Por Walson Sales
Recentemente, ao ler o artigo 10 Absurdities of Atheism, de C. Michael Patton, no site da Credo House, fui atraído pela forma como ele abordou algumas deficiências do ateísmo, apontando problemas lógicos e filosóficos dessa visão de mundo. Decidi fazer um resumo crítico de seus principais pontos, expandindo as implicações de cada um. A seguir, analiso e comento as reflexões de Patton, contextualizando-as com a perspectiva apologética cristã e as contribuições de autores como Douglas Groothuis, Paul Copan e William Lane Craig. Veremos como o ateísmo enfrenta dificuldades em questões como moralidade, sentido da vida e a origem do universo, revelando a complexidade e, em alguns casos, as incoerências dessa visão de mundo.
O Ateísmo e a Moralidade
De acordo com Patton, o ateísmo carece de um fundamento moral. Para ele, sem a crença em Deus, o ateísmo não oferece uma base objetiva para os valores e princípios morais. Em uma cosmovisão ateísta, os padrões morais são estabelecidos subjetivamente, baseados nas preferências e julgamentos de cada indivíduo ou, no máximo, de um consenso social. Isso leva a um relativismo moral em que qualquer pessoa ou cultura poderia justificar praticamente qualquer comportamento. Quando os valores são construídos apenas pela conveniência ou pelo gosto pessoal, perde-se o caráter de obrigatoriedade e objetividade que as normas morais devem ter. Em contraste, o teísmo, particularmente o cristianismo, defende uma moralidade que se fundamenta em um Deus transcendente, cujos mandamentos constituem normas absolutas. Este contraste é bem ilustrado na obra de C.S. Lewis, que argumenta que nossa própria percepção do certo e do errado aponta para uma Lei Moral universal e, consequentemente, para um Legislador supremo.
A Origem do Universo e da Vida
Outro ponto fundamental levantado por Patton é que o ateísmo não fornece uma resposta adequada para a origem do universo e da vida. Segundo ele, o ateísmo tropeça ao tentar explicar como algo veio a existir a partir do nada, uma vez que tal conceito viola um dos axiomas fundamentais da razão e da ciência: ex nihilo nihil fit, ou seja, “do nada, nada vem”. A cosmovisão ateísta, que rejeita qualquer causa transcendente, esbarra na dificuldade de justificar a existência do universo sem recorrer a um criador. Esse problema é particularmente forte quando se considera a origem da vida, pois, de acordo com a lei da biogênese, vida só provém de vida. A crença ateísta na geração espontânea de vida a partir da matéria inanimada não é respaldada por evidências científicas e exige um salto de fé, comparável ao que os teístas são acusados de praticar. Patton sugere que o ateísmo, ao rejeitar uma causa para o universo e a vida, acaba apelando para uma “mágica filosófica” sem explicação racional. Nesse ponto, ele ecoa o argumento cosmológico de William Lane Craig, que sustenta que tudo o que começa a existir tem uma causa, e que o universo, sendo finito, exige uma causa externa para existir.
A Complexidade do Universo e do Design
Em seguida, Patton destaca a incapacidade do ateísmo em explicar a complexidade do universo. O ajuste fino das leis e constantes físicas que permite a existência de vida aponta, para os teístas, para um design inteligente, e não para um evento aleatório. O argumento teleológico se apoia na precisão dessas leis que, se alteradas em mínimos detalhes, resultariam em um universo inabitável. O ateísmo, ao rejeitar a existência de um Criador, é forçado a aceitar que a complexidade do universo surgiu por puro acaso. Patton observa que essa postura gera uma contradição filosófica, pois, segundo a lógica, o efeito não pode ser maior do que a causa. Nesse caso, o ateísmo postula que a complexidade e a ordem surgiram da simplicidade e do caos, o que é altamente improvável. Como Copan e Groothuis frequentemente discutem, o ajuste fino do universo demanda uma explicação que o ateísmo não é capaz de fornecer.
O Propósito da Vida
A quarta crítica de Patton ao ateísmo é sua falha em fornecer um sentido último para a existência humana. Se a vida é apenas o resultado de processos evolutivos e reações químicas aleatórias, ela carece de um propósito transcendente. A ideia de que somos simples poeira cósmica cria um profundo vazio existencial, pois se não há uma razão para a nossa existência, então qualquer busca por sentido e significado se torna, no fundo, ilusória. Muitos ateus acabam buscando significado nas suas próprias criações pessoais de propósito, mas Patton argumenta que, sem uma razão transcendental, esses significados são temporários e vazios. O teísmo, por outro lado, afirma que cada indivíduo possui um propósito dado por Deus, o que oferece uma explicação satisfatória para o impulso humano de buscar sentido e para o nosso desejo por significado profundo.
Ateísmo como Fé Cega
Para Patton, o ateísmo é, em última análise, uma forma de fé cega. Os ateus acreditam que não existe uma causa sobrenatural para o universo ou para a vida, mas essa crença também não possui uma base científica ou filosófica definitiva. O ateísmo depende de uma crença negativa – a de que Deus não existe –, o que exige uma negação persistente da grande quantidade de evidências que apontam para a existência de um Criador. Ao contrário do que muitos ateus afirmam, sua posição não é simplesmente a “ausência de crença”, mas uma crença positiva na inexistência de Deus, o que necessita de um tipo de fé.
A Ausência de Esperança no Ateísmo
Patton argumenta que o ateísmo oferece pouco ou nenhum consolo diante do sofrimento e da morte. Se não há uma vida após a morte ou um julgamento futuro, então a vida é apenas um ciclo sem propósito, encerrado na aniquilação do indivíduo. A esperança é um componente essencial da existência humana, e o ateísmo, ao negar qualquer tipo de propósito ou destino último, priva o ser humano de uma razão para viver e para lutar diante das adversidades.
O Ateísmo e a História de Barbárie
O ateísmo, afirma Patton, tem sido usado ao longo da história para justificar atrocidades. Embora nem todos os ateus sejam ou se tornem violentos, regimes ateístas radicais foram responsáveis por genocídios e abusos em massa. A frase de Dostoiévski, “Se Deus não existe, então tudo é permitido”, ilustra a lógica de que, sem uma moralidade absoluta, tudo se torna justificável. Em uma visão de mundo onde não há julgamento divino, não há limites para a crueldade. É claro que muitos ateus rejeitam essa implicação, mas Patton argumenta que o ateísmo, levado às suas últimas consequências, abre espaço para atos de barbárie sem punição ou remorso.
O Mal e o Sofrimento
Um dos pontos mais debatidos no ateísmo é sua falha em dar uma resposta satisfatória ao problema do mal e do sofrimento. O ateísmo, que rejeita uma realidade transcendental, não pode oferecer um propósito para o sofrimento. No teísmo, o sofrimento é compreendido dentro de uma perspectiva de redenção e propósito, enquanto no ateísmo ele é visto como algo sem sentido. Para aqueles que buscam um significado no sofrimento, o ateísmo é particularmente insatisfatório.
A Limitação da Ciência
Outro ponto relevante que Patton levanta é a crença de que apenas a ciência pode fornecer respostas definitivas para todas as questões. No entanto, o ateísmo ignora que muitas das perguntas mais fundamentais sobre a vida, como a origem da moralidade, o sentido da vida e a existência de Deus, estão além do alcance da ciência. Assim, o ateísmo acaba caindo no cientificismo, um erro filosófico que transforma a ciência em um ídolo. Como Groothuis e outros apologistas destacam, a ciência é limitada ao estudo do natural, e confiar cegamente nela é um erro.
Dissonância Cognitiva no Ateísmo
Finalmente, Patton argumenta que o ateísmo leva a um estado de dissonância cognitiva. Os ateus, mesmo negando Deus e os valores transcendentes, vivem como se tais valores fossem reais. Eles defendem a moralidade, a dignidade e o valor humano, mas suas crenças não sustentam esses princípios. Para Patton, essa incoerência reflete a fragilidade do ateísmo como cosmovisão.
Conclusão
As críticas de Patton ao ateísmo revelam as profundas lacunas dessa visão de mundo em áreas essenciais da experiência humana. Ao tentar excluir Deus da explicação da vida, o ateísmo priva o ser humano de respostas e fundamentos básicos para sua existência. Essas deficiências não só questionam a adequação do ateísmo, mas também apontam para a necessidade de uma perspectiva que considere o transcendente como uma resposta legítima e necessária para as questões fundamentais da vida humana.