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segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

Especial de Natal do Bom dia com Teologia! --- A relação entre Deus, Jesus e os homens – Um Tributo ao Nascimento do Filho de Deus

  

Pastor Geziel Gomes

 

Desde que Deus criou o mundo, continua trabalhando em seu benefício. A Bíblia é o livro que relata a pessoa maravilhosa de Deus, buscando a pessoa miseravelmente perdida do homem. Um homem caído, sendo amado e procurado por um Deus eterno e poderoso.

O pecado afastou o homem da presença, da comunhão e do paraíso de Deus; no entanto, Deus tudo tem feito em prol de sua recuperação. Desde seus primeiros passos negativos, o Pai tem provido recursos para vesti-lo e reabilitá-lo. Os esforços iniciais dessa procura foram traduzidos em duas palavras por demais significativas: ONDE ESTÁS? Disso resultaria a confissão que daria ao homem a oportunidade de um perdão justo e um entendimento feliz com Deus. Todavia, cada vez mais o homem tem se rebelado e se afastado de Deus, a fonte de sua felicidade. Os desígnios de Deus, entretanto, não podem ser desfeitos, contrariados os anulados. No tempo certo, veio a este mundo a pessoa incomparável de Jesus, seu filho eterno e filho humano de Maria, para cumprir-se a Escritura. Jesus é a oferta maior de Deus aos homens.

Jesus é a solução para as criaturas, quaisquer que sejam e onde quer que se situem. Com ele, tudo. Sem ele, nada. Pérola por excelência, tesouro maior, bem-aventurança plena que Deus nos tem propiciado. Na cruz ele toma os nossos pecados. No sepulcro ele destrói a morte. No céu ele intercede pelos transgressores que o buscam.

Jesus – a salvação para o mundo decadente. Para o mundo enfermo. Jesus – aquele que liberta da escravidão e da morte. Jesus – o caminho, a verdade e a vida. Ir a ele não é uma opção. É a alternativa única, definitiva. Ir a ele é o caminho específico para a libertação dos males espirituais. A verdade que nos torna livres, a vida que exclui a morte. Pregar a Cristo é a missão precípua da Igreja. Crer em Cristo é o dever básico de cada criatura. Viver em Cristo é o objetivo do crente na terra. Morar com Cristo é o alvo final dos redimidos. Para muitos ele foi um filósofo. Nada mais. Para a Igreja que o conhece por experiência, é o verdadeiro Deus e a vida eterna. Tem o direito ao culto e ao louvor da divindade. É digno de toda glória e de toda a honra e de toda a adoração. Nele e por ele foram criadas todas as coisas. Mesmo as menores dentre as mais pequenas. Mesmo as maiores dentre as mais imensas. Para ele converge a atenção dos seres celestiais. Os anjos lhe dedicam a canção da eternidade, as flores oferecem o néctar mais puro. Os anjos diante dele se transmutam em labaredas de fogo. A eternidade está sob seus pés. Os menores da terra podem ser ouvidos por ele. Os grandes e orgulhosos temem-lhe até o nome. O adversário o odeia, sobretudo. As criancinhas o estimam como a seus próprios pais. Quando o nome de sua majestade é pronunciado, as estruturas do inferno se abalam, os demônios são expulsos, as correntes contrárias ao bem se desmoronam e recuam na sua trajetória demolidora e cruel. Brisas de graça e de glória perpassam ondulantes por sobre as almas dos que lavaram suas vestiduras no seu sangue, sangue do cordeiro imaculado. Amá-lo é doce. Falar-lhe é encantador. Ouvi-lo é divino.

Jesus! Não vereis alguém que tenha maior amor que ele. Não sabereis de quem tenha mais poder que ele. Perdoa por compaixão, julga por autoridade, recompensa por justiça, ama por graça e acolhe por generosidade. Salva por misericórdia. Jesus! Logo mais o veremos, quando descer sobre as nuvens, como prometeu. Logo mais receberemos o galardão que tem consigo para dar a cada um segundo as suas obras. Jesus – o rei que está voltando. Ele está voltando como juiz para a terra pecadora. Está voltando como Messias para o Israel incrédulo. Está voltando como Noivo para a Igreja vencedora. Saudemos agora o Rei que volta. Voltando com poder, sim, com poder e grande glória. Jesus, o Profeta. Jesus, o Sacerdote. Jesus, o Rei. O Rei está voltando...com sua volta, cessarão para a Igreja as lutas, os temores, as tribulações e dores. Com seu regresso, não mais apertos, não mais agonias, não mais sofrimentos. Com seu regresso, o Milênio às portas, as Bodas do Cordeiro iminentes, conforme o Plano Divino. Com seu regresso, a efervescente inquietação dos que o rejeitaram e a doce recepção dos que o receberam por fé. Jesus – que venhas logo, como prometeste, pois te esperamos como desejas...

Amigos, esperemos Jesus. O Rei está voltando...sim, o Rei está voltando...

Via Walson Sales do Site Bom dia com teologia.

 

sábado, 25 de dezembro de 2021

Especial Semana do Natal do Bom dia com Teologia! --- John C. Lennox - Mensagem de Natal

  

Nós celebramos um evento incrível que inspirou grande literatura, música, poesia e arquitetura. A mensagem de Cristo transformou inúmeras vidas, gerou hospitais, asilos e universidades. Ele aboliu a escravidão e trouxe dignidade para a vida humana. Como o primeiro-ministro da Inglaterra disse recentemente: “O cristianismo teve influência histórica imensa no desenvolvimento da nossa cultura e das instituições nacionais... somos um país com uma herança cristã e não devemos ter medo de dizer isso”.

Os cosmólogos nos dizem que há 13,5 bilhões anos atrás o universo era menor do que um grão de areia – um fato que amplia nosso conhecimento, mas que é insignificante perto da constatação de que, há 20 séculos atrás, o Deus que criou o universo tornou-se uma pequena semente no útero de uma jovem humilde. O Verbo se fez carne. O próprio Deus quem fez o homem à sua imagem tornou-se humano.

A encarnação de Deus desafia a crença do ateu de que este universo é um sistema fechado de causa e efeito. Somos informados de que na época de Cristo as pessoas crédulas podiam acreditar em tais acontecimentos miraculosos, já que elas não sabiam as leis da natureza. Agora, em nossa iluminada era científica isso é impossível, já que milagres violam as leis da natureza. Os registros bíblicos dos milagres são apenas “fantasias”, como o Papai Noel.

Existem três erros aqui! Em primeiro lugar, a comparação com o Papai Noel é trivialmente falsa. Nunca conheci um adulto que passou a acreditar em Papai Noel. Por outro lado, tenho conhecido muitos adultos que passaram a acreditar que Jesus Cristo é o Filho de Deus.

Em segundo lugar, dois desses adultos são figuras-chave na narrativa de Natal, Maria e José. Eles não eram pessoas crédulas. Eles sabiam muito bem, assim como nós sabemos, as leis básicas da natureza a respeito de onde vêm os bebês. Então, quando Maria foi avisada pelo anjo que ela iria conceber, ela questionou: “Como se fará isto, visto que não conheço homem algum?” (Lucas 1:34) E nós já sabemos como José, ao descobrir que Maria estava grávida, havia planejado o divórcio. Ele, um homem piedoso e justo, não estava preparado para acreditar na explicação de uma concepção milagrosa. No entanto, os dois acabaram sendo convencidos de que não havia nada de imoral sobre a concepção de Jesus, por que foram dadas provas convincentes de que a criança tinha sido sobrenaturalmente concebida pelo Espírito Santo em uma intervenção direta de Deus.

Em terceiro lugar, David Hume estava errado quando disse que milagres como a encarnação não podem acontecer, pois violam as leis da natureza. O que, afinal, são essas leis? Elas são as nossas descrições do que normalmente acontecem e elas nos possibilitam prever o que vai acontecer se ninguém intervier. No entanto, Deus não é um prisioneiro das leis que descrevem as regularidades que ele construiu para o cosmos. Portanto, não é ato de violação se ele intervém em sua própria criação. Pois tal intervenção não quebra lei alguma.

Suponha que eu tenha colocado R$ 100 em minha gaveta no hotel ontem à noite, e coloquei em outra gaveta R$ 100 esta noite. As leis da aritmética dizem que tenho R$ 200 nas gavetas. Se eu encontrar apenas R$ 50 lá amanhã, o que posso concluir? Que as leis da aritmética foram quebradas ou as leis do Brasil? Claramente as leis do Brasil. Como eu sei disso? Porque eu conheço as leis da aritmética. Elas não foram quebradas, e isso me diz que um ladrão veio de fora. Da mesma forma, quando um verdadeiro milagre acontece, são as leis da natureza que nos alertam para o fato de que é um milagre. Se não conhecêssemos as leis nunca reconheceríamos um milagre, caso nós víssemos um. A ciência, portanto, não pode descartar o milagre. O universo não é um sistema fechado. Este mundo não é o único mundo que existe.

C. S. Lewis escreveu: “Se Deus cria milagrosamente um espermatozoide no corpo de uma virgem, isso não vai infringir nenhuma lei. As leis imediatamente se adaptam. A natureza está pronta. A gravidez continua, de acordo com todas as leis normais, e nove meses depois uma criança nasce”.

Além do mais, o profeta Isaías escreveu algo que a ciência nunca poderia ter dito a ele. Inspirado por Deus, ele predisse a vinda de Cristo, não nove meses antes, mas seis séculos antes de acontecer: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” (Isaías 9:6). Estas palavras, cheias de profundo e poderoso mistério, soam verdadeiras justamente porque são verdadeiras.

“Um filho se nos deu ...” O Natal é um tempo especial de troca de presentes como expressões de amor, carinho e gratidão. É, no entanto, possível que alguém aceite um presente e ainda rejeite o presenteador. Imagine que você tenha convidados para uma ceia de Natal. Seus convidados comem a comida com prazer, conversam entre si animadamente, mas não dizem nada a você. Eles saem sem uma palavra de agradecimento. Uma situação impossível, digamos. Contudo, é exatamente assim que muitos de nós temos tratado Deus neste ano que chega ao fim. Temos recebido seus presentes de saúde, capacidade, trabalho, casa, comida, família e amigos, mas nunca paramos para reconhecer ou agradecer-lhe. Nós aceitamos os presentes, mas rejeitamos o Presenteador.

“Um filho se nos deu...” Aqui, o Presente é o Presenteador. Não podemos aceitar o Presente sem rejeitar o Presenteador. E ele é o Salvador do mundo.

Há muita coisa boa no mundo, mas também há muito mal – a pobreza, o sofrimento, a violência, a guerra, a exploração, a escravidão, o medo, discriminação e abuso. E quem de nós se atreveria a sugerir que não há nada de que nós precisamos ser salvos? A raiva, falta de amor, desejos destrutivos, egocentrismo, avidez, despeito, inveja, desonestidade e hipocrisia, só para citar alguns. Certamente nós concordaríamos com G. K. Chesterton, que, em resposta a uma pergunta no Times: “O que está errado com o mundo?”, escreveu para o editor: “Caro senhor, EU ESTOU. Atenciosamente, G. K. Chesterton.”

Estamos, portanto, condenados a viver em um mundo em que “é sempre inverno e nunca Natal”? Não – porque o Natal certamente veio em nosso mundo! Deus declara uma mensagem cheia de esperança para nosso mundo: “Você deverá dar-lhe o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados” (Mateus 1:21). Como é que isso deve ser feito? Você vai ficar feliz em saber que não é propondo mais uma lista de objetivos irrealistas para o Ano Novo. Os códigos morais são muito importantes, mas eles não podem nos perdoar ou nos capacitar para viver como sabemos que devemos. Cristo pode perdoar porque ele morreu por nós. Como o arcebispo de Canterbury disse na Páscoa: “... a cruz é o grande ponto em que o sofrimento, dor, tortura, julgamento e pecado e as mazelas do mundo acabam nos ombros de Deus por amor a nós.” E Cristo pode nos capacitar a viver porque ele ressuscitou dos mortos.

Alguém poderá dizer: “Não há nenhum sentido moral em um homem dar a si mesmo pelos pecados dos outros”. Essa objeção seria consistente se Jesus fosse apenas um homem. Mas Jesus nunca foi apenas um homem. Ele era Deus encarnado. Por Jesus ser Deus e homem ele pode nos oferecer a salvação como um presente – o perdão, a paz com Deus, vida nova e esperança. Este presente deve ser recebido como todos os demais – neste caso, por um ato livre e consciente de arrependimento e confiança em Cristo, sobre o qual cantamos:

 

“Oh, santo Menino de Belém,

desça até nós, nós oramos;

expulsa o nosso pecado, e entre,

nasça em nós hoje.

Ouvimos os anjos de Natal

com grandes boas novas a dizer.

O vêm até nós, fique conosco,

nosso Senhor Emmanuel.”

 

- O Little Town of Bethlehem, Phillips Brooks, 1865

 

Tradução e adaptação: Leandro L. Andrade

 

Fonte: http://johnlennox.org/jresources/a-christmas-message-from-john-lennox/

 

sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

Especial Semana do Natal do Bom dia com Teologia! --- A visita dos Magos

  

Alguns dias depois, três magos chegaram da Caldéia e se ajoelharam diante de Jesus. Vinham talvez de Ecbatana, talvez das margens do Mar Cáspio. Em camelos, com sacolas cheias, tinham atravessado o rio Tigre e o rio Eufrates, tinham transposto o grande deserto dos nômades e bordejado o Mar Morto. Uma estrela nova – que para eles era semelhante ao cometa que reaparece de vez em quando no céu para anunciar o advento de um profeta ou o nascimento de um rei – os guiara até a Judéia. Tinham vindo para adorar um rei e encontraram um recém-nascido agasalhado de maneira muito simples e oculto numa estrebaria.

Os magos não eram reis, mas na Média e na Pérsia dominavam sobre os reis. Os reis dirigiam os povos, os magos guiavam os reis. Sacrificadores, intérpretes de sonhos, profetas e ministros, só eles podiam se comunicar com Ahura Mazda, o Deus bom – assim acreditava o povo. Só eles conheciam o futuro e o destino. Matavam com as próprias mãos os animais nocivos e as aves agourentas. Purificavam as almas e os campos; nenhum sacrifício era aceito por Deus se não fosse oferecido por eles. Os reis não declaravam guerra sem primeiro ouvir os seus conselhos. Possuíam os segredos da terra e do céu, e dominavam entre a sua gente em nome da ciência e da religião. No meio de um povo que vivia para a matéria, eles representavam o espírito.

Era justo, portanto, que viessem se ajoelhar diante de Jesus. Depois dos animais, que são a natureza, e dos pastores, que são o povo, esta terceira potência – o saber – ajoelhava-se na manjedoura de Belém. A velha casta sacerdotal do Oriente faz ato de submissão ao novo Senhor que há de enviar os seus pregadores para o Ocidente. Os sábios ajoelham-se diante daquele que um dia submeterá a ciência das palavras e dos números à nova sabedoria do amor.

A presença dos magos em Belém significa as velhas teologias reconhecendo a revelação definitiva, a ciência humilhando-se diante da inocência, a riqueza inclinando-se aos pés da pobreza. Eles oferecem a Jesus o ouro que Jesus, mais tarde, desprezará. O incenso que oferecem não é para eliminar o cheiro da estrebaria; é porque os seus cultos em breve cederão espaço aos adoradores do verdadeiro Deus, e eles não terão mais necessidade de fumaças e de perfumes para os seus altares. Oferecem a mirra, que serve para embalsamar os mortos, por que esse menino, que agora sorri para sua mãe, morrerá moço.

 

Fonte: Giovanni Papini – Quando Jesus viveu entre os homens – Biblioteca de Conhecimentos Cristológicos – Editora Alfalit Brasil – 2000

 

Compilado por Walson Sales.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

Especial Semana do Natal do Bom dia com Teologia! --- Os Pastores

  

Os pastores vivem quase sempre solitários e distantes. Nada sabem do mundo afastado e das festas da terra. O menor fato que aconteça perto deles os comove. Os que visitaram Jesus velavam o rebanho sob uma longa noite de verão, quando foram despertados pela luz e pelas palavras do anjo.

E quando viram, sob a fraca claridade que havia na estrebaria, uma mulher jovem e bela contemplando o filho em silêncio; quando viram o menino com os olhos abertos a pouco, aquelas carnes róseas e delicadas, aquela boca que ainda não tinha comido, o coração deles se enterneceu. O nascimento de uma criança, uma alma que vem sofrer com as outras almas, é sempre um milagre tão doloroso que emociona até as pessoas simples que não compreendem o mistério da vida. E aquele recém-nascido não era, para eles que tinham sido avisados, um desconhecido, um menino como os outros – era Aquele que o seu povo aflito esperava há muitos anos. Era o Salvador, O Messias!

Os pastores certamente ofereceram o pouco que possuíam, o pouco que é muito quando dado com amor. Trouxeram os brancos donativos do pasto: o queijo, alã, e o cordeiro. Ainda hoje, entre as pessoas simples do campo, onde aos poucos estão morrendo os últimos vestígios da hospitalidade e da fraternidade, as mulheres e as filhas dos pastores e agricultores visitam as mães que deram a luz. E nenhuma trás as mãos vazias. Trazem ovos ainda mornos do calor do ninho, uma vasilha com leite fresco ordenhado à pouco, um queijo, uma galinha para o caldo da parturiente. Um novo ser apareceu no mundo e começou seu pranto: os vizinhos, como que a consolar a mãe, dão-lhe presentes.

Os pastores antigos eram pobres e não desprezavam os pobres; eram ingênuos como crianças, e se alegravam com a contemplação das crianças. Eram descendentes de um povo que havia sido gerado pelo pastor de Ur, e tinha sido resgatado do Egito pelo pastor de Midiã. Pastores foram os seus primeiros reis, Saul e Davi, pastores de rebanhos e depois de tribos.

Os pastores de Belém não eram orgulhosos. Um pobre tinha nascido entre eles, e eles o fitavam com amor e com amor lhe davam as suas pobres riquezas. Sabiam que aquele Menino nascido de pobres na pobreza, nascido simples na simplicidade, nascido de populares entre o povo, seria o resgatador dos humildes – daqueles homens sobre os quais o anjo invocara a paz.

 

Fonte: Giovanni Papini – Quando Jesus viveu entre os homens – Biblioteca de Conhecimentos Cristológicos – Editora Alfalit Brasil – 2000

quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

Especial Semana do Natal do Bom dia com Teologia! --- A Estrebaria

  

Jesus nasceu numa estrebaria. Uma estrebaria, uma verdadeira estrebaria, não é o bonito quadro que alguns artistas cristãos antigos e modernos tem pintado sobre o nascimento do Filho de Davi, quase envergonhados de que o seu Deus tenha nascido em um lugar cercado de miséria e de imundície. Não é também o presépio mimoso e encantador, cheio de cores graciosas, com a manjedoura ornamentada e linda, o jumentinho quieto e o boi de olhar lacrimoso, os anjos no teto com as suas asas esvoaçantes, os fantoches dos reis magos com seus mantos de púrpura, e os pastores com os capuzes, de joelhos, em ambos os lados do berço. Isto pode ser o sonho dos fantasistas, o luxo das beatas, o brinquedo das crianças, mas não é, na verdade, a estrebaria onde Jesus nasceu.

Uma estrebaria, uma verdadeira estrebaria, é a casa dos animais, a prisão dos animais que trabalham para os homens. A antiga, a humilde estrebaria dos países antigos, dos países pobres, do país de Jesus, não tem portas ornamentadas com pilastras e capitéis, nem é aquela choupana elegante que costumamos ver nos cartões de Natal que nos enviam em dezembro. A estrebaria são quatro paredes grosseiras, um piso sujo e um teto de varas e palhas. A verdadeira estrebaria é escura, imunda e fétida. Só tem de limpo a manjedoura, onde o homem encarregado de cuidar dos animais prepara o feno e a alfafa.

Os prados primaveris, frescos nas manhãs serenas, ondeantes ao vento, úmidos, foram decepados. As ervas verdes, as folhas altas e finas, as próprias flores semiabertas foram cortadas com facão. Tudo murchou, secou, adquiriu a cor pálida do feno.

Ora, aquelas ervas e flores, ervas áridas e flores sempre perfumosas, agora jazem na manjedoura para saciar a fome dos escravos do homem. Os animais abocanham-nas devagar, com os grandes lábios pretos, e mais tarde o prado florido se ilumina de novo, renascendo do solo transformado em húmido estrume.

Esta é a verdadeira estrebaria onde Jesus viu a luz. O lugar mais sujo do mundo foi o berço do único homem puro entre os nascido de mulher. O Filho do Homem, que devia ser morto pelos animais que se chamam homens, teve como berço a manjedoura onde os brutos ruminam as flores milagrosas da primavera.

 

Fonte: Giovanni Papini – Quando Jesus viveu entre os homens – Biblioteca de Conhecimentos Cristológicos – Editora Alfalit Brasil - 2000

Compilado por Walson Sales.

terça-feira, 21 de dezembro de 2021

Especial Semana do Natal do Bom dia com Teologia! --- O maior Judeu de todos os tempos

  

Há mais de dois mil anos houve um homem que nasceu contra todas as leis da vida. Não houve lugar para ele nas hospedarias, restando apenas uma manjedoura. Seu nascimento não foi celebrado por grandes líderes da sociedade. Esse homem viveu na pobreza e foi criado na obscuridade. Não viajou muito, só uma vez cruzou os limites do país no qual viveu; foi durante o seu exílio na infância.

Não possuía nem riquezas nem influência. Seus pais eram gente obscura, sem instrução, sem uma educação regular. Mas, na sua infância Ele sobressaltou um rei; na meninice confundiu doutores e filósofos; na idade adulta subjugou o curso da natureza, andou sobre as ondas encapeladas como se fossem uma calçada e aquietou o mar. Nunca cursou uma universidade, mas nenhum homem falou com tanta sabedoria e autoridade quanto Ele. Andava como homem, falava como Deus. Suas palavras são poder, seus atos, milagres. Um olhar seu e as águas cristalinas transformaram-se em vinho. Curou multidões sem o uso de remédios e não cobrou pelos seus serviços. Nunca escreveu um livro e, mesmo assim, todas as bibliotecas do país não podem comportar os livros que tem sido escritos a respeito dele. Jamais escreveu um hino, mas ele tem fornecido o tema para mais músicas do que o de todos os músicos somados. Nunca fundou um colégio, mas todas as escolas juntas não poderiam se vangloriar de terem tantos alunos. Jamais formou um exército, nem destacou um soldado, nunca manejou uma arma, mas nenhum outro líder teve um maior número de voluntários que, sob suas ordens, tenha feito os mais rebeldes deporem suas armas e sem renderem sem o detonar de um tiro. Ele é um líder maior que Moisés; um sacerdote maior do que Arão; um líder maior do que Davi; um comandante maior do que Josué; um poeta maior do que Salomão; um profeta maior do que Elias. Nunca praticou a psiquiatria, mas curou um maior número de corações quebrantados que todos os médicos daqui e de lá. Uma vez por semana as rodas do comércio cessam de girar e as multidões se poem a caminho das reuniões de adoração para lhe prestar homenagem e adoração e demonstrar-lhe o seu respeito.

Os nomes dos orgulhosos estadistas Gregos e Romanos apareceram e desapareceram. Os nomes dos cientistas, filósofos e teólogos do passado apareceram e desapareceram; mas o nome deste homem firma-se cada vez mais. Apesar do tempo ter colocado dois mil anos entre as pessoas desta geração e a cena da sua crucificação, ele continua vivo. Herodes não pôde destruí-lo e a sepultura não pôde prendê-lo.

Ele permanece no mais alto pináculo da glória celeste, proclamado por Deus, reconhecido pelos anjos, adorado pelos santos, temido pelos demônios, como o Cristo vivo e pessoal, O Messias e o Salvador, o Redentor de Israel!

Neste exato momento Ele está olhando pra você!

 

Compilado por Walson Sales.