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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

As guerras recentes de Israel


por Craig Winn


A Guerra da Independência em 1948: Israel, ainda se instalando, perdeu 6.373 pessoas, ou aproximadamente um por cento de sua população, quando as nações islâmicas vizinhas optaram por varrer os Judeus para o mar em vez de conviver pacificamente. Cerca de um terço dessas perdas foram de civis. O número exato de vítimas islâmicas é difícil de mensurar, uma vez que os muçulmanos têm uma propensão para o exagero e que têm pouca consideração pela vida humana. Mas estima-se que 12 mil soldados islâmicos e mujahideen morreram tentando impedir que Israel se tornasse uma nação. Após a guerra, depois de Israel ter batido os muçulmanos de forma tão decisiva, Israel conseguiu definir suas próprias fronteiras. O que é interessante aqui é que os países islâmicos que atacaram Israel tinham forças militares bem estabelecidas e Israel não tinha governo, nem moeda, nem exército, nem força aérea, e praticamente nenhuma arma, nem sequer uma linguagem comum - e, no entanto, venceram. Allah não foi Grande, ou o Islã fez com que os muçulmanos falhassem?

A Guerra do Sinai de 1956: Israel perdeu 177 soldados e tomou toda a Península do Sinai do agressor. O Egito perdeu cerca de 3.000 soldados, teve 5.000 soldados feridos e outros 6.000 foram feitos prisioneiros. Infelizmente, Israel confiou o Sinai aos pacificadores da ONU, que simplesmente se afastaram do caminho quando o Egito violou o acordo de paz menos de uma década depois. A credibilidade da ONU foi a maior vítima desse conflito.

A Guerra dos Seis Dias em 1967: Nasser do Egito impeliu uma resolução islâmica contra Israel e ameaçou um assalto aliado que empurraria todos os Judeus para o mar. Não funcionou como planejara. Israel perdeu 338 soldados no front egípcio, 300 no front da Jordânia e 141 no front da Síria. O Egito, no entanto, perdeu 80% de seu equipamento militar, 10 mil soldados e 1.500 oficiais foram mortos, 5 mil soldados e 500 oficiais capturados e 20 mil soldados feridos. A Jordânia sofreu 7.000 mortos e cerca de 16.000 feridos. A Síria teve 2.500 mortos e 5.000 feridos. Os sírios perderam a metade de seus tanques e quase toda a artilharia que colocaram no cume de Golan. A contagem oficial de vítimas iraquianas foi de 10 mortes e cerca de trinta feridos. Foi a batalha mais desequilibrada da história, ofuscando a bravura dos espartanos em Thermopylae. (Em 480 a.C., 300 soldados espartanos mataram 6.000 dos soldados persas do rei Xerxes e barraram mais de 150.000.) Se não fosse pelas demandas americanas contra Israel, os Judeus teriam capturado o Cairo, Damasco e Amã e teria controlado todo o Egito, Síria e Jordânia.

A Guerra de Atrito em 1968-70: durante a Guerra Fedayeen, 367 soldados israelenses foram mortos e mais de três mil foram feridos por jihadistas islâmicos. Não houve números de vítimas publicados do lado egípcio, pois isso só serve para destacar como os países islâmicos usam seu próprio povo como se fossem munições. No entanto, estima-se que 10.000 jihadistas Fedayeen egípcios morreram.

Guerra do Yom Kippur de 1973: os muçulmanos, liderados pelo Egito e a Síria, apoiados e financiados por petro-dólares iraquianos, iranianos e sauditas da OPEC, lançaram um ataque conjunto surpresa a Israel no dia religioso mais importante, o Yom Kippur, invadindo simultaneamente o Sinai e as montanhas de Golan com aviões, tanques e armamentos soviéticos. Também conhecida como a Guerra do Ramadã, representou o primeiro grande ataque islâmico contra Israel desde que a nação foi restabelecida em 1948. Mal equipados e em uma desvantagem de 100 para 1, Israel venceu - deixando os muçulmanos atônitos e irados em todo o mundo.

Israel foi pego de surpresa e sofreu 2.300 mortes, 5.500 feridos e 294 prisioneiros - quase todos nos dois primeiros dias. Os egípcios sofreram 12 mil mortes, 35 mil feridos e 8,400 prisioneiros. A Síria sofreu 3.000 mortos, 5.600 feridos e mais de 400 presos, dos quais cerca de 20 eram iraquianos e marroquinos. Israel, que estava esmagadoramente inferior em números de soldados e menos equipado, além de ser pego de surpresa, recuperou e consertou um grande número de seus próprios tanques, bem como centenas de tanques russos e transportadores blindados de pessoal que haviam sido abandonados pelos muçulmanos que fugiram. Com esse armamento, eles lutaram e recuperaram o terreno onde inicialmente se renderam.

No primeiro dia, Israel perdeu 105 aviões e 5 helicópteros, um terço de sua força de combate, por causa das baterias russas de mísseis SAM. Os egípcios perderam 235 aviões e 42 helicópteros, enquanto os sírios perderam 135 aviões e 13 helicópteros. A maioria das perdas muçulmanas ocorreram na batalha no ar em que os Judeus eram majoritariamente melhores pilotos. Quando os jihadistas jubilosos invadiram as proteções russas contra os mísseis SAM, a guerra virou-se e 51 baterias antiaéreas egípcias desprotegidas e 12 baterias de mísseis SAM sírios foram destruídas. Israel perdeu uma arma antiaérea. A marinha israelense não teve perdas, e afundou sete navios egípcios e cinco barcos de mísseis sírios, quatro barcos de torpedos egípcios e vários navios de defesa costeira.

Israel conquistou uma vitória clara contra a Síria, conquistando um território considerável além das linhas de cessar-fogo de 1967 e avançando para cerca de 20 milhas de Damasco. No Sinai, os egípcios se apegavam ao lado leste do canal, mas os israelenses cercaram seu terceiro exército e avançaram com sucesso até algumas milhas do Cairo. Mais uma vez, se os Estados Unidos não tivessem obrigado Israel a se retirar, eles teriam conquistado o Egito e a Síria.

Infelizmente, no entanto, o Sinai foi devolvido ao Egito quando Jimmy Carter subornou a nação islâmica para parar de ameaçar publicamente a Israel, dando aos egípcios US $ 2,5 bilhões ao ano, bem como acesso total às armas americanas mais sofisticadas. Os EUA também pressionaram Israel com uma proposta patética da história moderna: "terra pela paz". Eles sacrificaram as terras que controlavam, perderam sua zona de proteção defensiva e tem sido terrorizados pelos muçulmanos desde então. Mas pelo menos agora você sabe por que os muçulmanos trocaram táticas de guerra pelo terror.


Tradução Walson Sales.

domingo, 28 de março de 2021

A CRESCENTE PERSEGUIÇÃO AOS CRISTÃOS NO MUNDO – Uma síntese. Do início da Igreja aos dias atuais.


POR LEONARDO MELO.

INTRODUÇÃO.


Considerando o contexto geopolítico e religioso do mundo na atualidade, veremos que a rejeição aos que professam a sua fé em Jesus Cristo e os  valores judaico-cristãos tem se acentuado. Países que antes eram inimagináveis que perseguissem  os cristãos e os judeus, hoje essa situação é uma realidade. Países como EUA, Canadá, França, Reino Unido, Holanda, Alemanha, Bélgica, dentre outros, tem se levantado como verdadeiros gigantes contra o povo de Deus. Estamos vivendo essa realidade de maneira latente. Nos soa aos ouvidos a voz do Senhor Jesus Cristo que afirmou: “Então vos hão de entregar para serdes atormentados, e matar-vos-ão; e sereis odiados de todas as nações por causa do meu nome.”, Mateus 24.9. O Evangelho de Cristo escrito por João tem muito a nos dizer desta situação: “Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós, me odiou a mim”, “Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos odeia”.

“Lembrai-vos da palavra que vos disse: Não é o servo maior do que o seu senhor. Se a mim me perseguiram, também vos perseguirão a vós; se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa”, João 15.18-20.


Em uma perspectiva escatológica, e conforme as profecias Bíblicas acerca do fim, entendemos pela Palavra que as perseguições aos cristãos da verdadeira Igreja de Cristo irá se acentuar cada vez mais. Cremos que é neste contexto de perseguição mais acentuada que Jesus virá buscar o seu povo.


Ademais, é oportuno citar a revelação que o Espírito Santo concede ao apóstolo Paulo quando ele escreve a sua segunda carta ao jovem pastor Timóteo. Paulo traça uma perspectiva sociológica e religiosa sobre os homens quanto as suas atitudes, ideias, comportamento, e posicionamento em relação a eles e suas posições[dos homens] quanto á Igreja de Cristo. Essas características que o apóstolo apresenta dos homens á Timóteo evidencia escatologicamente o que aguarda a Igreja do Senhor Jesus. Paulo exorta sobre as perseguições que virão contra o povo de Deus: “E também todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições”, II Timóteo 3.12. Jesus alertou aos seus apóstolos acerca dessa realidade que seria um dos sinais  que  indicaria que a sua vinda estaria próxima e que estar chegando o fim de todas as coisas. Os sinóticos retratam bem essa realidade. Sempre as perseguições fizeram parte da história da Igreja de Cristo, porém ela era desencadeada por um império, por um povo, contudo, hoje em todos os continentes da terra tem países que se opõem ao Cristianismo e rejeitam a pregação da Palavra de Deus em seus territórios. Jesus nos alertou sobre essa situação e nos advertiu a estarmos vigilantes e vivendo em santidade.


A PERSEGUIÇÃO AOS CRISTÃOS.


É razoável lembrarmos que a primeira perseguição a Igreja começa no berço do Cristianismo, Jerusalém, Israel.. É a partir da terra natal do Mestre que se  inicia- a perseguição aos crentes em Jesus, para não mais cessar!. É óbvio que a Igreja do Senhor experimentou momentos de paz, até porque, Deus sabia que se a perseguição se desse de forma ininterrupta, e se prolongasse consideravelmente, certamente que a Igreja seria aniquilada. Segundo a intervenção divina, a Igreja desfrutou momentos de relativa tranquilidade e paz, e pôde desta forma anunciar a mensagem da salvação. Sobre a primeira perseguição, é razoável citar que os judeus consideravam o Cristianismo como uma seita; que se opunha a Lei Mosaica, e que tinha o seu próprio Messias, como afirma Flávio Josefo, em sua antiguidades judaicas: “Nesse mesmo tempo, apareceu Jesus, que era um homem sábio. E foi seguido  não somente por muitos judeus, mas também por muitos gentios. Os mais ilustres dentre os  de nossa nação acusaram-no perante Pilatos, e este ordenou que o crucificassem. Os que o haviam  amado  durante a sua vida não o abandonaram depois de sua morte”.[JOSEFO. 2009. pg. 832]. É este o cenário que os discípulos são confrontados: a morte e crucificação do seu Senhor e depois sua ressurreição. Eles recebem a ordem imperativa para ficar em Jerusalém onde receberia poder do alto para em seguida dar continuidade a obra iniciada por Cristo. O livro dos Atos dos Apóstolos vai retratar bem a perseguição inicial desencadeada pelos judeus contra os cristãos que influenciariam também as autoridades romanas, cf. At. 2.22-24; 4.1,3; 5.17-18; 6.9-13; 7.54-60; 8.1-4; 11.9; 12.1,5; 16.22-24; 18.12-13; 21.28-36; 23.12-15; ss. É oportuno salientarmos que todos esses acontecimentos de perseguição, morte e prisão dos apóstolos e discípulos nos primeiros anos da Igreja tiveram a permissão de Deus e sempre Deus terá o domínio e controle de tudo.

 

1.PERSEGUIÇÃO SOB O IMPÉRIO ROMANO.


Considerando como referência  as perseguições registradas na Bíblia de maneira clara, conforme as evidências internas contidas no livro dos Atos dos Apóstolos, elas  serviram como marco para os desdobramentos das demais   perseguições que sucederam através dos séculos e que se perpetua até hoje. Óbvio, que no transcorrer da sua História a Igreja desfrutou de momentos de relativa tranquilidade, vários momentos de paz,. principalmente  quando foi instituída a “Pax Romana”, pelo imperador romano Otávio Augusto, no inicio de seu reinado no ano 27 a.C.. A Igreja tem sobrevivido entre intervalos de paz e de perseguições, e assim a Igreja tem caminhado na terra a pesar do cenário sombrio. Deus estar no controle da situação. Precisamos compreender que as perseguições deram-se em diferentes  intensidades, As perseguições á Igreja se manifestaram de diversas formas, desde  perseguições individuais, até perseguições institucionais[nações, autoridades políticas, instituições religiosas]. O Doutor em Teologia, escritor e  professor,  Justo L. González, traça uma cronologia sobre a história da Igreja e consequentemente a perseguição que tem atingido os cristãos através dos tempos. Relatos que revelam a crueldade, malignidade e perversão na vida daqueles que tornaram-se inimigos da cruz. González vai mostrar como o império romano foi o maior perseguidor da Igreja do Senhor de todos os tempos. Eis, a sequência dos principais imperadores romanos que ordenaram as mais variadas formas de perseguição contra á Igreja do Senhor Jesus. Temos oficialmente a primeira perseguição pelo Estado romano através do imperador Nero[54-68 d.C.]:


Imperador Nero [54-68 d.C] – Foi o primeiro dos imperadores romanos a perseguir os cristãos. Legou a história um nome que é símbolo de crueldade e delírios de grandeza. inicia-se a perseguição institucional. Durante seu governo, houve um incêndio em Roma[18 de julho de 64] e o imperador Nero coloca a culpa nos cristãos, e a partir deste evento catastrófico, os cristãos são acusados do incêndio e a partir de então, é desencadeada uma perseguição aos servos de DEUS sem precedentes;


Imperador Domiciano [81-96 d.C.]. O imperador que perseguiu os cristãos no fim do século primeiro, segundo os historiadores, foi o primeiro que  percebeu que a nova fé[cristianismo] representava uma ameaça as velhas tradições romanas. Iniciou a perseguição no ano 81.


Imperador Trajano [98-117 d.C.], iniciou  sua perseguição no ano 108. Durante seu mandato, no início do II século, o imperador adotou a seguinte política que perdurou todo o século: se alguém os acusava [os cristãos] e recusavam negar sua fé, deviam ser castigados, todavia, se ninguém os acusava o Estado não podia empregar seus recursos para castigá-los. Nesse período foram martirizados Inácio de Antioquia e Policarpo, dois dos pricipais expoentes da Igreja antiga.


Imperador Adriano [117-138], ele ao assumir o trono autoriza perseguições aos irmãos cristãos. Adriano, o sucessor de Trajano, deu andamento a esta terceira perseguição com a mesma severidade que o seu antecessor. Nesse tempo foram martirizados Alexandre, bispo de Roma; seus dois diáconos, Quirino e Hermes, com suas famílias; Zeno, um nobre romano, e cerca de outros dez mil cristãos. Muitos foram crucificados no monte Ararate, coroados de espinhos e traspassados com lanças, numa imitação da paixão de Cristo. Eustáquio, um valente comandante romano, com muitos êxitos militares, recebeu ordem do imperador para unir-se a um sacrifício idólatra em celebração a uma de suas próprias vitórias. Sua fé, porém (pois era cristão), era maior que a sua vaidade, e ele, nobremente, recusou-se a comparecer. Enfurecido pela negativa, o ingrato imperador esqueceu-se dos serviços do destro comandante e ordenou o seu martírio, bem como o de toda a sua família.

 

Imperador Antonino Pio [138-161 d.C.], Não houve uma perseguição generalizada contra os cristãos, mas em diversos pontos do Império os membros da nova religião poderiam ser conduzidos aos tribunais e condenados a pena capital


Imperador Marco Aurélio [161-18-d.C.]; era um homem rígido e severo, foi duro com os cristãos. Iniciou a perseguição aos cristãos em 162 d.C.. As crueldades executadas por ele foram tão atrozes que muitos espectadores estremeciam de horror ao assisti-las e ficavam atônitos diante dos valorosos sofredores. Alguns mártires eram obrigados a passar com os pés já feridos sobre espinhas, pregos, conchas colocadas em ponta; outros eram açoitados até que ficavam à vista seus tendões e veias, e depois de terem sofrido os mais terríveis sofrimentos que pudessem inventar, eram destruídos por mortes terríveis. Um cristão chamado Germânico, sendo entregue às feras por causa de sua fé, se conduziu tão valorosamente que vários pagãos se converteram ao cristianismo.


Imperador Sétimo Severo [193-211 d.C]; O imperador conseguiu apaziguar os diferentes grupos que faziam parte da sociedade romana e que provocavam dissensão. Preocupado com a situação de a qualquer momento surgir uma rebelião e os revoltosos proclamar seu próprio imperador, Sétimo Severo no ano 202 resolveu estabelecer uma política religiosa sincretista de adoração ao “Sol Invicto” na qual se fundiriam todas as religiões e conhecimentos filosóficos, porém como os judeus e cristãos se recusaram a dobrar-se diante deste deus e cultuá-lo, Severo resolveu barrar o avanço destas duas religiões e proclamou um edito[202 d.C.] que dizia que era proibido se converter ao cristianismo e judaísmo sob pena de morte, assim como, os cristãos acusados de insurgência em relação ao culto aos deuses romanos também eram condenados.


Imperador Décio [249-251]; em 249 d.C. Em parte ocasionada pelo aborrecimento que tinha contra o imperador Filipe, que era considerado cristão, e em parte pelo ciúme que tinha do crescimento do cristianismo, pois, nesse período os templos pagãos estavam sendo abandonados e as igrejas cristãs estavam cheias. Nessa época os cristãos estavam divididos entre si e os interesses próprios dividiam aqueles que deveriam estar unidos pelo amor. O orgulho entrou como um vírus, dando lugar a variedades de facções. Os pagãos ambicionavam colocar em ação os decretos imperais e consideravam o assassinato dos cristãos como um mérito para si mesmo, foram inúmeros mártires nesse período. Fabiano, bispo de Roma, que antes fora tesoureiro do imperador Felipe, como vingança o decapitou em 20 de janeiro de 250 d.C., Crisóstomo foi metido num saco de couro que continha várias serpentes e escorpiões e em seguida lançado ao mar. Alguns cristãos foram colocados na “roda de tormento”, outros foram decapitados; espancados com paus até a morte, presos à ganchos e queimados vivos, encarcerados, transpassados com pregos, arrastados pelas ruas, açoitados, queimados com tochas, flagelados, queimados com ferros incandescentes, etc. A maioria dos erros que foram introduzidos na igreja nesta época surgiram porque colocaram a razão humana em competição com a revelação, mas os teólogos mais capazes demonstraram a falácia desses argumentos e então as opiniões que foram suscitadas foram caladas.


Imperador Valeriano [253-260], O imperador Valeriano, em 257 d.C., foi o responsável pela oitava grande perseguição à Igreja de Cristo, teve início em abril de 257 d.C., e durou três anos e seis meses. As torturas foram as mais variadas e penosas, não se respeitava sexo e nem idade. Este tirano foi feito prisioneiro mediante uma estratégia feita por Sapor, imperador da Pérsia, que o levou a seu próprio País, tratando-o com a mais inusitada indignidade, fazendo-o ajoelhar-se como o mais humilde escravo e colocando seus pés sobre ele a modo de banquinho quando montava em seu cavalo. Depois de haver feito de escravo por sete anos, fez com que lhe tirassem os olhos (tinha ele então 83 anos na época), ordenou que o esfolassem vivo e que lhe esfregassem sal na carne, veio a morrer com essas torturas. Assim caiu um dos mais tirânicos imperadores de Roma, e há um dos maiores perseguidores dos cristãos, em 260 d.C., sucedeu Gallieno, filho de Valeriano, e durante seu reinado houve poucos mártires, e a igreja gozou de paz durante alguns anos.


Imperador Diocleciano[284-305] – Foi o responsável pela mais cruel e sangrenta perseguição aos crentes da Igreja Antiga, apesar da esposa, Prisca e sua filha Valéria serem cristãs. A princípio influenciado por Galério, os cristãos foram expulsos do exército, todavia a questão social foi se agravando e Diocleciano fez um edito contra os cristãos[303] que ordenava que templos e livros cristãos fossem destruídos e queimados e fossem cerceados  suas dignidades e direitos civis. No princípio limitou-se a essas ações a perseguição aos cristãos, porém a situação agravou e os cristãos foram torturados e condenados a  morte.


Imperador Maximiano [285-305] – Como imperador, Maximiano participou de uma tetrarquia política com Diocleciano, Constâncio Cloro e Galério. Houve um relativo período de relativa  paz, contudo a posteriori foi desencadeada uma das mais terríveis perseguições aos cristãos. [GONZÁLEZ. 2009. Vol. I]


2. A INQUISIÇÃO CATÓLICA-ROMANA.


Como observado, o império romano foi o mais cruel antagonista e perseguidor da Igreja de Cristo. Já nos séculos que se sucederiam a Igreja experimentou um período de paz, principalmente quando Constantino assume o império romano. [272-337]. Porém, o adversário não satisfeito com a perseguição perpetrada  pelo império romano ao longo dos anos  e não conseguindo subjulgar e extinguir a Igreja, então surge como instrumento de punição segundo o entendimento do clero católico a inquisição, também conhecida como Santo Ofício, essa instituição era formada pelos tribunais da Igreja Católica que perseguiam, julgavam e puniam pessoas acusadas de se desviar de suas normas de conduta. Ela teve duas glosas: a medieval, entre séculos XIII e XIV,  e a outra, a partir do século XV que vai se estender até o século XIX, que foi uma das mais cruéis para a verdadeira Igreja de Jesus.


Segundo o inquisidor Nicolau Eymerich, a inquisição propriamente surgiu quando em 1232 o imperador Frederico II lançou editos de perseguição aos hereges em todo o Império pelo receio de divisões internas. Eymerich foi autor de um manual que servia de guia  o qual orientava os inquisidores. O Papa Gregório IX, temendo as ambições político-religiosas do imperador, reivindicou para si essa tarefa e instituiu inquisidores papais. Estes foram recrutados entre os membros da ordem dos dominicanos (a partir de 1233), seja por sua rigorosa formação teológica (eram tomistas), seja também pelo fato de serem mendicantes e por isso presumivelmente desapegados de interesses mundanos. A partir de então se foi criando uma prática de controle severo das doutrinas, legitimadas com sucessivos documentos pontifícios como a bula de Inocêncio IV (Ad extirpanda) em 1252, que permitia a tortura nos acusados para quebrar-lhes a resistência. Até que em 1542 o Papa Paulo III estatuiu a Sagrada Congregação da Inquisição Romana e Universal ou Santo Ofício como corte suprema de resolução de todas as questões ligadas à fé e à moral. A Inquisição ou o Santo Ofício “surgiu no seio do catolicismo durante o século XIII, e cobriu de terror, de sangue e de luto quase todos os países da Europa meridional e, ainda, transpondo os mares, a oprimir extensas províncias da América e do Oriente”. A religião católica foi de grande importância para a centralização do poder. “E o fizeram através dos tribunais da Inquisição que varreram a Europa de norte a sul, leste e oeste, torturando e assassinando em massa aqueles que eram julgados heréticos ou bruxos”.

“A inquisição foi a maior empresa do país e estava em moldes burocráticos. O alto clero, os inquisidores e os agentes do tribunal eram investidos de todo o poder, auto-delegavam-se juízes de toda a sociedade. A ética religiosa destinada a regular toda a vida quotidiana dos fiéis era transmitida pelo clero, sob vigilância da inquisição. Toda visão de mundo nova, era combatida e ameaçada pela inquisição”, [NOVINSKY. 2012. pg.  111].

A Inquisição foi cruel e implacável contra aqueles que se recusavam a abraçar os dogmas impostos pela Igreja Católica Romana? Nos períodos de perseguições houveram inúmeros martírios contra os líderes cristãos, milhares deles tiveram suas vidas ceifadas por amor ao Evangelho de Cristo, quem não lembra daqueles que perderam suas vidas nas fogueiras da inquisição? Como a perseguição faz parte da história da Igreja de Jesus, elas nunca cessarão, apenas diminuiu, contudo, de forma mais sutil ela continuou e continua até hoje de forma mais explícita.. Precisamos compreender que é uma luta travada entre as trevas e a luz. Satanás sabendo que já estar condenado e julgado junto com os anjos que se rebelaram contra Deus,  faz  de tudo e usa todos os mecanismos a fim de  matar os servos de Deus e destruir templos e tudo o que é relacionado com Deus e o seu reino.


3. PERSEGUIÇÕES ATUAIS.


Atualmente há um ataque declarado e explícito contra a Igreja do Senhor Jesus. Em todos os continentes ocorrem perseguições. Leis anticristãs são promulgadas em diversas nações do mundo, livros anticristãos são editados, a própria ONU estimula a criação de leis antisemita e anticristãs. Os valores judaicos-cristãos cada momento que se passa são desvalorizados e rejeitado pelas pessoas em diferentes países. Há uma corrida entre as autoridades dos países afim de descontruir o Cristianismo e a pessoa de Jesus Cristo, como por exemplo o agnóstico Barth D. Ehrman, em seu livro “Como Jesus se tornou Deus” e o “Código Da Vinci, do escritor Dan Brown, dentre outros.


3.1.Perseguição nas Américas, o adversário tem mudado seu modus operandi, em vez de perseguições e prisões, eles agem influenciando as leis nacionais a fim de mudá-las e trazer a opressão, exclusão e silenciar a voz da Igreja. EUA, Canadá, México, Porto Rico, Guianas, Cuba, Peru, Equador,. Venezuela, Colômbia, Bolívia, Argentina, Brasil e outros.  Por exemplo na América do Sul, vários países que compõem o continente tem criado leis anticristãs. Quando a lei não é de âmbito federal, o é na esfera estadual e municipal. No Brasil, no estado de S. Paulo foi promulgada uma lei Lei nº [17.301, de 24,/01/2020] que pune a homofobia na cidade. Os cristão estarão passivos de receberem  multas e fechamento de templos, caso a vítima tenha sofrido constrangimento dentro do templo. É oportuno salientar que dependendo do tipo de sermão[tema] exposto pelo pregador, ele pode ser denunciado: “praticar ou induzir o preconceito pelos meios de comunicação”. Então, se for pegado durante a mensagem que ser gay ou lésbica é pecado, você pode ser punido pelo município e o templo fechado.. isso é apenas uma amostra do que já existe contra a Igreja e o que estar por vir..Isso é fato. As informações que nos chegam acerca das perseguições pelo mundo afora vem da agência missionária “Portas Abertas”, Voz dos Mártires, e dos próprios missionários enviados pelas Igrejas Evangélicas.

 

3.2 A perseguição no Oriente Médio e continente africano. Os países islâmicos são os que mais perseguem os crentes atualmente e isto se dá de maneira aberta, explícita. Todo o mundo sabe dessas verdades, inclusive a ONU e as potências mundiais componentes do G-20 e do G-07. Nos países muçulmanos ou islâmicos é gritante o ódio destilados pelos muçulmanos  contra os crentes em Jesus. As  milícias islâmicas  aterrorizam e matam crentes.  Prisão e mortes de cristãos, apedrejamentos e incêndios de templos e de residências de cristãos é comum em uma considerável parcela dos países africanos e que fazem parte do Oriente Médio. Esses fatos ocorrem hoje e não há direitos humanos para os irmãos perseguidos e presos. Segundo a agência missionária “Portas Abertas”, uma ONG evangélica que presta assistência aos cristãos perseguidos em todo o mundo, na sua lista[2020] dos países que perseguem mais os crentes, os oito entre os dez primeiros são islâmicos, professam a fé em Alá: Afeganistão, Somália, Líbia, Paquistão, Eritreia, Sudão, Iêmen e Irã. Milícias como Boko Haram, Al-Shabaab, e jihadistas estrangeiros que se agregam as milícias perseguem os crentes de forma violenta, apoiados muitas vezes pelos governos locais que são omissos, além do apoio vindo da Al Qaeda, Estado Islâmico, além  de outros grupos extremistas. Em diversos países africanos e quase na maioria absoluta dos países islâmicos, os cristãos são o alvo preferido de extremistas violentos que atuam sem limites e que olham para os cristãos locais como uma possibilidade  plausível a um ataque direto ao infiel Ocidente. A situação no Oriente Médio é séria e urgente. Verdadeiros genocídios tem acontecidos contra a Igreja do Senhor Jesus, e simplesmente o mundo estar mudo!


3.3. Os países comunistas. No topo da lista de perseguição, segundo a agência missionária portas abertas, a Coreia do Norte, país comunista tem um histórico de perseguição e morte contra os crentes e ocupa o primeiro lugar na lista de perseguição. Já na China Comunista,  simplesmente eles não aceitam que se pregue e se fale do nome de Jesus para a população. Declarar publicamente sua fé nos países comunistas é sinal de degredo, prisões e morte. .Inúmeras notícias tem chegado sobre a opressão e perseguição que os crentes tem sofrido na China Comunista. Há relatos de mortes, prisões e perseguições para aqueles que professam a fé em Cristo: “A China do  presidente Xi Jinping intensificou nos últimos anos o controle de todas as religiões, o que provocou a destruição de igrejas e o fechamento de escolas religiosas”, cf. Estado de Minas – Internacional, https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/precisamos-falar-sobre-a-perseguicao-religiosa-na-china, Jornal A Gazeta do Povo, 22/12/2020 “A perseguição a fiéis tem se intensificado durante o governo de Xi Jinping e sua política de sinização (ou chinização), que busca secularizar a religião para que a fé se alinhe aos objetivos do PCC. A política alcança seu objetivo, em parte, por meio do introdução de instituições religiosas sancionadas pelo estado, capazes de moderar e até mesmo modificar a forma como fiéis de todas religiões praticam suas crenças”. Segunda a Veja on line, https://veja.abril.com.br/mundo/perseguicao-onde-os-cristaos-sao-vitimas-de-opressao-e-violencia/, atualizado em 30 de julho de 2020, por Julia Braun, temos a seguinte informação sobre a China Comunista: “Recentemente, militantes extremistas pró-China atacaram diversas igrejas na fronteira com o país e sequestraram pastores e missionários, alegando que as comunidades não eram autorizadas por suas lideranças. Em diversas outras ocasiões, líderes religiosos foram presos arbitrariamente e cristãos foram assassinados por sua fé”.

Já o site secular: https://noticias.r7.com/internacional/china-proibe-hinos-e-pune-cristaos-por-materiais-religiosos-19102020, lemos: “China proíbe hinos e pune cristãos por materiais religiosos Funcionários do Partido Comunista Chinês em Luoyang, na província de Henan, vasculharam uma gráfica em busca de materiais proibidos.  Nos últimos anos, a perseguição religiosa por parte do partido comunista da China se intensificou. Em esforços para colocar o cristianismo sob a influência chinesa, os oficiais do governo forçam os crentes a seguir regras e regulamentos específicos e impõem outras restrições às reuniões não registradas da igreja. O PCCh também intensificou medidas para destruir símbolos religiosos. Só na primeira metade de 2020, mais de 900 cruzes foram removidas de igrejas estatais em toda a China. A China é classificada como um dos piores países do mundo no que diz respeito à perseguição aos cristãos, de acordo com a lista do Open Doors USA World Watch.

3.4.No continente africano a perseguição é real. Muitos  cristãos hoje tem perdido suas vidas, perseguidos, presos por crer em Jesus. Dezenas de países africanos  de população majoritariamente  e de crença islâmica são responsáveis pelo caos impetrado contra os cristãos. Milícias islâmicas ligadas a Al Qaeda e Estado Islâmico, além do próprio Estado tem sido verdadeiros algozes contra a Igreja do Senhor. Por exemplo, o Boko Haram, grupo ligado ao Estado Islâmico, tem praticado genocídio contra os cristãos no norte da Nigéria, obrigando mais de 1,8 milhão de pessoas a deixarem suas casas. Eles matam, prendem, perseguem, ateiam fogo em casas e templos. Já o grupo terrorista Al Shabab, ligado aos extremistas da Al Qaeda, atua no sul da Somália e no oeste do Quênia. Em 2 de abril de 2015, os jihadistas invadiram a Universidade de Garissa, localizada a. 400 Km da capital Nairóbi, mataram pelo menos 147 pessoas. E os ataques e perseguições continuam. Há inúmeros relatos de conflito religiosos na Região do Oriente Médio. Os países islâmicos simplesmente não toleram aqueles que professam a fé em Cristo. Ou servem a Alá e rejeitam o Cristianismo, ou a punição não tardará.


CONCLUSÃO.


Todo aquele que professar a fé em Jesus Cristo passará por provações, tribulações, lutas, sofrimento, perseguição, prisão e até o martírio[morte]. Faz parte da vida do cristão. Jesus nos alertou sobre esta realidade da nova vida nele.. O apóstolo Paulo registrou essa realidade e a comunicou ao jovem Timóteo, II Tm. 3.12. sofrer por amor á Cristo e ao Evangelho é factual: no livro do Apocalipse, João descreve o preço da fidelidade que acompanha o cristão: “Eu João, que também sou vosso irmão, e companheiro na aflição e no reino, e paciência de Jesus Cristo, estava na ilha chamada Patmos, por causa da Palavra de Deus”. Faz parte do viver em Cristo que nós passemos perseguições e sejamos rejeitados pela sociedade. Na verdade a Igreja de Cristo é tolerada na terra, pois, como eles não conseguem nem nunca conseguirão destruir a Igreja, então eles, os inimigos da cruz promovem de todas as maneiras e formas ataques sincronizadas, aleatórios e muitas vezes usam a máquina estatal para lhes dar apoio, como se verifica nos países islâmicos.. Essa ira é compreensível, pois Jesus afirmou que o seu reino não é deste mundo. Que nós vivemos na luz e que as trevas não suportam a luz. Não há comunhão. Nós andamos na verdade e aqueles que andam sob a influência da mentira rejeitam-nos, não conseguem suportar. A mentira, o engano, o roubo, provém do homem da iniquidade e nós cristãos rejeitamos veementemente essas influências na nossa vida pessoal, pois a Igreja do Senhor Jesus é santa!

Por conseguinte, toda a postura contra os valores mundanos e seu hedonismo atrai sobre nós a ira das trevas. A falsa religiosidade, idolatria, e todo culto e ensino teológico contrário a sã doutrina reprovado pela verdadeira Igreja atrai a ira dos legalistas e pseudo-religiosos, e que em certas ocasiões essa ira e ódio vão se constituir em perseguições. A previsão bíblica para os últimos dias da Igreja na terra é de uma intensa perseguição para aqueles que professam sua fé em Jesus Cristo. Estamos na direção desses contexto religioso mundial. O Senhor cuidará da sua Igreja como tem cuidado, pois foi o próprio Jesus que afirmou: “[...], e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevaleceram contra ela”. Mateus 16.18. nossa alegria e esperança é que a pedra de ajuda estar conosco até a consumação dos séculos, “Então tomou Samuel uma pedra, e a pôs entre Mizpá e Sem, e chamou-lhe Ebenézer; e disse: Até aqui nos ajudou o Senhor”, I Samuel 7.12. e, é isto que nos da ânimo e forças para continuarmos.  O Senhor nos garantiu que não nos deixaria órfãos:” Não vos deixarei órfãos; voltarei para vós”, João 14.18.

É  o que nos dá força nas perseguições e nas lutas diárias, a certeza que o Dono da Igreja jamais nos abandonará, seja qual for as circunstâncias ou adversidades em suas múltiplas manifestações, o Senhor estar conosco. Amém. Maranata.

terça-feira, 1 de setembro de 2020

História dos mártires cristãos até a primeira perseguição geral sob Nero


Cristo, nosso Salvador, no Evangelho de são Mateus, ouvindo a confissão de Simão Pedro, o qual, antes que todos os outros, reconheceu abertamente que Ele era o Filho de Deus, e percebendo a mão providencial de seu Pai nisso, o chamou (aludindo a seu nome) de "rocha", rocha sobre a qual edificaria Sua Igreja com tal força que as portas do inferno não prevaleceriam contra ela. E com estas palavras se devem observar três coisas: primeiro, que Cristo teria uma igreja neste mundo. segundo, que a mesma Igreja sofreria uma intensa oposição, não só por parte do mundo, senão também com todas as forças e poder do inferno inteiro. E em terceiro lugar que esta mesma Igreja, apesar de todo o poder e maldade do diabo, se manteria. Vemos esta profecia de Cristo verificada de modo maravilhoso, por quanto todo o curso da Igreja até o dia de hoje não parece mais que um cumprimento desta profecia. primeiro, o fato de que Cristo tenha estabelecido uma Igreja, não necessita demonstração. Segundo, com que força se opuseram contra a Igreja príncipes, reis, monarcas, governadores e autoridades deste mundo! E, em terceiro lugar, como a Igreja, apesar de tudo, tem suportado e retido o que lhe pertencia! É maravilhoso observar que tormentas e tempestades ela tem vencido.

E para uma mais evidente exposição disto tenho preparado esta história, com o fim, primeiro de que as maravilhosas obras de Deus em sua Igreja redundem para Sua Glória; e também para que ao expor-se a continuação e história da Igreja, possa redundar em maior conhecimento e experiência para proveito do leitor e para a edificação da fé cristã. Como não é nosso propósito entrar na história de nosso Salvador, nem antes nem depois de Sua crucifixão, só será necessário lembrar aos nossos leitores o desconcerto dos judeus pela Sua posterior ressurreição. Ainda que um apóstolo o havia traído; embora outro o tinha negado, sob a solene sanção de um juramento, e ainda que o resto tinha-o abandonado, a exceção daquele "discípulo que era conhecido do sumo sacerdote", a história de sua ressurreição deu uma nova direção a todos seus corações e, depois da missão do Espírito Santo, transmitiu uma nova confiança em suas mentes. Os poderes de que foram investidos lhes deram confiança para proclamar Seu nome, para confusão dos governantes judeus, e por assombro dos prosélitos gentios.  


1. ESTEVÃO Santo Estevão foi o seguinte a padecer. Sua morte foi ocasionada pela fidelidade com a que predicou o Evangelho aos entregadores e matadores de Cristo. Foram excitados eles a tal grau de fúria, que o expulsaram fora da cidade, apedrejando-o até matá-lo. a época em que sofreu supõe-se geralmente como a Páscoa posterior à da crucifixão de nosso Senhor, e na época de Sua ascensão, na seguinte primavera. A continuação suscitou-se uma grande perseguição contra todos os que professavam a crença em Cristo como Messias, ou como profeta. São Lucas nos diz de imediato que "fez-se naquele dia uma grande perseguição contra a igreja que estava em Jerusalém" , e que "todos foram dispersos pelas terras da Judéia e de Samaria, exceto os apóstolos" (Atos 8:1, ACF). Em volta de dois mil cristãos, incluindo Nicanor, um dos sete diáconos, padeceram o martírio durante a "tribulação suscitada por causa de Estevão" (Atos 11:9, PJFA).  


2. TIAGO O MAIOR  O seguinte mártir que encontramos no relato segundo Lucas, na História dos Atos dos Apóstolos, é Tiago, filho de Zebedeu, irmão mais velho de João e parente de nosso Senhor, porque sua mãe Salome era prima irmã da Virgem Maria. Não foi até dez anos depois da morte de Estevão que teve lugar este segundo martírio. Aconteceu que tão pronto como Herodes Agripa foi designado governador da Judéia que, com o propósito de congraçar-se com os judeus, suscitou uma intensa perseguição contra os cristãos, decidindo dar um golpe eficaz, e lançando-se contra seus dirigentes. Não se deveria passar por alto o relato que dá um eminente escritor primitivo, Clemente de Alexandria. Nos diz que quando Tiago estava sendo conduzido ao lugar de seu martírio, seu acusador foi levado ao arrependimento, caindo a seus pés para pedi-lhe perdão, professando-se cristão e decidindo que Tiago não receberia sozinho a coroa do martírio. Por isso, ambos foram decapitados juntos. Assim recebeu, resoluto e bem disposto, o primeiro mártir apostólico aquele cálice que ele tinha dito ao Salvador que estava disposto a beber. Timão e Parmenas sofreram o martírio por volta daquela época; o primeiro em Filipos, e o segundo na Macedônia. Estes acontecimentos tiveram lugar no 44 d.C.  


3. FELIPE Nasceu em Betsaida da Galiléia, e foi chamado primeiro pelo nome de "discípulo". Trabalhou diligentemente na Ásia Superior, e sofreu o martírio em Heliópolis, na Frigia. Foi acoitado, encarcerado e depois crucificado, no 54 d.C. 


 4. MATEUS Sua profissão era arrecadador de impostos, e tinha nascido em Nazaré. Escreveu seu evangelho em hebraico, que foi depois traduzido ao grego por Tiago o Menor. Os cenários de seus trabalhos foram Partia e a Etiópia, país no que sofreu o martírio, sendo morto com uma lança na cidade de Nadaba no ano 60 d.C.  


5. TIAGO O MENOR Alguns supõem que se tratava do irmão de nosso Senhor por parte de uma anterior mulher de José. Isto resulta muito duvidoso, e concorda demasiado com a superstição católica de que Maria jamais teve outros filhos além de nosso Salvador. Foi escolhido para supervisar as igrejas de Jerusalém, e foi o autor da Epístola ligada a Tiago. A idade de noventa e nove anos foi espancado e apedrejado pelos judeus, e finalmente abriram-lhe o crânio com um cacetete.  


6. MATIAS Dele se sabe menos que da maioria dos discípulos; foi escolhido para encher a vaga deixada por Judas. Foi apedrejado em Jerusalém e depois decapitado.  


7. ANDRÉ Irmão de Pedro, predicou o evangelho a muitas nações da Ásia; mas ao chegar a Edessa foi apreendido e crucificado numa cruz cujos extremos foram fixados transversalmente no chão 1 Daí a origem do termo de Cruz de Santo André.  


8. MARCOS Nasceu de pais judeus da tribo de Levi. Supõe-se que foi convertido ao cristianismo por Pedro, a quem serviu como amanuense, e sob cujo cuidado escreveu seu Evangelho em grego. Marcos foi arrastado e despedaçado pelo populacho de Alexandria, em grande solenidade de seu ídolo Serapis, acabando sua vida em suas implacáveis mãos.  


9. PEDRO Entre muitos outros santos, o bem-aventurado apóstolo Pedro foi condenado a morte e crucificado, como alguns escrevem, em Roma; embora outros, e não sem boas razões, tenham dúvidas a esse respeito. Hegéssipo diz que Nero buscou razões contra Pedro para dá- lhe morte; e que quando o povo percebeu, rogaram-lhe insistentemente que fugisse da cidade. Pedro, ante a insistência deles, foi finalmente persuadido e se dispus a fugir. Porém, chegando até a porta viu o Senhor Cristo acudindo a ele e, adorando-o, lhe disse: "Senhor, aonde vãs?" ao que ele respondeu: "A ser de novo crucificado". Com isto, Pedro, percebendo que se referia a seu próprio sofrimento, voltou à cidade. Jerônimo diz que foi crucificado cabeça para abaixo, com os pés para cima, a petição dele, porque era, disse, indigno de ser crucificado da mesma forma que seu Senhor.  


10. PAULO Também o apóstolo Paulo, que antes se chamava Saulo, após seu enorme trabalho e obra indescritível para promover o Evangelho de Cristo, sofreu também sob esta primeira perseguição sob Nero. Diz Obadias que quando se dispus sua execução, Nero enviou dois de seus cavaleiros, Ferega e Partémio, para que lhe dessem a notícia de que ia ser morto. Ao chegarem a Paulo, que estava instruindo o povo, pediram-lhe que orasse por eles, para que eles acreditassem. Ele disse-lhe que em breve acreditariam e seriam batizados diante de seu sepulcro. Feito isso, os soldados chegaram e o tiraram da cidade para o lugar das execuções, onde, depois de ter orado, deu seu pescoço à espada.  


11. JUDAS Irmão de Tiago, era comumente chamado Tadeu. Foi crucificado em Edessa o 72 d.C.  


12. BARTOLOMEU  Predicou em vários países, e tendo traduzido o Evangelho de Mateus na linguajem da Índia, o propalou naquele país. Finalmente foi cruelmente açoitado e logo crucificado pelos agitados idólatras.  


13. TOMÉ Chamado Dídimo, predicou o Evangelho em Partia e na Índia, onde por ter provocado a fúria dos sacerdotes pagãos, foi martirizado, sendo atravessado com uma lança.  


14. LUCAS O evangelista foi autor do Evangelho que leva seu nome. Viajou com Paulo por vários países, e se supõe que foi pendurado de uma oliveira pelos idólatras sacerdotes da Grécia.  


15. SIMÃO Apelidado de zelote, predicou o Evangelho na Mauritânia, África, inclusive na Grã Bretanha, país no qual foi crucificado em 74 d.C.  


16. JOÃO O "discípulo amado" era irmão de Tiago o Maior. As igrejas de Esmirna, Sardes, Pérgamo, Filadélfia, Laodicéia e Tiatira foram fundadas por ele. Foi enviado de Éfeso a Roma, onde se afirma que foi lançado num caldeiro de óleo fervendo. Escapou milagrosamente, sem dano algum. Domiciano desterrou posteriormente na ilha de Patmos, onde escreveu o livro do Apocalipse. Nerva, o sucessor de Domiciano, o libertou. Foi o único apóstolo que escapou de uma morte violenta.  


17. BARNABÉ  Era de Chipre, porém de ascendência judia. Supõe-se que sua morte teve lugar por volta do 73 d.C.  

E apesar de todas estas contínuas perseguições e terríveis castigos, a Igreja crescia diariamente, profundamente arraigada na doutrina dos apóstolos e dos varões apostólicos, e regada abundantemente com o sangue dos santos.


Fonte - O livro dos mártires, Jonh Fox


Compilado por

Edson Moraes

domingo, 9 de agosto de 2020

A PERSEGUIÇÃO AOS CRISTÃOS NA CHINA


Cristãos estão testemunhando muito mais problemas com as autoridades e essa pressão é sentida especialmente na esfera da igreja.

A China marcou 70 pontos na Lista Mundial da Perseguição (LMP) 2020, subindo para a posição 23, enquanto no ano anterior estava em 27° lugar, com 65 pontos. A pontuação de violência permaneceu praticamente inalterada já que a China marcou o máximo para prédios de igreja confiscados e destruídos. Os pontos para pressão nas esferas aumentaram na vida privada e comunidade, refletindo uma ênfase muito mais forte na ideologia comunista e que cidadãos são usados e pagos para fornecer informações sobre cristãos e outras minorias. A ênfase na ideologia e na ampla meta de preservar as regras do Partido Comunista reflete no contínuo crescimento da pontuação nas esferas da nação e igreja, onde é visível o reflexo da implementação muito rígida da regulamentação religiosa, que começou em 1 de fevereiro de 2018. Cristãos estão testemunhando muito mais problemas com as autoridades e essa pressão é sentida especialmente na esfera da igreja.

A pontuação média para pressão aos cristãos na China subiu de 11 para 11,9. As pontuações para pressão subiram em todas as esferas da vida, mostrando que a implementação das novas regulamentações na religião se estendeu sobre todas as províncias agora e são implementadas de acordo com a vontade do Partido Comunista, que é o principal implementador, não o governo. O ambiente legal e administrativo se tornaram mais difíceis, não apenas pelas chamadas igrejas domésticas, mas também por igrejas que pertencem ao Movimento Patriótico das Três Autonomias. A pressão para entrar na linha da ideologia prevalecente de louvar as conquistas do Partido Comunista tem se tornado muito mais forte e representa, sem dúvidas, um dos maiores riscos para cristãos, a longo prazo.

A pressão é mais forte na igreja e nação, com pontuações de 15,1 e 12,8, respectivamente. Enquanto a pressão nessas esferas é típica para países onde a opressão comunista e pós comunista é ativa, a pressão na vida privada aponta principalmente para os problemas que cristãos ex-muçulmanos e ex-budistas enfrentam. A pressão da opressão islâmica e do nacionalismo religioso é presente não apenas na vida privada, mas também na família e comunidade. Mas o aumento da pressão resultante da opressão comunista e pós-comunista pode ser sentida nessas esferas, por exemplo, em questões relacionadas à educação ou empregos, quando cristãos são professores ou médicos. O aumento na nação é devido ao aumento na pressão causado pelo ensinamento de seguidores da ideologia do Partido Comunista.

A pontuação para violência contra cristãos permanece quase inalterada, subindo apenas 0,2 pontos. Embora mais igrejas tenham sido fechadas pelo país, entre elas algumas igrejas de visibilidade muito alta, a China mais uma vez cruzou o limite para a pontuação máxima de igrejas sendo fechadas. Esse tem sido o caso há muitos anos. Não há mortes relatadas, mas um número crescente de cristãos continua sendo preso ou detido, algumas vezes com objetivo educacional. As autoridades, e em particular o Partido Comunista, não parecem se preocupar muito sobre as manchetes internacionais ruins. Pelo contrário, o Partido está tentando promover sua própria narrativa referente aos “campos de treinamento vocacional”.

Pedidos de oração

Ore pelo crescimento de cristãos ex-muçulmanos e ex-budistas de grupos minoritários.
Clame pelos cristãos chineses, para permanecerem firmes frente às restrições religiosas mais rigorosas.
Peça que Cristo se revele às autoridades do governo que buscam controlar a igreja.

Fonte: https://www.portasabertas.org.br/noticias/cristaos-perseguidos/a-perseguicao-aos-cristaos-na-china

Por Nivaldo Gomes.

sábado, 8 de agosto de 2020

A expansão do judaísmo da Dispersão (ou Diáspora)


A partir dos tempos do exílio babilônico (séc. VI a.C.) começou-se a verificar uma população cada vez maior de judeus que habitavam terras estrangeiras. Primeiramente, as maiores colônias judaicas concentraram-se na Mesopotâmia, como resultado direto da presença dos judeus deportados para aquele lugar. 
Dois séculos antes de Cristo, numerosas comunidades judaicas já podiam ser encontradas através de toda a Pérsia, Síria, Ásia Menor, Península Itálica, ilhas mediterrâneas e norte da África. A descoberta dos papiros de Elefantina revelou que já no séc. V a.C. o Egito abrigara uma populosa colônia judaica na região de Assuã. Essa comunidade - que alcançou significativa prosperidade na prática do comércio — ousou edificar para si um templo, fato repetido pelos judeus do séc. II a.C, que habitavam o Delta do Nilo. 

A cidade de Alexandria, no Egito, habitada por judeus desde sua fundação em 331 a.C. por Alexandre Magno, registrou uma população próxima de um milhão de judeus entre 30 a.C. e 50 A.D., número semelhante à soma de seus compatriotas que habitaram a Pérsia e a Ásia Menor no mesmo período. Na Itália e na Cirenaica somavam-se cerca de cem mil no primeiro século, muito embora já tivessem amargado a expulsão de Roma em 139 a.C, o que se repetiria mais tarde sob Cláudio Nero, em 50 A.D. (conf. At 18.2). 

Portanto, é tão curioso quanto relevante constatarmos que, no período apostólico, havia mais judeus habitando as terras estrangeiras do que a própria Israel. Essa distribuição populacional acarretada pela Diáspora cumpriu um papel altamente estratégico para a rápida difusão do cristianismo através do mundo romano, naquele momento histórico.
 Marcadamente distinto do judaísmo palestino pela adoção da língua grega, assim como pela influência dos costumes gentílicos, o judaísmo da Diáspora procurou manter fortes seus vínculos com a sagrada tradição judaica através do implemento de uma instituição que se tornou proeminente na difusão do cristianismo durante o período apostólico: a sinagoga. 

Originada nos tempos de cativeiro babilônico, em função do afastamento do templo e visando manter viva a chama da fidelidade aos ensinamentos de Jeová, a sinagoga transformou-se, a partir de mais ou menos 200 a.C. numa organização desenvolvida, estruturada e solidamente infiltrada na cultura dos judeus, tanto dos que habitavam a Palestina como dos dispersos pela imensidão do mundo romano. Na sinagoga, não apenas se cultuava ao Deus de Israel, mas também instruía-se o povo na Lei e nos Profetas, através da leitura assídua e devocional dos manuscritos sagrados, ali cuidadosamente conservados. A sinagoga era também o baluarte de preservação da língua hebraica — então, em franco processo de extinção — e da análise das traduções escriturísticas para o aramaico e para o grego. Servia tanto de escola básica para a criança judia, quanto de tribunal para os transgressores, que ali recebiam não apenas sua sentença, mas também sua execução. 

Tendo se espalhado pelos mais variados lugares onde se verificava a presença judaica, essa instituição tornou-se fonte de notável influência sobre o mundo gentílico — envolto na mais crassa idolatria — aproximando muitos de seus habitantes da mensagem mono teísta dos judeus, que trazia em seu bojo um sistema ético e moral muito superior ao conhecido e apregoado pela cultura paga. Nas sinagogas, os judeus da dispersão, assim como os prosélitos e simpatizantes dentre os gentios, disseminavam, com grande ardor, a esperança messiânica, colaborando para a familiarização do mundo greco- romano com a mensagem apostólica, que anunciava na pessoa de Jesus o prometido das nações. 

A forte influência da sinagoga atingiu também o seio da Igreja primitiva, para a qual exportou alguns de seus elementos, perceptíveis tanto na estrutura organizacional, como na liturgia daquele período. 
Como podemos verificar nas viagens missionárias de Paulo, narradas ao longo do livro de Atos, a sinagoga transformou-se numa parada obrigatória para os muitos cristãos primitivos de ascendência judaica, os quais, em suas missões evangelizadoras, se valeram dessa instituição para praticarem a regra de irem primeiro aos judeus e, então, aos gentios (conf. At 13.46). 

O judaísmo da Diáspora, da mesma sorte, colaborou com a mensagem dos apóstolos ao estimular a produção das primeiras traduções das Escrituras para o grego, uma vez que grande parte dessa população havia perdido a familiaridade com o hebraico. Essas traduções viabilizaram a utilização do Velho Testamento num mundo de língua grega, dinamizando e enriquecendo a transmissão da mensagem evangélica. A Septuaginta, por exemplo, a mais antiga tradução bíblica de que se tem notícia, foi organizada em Alexandria, entre 200 e 100 a.C, vindo a consagrar-se como uma espécie de "versão autorizada" do cristianismo primitivo. A ela pertence a maior parte das citações veterotestamentárias encontradas nos escritos apostólicos. Seu reconhecimento por parte da Igreja cristã pode ser medido pelo fato de a Igreja Ortodoxa Grega adotá-la, até os dias atuais, como sua versão oficial do Velho Testamento.

Muitos estudiosos das traduções bíblicas acreditam que as colônias judaicas a leste da Palestina, especialmente as do norte da Mesopotâmia, traduziram o Velho Testamento - parcial ou integralmente - para o siríaco, uma variante do aramaico falada naquela região. Crê-se que tal tradução teria, posteriormente, prestado grande auxílio na evangelização daquela região, que se transformou, no período pós-apostólico, num distinto centro do cristianismo primitivo. Mais tarde, os cristãos daqueles termos, particularmente os de origem judaica, agregaram ao seu Velho Testamento siríaco uma tradução do Novo Testamento na mesma linguagem, cuja composição transformou-se na famosa versão siríaca da Bíblia, conhecida como Peshitta. Embora as cópias remanescentes dessa versão remontem ao século V, é provável que outras versões incompletas tenham surgido ainda no fim do período apostólico. Sabe-se, atualmente, que essas comunidades cristãs de língua siríaca dispunham de grande ardor missionário, sendo responsáveis por parte das correntes evangelizantes voltadas para o oriente, especialmente para a Armênia, a índia e regiões da Ásia Central, como a China. Diz-se que nessas campanhas chegou-se a traduzir diversas porções das Escrituras Sagradas - hoje perdidas - para os dialetos de muitas das tribos alcançadas, a partir das traduções siríacas. E possível, portanto, que apóstolos como Tomé, Judas Tadeu e Bartolomeu, cujas missões evangelísticas orientaram-se nessa direção, tenham se beneficiado com a contribuição das colônias judaicas de língua siríaca.

Fonte -BARROS, Aramis de.  Doze homens e uma missão" pp. 23-25. Ed. Hagnos..

Compilado por
Edson Moraes

sábado, 4 de julho de 2020

IGREJA NA SOMÁLIA CRESCE APESAR DE EXTREMISMO ISLÂMICO E DA PROPAGAÇÃO DA COVID-19


Nesta quarta-feira (01), país comemora 60 de independência; apesar da forte presença do extremismo islâmico, o número de cristãos na Somália está crescendo

Fonte: Portas Abertas em 01/07/2020  

Nesta quarta-feira (01), faz 60 anos da Independência da Somália, quando os protetorados britânico e italiano se tornaram um. A partir daí o país já passou por um regime militar até 1991, e logo em seguida foi palco dos conflitos entre clãs, que provocaram a morte de centenas de pessoas. Hoje, a nação é controlada por um governo fraco, extremistas radicais, como o Al-Shabaab, e milícias locais.

Ser um cristão na Somália é arriscado, já que são as principais vítimas de extremistas, que desejam a criação de um Estado governado pela sharia (conjunto de leis islâmicas). A perseguição aos cristãos no país continuou até mesmo durante a crise de COVID-19, quando os militantes do Al-Shabaab culparam os seguidores de Jesus pelo surgimento e propagação do coronavírus. Diante da rápida propagação da doença, os radicais criaram um centro de isolamento e tratamento para os doentes. “Exorto as pessoas com sintomas da doença a virem às instalações médicas e a evitarem infectar outros muçulmanos", disse o xeique Mohamed Bali durante um discurso na rádio oficial do grupo.

O risco de ser um cristão na Somália

A população de muçulmanos na Somália passa de 99%, isso indica que propagar o evangelho no território é algo arriscado e pode resultar em prisão, ostracismo e morte, por isso, a nação está na 3ª colocação da Lista Mundial da Perseguição 2020. Neste contexto, a Portas Abertas conheceu Muktar*, que atua como pastor há 20 anos e tem cinco de parceria com a organização. Ele contou que tem sido comum a conversão de muçulmanos a Cristo, e por isso o trabalho com discipulado dos novos cristãos resulta em discípulos de Jesus capazes de resistir à perseguição.

Outro trabalho feito com a igreja somali é a ministração de um curso teológico que dura dois anos. Os investimentos nos cristãos locais dão esperança ao pastor de que novos líderes cristãos levarão o evangelho adiante. O processo de plantação de igrejas começou, porque já existe um trabalho com outros cristãos ex-muçulmanos na cidade vizinha. “Digo a você que podemos ver, ouvir, rastrear e tocar o impacto disso. Nossa emoção é ilimitada. Deus realizou um milagre para minha família e nosso ministério. Somos muito abençoados! Todo mundo tem medo de ministrar entre os somalis. Ninguém quer alcançá-los. Mas vocês permaneceram ao nosso lado, seus líderes têm nos treinado e encorajado", agradece o pastor Muktar.

* Nome alterado por segurança.

Invista nos cristãos do Chifre da África

Os cristãos ex-muçulmanos precisam de discipulado e conhecimento bíblico para que possam compartilhar o evangelho com outras pessoas. Ore e contribua para que mais irmãos e irmãs sejam treinados e trabalhem no desenvolvimento de igrejas locais.

Pedidos de oração

- No dia da Independência da Somália, agradeça a Deus pela obra que ele já começou no país. Peça que os cristãos tenham ousadia e sabedoria para fazer o nome de Jesus conhecido.

- Ore para que os cristãos somalis sejam guardados e assistidos pelo Senhor durante a pandemia da COVID-19.

- Interceda para que o governo da Somália seja composto por pessoas que temam a Deus e se preocupam em cuidar da população. Que as ações delas promovam a paz e a justiça.

- Clame pelas vidas dos integrantes do Al-Shabaab, para que sejam frustrados nos planos deles e tenham um verdadeiro encontro com Jesus.

Por 
Nivaldo Gomes.

domingo, 24 de maio de 2020

A perseguição aos cristãos em Antioquia.

Série Os mártires do Cristianismo

Parte IV

O impiedoso Galério com o seu grande prefeito Asclepíades invadiu a cidade
de Antioquia no intuito de, pela força das armas, fazer todos os cristãos
renunciar radicalmente à sua pura religião. Naquele dia os cristãos
encontravam-se reunidos, e um certo Romano foi correndo anunciar-lhes que os
lobos estavam por perto querendo devorar o rebanho cristão. — Mas não
tenham medo — disse ele — nem deixem que esse iminente perigo os perturbe,
meus irmãos. — Aconteceu então que, pela grande graça de Deus atuando em
Romano, velhos e matronas, pais e mães, mancebos e donzelas, mostraram
todos a mesma vontade e decisão, estando mais do que dispostos a derramar o
próprio sangue em defesa da fé que professavam.
Chegou ao prefeito a notícia de que um pelotão de soldados armados não
conseguiu arrancar o báculo da fé das mãos da congregação de cristãos, e tudo
porque Romano os instigou com tal veemência que eles não hesitaram em
oferecer a própria garganta, desejando morrer gloriosamente pelo nome de
Cristo. — Encontrem o rebelde — disse o prefeito — tragam-no à minha
presença para que ele responda por toda a seita. — Ele foi apreendido e,
amarrado como uma ovelha conduzida ao matadouro, foi apresentado ao
imperador, que, fixando-o com semblante irado, disse: — Como! És tu o autor
da revolta? És tu a causa de tantos perderem a própria vida? Juro pelos deuses que tu hás de pagar caro por isso. Primeiro, na tua carne sofrerás as dores para
as quais animaste o coração dos teus colegas.
Respondeu Romano: — A tua sentença, ó prefeito, eu a recebo com alegria.
Não me recuso a ser sacrificado pelos meus irmãos, por mais cruéis que sejam
os meios que tu possas inventar. No que se refere ao fato de que os teus
soldados foram repelidos pela congregação cristã, isso apenas aconteceu porque
era inadmissível que idólatras e adoradores de demônios entrassem na casa de
Deus e poluíssem o lugar da verdadeira oração.
Então Asclepíades, absolutamente furioso com essa intrépida resposta,
ordenou que Albano fosse amarrado com os braços presos ao corpo e depois
eviscerado. Os próprios carrascos, que tinham um coração mais piedoso que o
do prefeito, intercederam: — Não pode ser, senhor. Este homem é de uma
família nobre. É ilegal submeter um nobre a morte tão ignóbil. — Respondeu o
prefeito: — Que seja então flagelado com açoites com pontas de chumbo. —
Em vez de lágrimas, suspiros e gemidos, ouviu-se a voz de Albano cantando
salmos durante todo o tempo da flagelação, pedindo aos algozes que não o
poupassem pela sua nobreza. — Não é o sangue dos meus progenitores — dizia ele — mas sim a profissão de fé cristã que me faz nobre. — As salutares
palavras do mártir eram como óleo para o fogo da fúria do prefeito. Quanto
mais o mártir falava, mais enlouquecido ele ficava, a ponto de ordenar que as
ilhargas do mártir fossem perfuradas a faca até aparecer o branco dos ossos.

Quando Romano pela segunda vez pregou o Deus vivente, o Senhor Jesus
Cristo, Seu Filho bem-amado, e a vida eterna por meio da fé no Seu sangue,
Asclepíades ordenou aos carrascos que lhe esmurrassem a boca até que seus
dentes fossem arrancados e sua pronúncia acabasse também afetada. A ordem
foi cumprida: ele foi esmurrado, suas sobrancelhas foram rasgadas a unha e suas
faces perfuradas a faca; a pele da barba foi pouco a pouco arrancada;
finalmente, seu belo rosto estava todo deformado. Disse o dócil mártir: — Eu
lhe agradeço, ó prefeito, por ter aberto em mim muitas bocas, com as quais
posso pregar a Cristo, meu Senhor e Salvador. Veja, cada ferida que eu tenho é
uma boca louvando e cantando a Deus.
O prefeito, assombrado com essa singular constância, ordenou que
suspendessem as torturas. Ameaçou o nobre mártir com o fogo cruel, insultou-o
e blasfemou a Deus dizendo: — O teu Cristo crucificado não é mais que um
Deus de ontem. Os deuses dos gentios são de extrema antigüidade.
Nesse ponto Romano, aproveitando a ocasião, fez um longo discurso sobre a eternidade de Cristo, sua natureza humana, e sobre a sua morte e expiação pela humanidade. Em seguida , disse ele: — Dê-me, ó prefeito, uma criança de
apenas sete anos, idade isenta de malícia de outros vícios com os quais a idade
mais madura geralmente está infectada, e o senhor ouvirá o que ela tem a
dizer. — Seu pedido foi aceito.
Dentre a multidão chamou-se um menininho que foi colocado diante do
mártir. — Dize me, filhinho — disse ele — se tu achas que há razão para que
adoremos a um só Cristo, e em Cristo a um só Pai, ou então para que adoremos
a muitos deuses.

Ao que o menininho respondeu: — Certamente Aquele que os homens
afirmam ser Deus (seja o que for), deve ser um só; e o que lhe é próprio é único.
Porque Cristo é único, Cristo é necessariamente o verdadeiro Deus, pois nós
crianças não podemos acreditar que existam muitos deuses.

A essa altura o prefeito, tomado de puro espanto, disse: — Tu, jovem vilão e
traidor, onde e de quem aprendeste essa lição?

— De minha mãe — disse a criança. — Com seu leite suguei a lição de que
devo crer em Cristo. Chamou-se a mãe, e ela de bom grado se apresentou. O
prefeito ordenou que a criança fosse pendurada e açoitada. Os condoídos
espectadores desse ato impiedoso não conseguiam controlar as lágrimas. Apenas
a mãe, exultante e feliz, a tudo assistia com as faces secas. Na verdade, ela
repreendeu o seu doce filhinho por implorar um gole de água fria. Disse-lhe para
ter sede da taça da qual outrora beberam os infantes de Belém, deixando de
lado o leite e as papinhas de suas mães. Ela o encorajou a lembrar-se do pequeno
Isaque que, vendo a espada com a qual seria abatido e o altar sobre o qual seria
queimado em sacrifício, de boa mente apresentou o tenro pescoço ao golpe da
espada do seu pai. Enquanto era dado esse conselho, o sanguinário algoz arrancou o couro do alto da cabeça do menino, com cabelo e tudo. Gritou então a mãe — Agüenta, filhinho! Logo tu verás Aquele que te enfeitará a cabeça nua
com uma coroa de glória eterna. — A mãe consola, a criança sente-se
consolada; a mãe anima, o menininho sente-se animado e recebe os açoites com
um sorriso no rosto.

O prefeito, percebendo que a criança era invencível e sentindo-se derrotado,
mandou o abençoado menininho para a fétida masmorra e deu ordens para que
as torturas de Romano, principal autor destas maldades, fossem repetidas e
intensificadas.
Assim, Romano foi trazido outra vez para novos açoites, devendo os castigos
ser renovados e aplicados sobre as suas velhas feridas. O tirano já não agüentava
mais; era necessário apressar a sentença de morte. — É penoso para ti — disse
ele  continuar vivo por tanto tempo? Não tenhas dúvida de que uma
flamejante fogueira será em breve preparada. Nela tu e aquele menino, teu
companheiro de rebelião, sereis consumidos e transformados em cinza. —
Romano e o menininho foram conduzidos para a execução. Ao chegarem ao
local escolhido, os carrascos arrancaram o filho da sua mãe, que o tomara nos
braços. A mãe, limitando-se a beijá-lo entregou a criancinha. — Adeus! — disse
ela — Adeus, meu doce filhinho. Quando tiveres entrado no reino de Cristo, lá
no teu abençoado estado lembra-te da tua mãe. — E enquanto o carrasco
aplicava a espada ao pescoço da criancinha, ela cantou assim:

Todo louvor do coração e da voz
Nós te rendemos Senhor.
Neste dia em que a morte deste santo
Recebes com muito amor.

Tendo sido cortada a cabeça do inocente, a mãe a envolveu em seu vestido
e a segurou no colo. Do lado oposto, uma grande fogueira foi acesa na qual
Romano foi atirado. No mesmo instante desabou uma grande tempestade.
Finalmente o prefeito, sentindo-se confuso diante da força e coragem do
mártir, deu ordens rigorosas para que ele fosse reconduzido à prisão, onde
deveria ser estrangulado.

Série:  Os mártires do Cristianismo

 Jonh Foxe

Compilação: Eziel Ferreira

domingo, 26 de maio de 2019

A Cristofobia no Mundo e o Desrespeito ao Direito Humano e a Liberdade Religiosa

Para compreendermos a extensão do significado da liberdade religiosa vamos transcrever o artigo 18. da Declaração Universal dos Direitos Humanos: "Toda pessoa tem direito a liberdade de pensamento, este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de expressar essa crença pelo ensino, pela prática e pela observância isolado ou coletivamente, em público ou em particular ". Em muitas partes do mundo este direito humano não tem sido observado, sobretudo sobre os cristãos. 
Por exemplo, na Arábia Saudita e no Afeganistão, além da proibição da construção de qualquer igreja, há casos de cristãos presos por terem sido encontrados prestando culto a Deus.

Em outros países como o Turcomenistão, exige-se a licença para praticar a fé. Se uma denominação de igreja não faz parte da lista autorizada pela burocracia governamental, os cristãos dessa igreja estarão impedidos de se reunir. Se forem encontrados juntos, prestando culto, serão presos e pagarão multa pesada. Outros países, como Egito, até permite construir igrejas, mas são enormes as exigências estatais para autorizar a construção ou , até mesmo, uma simples reforma. As igrejas tem de entrar com processos que podem se arrastar por décadas.
Mesmo sem o direito de construir suas igrejas, os cristãos não tem o direito de se reunirem publicamente, como ocorre em muitos lugares na China. Na Bielorrússia, cristãos que tentam se batizar em rios são presos.
A Declaração Universal fala da liberdade de manifestação religiosa pelo ensino. Ensinar o cristianismo para crianças, dentro da perspectiva do direito dos pais, é uma tarefa muito difícil em muitos lugares.

Exemplos como o caso do pastor Yuseff Nadarkani, no Irã, que foi preso por desejar que seu filho fosse criado no cristianismo e não e no Islã. País cristãos na Coreia do Norte, deixam de transmitir a fé para seus filhos, com medo de perdê-los para campos de reeducação, situação essa que fará com que eles nunca mais os veja.
Há países que qualquer forma de evangelização fica completamente comprometida. No Afeganistão, entregar uma cópia do Novo Testamento leva cristãos a serem sentenciados a prisão ou até mesmo a morte. Milhares de Bíblias foram aprendidas em países como a Malásia. Há países que exigem a estampa na capa da literatura cristã : " Para cristãos apenas" ou " proibido para mulçumanos". Em Burna, um país de maioria budista, não é permitido ter Bíblia no idioma local.

Nem a liberdade de mudar de religião e se converter ao cristianismo é algo possível nos países de alta perseguição. Líderes cristãos são torturados por batizar ou converter alguém. Há países como o Sudão do Norte e a Malásia que consideram a conversão de um mulçumano ao cristianismo como um crime que deve ser punido com a morte.
Nem ainda depois de mortos a memória dos cristãos são respeitadas. Pois em países como Nepal e outros países Sul Asiáticos as igrejas estão proibidas de ter cemitérios, devendo cumprir as normas religiosas budistas e hinduistas.
Na Malásia, corpos são confiscados das famílias cristãs para serem queimados conforme as normas da Sharia, lei islâmica. Para tanto, basta que um islâmico afirme que o morto era mulçumano, é estará concretizado o confisco, pois o testemunho de um familiar cristão vale menos que o testemunho de um mulçumano.

Livro: A Cristofobia no Século XXI - Entendendo a perseguição aos cristãos no terceiro milênio (Daniel Chagas Torres )
Via Fabiana Ribeiro.

Etapas que Consolidam a Perseguição aos Cristãos Atualmente

A primeira etapa é a da desinformação. É uma etapa que se dá na mídia em artigos impressos, rádio, televisão, entre outros. Nesta etapa são furtados dos cristãos sua boa reputação e o seu direito de resposta. Concretiza-se no momento em que, sem processo, os cristãos são culpados de qualquer coisa. A opinião pública, alimentada por essa desinformação, não protegerá os cristãos da próxima etapa: A discriminação. Vale ressaltar que, hoje, esta etapa no Ocidente, especialmente no Brasil, ainda não está consolidada, porém, encontra-se em processo acelerado. E isso pode ser comprovado por diversos sinais.
Nas redações jornalísticas, com raras exceções, praticamente nada do que esteja fora da, já mencionada, "agenda progressiva de valores" ganha destaque. Uma agenda cristã contra o Aborto, por exemplo, não tem o mesmo espaço da mídia, e quando têm, é apresentada de forma minúscula e cheia de preconceitos, como se a opinião dos cristãos não tivesse nenhum embasamento científico, mesmo quando esse embasamento é efetivamente apresentado. Os programas de televisão e outras mídias provocam a descrença ao abordar temas religiosos com falta de respeito, com chacotas para com a crença das pessoas. Líderes cristãos são ridicularizados e expostos de forma a levar a crer que a maioria são mercenários, isso, raramente conferindo direto de resposta. A pavimentação final da autoestrada que levará a cabo essa etapa, é a elaboração de leis que ferem a liberdade religiosa, especialmente a cristã.

A segunda etapa é a discriminação em si. Concretizado esse passo, os cristãos passam a ter a condição de cidadãos de segunda classe e sofrem um empobrecimento legal, social, político e econômico se comparado aos demais cidadãos. É muito fácil verificar isso em países como Paquistão e Iraque, entre outros.
A terceira etapa é a perseguição em si, sua concretização. O Estado, as organizações extremistas, multidões enfurecidas, grupos paramilitares, representantes de outras religiões poderão impunemente agredir os cristãos sem nada acontecer aos agressores. A periculosidade desse estágio é elevadíssima. Aqui, atentados, assassinatos e tudo que houver de pior poderá tornar-se possível.
Vale ressaltar que uma vez realizada essas três etapas, um verdadeiro pesadelo ocorrerá. Em muitos países essas etapas estão consolidadas a séculos; em outros, há décadas. Já em alguns, está bem encaminhado nos passos um e dois. Uma coisa é certa: nós, cristãos ocidentais, temos uma participação importante nesse processo. Podemos ajudar essas comunidades em que a consolidação da perseguição já ocorreu, despertando para intensas orações e também atitudes, exigindo vias diplomáticas por intermédio das nossas nações. Também é viável a colaboração financeira para instituições que, por vezes, são a única fonte de ajuda aos perseguidos. Entretanto, vale lembrar que não devemos baixar a guarda sobre o avanço da " fase um" no Ocidente. Se ainda temos voz, esse é o momento de usá-la. Se perdermos a oportunidade que temos hoje, poderá ser tarde.

Livro: A Cristofobia no Século XXI - Entendendo a perseguição aos cristãos no terceiro milênio (Daniel Chagas Torres), pp. 56 e 57.
Via Fabiana Ribeiro.

Fontes de Perseguição aos Cristãos

( A triste história da adolescente Anna)
Ao responder a pergunta " Por que os cristãos são perseguidos ?" O livro "Persercuted ?: The Global Assalt Christians" revela as três principais fontes de perseguição ao cristianismo, que levam aos casos mais gravosos e extremos. 
Em primeiro lugar, temos a perseguição patrocinada pelo governo, a exemplo de países como a Coréia do Norte, China, Vietnã, Arábia Saudita, Irã, etc. A segunda fonte de perseguição é a hostilidade dentro da sociedade, geralmente por parte de pessoas que, diante do contexto do seu país, pode agir impunemente. Essa é a situação do Iraque e Nigéria. 
A terceira fonte é originária de fontes terroristas, a exemplo do Talibã ou do Bako Aran na África.

Quando ocorre a simultaneidade dessas três fontes de perseguição em um determinado país, a situação pode ficar absurda ou simplesmente inacreditável. Segue um exemplo do que acontece quando essas três fontes operam juntas.
Uma adolescente cristã de 12 anos chamada Anna recebeu a visita de um amigo muçulmano em sua casa em Lahore, no Paquistão. O jovem a convidou para ir a um shopping as vésperas do Natal de 2010. Assim que entrou no carro, a jovem foi raptada por pessoas ligadas ao seu amigo muçulmano. Levaram-na para outra casa, onde foi mantida refém por longos 8 meses. Nesse período foi várias vezes vítima de estupros, agressões e tentaram coagi-la a se converter ao islã. A família da jovem não tinha a menor ideia do que tinha ocorrido com ela. O pai dela, Arif Masih, apos tomar conhecimento, comunicou o ocorrido a polícia, mas os policiais não tomaram nenhuma atitude.
Em 2011 Anna conseguiu escapar por uma rodoviária, e de lá ligou para a família, que foi ao encontro dela. Os sequestradores, vejam só, acionaram a polícia, solicitando que a garota fosse devolvida a eles. Segundo os raptores ela teria se convertido ao islã e agora estava casada com um dos sequestradores. A polícia disse a família que seria melhor devolver a garota ao "marido " dela, caso a menina não fosse devolvida, o seu pai poderia responder um processo criminal. Temendo que a filha voltasse para as mãos dos sequestradores, essa família passou a se esconder.
Podemos observar nesse exemplo a coligação das três fontes ora mencionadas:
1. Uma visão social que legitima essa hostilidade a minorias religiosas como algo normal, especialmente tendo em vista que nesse país o testemunho de um cristão Vale menos que o testemunho de um muçulmano. E o testemunho da mulher cristã vale menos ainda;
2. A ação de grupos extremistas, utilizando-se de terror e subterfúgios moralmente abjetos para converter cristãos;
3. A total inércia da polícia do país, representando o Estado, que não apenas se manteve inerte ao pedido de ajuda , mas simpatiza e colabora com grupos que sabe, fazem partes de organizações extremistas.
Livro: A Cristofobia no Século XXI - Entendendo a perseguição aos cristãos no terceiro milênio, páginas 48 e 49 (Daniel Chagas Torres)
Via Fabiana Ribeiro.