, ensinar não apenas o lado forte da Teoria de Darwin, mas também a evidência que a desafia. Por exemplo, qualquer teoria completa das origens biológicas deve examinar a evidência fóssil. Os fósseis da “explosão Cambriana” mostra virtualmente todas as formas básicas da vida animal aparecendo repentinamente sem precursores claros. Não se trata meramente da aparição geologicamente repentina e notável, mas a observação de que categorias principais (filos animais) aparecem antes da multiplicação de pequenas diferenças entre as espécies. A teoria de Darwin prediz exatamente o oposto: pequenas diferenças se multiplicando, e por meio da seleção natural, surgindo posteriormente diferenças anatômicas principais. Os estudantes devem conhecer sobre este desafio evidencial ao Darwinismo, mas apenas poucos livros-textos adotados mencionam isso.
Considere outro exemplo. Muitos textos de biologia falam sobre os tentilhões de Galápagos, cujos bicos variaram em forma e tamanho com o passar do tempo. Eles também recontam como algumas bactérias adquiriram resistência a certos antibióticos. Tais episódios são apresentados como evidência conclusiva a favor da evolução. E de fato eles são, dependendo de como alguém define evolução.[7] Já alguns livros-textos de biologia fazem distinção entre as diferenças de significado associados com a evolução – um termo que pode se referir a qualquer coisa, desde uma mudança trivial, à criação da vida por forças estritamente irracionais e materiais. Nem eles explicam que o processo responsável pelas variações cíclicas em tamanho do bico não explicam de onde vieram os pássaros ou os biólogos em primeiro lugar. Como uma série de distintos biólogos (e.g. Stuart Kauffman, Rudolf Raff, e George Miklos) explicaram em artigos técnicos recentes que mudanças “micro evolucionárias” em pequenas escalas não podem ser extrapoladas para explicar inovações “macro evolucionárias” em larga escala. As mudanças micro evolucionárias (tais como as variações no formato de um bico) utilizam ou expressam meramente informações genéticas existentes; as mudanças macro evolucionárias em larga escala necessárias para reunir novos órgãos ou planos corporais requer a criação inteiramente de novas informações genéticas. Os principais biólogos evolucionistas sabem que esta distinção coloca sérias dificuldades para o Darwinismo moderno. Os estudantes devem saber também.

A tática de ensinar sobre as controvérsias apresenta uma biologia mais alegre e menos dogmática. Os estudantes aprenderão ciência como ela é praticada na verdade. Os cientistas debatem com frequência como interpretar melhor os dados e eles até mesmo debatem o que vale como uma legítima “explicação científica”. A controvérsia é normal dentro da ciência (não apenas um intruso). Os estudantes aprenderão a distinguir melhor entre evidência (dados fatuais) e inferência (raciocinar para as conclusões). Os estudantes precisam dessas habilidades como cidadãos, quer escolham profissões nas ciências ou outros campos. Ensinar múltiplos lados em uma “questão de abordagem” para a ciência tem, recentemente, sido reconhecido como uma abordagem educacional superior, não apenas nas questões das origens, mas também em outras áreas. O debate científico recente sobre o Darwinismo e a teria do Design Inteligente é de grande interesse aos estudantes que se interessam sobre as grandes questões da vida. Pesquisas baseadas na teoria do Design mostra grandes perspectivas de produção de resultados profundos em um futuro próximo. No grau em que as coisas se desenvolvem, a comunidade de educação científica terá razões fortes e crescentes para incorporar esta teoria dentro do ensino de ciência.

Os advogados da abordagem apenas do Darwninismo na educação e na vida das ciências apontam repetidamente para a National Science Education Standards (NSES) para reforçar suas posições. A NSES constitui o documento nacional não compulsório que atualmente guia muitas reformas na educação científica nos EUA.

Ironicamente, as afirmações no NSES apoiam os principais pontos deste ensaio. O NSES conclama os estudantes a “identificar suas pressuposições, usar o pensamento crítico e lógico e considerar explicações alternativas”.[8] Se é dito aos estudantes a engolir Darwin como "um fato”, como isso os ajudará a se tornarem críticos, céticos e pensadores científicos? Entre os conteúdos padrões das grades 9 a 12 está a meta que todos os estudantes devem desenvolver um entendimento da evolução biológica. Nós afirmamos esta meta com entusiasmo. De fato, queremos que os estudantes aprendam mais sobre o Darwninismo do que a maioria dos defensores de que somente Darwin seja ensinado, desejam. Quanto mais tenhamos em mente as fraquezas da teoria de Darwin (não apenas uma apresentação seletiva de seus argumentos fortes). A especiação micro evolucionária está bem estabelecida e é um tributo ao legado permanente da contribuição de Darwin ao conhecimento humano. A macroevolução é uma outra questão. Os especialistas discordam e os estudantes não devem ser isolados desta disputa.

O NSES defende o uso da “história para elaborar vários aspectos da pesquisa científica, a natureza da ciência, e a ciência sob diferentes perspectivas históricas e culturais.”[9] Em outras palavras, a história da ciência pode ser implantada nos currículos de ciências para ajudar os estudantes a conhecer o que é a ciência, as várias formas que ela é praticada, e o porquê ela é importante para o resto da experiência humana.

Fonte:
KEAS, Michael Newton. What Every High School Student Should Know about Science. In DEMBSKI, William A.; LICONA, Michael R. (Eds). Evidence for God: 50 Arguments for Faith from the Bible, History, Philosophy, and Science. Grand Rapids, MI: Baker Books, 2010, pp. 68-72

Tradução Walson Sales

Notas:
[1] Veja Stephen C. Meyer, “The Methodological Equivalence of Design and Descent: Can There Be a Scientific ‘Theory of Creation’?” in The Creation Hypothesis: Scientific Evidence for an Intelligent Designer, ed. J. P. Moreland (Downers Grove, IL: InterVarsity, 1994), 67-112.
[2] Jonathan Wells, “Definitions of Science in State Standards,” Discovery Institute, November 10, 2005, http://www.discovery.org/a/2573.
[3] Henry H. Bauer, Scientific Literacy and the Myth of the Scientific Method (Champaign, IL: University of Illinois Press, 1992).
[4] Noel Swerdlow, The Babylonian Theory of the Planets (Princeton: Princeton University Press, 1998).
[5] National Research Council, National Science Education Standards: Observe, Interact, Change, Learn (Washington, DC: National Academies Press, 1996), 201; enfase adicionada. Também disponível em http://www.nap.edu/readingroom/books/nses/6e.html.
[6] Charles Darwin, On the Origin of Species (1859; Cambridge, MA: Harvard University Press, 1964), 2.
[7] Stephen C. Meyer and Michael Keas, “The Meanings of Evolution,” in Design, and Public Education, Ed. John Angus Campbell and Stephen C. Meyer (East Lansing, MI: Michigan State University Press, 2003), 135-52.
[8] National Research Council, National Science Education Standards, 2.
[9] Ibid., 200.

[ Nota do tradutor: a intenção precípua na tradução da introdução desse livro é tripla: 1. Primeiro, fomentar o debate sobre o assunto: 2. Acender o interesse das editoras em adquirir os direitos e publicar a obra no Brasil. 3. Educar para evitar distorções acerca das posições de determinadas escolas de pensamento, algo muito comum no debate público. Tenha uma ótima introdução ao tema.]