Por: Frank Bartleman
O
autor das páginas que se seguem chegou à Los Angeles, na Califórnia, com sua
esposa e duas filhas, a mais velha de três anos e meio, no dia 22 de dezembro
de 1904. Nossa filha mais velha, Ester, começou a ter convulsões e foi ficar
com o Senhor Jesus, às 4 horas da manhã, do dia 7 de janeiro. Nossa pequena
"Rainha Ester" perecia ter nascido para "tal tempo como
este" (Ester 4:14). Ao lado daquele pequeno caixão, com meu coração sangrando,
dediquei minha vida novamente à obra de Deus. Na presença da morte, como se
tornam reais os assuntos eternos! Eu prometi que o resto da minha vida seria
dedicado exclusivamente à Ele. E Ele fez uma nova aliança comigo.
Supliquei-lhe, então, que logo me abrisse uma nova porta de serviço, para que
eu não tivesse tempo de sofrer com o que acontecera. Apenas uma semana depois
da partida de Ester, comecei a pregar duas vezes por dia na pequena Missão
Peniel, em Pasadena (Califórnia). Muitas pessoas foram salvas durante o encontro
que durou um mês, mas a maior vitória foi a descoberta de um grupo de jovens
que assistiam ao encontro. Alguns foram chamados pelo Senhor para futuros
trabalhos. No dia 8 de abril ouvi pregar F. B. Mayer, de Londres. Ele descreveu
o grande avivamento que se desenrolava no País de Gales, onde acabara de estar
e conhecera Evan Roberts. Minha alma se comoveu profundamente, pois pouco antes
eu também havia lido a respeito desse avivamento. Prometi ali mesmo a Deus
dar-lhe direito total sobre a minha vida, se fosse possível me usar. Distribuí
folhetos no prédio do correio, em bancos e edifícios públicos em Los Angeles e
visitei muitos bares. Depois visitei mais de trinta bares em Los Angeles. Os
prostíbulos estavam abertos naquele tempo e distribuí muitos folhetos ali
também. A morte da pequena Ester havia quebrado meu coração e eu sentia que só
poderia viver enquanto servisse ao Senhor. Ansiava conhecê-lo de uma forma mais
real e ver a obra de Deus avançar com poder. Um grande peso e desejo surgiram
no meu coração para que houvesse grande avivamento. Ele estava me preparando
para um novo serviço Seu. Este, porém, só poderia acontecer quando houvesse em
meu coração um anseio mais profundo por Deus e uma verdadeira dor de parto na
minha alma pela Sua obra. Isto Ele me deu. Muitos estavam sendo preparados de
forma semelhante nesta época em diferentes lugares do mundo. Deus estava
prestes a visitar e libertar seu povo mais uma vez. Eram precisos
intercessores. "Maravilhou-se de que não houvesse um intercessor"
(Isaías 59:16). "Busquei entre eles um homem que tapasse o muro e se
colocasse na brecha perante mim a favor desta terra, para que eu não a
destruísse; mas a ninguém achei." (Ezequiel 22:30) Por volta de primeiro
de maio, um poderoso avivamento irrompeu no templo da igreja Metodista da
Avenida Lake, em Pasadena. Quase todos os jovens que haviam sido tocados por
Deus nas reuniões da Missão Peniel frequentavam esta igreja e estavam orando
por um avivamento ali. Aliás estávamos orando por um avivamento que varresse
toda a cidade de Pasadena. Deus estava respondendo nossas orações. Vi
maravilhas feitas pelo Espírito Santo na Avenida Lake. O altar estava repleto
de pessoas buscando a Deus, apesar de não haver ali nenhum grande pregador. Em
uma única noite quase todos os presentes que não estavam salvos tiveram um
encontro pessoal com Jesus Cristo. Foi uma vitória total para Deus. Havia uma
poderosa convicção de pecados sobre todo o povo. Em duas semanas duzentas
pessoas ajoelharam-se no altar, buscando ao Senhor. Os rapazes de Peniel
estavam por trás de tudo, sendo grandemente usados por Deus. Começamos então a
orar por um derramamento do Espírito Santo em Los Angeles e todo o sul da
Califórnia. Naquela época escrevi em meu diário: "Algumas igrejas vão se
surpreender quando Deus as deixar para trás e usar outros canais que se
renderam totalmente à Ele. É preciso humilhar-nos para que Ele venha. Estamos
rogando 'Pasadena para Deus!' Na sua grande maioria, os cristãos estão muito
satisfeitos consigo mesmos, e têm pouca fé e pouco interesse pela salvação dos
outros. Deus os humilhará deixando-os de lado. O Espírito está orando através
de nós por um grande derramamento do Espírito em toda parte. Grandes coisas vão
acontecer. Estamos pedindo coisas tremendas para que o nosso gozo seja
completo. Deus está se movendo. Estamos orando pelas igrejas e seus pastores. O
Senhor visitará aqueles que quiserem se render totalmente à Ele." O mesmo
é verdade ainda hoje. É preciso que sejamos humildes aos nossos próprios olhos,
pois, o fracasso ou o sucesso, em última análise, dependerá disto. Caso nos
consideremos importantes, já estamos derrotados. A história sempre se repete
neste particular. Deus sempre procurou um povo humilde. Ele não pode usar outro
tipo de pessoa. Martinho Lutero, o grande reformador, escreveu: "Quando o
Senhor Jesus diz 'ARREPENDA-SE', Ele quer dizer que toda a vida do crente na
terra deve ser um constante e permanente arrependimento. Arrependimento e dor,
isto é, verdadeiro arrependimento, são constantes enquanto o homem não está
satisfeito consigo mesmo - ou seja, até que vá para a eternidade. O desejo de
se auto justificar é a causa de todo o sofrimento do coração". Nosso
coração sempre precisa de muita preparação, em humildade e separação, antes que
Deus possa vir de forma persistente. "A profundidade de qualquer
avivamento será determinada precisamente pela profundidade do espírito de
arrependimento que o produziu." Aliás, esta é a chave de todo verdadeiro
avivamento nascido de Deus. No dia 12 de maio, Deus me disse que de uma vez por
todas eu deixasse meu emprego secular e me dedicasse exclusivamente à Ele. O
Senhor queria que eu confiasse a mim e a minha família exclusivamente à Ele. Eu
acabara de receber o pequeno livro intitulado: "O grande avivamento em Gales",
escrito por S. B. Shaw e o estava lendo durante um pequeno passeio, antes do
café da manhã. Há anos que o Senhor insistia comigo para tomar esta decisão.
Agora fizemos um novo pacto, segundo o qual o resto de minha vida, em sua
totalidade, lhe pertenceria. E, desde então, jamais ousei quebrar este pacto.
Minha esposa me aguardava com meu café, mas eu perdera a vontade de
alimentar-me. O Espírito Santo através daquele pequeno livro incendiara meu
coração. Visitei e orei com três pregadores e outros numerosos obreiros antes
de voltar para casa, ao meio-dia. Eu recebera um novo comissionamento e unção.
E ansiava profundamente por um avivamento espiritual. Depois disto passei
muitos dias visitando e orando com outros irmãos e distribuí o folheto da G.
Campbell Morgan "O Avivamento em Gales", que tocava as pessoas
profundamente. Cada vez sentia mais necessidade de orar e resolvi ser fiel à
visão celestial que tivera. A "questão do pão de cada dia" há muitos
anos me preocupava, mas agora orei a Deus para poder confiar nEle totalmente:
"Nem só de pão viverá o homem!" (Mateus 4:4) Deus me abençoou além
disso, com o poder de exortar as igrejas quanto ao avivamento e também com
artigos que escrevi para a Editora Holiness sobre o mesmo tema. Uma noite
acordei gritando louvores a Deus. O Senhor cada vez mais se apossava de mim.
Agora de dia, e mesmo durante a noite, eu os exortava para terem fé em Deus por
coisas grandiosas. O peso pelo avivamento me consumia. O dom de profecia também
veio sobre mim com poder. Parecia haver recebido um especial "dom de
fé" em favor do avivamento. Era óbvio que estávamos no início de dias
maravilhosos e eu profetizava continuamente sobre o grande derramamento que
haveria de acontecer. Eu tinha um ministério muito real junto com a imprensa religiosa
e comecei a freqüentar reuniões de oração em diversas igrejas a fim de
exortá-las. O pequeno folheto de G. Campbell Morgan inflamava a todas as
igrejas maravilhosamente. Também visitei muitos irmãos e comecei a vender nas
igrejas o livro de S. B. Shaw: "O Grande Avivamento em Gales" Deus
utilizou-o grandemente para incentivar a fé pelo avivamento. Meu trabalho de
distribuir folhetos continuou em bares e em casas de negócios. Em maio de 1905,
escrevi num artigo: "Minha alma fica incendiada quando leio sobre o
trabalho glorioso da graça do Senhor no País de Gales. Os "sete mil"
que juntamente com os "que foram poupados" (Ezequiel 9), e estão
"suspirando e gemendo" por causa das abominações e desolações que há
na terra, e pela decadência da verdadeira piedade no corpo de Cristo, podem se
regozijar numa hora como esta, em que se vê a perspectiva de Deus mais uma vez
se mover na terra. O nosso lema neste momento deve ser 'Califórnia para
Cristo!' Deus está buscando obreiros, canais, vermes do pó. Lembre-se, Ele
precisa desses simples vermes. Havia tanto peso na vida de Jesus que FLUIA
ORAÇÃO de todos Seus poros. Isto é alto demais para a maioria das pessoas.
Contudo, não seria esta a 'última chamada' do Senhor?"
NA IGREJA DO IRMÃO SMALE
No
dia 17 de junho, fui a Los Angeles para assistir a uma reunião da Primeira
Igreja Batista. Eles, também, esperavam em Deus por um derramamento do Espírito
ali. Seu pastor, Joseph Smale, acabara de voltar do País de Gales onde estivera
em contato com o avivamento e com Evan Roberts, e estava na sua própria igreja
em Los Angeles. Esse encontro parecia estar em perfeito acordo com a minha
visão, tarefa e desejo, e passei duas horas na igreja orando, antes da reunião
da noite. As reuniões estavam sendo realizadas ali dia e noite, diariamente, e
Deus estava presente. Uma tarde comecei a reunião em Los Angeles, enquanto
esperava que Smale aparecesse. Eu os exortei a não esperar pelos homens, mas a
esperar em Deus. Eles estavam esperando em alguma grande figura humana; era o
mesmo espírito de idolatria que havia sido uma praga para igreja e que impedira
a ação de Deus através dos séculos. Como os filhos de Israel, o povo precisava
ter "um outro Deus diante do Senhor." (Em algumas igrejas oficiais na
Europa, o pastor é muitas vezes conhecido como "o pequeno deus!")
Começamos o culto da noite nos degraus do templo, do lado de fora, enquanto
esperávamos que o Zelador chagasse com a chave. Tivemos um período de oração em
favor da comunidade vizinha. A reunião foi uma marcha progressiva de vitória.
Depois fui para o Parque Lamanda, e após a pregação passei a noite na casa
paroquial orando e dormindo alternadamente. Eu queria uma revelação maior de
Jesus PARA MIM MESMO. Como a lua cheia que fica mais e mais nítida e mais
próxima à medida que a contemplamos incessantemente, assim também Jesus fica
mais real às nossas almas à medida que o contemplamos. Precisamos de um
relacionamento mais íntimo, vivo, e pessoal com Deus, e de conhecimento e
comunhão maior com Ele. Só o homem que vive em comunhão com a realidade divina
está habilitado a levar as pessoas à Deus. Fui à igreja de Smale outra vez e
novamente encontrei as pessoas sem ânimo, esperando o pregador aparecer. Muitas
pareciam nem ter idéia definida a respeito do que esperavam que acontecesse!
Comecei a orar em voz alta e a reunião se iniciou com poder. Estava já com
força total quando o irmão Smale chegou. Deus queria que as pessoas olhassem
apenas para Ele e não para algum homem. Aqueles que não colocavam a glória do
Senhor em primeiro lugar, naturalmente se ressentiam disto. Contudo este é o
plano de Deus. Verifiquei que a maioria dos cristãos não queriam aumentar sua
carga de oração. Era difícil demais para a carne! Eu carregava agora uma carga
cada vez mais volumosa, noite e dia. O ministério era intenso. Era a
"comunhão dos seus sofrimentos" (Filipenses 3:10), a angústia de alma
"com gemidos inexprimíveis" (Romanos 8:26, 27). Muitos crentes acham
mais fácil criticar do que orar... Um dia eu estava sobre uma carga tremenda de
oração. Fui à casa de oração do irmão Manley, caí no altar e ali aliviei minha
alma. Um obreiro entrou correndo e pediu que orasse por ele. Naquela noite fui
a uma reunião e encontrei um outro jovem, Edward Boehmer, que havia sido tocado
por Deus nas reuniões de Peniel, no outono, e que tinha o mesmo fardo de oração
sobre si. Ele estava destinado a ser meu companheiro de oração no futuro. Fomos
unidos no Espírito daquele dia em diante de forma maravilhosa. Oramos juntos na
pequena Missão Peniel até às duas horas da manhã. Deus encontrou-Se conosco e
nos fortaleceu maravilhosamente enquanto lutávamos com Ele por um derramamento
do Espírito sobre o povo. Minha vida então estava totalmente consumida pela
oração contínua. Estava orando dia e noite! Escrevi mais artigos para a
imprensa religiosa, exortando os santos a orar. Novamente fui a igreja de Smale
em Los Angeles. Encontrei as pessoas esperando o pregador outra vez. Esta
situação me oprimia muito e tentei mostrar-lhes que só deviam esperar pelo
Senhor. Algumas se ressentiram, pois eram muito tradicionais, mas outras
aceitaram. Afinal, estávamos orando por um avivamento como houvera no País de
Gales, onde um dos pontos principais era que somente esperavam em Deus. As
reuniões continuavam lá com ou sem pregador. Eles vinham se encontrar com Deus.
E o Senhor vinha para estar com eles. Eu havia escrito uma carta a Evan
Roberts, pedindo que em Gales orassem por nós na Califórnia. Recebi resposta de
que eles estavam orando, o que nos ligava, então, ao avivamento de lá. A carta
dizia: "Meu querido irmão na fé, muito agradecido por sua carta gentil.
Fiquei impressionado com sua sinceridade e honestidade de propósitos. Reúna o
povo que está disposto a fazer uma entrega total. Ore e espere. Creia nas
promessas de Deus. Faça reuniões diárias. Deus o abençoe, é a minha
oração." Sentimonos muito encorajados ao saber que estavam orando por nós
em Gales. Escrevi mais artigos e o que se segue são extratos deles: "Um
trabalho maravilhoso do Espírito irrompeu em Los Angeles, Califórnia, precedido
de um profundo trabalho preparatório de oração e expectativa. A convicção está
se espalhando entre o povo, e as pessoas estão afluindo de todas as partes da
cidade para as reuniões da igreja do Pr. Smale. Estas reuniões realizaram-se
por si mesmas. Pessoas estão sendo salvas por todo o auditório, enquanto a
reunião continua sem ser guiada por mãos humanas. A maré está subindo
rapidamente e nós estamos antecipando coisas maravilhosas. A intercessão em
angústia de alma está se tornando em importante aspecto do trabalho, e estamos
sendo transportados para além das barreiras denominacionais. O temor do Senhor
está vindo sobre o povo, um verdadeiro espírito de quebrantamento. A reunião
que começou domingo à noite durou até a madrugada do dia seguinte. O pastor
Smale profetizou coisas maravilhosas que irão acontecer. Ele profetizou que os
dons apostólicos logo voltarão à igreja. Los Angeles é uma verdadeira
Jerusalém. Justamente o lugar certo para uma grande obra de Deus começar. É
exatamente este tipo de demonstração de poder divino que eu tenho esperado há
algum tempo. Tenho sentido que a qualquer momento ela surgirá. Sinto, também,
que virá onde menos se espera para que Deus receba toda a glória. Ore por um
Pentecostes!"
UM ENCONTRO COM JESUS
Uma
noite, 3 de julho, senti fortemente que deveria ir ao pequeno auditório Peniel
em Pasadena para orar. Encontrei ali o irmão Boehmer. Ele havia sido guiado por
Deus ao mesmo lugar. Oramos por um avivamento em Pasadena até que o fardo de
oração se tornou insuportável. Eu chorava como se fosse uma mulher dando à luz.
O Espírito intercedia através de nós e finalmente o peso se foi. Depois de uma
pequena espera em silêncio, uma grande calma nos sobreveio, e então, sem que o
antecipássemos, o Senhor Jesus se nos revelou. Ele parecia estar em pé entre
nós, tão perto que poderíamos estender nossas mãos e tocá-lo. Não ousamos
entretanto mexer-nos. Eu não podia nem olhar. Na realidade parecia que eu era
totalmente espírito. Sua presença foi mais real, se possível, do que se eu o
pudesse ter visto e tocado fisicamente. Esqueci-me que possuía olhos e ouvidos.
Meu espírito o reconheceu. Um céu de amor divino me encheu e excitou minha
alma. Uma chama ardente percorreu meu corpo. Aliás todo meu corpo parecia
derreter-se diante dEle, como cera diante do fogo. Perdi toda consciência de
tempo e espaço, ficando apenas consciente de sua maravilhosa presença. Fiquei a
seus pés em adoração. Era um verdadeiro "Monte da Transfiguração".
Perdi-me dentro do puro Espírito! Por algum tempo Ele permaneceu conosco.
Depois devagar Ele se retirou. Nós ainda estaríamos lá se Ele não tivesse se
retirado. Nunca mais eu poderia duvidar da sua realidade após esta experiência.
O irmão Boehmer sentiu quase o mesmo que eu. Havíamos perdido totalmente a consciência
da presença um do outro enquanto Ele ficou conosco. Tínhamos quase medo de
falar ou respirar quando voltamos ao ambiente que nos rodeava. O Senhor não
dissera nada para nós, mas havia arrebatado nosso espírito pela sua presença.
Ele havia vindo para fortalecer-nos e encorajar-nos para o Seu serviço.
Sabíamos agora que trabalhávamos com Ele e éramos companheiros de Seu
sofrimento no ministério de intercessão com angústia de alma. A verdadeira
intercessão com angústia de alma é tão nítida no espírito quanto as dores de um
parto natural. A semelhança é quase perfeita. Nenhuma alma jamais renasce sem
esse processo. Todos os avivamentos de salvação vêm desta maneira. Já alvorecia
na manhã seguinte quando deixamos o auditório. Aquela noite no entanto parecia-nos
haver durado apenas meia hora. A presença de Deus elimina toda sensação de
tempo. Com Ele tudo é eterno: É vida eterna. Deus não conhece o tempo, este
elemento se perde no céu. Este é o segredo do tempo parecer passar tão depressa
durante uma noite de verdadeira oração. O tempo é colocado num ponto inferior.
O elemento eterno está ali. Durante dias aquela presença maravilhosa parecia
andar ao meu lado. O Senhor Jesus era tão real para mim que eu mal podia
conversar com as outras pessoas de novo. Isto me parecia tão rudimentar e
vazio. Os espíritos humanos pareciam tão rudes e o companheirismo humano um
tormento. Quão distante nós estamos atualmente do espírito manso de Jesus!
Passei o dia seguinte em oração, indo de noite à igreja de Smale onde passei um
tempo em intercessão. A paz e a alegria do céu enchiam meu coração. Jesus era
tão real! Dúvidas e temores não podem sobreviver na Sua presença.
O INTERESSE PELO
AVIVAMENTO SE ALASTRA
Escrevi
vários artigos descrevendo o que Deus estava operando em nosso meio e exortando
os santos em todos os lugares a terem fé e orarem por um avivamento. O Senhor
usou grandemente estes artigos para despertar fé e convicção em muitos locais.
Logo comecei a receber grande quantidade de correspondência de muitos lugares.
Escrevi no meu diário naquele tempo a seguinte observação: "É possível nos
desligarmos de Deus por causa da nossa vaidade espiritual enquanto Ele leva os
mais fracos ao arrependimento e, a partir daí, à vitória. A operação de Deus em
nossos corações deve ser mais profunda do que jamais experimentamos,
suficientemente para destruir as barreiras denominacionais, de partido, etc.,
em todos os lados. Deus pode aperfeiçoar aqueles que escolher." O espírito
de avivamento que havia na igreja do irmão Smale se alastrou, despertando logo
os mais espirituais em toda a cidade. Obreiros vinham de todas as partes, de
diversas instituições, unindo-se à nós em oração contínua para que houvesse o
derramamento do Espírito por toda a parte. O círculo de interessados aumentou rapidamente.
Estávamos agora orando pela Califórnia, pela nação e também por um avivamento
universal. As profecias começaram a aparecer em larga escala a respeito de
grandes coisas que aconteceriam. Alguém me mandou cinco mil folhetos a respeito
do "Avivamento no País de Gales". Distribuí-os entre as igrejas.
Tiveram um efeito maravilhoso e vivificante. Visitei outra vez a igreja de
Smale e iniciei a reunião, pois ele ainda não havia chegado. As reuniões agora
eram caracterizadas por uma maravilhosa espontaneidade. Nosso pequeno grupo
Gideão estava marchando para a Vitória certa, guiado pelo Capitão da sua
salvação, Jesus. Fui levado a orar nessa época especialmente por fé,
discernimento de espíritos , cura e profecia. Senti que precisava de mais
sabedoria e também de amor. Parecia ter recebido o "dom de fé" pelo
avivamento naquela época e também o dom de profecia para o mesmo fim, e comecei
a profetizar a respeito das grandes coisas que estavam para vir. Quando
começamos a orar na primavera de 1905, ninguém parecia ter muita fé por nada
fora do habitual. O pessimismo entre os santos era total com relação às
condições então existentes. Mas tudo havia mudado! Deus mesmo nos havia dado fé
em coisas melhores. Não havia nada á vista que nos estimulasse a ter fé. Veio
do nada. Não poderá Ele hoje fazer a mesma coisa? Escrevi naquela época um
artigo para o jornal "Daily News" de Pasadena, descrevendo o que
havia na igreja do irmão Smale. Foi publicado e o administrador do jornal pouco
depois veio ver por si mesmo o que estava acontecendo. Ficou totalmente
convencido e veio ao altar para buscar a Deus com sinceridade. O artigo foi
reimpresso em muitos periódicos das igrejas "Holiness" através do
país. Era intitulado: "O que vi numa igreja em Los Angeles".
Seguem-se abaixo alguns trechos. "Há diversas semanas têm se realizado
cultos especiais na Primeira Igreja Batista de Los Angeles. O Pastor Smale que
voltou do País de Gales, onde esteve em contato com Evan Roberts e com o
Avivamento, está convicto que Los Angeles será em breve sacudida também pelo
grande poder do Senhor." "A reunião que desejo descrever começou de
forma inesperada e espontânea algum tempo antes do pastor chegar. Um pequeno
grupo havia se reunido antes da hora, o que parecia ser suficiente para o
Espírito operar. A reunião começou. Sua expectativa estava em Deus. Deus estava
lá, o povo estava lá, e quando o pastor chegou a reunião se realizava com força
total. O Pastor Smale sentou-se no seu lugar, mas ninguém parecia prestar
atenção especial a ele. Sua mentes estavam ligadas a Deus. Ninguém parecia
atrapalhar o vizinho, embora a congregação representasse muitas denominações. A
harmonia parecia perfeita. O Espírito guiava." "O pastor se levantou
e leu um trecho das Escrituras; fez algumas observações cheias de esperança, e
que serviram de inspiração para aquela ocasião, e a reunião novamente tomou o
seu próprio rumo. O povo continuou como antes. Testemunhos, orações e louvor se
intercalavam durante a reunião que parecia guiar-se por si mesma, sem orientação
humana. O pastor era igual a todo mundo. Qualquer pessoa com a menos
sensibilidade espiritual possível sentia logo no ambiente que algo maravilhoso
estava prestes a ocorrer. Um misterioso e poderoso transtorno no mundo
espiritual está às portas. A reunião dá a sensação de "céu aqui na
terra" com a certeza que o sobrenatural existe e em um sentido muito real.
DEPOIS DA MISERICÓRDIA, O JUÍZO
Nessa
mesma época escrevi um artigo para o jornal "Wesleyan Methodist", do
qual extraí o que se segue: "A misericórdia rejeitada significa juízo, e
isto numa escala proporcional. Em toda a história deste mundo de Deus houve
sempre uma oferta de misericórdia, seguida de juízo divino. Primeiro vem Cristo
num cavalo branco da misericórdia. Depois vêm os cavalos vermelho, preto e
amarelo da guerra, fome, e da morte. Os profetas não paravam de avisar Israel
noite e dia, mas suas lágrimas e advertências, na maioria, foram em vão. A
terrível destruição de Jerusalém em 70 A.D., que resultou no extermínio de um
milhão de Judeus, e a prisão de multidão de outros, fora precedida da oferta
divina de misericórdia nas mãos do próprio Filho de Deus. "Em 1859, uma
grande onda de Avivamento visitou nosso país, levando um, milhão de pessoas a
serem salvas. Imediatamente após veio a carnificina de 1861-1865 (Guerra de
Secessão). E agora que antecipamos o grande Avivamento que está para chegar e
já está assumindo proporções mundiais, pergunto se o juízo não seguirá a
misericórdia como das outras vezes. E será o julgamento na mesma proporção da
misericórdia oferecida! A presente atitude belicosa e a angústia de tantas
nações fazemnos questionar se o juízo que se seguirá não nos mergulhará na
grande tribulação." (Nota do Redator: E realmente veio o juízo esperado na
Primeira Guerra Mundial, 1914- 1918.) Para o jornal "O Avivalista de
Deus" eu escrevi: "A incredulidade sob todas as formas está vindo
sobre nós como grande inundação. Mas eis que o nosso Deus também vem! Um
estandarte se levanta contra o inimigo. O Senhor está escolhendo os Seus obreiros.
É chegada a hora de perceber a visão da obra a ser feita." Fala o
Poderoso, o Senhor Deus, e convoca a terra desde o nascer do sol até o seu
ocaso. O nosso Deus vem, e não guarda silêncio... Congregai os meus santos, os
que comigo fizeram aliança por meio de sacrifícios. (Salmos 50:1, 3, 5) Naquele
tempo eu costumava declarar que eu preferia viver seis meses em 1905, do que 50
anos noutra época. Grandes coisas se iniciavam para o grão de trigo que estava
disposto "a cair na terra e morrer", Havia promessa de grandes
colheitas. Mas para os insensatos espirituais, tudo isso não passava de
bobagens. Escrevi outra carta para Evan Roberts, pedindo orações incessantes
pela Califórnia. Assim continuávamos ligados em oração com Gales por um
Avivamento. Naquele tempo a verdadeira oração ainda não era bem compreendida.
Era difícil achar um lugar quieto onde não se fosse incomodado. Ter experiência
de Getsêmani com Jesus era raro entre os santos daqueles dias.
A INTERCESSÃO CONTINUA
Um
dia, na igreja de Smale, eu estava gemendo em oração no altar. O espírito de
intercessão estava sobre mim, mas um irmão veio e me repreendeu severamente.
Ele não compreendia o que estava acontecendo. A carne naturalmente reluta
diante de tão árduo sacrifício. Os gemidos não são muito populares em algumas
igrejas assim como não são agradáveis os brados de uma mulher dando à luz. A
angústia na intercessão não é companhia agradável para os que querem uma vida
egoísta no mundo. Mas as almas não são ganhas sem esta experiência. Dar à luz não
é considerado um exercício agradável hoje em dia. O mesmo acontece num
verdadeiro avivamento que gera novas vidas nas igrejas. A sociedade não se
importa muito com uma mãe que está para dar à luz. Prefere a alegria
superficial. O mesmo acontece nas igrejas com relação a angústia da
intercessão. Há pouca preocupação com os pecadores. Os homens fogem dos gemidos
de uma mulher que está para dar à luz. E as igrejas não querem ouvir os gemidos
da intercessão. Estão muito mais preocupados em se divertirem. Estávamos com
problemas financeiros, mas o Senhor supriu-nos. Jamais dissemos a alguém nossas
necessidades, a não ser para Deus; jamais imploramos ou pedimos dinheiro
emprestado, por maior que fosse nossa necessidade. Acreditávamos que, se os
santos, estivessem suficientemente próximos de Deus, Ele mesmo falaria com
eles. Confiávamos inteiramente nEle e ficaríamos sem nada se Ele não enviasse
ajuda. Nesta época escrevi meu primeiro folheto. Intitulava-se "O Amor
Nunca Falha". Foi este o início do meu ministério de folhetos, que era
sustentado pela fé. Eu precisava confiar no Senhor para o suprimento
financeiro. E Ele nunca falhou. Um amigo pagou nossas despesas num acampamento
em Arroyo por alguns dias, e assim fomos para lá armar nossa barraca.
Apreciamos a mudança e as férias. Estávamos no meio do verão. Passei quase todo
o tempo prostrado orando no meio da floresta. Durante as noites de luar,
derramei meu coração diante de Deus e Ele veio estar comigo. Havia muito
"ruído de corações vazios" no acampamento. A maioria buscava bênçãos
egoístas; estavam ali como grandes esponjas para absorverem o maior número de
bênçãos possível. Alguém precisava pisar neles! Encontrei-me clamando a Deus
muito além das aspirações do resto do povo. Eu queria algo mais profundo do que
esta esfera puramente emocional; queria algo mais substancial e duradouro que
colocasse um rochedo no meu coração. Eu estava cansado de tanta espuma
passageira, de tanta religião enfática e bombástica. O Senhor não me deixou
esperando por muito tempo. A comissão de organização do acampamento me
repreendeu porque eu estava distribuindo folhetos no acampamento. Achavam que
eu estava criticando o movimento a que pertenciam. Eu estava apenas
exortando-os a um relacionamento mais profundo com Deus! Eles precisavam de
mais humildade e amor. Meu folheto sobre as seitas, intitulado "Que Todos
Possam Ser Um" comoveu a todos. Sem dúvida os movimentos feitos por homens
precisam ser sacudidos. Deus tem um só "corpo", um só
"movimento". Esta era a mensagem na Missão Azusa no início. Recebi
uma Segunda carta de Evan Roberts que dizia: "País de Gales, 8 de julho de
1905. Querido irmão: Sou muito grato a você por sua gentileza. Fiquei
muitíssimo satisfeito com as boas notícias que vocês estão começando a
experimentar coisas maravilhosas. Estou orando para que Deus continue a
abençoar você; mais uma vez agradeço os seus bons votos. Sinceramente seu no
serviço do Senhor, Evan Roberts.
" O INÍCIO DA
IGREJA DO NOVO TESTAMENTO "
Eu
fui à igreja de Smale uma noite, e ele havia se demitido. As reuniões haviam
prosseguido diariamente na Primeira Igreja Batista por quinze semanas.
Estávamos em setembro. Os oficiais da igreja haviam se cansado de inovações e
queriam retornar ao antiga estilo. Foi-lhe dito que parasse com o Avivamento, ou
deixasse a igreja. Sabiamente ele escolheu a segunda alternativa. Mas que
posição horrível para uma igreja assumir: colocar Deus para fora! Da mesma
maneira, também puseram, mais tarde, o Espírito do Senhor para fora das igrejas
do País de Gales! Cansaram-se de Sua presença, desejando retornar aos velhos
padrões frios e eclesiásticos. Como os homens são cegos! É claro que os membros
mais espirituais seguiram o pastor Smale e ajuntaram-se ao núcleo de obreiros
de outras procedências que haviam se unido à ele durante o avivamento.
Imediatamente estes propuseram a formação de uma igreja do Novo Testamento. Eu
senti que o Senhor estava liderando o irmão Smale para usá-lo no campo de
evangelismo, para leva o fogo à outros lugares. Mas ele não sentia o mesmo. Tive
um encontro com ele com este objetivo em mente, e consegui que ele pregasse na
Igreja Metodista da Avenida Lake em Pasadena, para o Pastor Brink. Este era o
centro nevrálgico do Avivamento naquela cidade. Na noite anterior à pregação do
irmão Smale na igreja da Avenida Lake, dois de nós ficamos até meia-noite em
oração. O irmão Smale pregou duas vezes no Domingo. Foi ungido de forma
grandiosa pelo Senhor naquela ocasião. Passamos o período entre os dois cultos
em oração. Sua mensagem foi a respeito do Avivamento no País de Gales. O povo
ficou muito comovido. O irmão Smale logo depois organizou uma igreja do Novo
Testamento, e eu me tornei membro porque senti que deveria ficar com eles,
apesar de não gostar muito da organização. O irmão Smale alugou o auditório
Burbank para fazer reuniões ali, e eu consegui outro auditório até que o
primeiro estivesse concluído. Deus me deu outro folheto: intitulava-se
"Ore! Ore! Ore!" Mandei para o impressor pela fé e o Senhor me mandou
o dinheiro a tempo. Era uma forte exortação para que orássemos. Como os
profetas de antigamente, precisamos orar por aqueles que não oram por si
mesmos. Precisamos confessar os pecados do povo no seu lugar.
MAIS INTERCESSÃO
Certa
ocasião enquanto eu e o irmão Boehmer orávamos, o Espírito Santo foi derramado
de forma maravilhosa sobre diversas reuniões pelas quais orávamos. Sentimos que
havíamos alcançado a Deus em favor deles. Os acontecimentos que se seguiram
provaram nossa convicção. As orações mudam as coisas. Há um grande poder no
tipo certo de orações. Veja o exemplo de Elias no Monte Carmelo, um homem
"sujeito às mesmas paixões do justo" (Tiago 5:16). O arrependimento
também se faz necessário neste contexto para que tudo funcione. "Confessai,
pois, os vossos pecados uns aos outros." Quase todos os dias em Los
Angeles encontrava-me ocupado em evangelismo pessoas, distribuição de folhetos,
oração ou pregação em alguma reunião. Estava escrevendo artigos para a imprensa
religiosa sem parar. Orei e jejuei antes de ir, numa tarde, a uma reunião na
lona em Pasadena.. O Senhor me ungiu de forma maravilhosa e vinte pessoas
aceitaram a cristo. A essa altura o espírito de intercessão se apossara de mim
de tal maneira que eu orava noite e dia; jejuava tanto, que minha esposa de vez
em quando achava que eu iria morrer. As tristezas do meu Senhor estavam sobre
mim. Eu estava no jardim do Getsêmani com Ele. "O penoso trabalho da sua
alma" também estava sobre mim. Comecei a temer, como Ele temera, que não
viveria para ver às respostas às minhas orações e lágrimas pelo Avivamento. Mas
ele me consolava, mandando mais de um anjo para me fortalecer e eu ficava
satisfeito. Senti que estava experimentando um pouco do que Paulo queria dizer
quando escreveu: "preencho o que resta das aflições de Cristo", por
um mundo perdido. Alguns temiam que eu estivesse ficando desequilibrado. Não
conseguiam entender minha tremenda incumbência. Até hoje muitos não conseguem
compreender. "O homem carnal não aceita as coisas do Espírito de Deus,
porque lhe são loucura". Os homens egoístas não podem entender tal
sacrifício. "Quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á." "Se o
grão de trigo caindo na terra, não morrer...." Nosso Senhor era um
"Homem de dores". Muitas vezes fui a Pasadena confiando que Deus me
daria a passagem para voltar para casa. Numa ocasião o irmão Boehmer teve a
impressão que eu estava para chegar. Ele foi à pequena Missão Peniel e me
encontrou lá. Passamos várias horas em oração. Depois ele pagou minha passagem
para a volta à casa. Muitas vezes passamos a noite inteira em oração. Naquela
ocasião parecia um grande privilégio passar uma noite inteira com o Senhor. Ele
ficava tão perto de nós. Parecia-nos que nem nos cansávamos nessas horas.
Boehmer era jardineiro e jamais lhe pedi um centavo, mas ele sempre me dava
alguma coisa. Depois de certo tempo, Deus usou não apenas seu dinheiro, mas sua
própria vida em seu serviço. Boehmer foi um grande homem de oração. Deus nos
ensinou o que significa não conhecer os outros na carne. Ele nos levou a um
relacionamento tão intenso que o nosso companheirismo parecia ser só no
Espírito. Além disso nosso "eu" parecia haver morrido com relação um
ao outro.
SINAIS DE PERIGO NA
IGREJA DO NOVO TESTAMENTO
Escrevi
pela terceira vez a Evan Roberts para que continuasse a orar por nós. Naquele
tempo, depois que acabava de pregar, eu geralmente chamava os santos para
ajoelharem-se e orávamos durante muitas horas antes de nos podermos levantar. O
Senhor me levou a escrever a muitos líderes em todo o país para que orassem
pelo Avivamento. O espírito de oração crescia continuamente. A igreja do Novo
Testamento parecia perder seu espírito de oração à medida que aumentava sua
organização. Agora queria passar esse ministério para alguns de nós. Eu sabia que
Deus não se agradava disso e fiquei muito preocupado por eles. Tinham
interesses secundários demais. Parecia que Deus precisava arranjar outro corpo.
Eu tivera muita esperança com relação a esse grupo de pessoas. O inimigo,
porém, parecia os estar tirando do caminho, desviando-os do que Deus tinha de
melhor para eles naquela época. É sempre mais fácil escolher o que é
secundário. Uma vida de oração é muito mais importante do que os prédios e
organizações. Muitas vezes esses últimos interesses parecem substituir a
oração. Mas as almas entram para o reino só através de orações. A igreja do
Novo Testamento parecia estar indo para o lado do intelectualismo. Fiquei muito
preocupado. Durante uma reunião gemi alto em oração. Era horrível depois das
reuniões que tivéramos antes. Um dos anciãos da igreja me repreendeu
severamente por isso. "Como caíram os valentes...", eu parecia ouvir
a toda hora. Alguns dos mais espirituais sentiram a mesma preocupação. As
orações começaram a melhorar um pouco. Depois de algum tempo tivemos uma grande
reunião na igreja e cem pessoas foram ao altar numa única noite de Domingo.
Encontrei-me outra vez com os rapazes da Missão Peniel e sentimos que em breve
o Senhor realizaria uma grande obra. Na lona do irmão Brownley, em Los Angeles,
tivemos profundo espírito de oração e poderosas reuniões de intercessão.
Prevíamos que em breve Deus faria algo de extraordinário. O espírito de oração
vinha sobre nós cada vez com mais poder. Em Pasadena, antes de mudar para Los
Angeles, eu ficava deitado de dia, virando-me na cama e gemendo sob o enorme
peso. À noite, eu mal podia dormir de tanto sentir a necessidade de orar.
Jejuava muito, pois sob esta carga não sentia necessidade de alimento. Em certa
época fiquei em angustiosa intercessão por vinte e quatro horas seguidas sem
interrupção. Fiquei muito esgotado. As orações praticamente me consumiam.
Comecei a gemer até quando dormia. As orações não eram formais naquele tempo.
Eram sopradas por Deus. Vinha sobre nós e nos dominavam inteiramente. Não fazíamos
força para que se intensificassem. Éramos possuídos por verdadeira angústia no
Espírito que não podia ser cortada. Assim como é impossível uma mulher em
trabalho de parto evitar suas dores, não se pode fugir da angústia na
intercessão sem cometer grande violência ao Espírito Santo. Era verdadeira
intercessão feita pelo Espírito Santo.
NOTÍCIAS DO PAÍS DE GALES
Durante
alguns dias tive a impressão de que outra carta chegaria de Evan Roberts. Logo
chegou e dizia o seguinte: "País de Gales, 14 de novembro de 1905. Meu
caro companheiro: O que posso lhe dizer que o encoraje nesta grande luta? Vejo
que é uma luta terrível: o reino do mal está sendo atacado de todos os lados.
Oh! São milhares de orações - não só orações formais - mas a própria alma
chegando diretamente ao Trono Branco! O povo de Gales tem aprendido a orar
neste último ano. Que o Senhor os abençoe com um grande derramamento. Em Gales
parece que o Senhor está sobre a congregação, esperando que os corações dos
seguidores de Cristo se abram. Tivemos um grande derramamento do Espírito Santo
na última noite de sábado. Antes disto o conceito que o povo tinha do
verdadeiro louvor foi corrigido. Vimos que devemos: 1. Dar a Deus, e não
receber. 2. Agradar a Deus , e não a nós mesmos. Oramos, então, olhando para
Deus e não para o inimigo, nem para o medo dos homens, e o Espírito do Senhor
se fez presente. Tenho pedido a Deus em oração para manter você forte na sua fé
e para salvar a Califórnia. Permaneço seu irmão na luta - de Evan
Roberts." Era a terceira carta que recebíamos de Evan Roberts, de Gales, e
percebi que sua oração tivera muito a ver com a nossa vitória final na
Califórnia. Evan Roberts nos conta a respeito de sua própria experiência com
Deus: "Uma Sexta-feira à noite, no último outono, enquanto orava ao lado
de minha cama, antes de dormir, fui elevado a uma grande expansão, fora do
tempo ou espaço. Era comunhão com Deus! Antes disso, eu conhecera um Deus
distante. Fiquei apavorado naquela noite, mas depois disso nunca mais. Tremia
tanto que a cama chegava a balançar e meu irmão que acordada me segurava,
pensando que eu estava enfermo." Esta experiência se repetiu todos os dias
durante três meses, da uma às cinco da madrugada . Ele escreveu este recado ao
mundo durante aquele período: "O Avivamento no País de Gales não vem dos
homens, é de Deus. Ele está muito próximo de nós; não há problemas de crenças
ou dogmas neste movimento. Não estamos ensinando nenhuma doutrina sectária, só
a maravilha e a beleza do amor de Cristo. Perguntaram-me sobre meus métodos,
mas eu não os tenho. Nunca preparo o que vou dizer, mas deixo tudo para Ele. Eu
não sou a fonte deste Avivamento, mas apenas um agente entre tantos outros que
estão se transformando numa multidão. Não espero que as pessoas me sigam, mas
quero o mundo para Cristo. Eu creio que o mundo está às portas de grande
Avivamento espiritual e oro todos os dias para que eu possa ajudar na sua
realização. Coisas maravilhosas tem acontecido em Gales nestas últimas semanas,
mas elas são apenas o princípio. O mundo será varrido pelo Espírito Santo, como
por um vento forte e poderoso. Muitos que agora são cristãos silenciosos
liderarão o movimento. Verão uma grande luz e refletirão essa luz sobre
milhares que estão nas trevas. Milhares se levantarão e farão mais do que nós
jamais conseguimos realizar, à medida que Deus lhes der poder." Que
humildade maravilhosa! Este é sempre o segredo do poder. Uma testemunha inglesa
do Avivamento em Gales escreveu: "Tanta angústia na intercessão pelas
almas dos não-salvos nunca antes presenciei. Vi o jovem Evan Roberts
transtornado pela dor, e convidando o auditório a orar. "Não cantem",
ele suplicava, "é terrível demais para cantar!"" (A convicção do
pecado muitas vezes é perdida pelo povo, quando se canta demais.) Outro
escritor declarou que não era a eloqüência de Evan Roberts que comovia o povo;
eram suas lágrimas. Ele os quebrantava, chorando amargamente para que Deus os
dobrasse em tal agonia que as lágrimas escorriam pelo seu rosto e todo o seu
corpo tremia. Homens fortes eram quebrantados e choravam como crianças. As
mulheres gritavam de medo. O barulho do choro e dos gritos enchia o ar. Quando
sua agonia se tornava maior, Evan Roberts Chegava a cair diante do púlpito,
enquanto muitos dentre o povo chegavam a desmaiar.
OPOSIÇÃO
Dia
e noite eu ia a Missões diferentes exortando as pessoas a orarem continuamente
e a terem fé pelo Avivamento. Passeia mais uma noite inteira orando com o irmão
Boehmer. Uma noite, na Igreja do Novo Testamento, quando sobre toda a
congregação havia um profundo espírito de oração, de repente o Senhor veio tão
próximo de nós, que podíamos sentir a sua presença nos cercando, como se
quisesse nos fechar ao redor. Dois terços das pessoas presentes ficaram tão
alarmadas que ficaram de pé, e algumas saíram dali correndo, esquecendo-se até
dos seus chapéus, no seu grande apavoramento. Não houve nada visível que
causasse medo. Era a manifestação sobrenatural da proximidade do Senhor. Que
será que fariam se vissem o Senhor? Comecei uma pequena reunião num lar onde
tínhamos mais liberdade de orar e esperar no Senhor. O espírito de oração
estava sendo impedido nas reuniões. Os mais espirituais estavam famintos por
tal oportunidade. Os líderes, porém, não compreenderam e fizeram oposição a
mim. Depois a dona da minha casa alugada ficou possessa por Satanás e queria
nos expulsar da casa, pois ela não andava com Deus. Nosso aluguel estava pago,
mas o inimigo tentou usá-la. A luta se iniciara. Começou a haver oposição
contra o meu ministério na Igreja do Novo Testamento. Uma irmã me tentou
convencer a parar as reuniões de oração que eu começara. Pedi ao Senhor que me
mostrasse qual era sua vontade neste assunto. Ele veio e encheu com uma nuvem
de glória a casa onde estávamos, a tal ponto que eu mal podia suportar a sua presença.
Para mim esta experiência tirou qualquer dúvida. "Antes importa obedecer a
Deus do que aos homens." Sofri muitas críticas naquela época; penso que
estavam com medo que eu começaria outra igreja. Eu, no entanto, não tinha tal
pensamento naquela época. Só queria ter liberdade para orar. Muitas Missões e
Igrejas têm acabado mal por se oporem a Deus.
A ESPERANÇA DO PENTECOSTES
Escrevi
mais artigos para a imprensa religiosa, dos quais seguem-se alguns trechos: Devagar,
mas cada vez mais, há maior convicção entre os santos do sul da Califórnia de
que Deus vai derramar o Seu Espírito como o fez no País de Gales. Temos fé em
coisas que antes nem sonhávamos existir e que ocorrerão no futuro próximo.
Estamos certos de que haverá nada menos do que um "Pentecostes" para
todo o país. Jamais haverá, entretanto, resultados pentecostais sem o poder
pentecostal. Isso significa manifestações pentecostais. Poucos querem ver Deus
face a face!" "Carne e sangue não podem herdar o reino de Deus."
Outra vez escrevi: "O Avivamento atual está passando por nossa porta.
Havemos de lançar-nos no seu poderoso seio a fim de sermos transportados à
gloriosa vitória? Um ano de vida agora, com todas as maravilhosas oportunidades
de servir a Deus, vale mais que cem anos de vida habitual. "O
Pentecostes" está batendo às nossas portas. O Avivamento de nosso país não
é mais uma dúvida. Devagar, mas visivelmente, a maré está crescendo, até que em
breve teremos uma enchente de salvação que tocará a todos que estão diante de
nós. O País de Gales não ficará mais só neste grande triunfo para o nosso
Cristo. O espírito de Avivamento está vindo sobre nós, impulsionado pelo sopro
de Deus, o Espírito Santo. As nuvens estão chegando rapidamente, carregadas de
grande chuva que em breve cairá." "Heróis surgirão do pó de
circunstâncias escuras e odiosas, e seus nomes serão alardeados nas páginas da
fama eterna no céu. O Espírito paira sobre nossa pátria como no alvorecer da
criação, e a ordem de Deus é ouvida: "Haja luz!" "Irmãos e
irmãs, se todos cressem, o que poderia acontecer? Muitos de nós aqui vivemos só
para isso. Um grande volume de orações dos que crêem está subindo ao trono
noite e dia. Los Angeles, o sul da Califórnia, e todo o continente
encontrar-se-á dentro em breve num poderoso Avivamento pelo Espírito e pelo
poder de Deus." A bastante tempo oramos por um Pentecostes, e ele parecia
prestes a começar. É óbvio que não sabíamos o que era um verdadeiro
Pentecostes. O Espírito, porém, sabia e nos guiava adiante para pedir o que era
correto. Uma tarde, depois de uma reunião na Igreja do Novo Testamento, sete de
nós fomos dirigidos a dar as mãos e concordar em oração para o Senhor derramar
logo o seu Espírito, "com sinais a o seguir" (Marcos 16:17, 20). De
onde tiramos esta idéia naquele momento não sei. O Senhor mesmo deve ter
sugerido isto a nós. Não pensávamos em falar em línguas. Nenhum de nós jamais
havia ouvido falar em tal coisa (estávamos em fevereiro de 1906). Enquanto
permanecia de joelhos numa reunião de oração, o Senhor disse-me que me levantasse
e fosse à lona do irmão Brownley. Deu-me uma mensagem para eles. Eu estava com
grande peso no espírito, mas depois de falar, sentimo-nos totalmente
quebrantados e choramos muito diante do Senhor. Depois, escrevi um folheto
comovedor, intitulado "A Angústia da Intercessão". O Senhor também me
revelava muito sobre o "sangue". Passei mais uma noite orando com o
Senhor Boehmer, e o Senhor me deu um ministério muito abençoado em Pasadena em
diferentes reuniões. Numa reunião fiquei prostrado duas horas sob a carga pelas
almas perdidas. A batalha ficava cada vez mais renhida. No dia 26 de março fui
a uma reunião na casa da Rua Bonnie Brae. Tanto irmãos brancos quanto negros
estavam unidos ali em oração. Eu fora a uma reunião de oração numa casa, um
pouco antes, onde encontrei o irmão Seymour. Ele acabara de vir do Texas. Era
um negro simples, espiritual e humilde, cego de um olho. Ele frequentava as
reuniões na Rua Bonnie Brae. No final de março de 1906, o Senhor me havia dado
um outro folheto intitulado "A Última Chamada". Foi grandemente usado
para despertar as pessoas. Seguem-se alguns trechos: "E agora mais uma vez
no final desta era, Deus faz a última chamada; a chamada da meia-noite está
sobre nós, ressoando claramente em nossos ouvidos. Deus dará mais uma
oportunidade, a última chamada, um Avivamento mundial. Depois virá o julgamento
de todo o mundo. Um acontecimento tremendo está para acontecer!" Via
Ruanna Pereira Bibliografia: A historia do Avivamento Azusa. Editora D’ Sena
Worship, série achados. Digitalizador desconhecido, formatado por SusanaCap.