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sábado, 13 de julho de 2019

FRATERNIDADE ROSACRUZ

"Que as rosas floresçam em vossa cruz!", entoa a voz mística e firme do líder, de um típico Centro da Fraternidade Rosacruz. E o eco dos discípulos, probacionistas e estudantes responde: "E na vossa também!" Assim se inicia outra incursão pelos labirintos metafísicos do antigo movimento sectário de 600 anos que hoje, com suas várias facções rivais, é conhecido coletivamente como "rosacruz". 
Juntamente com o Espiritismo, a Teosofia e o Swedenbor-gianismo — que serão examinados em outro volume desta série — o Rosacrucianismo é um conjunto de seitas de forte inclinação mística. Mais que qualquer outro grupo de seitas, ele possui um minucioso conjunto de doutrinas que contém traços de várias fontes, o que o torna de difícil compreensão, sendo assim praticamente impossível analisá-lo. 
O sistema teológico rosacruciano não somente é eclético, com sua mistura de mitologia paga, Cristianismo e Judaísmo, com laivos de Hinduísmo e Budismo, mas é também um sistema de pensamento que procura sintetizar as verdades básicas de todas as religiões, incorporando-as à sua linha principal. 
Consideraremos neste capítulo principalmente a Fraternidade Rosacruz, embora muito do que iremos expor se aplique igualmente aos outros grupos rosacruzes. 
Adiante falaremos também um pouco sobre a AMORC. Fundada em 1907 pelo engenheiro alemão Carl Louis Von Grasshof (1865-1919) — mais conhecido pelo pseudônimo Max Heindel, a Fraternidade Rosacruz preservou muitas das crenças da Sociedade Teosófica (da qual Heindel fazia parte), e alguns aspectos de seu 
vocabulário mostram grande semelhança com o glossário da teosofia, compartilhando o conceito de que o homem passa por várias encarnações, expiando em cada uma os pecados da existência anterior. 
Nas publicações da seita encontramos significativos fragmentos de simbolismo, antropologia, transmigração e até espiritismo. Sua doutrina ensina que há sete mundos, com sete divisões, cujo nível superior é dirigido por um "espírito universal". 
Nesta lógica, toda a natureza, toda a criação acha-se unificada, estando em relação direta com a cruz, que representa tanto o passado evolutivo do homem como seu destino futuro. Nessa seita a cruz perde o que a Bíblia chama de "vitupério". Nenhum membro desta fraternidade está disposto a sair a ele (Jesus) "fora do arraial, levando o seu vitupério" (Hb 13.13). 
Para eles, a cruz é o símbolo do desenvolvimento evolutivo do homem — seu passado, presente e futuro — e não tem sentido como símbolo do preço que Deus pagou para redimir os filhos dos homens (Ap 1.5). Embora seja um sinal importante para a seita, ali ela é vista de forma diferente, pois embora ocupe uma posição central nas suas crenças, aparece cercada de rosas. Cria-se assim o conceito de cruz rosada. O homem se desenvolve com base no místico número 7. Aos sete anos ele possui um corpo vital; aos quatorze, um corpo de desejo, e aos vinte e um a mente atinge sua plenitude, embora o chamado "corpo denso" esteja presente desde o seu nascimento. 
Segundo eles, a missão do Senhor Jesus Cristo era manifestar-se ao mundo para auxiliar a humanidade no seu processo evolutivo. Jesus para ele se acha no nível da mais elevada manifestação: a iniciação do Filho. Assim como ocorreu com Buda e outros grandes líderes religiosos, ele foi revelado para facilitar a evolução humana. O soberano sobre todas as manifestações é o mais elevado iniciado proveniente de Saturno. Esse é chamado de Pai. O Espírito Santo e conhecido como o mais alto iniciado da lua. Contudo nem o Espírito Santo nem o Filho têm atuação no sentido de operar uma expiação viçaria ou regeneração espiritual que culminaria com a redenção do indivíduo. Isso ocorre pela reencarnação psíquica. 
Caminhando pelo labirinto terminológico e doutrinário dessa seita, encontramos ainda os três céus, aos quais se pode chegar através do sofrimento, do silêncio e da meditação e, eventualmente, pelo ciclo da reencarnação. Ensinam eles que o corpo físico ou denso está ligado ao espiritual por um cordão de prata. Por ocasião da morte, esse cordão se rompe, libertando nossa natureza superior da física. Dizem os rosacruzes que Platão cria em suas doutrinas, já que falava tanto sobre o "mundo das idéias" ou mundo da alma. Afirmam também que inúmeros outros homens ilustres foram estudiosos, ainda que secretamente, das verdades veiculadas pela seita. Eles in-
cluem em suas especulações até o continente perdido da Atlântida e a misteriosa raça lemuriana. Aliás, existe muito pouca coisa que eles não incluem em sua história mágico-mitológica. E tudo que retiram do Cristianismo apresentam de forma 
distorcida. Quando um leitor de suas publicações consegue entender os seus vários períodos (do sol, da lua, de saturno, etc.) e depois os éteres, os corpos, e enfim as numerosas hipóteses de sua filosofia, fica profundamente impressionado com o grande volume de dados que a seita conseguiu juntar para substituir as revelações bíblicas. 
Quase sempre, esse leitor fica confuso, pois o vocabulário e os conceitos empregados têm de fato certa semelhança com o Cristianismo. Mas ao mesmo tempo pode perceber que é nitidamente diferente. 
A visão rosacruciana de mundo é panteísta, isto é, de algum modo, tudo que existe é parte ou expressão da essência ou natureza de Deus. Deus é tudo. Essa visão panteísta afeta todos os aspectos da crença. Assim sendo, ela possui muitos pontos de analogia com outras seitas panteístas, como a Unidade, a Ciência Cristã, a Teosofia e o Grande Eu Sou. 
Não é nossa intenção dedicar muito espaço à teologia da rosacruz, o que não acrescentaria nada ao leitor. Contudo, como essa seita está-se tornando muito popular no mundo ocidental, será bom mencionar sua história e estrutura teológica, no que diz respeito à doutrina de Deus, à Pessoa, natureza e obra de Jesus Cristo e ao destino final da humanidade.

O império das Seitas
Walter Martin
Via: Eziel Ferreira