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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

AS TRÊS GRANDES TENTAÇÕES DOS PENTECOSTAIS

Pastor José Gonçalves

 

Em 1929, o famoso teólogo britânico e líder da igreja Donald Gee advertiu os líderes das Assembléias de Deus que eles enfrentavam três tentações que poderiam colocar em perigo o jovem movimento pentecostal. Falando no Conselho Geral bienal das Assembléias de Deus realizado em Wichita, Kansas, Gee observou que aqueles que são cheios do Espírito Santo “chamam a atenção pessoal do diabo”. Ele listou três maneiras principais pelas quais Satanás tenta indivíduos, igrejas e movimentos pentecostais, tirados das tentações de Cristo (Mateus 4: 1-11).

De acordo com Gee, a primeira tentação de Satanás para Cristo e para o crente pentecostal é usar o poder de Deus para satisfação egoísta.

Satanás tentou Cristo a usar Seu poder espiritual para alimentar Sua própria fome. Gee declarou: “Nosso Senhor não transformou aquelas pedras em pão para se alimentar; mas não muito depois vamos encontrá-lo alimentando cinco mil ” com pão milagroso fornecido pelo poder de Deus. “Não fui batizado no Espírito Santo para me deliciar em um piquenique pentecostal ... Fui chamado para as multidões famintas.” O diabo ainda tenta aqueles que têm acesso ao poder de Deus para que desfrutem egoisticamente desse privilégio, sem se preocupar com o propósito de poder  alimentar um mundo faminto.

A segunda tentação dada a Cristo e à igreja pentecostal é ser pego pelo fanatismo.

O diabo tentou Cristo a mostrar o poder de Deus por meio de uma exibição selvagem de se atirar do pináculo do Templo, forçando Deus a fazer uma obra milagrosa para provar a si mesmo. Gee lembrou seus ouvintes: “O diabo citou as Escrituras! E a tentação de fanatismo é mais mortal quando tem uma aparência superficial de ser escriturístico.”

A cura para tal fanatismo, na avaliação de Gee, é conhecer todo o conselho da Palavra de Deus. Ele apontou para a declaração de Jesus a Satanás: "Está escrito  novamente ." Gee aconselhou: “Não fuja em duas ou três Escrituras, mas seja equilibrado em toda a Palavra de Deus. Quando o diabo diz: 'Este é um belo texto; você vai e faz algo simples sobre isso, 'você diz,' Está escrito de  novo, '”  e traz o restante das Escrituras para lidar com a situação.

A terceira tentação de Cristo e do movimento pentecostal é a tentação de abandonar a adoração pura a Deus em troca de popularidade. Gee lembrou aos pentecostais que o diabo disse a Jesus: “Se você prostrar-se e me adorar ... adote meus métodos ... eu lhe darei a multidão”. Gee lamentou: “Já estive em igrejas pentecostais que me fizeram pensar em um teatro ou em um concerto sagrado. Não queremos multidões a qualquer preço!” Gee pregou ao Conselho Geral: “Não pense que tenho medo das multidões. Eu quero elas. Se seguirmos as linhas de 'Não por força ou por violência, mas pelo Meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos', conseguiremos as multidões. As multidões estão mais famintas por salvação ... Alimente-as com a Palavra!”

Gee terminou seu sermão lembrando aos ministros das Assembléias de Deus que eles tinham a provisão para se proteger dessas tentações. Usando os dons do ministério descritos em Efésios 4:11, Gee ensinou que os apóstolos e evangelistas lembram aos crentes que o poder de Deus não é dado para fornecer egoisticamente “piqueniques pentecostais”, mas para alimentar um mundo faminto. Mestres e pastores são dados para fornecer ensino e orientação para evitar que a igreja caia no fanatismo. Os profetas dão o toque de clarim ao movimento pentecostal de que a Igreja deve permanecer fiel à adoração piedosa e não se desviar para truques que agradam às multidões que desviam a atenção da verdade da Palavra de Deus. Gee, em um encorajamento aos ministros, observou “que o Espírito do Cristo vivo está conosco, lutando contra o mesmo tentador, mas também nos conduzindo à mesma vitória.

domingo, 28 de março de 2021

Um alerta necessário


Os Pentecostais precisam envolver-se em mais reflexão teológica para explorar todas as dimensões da obra do Espírito Santo na teologia bíblica, corrigindo a dimensão negligenciada do ministério do Espírito na teologia cristã. No entanto, os Pentecostais foram levados por uma urgência escatológica de evangelizar e tiveram pouco interesse em discussões acadêmicas de teologia. Com notáveis exceções nos últimos anos, ele geralmente deixar uma exposição bíblica e teológica a estudiosos evangélicos, confiantes de sua integridade ao lidar com questões cotidianas, mas assumindo ingenuamente que os ensinamentos Pentecostais poderiam ser facilmente integrados com algumas dessas formulações sem minar as crenças pentecostais. Ainda mais prejudicial, ao negligenciar A reflexão e a pesquisa e ao continuar a enfatizar a experiência pessoal acima da pesquisa acadêmica, os Pentecostais permitem que um anti-intelectualismo subjacente continue a permear o movimento.


(Evidência inicial. Garry B. McGee)

Por Rafael Félix

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

NÃO, SCHLEIERMACHER NÃO É “PAI DO PENTECOSTALISMO” NEM TEM QUALQUER LIGAÇÃO COM ELE

Por Silas Daniel

De uns anos para cá, alguns teólogos avessos ao pentecostalismo passaram a querer forçar uma ligação entre o pai da teologia liberal, o reformado Friedrich Schleiermacher (1768-1834), e o pentecostalismo. Bem, qual seria a tal ligação? Em linhas gerais, o fato de Schleiermacher defender que é o “sentimento religioso” que dá significado à realidade divina na vida das pessoas, de maneira que “não podemos conhecer Deus fora de nossa experiência religiosa”; e que, em consequência disso, a experiência religiosa seria o elemento central da religião e o fundamento da própria hermenêutica, o que supostamente o pentecostalismo também esposaria.


Ora, tal afirmação é desconhecer ambos – Schleiermacher e o pentecostalismo clássico.


O que Schleiermacher chamava de “experiência” ou “sentimento religioso” NÃO É A MESMA COISA que os pentecostais clássicos falam quando se referem às experiências na vida cristã, posto que estas, para o pentecostal clássico, decorrem de sua interação com as Escrituras, de seu entendimento e aplicação do texto sagrado para as suas vidas. É uma relação viva com Deus guiada pelas Escrituras. Já a experiência de que fala Schleiermacher é independente das Escrituras. Trata-se de uma mera intuição subjetiva do infinito, uma consciência e sentimento totalmente subjetivos de dependência do divino, que ele designou mais completamente como “Gefühl der schlechthinnigen Abhängigkeit” (“sentimento de dependência absoluta”).


Schleiermacher afirmava, inclusive, que “a Bíblia contém a verdade somente quando corresponde ao que nossa consciência religiosa nos diz que é verdade; quando ambas discordam, a Bíblia está errada” (MCDERMOTT, Gerald, “Grandes Teólogos – Uma Síntese do Pensamento Teológico em 21 Séculos de Igreja”, São Paulo: Vida Nova, 2013, p. 153). O teólogo alemão acreditava que a salvação se encontrava “na experiência existencial” e não em alguma “compreensão e formulação teológica correta” a partir da Bíblia (REDEKER, Martin, “Schleiermacher: Life and Though”, Philadelphia: Fortress, 1973, p. 40). Aliás, Schleiermacher sequer acreditava na deidade de Cristo e no sacrifício vicário de Jesus por nós.


Escreveu o teólogo alemão: “Não posso acreditar que Ele, que se autodenominou Filho do Homem, era o verdadeiro Deus eterno; não posso acreditar que Sua morte foi uma expiação vicária, porque Ele nunca o disse expressamente; e não posso acreditar que tenha sido necessário, porque Deus, que evidentemente não criou os homens para a perfeição, mas para a busca dela, não pode tender a puni-los eternamente, porque eles não a alcançaram” (SCHLEIERMACHER, Friedrich, “The Life of Friedrich Schleiermacher, As Unfolded in His Autobiography and Letters”, volume 1, Londres: Smith & Elder, 1860, p. 46).


Em outras palavras, o teólogo alemão simplesmente colocava o tal “sentimento religioso” acima da própria Bíblia, quando o pentecostalismo clássico faz exatamente o contrário: ele tem na Bíblia a fonte de suas crenças e a fonte e o guia de suas experiências.


Para o pentecostal, a experiência é importante hermeneuticamente como corroboradora do texto bíblico e não como o fundamento hermenêutico da existência. O pentecostal não vai para Bíblia para buscar validação para a sua experiência; ao contrário, é da sua relação com a Palavra de Deus que ele extrai as experiências que devem nortear a sua vida. Nas palavras do falecido teólogo pentecostal William Menzies, “se uma verdade bíblica pode ser promulgada, então ela deve ser demonstrada em vida”.


Enfim, para o pentecostal clássico, a experiência é correta quando ela decorre daquilo que afirma e ensina a própria Bíblia; quando ela é fruto exatamente da aplicação literal em nossa vida daquilo que diz a Bíblia. “Nós, pentecostais, nunca vimos o abismo que separa o nosso mundo do mundo do texto [bíblico] em sentido geral” (MENZIES, Robert, “Pentecostes: Essa História é a Nossa História”, Rio de Janeiro: CPAD, 2016, p. 21). Além disso, enquanto Schleiermacher deixava em segundo plano os aspectos éticos e morais da religião, resumindo a religião apenas a um “gosto pelo infinito”, a um “sentir-se absolutamente dependente de Deus, e não à adesão a pensamentos ou regras de ação”  (SCHLEIERMACHER, Friedrich,  “Christian Faith”, (Louisville: Westminster John Knox, 2016, p. 68), o pentecostalismo clássico leva a sério – e valoriza muito – as prescrições bíblicas.


“Ah, mas já vi teólogos pentecostais dizendo que a experiência está acima da teologia”. Sim, e eles não estão errados. Quando eles dizem isso provocativamente, não estão dizendo que a experiência está acima da Bíblia. Aliás, a perspicácia dessa afirmação está justamente no fato de que ela, em um primeiro momento, leva os irmãos mais desatentos a combaterem o que acham ser um atentado contra o princípio inamovível da Bíblia como nossa única regra de fé e prática, para depois, ao verem realmente do que se trata, perceberem que estavam enredados em uma confusão para a qual não tinham atentado ainda: a confusão entre teologia e Bíblia. Simplesmente, passava-lhes despercebida a distinção entre teologia bíblica e sistema teológico.


Uma coisa é a Bíblia, outra são sistemas teológicos (como o calvinismo, por exemplo), que não podem ser confundidos com a própria Bíblia, que não podem ser vistos como sendo o Cristianismo em sua totalidade (Tipo quando alguém afirma “O calvinismo é o evangelho”).


Sistematizações teológicas não são ruins – ao contrário, são importantes para organizar panoramicamente o ensino bíblico como um todo para fins didáticos. Entretanto, é importante frisar que as sistematizações teológicas estão mais próximas da verdade apenas quanto mais próximas estão da Bíblia.


Há vários sistemas teológicos no meio protestante, e o que nos une como irmãos em Cristo, apesar dessas diferenças, é justamente o fato de que todas as igrejas genuinamente evangélicas, independente de suas diferenças doutrinárias, independente de seus sistemas teológicos adotados, creem naquilo que chamamos de “espinha dorsal da fé cristã”, aqueles pontos bíblico doutrinários fundamentais sem os quais ninguém pode ser salvo.


E quanto aos pontos secundários? Ora, cada cristão, pelo livre exame das Escrituras, nossa única regra de fé e prática, deve buscar entendê-los melhor e formar, assim, o seu entendimento teológico em relação a eles. Isso tem sido feito? De forma geral, sim. Ademais, nunca tivemos uma época em que a Bíblia e obras teológicas de peso, produzidas por várias correntes, estiveram tão acessíveis aos cristãos como agora; e, nesse contexto, a maioria dos evangélicos do mundo tem feito a sua avaliação e optado por um entendimento, à luz do texto bíblico, diferente dos pressupostos calvinistas, divorciado do cessacionismo e apartado do amilenismo, por exemplo.


“Ok, mas já vi teólogos pentecostais também defendendo um rompimento com todos os métodos tradicionais de interpretação da Bíblia”. Ora, não se pode confundir um movimento muitíssimo recente (surgido no início do século XXI) e minoritário dentro da teologia pentecostal com o que o pentecostalismo sempre defendeu e é. Isso é só mais um caso, como tantos outros na história da teologia cristã, de teólogos influenciados por filosofias do “zeitgeist” de sua época. Basta dizer que tal pensamento não é adotado pela maioria esmagadora dos teólogos pentecostais e muito menos pelo pentecostalismo em geral.


Enfim, tratar uma corrente minoritária dentro de um movimento como se representasse o todo desse movimento é uma atitude não só incoerente e desonesta como também uma aparente demonstração de desespero por parte de quem usa esse tipo de argumento como forma de combater o avanço do pentecostalismo, que ocorre simultaneamente ao decréscimo constante do protestantismo tradicional no mundo. Aliás, já faz décadas que o protestantismo cresce no mundo às custas do Movimento Pentecostal (Não estou querendo aqui ofender os irmãos tradicionais, mas apenas constatando um fato estatístico e histórico). 


Por fim, a única ligação que poderia ser encontrada entre Schleiermacher e o pentecostalismo é um elo fraquíssimo, frágil demais: ambos têm alguma relação com o pietismo. Ora, há três problemas monumentais em estabelecer uma relação a partir disso:


1) O pentecostalismo não é um filho direto do pietismo, mas o pietismo é apenas uma das muitas influências históricas na formação dos movimentos renovacionistas, dos quais descende o pentecostalismo;


2) Schleiermacher faz um caminho totalmente diverso dos movimentos renovacionistas a partir do pietismo. Seu “ponto de partida” pode ter sido semelhante, mas os direcionamentos são absolutamente opostos, o que é admitido mesmo por autores que tentam fazer uma ligação entre Schleiermacher e o renovacionismo e, consequentemente, entre o liberalismo e o pentecostalismo (Veja, por exemplo, a obra “Schleiermacher & Palmer”, de Justin A. Davis. O autor vai chegar até a colocar a neo-ortodoxia e o fundamentalismo no mesmo pacote. Haja elasticidade!).


Forçar uma ligação teológica entre Schleiermacher e o pentecostalismo porque ambos têm alguma relação com o pietismo e porque ambos falam de experiencia não faz o menor sentido. É – para usar uma analogia com um fenômeno recente – o mesmo que dizer que o movimento nacionalista do século XXI, que é antiestatista e antiglobalista, é a mesma coisa do movimento nacionalista do início do século XX, que confundia nação com estado e era imperialista. Não apenas aquele odeia este, se opondo frontalmente a ele, como suas raízes doutrinárias não são as mesmas (Aos interessados no assunto, uma obra acessível em português que explica bem essa diferença é “A Virtude do Nacionalismo”, do judeu Yoram Hazony). O fato de ambos usarem o termo “nacionalismo” não significa que estão falando da mesma coisa.


Para usar outra analogia, tanto o Cristianismo quanto o Islamismo creem em Deus, em Abraão e em Jesus, não obstante suas interpretações sobre esses três serem totalmente diferentes. Isso os torna “gêmeos siameses”? Claro que não.


3) Na construção de seu pensamento, Schleiermacher rompeu com o pietismo, uma vez que este, segundo ele, estava preso a visões tradicionalistas as quais ele agora rejeitava, tais como a necessidade do sacrifício vicário de Cristo e boa parte das afirmações dos credos, as quais ele considerava antiquadas, sem sentido e infrutíferas, como são os casos dos dogmas da dupla natureza de Cristo e da Trindade (GERRISH, B. A., “A Prince of the Church”, Philadelphia: Fortress Press, 1984, pp. 36-40).


Enfim, não há ligação histórica alguma entre o pensamento de Schleiermacher e o desenvolvimento do pensamento e da teologia pentecostal. E nem poderia haver, pelas razões acima apresentadas. As raízes teológicas do Movimento Pentecostal são outras, razão pela qual ele é exatamente o oposto do liberalismo teológico. Aliás, quando ele surgiu, ele era, entre outras coisas, uma reação exatamente ao liberalismo teológico que grassava as igrejas protestantes no final do século XIX e início do século XX, e que têm sua gênese em Schleiermacher.


Em suma, Schleiermacher não é o “pai do pentecostalismo”, mas exatamente o pai de tudo aquilo contra o qual o Movimento Pentecostal se insurgiu e se insurge ainda hoje. Logo, ligá-lo ao pentecostalismo não é uma simples temeridade, mas um erro colossal.

domingo, 4 de outubro de 2020

A TEOLOGIA PENTECOSTAL, OS VALORES E A AUTORIDADE BÍBLICA


Por Douglas Baptista


Uma das marcas do pentecostalismo é o seu compromisso inegociável de fidelidade as Escrituras Sagradas e a propagação da mensagem bíblica na sociedade em que a igreja se encontra inserida.


O artigo de abertura da Declaração de fé das Assembleias de Deus professa crer “na inspiração divina verbal e plenária da Bíblia Sagrada, única regra infalível de fé e prática para a vida e o caráter cristão” [1].


Essa proposição tem implicações relevantes para a teologia pentecostal. A Bíblia não é vista apenas como um livro que “contém” a Palavra de Deus, mas, sobretudo a Bíblia Sagrada “é” a Palavra de Deus.


Nota-se na leitura do credo assembleiano alguns termos preponderantes para a construção das Escrituras como o fundamento da teologia pentecostal: inspiração, inerrância, infalibilidade, e exclusividade em termos de fé. Isso significa que a autoridade da Bíblia Sagrada é suprema.


Nesse entendimento, a teologia sistemática pentecostal faz duras críticas ao racionalismo teológico e assegura que “no terreno das Sagradas Escrituras não há meia-ortodoxia; a ortodoxia tem de ser absoluta. Se a tornarmos relativa, não teremos, então, nenhuma ortodoxia; e, sim, heresias, apostasias e erros” [2].


Nesse pressuposto, a teologia pentecostal se estrutura nos preceitos bíblicos cujo código moral não se modifica. Nessa concepção, a teologia assembleiana ratifica que nas Escrituras a “moral não haverá jamais de ser adulterada nem relativizada; é um livro que trata com valores absolutos” [3].


Para alguns pesquisadores, essa afirmação dogmática, caracteriza os pentecostais como intransigentes fundamentalistas. No entanto, para os pentecostais, essa postura os identifica como o povo cuja regra áurea de fé e prática repousa na autoridade da Bíblia Sagrada.


Pense nisso!


Notas bibliográficas:


[1] SOARES, E. Declaração de Fé das Assembleias de Deus. Rio de Janeiro: CPAD, 2017, p. 21.

[2] GILBERTO, Antonio. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2013, p. 24.

[3] GILBERTO, 2013, p. 27.

Fonte: http://www.cpadnews.com.br/blog/douglasbaptista/o-cristao-e-o mundo/190/a-teologia-pentecostal-os-valores-e-a-autoridade-biblica-- .html


Via Nivaldo Gomes.

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

PENTECOSTAIS RUMO À IGREJA REFORMADA?


By Ciro Sanches Zibordi

A cada ano, por ocasião do aniversário da Reforma Protestante, elevam-se vozes em favor de uma nova reforma: “Voltemos ao evangelho da cruz! Chega de Teologia da Prosperidade! Somente as Escrituras! Somente Cristo! Somente a fé! Somente a graça! A Deus toda a glória!” etc. Sejamos sinceros. Isso é viável? Nada é impossível ao Senhor, mas há vários entraves para uma reforma do evangelicalismo, a começar pelo orgulho denominacional.

Nenhuma igreja dentre as tradicionais com mais de cem anos de história está disposta a abrir mão de seu sistema teológico-eclesiástico-consuetudinário, a fim de atender a uma agenda padronizadora benéfica para o Reino de Deus. E quem pede uma nova reforma, muitas vezes, tem contribuído para segregar a cristandade. Há pouco tempo, um influente teólogo usou suas mídias sociais para fazer declarações bombásticas sem citar uma pesquisa que as confirmasse — sobre a migração em massa de pentecostais para denominações calvinistas.

Como era de esperar, houve reações diversas, já que tal teólogo não apenas afirmou que muitos pentecostais estão se tornando reformados, mas incentivou seus pares a se mobilizarem para recebê-los. Segundo ele, as igrejas reformadas não podem decepcionar centenas e centenas de pentecostais e neopentecostais que estão chegando. Estes, de acordo com outros expoentes calvinistas, encantados com a pregação expositiva pela Internet — e cansados de gritaria, pregações sem nexo e animação de auditório —, estariam procurando igrejas reformadas para ouvir a genuína exposição das Escrituras.

Calvinistas, evidentemente, vibraram com tais declarações, mas os pentecostais as consideraram para lá de exageradas e infundadas. Sinceramente, a priori, elas parecem coerentes, pois há mesmo um descontentamento por parte de muitos pentecostais com a pregação triunfalista, antropocêntrica, que tem tomado conta dos púlpitos assembleianos, especialmente em grandes eventos. E isso tem sido denunciado pelos próprios apologistas da Assembleia de Deus.

Entretanto, como saber se essas pessoas que ora deixam a fé pentecostal para supostamente abraçar o calvinismo — não se sabe ao certo quantas — conhecem, de fato, a diferença entre o pentecostalismo e o calvinismo? Ora, assim como um calvinista convicto dificilmente deixará essa tradição para abraçar outra, podemos dizer o mesmo dos crentes pentecostais igualmente convictos.

Para os críticos do pentecostalismo, esse termo abarca vários movimentos heterodoxos. Nesse caso, que tipo de “pentecostal” estaria migrando para igrejas reformadas? Seria o pentecostal instruído, praticante, frequentador de Escola Bíblica Dominical e de cultos de ensino, ou quem teve contato com igrejas pseudopentecostais que priorizam o famigerado “reteté”? Com todo o respeito, o assembleiano médio, batizado no Espírito Santo, amante das Escrituras, dificilmente se deixará convencer pelo “canto da sereia” de qualquer movimento.

Dizer que pentecostais só ouvem a verdadeira exposição da Palavra em igrejas reformadas, por outro lado, é uma afirmação preconceituosa, para dizer o mínimo. Aliás, alguns expoentes mais exaltados do calvinismo parecem sugerir, nas entrelinhas, que os pentecostais formam parte de um “evangelicalismo subdesenvolvido” ou “terceiro mundo teológico”. Ora, é verdade que os assembleianos, em especial, não priorizam a pregação expositiva como modelo homilético, mas isso não quer dizer que eles desprezam a exposição bíblica.

Presbiterianos e outros segmentos reformados praticamente “canonizaram” a pregação expositiva. Para eles, foi ela que “virou o mundo às avessas — não uma pregação por tópicos” (SPROUL, p. 276). Entretanto, isso é um equívoco, pois as pregações de Estêvão, perante o sinédrio, e a de Paulo, no Areópago, por exemplo, evidenciam que um sermão por tópicos ou até mesmo improvisado pode ser bíblico e cristocêntrico (cf. At 7; 17.15 34).

Ademais — embora nas festividades das Assembleias de Deus prevaleçam as pregações temáticas, que não são, necessariamente, antibíblicas —, é um exagero sem tamanho afirmar que não há pregações expositivas entre os pentecostais assembleianos. Na verdade, o problema não está no método, mas em quem prega e como prega (ZIBORDI, p. 84-85). Por outro lado, ainda que, no sermão expositivo, seja mais difícil haver desvios, já que o pregador fica “preso” a uma perícope, se este não for fiel ao texto sagrado, dará um jeito de torcê-lo.

Temos visto exemplos nesse sentido, aliás, inclusive entre os pregadores expositivos calvinistas. É comum, por exemplo, ouvimo-los amoldando o texto bíblico à sua maneira de pensar. Exemplo clássico: dizer que as palavras “todos” e “mundo”, quando referentes à obra expiatória de Jesus (cf. Rm 11.32; 1 Tm 2.4; Jo 1.29; 3.16), aplicam-se a todos os tipos de pessoas eleitas para a salvação, supostamente, antes da fundação do mundo, e não à totalidade do mundo.

Igrejas reformadas e pentecostais creem que Jesus é o único Senhor e Salvador. Ambas, embora tenham cosmovisões diferentes, creem nos princípios da Reforma Protestante (cinco solas). Ambas, portanto, devem priorizar a pregação aos perdidos, e não o proselitismo. A despeito de nosso orgulho denominacional, nenhuma denominação, por mais antiga que seja, é a detentora da mensagem de salvação.

Ainda que não existam pesquisas comprobatórias, é evidente que há um amplo movimento de troca de igrejas, desde a Reforma Protestante. Haja vista o próprio Lutero, que criticou os dogmas do romanismo e rompeu com o papado. Sem dúvida, há cristãos descontentes com as denominações, inclusive as tradicionais, e muitos têm preferido não pertencer a igreja alguma. Não obstante, por ironia, formam parte da “igreja dos desigrejados”, os quais dizem não ter pastor, mas seguem ensinamentos de gurus da Internet.

Voltando à afirmação do teólogo reformado de renome, como não veio acompanhada de pesquisa, podemos dizer, também, o contrário. Alguns expoentes pentecostais renomados têm dito que há uma grande migração de crentes de várias tradições cessacionistas para igrejas pentecostais, justamente porque buscam o equilíbrio entre a pregação bíblica e o poder do Espírito. Afinal, nosso evangelho não é “somente em palavras, mas também em poder, e no Espírito Santo, e em muita certeza” (1 Ts 1.5).

Finalmente, a bem da verdade, estudiosos da Bíblia têm grande dificuldade de permanecer em igrejas que não pregam a sã doutrina, independentemente do meio utilizado para isso. Fica aqui um alerta para os líderes pentecostais: se querem que seus membros permaneçam, devem ter uma Escola Bíblica Dominical forte, cultos de doutrina em que se apresente, verdadeiramente, a exposição da doutrina etc. Caso contrário, não poderão se indignar contra a migração — ainda que em pequena escala — para igrejas reformadas.

Referências:

SPROUL, R. C. Estudos Bíblicos Expositivos em Atos. 1. ed. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2017. ZIBORDI, Ciro Sanches. Paulo: o Príncipe dos Pregadores. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2019

Via Nivaldo Gomes.

quinta-feira, 11 de junho de 2020

A História do Avivamento Azusa

Por: Frank Bartleman

Capítulo 2 - O FOGO CAI EM AZUSA O PRIMEIRO APARECIMENTO DAS LÍNGUAS

Fui à Igreja do Novo Testamento, no auditório Burbank, domingo de manhã, dia 15 de abril. Uma irmã de cor falou em línguas. Isto produziu um grande impacto no povo, que depois se reuniu em grupinhos na calçada, perguntando o que significava isso. Pareciam sinais de um Pentecostes. Depois soubemos que o Espírito se fizera presente algumas noites antes, dia 9 de abril, na pequena casa da Rua Bonnie Brae. Há muito que buscavam ansiosamente por um derramamento do Espírito. Um grupo de irmãos negros e brancos estavam esperando ali diariamente para que algo acontecesse. E agora era a época da Páscoa outra vez (um ano depois que o clamor por Avivamento começou). Não sei qual o motivo, mas não tive o privilégio de estar ali naquela reunião em que pela primeira vez diversas pessoas falaram em línguas. À tarde, estive numa reunião na Rua Bonnie Brae e senti que Deus estava operando poderosamente. Há muito que orávamos por uma vitória. E agora Jesus estava novamente "se apresentando vivo" (Atos 1:3) a muitas pessoas. Os pioneiros haviam preparado o caminho para que as multidões pudessem agora entrar. Era notável na reunião a humildade que se manifestava nas pessoas. Todas estavam absorvidas pela presença de Deus. Era evidente que afinal o Senhor encontrara o pequeno grupo através do qual podia atuar. Não havia outra Missão no país onde a mesma ação pudesse ser realizada. Todas eram controladas por homens, por isso o Espírito não podia operar. Outras obras bem mais pretensiosas" haviam falhado. Tudo o que os homens estimam havia sido rejeitado e o Espírito, mais uma vez, nascia numa humilde estrebaria, fora dos pomposos estabelecimentos eclesiásticos. OS HUMILDES COMEÇOS É indispensável que o corpo seja preparado através do arrependimento e da humildade para que haja o derramamento do Espírito Santo. As pregações da Reforma foram começadas por Martinho Lutero num prédio em decadência no meio da praça pública em Wittenburg. D'Aubigné o descreve desta maneira: "No meio da praça de Wittenburg estava uma velha capela de madeira, com dez metros de comprimento e seis metros e meio de largura, cujas paredes estaqueadas de todos os lados estavam prestes a cair. Um velho púlpito feito de tábuas de um metro de altura recebia o pregador. Foi neste lugar desprezível que a pregação da Reforma começou. Foi da vontade de Deus que o movimento que restauraria Sua glória começasse num ambiente o mais humilde possível. Foi aí neste lugar desditoso que Deus ordenou, de forma figurada, que Seu Filho amado nascesse pela segunda vez... Entre as milhares de catedrais e paróquias que enchiam a terra, não houve uma sequer naquela época que Deus escolhesse para a pregação gloriosa a respeito da vida eterna." No Avivamento em Gales, os grandes pregadores da Inglaterra tiveram de vir e sentar-se aos pés de mineiros trabalhadores e rudes para ver as obras maravilhosas de Deus. Escrevi para o jornal "Way of Faith" naquela ocasião: "A coisa genuína está aparecendo entre nós; o Altíssimo mais uma vez lutará contra os mágicos de Faraó. Porém, muitos o rejeitarão e blasfemarão. Muitos não o reconhecerão, mesmo entre aqueles que se consideram seus seguidores. Temos orado e crido num Pentecostes. Será que o reconheceremos quando chegar?" OS EXTREMOS E MISTURAS NOS AVIVAMENTOS A presente manifestação Pentecostal não irrompeu num instante como se fosse um imenso incêndio de pradaria para pôr fogo no mundo inteiro. Na realidade, nenhuma obra divina aparece desta maneira. É preciso tempo para a preparação O produto final não é reconhecido em seu período inicial. Os homens indagarão de onde veio tudo aquilo, pois não tomaram conhecimento da preparação; no entanto, esta preparação é sempre uma condição essencial. Cada movimento do Espírito de Deus também tem de passar pelas poderosas investidas das forças de Satanás. "O dragão se deteve em frente da mulher que estava para dar à luz, a fim de lhe devorar o filho quando nascesse" (Apocalipse 12:4). Foi assim também com o princípio desta obra Pentecostal. O inimigo fez muitas falsificações, mas Deus manteve a criancinha bem escondida dos Herodes por uma estação, até que pôde adquirir força e discernimento para resistir-lhes. A chama foi preservada com ciúmes pela mão do Senhor dos ventos das críticas, dos ciúmes, da incredulidade, etc. Passou por mais ou menos as mesma experiências de todos os Avivamentos. Havia inimigos dentro e fora da obra. Tanto Lutero, quanto Wesley, tiveram as mesmas dificuldades nos seus tempos. Temos este tesouro em "vasos de barro". Todo nascimento normal é cercado de circunstâncias não totalmente agradáveis. O trabalho perfeito de Deus é realizado dentro da imperfeição humana. Somos criaturas da "queda". Por que esperar uma manifestação perfeita neste caso? Estamos voltando para Deus. John Wesley descreve assim o Avivamento em sua época: "Assim que parti, dois ou três começaram a crer que o que imaginavam eram impressões vindas de Deus. Enquanto isso uma enxurrada de críticas vinha de todas as partes. Não se admire que Satanás semeio o joio no meio do trigo de Cristo. Foi sempre assim, principalmente quando houve um grande derramamento do Espírito, e sempre será assim até o diabo ser preso por mil anos. Até então, ele tentará imitar e se opor ao trabalho do Espírito de Cristo." D'Aubigné disse: "Um movimento religioso quase sempre excede a justa moderação. A fim de que a natureza humana possa dar um passo para frente, seus pioneiros devem estar muitos passos na vanguarda." Outro escritor disse: "Lembrem-se que grandes extravagâncias e fanatismos acompanharam a doutrina da justificação pela fé quando foi trazida de volta por Lutero. A maravilha não foi que Lutero tivesse a coragem de enfrentar o papa e os cardeais, mas que ele tivesse a coragem de suportar o desprezo que sua própria doutrina trouxe sobre ele pela maneira como foi interpretada e alardeada por adeptos. Lembrem-se do escândalo e ofensas que se fizeram presentes com o ressurgimento da piedade e devoção sob a influência de Wesley. O que nós consideramos hoje como errado pode ser a luz refratada de uma grande verdade que ainda está abaixo do horizonte." John Wesley mesmo orou assim quando o Avivamento parecia estar desfalecendo: "Senhor, manda-nos o antigo Avivamento sem seus defeitos; mas se não for possível, manda-o de volta com todos os seus defeitos. Precisamos de um Avivamento!" Adam Clark disse: "A natureza (como também Satanás) sempre se mescla tanto quanto possível com o verdadeiro trabalho do Espírito de forma a levá-lo ao descrédito e a destruí-lo. Assim, em todos os grandes Avivamentos religiosos é quase impossível impedir que o fogo estranho se misture com o verdadeiro fogo." O Dr. Seiss disse: "Nunca houve uma semeadura de Deus na terra que não fosse super-semeada por Satanás; nem houve crescimento vindo de Cristo sem que as ervas do maligno se misturassem para impedir o crescimento. Aquele que pretender achar uma igreja perfeita em que não haja elementos indignos nem imperfeições, pretende tarefa impossível." Ainda outro escritor diz: "Nas diversas crises que ocorreram na história da igreja, têm surgido homens com um destemor santo que assombrava seus companheiros. Quando Lutero afixou suas teses na porta da catedral de Wittenburg, os homens cautelosos se impressionaram com sua audácia. Quando John Wesley ignorou todas as restrições eclesiásticas e normas religiosas e pregou no campo e pelas ruas, os homens consideraram sua reputação arruinada. Em todas as épocas tem sido assim. Quando as condições religiosas de uma época exigiam a chamada de homens que estavam dispostos a sacrificar tudo por Cristo, "a demanda criou a oferta" e sempre acharam-se alguns que estavam dispostos a serem considerados loucos pela causa de Deus. Um total desprezo com relação às opiniões dos homens e outras conseqüências é a única atitude que pode vir de encontro às exigências do tempo presente." Deus achou seu Moisés na pessoa do irmão Smale para nos guiar até a travessia do Jordão. Escolheu, entretanto, ao irmão Seymour para ser nosso Josué para nos levar ao outro lado. Domingo, dia 15 de abril, o Senhor me chamou para dez dias de orações especiais... Eu me sentia como se carregasse um grande fardo, mas não sabia o que Ele estava pensando. Ele tinha algo para eu fazer e queria que eu me preparasse para isto. Quarta-feira, dia 18 de abril, o grande terremoto de São Francisco ocorreu e devastou a cidade e os arredores. Não menos do que quinhentas pessoas perderam a vida só em São Francisco. Eu senti que o Senhor estava respondendo nossas orações concernentes a um Avivamento à sua própria maneira. "Quando os teus juízos reinam na terra, os moradores do mundo aprendem justiça" (Isaías 26:9). Um enorme fardo de oração veio sobre mim; orei para que as pessoas não fossem indiferentes à voz de Deus. O INÍCIO DA MISSÃO AZUSA Quinta-feira, dia 19 de abril, enquanto estávamos sentados na reunião do meio dia no auditório Peniel, Rua South Main, 227, de repente o chão começou a mexer-se. Uma sensação horrorosa tomou conta de todos. Ficamos sentados, muito espantados. Muitas pessoas começaram correr para o meio da rua, olhando ansiosamente para os edifícios com medo que caíssem. Foi uma hora muito séria. Eu fui para casa e depois de um período de oração, o Senhor me mostrou que deveria voltar para reunião que havia sido transferida da Rua Bonnie Brae para a Rua Azusa, 312. Haviam alugado uma velha casa de madeira que fora antes uma igreja metodista, no centro da cidade, e que durante muito tempo não fora usada para reuniões. Tornarase um depósito de madeira velha e cimento, mas agora limparam a sujeira e o entulho o suficiente para colocar no meio umas tábuas, em cima de barris velhos. Desta forma, dava lugar para cerca de trinta pessoas, se é que me lembro corretamente. Sentavam-se formando um quadrado, olhando uns para os outros. Senti tremenda pressão interior para ir à reunião daquela noite. Era minha primeira visita a Missão Azusa. Mamãe Wheaton, que estava vivendo conosco naquela época, iria junto. Ela andava tão devagar que eu mal conseguia esperá-la. Chegamos lá finalmente e encontrei cerca de doze irmão, alguns brancos e alguns negros. O Irmão Seymour estava lá dirigindo. A "arca do Senhor" começou a se mover vagarosamente, mas com firmeza em Azusa. No princípio era carregada nos ombros de sacerdotes indicados por Ele mesmo. Não tínhamos nenhuma "carroça nova" naqueles dias para agradar as multidões mistas e carnais. Tínhamos de combater contra Satanás, mas a "arca" não era puxada por bois (bestas ignorantes). Os sacerdotes estavam "vivos para Deus", através de muita preparação e oração. O discernimento não era perfeito, e o inimigo tirou algum proveito disto, e trouxe algumas críticas ao trabalho, mas os irmãos logo aprenderam a "apartar o precioso do vil". Todas as forças do inferno estavam combinadas contra nós no princípio. Nem tudo era benção. Na realidade, a luta foi tremenda. Satanás procurava espíritos imperfeitos, como sempre, para destruir a obra, se possível. Mas o fogo não podia ser apagado. Irmãos fortes haviam se reunido com a ajuda do Senhor. Aos poucos levantouse uma onda de vitória. Mas tudo isto veio de um pequeno começo, uma pequenina chama. Preguei uma mensagem na minha primeira reunião em Azusa. Dois irmãos falaram em línguas. Muitas benção parecia acompanhar estas manifestações. Em breve muitos já sabiam que o Senhor estava operando na Rua Azusa e pessoas de todas as classes começaram a vir às reuniões. Muitos estavam apenas curiosos e não acreditavam, mas outros tinham fome da presença de Deus. Os jornais começaram a ridicularizar e a debochar das reuniões, oferecendo-nos desta maneira muita publicidade gratuita. Isto trouxe as multidões. O diabo superou-se a si mesmo outra vez. Perseguições externas nunca fazem mal à obra. Tínhamos de nos preocupar mais com os espíritos malignos que trabalhavam dentro da obra. Até espíritas e hipnotizadores vieram investigar o que fazíamos e tentar nos influenciar. Apareceram então todos os descontentes religiosos e charlatães procurando um lugar para trabalhar. Estes é que nos causavam mais temor, porquanto constituem sempre perigo para todos os trabalhos que estão sendo iniciados, e não encontram guarida em outros lugares. Esta situação lançou tal medo sobre muitas pessoas que foi quase insuperável e impediu muito a ação do Espírito. Várias temiam buscar a Deus por pensar que o diabo poderia pegá-las. Descobrimos logo no início que quando tentávamos segurar a "arca" (I Crônicas 13:9), o Senhor parava de trabalhar. Não ousávamos chamar muita a atenção do povo para o que o maligno tentava realizar, pois medo seria o resultado. Só podíamos orar. Então Deus deu-nos a vitória. Havia a presença de Deus conosco através da oração; nós podíamos contar com ela. Os líderes tinham uma experiência bastante limitada, e a grande maravilha é que o trabalho tenha sobrevivido contra seus poderosos adversários. Mas era de Deus. E era este o segredo. Um certo escritor disse bem: "No dia de Pentecostes, o cristianismo enfrentou o mundo; era uma nova religião sem universidade, povo ou patrocinador. Tudo o que era antigo e venerável se levantou em oposição maciça contra ele, e ele não bajulou ou procurou conciliar-se com nenhum deles. Foi de encontro a todos os sistemas existentes e todos os maus costumes, queimando à medida que passava todas as inumeráveis formas de oposição. Isto realizou só com sua língua de fogo." Outro escritor disse: "A apostasia da igreja primitiva veio porque os cristãos queriam ver seu poder e governo se espalhar, mais do que a transformação e vida de cada um dos seus membros. No momento em que nos regozijamos com as multidões que se aderiram à nossa versão ou conceito da verdade, em lugar de buscar a transformação de vidas individuais de acordo com o plano divino, já estamos andando na estrada da apostasia que leva à Roma e às sua filhas." OS EFEITOS ESPIRITUAIS DO TERREMOTO Verifiquei que o terremoto havia aberto muitos corações. Eu distribuía especialmente meu último folheto, "A Última Chamada". Parecia muito apropriado depois do terremoto. Domingo , dia 22 de abril, levei 10.000 destes à Igreja do Novo Testamento. Os obreiros os aceitaram alegremente e logo os distribuíram por toda a cidade. Quase todos os pregadores do país estavam trabalhando a valer para provar que Deus nada tinha a ver com o terremoto e desta forma aliviar o medo do povo. O Espírito procurava tocar os corações com convicção através deste julgamento. Sentia-me indignado que os pregadores fossem usados por Satanás para abafar a voz do Senhor. Da mesma forma eles foram usados depois, durante a guerra. Até as professoras nos colégios trabalhavam com afinco para convencer as crianças que o terremoto não era obra de Deus. O diabo fez muita publicidade nesta área. Depois do terremoto passei muito tempo em oração e dormi pouco. O Senhor me mostrou definitivamente que Ele tinha uma mensagem para o povo. No Sábado seguinte deu-me parte dela. Na segunda-feira, deu-me o resto. Quando acabei de escrever era meia-noite e meia. Já estava pronta para ser levada ao impressor. Ajoelhei-me diante do senhor e senti Sua presença de uma forma muito forte como grande prova de que a mensagem era mesmo Sua. Devia mandar imprimi-la na manhã seguinte. Daquela hora até às quatro da manhã, fui maravilhosamente absorvido pela intercessão. Sentia a ira de Deus contra o povo e lutei muito contra ela em oração. Ele me mostrou que estava muito triste com a obstinação do povo mesmo em face do seu juízo sobre o pecado. São Francisco era uma cidade terrivelmente pervertida. Mostrou-me o Senhor que todo o inferno operava para, se possível, abafar Sua voz através do terremoto. A mensagem que Ele me deu era para contra atacar esta influência. Os homens negavam Sua presença no terremoto, mas agora Ele iria falar. Era uma mensagem terrível a que Ele me dera. Eu não deveria discutir sobre ela com ninguém, simplesmente entregá-la. Eles teriam de prestar contas ao Senhor. Senti todo o inferno contra mim nesta situação, o que depois ficou comprovado. Fui dormir às quatro horas, levantei-me às sete e corri com a mensagem para o impressor. A pergunta que havia em quase todos os corações era: "Foi Deus que fez isso?" Instintivamente sabiam que era assim. Até os ímpios estavam conscientes deste fato. O folheto foi logo composto, no mesmo dia já estava sendo impresso e na próxima tarde eu já tinha os primeiros exemplares. Senti que deveria levá-los logo ao povo o mais depressa possível. Lembrei-me que os dez dias que o Senhor me chamara para orar terminavam no dia em que recebi os primeiros exemplares desta folheto. Compreendia tudo agora claramente. Distribuí a mensagem rapidamente nas missões, igrejas, bares, empresas e na realidade em todos os lugares, tanto em Los Angeles, como em Pasadena. Além disso enviei pelo correio alguns milhares a obreiros nas cidades vizinhas para serem distribuídos. Todo o processo foi uma obra de fé. Comecei sem nenhum dólar. Mas o Senhor me supriu com os recursos necessários. Trabalhei muito todos os dias. O irmão e irmã Otterman os distribuíram em São Diego. Era preciso muita coragem. Muitos clamavam contra a mensagem. Por causa deste folheto passei toda espécie de experiência em Los Angeles. Todo o inferno se acometia contra mim. Deus enviou o irmão Boehmer de Pasadena para me ajudar. Ele ficava do lado de fora dos bares, orando enquanto eu entregava e os distribuía. Em alguns lugares ficavam tão furiosos que queriam me matar. As empresas estavam todas paradas depois do que ocorrera em São Francisco. O povo estava paralisado de medo. Este fator foi responsável por parte da influência que o folheto surtiu. A pressão contra mim foi tremenda. Todo o inferno se levantava para impedir que a mensagem fosse distribuída. Mas nunca vacilei. Senti sempre sobre mim a mão de Deus. O povo ficava abismado quando soube o que Deus tinha para falar a respeito de terremotos. O Senhor mandou-me a diversas reuniões com uma exortação solene para que todos se arrependessem e o buscassem. Na Missão Azusa tivemos um tempo de grande poder. Os irmão se humilhavam. Uma irmão de cor falava e orava em línguas. A atmosfera própria do céu estava ali. Domingo, dia 11 de maio, eu havia terminado a distribuição do meu folheto "O Terremoto". O peso que sentira desapareceu repentinamente. Meu trabalho estava concluído. Setenta e cinco mil folhetos haviam sido publicados e distribuídos em Los Angeles e no sul da Califórnia em menos de três semanas. Em Oakland, o irmão Manley, por sua própria vontade, havia impresso e distribuído mais cinqüenta mil nas cidades em volta da Baía de São Francisco e arredores no mesmo espaço de tempo. O terremoto de São Francisco fora verdadeiramente a voz de Deus para seu povo na costa do Pacífico. Foi usado de forma poderosa para convencer os incrédulos e preparar para a graciosa visitação que viria depois. Nos primeiros dias da Missão Azusa, tanto o céu como o inferno pareciam ter chegado à cidade. Os homens estavam a ponto de estourar e havia uma poderosa convicção sobre o povo em geral. As pessoas pareciam cair aos pedaços mesmo na rua sem nenhuma provocação. Havia como que uma cerca em volta da Missão Azusa feita pelo Espírito. Quando o povo a atravessava, a dois ou três quarteirões de distância, era tomado pela convicção dos seus pecados. EXPERIÊNCIAS COM O ESPÍRITO EM AZUSA A obra era cada vez mais clara e forte em Azusa. Deus operava poderosamente. Parecia que todos tinham de ir a Azusa. Havia missionários vindos da África, Índia e ilhas oceânicas. Pregadores e obreiros atravessavam o continente, e vinham de ilhas distantes, motivados por uma tração irresistível por Los Angeles. "Congregai os meus santos" (Salmos 50:1-7). Haviam sido chamados para assistir o Pentecostes, embora não soubessem. Era a chamada de Deus. Reuniões independentes, em Lonas e Missões, começaram a fechar por falta de gente. Seus membros estavam todos em Azusa. O irmão e irmão Garr fecharam o auditório "Sarça Ardente" e vieram para Azusa para serem batizados no Espírito, e logo foram para a Índia para espalhar a chama. Até o irmão Smale veio para Azusa procurar os membros de sua igreja. Convidou-os a voltar para casa, prometendo dar-lhes liberdade no Espírito, e durante algum tempo Deus operou poderosamente na Igreja do Novo Testamento também. Houve muita perseguição, principalmente por parte da imprensa. Escreviam coisas incríveis, mas isso só fazia com que mais gente viesse. Muitos deram ao movimento seis meses de vida. Em pouco tempo havia reuniões noite e dia sem interrupção. Todas as noites a casa estava lotada. Todo o prédio em cima e embaixo havia sido esvaziado e estava sendo utilizado. Havia muito mais brancos do que pessoas de cor frequentando as reuniões. A segregação racial foi apagada pelo sangue de Jesus. A. S. Worrel, tradutor do Novo Testamento, declarou que o trabalho de Azusa havia redescoberto o sangue de Jesus para a igreja naquela época. Dava-se grande ênfase ao sangue como elemento purificador. Colocavam-se padrões morais elevados para quem queria ter uma vida limpa. "Vindo o inimigo como uma corrente de águas, o Espírito do senhor arvorará contra ele a sua bandeira" (Isaías 59:19) O amor divino se manifestava maravilhosamente nestas reuniões. Não se permitia nem sequer uma palavra indelicada contra os inimigos ou outras igrejas . A mensagem era o amor de Deus. Era como se o primeiro amor da igreja primitiva houvesse retornado. O batismo como recebíamos no princípio não permitia que pensássemos, falássemos ou ouvíssemos o mal contra nenhuma criatura. O Espírito era muito sensível como uma pomba delicada. A pomba não tem fel. Sabíamos imediatamente quando magoávamos o Espírito através de um pensamento ou de uma palavra. Parecíamos viver num mar de puro amor divino. O Senhor lutava por nós naqueles dias. Nós nos submetíamos ao seu julgamento em todos os assunto, nunca buscando defender nosso trabalho ou a nossa pessoa. Vivíamos em sua maravilhosa e atual presença. E nada contrário ao seu puro Espírito era permitido. O falso era separado do real pelo Espírito de Deus. A própria Palavra de Deus era que resolvia todos os assuntos. O coração do povo, tanto em ação como em motivação, era descoberto até o cerne mais profundo. Não era nenhuma brincadeira tornar-se parte do grupo. "Ninguém ousava ajuntar-se a eles" (Atos 5:13) a não ser que levasse as coisas a sério, e quisesse ir até o fim. Naquele tempo, para receber o batismo era necessário passar pela "morte" e por um processo de purificação. Tínhamos uma sala especial em cima para aqueles que buscavam com mais ardor o batismo embora muitos fossem batizados também em plena reunião. Muitas vezes eram batizados enquanto estavam sentados. Na parede da sala especial estava escrito: "É proibido falar alto; sussurre apenas". Não sabíamos nada a respeito de "conquistar pelo barulho" naquela época! O Espírito operava profundamente. Uma pessoa inquieta ou que falasse sem pensar era logo repreendida pelo Espírito. Estávamos em terra santa. Esta atmosfera era insuportável para os carnais. Geralmente passavam bem longe daquela sala a não ser que já houvesse sido subjugados e esvaziados pelo Espírito. Só iam para lá os que verdadeiramente buscavam a Deus, os que estavam sérios com Ele. Este não era um lugar para manifestações emocionais nem para ter ataques ou dar vazão a sentimentos negativos. Os homens não gritavam naquele tempo. Eles buscavam a misericórdia do Senhor, diante do Seu trono. Sua atitude era de quem tirava os sapatos por estar em terra santa. "Os tolos entram correndo, onde anjos não ousam pisar..." A AÇÃO DO ESPÍRITO NA MÚSICA Sexta-feira, 15 de junho, em Azusa, o Espírito derramou o coro celestial dentro de minha alma. Encontrei-me de repente, unindo-me aos demais que já haviam recebido este dom sobrenatural. Era uma manifestação espontânea e de tal arrebatamento que nenhuma língua humana poderia descrever. No início esta manifestação era maravilhosa, pura e poderosa. Temíamos reproduzi-la, como também com as línguas estranhas. Hoje em dia, muitos parecem não ter nenhum constrangimento de imitar todos os dons. É por isso que eles perderam grande parte do seu poder e influência. Ninguém podia compreender esse dom de cânticos espirituais além daqueles através dos quais se manifestava. Era realmente um novo cântico no Espírito. Quando o ouvi pela primeira vez numa reunião, um grande desejo entrou na minha alma de recebê-lo. Achava que expressaria muito bem todos os meus sentimentos reprimidos. Eu ainda não falara em línguas. A nova canção, no entanto, me conquistou. Era um dom de Deus de alto nível e apareceu entre nós logo que começou o trabalho em Azusa. Ninguém havia pregado sobre isso. O Senhor o havia derramado soberanamente junto com o derramamento do "restante do azeite", o batismo no Espírito da chuva serôdia. Manifestava-se à medida que o Espírito impulsionava as pessoas que tinham o Dom, individualmente ou em grupo. Às vezes era sem palavras, outra vezes em línguas. O efeito sobre o povo era maravilhoso. Havia uma atmosfera celestial como se os anjos mesmos estivessem presentes e houvessem se unido a nós. Provavelmente isto ocorria mesmo. Parecia fazer cessar toda a crítica e oposição, e era difícil até para os ímpios negá-los ou ridicularizá-los. Alguns condenam estes cânticos novos sem palavras. Mas não foi o som dado antes da linguagem? E não há inteligência sem linguagem? Quem compôs a primeira música? Temos sempre de seguir a composição de um algum homem que veio antes de nós? Somos adoradores demais da tradição. O falar em línguas não está de acordo com a sabedoria ou com o conhecimento humano. E por que não um dom de cânticos espirituais? De fato, estes são um desafio aos cânticos religiosos de ritmo moderno que usamos hoje. E provavelmente foram dados com este propósito. Entretanto alguns dos velhos hinos são muito bons de cantar também, e não devem ser desprezados. Alguém disse que cada novo Avivamento traz sua própria hinologia. E isto realmente aconteceu conosco. No princípio em Azusa, não tínhamos instrumentos musicais. Na realidade, não sentimos necessidade deles. Não havia lugar para eles no nosso louvor. Tudo era espontâneo. Não cantávamos nem com hinários. Todo os hinos antigos eram cantados de memória, vivificados pelo Espírito de Deus. "Veio o Consolador" era provavelmente o mais cantado. Cantávamos com corações cheios dessa experiência nova e poderosa. Oh, como o poder de Deus nos enchia e nos comovia! Os hinos sobre o "sangue" também eram muito populares. "A vida está no sangue." As experiências de Sinai, Calvário e Pentecostes todas tinham seus lugares certos no trabalho de Azusa, Contudo as novas canções era totalmente diferentes, pois não eram de composição humana, e não podiam ser falsificadas com sucesso. O corvo não pode imitar a pomba. Mais tarde começaram a desprezar este Dom quando o espírito humano se reivindicou outra vez. Colocaram-no para fora com o uso do hinário e hinos selecionados pelos líderes. Era como assassinar o Espírito e isto entristecia muito a alguns de nós; porém a corrente contrária era forte demais. Os hinários hoje em dia são em grande parte uma produção comercial e não perderíamos muito se não os tivéssemos. Os velhos hinos são violados pelas mudanças, e procuram produzir novos estilos todos os anos para que haja mais lucro. Há muito pouco espírito de adoração neles. Mexem com os pés, mas não com os corações dos homens! Os cânticos espirituais dados por Deus, no início, eram semelhantes a uma harpa eólica por sua espontaneidade e doçura. Na realidade, era o próprio sopro de Deus tocando nas cordas dos corações humanos ou nas cordas vocais humanas. As notas eram maravilhosamente doces tanto no volume quanto na duração. Eram às vezes impossíveis humanamente. Era o cantar no Espírito. A LIDERANÇA DAS REUNIÕES EM AZUSA O irmão Seymour foi aceito como o líder nominal. Mas não havia papa ou hierarquia. Éramos todos irmãos. Não tínhamos programas humanos. O Senhor mesmo liderava. Não havia uma classe sacerdotal, nem ações sacerdotais. Estas coisas surgiram depois à medida que o movimento apostatou. No princípio não tínhamos nem plataforma, nem púlpito. Todos estavam no mesmo nível. Os ministros eram servos na verdadeira concepção da palavra. Não homenageavam os homens pelo que possuíam a mais de recursos ou de instrução, mas pelos dons que Deus lhe dera. Ele colocava os membros no lugar certo do Seu corpo. Agora "coisa espantosa e horrenda se anda fazendo na terra: os profetas profetizam falsamente e os sacerdotes dominam de mãos dadas com eles; e é o que deseja meu povo. Porém, que fareis quando estas coisas chegarem ao seu fim?" (Jeremias 5:30,31). E também: "Os opressores do meu povo são crianças e mulheres estão à testa do seu governo" (Isaías 3:12). O irmão Seymour geralmente ficava sentado atrás de duas caixas vazias, uma em cima da outra. Usualmente mantinha a cabeça dentro de uma delas, durante o culto, em oração. Não havia orgulho aqui. Os serviços religiosos eram quase que contínuos. Almas sequiosas podiam ser encontradas sob o poder de Deus quase a qualquer hora, de dia ou de noite. Nunca o local estava fechado ou vazio. O povo vinha se encontrar com Deus. Ele estava ali. Por isso a reunião era contínua e não carecia de liderança humana. A presença de Deus tornava-se mais e mais maravilhosa. Naquele velho prédio de teto baixo e piso descoberto Deus fazia em pedaços homens e mulheres fortes e tornava a juntá-los outra vez para Sua glória. Era um tremendo processo de desmontagem e revisão geral. O orgulho e a auto-afirmação, a auto-importância e a auto-estima, não podiam sobreviver aqui. O ego religioso pregava rapidamente seu próprio sermão de enterro. Nenhum assunto ou pregação era anunciado de antemão e nenhum pregador especial havia para essa hora. Ninguém sabia o que iria acontecer e nem o que Deus faria. Tudo era espontâneo, comandado pelo Espírito. Queríamos ouvir Deus através de quem Ele falasse. Não fazíamos acepção de pessoas. Os ricos e cultos eram iguais aos pobres e ignorantes e era muito mais difícil para aqueles morrerem. Só reconhecíamos a Deus. Todos eram iguais. Nenhuma carne podia se gloriar na Sua presença, e Ele não podia usar quem tivesse opiniões próprias. Era reuniões do Espírito Santo, guiadas pelo Senhor. O Avivamento tinha de começar num ambiente humilde para que o elemento egoísta e humano não entrasse. Todos caíam juntos aos seus pés, com humildade. Todos se assemelhavam e tinham tudo em comum, neste sentido pelo menos. O teto era baixo e por isso as pessoas altas deviam dobrar-se. Ao chegarem a Azusa já tinham se humilhado, e estavam preparadas para as bênçãos. A forragem estava preparada para ovelhas, não ara girafas. Fomos libertos ali mesmo das hierarquias eclesiásticas e dos seus abusos. Queríamos Deus. Quando chegávamos à reunião evitávamos o máximo possível cumprimentar e conversar uns com os outros. Queríamos primeiro chegar a Deus. Colocávamos a cabeça em baixo de algum banco em oração e entrávamos em contato com os homens só no Espírito; não os conhecíamos mais na carne. As reuniões começam espontaneamente com testemunhos, louvor e adoração. Os testemunhos nunca eram apressados pela agitação do homem. Não tínhamos um programa preestabelecido que tinha de ser empurrado de qualquer maneira. Nosso tempo pertencia a Deus. Tínhamos verdadeiros testemunhos vindos diretamente de corações vibrantes com as experiências. Se não for assim, quanto menores forem os testemunhos melhor é. Uma dúzia de pessoas às vezes estavam de pé tremendo sob o poder de Deus. Não precisávamos que um líder nos indicasse o que fazer, mas também não havia desordem. Estávamos absorvidos em Deus nas reuniões, através da oração. Nossas mentes estavam voltadas exclusivamente para Ele, e todos Lhe obedeciam com mansidão e humildade. Em honra nós preferíamos uns aos outros (Romanos 12:10). O Senhor podia irromper através de qualquer um. Orávamos por isso continuamente. Alguém finalmente ficava de pé, ungido com a mensagem. Todos reconheciam isso e permitiam que acontecesse. Podia ser uma criança, um homem ou uma mulher. Podia ser do banco de trás ou do da frente. Não fazia diferença. Regozijávamos na obra do Senhor. Ninguém queria aparecer. Só pensávamos em obedecer ao Senhor. Na verdade, havia uma tal atmosfera divina que só um tolo se colocaria de pé sem verdadeira unção. E mesmo assim , não duraria muito. As reuniões eram controladas pelo Espírito diretamente do trono da graça. Verdadeiramente foram dias maravilhosos. Eu muitas disse que preferia viver seis meses naquela época do que cinquenta anos de uma vida normal. Mas Deus ainda é o mesmo hoje. Só nós é que mudamos. Alguém podia estar falando. Repentinamente, o Espírito caía sobre toda a congregação. Deus mesmo fazia os apelos. Homens caíam por toda a casa como mortos numa batalha, ou corriam ao altar em massa buscando a Deus. A cena muitas vezes parecia uma floresta cheia de árvores caídas. Uma cena assim não podia ser imitada. Não me lembro de Ter visto um apelo sequer naqueles dias. Deus mesmo os chamava. E o pregador sabia quando parar. Quando Deus falava todos obedecíamos. Parecia algo temerário impedir a atuação do Espírito ou entristecê-lo. O local todo estava cheio de orações. Deus estava no Seu santo templo. À humanidade cabia ficar em silêncio. A glória do Shekinah1 estava ali. Aliás alguns diziam ter visto a glória do senhor envolvendo o prédio durante a noite. Eu não duvido. Mais de uma vez parei quando se aproximava deste local e orei pedindo forças antes de ousar continuar. A presença do Senhor era muito real. DEUS TRATA COM A CARNE PELO BATISMO Homens presunçosos às vezes apareciam no nosso meio. Especialmente pregadores que tentavam espalhar suas próprias idéias e se auto-promover. Seus esforços, porém, duravam pouco. Ficavam sem fôlego. Suas mentes vagavam seus cérebros pareciam girar. Tudo ficava escuro diante de seus olhos. Não podiam continuar. Nunca vi alguém que tivesse tido sucesso naqueles dias; estavam lutando contra o próprio Deus. Ninguém precisava interrompê-los. Simplesmente orávamos e o Espírito Santo fazia o resto. Queríamos que o Espírito controlasse tudo. Ele os confundia logo. Eram carregados para fora mortos, espiritualmente falando. Geralmente se humilhavam até o pó, passando pelo mesmo processo que passáramos. Em outras palavras, eram esvaziados de si mesmos; depois se viam com todas suas fraquezas, e com humildade de criança confessavam tudo; Deus os pegava então e transformava-os poderosamente através do batismo no Espírito. "O velho homem morria" com todo seu orgulho, arrogância e boas obras. No meu caso, passeia a não me suportar. Supliquei que Deus colocasse uma cortina entre mim e meu passado de tal forma que apagasse até mesmo as minhas derradeiras ações. O Senhor me disse que esquecesse cada boa ação como se nunca tivesse ocorrido, assim que fosse realizada; e que prosseguisse adiante como se nunca tivesse feito nada para Ele , para que minhas boas obras não se tornassem numa armadilha voltada contra mim mesmo. Víamos coisas maravilhosas naqueles dias. Mesmo homens muito bons vieram a se desprezar quando se viam na luz mais clara de Deus. Os pregadores é que custavam a se entregar. Tinham muito para entregar à morte. Tanta fama e boas obras! Quando, entretanto, Deus finalizava sua obra neles, com alegria viravam uma nova página e começavam outro capítulo. Portanto, havia uma razão para eles lutarem tanto. A morte não é uma experiência agradável, e os homens fortes custam a morrer! O irmão Ansel Post, um pregador batista, estava sentado numa cadeira no meio da sala numa reunião à noite. De repente veio sobre ele o Espírito. Deu um salto e começou a louvar a Deus em línguas e a correr de um lado para o outro, abraçando todos os irmãos possível. Estava cheio do amor de Deus. Mais tarde foi para o Egito como missionário. Vejamos seu próprio testemunho a respeito do ocorrido: "Subitamente, como no dia de Pentecostes, enquanto eu estava sentado a uns quatro metros do pregador, o Espírito Santo veio sobre mim e literalmente me encheu. Parecia que eu fora suspenso, pois no mesmo instante estava de pé gritando "louvado seja Deus". Imediatamente comecei a falar noutra língua. Eu não teria ficado mais surpreso se no mesmo momento alguém tivesse me dado um milhão de dólares." Depois que o irmão Smale convidou sua congregação de volta e prometeu-lhes liberdade no Espírito, escrevi o seguinte no "Way of Faith": "A Igreja do Novo Testamento recebeu seu "Pentecostes" ontem. Foi maravilhoso. Homens e mulheres ficaram prostrados diante da quantidade de poder que havia no local. Uma atmosfera celestial invadiu todo o ambiente. Eu nunca antes ouvira cantar daquela maneira. Era uma melodia que parecia vir direto do trono de Deus." No "Christian Harvester", escrevi na mesma data: "Na Igreja do Novo Testamento, uma jovem muito requintada ficou durante horas prostrada no chão. De vez em quando, os mais belos cantos celestiais saíam de sua boca. Subiam até o trono de Deus e depois morriam numa melodia que não era terrena. Cantava: "Louvado seja Deus! Louvado seja Deus!" Na casa inteira homens e mulheres choravam. Um pregador estava deitado com o rosto no chão, "morrendo". O Pentecostes havia chegado." Tivemos diversas noites de orações na Igreja do Novo Testamento. Mas o pastor Smale nunca recebeu o batismo com o Dom de falar em línguas. Era uma posição difícil para ele. Tudo era novo. Então o diabo fez o máximo para difamar e destruir a obra. Mandou espíritos malignos para assustar o pastor e levá-lo a rejeitar a obra. Mas o irmão Smale era o Moisés de Deus para levar o povo até o Jordão, apesar dele mesmo nunca ter atravessado. O irmão Seymour foi quem os levou na travessia. No entanto, por estranho que pareça, Seymour também não falou em línguas até depois da Missão Azusa Ter sido aberta já havia algum tempo. Muitos irmãos entraram antes dele. Todos quantos recebiam este batismo falavam em línguas. CARACTERÍSTICAS DO AVIVAMENTO: IMPERFEIÇÃO, OPOSIÇÃO E DOMÍNIO DO ESPÍRITO. Muitos se atrapalharam no princípio de Azusa por causa da natureza dos instrumentos que Deus usava. Escrevi no "Way of Faith" como se segue: "Alguém disse que não é quem pode preparar a maior fogueira, mas quem pode acendê-la primeiro que vai iluminar todo o país. Deus nunca pode esperar um instrumento perfeito surgir. Neste caso, estaria esperando até agora. Lutero mesmo declarou que era um rude lenhador com o papel de cortar árvores. Os pioneiros são homens assim. Deus também tem homens refinados como Melancthon, que virão depois para cortar e arrumar a madeira de forma simétrica. Uma carga de dinamite não produz o produto final. Mas ajuda a soltar as pedras que depois serão transformadas em monumentos pelas mãos talentosas do escultor. Muitos altos dignitários da Igreja Católica Romana no tempo de Lutero estavam convencidos de que seriam necessária uma reforma e consideravam que ele estava no caminho certo. Mas declararam em resumo não poderem aceitar que essa nova doutrina viesse de origem tão insignificante. "Que fosse um monge, um simples monge, que presumiu nos reformar a todos", disseram eles, "é o que não podemos tolerar!" "De Nazaré pode sair alguma coisa boa?" "mesmo na melhor forma possível, a humanidade caída é algo extremamente peculiar, despedaçado e imperfeito. "Temos este tesouro em vasos de barro." Na fase embrionária de todas as novas experiências temos de admitir muitas falhas humanas. Há sempre muitos espíritos rudes, impulsivos e mal equilibrados entre os primeiros a serem atingidos por um Avivamento. Além disso nossa compreensão do Espírito de Deus nesta fase é tão limitada que ficamos propensos a errar ocasionalmente por não reconhecermos tudo que realmente veio de Deus. Só podemos compreender tudo à medida que nós mesmos somos possuídos pelo Espírito. Julgamentos precipitados são sempre perigosos. "nada julgueis antes do tempo" (I Coríntios 4:5). O grupo usado na Missão Azusa para quebrar a cerca foi o "bando de Gideão" que abriu o caminho da vitória para os que vieram depois." Escrevo ainda em "Way of Faith" , em primeiro de agosto de 1906: "O Pentecostes chegou a Los Angeles, a Jerusalém americano. Toda seita, credo e doutrina debaixo do céu é encontrado em Los Angeles, assim como todas as nações são representadas aqui. Muitas vezes fui tentado a duvidar que minhas forças resistissem até o final. O peso de oração tem sido muito grande. Mas desde a primavera de 1905, quando tive a primeira visão e recebi o fardo para sustentar em oração, nunca tive dúvida quanto ao resultado final. Os homens em todos os lugares estão com suas almas perturbadas e o avivamento com seus fenômenos sobrenaturais é o assunto do dia. Grande oposição também se manifesta. Os jornais são muito venenosos, injustos e inverídicos nos seus pronunciamentos. Os pseudosistemas religiosos também estão lutando fortemente, mas "a saraiva varrerá o refúgio da mentira" (Isaías 28:17). Seus esconderijos estão sendo descobertos. Um riacho purificador está passando pelo meio da cidade. A Palavra de Deus prevalece. "A perseguição está forte. A polícia chegou a ser chamada para acabar com as reuniões. E obra foi atacada também pelos espíritos fanáticos, facilmente encontrados nesta cidade. Deus e Satanás se encontram num tremendo embate. Pouco podemos fazer além de orar e observar. O Espírito Santo mesmo está tomando a liderança, deixando toda liderança humana de lado. Ai dos homens que ficam no caminho, procurando egoisticamente mandar ou controlar. O Espírito não aceita interferências deste tipo. Os instrumentos humanos se perdem de vista na sua maioria. Nossas mentes e corações estão voltados para Deus. As reuniões estão repletas. Há grande excitação entre aqueles que não são espirituais ou que não são salvos. "Todas as falsas religiões debaixo do céu encontram-se representadas aqui. A não ser a Velha Jerusalém, não há nada igual no mundo. (Fica do lado oposto do mundo com condições naturais muito semelhantes.) Todas as nações são representadas como em Jerusalém. Milhares vindo de toda parte do país e de muitos lugares do mundo, mandados por Deus para estar no Pentecostes, levarão o fogo ao redor do mundo. O zelo missionário está atingindo sua temperatura máxima. Os dons do Espírito estão sendo derramados, a armadura da igreja restaurada. Verdadeiramente estamos nos dias da restauração, os "últimos dias"; são dias maravilhosos, dias gloriosos, mas dias horríveis para os que continuam resistindo. São dias de privilégio, responsabilidade e perigo. "Os demônios estão sendo expulsos, os doentes curados, muitos abençoados com salvação, restaurados e batizados com o Espírito Santo e poder. Heróis estão sendo desenvolvidos, os fracos se fortalecendo no Senhor. Os corações humanos estão sendo revistos como por uma vela acesa. É uma época de grande peneiração não só de ações, como de motivos interiores secretos. Nada pode escapar dos olhos do Senhor que a tudo perscrutam. Jesus está sendo levantado, o "sangue" magnificado, e o Espírito Santo homenageado mais uma vez. Muito poder para prostrar as pessoas se manifesta. É esta a principal causa de resistência por parte daqueles que se recusam a obedecer. A obra é para valer. Deus está conosco com grande autenticidade. Não ousamos pensar em ninharias. Homens fortes ficam durante horas prostrados sob o poder de Deus, cortados como grama. O Avivamento será mundial sem dúvida."

Via Ruanna Pereira

domingo, 24 de maio de 2020

A História do Avivamento Azusa - Capitulo I: O COMEÇO DO AVIVAMENTO A MINHA CHAMADA


Por: Frank Bartleman

O autor das páginas que se seguem chegou à Los Angeles, na Califórnia, com sua esposa e duas filhas, a mais velha de três anos e meio, no dia 22 de dezembro de 1904. Nossa filha mais velha, Ester, começou a ter convulsões e foi ficar com o Senhor Jesus, às 4 horas da manhã, do dia 7 de janeiro. Nossa pequena "Rainha Ester" perecia ter nascido para "tal tempo como este" (Ester 4:14). Ao lado daquele pequeno caixão, com meu coração sangrando, dediquei minha vida novamente à obra de Deus. Na presença da morte, como se tornam reais os assuntos eternos! Eu prometi que o resto da minha vida seria dedicado exclusivamente à Ele. E Ele fez uma nova aliança comigo. Supliquei-lhe, então, que logo me abrisse uma nova porta de serviço, para que eu não tivesse tempo de sofrer com o que acontecera. Apenas uma semana depois da partida de Ester, comecei a pregar duas vezes por dia na pequena Missão Peniel, em Pasadena (Califórnia). Muitas pessoas foram salvas durante o encontro que durou um mês, mas a maior vitória foi a descoberta de um grupo de jovens que assistiam ao encontro. Alguns foram chamados pelo Senhor para futuros trabalhos. No dia 8 de abril ouvi pregar F. B. Mayer, de Londres. Ele descreveu o grande avivamento que se desenrolava no País de Gales, onde acabara de estar e conhecera Evan Roberts. Minha alma se comoveu profundamente, pois pouco antes eu também havia lido a respeito desse avivamento. Prometi ali mesmo a Deus dar-lhe direito total sobre a minha vida, se fosse possível me usar. Distribuí folhetos no prédio do correio, em bancos e edifícios públicos em Los Angeles e visitei muitos bares. Depois visitei mais de trinta bares em Los Angeles. Os prostíbulos estavam abertos naquele tempo e distribuí muitos folhetos ali também. A morte da pequena Ester havia quebrado meu coração e eu sentia que só poderia viver enquanto servisse ao Senhor. Ansiava conhecê-lo de uma forma mais real e ver a obra de Deus avançar com poder. Um grande peso e desejo surgiram no meu coração para que houvesse grande avivamento. Ele estava me preparando para um novo serviço Seu. Este, porém, só poderia acontecer quando houvesse em meu coração um anseio mais profundo por Deus e uma verdadeira dor de parto na minha alma pela Sua obra. Isto Ele me deu. Muitos estavam sendo preparados de forma semelhante nesta época em diferentes lugares do mundo. Deus estava prestes a visitar e libertar seu povo mais uma vez. Eram precisos intercessores. "Maravilhou-se de que não houvesse um intercessor" (Isaías 59:16). "Busquei entre eles um homem que tapasse o muro e se colocasse na brecha perante mim a favor desta terra, para que eu não a destruísse; mas a ninguém achei." (Ezequiel 22:30) Por volta de primeiro de maio, um poderoso avivamento irrompeu no templo da igreja Metodista da Avenida Lake, em Pasadena. Quase todos os jovens que haviam sido tocados por Deus nas reuniões da Missão Peniel frequentavam esta igreja e estavam orando por um avivamento ali. Aliás estávamos orando por um avivamento que varresse toda a cidade de Pasadena. Deus estava respondendo nossas orações. Vi maravilhas feitas pelo Espírito Santo na Avenida Lake. O altar estava repleto de pessoas buscando a Deus, apesar de não haver ali nenhum grande pregador. Em uma única noite quase todos os presentes que não estavam salvos tiveram um encontro pessoal com Jesus Cristo. Foi uma vitória total para Deus. Havia uma poderosa convicção de pecados sobre todo o povo. Em duas semanas duzentas pessoas ajoelharam-se no altar, buscando ao Senhor. Os rapazes de Peniel estavam por trás de tudo, sendo grandemente usados por Deus. Começamos então a orar por um derramamento do Espírito Santo em Los Angeles e todo o sul da Califórnia. Naquela época escrevi em meu diário: "Algumas igrejas vão se surpreender quando Deus as deixar para trás e usar outros canais que se renderam totalmente à Ele. É preciso humilhar-nos para que Ele venha. Estamos rogando 'Pasadena para Deus!' Na sua grande maioria, os cristãos estão muito satisfeitos consigo mesmos, e têm pouca fé e pouco interesse pela salvação dos outros. Deus os humilhará deixando-os de lado. O Espírito está orando através de nós por um grande derramamento do Espírito em toda parte. Grandes coisas vão acontecer. Estamos pedindo coisas tremendas para que o nosso gozo seja completo. Deus está se movendo. Estamos orando pelas igrejas e seus pastores. O Senhor visitará aqueles que quiserem se render totalmente à Ele." O mesmo é verdade ainda hoje. É preciso que sejamos humildes aos nossos próprios olhos, pois, o fracasso ou o sucesso, em última análise, dependerá disto. Caso nos consideremos importantes, já estamos derrotados. A história sempre se repete neste particular. Deus sempre procurou um povo humilde. Ele não pode usar outro tipo de pessoa. Martinho Lutero, o grande reformador, escreveu: "Quando o Senhor Jesus diz 'ARREPENDA-SE', Ele quer dizer que toda a vida do crente na terra deve ser um constante e permanente arrependimento. Arrependimento e dor, isto é, verdadeiro arrependimento, são constantes enquanto o homem não está satisfeito consigo mesmo - ou seja, até que vá para a eternidade. O desejo de se auto justificar é a causa de todo o sofrimento do coração". Nosso coração sempre precisa de muita preparação, em humildade e separação, antes que Deus possa vir de forma persistente. "A profundidade de qualquer avivamento será determinada precisamente pela profundidade do espírito de arrependimento que o produziu." Aliás, esta é a chave de todo verdadeiro avivamento nascido de Deus. No dia 12 de maio, Deus me disse que de uma vez por todas eu deixasse meu emprego secular e me dedicasse exclusivamente à Ele. O Senhor queria que eu confiasse a mim e a minha família exclusivamente à Ele. Eu acabara de receber o pequeno livro intitulado: "O grande avivamento em Gales", escrito por S. B. Shaw e o estava lendo durante um pequeno passeio, antes do café da manhã. Há anos que o Senhor insistia comigo para tomar esta decisão. Agora fizemos um novo pacto, segundo o qual o resto de minha vida, em sua totalidade, lhe pertenceria. E, desde então, jamais ousei quebrar este pacto. Minha esposa me aguardava com meu café, mas eu perdera a vontade de alimentar-me. O Espírito Santo através daquele pequeno livro incendiara meu coração. Visitei e orei com três pregadores e outros numerosos obreiros antes de voltar para casa, ao meio-dia. Eu recebera um novo comissionamento e unção. E ansiava profundamente por um avivamento espiritual. Depois disto passei muitos dias visitando e orando com outros irmãos e distribuí o folheto da G. Campbell Morgan "O Avivamento em Gales", que tocava as pessoas profundamente. Cada vez sentia mais necessidade de orar e resolvi ser fiel à visão celestial que tivera. A "questão do pão de cada dia" há muitos anos me preocupava, mas agora orei a Deus para poder confiar nEle totalmente: "Nem só de pão viverá o homem!" (Mateus 4:4) Deus me abençoou além disso, com o poder de exortar as igrejas quanto ao avivamento e também com artigos que escrevi para a Editora Holiness sobre o mesmo tema. Uma noite acordei gritando louvores a Deus. O Senhor cada vez mais se apossava de mim. Agora de dia, e mesmo durante a noite, eu os exortava para terem fé em Deus por coisas grandiosas. O peso pelo avivamento me consumia. O dom de profecia também veio sobre mim com poder. Parecia haver recebido um especial "dom de fé" em favor do avivamento. Era óbvio que estávamos no início de dias maravilhosos e eu profetizava continuamente sobre o grande derramamento que haveria de acontecer. Eu tinha um ministério muito real junto com a imprensa religiosa e comecei a freqüentar reuniões de oração em diversas igrejas a fim de exortá-las. O pequeno folheto de G. Campbell Morgan inflamava a todas as igrejas maravilhosamente. Também visitei muitos irmãos e comecei a vender nas igrejas o livro de S. B. Shaw: "O Grande Avivamento em Gales" Deus utilizou-o grandemente para incentivar a fé pelo avivamento. Meu trabalho de distribuir folhetos continuou em bares e em casas de negócios. Em maio de 1905, escrevi num artigo: "Minha alma fica incendiada quando leio sobre o trabalho glorioso da graça do Senhor no País de Gales. Os "sete mil" que juntamente com os "que foram poupados" (Ezequiel 9), e estão "suspirando e gemendo" por causa das abominações e desolações que há na terra, e pela decadência da verdadeira piedade no corpo de Cristo, podem se regozijar numa hora como esta, em que se vê a perspectiva de Deus mais uma vez se mover na terra. O nosso lema neste momento deve ser 'Califórnia para Cristo!' Deus está buscando obreiros, canais, vermes do pó. Lembre-se, Ele precisa desses simples vermes. Havia tanto peso na vida de Jesus que FLUIA ORAÇÃO de todos Seus poros. Isto é alto demais para a maioria das pessoas. Contudo, não seria esta a 'última chamada' do Senhor?"

 NA IGREJA DO IRMÃO SMALE

No dia 17 de junho, fui a Los Angeles para assistir a uma reunião da Primeira Igreja Batista. Eles, também, esperavam em Deus por um derramamento do Espírito ali. Seu pastor, Joseph Smale, acabara de voltar do País de Gales onde estivera em contato com o avivamento e com Evan Roberts, e estava na sua própria igreja em Los Angeles. Esse encontro parecia estar em perfeito acordo com a minha visão, tarefa e desejo, e passei duas horas na igreja orando, antes da reunião da noite. As reuniões estavam sendo realizadas ali dia e noite, diariamente, e Deus estava presente. Uma tarde comecei a reunião em Los Angeles, enquanto esperava que Smale aparecesse. Eu os exortei a não esperar pelos homens, mas a esperar em Deus. Eles estavam esperando em alguma grande figura humana; era o mesmo espírito de idolatria que havia sido uma praga para igreja e que impedira a ação de Deus através dos séculos. Como os filhos de Israel, o povo precisava ter "um outro Deus diante do Senhor." (Em algumas igrejas oficiais na Europa, o pastor é muitas vezes conhecido como "o pequeno deus!") Começamos o culto da noite nos degraus do templo, do lado de fora, enquanto esperávamos que o Zelador chagasse com a chave. Tivemos um período de oração em favor da comunidade vizinha. A reunião foi uma marcha progressiva de vitória. Depois fui para o Parque Lamanda, e após a pregação passei a noite na casa paroquial orando e dormindo alternadamente. Eu queria uma revelação maior de Jesus PARA MIM MESMO. Como a lua cheia que fica mais e mais nítida e mais próxima à medida que a contemplamos incessantemente, assim também Jesus fica mais real às nossas almas à medida que o contemplamos. Precisamos de um relacionamento mais íntimo, vivo, e pessoal com Deus, e de conhecimento e comunhão maior com Ele. Só o homem que vive em comunhão com a realidade divina está habilitado a levar as pessoas à Deus. Fui à igreja de Smale outra vez e novamente encontrei as pessoas sem ânimo, esperando o pregador aparecer. Muitas pareciam nem ter idéia definida a respeito do que esperavam que acontecesse! Comecei a orar em voz alta e a reunião se iniciou com poder. Estava já com força total quando o irmão Smale chegou. Deus queria que as pessoas olhassem apenas para Ele e não para algum homem. Aqueles que não colocavam a glória do Senhor em primeiro lugar, naturalmente se ressentiam disto. Contudo este é o plano de Deus. Verifiquei que a maioria dos cristãos não queriam aumentar sua carga de oração. Era difícil demais para a carne! Eu carregava agora uma carga cada vez mais volumosa, noite e dia. O ministério era intenso. Era a "comunhão dos seus sofrimentos" (Filipenses 3:10), a angústia de alma "com gemidos inexprimíveis" (Romanos 8:26, 27). Muitos crentes acham mais fácil criticar do que orar... Um dia eu estava sobre uma carga tremenda de oração. Fui à casa de oração do irmão Manley, caí no altar e ali aliviei minha alma. Um obreiro entrou correndo e pediu que orasse por ele. Naquela noite fui a uma reunião e encontrei um outro jovem, Edward Boehmer, que havia sido tocado por Deus nas reuniões de Peniel, no outono, e que tinha o mesmo fardo de oração sobre si. Ele estava destinado a ser meu companheiro de oração no futuro. Fomos unidos no Espírito daquele dia em diante de forma maravilhosa. Oramos juntos na pequena Missão Peniel até às duas horas da manhã. Deus encontrou-Se conosco e nos fortaleceu maravilhosamente enquanto lutávamos com Ele por um derramamento do Espírito sobre o povo. Minha vida então estava totalmente consumida pela oração contínua. Estava orando dia e noite! Escrevi mais artigos para a imprensa religiosa, exortando os santos a orar. Novamente fui a igreja de Smale em Los Angeles. Encontrei as pessoas esperando o pregador outra vez. Esta situação me oprimia muito e tentei mostrar-lhes que só deviam esperar pelo Senhor. Algumas se ressentiram, pois eram muito tradicionais, mas outras aceitaram. Afinal, estávamos orando por um avivamento como houvera no País de Gales, onde um dos pontos principais era que somente esperavam em Deus. As reuniões continuavam lá com ou sem pregador. Eles vinham se encontrar com Deus. E o Senhor vinha para estar com eles. Eu havia escrito uma carta a Evan Roberts, pedindo que em Gales orassem por nós na Califórnia. Recebi resposta de que eles estavam orando, o que nos ligava, então, ao avivamento de lá. A carta dizia: "Meu querido irmão na fé, muito agradecido por sua carta gentil. Fiquei impressionado com sua sinceridade e honestidade de propósitos. Reúna o povo que está disposto a fazer uma entrega total. Ore e espere. Creia nas promessas de Deus. Faça reuniões diárias. Deus o abençoe, é a minha oração." Sentimonos muito encorajados ao saber que estavam orando por nós em Gales. Escrevi mais artigos e o que se segue são extratos deles: "Um trabalho maravilhoso do Espírito irrompeu em Los Angeles, Califórnia, precedido de um profundo trabalho preparatório de oração e expectativa. A convicção está se espalhando entre o povo, e as pessoas estão afluindo de todas as partes da cidade para as reuniões da igreja do Pr. Smale. Estas reuniões realizaram-se por si mesmas. Pessoas estão sendo salvas por todo o auditório, enquanto a reunião continua sem ser guiada por mãos humanas. A maré está subindo rapidamente e nós estamos antecipando coisas maravilhosas. A intercessão em angústia de alma está se tornando em importante aspecto do trabalho, e estamos sendo transportados para além das barreiras denominacionais. O temor do Senhor está vindo sobre o povo, um verdadeiro espírito de quebrantamento. A reunião que começou domingo à noite durou até a madrugada do dia seguinte. O pastor Smale profetizou coisas maravilhosas que irão acontecer. Ele profetizou que os dons apostólicos logo voltarão à igreja. Los Angeles é uma verdadeira Jerusalém. Justamente o lugar certo para uma grande obra de Deus começar. É exatamente este tipo de demonstração de poder divino que eu tenho esperado há algum tempo. Tenho sentido que a qualquer momento ela surgirá. Sinto, também, que virá onde menos se espera para que Deus receba toda a glória. Ore por um Pentecostes!"

UM ENCONTRO COM JESUS

Uma noite, 3 de julho, senti fortemente que deveria ir ao pequeno auditório Peniel em Pasadena para orar. Encontrei ali o irmão Boehmer. Ele havia sido guiado por Deus ao mesmo lugar. Oramos por um avivamento em Pasadena até que o fardo de oração se tornou insuportável. Eu chorava como se fosse uma mulher dando à luz. O Espírito intercedia através de nós e finalmente o peso se foi. Depois de uma pequena espera em silêncio, uma grande calma nos sobreveio, e então, sem que o antecipássemos, o Senhor Jesus se nos revelou. Ele parecia estar em pé entre nós, tão perto que poderíamos estender nossas mãos e tocá-lo. Não ousamos entretanto mexer-nos. Eu não podia nem olhar. Na realidade parecia que eu era totalmente espírito. Sua presença foi mais real, se possível, do que se eu o pudesse ter visto e tocado fisicamente. Esqueci-me que possuía olhos e ouvidos. Meu espírito o reconheceu. Um céu de amor divino me encheu e excitou minha alma. Uma chama ardente percorreu meu corpo. Aliás todo meu corpo parecia derreter-se diante dEle, como cera diante do fogo. Perdi toda consciência de tempo e espaço, ficando apenas consciente de sua maravilhosa presença. Fiquei a seus pés em adoração. Era um verdadeiro "Monte da Transfiguração". Perdi-me dentro do puro Espírito! Por algum tempo Ele permaneceu conosco. Depois devagar Ele se retirou. Nós ainda estaríamos lá se Ele não tivesse se retirado. Nunca mais eu poderia duvidar da sua realidade após esta experiência. O irmão Boehmer sentiu quase o mesmo que eu. Havíamos perdido totalmente a consciência da presença um do outro enquanto Ele ficou conosco. Tínhamos quase medo de falar ou respirar quando voltamos ao ambiente que nos rodeava. O Senhor não dissera nada para nós, mas havia arrebatado nosso espírito pela sua presença. Ele havia vindo para fortalecer-nos e encorajar-nos para o Seu serviço. Sabíamos agora que trabalhávamos com Ele e éramos companheiros de Seu sofrimento no ministério de intercessão com angústia de alma. A verdadeira intercessão com angústia de alma é tão nítida no espírito quanto as dores de um parto natural. A semelhança é quase perfeita. Nenhuma alma jamais renasce sem esse processo. Todos os avivamentos de salvação vêm desta maneira. Já alvorecia na manhã seguinte quando deixamos o auditório. Aquela noite no entanto parecia-nos haver durado apenas meia hora. A presença de Deus elimina toda sensação de tempo. Com Ele tudo é eterno: É vida eterna. Deus não conhece o tempo, este elemento se perde no céu. Este é o segredo do tempo parecer passar tão depressa durante uma noite de verdadeira oração. O tempo é colocado num ponto inferior. O elemento eterno está ali. Durante dias aquela presença maravilhosa parecia andar ao meu lado. O Senhor Jesus era tão real para mim que eu mal podia conversar com as outras pessoas de novo. Isto me parecia tão rudimentar e vazio. Os espíritos humanos pareciam tão rudes e o companheirismo humano um tormento. Quão distante nós estamos atualmente do espírito manso de Jesus! Passei o dia seguinte em oração, indo de noite à igreja de Smale onde passei um tempo em intercessão. A paz e a alegria do céu enchiam meu coração. Jesus era tão real! Dúvidas e temores não podem sobreviver na Sua presença.

O INTERESSE PELO AVIVAMENTO SE ALASTRA

Escrevi vários artigos descrevendo o que Deus estava operando em nosso meio e exortando os santos em todos os lugares a terem fé e orarem por um avivamento. O Senhor usou grandemente estes artigos para despertar fé e convicção em muitos locais. Logo comecei a receber grande quantidade de correspondência de muitos lugares. Escrevi no meu diário naquele tempo a seguinte observação: "É possível nos desligarmos de Deus por causa da nossa vaidade espiritual enquanto Ele leva os mais fracos ao arrependimento e, a partir daí, à vitória. A operação de Deus em nossos corações deve ser mais profunda do que jamais experimentamos, suficientemente para destruir as barreiras denominacionais, de partido, etc., em todos os lados. Deus pode aperfeiçoar aqueles que escolher." O espírito de avivamento que havia na igreja do irmão Smale se alastrou, despertando logo os mais espirituais em toda a cidade. Obreiros vinham de todas as partes, de diversas instituições, unindo-se à nós em oração contínua para que houvesse o derramamento do Espírito por toda a parte. O círculo de interessados aumentou rapidamente. Estávamos agora orando pela Califórnia, pela nação e também por um avivamento universal. As profecias começaram a aparecer em larga escala a respeito de grandes coisas que aconteceriam. Alguém me mandou cinco mil folhetos a respeito do "Avivamento no País de Gales". Distribuí-os entre as igrejas. Tiveram um efeito maravilhoso e vivificante. Visitei outra vez a igreja de Smale e iniciei a reunião, pois ele ainda não havia chegado. As reuniões agora eram caracterizadas por uma maravilhosa espontaneidade. Nosso pequeno grupo Gideão estava marchando para a Vitória certa, guiado pelo Capitão da sua salvação, Jesus. Fui levado a orar nessa época especialmente por fé, discernimento de espíritos , cura e profecia. Senti que precisava de mais sabedoria e também de amor. Parecia ter recebido o "dom de fé" pelo avivamento naquela época e também o dom de profecia para o mesmo fim, e comecei a profetizar a respeito das grandes coisas que estavam para vir. Quando começamos a orar na primavera de 1905, ninguém parecia ter muita fé por nada fora do habitual. O pessimismo entre os santos era total com relação às condições então existentes. Mas tudo havia mudado! Deus mesmo nos havia dado fé em coisas melhores. Não havia nada á vista que nos estimulasse a ter fé. Veio do nada. Não poderá Ele hoje fazer a mesma coisa? Escrevi naquela época um artigo para o jornal "Daily News" de Pasadena, descrevendo o que havia na igreja do irmão Smale. Foi publicado e o administrador do jornal pouco depois veio ver por si mesmo o que estava acontecendo. Ficou totalmente convencido e veio ao altar para buscar a Deus com sinceridade. O artigo foi reimpresso em muitos periódicos das igrejas "Holiness" através do país. Era intitulado: "O que vi numa igreja em Los Angeles". Seguem-se abaixo alguns trechos. "Há diversas semanas têm se realizado cultos especiais na Primeira Igreja Batista de Los Angeles. O Pastor Smale que voltou do País de Gales, onde esteve em contato com Evan Roberts e com o Avivamento, está convicto que Los Angeles será em breve sacudida também pelo grande poder do Senhor." "A reunião que desejo descrever começou de forma inesperada e espontânea algum tempo antes do pastor chegar. Um pequeno grupo havia se reunido antes da hora, o que parecia ser suficiente para o Espírito operar. A reunião começou. Sua expectativa estava em Deus. Deus estava lá, o povo estava lá, e quando o pastor chegou a reunião se realizava com força total. O Pastor Smale sentou-se no seu lugar, mas ninguém parecia prestar atenção especial a ele. Sua mentes estavam ligadas a Deus. Ninguém parecia atrapalhar o vizinho, embora a congregação representasse muitas denominações. A harmonia parecia perfeita. O Espírito guiava." "O pastor se levantou e leu um trecho das Escrituras; fez algumas observações cheias de esperança, e que serviram de inspiração para aquela ocasião, e a reunião novamente tomou o seu próprio rumo. O povo continuou como antes. Testemunhos, orações e louvor se intercalavam durante a reunião que parecia guiar-se por si mesma, sem orientação humana. O pastor era igual a todo mundo. Qualquer pessoa com a menos sensibilidade espiritual possível sentia logo no ambiente que algo maravilhoso estava prestes a ocorrer. Um misterioso e poderoso transtorno no mundo espiritual está às portas. A reunião dá a sensação de "céu aqui na terra" com a certeza que o sobrenatural existe e em um sentido muito real.

 DEPOIS DA MISERICÓRDIA, O JUÍZO

Nessa mesma época escrevi um artigo para o jornal "Wesleyan Methodist", do qual extraí o que se segue: "A misericórdia rejeitada significa juízo, e isto numa escala proporcional. Em toda a história deste mundo de Deus houve sempre uma oferta de misericórdia, seguida de juízo divino. Primeiro vem Cristo num cavalo branco da misericórdia. Depois vêm os cavalos vermelho, preto e amarelo da guerra, fome, e da morte. Os profetas não paravam de avisar Israel noite e dia, mas suas lágrimas e advertências, na maioria, foram em vão. A terrível destruição de Jerusalém em 70 A.D., que resultou no extermínio de um milhão de Judeus, e a prisão de multidão de outros, fora precedida da oferta divina de misericórdia nas mãos do próprio Filho de Deus. "Em 1859, uma grande onda de Avivamento visitou nosso país, levando um, milhão de pessoas a serem salvas. Imediatamente após veio a carnificina de 1861-1865 (Guerra de Secessão). E agora que antecipamos o grande Avivamento que está para chegar e já está assumindo proporções mundiais, pergunto se o juízo não seguirá a misericórdia como das outras vezes. E será o julgamento na mesma proporção da misericórdia oferecida! A presente atitude belicosa e a angústia de tantas nações fazemnos questionar se o juízo que se seguirá não nos mergulhará na grande tribulação." (Nota do Redator: E realmente veio o juízo esperado na Primeira Guerra Mundial, 1914- 1918.) Para o jornal "O Avivalista de Deus" eu escrevi: "A incredulidade sob todas as formas está vindo sobre nós como grande inundação. Mas eis que o nosso Deus também vem! Um estandarte se levanta contra o inimigo. O Senhor está escolhendo os Seus obreiros. É chegada a hora de perceber a visão da obra a ser feita." Fala o Poderoso, o Senhor Deus, e convoca a terra desde o nascer do sol até o seu ocaso. O nosso Deus vem, e não guarda silêncio... Congregai os meus santos, os que comigo fizeram aliança por meio de sacrifícios. (Salmos 50:1, 3, 5) Naquele tempo eu costumava declarar que eu preferia viver seis meses em 1905, do que 50 anos noutra época. Grandes coisas se iniciavam para o grão de trigo que estava disposto "a cair na terra e morrer", Havia promessa de grandes colheitas. Mas para os insensatos espirituais, tudo isso não passava de bobagens. Escrevi outra carta para Evan Roberts, pedindo orações incessantes pela Califórnia. Assim continuávamos ligados em oração com Gales por um Avivamento. Naquele tempo a verdadeira oração ainda não era bem compreendida. Era difícil achar um lugar quieto onde não se fosse incomodado. Ter experiência de Getsêmani com Jesus era raro entre os santos daqueles dias.

A INTERCESSÃO CONTINUA

Um dia, na igreja de Smale, eu estava gemendo em oração no altar. O espírito de intercessão estava sobre mim, mas um irmão veio e me repreendeu severamente. Ele não compreendia o que estava acontecendo. A carne naturalmente reluta diante de tão árduo sacrifício. Os gemidos não são muito populares em algumas igrejas assim como não são agradáveis os brados de uma mulher dando à luz. A angústia na intercessão não é companhia agradável para os que querem uma vida egoísta no mundo. Mas as almas não são ganhas sem esta experiência. Dar à luz não é considerado um exercício agradável hoje em dia. O mesmo acontece num verdadeiro avivamento que gera novas vidas nas igrejas. A sociedade não se importa muito com uma mãe que está para dar à luz. Prefere a alegria superficial. O mesmo acontece nas igrejas com relação a angústia da intercessão. Há pouca preocupação com os pecadores. Os homens fogem dos gemidos de uma mulher que está para dar à luz. E as igrejas não querem ouvir os gemidos da intercessão. Estão muito mais preocupados em se divertirem. Estávamos com problemas financeiros, mas o Senhor supriu-nos. Jamais dissemos a alguém nossas necessidades, a não ser para Deus; jamais imploramos ou pedimos dinheiro emprestado, por maior que fosse nossa necessidade. Acreditávamos que, se os santos, estivessem suficientemente próximos de Deus, Ele mesmo falaria com eles. Confiávamos inteiramente nEle e ficaríamos sem nada se Ele não enviasse ajuda. Nesta época escrevi meu primeiro folheto. Intitulava-se "O Amor Nunca Falha". Foi este o início do meu ministério de folhetos, que era sustentado pela fé. Eu precisava confiar no Senhor para o suprimento financeiro. E Ele nunca falhou. Um amigo pagou nossas despesas num acampamento em Arroyo por alguns dias, e assim fomos para lá armar nossa barraca. Apreciamos a mudança e as férias. Estávamos no meio do verão. Passei quase todo o tempo prostrado orando no meio da floresta. Durante as noites de luar, derramei meu coração diante de Deus e Ele veio estar comigo. Havia muito "ruído de corações vazios" no acampamento. A maioria buscava bênçãos egoístas; estavam ali como grandes esponjas para absorverem o maior número de bênçãos possível. Alguém precisava pisar neles! Encontrei-me clamando a Deus muito além das aspirações do resto do povo. Eu queria algo mais profundo do que esta esfera puramente emocional; queria algo mais substancial e duradouro que colocasse um rochedo no meu coração. Eu estava cansado de tanta espuma passageira, de tanta religião enfática e bombástica. O Senhor não me deixou esperando por muito tempo. A comissão de organização do acampamento me repreendeu porque eu estava distribuindo folhetos no acampamento. Achavam que eu estava criticando o movimento a que pertenciam. Eu estava apenas exortando-os a um relacionamento mais profundo com Deus! Eles precisavam de mais humildade e amor. Meu folheto sobre as seitas, intitulado "Que Todos Possam Ser Um" comoveu a todos. Sem dúvida os movimentos feitos por homens precisam ser sacudidos. Deus tem um só "corpo", um só "movimento". Esta era a mensagem na Missão Azusa no início. Recebi uma Segunda carta de Evan Roberts que dizia: "País de Gales, 8 de julho de 1905. Querido irmão: Sou muito grato a você por sua gentileza. Fiquei muitíssimo satisfeito com as boas notícias que vocês estão começando a experimentar coisas maravilhosas. Estou orando para que Deus continue a abençoar você; mais uma vez agradeço os seus bons votos. Sinceramente seu no serviço do Senhor, Evan Roberts.

" O INÍCIO DA IGREJA DO NOVO TESTAMENTO "

Eu fui à igreja de Smale uma noite, e ele havia se demitido. As reuniões haviam prosseguido diariamente na Primeira Igreja Batista por quinze semanas. Estávamos em setembro. Os oficiais da igreja haviam se cansado de inovações e queriam retornar ao antiga estilo. Foi-lhe dito que parasse com o Avivamento, ou deixasse a igreja. Sabiamente ele escolheu a segunda alternativa. Mas que posição horrível para uma igreja assumir: colocar Deus para fora! Da mesma maneira, também puseram, mais tarde, o Espírito do Senhor para fora das igrejas do País de Gales! Cansaram-se de Sua presença, desejando retornar aos velhos padrões frios e eclesiásticos. Como os homens são cegos! É claro que os membros mais espirituais seguiram o pastor Smale e ajuntaram-se ao núcleo de obreiros de outras procedências que haviam se unido à ele durante o avivamento. Imediatamente estes propuseram a formação de uma igreja do Novo Testamento. Eu senti que o Senhor estava liderando o irmão Smale para usá-lo no campo de evangelismo, para leva o fogo à outros lugares. Mas ele não sentia o mesmo. Tive um encontro com ele com este objetivo em mente, e consegui que ele pregasse na Igreja Metodista da Avenida Lake em Pasadena, para o Pastor Brink. Este era o centro nevrálgico do Avivamento naquela cidade. Na noite anterior à pregação do irmão Smale na igreja da Avenida Lake, dois de nós ficamos até meia-noite em oração. O irmão Smale pregou duas vezes no Domingo. Foi ungido de forma grandiosa pelo Senhor naquela ocasião. Passamos o período entre os dois cultos em oração. Sua mensagem foi a respeito do Avivamento no País de Gales. O povo ficou muito comovido. O irmão Smale logo depois organizou uma igreja do Novo Testamento, e eu me tornei membro porque senti que deveria ficar com eles, apesar de não gostar muito da organização. O irmão Smale alugou o auditório Burbank para fazer reuniões ali, e eu consegui outro auditório até que o primeiro estivesse concluído. Deus me deu outro folheto: intitulava-se "Ore! Ore! Ore!" Mandei para o impressor pela fé e o Senhor me mandou o dinheiro a tempo. Era uma forte exortação para que orássemos. Como os profetas de antigamente, precisamos orar por aqueles que não oram por si mesmos. Precisamos confessar os pecados do povo no seu lugar.

MAIS INTERCESSÃO

Certa ocasião enquanto eu e o irmão Boehmer orávamos, o Espírito Santo foi derramado de forma maravilhosa sobre diversas reuniões pelas quais orávamos. Sentimos que havíamos alcançado a Deus em favor deles. Os acontecimentos que se seguiram provaram nossa convicção. As orações mudam as coisas. Há um grande poder no tipo certo de orações. Veja o exemplo de Elias no Monte Carmelo, um homem "sujeito às mesmas paixões do justo" (Tiago 5:16). O arrependimento também se faz necessário neste contexto para que tudo funcione. "Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros." Quase todos os dias em Los Angeles encontrava-me ocupado em evangelismo pessoas, distribuição de folhetos, oração ou pregação em alguma reunião. Estava escrevendo artigos para a imprensa religiosa sem parar. Orei e jejuei antes de ir, numa tarde, a uma reunião na lona em Pasadena.. O Senhor me ungiu de forma maravilhosa e vinte pessoas aceitaram a cristo. A essa altura o espírito de intercessão se apossara de mim de tal maneira que eu orava noite e dia; jejuava tanto, que minha esposa de vez em quando achava que eu iria morrer. As tristezas do meu Senhor estavam sobre mim. Eu estava no jardim do Getsêmani com Ele. "O penoso trabalho da sua alma" também estava sobre mim. Comecei a temer, como Ele temera, que não viveria para ver às respostas às minhas orações e lágrimas pelo Avivamento. Mas ele me consolava, mandando mais de um anjo para me fortalecer e eu ficava satisfeito. Senti que estava experimentando um pouco do que Paulo queria dizer quando escreveu: "preencho o que resta das aflições de Cristo", por um mundo perdido. Alguns temiam que eu estivesse ficando desequilibrado. Não conseguiam entender minha tremenda incumbência. Até hoje muitos não conseguem compreender. "O homem carnal não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura". Os homens egoístas não podem entender tal sacrifício. "Quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á." "Se o grão de trigo caindo na terra, não morrer...." Nosso Senhor era um "Homem de dores". Muitas vezes fui a Pasadena confiando que Deus me daria a passagem para voltar para casa. Numa ocasião o irmão Boehmer teve a impressão que eu estava para chegar. Ele foi à pequena Missão Peniel e me encontrou lá. Passamos várias horas em oração. Depois ele pagou minha passagem para a volta à casa. Muitas vezes passamos a noite inteira em oração. Naquela ocasião parecia um grande privilégio passar uma noite inteira com o Senhor. Ele ficava tão perto de nós. Parecia-nos que nem nos cansávamos nessas horas. Boehmer era jardineiro e jamais lhe pedi um centavo, mas ele sempre me dava alguma coisa. Depois de certo tempo, Deus usou não apenas seu dinheiro, mas sua própria vida em seu serviço. Boehmer foi um grande homem de oração. Deus nos ensinou o que significa não conhecer os outros na carne. Ele nos levou a um relacionamento tão intenso que o nosso companheirismo parecia ser só no Espírito. Além disso nosso "eu" parecia haver morrido com relação um ao outro.

SINAIS DE PERIGO NA IGREJA DO NOVO TESTAMENTO

Escrevi pela terceira vez a Evan Roberts para que continuasse a orar por nós. Naquele tempo, depois que acabava de pregar, eu geralmente chamava os santos para ajoelharem-se e orávamos durante muitas horas antes de nos podermos levantar. O Senhor me levou a escrever a muitos líderes em todo o país para que orassem pelo Avivamento. O espírito de oração crescia continuamente. A igreja do Novo Testamento parecia perder seu espírito de oração à medida que aumentava sua organização. Agora queria passar esse ministério para alguns de nós. Eu sabia que Deus não se agradava disso e fiquei muito preocupado por eles. Tinham interesses secundários demais. Parecia que Deus precisava arranjar outro corpo. Eu tivera muita esperança com relação a esse grupo de pessoas. O inimigo, porém, parecia os estar tirando do caminho, desviando-os do que Deus tinha de melhor para eles naquela época. É sempre mais fácil escolher o que é secundário. Uma vida de oração é muito mais importante do que os prédios e organizações. Muitas vezes esses últimos interesses parecem substituir a oração. Mas as almas entram para o reino só através de orações. A igreja do Novo Testamento parecia estar indo para o lado do intelectualismo. Fiquei muito preocupado. Durante uma reunião gemi alto em oração. Era horrível depois das reuniões que tivéramos antes. Um dos anciãos da igreja me repreendeu severamente por isso. "Como caíram os valentes...", eu parecia ouvir a toda hora. Alguns dos mais espirituais sentiram a mesma preocupação. As orações começaram a melhorar um pouco. Depois de algum tempo tivemos uma grande reunião na igreja e cem pessoas foram ao altar numa única noite de Domingo. Encontrei-me outra vez com os rapazes da Missão Peniel e sentimos que em breve o Senhor realizaria uma grande obra. Na lona do irmão Brownley, em Los Angeles, tivemos profundo espírito de oração e poderosas reuniões de intercessão. Prevíamos que em breve Deus faria algo de extraordinário. O espírito de oração vinha sobre nós cada vez com mais poder. Em Pasadena, antes de mudar para Los Angeles, eu ficava deitado de dia, virando-me na cama e gemendo sob o enorme peso. À noite, eu mal podia dormir de tanto sentir a necessidade de orar. Jejuava muito, pois sob esta carga não sentia necessidade de alimento. Em certa época fiquei em angustiosa intercessão por vinte e quatro horas seguidas sem interrupção. Fiquei muito esgotado. As orações praticamente me consumiam. Comecei a gemer até quando dormia. As orações não eram formais naquele tempo. Eram sopradas por Deus. Vinha sobre nós e nos dominavam inteiramente. Não fazíamos força para que se intensificassem. Éramos possuídos por verdadeira angústia no Espírito que não podia ser cortada. Assim como é impossível uma mulher em trabalho de parto evitar suas dores, não se pode fugir da angústia na intercessão sem cometer grande violência ao Espírito Santo. Era verdadeira intercessão feita pelo Espírito Santo.

 NOTÍCIAS DO PAÍS DE GALES

Durante alguns dias tive a impressão de que outra carta chegaria de Evan Roberts. Logo chegou e dizia o seguinte: "País de Gales, 14 de novembro de 1905. Meu caro companheiro: O que posso lhe dizer que o encoraje nesta grande luta? Vejo que é uma luta terrível: o reino do mal está sendo atacado de todos os lados. Oh! São milhares de orações - não só orações formais - mas a própria alma chegando diretamente ao Trono Branco! O povo de Gales tem aprendido a orar neste último ano. Que o Senhor os abençoe com um grande derramamento. Em Gales parece que o Senhor está sobre a congregação, esperando que os corações dos seguidores de Cristo se abram. Tivemos um grande derramamento do Espírito Santo na última noite de sábado. Antes disto o conceito que o povo tinha do verdadeiro louvor foi corrigido. Vimos que devemos: 1. Dar a Deus, e não receber. 2. Agradar a Deus , e não a nós mesmos. Oramos, então, olhando para Deus e não para o inimigo, nem para o medo dos homens, e o Espírito do Senhor se fez presente. Tenho pedido a Deus em oração para manter você forte na sua fé e para salvar a Califórnia. Permaneço seu irmão na luta - de Evan Roberts." Era a terceira carta que recebíamos de Evan Roberts, de Gales, e percebi que sua oração tivera muito a ver com a nossa vitória final na Califórnia. Evan Roberts nos conta a respeito de sua própria experiência com Deus: "Uma Sexta-feira à noite, no último outono, enquanto orava ao lado de minha cama, antes de dormir, fui elevado a uma grande expansão, fora do tempo ou espaço. Era comunhão com Deus! Antes disso, eu conhecera um Deus distante. Fiquei apavorado naquela noite, mas depois disso nunca mais. Tremia tanto que a cama chegava a balançar e meu irmão que acordada me segurava, pensando que eu estava enfermo." Esta experiência se repetiu todos os dias durante três meses, da uma às cinco da madrugada . Ele escreveu este recado ao mundo durante aquele período: "O Avivamento no País de Gales não vem dos homens, é de Deus. Ele está muito próximo de nós; não há problemas de crenças ou dogmas neste movimento. Não estamos ensinando nenhuma doutrina sectária, só a maravilha e a beleza do amor de Cristo. Perguntaram-me sobre meus métodos, mas eu não os tenho. Nunca preparo o que vou dizer, mas deixo tudo para Ele. Eu não sou a fonte deste Avivamento, mas apenas um agente entre tantos outros que estão se transformando numa multidão. Não espero que as pessoas me sigam, mas quero o mundo para Cristo. Eu creio que o mundo está às portas de grande Avivamento espiritual e oro todos os dias para que eu possa ajudar na sua realização. Coisas maravilhosas tem acontecido em Gales nestas últimas semanas, mas elas são apenas o princípio. O mundo será varrido pelo Espírito Santo, como por um vento forte e poderoso. Muitos que agora são cristãos silenciosos liderarão o movimento. Verão uma grande luz e refletirão essa luz sobre milhares que estão nas trevas. Milhares se levantarão e farão mais do que nós jamais conseguimos realizar, à medida que Deus lhes der poder." Que humildade maravilhosa! Este é sempre o segredo do poder. Uma testemunha inglesa do Avivamento em Gales escreveu: "Tanta angústia na intercessão pelas almas dos não-salvos nunca antes presenciei. Vi o jovem Evan Roberts transtornado pela dor, e convidando o auditório a orar. "Não cantem", ele suplicava, "é terrível demais para cantar!"" (A convicção do pecado muitas vezes é perdida pelo povo, quando se canta demais.) Outro escritor declarou que não era a eloqüência de Evan Roberts que comovia o povo; eram suas lágrimas. Ele os quebrantava, chorando amargamente para que Deus os dobrasse em tal agonia que as lágrimas escorriam pelo seu rosto e todo o seu corpo tremia. Homens fortes eram quebrantados e choravam como crianças. As mulheres gritavam de medo. O barulho do choro e dos gritos enchia o ar. Quando sua agonia se tornava maior, Evan Roberts Chegava a cair diante do púlpito, enquanto muitos dentre o povo chegavam a desmaiar.

OPOSIÇÃO

Dia e noite eu ia a Missões diferentes exortando as pessoas a orarem continuamente e a terem fé pelo Avivamento. Passeia mais uma noite inteira orando com o irmão Boehmer. Uma noite, na Igreja do Novo Testamento, quando sobre toda a congregação havia um profundo espírito de oração, de repente o Senhor veio tão próximo de nós, que podíamos sentir a sua presença nos cercando, como se quisesse nos fechar ao redor. Dois terços das pessoas presentes ficaram tão alarmadas que ficaram de pé, e algumas saíram dali correndo, esquecendo-se até dos seus chapéus, no seu grande apavoramento. Não houve nada visível que causasse medo. Era a manifestação sobrenatural da proximidade do Senhor. Que será que fariam se vissem o Senhor? Comecei uma pequena reunião num lar onde tínhamos mais liberdade de orar e esperar no Senhor. O espírito de oração estava sendo impedido nas reuniões. Os mais espirituais estavam famintos por tal oportunidade. Os líderes, porém, não compreenderam e fizeram oposição a mim. Depois a dona da minha casa alugada ficou possessa por Satanás e queria nos expulsar da casa, pois ela não andava com Deus. Nosso aluguel estava pago, mas o inimigo tentou usá-la. A luta se iniciara. Começou a haver oposição contra o meu ministério na Igreja do Novo Testamento. Uma irmã me tentou convencer a parar as reuniões de oração que eu começara. Pedi ao Senhor que me mostrasse qual era sua vontade neste assunto. Ele veio e encheu com uma nuvem de glória a casa onde estávamos, a tal ponto que eu mal podia suportar a sua presença. Para mim esta experiência tirou qualquer dúvida. "Antes importa obedecer a Deus do que aos homens." Sofri muitas críticas naquela época; penso que estavam com medo que eu começaria outra igreja. Eu, no entanto, não tinha tal pensamento naquela época. Só queria ter liberdade para orar. Muitas Missões e Igrejas têm acabado mal por se oporem a Deus.

 A ESPERANÇA DO PENTECOSTES

Escrevi mais artigos para a imprensa religiosa, dos quais seguem-se alguns trechos: Devagar, mas cada vez mais, há maior convicção entre os santos do sul da Califórnia de que Deus vai derramar o Seu Espírito como o fez no País de Gales. Temos fé em coisas que antes nem sonhávamos existir e que ocorrerão no futuro próximo. Estamos certos de que haverá nada menos do que um "Pentecostes" para todo o país. Jamais haverá, entretanto, resultados pentecostais sem o poder pentecostal. Isso significa manifestações pentecostais. Poucos querem ver Deus face a face!" "Carne e sangue não podem herdar o reino de Deus." Outra vez escrevi: "O Avivamento atual está passando por nossa porta. Havemos de lançar-nos no seu poderoso seio a fim de sermos transportados à gloriosa vitória? Um ano de vida agora, com todas as maravilhosas oportunidades de servir a Deus, vale mais que cem anos de vida habitual. "O Pentecostes" está batendo às nossas portas. O Avivamento de nosso país não é mais uma dúvida. Devagar, mas visivelmente, a maré está crescendo, até que em breve teremos uma enchente de salvação que tocará a todos que estão diante de nós. O País de Gales não ficará mais só neste grande triunfo para o nosso Cristo. O espírito de Avivamento está vindo sobre nós, impulsionado pelo sopro de Deus, o Espírito Santo. As nuvens estão chegando rapidamente, carregadas de grande chuva que em breve cairá." "Heróis surgirão do pó de circunstâncias escuras e odiosas, e seus nomes serão alardeados nas páginas da fama eterna no céu. O Espírito paira sobre nossa pátria como no alvorecer da criação, e a ordem de Deus é ouvida: "Haja luz!" "Irmãos e irmãs, se todos cressem, o que poderia acontecer? Muitos de nós aqui vivemos só para isso. Um grande volume de orações dos que crêem está subindo ao trono noite e dia. Los Angeles, o sul da Califórnia, e todo o continente encontrar-se-á dentro em breve num poderoso Avivamento pelo Espírito e pelo poder de Deus." A bastante tempo oramos por um Pentecostes, e ele parecia prestes a começar. É óbvio que não sabíamos o que era um verdadeiro Pentecostes. O Espírito, porém, sabia e nos guiava adiante para pedir o que era correto. Uma tarde, depois de uma reunião na Igreja do Novo Testamento, sete de nós fomos dirigidos a dar as mãos e concordar em oração para o Senhor derramar logo o seu Espírito, "com sinais a o seguir" (Marcos 16:17, 20). De onde tiramos esta idéia naquele momento não sei. O Senhor mesmo deve ter sugerido isto a nós. Não pensávamos em falar em línguas. Nenhum de nós jamais havia ouvido falar em tal coisa (estávamos em fevereiro de 1906). Enquanto permanecia de joelhos numa reunião de oração, o Senhor disse-me que me levantasse e fosse à lona do irmão Brownley. Deu-me uma mensagem para eles. Eu estava com grande peso no espírito, mas depois de falar, sentimo-nos totalmente quebrantados e choramos muito diante do Senhor. Depois, escrevi um folheto comovedor, intitulado "A Angústia da Intercessão". O Senhor também me revelava muito sobre o "sangue". Passei mais uma noite orando com o Senhor Boehmer, e o Senhor me deu um ministério muito abençoado em Pasadena em diferentes reuniões. Numa reunião fiquei prostrado duas horas sob a carga pelas almas perdidas. A batalha ficava cada vez mais renhida. No dia 26 de março fui a uma reunião na casa da Rua Bonnie Brae. Tanto irmãos brancos quanto negros estavam unidos ali em oração. Eu fora a uma reunião de oração numa casa, um pouco antes, onde encontrei o irmão Seymour. Ele acabara de vir do Texas. Era um negro simples, espiritual e humilde, cego de um olho. Ele frequentava as reuniões na Rua Bonnie Brae. No final de março de 1906, o Senhor me havia dado um outro folheto intitulado "A Última Chamada". Foi grandemente usado para despertar as pessoas. Seguem-se alguns trechos: "E agora mais uma vez no final desta era, Deus faz a última chamada; a chamada da meia-noite está sobre nós, ressoando claramente em nossos ouvidos. Deus dará mais uma oportunidade, a última chamada, um Avivamento mundial. Depois virá o julgamento de todo o mundo. Um acontecimento tremendo está para acontecer!" Via Ruanna Pereira Bibliografia: A historia do Avivamento Azusa. Editora D’ Sena Worship, série achados. Digitalizador desconhecido, formatado por SusanaCap.