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segunda-feira, 20 de abril de 2020

Milagres- Resposta ao Ceticismo de Acadêmicos Modernos

Há três razões  principais por que muitos acadêmicos modernos acreditam que milagres não acontecem. Em primeiro lugar, alguns acreditam que a ciência refuta os milagres. A mais famosa enunciação dessa convicção vem do acadêmico do Novo Testamento e teólogo alemão, Rudolf Butmann, quando declarou que "o conhecimento e domínio que o homem tem do mundo avançou a tal ponto, em razão da ciência e da tecnologia, que não mais é possível que alguém defenda seriamente a visão de mundo do Novo Testamento'.
Os povos antigos simplesmente não tinham o entendimento das leis universais de causa e efeito que nós temos, e por isso acreditavam no que nós não podemos crer.
Em segundo lugar, outros admitem a possibilidade do miraculoso em teoria, mas insistem que , na pratica, sempre haverá uma probabilidade mais alta de que uma explicação naturalista se responsabilize pelo misterioso. A clássica exposição deste ponto de vista vem do filosofo escocês do século XVIII, David Hume, que defendeu essa afirmação enfatizando quão frequentemente a declaração de testemunhas confiáveis pode estra equivocada, quão frequentemente pessoas ingênuas e crédulas caem presas  de interpretações equivocadas de eventos incomuns. Hume adotou um uniformitarianismo filosófico, isto é, declarando que uma pessoa não pode atribuir uma causa a um evento que não observou nem vivenciou diretamente ( nem obteve a informação  de alguém que observou ou vivenciou o evento).
Finalmente, um terceiro argumento apela para os aparentes paralelos na antiga religião e mitologia. Historias similares eram contadas sobre os deuses e deusas gregos e romanos. Quase contemporâneos de Jesus, por exemplo, Apolônio, no mundo grego e Hanina bem Dosa ou Honi, o que faz chover, no mundo judeu, são considerados como tendo realizado milagres, alguns deles assombrosamente similares aos primeiros prodígios e maravilhas cristãos. Portanto, esse argumento tenta sugerir que nos interpretamos mal o gênero literário das historias de milagres bíblicos, que jamais teriam pretendido registrar fatos sérios, mas seriam relatos fictícios designados a ensinar lições teológicas. Classicamente estruturada nos meados dos séculos XIX  por David Strauss, esta é hoje em dia a explicação dominante para as historias de milagres da Bíblia, entre o ramo mais cético dos acadêmicos. Cada um dos três argumentos merece uma resposta.

Respostas
Em resposta a reinvindicação cientifica, é importante enfatizar que em uma era pós-Einstein, pós- Heisenberg, os filósofos da ciência são cada vez menos dogmáticos sobre o que pode ou não acontecer, reconhecendo que a ciência, por definição , é o estudo do que é repetível, e por isso não pode avaliar a existência divina. Se Deus , por definição, é um ser sobrenatural que criou o universo, então nós devemos aceitar a possibilidade de que Ele ocasionalmente interrompa as leis cientificas normais de causa e efeito, para criar o que chamamos de milagre. Curiosamente, mesmo nesta era altamente tecnológica e cientifica, a substancial maioria  dos norte-americanos adultos ainda crê em milagres, porque respostas dramáticas a orações e curas físicas instantâneas e inexplicáveis continuam a acontecer com excessiva frequência para que se possa negá-las. Por outro lado, devemos nos lembrar de que, já no período do Novo Testamento, as pessoas sabiam que os mortos  normalmente não ressuscitam, e que os doentes não se curam instantaneamente. Muito frequentemente , nos declaramos a ingenuidade dos povos primitivos de maneira que simplesmente não são fieis a historia.

Embora ainda encontre adeptos, a objeção filosófica foi refutada a mais de três séculos. O testemunho de pessoas confiáveis ainda deve ser levado em consideração, mesmo se o que elas descrevem parece inacreditável. Algumas pessoas são ingênuas, mas não todas, e nem todas ao mesmo nível. Algumas certamente estão procurando milagres, e podem acreditar que os encontraram, por meio de algum processo de "cumprimento de desejos". Mas os céticos endurecidos também foram convertidos a fé cristã por causa dos milagres que decididamente não estavam procurando. E o uniformitarianismo prova: pelo seu critério, ninguém que viva os trópicos, em uma época diante da  comunicação global e tecnológica moderna, teria qualquer razão para crer no gelo! Além disso, o uniformitarianismo marcara um determinismo antropológico ; isto é, ele não deixa espaço para que o livre-arbítrio humano crie uma nova causa para um evento jamais imaginado antes.

Quanto aos paralelos com outras religiões antigas, não é provável que sejam responsáveis  por gerar as historias de milagres contidas nos Evangelhos e no livro de Atos. Os mitos clássicos grego-romanos eram sobre deuses e deusas que jamais viveram vidas humanas verdadeiras na terra. Nas raras ocasiões em que os milagres eram atribuídos a heróis humanos endeusados, como Asclépio ( embora mesmo então haja debates se este homem realmente existiu), ainda eram pessoas de séculos passados  cujos retratos cresceram ao nível de lendas detalhadas somente depois de centenas de anos. Os milagres que aconteceram nos tempos do Novo Testamento em santuários dedicados a Asclépio provavelmente podem ser explicados pelo que hoje seria chamado de processos psicossomáticos. Apolônio de Tyana viveu depois da época de Cristo e a composição dos Evangelhos e do livro de Atos, de modo que as suas supostas curas e ressurreições não podem ter influenciado os primeiros relatos cristãos. Hanina teve  milagres de curas atribuídos a ele, mas somente por meio da oração, ao passo que Cristo e os apóstolos  ordenavam que as pessoas curadas diretamente, e elas realmente ficavam curadas. O único milagre atribuído a Honi, como sugere o seu apelido, foi ter feito chover, um tipo de milagre que jamais é retratado nos Evangelhos ou  no livro de Atos. Mas, dada a fé cristã de que Deus realizou milagres por intermédio de judeus fieis, e de que Satanás pode realizar falsos milagres, não há razão necessariamente para rejeitar todas as histórias antigas de outros eventos aparentemente sobrenaturais.


Livro: Questões cruciais do Novo Testamento (Craig L. Blomberg)
Via Fabiana Ribeiro.

sexta-feira, 19 de julho de 2019

Línguas como Evidencia ou Dom de Línguas?

Embora houvesse hesitado sobre a necessidade de línguas como prova do batismo do Espírito Santo na controvérsia dentro das Assembleias de Deus em 1918, W.T. Gaston, um superintendente geral posterior, deixou sua posição clara no tratado “The Sing and the Gilf of Tongues” [O Sinal e o Dom de Línguas] [n.d]. Sobre a importante diferenciação entre a função das línguas no livro de Atos e o dom das línguas em 1Coríntios 12 e 14 para a posição sobre a evidencia inicial, Gaston observa:
Em Marcos 16 as novas línguas são mencionadas como um dos sinais que seguirão os que creem no Evangelho. Três exemplos concretos estão registrados no livro de Atos. Em 1 Coríntios 12, lemos que o dom de línguas foi estabelecido na Igreja. Seu uso é regulado no capítulo 14. O “sinal” é prometido em Marcos e cumprido em Atos, e o “dom” definido e regulado em Coríntios é sempre o mesmo em essência e uso? Esta é uma pergunta viva até hoje como nenhuma alma honesta bem informada negará que há múltiplos milhares de casos genuínos de novas línguas após a pregação do Evangelho de hoje.
Muitos queridos irmãos afirmam que todo verdadeiro exemplo é o dom das línguas; que o Batismo no Espírito é para todos os crentes, e que cada crente assim ungido receberá um ou mais dos nove dons – como Ele quer; enquanto um número cada vez maior de santos cheios do Espírito vê uma distinção na área e uso de línguas, entre aquela experiencia inicial no derramamento do Espírito como em Atos, onde a manifestação parece incluída e inerente à maior experiencia do Batismo do Espírito. Onde o vaso humano produzido é controlado inteiramente pelo Espírito divino – daí, ilimitado e sem restrições. E nas línguas como um dom na assembleia estabelecida como em Corinto, onde a manifestação está sob controle da mente humana ungida, onde seu exercício é limitado e prescrito. Esta distinção em uso está claramente marcada nas Escrituras [...]
Outra razão pela qual não posso ver que todo falar em línguas é dom, no sentido limitado e prescrito de 1 Coríntios 14, é porque aquela instrução apostólica que rega o uso do dom nas assembleias esta em conflito com a prática dos apóstolos em relação ao fenômeno das línguas no derramamento pentecostal. Primeiro observe, aqueles que têm o dom na assembleia, devem manter o silencio a menos que haja um intérprete; só falam consigo mesmos e com Deus; e onde há um intérprete, “falem dois, ou quando muito três, e por sua vez, e haja intérprete”. Isto é, não mais do que três devem falar em qualquer reunião, e um cada vez; enquanto um é para interpretar. Repito, essas instruções estão em aberto conflito com a prática dos apóstolos nos Atos. Em Cesaréia, toda a multidão magnificava a Deus em línguas sem nenhum esforço da parte de Pedro em manter a ordem e ter as línguas interpretadas. E também, quando consideramos que eles quebrantaram diretamente no sermão do pregador, e o orador um apóstolo, e sem dúvida poderosamente ungido, pois Pedro não tinha acabado sua mensagem – ele disse que tinha apenas “começado”; quando esses gentios começaram a falar em línguas, não um de cada vez. Certamente arruinariam um bom sermão em Cesaréia. Mas, com certeza, o Espírito Santo tem o direito de substituir até mesmo um apóstolo; e este é o simples, mas brilhante relato do Espírito Santo descendo sobre eles e tomando posse deles. Pedro poderia muito bem deixar de falar com eles, enquanto Deus é condescendente em falar através deles.
[...] quando pelo próprio Espírito, usando suas faculdades rendidas e extasiadas, eles [os crentes em Atos 2] começaram a engrandecer Deus, de uma só vez, e em várias línguas. Poderia qualquer coisa estar mais flagrante violação do entendimento geral de “decência e ordem” nas reuniões religiosas? No entanto, os apóstolos não tentaram chamar essas assembleias à ordem. Na verdade, eles mesmo o fizeram em Jerusalém (Atos 2.4).
Concluo com esta observação que, para evitar que as Escrituras ao lidar com esse assunto se contradigam, e os ensinamentos de Paulo discordem seriamente de sua prática, devemos distinguir entre o uso de línguas, sob o controle da mente e o regulado pela instituição apostólica, e ao falar inicial em línguas que acompanhou o derramamento do Espírito nos Atos, onde o candidato – a mente, a língua e tudo o mais – está controlado pelo Espírito, sem qualquer tentativa de regulação por qualquer apóstolo em qualquer momento.
(Evidencia Inicial: Perspectivas Históricas e Bíblicas sobre a Doutrina Pentecostal do Batismo no Espírito. Gary McGree)
Por Rafael Félix.

segunda-feira, 15 de julho de 2019

O evangelismo e os pentecostais

Para os primeiros pentecostais, a igreja do novo testamento em todo o seu poder apostólico e pureza estava sendo restaurada. A edição de setembro de 1906 de The Apostolic Faith [A Fé Apostólica], publicada por líderes na missão da rua Azusa, De onde veio o jovem movimento começou a adquirir de missões internacionais, anunciou animadamente que “o Pentecostes certamente veio e com ele as evidências bíblicas estão seguindo, muitos sendo, santificados e cheios do Espírito Santo, falando em línguas Como fizeram no dia do Pentecostes [...] E o verdadeiro Avivamento apenas começou”. De fato, em apenas algumas décadas, o pentecostalismo provou ser uma espantosa e fibrosa força na cristandade, notável por seus extraordinários resultados na evangelização.
Quando o Parham e seus alunos em Topeka testemunharam falar em línguas (ou seja, xenolalia [línguas estrangeiras não aprendidas]), eles acreditavam ter encontrado a solução para a questão da evidência, tendo sido providos com línguas estrangeiras para agilizar a evangelização do mundo. Junto com as línguas veio um amor maior pelos perdidos, bem como a capacitação para testemunhar. Tendo discernido um paradigma para a expansão da igreja no livro de Atos, os Pentecostais concluíram que os dados bíblicos confirmam a necessidade de línguas (mais tarde consideradas por muitos como sendo glossolalila). Embora Marcos 16.17-18 e 1 Coríntios 12 e 14 também tenham servido como Fontes vitais no desenvolvimento da teologia Pentecostal, o apelo ao “padrão” no livro de Atos permaneceu primordial, fornecendo o modelo apostólico para este movimento Mundial.
(Evidência Inicial. Gary McGreen)
Por Rafael Félix.

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Estudos sucintos sobre as passagens fundamentais relativas ao Cessacionismo (Pt 03)

Efésios 3.14-21
14 Por causa disto me ponho de joelhos perante o Pai [...] 16 para que, segundo as riquezas de sua glória, vos conceda que sejais corroborados com poder (δυνάμει) pelo seu Espírito no homem interior; 17 para que Cristo habite pela fé nos vossos corações; a fim de, estando arraigados e fundados em amor, 18 poderdes perfeitamente compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade, 19 e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais cheios de toda plenitude de Deus. 20 Ora, aquele que é poderoso para fazer tudo, muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera, 21 a esse glória na igreja, por Jesus Cristo, em todas as gerações, para todo o sempre, Amém.

Esta passagem oferece indicações fortes do esquema repetido por Paulo dos Charismata que persiste até o fim. Devemos observar os paralelos com 1Co 1:4-8 e 13:8-14. Paulo também ora para que Deus, o Pai, conceda o Espírito Santo ao leitor, que lhe revele o conhecimento de Cristo e seja “cheio da plenitude de Deus,” que é um estado ideal parcialmente realizado no presente e plenamente realizado no eschatom. A “plenitude de Deus,” entre outras coisas, pode refletir a condição de ser “cheio do Espírito,” que é claramente um fenômeno repetido produzindo atividade carismática (Ef 5:19; At 2:4; 4:8; 31; 9:17; 13:9, 52).

A doxologia (vv. 20-21) repete o tema acima. Paulo começa a louvar a Deus e a descrevê-lo em termos de Sua provisão de δύναμις (“poder”) disponível a seu povo se algum crente (“nós”) pedir (como pedindo por enchimentos do Espírito, como fez Paulo. Deus é glorificado pelo poder miraculoso que atualmente opera na Igreja. A gama de coisas pelas quais os crentes são ordenados a “pedir”, certamente inclui o Espírito carismático. Deus sendo “glorificado” por milagres é um tema comum nos Evangelhos Sinóticos e Joanino. Se a natureza essencial do Espírito é carismática, então a mera menção do Espírito neste contexto de Sua operação na Igreja indicaria que os Charismata estão envolvidos aqui. Contudo, isto é confirmado e explicitado pelas referências repetidas ao “conhecimento” e ao “poder” como descrevedores do Espírito ou de Deus operando nesta passagem.
Mas o ponto crucial aqui é que um contexto escatológico governa a operação do Charismata. A doxologia se refere a Deus, “O poderoso Capacitador” (της δυνάμεως, cf. Mc 14.62), cuja atividade ilimitada e inimaginável funciona “de acordo com o δύναμις energizando-nos (a igreja)”. Isso parece referir-se a uma gama mais ideal e completa dos Charismata.
(Sobre a Cessação dos Charismata: A polêmica Cessacionista sobre os Milagres Pós-Bíblicos. Jon Ruthven)
Por Rafael Félix.

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Estudos sucintos sobre as passagens fundamentais relativas ao Cessacionismo

(Pt 02)
Ef :.7-21
Em Efésios 1:17-21, mais uma vez este mesmo padrão de operação de dons espirituais por todo tempo antes do eschaton, é repetido. Como em 1Coríntios 1:4-8, ele dá graças por eles, e continua a pedir que
17 Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê o espírito de sabedoria e de revelação em toda sabedoria dele; 18 que tendo iluminados os olhos dos vosso entendimento, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação, e quais as riquezas de sua gloriosa herança nos santos; 19 qual a sobre-excelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder, 20 que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos, e pondo-o à sua direita nos céus, 21 acima de todo o principado, e poder, e potestade, e domínio, e de todo o nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro.
Esta passagem está cheia de implicações para o Cessacionismo. Primeiro, o Espírito é caracterizado pela “sabedoria e revelação”, mais uma vez, dois dos charismata e, por extensão, caracterizados ainda mais como “sobre-excelência do seu poder” (v.19). Em segundo lugar, Paulo está orando para que eles possam conhecer [no sentido bíblico de ‘experiencia’, em vez de unicamente conhecimento, entre outras coisas], “a sobre-excelência do seu poder (δυναμις) sobre nós os que cremos [particípio presente, πιστεύοντας (que cremos), ou, crentes em geral].” Este poder é descrito como “semelhante” [κατά com o acusativo] ao poder da ressurreição de Cristo. Paulo enfatiza vigorosamente a “grandeza sobre-excelente” (ύπερβάλλον, extraordinária) deste poder, que é como, insiste ele, a “operação (lit. ‘energizando’) do poder de sua força.” Uma descrição do poder “miraculoso” – como a do milagre supremo, a ressurreição – normativamente em ação na igreja cristã, dificilmente poderia ser mais explícita. Em terceiro lugar, como em tantas outras passagens do Novo Testamento, Paulo une a distribuição dos Charismata, neste caso, poder miraculoso, à exaltação de Cristo, não ao apostolado paulino, como Warfield insistia. O quarto e mais importante ponto d nosso estudo é que esse poder deve ser experimentado “não só na era presente, mas também naquela que virá.” Talvez se objete que esta ultima citação se aplica somente à exaltação de Cristo e não ao poder na Igreja.
Mas a oração de Paulo é que Deus “dê” (δώη, aoristo subjuntivo) dons de sabedoria e conhecimento, ambos como vimos, conhecidos como contemporâneos, nesta época presente. Conectado com este verbo principal, “dê”, está o particípio perfeito, (πεφωτισμένους [tendo sido iluminados], indicando ação completada antes da ação do verbo principal), ou seja, “corações iluminados” para que os leitores possam “conhecer a esperança para qual foram chamados.” A “esperança” poderia ser uma característica da era vindoura se o objeto da esperança for realizado? Além disso, as palavras finais desta longa sentença, formada pelo vv 15-23, qualificam anda a atividade do Cristo exaltado em direção à sua Igreja durante a ‘era presente”: “Deus colocou todas as coisas debaixo dos seus pés (incluindo os poderes demoníacos)” e colocou-o como cabeça sobre todas as coisas que é “para, dado à,” “Igreja, o seu corpo, a plenitude daquele que preenche tudo em todos os sentidos.” Esta última frase certamente parece ampla o suficiente para incluir a distribuição dos Charismata. Além disso, a colocação do δόξα (glória) e seus cognatos indicam uma forte implicação escatológica para os contextos.
Assim, o ponto aqui é estabelecer que as operações dos Charismata são fixadas pelo menos “na era presente” com forte sugestão de que o poder de Deus, experimentado agora pela Igreja, também, como o amor em 1Coríntios 13:13 e a exaltação de Cristo continuará na “era vindoura.”
(Sobre a Cessação dos Charismata. Jon Ruthven)
Por Rafael Félix.

domingo, 30 de junho de 2019

Estudos sucintos sobre as passagens fundamentais relativas ao Cessacionismo

(Pt 01)
Ef. 1.13-14
O ponto escatológico final dos Charismata surge nos seguintes versículos (1.13-14)
13 [...] e, tendo nele [Cristo], também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa; 14 o qual é penhor (αρραβων) da nossa herança até (εις) a redenção da possessão adquirida, para louvor da sua glória.
Aqui Paulo descreve o Espírito agindo como um “selo”, como elo de propriedade, que adverte a todos que veem, que o crente está sob a proteção de Deus. Outra metáfora, a do αρραβων (garantia), também entra em jogo. Ambas as figuras, referindo-se ao Espírito (selo, e para do pagamento), carregam um significado escatológico quanto ao tempo em que o Espírito carismático opera ente os leitores. Especificamente, Ele continua sua obra carismática nos crentes até (εις) que eles recebam a completa redenção da possessão, ou seja, quando os crentes recebem a plenitude do Espírito na consumação do reino.
(Sobre a Cessação dos Charismata: A Polêmica Cessacionista sobre os Milagres Pós-Bíblicos. Jon Ruthven)
Por Rafael Félix.

quarta-feira, 19 de junho de 2019

Quem foi B. B Warfield e o que ele fala sobre os dons espirituais?

Benjamim Breckinridge Warfield (nasc. 1855) foi um professor de teologia didática e controvérsia teológica no Seminário de Princenton de 1887 até sua morte em 1921. Warfield é talvez mais bem conhecido como o último dos defensores da ortodoxia calvinista que permaneceram em Princeton. Em um prodigioso número de artigos, resenhas, livros e monografias, Warfield tentou opor-se à crescente onda do liberalismo que tinha, pensava ele, negado a inspiração divina e inerrância das Escrituras. Uma extenção desta preocupação foi a crescente ênfase sobre a experiencia religiosa que para Warfield, minimizava a centralidade da revelação proposicional para entender o contexto da Escritura.
[...] Mas a influencia decisiva d Warfield não se limitou ao debate Evangélico sobre a Escritura. Ele também elaborou uma declaração definitiva para os evangélicos sobre outra questão: a ocorrência de milagres modernos.
[...] A controvérsia de Warfield é expressa nas proposições cessacionistas Protestantes tradicionais sobre os dons miraculosos: 1) O papel essencial dos dons miraculosos é credenciar a verdadeira doutrina ou os seus portadores. 2) Embora Deus providencialmente aja de maneiras incomuns, ou mesmo esclarecedoras, os verdadeiros milagres se limitam às épocas de especial revelação divina, ou seja, aqueles que ocorrem dentro do período bíblico. 3) Os milagres são julgados pelas doutrinas qu eles pretendem credenciar: se as doutrinas são falsas, ou mudam as doutrinas ortodoxas, os milagres as acompanham são necessariamente falsos.
[...] A falha central do Cessacionismo de Warfield é a confusão entre a suficiência da revelação, a saber a manifestação histórica única de Cristo e a doutrina apostólica finalmente revelada nas Escrituras com os meios instrumentais de comunicas, expressar e aplicar essa revelação, ou seja, através dos dons espirituais, incluindo os dons de profecia e milagres. Em outras palavras, os dons espirituais não credenciam o Evangelho, nem substituem o Evangelho; em vez disso, os carismas expressam o Evangelho. Assim como o procedimento físico de pregar o Evangelho não nega a sua mensagem, tampouco o faz o dom da profecia; assim como um charisma da hospitalidade expressa, mas não substitui ou diminui o significado do sacrifício da graça de Cristo, tampouco o faz o dom de cura. Alegar que certos dons do Espírito (a saber, os meios de comunicação e expressão) são substituídos pelo Evangelho (o conteúdo da comunicação), é como afirmar que os “milagres” da rádio e televisão cristãos são necessariamente substituídos pela teologia cristão. Mas, além disso, os dons espirituais são manifestações divinamente ordenadas do Jesus ressuscitado e exaltado; na verdade, eles são o “poder de Deus para a salvação.”

(Sobre a Cessação dos Charismata: A Polêmica Cessacionista sobre os Milagres Pós-Bíblicos. Jon Ruthven)
Por Rafael Félix.

sábado, 15 de junho de 2019

Funções e Propósitos de: Milagres

Os milagres e os dons são um elemento essencial na própria natureza do Reino de Deus que Jesus apresentou, do evangelho proclamado e demonstrado pelos discípulos, apóstolos e pela Igreja. Um exame das Escrituras revela que os milagres não provam o evangelho, mas são um elemento essencial dele. Os milagres representam, na realidade, o deslocamento do domínio de Satanás para o Reino de Deus, seja no domínio físico, emocional, moral ou espiritual; o evangelho articula esses eventos. Portanto, remover a presença do poder carismático de deus no evangelho cristão é destruir sua própria essência como distrito biblicamente. Talvez seja este medo que levou o escritor de 2Timóteo 3:5 a prever uma luta escatológica contra aqueles com “aparência de piedade, mas negando a eficácia (δυναμιν) dela.”. A natureza do evangelho é “miraculosa” no modo como ela é apresentada, e também na maneira como ela continua seu propósito na comunidade da Igreja.
(Sobre a Cessação dos Charismata: A Polêmica Cessacionista sobre os Milagres Pós-Bíblicos. Jon Ruthven)
Por Rafael Félix.

sábado, 8 de junho de 2019

O Falar em Línguas entre os Samaritanos

Embora o registro bíblico não estabeleça especificamente que as pessoas em Samaria falavam em línguas quando receberam o Espírito Santo, isso implica que um sinal miraculoso ocorreu. Várias observações significativas podem ser feitas: (1) os samaritanos acreditavam na mensagem que Filipe pregava sobre Jesus Cristo, mas eles não receberam o Espírito Santo no momento de sua fé inicial; (2) os samaritanos não receberam o Espírito Santo quando foram batizados em água; (3) os milagres de libertação e cura trouxe grande alegria ao povo, mas a alegria não era o sinal do derramamento do Espírito Santo; (4) Filipe e os apóstolos sabiam que o Espírito Santo não havia caído sobre os samaritanos; (5) Pedro e João vieram de Jerusalém para ajudar os samaritanos a receberem o Espírito Santo; (6) Filipe e os apóstolos esperavam um sinal miraculoso definitivo para acompanhar o recebimento do Espírito; e (7) os apóstolos e outros testemunharam o sinal exterior quando os samaritanos receberam o Espírito Santo.
Concluímos que a evidencia inicial antecipada e manifestada em Samaria não era fé, libertação de demônios, curas milagres, batismo com água ou alegria. Embora o Espírito Santo tenha sido dado quando os apóstolos impuseram as mãos aos crentes samaritanos, este ato não foi nem o dom do Espírito Santo nem a evidencia. (Significativamente, a imposição de mãos não acompanhou o derramamento do Espírito em Atos 2 ou Atos 10). A imposição de mãos ajudou aos destinatários, mas conferir o Espírito Santo é obra de Deus e não do homem, pois somente Jesus batiza com o Espírito Santo. Além disso, conferir o Espírito Santo estava além das orações ungidas dos apóstolos, pois dos próprios destinatários veio a evidencia do enchimento do Espírito.
A passagem revela que a evidencia foi exteriormente observada pelos apóstolos e outros. Simão, o Feiticeiro, testemunhou o sinal: (At 8.18-19). Uma vez que a evidencia foi observada tanto pelos crentes quanto pelos perversos, isto foi um sinal externo. Além disso, sua natureza miraculosa é evidente na medida em que impressionou um mágico que desejava poder de outorgar este sinal sobrenatural segundo sua vontade.
Enquanto Atos 8 não nomeia nenhuma evidencia específica, uma comparação do evento samaritano com as efusões do Espírito em Atos 2, 10 e 19 indica fortemente que os samaritanos falavam em línguas.
(Evidencia Inicial. Gary McGee)
Por Rafael Félix.

sexta-feira, 7 de junho de 2019

A expressão “ser batizado no Espírito” pode ser legitimamente usada como é hoje pelos Pentecostais clássicos?

A resposta, acredito, é sim. Os cristãos através dos tempos usaram termos bíblicos para nomear doutrinas teológicas sistemáticas. Mas a mesma ressalva se aplica como sempre, de não confundirmos a doutrina da teologia sistemática com o termo bíblico propriamente dito. Nessa área, por exemplo, a doutrina pentecostal clássica engloba na verdade a maioria dos termos usados por Lucas para o recebimento do Espírito e, portanto, extrai de textos onde nem mesmo o termo baptizô é usado. Mas a terminologia “ser batizado” é a mais apropriada de todos os termos lucanos para a discussão teológico-sistemática da experiencia iniciada de receber o Espírito.
A aplicação de princípios e métodos aceitos de crítica bíblica – incluindo o estabelecimento de uma teologia bíblica ao invés de uma teologia sistemática, reconhecendo a natureza do gênero e implementando as ferramentas de redação e crítica literária – aos textos tradicionais da doutrina da evidência inicial apoiam a ideia de que ser batizado no Espírito Santo é algo distinto da conversão. Ele pode ocorrer dentro do mesmo período de tempo que a conversão, mas é distinto. A conversão envolve o estabelecimento de relacionamento com Deus; ser batizado no Espírito envolve a iniciação em poderoso e carismático ministério.
(Evidência Inicial. Garry McGee)
Por Rafael Félix.

sábado, 1 de junho de 2019

A falácia Cessacionista

"Não há versículos bíblicos que digam que o falar em línguas sempre foi uma evidência do enchimento do Espírito Santo."

O falar em línguas ocorreu no momento do derramamento ou enchimento do Espírito Santo; isso foi verdade não apenas em um caso isolado. Dos quatro casos registrados no livro de Atos, onde as pessoas receberam o enchimento do Espírito Santo, em três é definitivamente afirmado que falaram em línguas: Atos 2.1-4; 10.44-46; 19.1-6. não há registro de alguém falando em línguas antes de ser batizado no Espírito Santo.
(Evidência Inicial. Gary McGee)
Por Rafael Felix.

sexta-feira, 10 de maio de 2019

O Montanismo e o Cessacionismo


Uma raiz do Cessacionismo surgiu dentro do Montanismo. Alguns pais da igreja reagiram contra uma suposta declaração cessacionista por uma profetisa montanista. Eles a citam como reivindicando que, "depois de mim, não haverá mais profecia, mas seu término (συν τέλειον) uma provável referência ao uso que Jesus deu à palavra em Mateus 28:20. Contra essa sugestão de Cessacionismo alguns apelaram para 1Co 13:10. Por exemplo Eusébio registra que Milciades faz isso contra Maximila e conclui ser necessário que o dom profético esteja em toda a Igreja até na vinda final.
Apesar da posição teológica dos pais contra o Cessacionismo dos Judeus. Montanistas e outros, apesar dos apelos abundantes de profecias contemporâneas visões, milagres, especialmente exorcismos realizados para evangelizar os pagãos, e apesar do crescente interesse em milagres como ajudas à piedade, alguns líderes da igreja, no entanto, ocasionalmente tornaram polêmica de seus oponentes contra si mesmo.
(Sobre a Cessação dos Charismata. Jon Ruthven)
Por Rafael Félix.

quinta-feira, 9 de maio de 2019

A Doutrina Bíblica do Espírito Santo é oposta ao cessacionismo

A pneumatologia “bíblica” de Warfield, especialmente sua descrição do Espírito no mundo de hoje, é limitada e quase que exclusivamente a questões teológicas pós-bíblicas da ontologia e seu papel nos conceitos calvinistas de regeneração e santificação.
Esta Pneumatologia Calvinista tradicional e as conclusões de exegese bíblica tradicional foram mutuamente condicionadas, fazendo com que gerações de eruditos ignorassem as implicações carismáticas nos textos diante deles. Consequentemente, Warfield não conseguiu apreciar um consenso emergente na erudição bíblica que apontou a função esmagadoramente carismática do Espírito Santo descrita nas Escrituras. Se ele tivesse feito isso, teria achado quase impossível falar da atividade contemporânea do Espírito em termos verdadeiramente bíblicos, sem mencionar a aparição contínua dos dons “extraordinários”. O ônus da prova do cessacionismo repousa sobre Warfield e aqueles que mudaria tão rapidamente a característica, senão a atividade essencial e central de um Deus imutável como Espírito.
Não é simplesmente a falha de Warfield em compreender a atividade bíblica característica do Espírito que é tão contrária ao Cessacionismo, mas que a Escritura enfatiza repetidamente a promessa do derramamento universal do Espírito da profecia e milagre sobre “todas as pessoas”. Essa promessa é cumprida não apenas nos apóstolos credenciados e àqueles” sobre os quais foram impostas mãos apostólicas,” mas a todas as gerações futuras, tendo por condição apenas o arrependimento e a fé [...] A Bíblia vê a efusão do Espírito e seus dons sobre a igreja como característica central da era do Messias e seu reinado no Reino de Deus.
(Sobre a Cessação dos Charismata. Jon Ruthven)
Por Rafael Félix.

quarta-feira, 8 de maio de 2019

Os dons nos Pais da Igreja.

O testemunho unânime sobre o significado de το τέλειο neste contexto pelos primeiros Pais da Igreja que estavam envolvidos numa controvérsia cessacionista sobre os Montanistas que, como os Coríntios, afirmavam a perfeição espiritual atestada pelo dom da profecia. Esses Pais também reagiram contra uma alegada declaração cessacionista de uma profetiza Montanistas, Maximila. Eles a citam dizendo: "Depois de mim não haverá mais profecia, mas o fim (συντέλειας)," uma provável referência ao uso da palavra por parte de Jesus em MT 28.20.
Muitos pais primitivos argumentaram contra o Cessacionismo apelando para 1Corintios 13.10 para refutar esse dito ou essas reinvidicações Montanistas à perfeição espiritual.
Eusébio registra que Miltiades cita 1Co 13.10 contra Maximila e conclui: "É necessário que o carisma profético esteja em toda a Igreja até a vinda final." Contra a existência "perfeita", atualmente realizada e reinvindicada pelos Montanistas, os Pais empregaram 1Co 13.8-12, especialmente o v.10, para mostrar que o "perfeito" (τό τέλειον) era ainda futuro quando da vinda de Cristo.
Um estudo exaustivo de Gary Shogren definiu o uso de τέλειον em 1Co 13.10 como aparece nos primeiros Pais da Igreja e descobriu que eles eram unânimes em sua compreensão dessa frase como referindo-se ao fim da era presente na segunda vinda de Cristo. Onde eles discutiram a cessação dos dons espirituais nesta passagem, foram unânimes na opinião de que os dons espirituais continuariam até a vinda de Cristo no final desta era.
(Sobre a Cessação dos Charismata. Jon Ruthven)
Por Rafael Félix.

A função dos dons

Paulo fala que Cristo, por meio de seus dons espirituais, continuará a ação de progressivamente "fortalecer/confirmar" os crentes, moralmente, espiritualmente e fisicamente "até (έως) ao fim (τέλους)," isto é, até ao ponto em que os leitores estarão "irrepreensíveis no dia do Senhor Jesus Cristo." Os dons continuam confirmando Cristo, fortalecendo progressivamente os crentes moral e espiritualmente até o eschaton que é descrito como "o fim," ou seja, o ponto em que os leitores serão "irrepreensíveis," não nesta era, mas "no dia de nosso Senhor Jesus Cristo."
(Sobre a Cessação dos Charismata. Jon Ruthven)
Por Rafael Félix.

sexta-feira, 19 de abril de 2019

As funções dos milagres (Pt. 01)

A teoria romanista considerou que os milagres continuaram ao longo da história credenciando a verdade da doutrina Católica até os dias atuais. Esta teoria, Warfield escreve, é, pelo menos, mais “consistente e razoável” do que a “opinião predominante” do seu tempo que considerava que os milagres continuaram após a era apostólica para poucos, geralmente três ou quatro séculos. Walfield cita a Free Inquiry (Investigação Livre) de Middleton pelo fato desta manter tal opinião predominante. A primeira é que os milagres eram obrigados a fortalecer a Igreja até que o poder civil do Império Romano convertido ao cristianismo e estivesse numa posição de protege-lo. A Igreja, “sendo agora entregue a todos os perigos, e segura do sucesso, escondeu-se sob a proteção da maior potencia do mundo”. O tom sarcástico de Middleton aqui talvez seja dirigido a tais clérigos que não sentiam nada de errado em referir-se ao governo civil de Roma, em vez de Deus como “a maior potencia do mundo” a proteger a Igreja.
Os milagres e os dons são elementos essenciais na própria natureza do Reino de Deus que Jesus apresentou, do evangelho proclamado e demonstrado pelos discípulos, apóstolos e pela Igreja. Um exame das Escrituras revela que os milagres não provam o Evangelho, mas são elementos essenciais dele. Os milagres representam, na realidade, o deslocamento do domínio de Satanás para o Reino de Deus, seja no domínio físico, emocional, moral ou espiritual; o evangelho articula esses eventos. Portanto, remover a presença do poder carismático de Deus do Evangelho cristão é destruir sua própria essência como descrito biblicamente. Talvez seja este medo que levou o escritor de 2Tm 3.5 a prever uma luta escatológica contra aqueles com “aparência de piedade, mas negando a eficácia dela.” A natureza do Evangelho é “miraculosa” no modo como ela é apresentada, e também na maneira como ela continua seu propósito na comunidade da Igreja.
(Sobre a Cessação dos Charismata. Jon Ruthven)
Por Rafael Félix.